The Happening - Fim dos Tempos

Julho 27, 2008 at 6:36 pm (Cinema, Cinema do mundo, Cinema norte-americano, Crítica de filme, Movie, Sem-categoria)

O diretor indiano M. Night Shyamalan virou “cult” (cultuado) da noite para o dia quando lançou o realmente muito bom The Sixth Sense (O Sexto Sentido). Depois dele, veio Unbreakable (Corpo Fechado) que, diferente de muitas outras pessoas, eu gostei. Afinal, era uma história “livre” sobre, no fundo no fundo, heróis de HQs - pelo menos uma brincadeira com a idéia deles em “pessoas reais”. O problema é que The Sixth Sense foi uma unanimidade e Unbreakable não. O que ninguém suspeitava, na época - os filmes citados foram lançados em 1999 e 2000, respectivamente - é que M. Night Shyamalan estava apenas começando a descer a ladeira. Ele filmaria, depois, filmes controversos como Signs (Sinais, que eu odiei e outros amaram), The Village (A Vila, que também não me convenceu, mas que outros curtiram) e, em 2006, Lady in the Water (A Dama na Água, um dos piores do diretor até então, na minha opinião). Sempre existem opiniões divergentes - ainda bem!!! - mas, em geral, pode-se dizer que os filmes foram cada vez mais desagradando aos fãs e à crítica. Lady in the Water foi bombardeando por todos os lados. Assim, eu estava curiosa para assistir a esse The Happening porque queria saber se ele tinha conseguido ir ainda mais ladeira abaixou ou se, finalmente, tinha se recuperado um pouco da sequência de filmes ruins. E a verdade é que, ainda que não seja um filme realmente bom, pelo menos eu achei ele melhorzinho que os anteriores.

A HISTÓRIA: O dia começa normal em Nova York. Muitas pessoas caminham pelo Central Park em uma manhã quente e ensolarada. Cenas cotidianas esperadas até que as pessoas começam a ter estranhas reações. Quase todos ficam parados, como que congelados, e começam a andar para trás. Outros buscam maneiras de se matar. Logo estes e outros estranhos eventos começam a ganhar repercussão nas rádios e tevês, com as pessoas sendo orientadas a irem para casa e para evitarem os parques públicos onde os eventos começaram a ser registrados. Inicialmente se fala em ataques terroristas. Logo a história se foca na vida do professor de ciências Elliot Moore (Mark Wahlberg), que leciona na Filadélfia. Ele acaba saindo da cidade para o interior acompanhado da mulher, Alma (Zooey Deschanel), do amigo e professor Julian (John Leguizamo) e pela filha dele, Jess (Ashlyn Sanchez). O problema é que os ataques começam a ser cada vez mais frequentes, em espaços públicos variados e tendo como alvo grupos menores de pessoas.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER: aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a The Happening): Algo têm-se que admitir: M. Night Shyamalan sabe como prender a atenção da platéia e tem o talento para construir cenas realmente desconcertantes. O início do filme é excepcionalmente bom - pena que apenas o início. Primeiro, a sequência de imagens de nuvens e música impactante dos créditos iniciais. Me fez lembrar as antigas sequências iniciais de filmes russos e italianos. Gostei muito, aliás, da direção de fotografia de Tak Fujimoto e da trilha sonora do geralmente ótimo James Newton Howard.

Fora a sequência dos créditos iniciais, a parte do filme anterior a apresentação do professor Elliot Moore realmente é muito boa. Os sintomas que afetam as pessoas, primeiro o da perda da fala, depois o da desorientação física - com perda de sentido de direção e, por fim, do suicídio coletivo, realmente é impactante. Aliás, talvez o filme não seja recomendado para os corações sensíveis - ainda que, geralmente, o diretor siga o seu lema de não mostrar propriamente a ação que provoca a morte mas, ainda assim, ele acaba mostrando o “depois”. A verdade é que essa sequencia inicial é o que motiva o espectador a assistir a todo o resto, porque realmente é impactante ver as pessoas caindo de prédios como se fossem folhas de papel ou mesmo ver a tanta gente buscando formas de se matar de algum jeito. Incrível e angustiante.

O problema do filme começa quando aparece o Sr. Moore. Há tempos já eu não entendo a ironia dos roteiros de M. Night Shyamalan. O que ele parece achar cômico e engraçado eu acho apenas patético. Então as primeiras falas do personagem de Mark Wahlberg - e muitas das que ele ainda vai soltar durante o filme - são realmente intragáveis. Exemplos? Muitos, mas para começar o diálogo dele com o aluno Jake (Robert Lenzi) realmente é de chorar. Se bem que, pensando agora, talvez ele tenha construído todo o absurdo da cena para dizer que algumas vezes as teorias mais aceitas, até no meio científico, podem ser ditas até por um idiota que não tem nenhum interesse na ciência. Será isso, uma grande crítica a base da nossa sociedade atual - que aposta na ciência? Huuuummmmm… se for isso, desculpe, mas discordo dele. Acho até que atualmente se dá menos importância para a ciência e mais para aparências e o consumo do que se deveria. Mas enfim, nem tentarei entrar na cabeça de M. Night Shyamalan. :)

O problema é que o personagem de Elliot Moore não vai melhorando conforme o tempo do filme passa. A cada fala - em especial nos diálogos com a mulher Alma - ele parece mais limitado intelectualmente. Mas ok, se o personagem principal não convence, pelo menos as sequências de angústia seguem interessantes. O problema é que elas são poucas. Grande parte do filme se desenvolve em uma fuga que parece não ter fim - e nem direção. Depois, quando finalmente fica evidente a razão dos tais “ataques”, o filme se torna ainda mais risível. (NÃO LEIA SE REALMENTE NÃO ASSISTIU AO FILME). Ok que nos últimos anos o assunto da vez é o aquecimento global, a “merda” que a Humanidade está fazendo com a Natureza e de como as gerações futuras - e até nós, atualmente - vão pagar por tudo isso, mas daí a escrever uma história em que as árvores, gramas e etc. se comunicam para exterminar os humanos como reação aos nossos abusos é um pouco demais, não? Ok, é um comédia e não um filme de suspense ou terror. Ah tá, agora entendi!! :)

Certo, o motivo pelo qual as pessoas são mortas pouco interessa, na verdade. Os “fins” aqui não justifica os meios e sim o que é contado antes do “grand finale” é o que interessa. Ainda assim, nem tudo antes é interessante. Como eu dizia antes, a maior parte dos diálogos é dispensável, cômicos mesmo, e uma boa parte da fuga incessante também se torna meio chata. Mas enfim, pelo menos achei melhor que Lady in the Water e que Signs. Se o diretor não consegue fazer diálogos que não pareçam descolados do que se está contando, ele pelo menos continua ótimo na escolha de planos de câmera e dos recursos para fazer uma história ser assustadora.

Ah, e antes que me esqueça: gostei também de uma pequena “discussão” que o diretor faz sobre o egoísmo das pessoas atualmente… Afinal, de que outra maneira se justificaria a morte “gratuita” dos dois garotos que acompanham o casal Moore em uma cidade do interior dos Estados Unidos. Foi uma maneira do diretor dar um tapa “com luva de pelica” nesta sociedade que parece tratar a idéia de dar um tiro em alguém para se proteger como algo perfeitamente aceitável. Afinal, é “só” uma vida que está lá fora. Achei bacana o fato dele nem mostrar os assassinos, afinal, eles poderiam ser qualquer um destes proprietários de casa e de armas que proliferam por aí. Muitos podem ver as mortes dos garotos como gratuitas e desnecessárias, mas perto de outras que o filme mostra, até achei estas com algum sentido crítico.

Também achei curiosa a participação de Frank Collison com um fazendeiro um tanto hippie e um tanto “maluco” (no fundo o mais racional do filme até então) e de Victoria Clark como a sua mulher. Os dois estão bem em seus papéis. Além deles, atuam no filme em papéis pequenos Jeremy Strong como o soldado Auster e Betty Buckley como a solitária e neurótica Mrs. Jones. Aliás, pensando nestes e em outros personagens, parece que o diretor e roteirista tentou, no fundo, fazer uma crítica disfarçada de suspense e com pitadas de comédia do que seriam vários estereótipos dos típicos “norte-americanos” - especialmente daqueles do interior do país. Só achei que, para variar, a neurose de M. Night Shyamalan em incluir crianças na história ficou outra vez forçada. Afinal, para que serve mesmo Jess na história? E não me digam que é o voto de “esperança” do diretor no futuro…

Enfim, um filme que está longe de ser bom, mas que pelo menos achei um pouco melhor do que os últimos do diretor. E por isso, apenas por isso, ele não receberá uma nota tão horrível por aqui. E também, admito, porque gostei muito das cenas iniciais, até entrar em cena o casal Moore - chato pra dedéu, diga-se. Ou seja: o filme de 91 minutos é bom realmente pelos primeiros cinco. hehehehehehehe. Agora eu fui má. A verdade é que ele ainda tem alguns bons sustos e cenas angustiantes depois que valem a pena.

NOTA: 7.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Como já era esperado, The Happening foi meio que “bombardeado” pela crítica. No site Rotten Tomatoes, por exemplo, são compilados 131 textos negativos e apenas 30 positivos para o filme - ainda assim, para comparar, ele foi melhor que o anteriormente comentado 88 Minutes. Enquanto isso, os usuários do site IMDb deram a nota 5,4 para The Happening - menor que para os anteriores Lady in the Water (nota 6,0), The Village (nota 6,6) ou Signs (nota 6,9). Tenho que admitir que da lista anterior os filmes que eu mais detestei foi Lady in the Water e Signs.

O filme teria custado aproximadamente US$ 60 milhões, o que não deixa de ser interessante. Afinal, o anterior Lady in the Water, que teria custado US$ 75 milhões, fracassou nas bilheterias, arrecadando nos Estados Unidos pouco mais de US$ 42,2 milhões. E, ainda assim, deram a fortuna de US$ 60 milhões para M. Night Shyamalan brincar… No fundo, eles tinham razão. O diretor parece ser daqueles que o público detona  mas que, no final, assiste. Digo isso porque The Happening arrecadou, até o dia 20 de julho, nos Estados Unidos, pouco mais de US$ 63,7 milhões. Ok que ele não irá encher o bolso dos estúdios de dinheiro, mas pelo menos ele já se pagou… o que é algo. Melhor que o anterior…

Eu não sei vocês, mas eu me irritei muito com a interpretação de Zooey Deschanel… não sei, parece que ela está “dopada” o filme inteiro, com aquele olhar perdido e umas frases desconexas. Certo que tais frases também são ditas por Mark Wahlberg e por quase todos os outros personagens, mas Zooey me irritou em especial.

Agora um comentário totalmente idiota (NÃO LEIA SE NÃO ASSISTIU AO FILME): juro que nos dias seguintes que vi a The Happening eu ia caminhando pelas ruas de Madrid, em direção ao meu trabalho, e olhava de forma irônica para as árvores balançando com o vento… ficava pensando: “Quando começará o ataque??”. hehehehehehehehehe

E ok, vai… vamos dar uma chance para o diretor com seu “libelo” contra o aquecimento global. :)

O filme é uma co-produção Estados Unidos e Índia (será que foi daí que veio a maior parte da bufunfa?).

Como comentei em textos anteriores, eu curto cartazes bem feitos de filmes… e, como sempre, os cartazes deste filme de M. Night Shyamalan realmente são muito bons.

CONCLUSÃO: Mais um filme da sequência nonsense de M. Night Shyamalan que tenta, a sua maneira, ser um cronista dos problemas modernos. Infelizmente ele não consegue ser tão feliz escrevendo diálogos quanto pensando em cenas interessantes de suspense. O filme é bacana pelos cinco minutos iniciais, com cenas realmente angustiantes de pessoas morrendo a tôrta e a direita. Tem momentos bem filmados e interessantes, mas a maior parte do tempo se mostra um filme com muitas entrelinhas e pouca eficiência, assim como vários momentos de diálogos absurdos e fugas sem fim. Ainda assim, com todos os defeitos que ele têm, achei um filme melhor que o anterior do diretor. Quem sabe ele não está se recuperando?

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88 Minutes - 88 Minutos

Julho 27, 2008 at 5:08 pm (Cinema, Cinema do mundo, Cinema europeu, Cinema norte-americano, Crítica de filme, Movie)

Sempre que uma lenda do cinema estadunidense como Al Pacino, Jack Nicholson ou Robert De Niro estrela alguma produção, o filme chama a atenção de imediato. Ainda que estes veteranos, há algum tempo já, vêm demonstrando bastante irregularidade em seus papéis - alguns, que inclusive, não se entende muito bem porque eles escolheram fazer. Este 88 Minutes me chamou a atenção só pelo fato de Al Pacino ser seu ator principal, além de que se trata de um filme policial - um gênero em que o ator nova-iorquino normalmente se dá bem. Pacino está melhor neste filme do que nos últimos que eu assisti com ele - como S1m0ne ou The Recruit - mas, ainda assim, ele está a léguas de interpretações que o tornaram uma lenda em Hollywood. Ainda que não conte com uma grande interpretação de Pacino, o filme não é totalmente horripilante. Tudo bem que ele exagera em muitas partes mas, ainda assim, consegue prender a atenção como um passatempo regular.

A HISTÓRIA: O psicanalista forense Dr. Jack Gramm (Al Pacino) conseguiu atingir o topo de sua carreira atuando em casos de homicídio conturbados e ao dar aula em uma universidade de Seattle. Sua fama cresceu, contudo, desde que ele se tornou uma peça-chave na condenação do serial killer (assassino em série) Jon Forster (Neal McDonough). Na véspera do criminoso ser morto com uma injeção letal, Gramm é visto em um bar rodeado de alunos comemorando. Ele sai de lá com Sara Pollard (Leah Cairns), com quem passa a noite. Na manhã seguinte, de ressaca, ele é chamado a seu escritório onde fica sabendo, através de um investigador do FBI, que na noite anterior uma aluna sua chamada Dale Morris (Kristina Copeland) foi morta da mesma maneira com que as vítimas de Forster eram assassinadas. Enquanto Forster tenta recorrer da sentença de morte, Gramm recebe uma ameaça de que será morto em 88 minutos, o que lhe faz correr contra o tempo para se salvar e descobrir quem matou a sua ex-aluna.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER: aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a 88 Minutes): O desenvolvimento do filme até que não é ruim. Realmente sempre funciona essa idéia de “lutar contra o tempo e uma ameaça de morte”. Dificilmente, por mais estúpido ou incompetente que um roteirista e um diretor possam ser, eles conseguem o feito de não prender a atenção do público com uma história de gato-caçando-o-rato que uma história do tipo propõe.

A questão de 88 Minutes, contudo, é que toda a história é baseada em idéias totalmente inverossímeis. Vejamos: por que a pessoa que quis matar usando o mesmo “modus operandis” do assassino em série prestes a ser executado esperou o dia de sua execução para começar a matar? Porque existe só algumas possibilidades para o assassinato da estudante: 1) O verdadeiro serial killer está a solta e voltou a matar; 2) Existe um imitador do serial killer preso e prestes a ser morto; 3) Algum comparsa do serial killer preso recomeçou a matar para libertá-lo. Mas em qualquer das possibilidades anteriores a pergunta que não quer calar é: Por que esperaram a noitada pré-execução para voltar a matar? Não seria bem mais fácil adiar um processo de execução se tivessem feito isso antes? A resposta está no título do filme: se tivessem matado antes, seria bem mais difícil convencer qualquer platéia de que o nosso “herói” receberia uma ameaça de 88 minutos para ser morto. Ainda que eu, pelo menos, não fui convencida igual. :)

Mas ok, vamos supor que teria realmente sentido esperar o Dia D para matarem outra pessoa e adiarem a execução de Jon Forster. Ainda assim, o resto do filme continua um tanto sem lógica. Vejamos (NÃO LEIA SE REALMENTE NÃO VIU AO FILME): se Gramm passou a noite com uma mulher, ele não tem um álibi certeiro para impedir que a polícia e o FBI duvidem dele como pessoa inocente? Afinal, como ele poderia ter matado a Dale Morris enquanto estava com Sara Pollard? Além do mais, se ele fosse um louco assassino, ele teria escolhido justamente o dia da execução do culpado de seu último grande caso para matar duas mulheres em uma mesma madrugada? Um tanto absurdo, não é mesmo? E pensar que, segundo o roteirista Gary Scott Thompson, essa parece ter sido a versão engolida pela polícia e pelo FBI, que passam a duvidar e até a perseguir Gramm.

Além de tudo isso, vão me desculpar os românticos por histórias de perseguição, mas eu sempre fico com uma certa raiva de filmes como este no quesito “enrolar ao máximo para dar um tiro”. Explico: a pessoa culpada por tudo que acontece - todas as mortes, sequestros e armadilhas para atrair Gramm - não teria sido muito mais eficaz dando um tiro nele a qualquer momento ao invés de fazer tudo que fez para conseguir uma simples gravação do Dr. Gramm? Ok, talvez eu esteja pedindo demais para um filme ruim, mas esses detalhes sempre me incomodam. Adiam a morte até o ponto em que ela se torna quase impossível de ocorrer. Pelo jeito todo bandido é meio burro. :)

Mas fora estes detalhes do filme - que para alguns pode ser o principal da história -, até que 88 Minutes se apresenta como uma boa diversão. Pelo menos é engraçado ver Al Pacino tentando ser galã novamente. :) E fora isso, a verdade é que o elenco é bacaninha… além dos atores já citados, destaque para Alicia Witt como a estudante e assistente do Dr. Gramm, Kim Cummings - em um papel com muitas nuances e duplas interpretações; Leelee Sobieski como a estudante CDF Lauren Douglas (meio irritante ela, especialmente no final, mas tudo bem); Amy Brenneman como a secretária e braço-direito do Dr. Gramm, Shelly Barnes; e William Forsythe como o agente especial da polícia Frank Parks. Ainda fazem parte do elenco, mas em papéis tão pequenos que podem ser classificados quase como “pontas”, Deborah Kara Unger como Carol Johnson, da universidade onde Gramm dá aula; e Benjamin McKenzie como Mike Stempt, um dos alunos de Gramm.

A direção de Jon Avnet é competente, com bons planos de câmera e um ritmo condizente com a história - exceto por aquela forçada em planos lentos que abre o filme. A trilha sonora de Ed Shearmur também ajuda um bocado a história. E antes que alguém diga que é meio absurda também a “preocupação” do Dr. Gramm em proteger a todos ao seu redor, isso até achei que foi bem explicado no filme, já que ele tem uma história familiar de perda complicada no passado - e bem explorada por quem o está ameaçando agora em um legítimo “terror psicológico”. Também achei que o final, exceto pela característica “super poderosa” da pessoa culpada pelas mortes das mulheres e pela ameaça ao Dr. Gramm, ficou interessante. Especialmente o diálogo de Pacino por telefone…

Enfim, não é um filme totalmente imprestável, mas deve ser visto sem grandes reflexões ou preocupações lógicas. Se for ignorado tudo que é absurdo, até que ele tem um bom ritmo e algumas interpretações bacaninhas… :)

NOTA: 5,5.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Sei que é meio cruel dizer isso, mas o cabelo de Pacino e o seu jeito de dançar no bar no início do filme realmente são de dar risada. Mas ele até que não está mal em cena… cumpre seu papel.

O filme teria custado aproximadamente US$ 30 milhões e arrecadou muito menos que o esperado nos Estados Unidos. Até maio deste ano ele tinha conseguido pouco mais de US$ 16,9 milhões nas bilheterias norte-americanas.

88 Minutes também não convenceu críticos ou público. Os usuários do site IMDb deram a nota 6,1 para o filme, enquanto que o site Rotten Tomatoes, com críticas de vários jornalistas e comentaristas selecionadas, publicou 98 críticas negativas e apenas seis negativas - um dos filmes com pior avaliação que eu tenho lembrança.

Realmente algo que incomoda no filme, se formos ser racionais, são os possíveis “suspeitos” das mortes que presenciamos após a produção começar. No fundo, ninguém tinha realmente motivos concretos para fazer o que foi feito - exceto a velha idéia de querer arquitetar um “plano perfeito” o que, cá entre nós, estava longe de ser uma realidade. Para quem gosta de um mínimo de lógica, o filme é ruim. Mas não sei… sempre gosto de ver Al Pacino em cena - mesmo quando ele está “meia-boca”.

Para quem não lembra, o diretor Jon Avnet dirigiu antes a Red Corner (Maré Vermelha), um filme razoável de perseguição e intriga com Richard Gere. Um ano antes, em 1996, ele dirigiu a Up Close & Personal (Íntimo & Pessoal), um filme romântico que juntava no telão a Robert Redford e Michelle Pfeiffer. Depois destes dois filmes, Jon Avnet basicamente dirigiu produções para a TV, até que voltou ao cinema com 88 Minutes. Agora ele está na fase de pós-produção de Righteous Kill, um filme policial em que junta depois de muito tempo em uma mesma produção os “monstros sagrados” Al Pacino e Robert De Niro.

Mas se por um lado Jon Avnet parece estar ressurgindo das “cinzas” depois de 11 anos sem filmar para os cinemas, Al Pacino insiste em se arriscar em projetos arriscados… como a refilmagem do clássico Rififi. Acabo de ver que ele está no projeto e me deu um medo… a chance de que “caguem” (desculpem a expressão) um filme clássico é gigantesca. Por que Hollywood não investe dinheiro em divulgar obras-primas com essa ao invés de refilmá-las e estragar o que era bom?? E depois ele dará vida a Salvador Dali (ai Jesus!!!) no filme Dali & I: The Surreal Story, dirigido por Andrew Niccol e previsto para 2009. Juro que essas produções me dão medo! Alguém já imaginou alguém mais distante de Salvador Dalí que Al Pacino? Bem, até que é possível imaginar… :)

O filme é uma produção dos Estados Unidos, da Alemanha e do Canadá.

CONCLUSÃO: Um filme no melhor estilo “caçada-cão-e-gato” com vários suspeitos nada convincentes jogados na trama e que acaba sendo intrigante, ainda que bem difícil de ser “engolido”. O roteiro é ruim, mas os atores estão bem em seus papéis mais ou menos acabados. Al Pacino faz seu papel, sem ser genial mas, pelo menos, sem irritar ou se arrastar em cena. Como entretenimento, pode compensar - mas não gaste seu dinheiro com ele, espere ver de graça na televisão ou na casa de algum amigo. :)

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In Bruges

Julho 1, 2008 at 4:50 pm (Cinema, Cinema europeu, Crítica de filme, Filme premiado, Movie)

Existem filmes de ação e sobre criminosos muito diferentes… alguns apostam mais nas perseguições, outros em planos de roubo ou assalto arriscados, outros ainda em “dissecar” o que se passa na mente de um ou mais vilões. Realmente há de tudo, para distintos gostos. Mas são poucos os filmes sobre criminosos marcados, essencialmente, pela auto-ironia e por um bocado de cinismo. Comentei antes aqui no blog sobre o filme Shoot ‘Em Up, que também vejo como um belo exercício de “tirada de sarro” de filmes do gênero. Mas este In Bruges é ainda mais satírico, cínico, e o melhor: não apenas com filmes do gênero, mas essencialmente com parte da cultura inglesa. Realmente é um filme engraçado e que tem um ritmo um tanto louco - com altos e baixos nas horas mais inusitadas. Ele não tem muitas cenas de ação - e as que tem, são “à moda antiga”, ou seja, perseguições de homem contra homem em ruas com neblina, nada de carros em alta velocidade, lanchas, aviões ou qualquer outro meio de transporte enlouquecido pelos lugares. Na verdade, pensando bem, In Bruges consegue ser, ao mesmo tempo, um filme “à moda antiga” e uma produção inovadora. Ele consegue ter essa dupla personalidade sem ser esquizofrênico - apenas engraçado. Mas um humor inglês, deixe-se bem claro! Sutil, cínico, provavelmente não indicado para todos.

A HISTÓRIA: Ray (Colin Farrell) e Ken (Brendan Gleeson) são enviados para a cidade de Bruges, na Bélgica, por ordem do chefe deles. Ray está muito descontente. Ele quer voltar para Londres o mais rápido possível e não entende o que está fazendo em uma cidade belga pequena. Ken, mais experiente, tenta acalmar o amigo e animá-lo a conhecer Bruges, destacando os seus canais, igrejas antigas e demais edifícios do patrimônio histórico. Ray, inconsolável, só começa a se interessar pela cidade quando vê a um anão… e, seguindo-o, acompanha uma filmagem. Fascinado por anões e por mulheres bonitas - assim como por cerveja -, Ray acaba conhecendo a Chloë (Clémence Poésy), por quem fica encantado. Mas aos poucos vamos descobrindo porque Ray e Ken, dois assassinos de aluguel, foram enviados para Bruges - e as razões não são das melhores.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER - aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a In Bruges): Difícil fazer um resumo do filme sem estragar surpresas. Aliás, REALMENTE recomendo que você, caro leitor, pare de ler se ainda não assistiu ao filme, porque daqui por diante vou estragar todas as surpresas - e são elas que dão graça à história. Algo que gostei no roteiro do também diretor Martin McDonagh é como ele vai nos contando mais sobre as duas figuras principais da história pouco a pouco. É como se ele nos desse pequenos biscoitos de cachorros como prêmio por cada minuto que vamos gastando com o filme.

Então, inicialmente, não sabemos que Ray e Ken são dois matadores de aluguel. Nem sabemos porque o chefe deles, chamado Harry Waters (Ralph Fiennes) lhes envou para lá. Tudo indica, inicialmente, que eles foram para lá para, quem sabe, matar alguém por ali… depois, parece que o chefe está querendo escondê-los por um tempo, depois que Ray matou acidentalmente a um menino durante o trabalho de matar um padre. Só depois é que descobrimos que as razões de Harry são muito diferentes.

Achei muito engraçado todo o “desprezo” de Ray para a cidade. É como se ele dissesse, a cada segundo: “E o que me interessa essa cultura, esses séculos de história? São apenas igrejas, apenas construções antigas e sujas”… heheheheheheeh. Na verdade ele fala essas coisas, não assim literalmente. Enquanto isso, Ken tenta aproveitar o tempo por lá. Que remédio? Mas tudo muda, claro, quando Harry finalmente liga e comunica a Ken a razão deles estarem ali: ele quis que Ray, antes de morrer, conhecesse a sua visão de “paraíso” na Terra, ou seja, que conhecesse a Bruges. E o mais cômico é que Ray, se não fosse por ter conhecido a Chloë, teria odiado a experiência. hehehehehehehehe. Ironia pura! E das boas.

Achei cômica a fixação de Ray com anões. O cara ficava louco toda vez que pensava em um anão e cada vez que via a Jimmy (Jordan Prentice). Sei que fazer piadas com anões e qualquer outra minoria é politicamente incorreto, mas a sequência em que Ray vai “tirar satisfações” com Jimmy no bar, depois de estar louco por ter cheirado cocaína, é algo absurdamente cômico. Falando em absurdo, o filme tem que ser visto com um bocado de percepção de “realidade fantástica”, porque tem várias cenas que são exatamente isso - e não apenas a sequência final, mas a maioria das cenas com Jimmy e com Harry, para dar exemplos. Guardada todas as devidas proporções, mas o trabalho do diretor Martin McDonagh me lembrou um pouco a Fellini.

Respeitando ao máximo a “lenda” que gira sobre os ingleses - aliás, a história brinca muito com estereótipos -, o filme exagera nos palavrões e nos personagens bebendo cerveja. E a partir do momento em que Harry aparece em cena, ele exibe muitas armas e um bocado de violência. Como Eastern Promises (que eu comentei aqui), In Bruges também fala de “código de ética” dos bandidos - neste caso, especialmente na sequencia final. Cheio de surpresas pelo caminho, é uma história que sempre vai mudando de rumo e segurando a atenção do espectador.

Só que repito: é um filme com humor muito inglês, ou seja, é um humor um tanto irônico e diferente do que estamos acostumados no dia-a-dia. Nem por isso deixa de ser bacana, pelo contrário. Só talvez não convença ou goste a todos.

NOTA: 8,5.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Segundo informação do site IMDb, a palavra “fuck” e seus derivados são ditos 126 vezes durante o filme. Levando em conta que a produção tem 107 minutos, isso significa que um palavrão é dito mais de uma vez por minuto. heheheheheheheehhe

Colin Farrell e Brendan Gleeson estão geniais em seus papéis. Os dois convencem muito - e não sei como eles não morriam de rir de algumas de suas falas. :)

Nos Estados Unidos o filme teve uma bilheteria um tanto fraca… pouco mais de US$ 7,7 milhões. Na Inglaterra, até o dia 1 de junho, ele tinha conseguido pouco mais de 4,7 milhões de libras esterlinas.

In Bruges foi indicado para três prêmios na Golden Trailer Awards, uma premiação criada para valorizar os melhores trailers feitos pelo mercado. Das três indicações que recebeu, In Bruges ganhou como o Mais Original trailer feito em 2008. Curioso.

Tanto o público quanto os críticos gostaram do filme. Uma prova disto é a nota 8,1 que os usuários do site IMDb deram para a produção, assim como as 99 críticas positivas compiladas pelo Rotten Tomatoes. Os críticos que tem textos publicados no site dedicaram ainda 26 crônicas negativas sobre o filme.

Esse é o primeiro longa do diretor londrino Martin McDonagh. Antes ele tinha filmado apenas a um curta: Six Shooter, de 2004. Mas claro, esse curta não foi “apenas” mais um, porque ele ganhou o Oscar e outros quatro prêmios.

Os dois cartazes que vi do filme achei ótimos também. Nada como cuidar de cada detalhe de um projeto e ter uma noção de “identidade” dele em tudo bem feita, não é mesmo?

CONCLUSÃO: Filme de ação com muito humor politicamente incorreto sobre a vida de dois bandidos que são enviados para Bruges, na Bélgica, e que esperam por ordens de um tal de “Harry”. Produção inglesa que tira sarro de tudo, especialmente sobre fazer turismo, sobre o “jeito inglês” e muitos outros estereótipos. Indicado para quem gosta do humor inglês e de um filme que aposta um bocado pelo surrealismo.

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The Jane Austen Book Club - O Clube de Leitura de Jane Austen

Junho 27, 2008 at 4:24 pm (Cinema, Cinema norte-americano, Crítica de filme, Movie, Sem-categoria)

Um filme romântico que busca fugir daquela fórmula padrão que todos conhecemos. Por esse fator, The Jane Austen Book Club merece atenção. O problema, contudo, é se ele consegue fugir realmente dos “lugares-comum” ou não. Até um certo ponto sim, ao tentar - e apenas tentar - introduzir um pouco de conteúdo na história. Afinal, em teoria, o filme (também) debate a obra da escritora inglesa Jane Austen. O problema é que, fora um ou outro acerto na discussão de uma autora aclamada, o filme realmente cai nos estereótipos, em vários lugares-comum e, no fim das contas, enreda o espectador no velho jogo de “torcer pelo romance”. Sem contar que, ainda que o filme tente ser “cuca aberta”, incluindo entre os personagens principais uma lésbica e uma mulher que se casou várias vezes - duas figuras que sofrem um bocado de preconceitos no “mundo real” -, no fim das contas o filme acaba sendo bem tradicional. Quem sabe, até para acompanhar (ou seria “homenagear”) a veia tradicionalista da escritora que inspirou o tal clube de leitura.

A HISTÓRIA: Sylvia Avila (Amy Brenneman) e Jocelyn (Maria Bello) são amigas de infância. Jocelyn foi a garota que quase ficou com Daniel (Jimmy Smits) quando elas eram jovenzinhas, só que no final ela “empurrou” ele para a amiga. Depois de 20 anos de casados, Daniel começa a ter um caso fora do casamento e decide se separar. Jocelyn e Bernadette (Kathy Baker) resolvem, para estimular a amiga a superar a fase ruim, criar um clube de leitura dedicado a Jane Austen, a escritora preferida das amigas. Além das três, são chamados para participar do clube a professora de francês Prudie Drummond (Emily Blunt), a filha do casal Avila, Allegra (Maggie Grace) e o empresário aficcionado por ficção científica Grigg Harris (Hugh Dancy). Enquanto dividem seis das obras de Jane Austen entre si e marcam encontros para discutí-las, os seis personagens vão vivendo diferentes histórias de perda, conflitos, romances e amizades.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER - aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta trechos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a The Jane Austen Book Club): O filme começa morno, meio “infantil” quase. Afinal, alguns dos nossos personagens principais se encontram para o enterro de um cachorro! Bem, depois desta sequência “cômica” (na verdade não vi muita graça na “piada”), começam a pulular as “bombas” da história. Primeiro o comunicado de Daniel para a mulher de que ele está tendo um caso e que vai se separar dela para ficar com a amante. Deprimida, Sylvia é consolada pelas amigas e pela filha, Allegra, que volta temporariamente a viver com a mãe. Enquanto isso, em uma fila de cinema, Bernadette encontra a Prudie, uma mulher que parece ser, ao mesmo tempo, bem contida e bem descontrolada - pasional equilibrada, se é que isso existe. Impressionada com a “cultura” de Prudie, ela vê na mulher recém “descoberta” uma possível integrante do clube de leitura que ela e as amigas querem montar.

Pouco depois, também por “acidente”, Jocelyn encontra, em um hotel em que vai se hospedar para um congresso canino, ao insistente e curioso Grigg. Ele fica fascinado por ela e insiste em conhecê-la. Jocelyn, uma “solteira convicta”, vê nele um possível atrativo para sua amiga de infância Sylvia - quem sabe ela não consegue repetir a dose praticada com Daniel e apresentar para a amiga um novo amor? Esse é o começo do filme, mas muita água vai rolar em paralelo a tudo isso.

Algo positivo da história é que, apesar dela ser focada em um número considerável de personagens principais, todos eles acabam sendo bem apresentados e conhecidos. Neste ponto o roteiro de Robin Swicord (de Memórias de uma Geisha), baseado no livro de Karen Joy Fowler, funciona. Por outro lado, tais personagens são um bocado estereotipados demais. Vejamos: Jocelyn é uma mulher que busca o romance ao mesmo tempo em que foge dele - afinal, ela considera mais seguro se relacionar com cachorros, de quem ela pode prever reações, do que com homens. Prudie é uma “intelectual” que sofre por estar casada com um homem com pouca cultura, Dean (Marc Blucas), o típico “jogador de futebol americano”; que tem uma relação mal resolvida com a mãe (Lynn Redgrave) e que acaba se interessando pelo “mistério, fascínio e cultura” do jovem estudante Trey (Kevin Zegers, realmente um colírio, hehehehe). Bernadette é uma mulher que se casou seis vezes e que acha o amor - ou seu plural - fundamental. Sylvia é uma mulher que sempre se dedicou ao marido e a filha e que vê a sua vida desmoronar rapidamente quando seu “mundo ideal” cai por terra. Allegra é uma jovem que sempre gostou de aventuras e que buscou sempre a aprovação dos pais. Grigg é um jovem que vive “à sua maneira”, adepto das coisas simples e das relações francas.

Alguém pode dizer: “Mas onde estão os estereótipos? Afinal, existem pessoas assim de verdade…”. Ok, claro que existem. Mas ninguém é “apenas” isso, não é mesmo? As pessoas - a maioria, pelo menos - é mais complexa. E um filme que resolve destacar tantas pessoas acaba, claro, simplificando-as muito. Esse é um problema de The Jane Austen Book Club… simplificar as pessoas, suas relações e, de quebra, a obra de Jane Austen. Sim, porque no final das contas, todas as reuniões para debater a sua obra acabam girando sempre nos mesmos eixos: Jane Austen era uma escritora tradicionalista que jogava muito com os conflitos amorosos, encontros e desencontros e que, normalmente, caia no amor rigoroso que ela mesma não conseguiu vivenciar… hummmmm, digamos que é uma maneira de olhar. Mas não é a única. Acho que Jane Austen é mais que isso, mas enfim…

Acho que para um fime que se propõe a discutir literatura, houve pouca dialética. Pouca diversidade de idéias e, no fim das contas, uma jogada de “adaptar” para a vida real situações da obra de Jane Austen que já vimos antes (mas de forma mais original). Resumindo: o filme tem boas intenções, mas acaba sendo fraquinho.

NOTA: 6.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: A primeira coisa que me chamou a atenção no filme foi ver uma série de atores coadjuvantes em outros filmes ganhando, finalmente, destaque de protagonistas. Com isso não quero dizer que figuras como Maria Bello, Amy Brenneman e Kathy Baker nunca tenham sido protagonistas… já foram, claro. Mas normalmente de filmes de menos destaque, por assim dizer. E aqui todos estão no mesmo patamar em um filme que recebeu uma certa repercurssão. Bacana isso. Acho que são atores que merecem.

Falando neles, gostei da interpretação de praticamente todos… as falhas na história tem mais a ver com o roteiro ser um pouco fraquinho do que com os “recursos dramáticos” de cada ator ou atriz, na minha opinião. Ainda assim, achei um tanto falso demais o tom que os atores Emily Blunt e Marc Blucas deram para o seu “casal”… faltou química e um pouco mais de “comprometimento” com seus personagens.

O filme, relativamente “independente”, conseguiu uma bilheteria um tanto razoável: arrecadou, em três meses, pouco mais de US$ 3,5 milhões. Sem grande campanha publicitária ou mesmo sem estar em muitos cinemas na maior parte deste tempo, até que ele não foi mal.

Os usuários do site IMDb deram uma boa nota para ele: 7,1. Os críticos que tem textos publicados no Rotten Tomatoes também seguem a tendência, conferindo 68 críticas positivas para o filme e apenas 38 negativas.

A direção da também roteirista Robin Swicord está ok, ainda que seja bem tradicional e não ouse nada na linguagem cinematográfica - nem em planos, nem em nada.

The Jane Austen Book Club foi todo filmado na California, em cidades como Los Angeles, Santa Monica, Santa Clarita, Long Beach e Lakewood.

De todas as interpretações, gostei em especial de Maria Bello e de Maggie Grace. É a primeira vez, que me lembro, de ver o ator Jimmy Smits em um papel romântico… estou acostumada a vê-lo normalmente como mal, bandido ou algo assim. Bacana vê-lo como um marido apaixonado que se surpreende perdido lá pelas tantas. Gostei dele também. Ainda que destaque essas figuras, para mim a revelação foi mesmo Hugh Dancy, que deu o tom exato para um personagem que podia parecer ridículo ou cômico demais. Depois de algum tempo é que foi cair a minha ficha de que ele é um dos atores principais de um filme que gostei muinto: Evening.

Uma curiosidade: o filme foi indicado a um único prêmio até agora. Para o de melhor filme no GLAAD Media Awards, um prêmio criado para difundir boas iniciativas na mídia em geral - TV, cinema, etc. - no trabalho de combate contra a hemofobia. Um prêmio GLS. Interessante porque, ainda que a personagem de Allegra seja vista naturalmente na história, inclusive quando se relaciona com Corinne (Parisa Fitz-Henley), achei que as entrelinhas do roteiro colocam dúvidas sobre a sua “atitude” em ser lésbica, deixando solto um perigoso fio que leva para a idéia de que ela talvez tenha “feito essa escolha para chamar atenção”. Ela poderia ser uma personagem natural sem ter nenhuma entrelinha que insinuasse nada, não?

E algo que ia esquecendo de comentar… o filme acaba lembrando, inevitavelmente, a Magnólia, do Paul Thomas Anderson. Nem tanto pela história ou porque ele seja tão bom quanto aquele outro, mas por dois elementos: primeiro, pela música de Aimee Mann - fazia tempo que não ouvia a sua voz em um filme; e segundo porque ele tem, umas duas ou três vezes, aquela “seqüência de repasse” na vida dos personagens em, teoricamente, momentos decisivos. Recurso esse usado em Magnólia e em outras histórias mas que, aqui, não tem o mesmo efeito - até porque o repasse esse não é tão determinante.

Agora, uma coisa é fato… depois de assistir tantos filmes “românticos”, preciso mudar urgentemente de gênero, porque é muito açúcar seguido para o meu coraçãozinho. :)

CONCLUSÃO: Um filme que busca mesclar histórias reais com a ficção de Jane Austen. Consegue seu objetivo em parte, ainda que simplifique demais as situações e os personagens, tornando parte da história um amontoado de lugares-comum e parte de seus personages estereótipos. Ainda assim, é um filme que pode agradar como passatempo - especialmente porque tem certo “charme” ao contar a história das aventuras possíveis de um grupo de leitura.

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27 Dresses - Vestida para Casar

Junho 26, 2008 at 9:31 am (Cinema, Cinema norte-americano, Crítica de filme, Movie)

Todos sabem o que esperar de uma comédia romântica: encontros, depois desencontros, uma boa pitada de humor - que pode ser menos ou mais sarcástico, mais ou menos “pueril” dependendo do filme -, flerte, romances até um certo ponto “complicados” (talvez alguma troca de casais) e, por fim, encontros. A fórmula existe para agradar aos gostos familiarizados a ela e pouco se move além destas “premissas”. 27 Dresses segue a regra e não inova, mas tem algo que anda faltando no mercado (pelo menos para o meu gosto): química. Ainda que seja uma típica comédia romântica, em tudo que isso quer dizer como óbvio, se trata de um filme com “buen rollito”, como se diz aqui na Espanha. Os protagonistas tem charme e existe uma ou outra sacada boa salpicada pela história. Diferente de outras produções do gênero recentes - como P.S. I Love You -, é um filme que não cansa e que se mostra um passatempo leve e descompromissado. Diante de tanta xaropice no mercado, algo tão simples pode até ser prazeroso.

A HISTÓRIA: Jane Nichols (Peyton List) é uma menina esperta. Observadora, percebe os detalhes de algo que pode passar como “mais um evento de adultos” para a maioria das crianças: um casamento. E mais que observar os detalhes, ela decide que esse momento “encantado” para muitas mulheres e muitos homens será o seu prazer na vida adulta. Obestinada, ela segue essa idéia e, com mais idade, Jane (Katherine Heigl) realmente trabalha organizando casamentos. O que parece algo interassantíssimo nos primeiros minutos do filme - em uma mesma noite ela se divide praticamente em duas para estar em duas festas distintas - demonstra ser um pouco uma loucura depois já que este, na verdade, não é seu trabalho real. Na maior parte do tempo ela é a assessora e braço-direito do executivo George (Edward Burns). A organização de casórios é o seu trabalho “paralelo” - que talvez seja do conhecimento apenas de sua amiga Casey (a ótima Judy Greer) e de poucos mais. A história fica mais complicada quando o chefe e objeto de desejo de Jane conhece a sua irmã mais nova e recém-solteira Tess (Malin Akerman). Ao mesmo tempo em que ele começa um relacionamento com Tess, Jane passa a ser “perseguida” pelo jornalista Kevin Doyle (James Marsden), fascinado pela história da garota que organiza tantos casamentos em pouco tempo e ávido para contar uma boa história e, com ela, conseguir uma promoção.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER: aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta trechos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a 27 Dresses): O resumo ficou meio grande, eu sei. Mas é que o roteiro de Aline Brosh McKenna resolveu “complicar” uma história de comédia romântica típica. Então, além dos típicos encontros e desencontros, assistimos no filme a sonhos, projeções de desejos, lutas por vencer “fantasmas” do passado, ambição, disputa entre irmãs, responsabilidade com a perda de uma mãe muito jovem… enfim, a lista é grande.

O mais interessante, para mim, é que o “amaranhado” de elementos na história não ficou confuso e nem chato. Tudo vai se apresentando e se resolvendo naturalmente - ainda que conflitos -, como na vida de qualquer pessoa. Então o que poderia ser um dilema gigantesco e um problema na vida de Jane - organizar o casamento de sua irmãzinha mais nova com o homem pelo qual ela é “secretamente” apaixonada a vários anos - avança como ocorreria na vida de qualquer pessoa que não gosta de confrontos… ela vai guardando, vai engolindo, até que… Bem, não preciso contar.

O filme usa de um recurso bem típico em filmes do gênero: brinca com vários casais possíveis. Kevin se interessa por Jane que é apaixonada por George que se apaixona por Tess que não gosta de ninguém porque acabou de levar um pé na bunda… Alguém lembrou da poesia Quadrilha, do grande Carlos Drummond de Andrade? Pois é, por aí… Então existe bastante “joguinho” de “eu estou apaixonado por você que nem olha pra mim” e por aí vai. O que não deixa de ser interessante, porque na vida real, fora dos cinemas, isso também acontece… quantas vezes você estava tão concentrado/a em trabalhar, no cotidiano, em fazer festas com os amigos, etc. e tal que não notou um novo amor surgindo, mostrando a cara por detrás do muro? Na verdade, para o amor acontecer, todos nós sabemos, é preciso estar “aberto”, disponível para isso… pois então, um dos temas de 27 Dresses é justamente esse. Afinal, Jane realmente adora casamentos ou prefere organizá-los para esquecer do seu próprio projeto de vida?

Mas além deste tema, o filme trata de vários outros, como ambição. Tanto Tess quanto Kevin, a sua maneira cada um, são movidos por ambição… mas até um certo ponto. Lá pelas tantas eles perdem o “foco” de seus sentimentos originais e se vêem “modificados” por outros… ou pelo menos em parte modificados. Interessante também. Sinal de que há inteligência por detrás de histórias um tanto satíricas de amor, como é o caso desta.

O filme começa muito bem, obrigada. Toda a “apresentação” dos personagens, a correria de Jane para conseguir organizar dois casamentos, o interesse de Kevin por seu próximo “personagem” de reportagem, tudo isso funciona bem. Depois, quando entra em cena Tess, o filme esfria um pouco, porque cai demais no joguinho da “quadrilha” de amores. Ainda assim, tem bons momentos. E, mais que tudo, como eu disse antes, 27 Dresses tem química… os atores principais todos tem carisma e convencem em seus respectivos papéis. E o importante para um filme do gênero: faz rir, é “bonitinho” e não cansa… melhor que muitos outros da mesma estirpe lançados recentemente.

NOTA: 7,5.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Muita gente falou da interpretação de Katherine Heigl em Knocked Up, o primeiro filme de “destaque” que ela fez depois de se tornar conhecida - e premiada com um Emmy - por sua interpretação da personagem Izzie em Grey’s Anatomy. Em comparação com aquele filme, para mim, ela está muito melhor neste 27 Dresses. E parece que sua carreira no cinema está em plena ascensão, porque atualmente está em fase de pós-produção o filme The Ugly Truth, em que ela interpreta a personagem principal ao lado de Gerard Butler - outra vez em uma comédia romântica. A direção é de Robert Luketic, jovem diretor australiano elogiado por seu 21.

Além de Katherine Heigl, gostei do humor da atriz Judy Greer em cada aparição em cena, além do carisma de James Marsden - que parece ter se convencido melhor de seu papel neste filme que em Enchanted, em que está, em certa medida, “patético”. E logo que eu vi a Malin Akerman pensei: “Eu assisti algum filme recente com essa atriz…”. Demorou dois segundos para cair a ficha: ela é a divertidamente irritante Lila, namorada/mulher de Ben Stiler em The Heartbreak Kid). Mais uma vez ela interpreta uma “loira burra” ou, melhor dizendo, irritante neste 27 Dresses… mas o bacana é que ela consegue fazer o papel com leveza, sem exageros ou, em outras palavras, convincente.

O filme teve um bom resultado de bilheteria: até o dia 25 de maio ele conseguiu, apenas nos Estados Unidos, arrecadar pouco mais de US$ 76,8 milhões. Não está mal… De crítica, por outra lado, ele não foi tão bem. Os usuários do site IMDb lhe deram apenas a nota 6,2. O Rotten Tomatoes publica 82 críticas negativas e apenas 53 positivas. Desta vez discordo dos críticos… e não porque seja um filme excepcional, mas pelo menos não é chato… o que já é muito. heheheheehehehehe. :)

27 Dresses é dirigido por Anne Fletcher. Este é o segundo filme da atriz, que estreou antes na direção com Step Up, um musical romântico que deu destaque para a carreira de Channing Tatum. Atualmente ela está filmando The Proposal, mais uma comédia romântica (haja propensão para o gênero, hein?) com Sandra Bullock e o protótipo de galã Ryan Reynolds.

Na parte técnica o filme não tem nenhum grande destaque… é bom o trabalho de direção de fotografia de Peter James, assim como é curiosa - e divertida, como tinha que ser - a pesquisa de vestuário de Catherine Marie Thomas (fora um ou outro exagero e lugar-comum, mas tudo bem).

Interessante que o elenco de Grey’s Anatomy foi em peso na sessão de estréia do filme… pelo jeito realmente a equipe da série é unida.

CONCLUSÃO: Filme leve, divertido, que começa muito bem e perde um pouco de força no caminho, ainda que consiga ser sustentado pelo carisma dos protagonistas. Segue a fórmula básica do gênero, não inova, mas tem algumas boas sacadas. Melhor interpretação nos cinemas até agora de Katherine Heigl, conhecida pela personagem de Izzie em Grey’s Anatomy.

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The Other Boleyn Girl - A Outra

Junho 22, 2008 at 11:20 am (Cinema, Cinema europeu, Cinema norte-americano, Crítica de filme, Movie)

Esse filme estava na minha lista para ser assistido em algum dia no futuro, mas acabei colocando ele na frente de outros porque uma amiga comentou esses dias que gostava de filmes de época. Então fui assistí-lo. Mais que nada, tinha me chamado atenção o elenco. Nem tanto pelo Eric Bana que, até hoje, ainda não me convenceu de todo - ele com Hulk realmente foi muito para a minha cabecinha, ainda que tenha feito um trabalho decente nos posteriores Munich e Lucky You. Mas eu tinha interesse especialmente por Natalie Portman - que está na minha lista de atrizes preferidas. Também por Scarlett Johansson e por Kristin Scott Thomas. Sabia, claro, que se tratava de um filme de época, mas não tinha caído nenhuma “ficha” sobre o nome Boleyn ou sobre sua história. Por isso mesmo, enquanto assistia ao filme, não fiz nenhum paralelo sobre a veradicidade do que estava sendo contado ou não - só fui comparar a história oficial com a contada no filme depois. Por se tratar de um filme de época, ele responde bem aos principais elementos desta categoria, ou seja, ótimo figurino e cenografia. A fotografia e a trilha sonora também se destacam, enquanto o elenco se mostra adequado - ainda que nada brilhante. Já o roteiro… bem, tenho muito para falar sobre ele ao analisá-lo por si só ou em contraste com o que realmente aconteceu.

A HISTÓRIA: Ainda criança, Anne Boleyn (interpretada pela pequena Daisy Doidge-Hill) recebe uma proposta de casamento da família Carey. Mas seu pai, Sir Thomas Boleyn (Mark Rylance) vê na filha melhores oportunidades de ascenso do que a irmã, Mary (interpretada quando criança por Kizzy Fassett). Por isso ele promete Mary em casamento no lugar de Anne. O tempo passa, e quando chega a idade para se casar, Mary (Scarlett Johansson) está preparada para começar uma nova vida com William Carey (Benedict Cumberbatch). Simultaneamente, o Rei da Inglaterra, Henry Tudor (Eric Bana) recebe a notícia de que mais um filho seu morreu no parto. Bem articulado na Corte, o Duque de Norfolk, Thomas Howard (David Morrissey) busca aproveitar-se da insatisfação do Rei com sua Rainha, Catarina de Aragão (a sempre ótima Ana Torrent), para introduzir a sobrinha Anne como sua nova amante. Um acidente de percurso, contudo, acaba colocando Mary no leito do Rei, o que abre uma certa competitividade entre as irmãs e dá largada a uma série de acontecimentos que mudariam a história da Inglaterra para sempre.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER - aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso só recomendo que continue a ler quem já assistiu a The Other Boleyn Girl): O filme começa muito bem, misturando a alegria de uma família formada por pai, mãe e três filhos com os primeiros tons de ambição que motivam os “cabeças” desta família. Logo de cara se destaca também a direção de fotografia de Kieran McGuigan e a direção cuidadosa nos detalhes do inglês Justin Chadwick.

Rapidamente o filme passa daquele primeiro momento de decisão na vida das irmãs Boleyn - a definição do casamento futuro de Mary - para quando a história começa realmente a se tornar interessante. Neste momento inicial o roteirista inglês Peter Morgan acerta. Depois, contudo, ele vai deixando de lado uma série de detalhes importantes da história. Não li o livro de Philippa Gregory em que o roteiro é basado, mas é certo que muito do que aconteceu de verdade e foi historicamente registrado acabou sendo subvertido em função de uma narrativa mais “novelística” ou que, em teoria, se pensa mais ao gosto do público.

Mas antes de falar de diferenças do filme com a história real destas pessoas, vamos ao que realmente parece esta obra cinematográfica. Como comentei antes, tecnicamente falando o filme é muito bem acabado. Além da direção de fotografia de McGuigan, destaque para o equilíbrio nos trajes desenhados e escolhidos pela inglesa Sandy Powell (que teve o trabalho reconhecido anteriormente com dois Oscar: por O Aviador e Shakespeare Apaixonado). O interessante é que seu trabalho se mostra, em The Other Boleyn Girl, outra vez digno de elogios, ainda que, por um lado, algumas vezes, você fica desejando ver trajes mais “suntuosos”, por outro pensa que deveria ser mais realista esse tipo de roupas no dia-a-dia da corte do que outros exemplos que se pôde assistir em filmes anteriores. Também merece destaque o trabalho de adaptação das locações conseguido pela cenografia de Sara Wan. No mesmo grupo técnico merece menção David Allday, Matthew Gray e Emma MacDevitt pela direção de arte.

Comentada a parte técnica, vamos as interpretações. No geral, todos fazem um bom trabalho em cena, ainda que eu tenha achado Scarlett Johansson muito “meiga” ou mesmo superficial em boa parte do filme - ainda que seu papel fosse bem diferente do da irmã e que ela, na prática, realmente tenha sido coadjuvante na história real, não me convenceu muito o seu tom “bege” em quase todo o filme. Por outro lado - e era, claro, uma das intenções do roteirista -, Natalie Portman está ofuscante. Ainda que, na minha opinião, lhe faltou um pouco mais de sensualidade ou de perspicácia para convencer totalmente no papel da mulher que “desestabilizou” o Rei. Para fazer um paralelo de interpretação, por exemplo, achei Ana Torrent muito mais capaz de desestabilizar qualquer homem em cena do que a própria Natalie Portman - e olha que Ana Torrent só usas roupas de grande “recato”, quase pudicas.

Como praticamente sempre, Kristin Scott Thomas rouba a cena cada vez que aparece. O ator que interpreta o seu marido, o ambicioso Mark Rylance, consegue dar o tom exato de um homem que se deixa manipular pelo cunhado, interpretado com malícia por David Morrissey, para conseguir o máximo de vantagens possíveis para si e para os familiares. O inglês Jim Sturgess como George Boleyn, o irmão de Anne e Mary, consegue uma interpretação leve e convincente, enquanto que a pequena participação do também inglês (aliás, a maior parte do elenco é inglesa) Eddie Redmayne (como William Stafford, segundo marido de Mary) é interessante, ainda que praticamente passe imperceptível. Oliver Coleman como o nobre Henry Percy, o primeiro objeto de desejo de Anne, é um colírio para os olhos das espectadoras. :)

Agora falemos da história propriamente dita. Como comentei antes, o filme “pula” rapidamente da infância dos irmãos Boleyn para o casamento de Mary com o apagado nobre William Carey. Logo, com a chegada a casa do irmão de Lady Elizabeth Boleyn, o ambicioso Thomas Howard, começa um impressionante jogo de agenciamento puro e simples das mulheres da família para conseguir status social. Sim, porque o filme trata, essencialmente, de como algumas pessoas conseguiam “subir na vida” utilizando-se de meios tão deploráveis quanto oferecer suas filhas ou sobrinhas para serem amantes de reis ou nobres com poder. Aliás, esse aspecto da história, para mim, foi o mais interessante. Porque toda a insinuação de uma rivalidade entre as irmãs Mary e Anne não passou de um efeito deste jogo ambicioso engendrado pelos homens da família e, aparentemente, assumidos com gostos pelas duas irmãs.

Falando nisso, aqui entra o primeiro questionamento que eu fiz para com os meus “botões” enquanto assistia ao filme: realmente será que as mulheres naquela época aceitavam com tão bom grado as determinações de suas famílias, inclusive para prostituir-se em troca não de dinheiro, mas de status na Corte, títulos de nobreza e, algumas vezes, propriedades? Ok que naquela época tudo passava pelo Rei soberano - o filme trata um pouco disso ao mostrar que decisões de casamento e de divórcio passavam pelo crivo do monarca -, mas será que não havia realmente alguma maneira de confrontar o que se considerava absurdamente repulsivo de aceitar? Claro que acho impossível alguém descobrir realmente o que pensavam as irmãs Boleyn, mas é uma pergunta que me faço. Assim como achei também que até o fato de tudo passar pelo monarca foi um exagero… afinal, com tantas decisões para tomar, esse tipo de tarefa de decidir matrimônios ou separações deveria passar por um de seus muitos assessores e não diretamente pelo Rei.

Feitos esses comentários, também quero dizer que achei um pouco exageradas as “mudanças de humor” do tal Rei… afinal, ele assumir um verdadeiro desprezo por Anne após um simples acidente de caça e, depos, quando ela volta da Corte francesa, tornar-se tão obcecado por ela, a ponto de perseguí-la pelo castelo e de separar-se de sua Rainha me pareceram um pouco exagerados. Afinal, por mais que Anne tenha voltado mudada - na verdade, cá entre nós, não vi tantas mudanças assim, fora o fato dela falar mais o que pensava - da Corte francesa e, desta forma, passar a ser o centro das atenções entre os nobres, apenas isso não seria motivo para tanto interesse do Rei. E todo o “jogo” feito por ela para seduzí-lo me pareceu muito vago ou superficial para realmente ter surtido efeito da maneira com que surtiu, com o Rei prometendo nunca mais dormir com sua então Rainha e nem falar com Mary, de quem tinha acabado de ter um filho homem - o primeiro e único. Achei também inexplicavelmente desmedida a mudança de humor do Rei após ele ter “violentado” a tão desejada Anne antes do casamento. Afinal, em cena, tudo parece indicar que ele passou a ter ódio e/ou repulsa pela mulher - o que seria justificado pelo fato dela ter-lhe “obrigado” a romper com a Igreja Católica. Estranho, muito estranho.

Depois, no final, achei que faltou uma explicação sobre como a filha de Anne com o Rei, Elizabeth, teria se transformado em Rainha. Afinal, ela tinha dois sucessores na frente: o único filho homem do Rei, que teve com Mary, irmã de Anne; e a filha do primeiro casamento do monarca com Catarina de Aragão. Faltou explicar porque isso só fui entender depois, ao descobrir a verdadeira história das irmãs Boleyn.

Filme por filme, sem preocupações de ser fiel a História, The Other Boleyn Girl se mostra uma bem cuidada história de ambição e intriga nos bastidores da Corte inglesa durante o reinado de Henrique VIII (também chamado de Henry Tudor). Mas se formos analisar o que o filme tem de verdade, é muito pouco. Se resume, basicamente, ao fato de que o Rei teve caso com as irmãs Boleyn e que acabou mudando os rumos da Inglaterra por causa de sua obsessão por Anne. Fora isso, pouco mais é realista.

Vejamos: para começar, segundo a História, Mary foi jogada no leito de amante do Rei enquanto a irmã, Anne, recebia formação na Corte francesa. Em outras palavras: nunca existiu o desejo da família em apresentar Anne como a primeira opção para o Rei, assim como nunca houve aquela primeira “competição” entre as irmãs para saber quem seria a amante de Henrique VIII. Segundo a História, Anne apareceu na Corte inglesa depois que sua irmã já era amante do Rei. Ela chegou realmente a ter um romance com Henry Percy, mas foi impedida pelo pai de seguir com ele.

Conforme a história oficial, Anne voltou para a convivência da Corte inglesa em 1525 e, dois anos depois, foi pedida em casamento pelo Rei. Sem ceder aos apelos de Henrique VIII para que ela se tornasse sua amante, ela seguiu na Corte aumentando a sua influência ao estreitar laços de amizade com o embaixador francês Monsieur de la Pommeraye, que estaria apaixonado por ela - relação essa de poder de Anne que não foi nada explorada no filme. Nada popular entre o povo, Anne chegou a ser vítima de várias manifestações de seguidores da Rainha Catarina de Aragão. O curioso é que a separação do Rei não foi rápida… para nada. Depois de pedir Anne em casamento em 1927 e dela ter aceitado, eles só foram se tornar amantes em 1532, um ano antes de que realmente se casassem. Aliás, este é um ponto de grande curiosidade histórica, já que muitos se perguntam porque, depois de tantos anos, Anne teria cedido aos apelos do Rei antes de conseguir realmente se casar com ele - teria sido violentada como mostra o filme?

Outro ponto curioso e também não muito claro na História é que o Rei casou-se com Anne secretamente em janeiro de 1533, antes mesmo de ser anunciado oficialmente a sua separação da Rainha Catarina de Aragão. Assim sendo, apenas em junho Anne foi coroada oficialmente Rainha da Inglaterra. Ela ficou conhecida por Anne dos 1000 dias porque teve um reinado muito curto. Curioso que, segundo este texto da Wikipedia, o Rei “parecia satisfeito com Anne em tudo, menos na falta de um herdeiro”. Algo bem diferente do que se viu na tela, quando o Rei parecia estar insatisfeito com a mulher em tudo… hehehehehehehe. Segundo o que se conta oficialmente também, não parece tão clara a “inocência” de Anne como o que é contado no filme. Chegam a dizer que ela teria tido um filho - nascido morto, como outros - da relação incestuosa com o irmão.

O outro ponto não explicado no filme, de como a filha de Anne com o Rei foi se tornar a Rainha da Inglaterra por tanto tempo, só foi esclarecido neste texto da Wikipédia. Com a morte dos outros dois meio-irmãos é que Elizabeth finalmente assumiu o posto de Rainha.

Enfim, mais um filme que serve como passatempo, tem suas qualidades técnicas e uma certa “pressa” em contar a história. Mas se for levado em conta o que realmente aconteceu, ele fica anos-luz de qualquer história real.

NOTA: 7,5.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Sei que já é lugar-comum minhas críticas para os nomes escolhidos pelas distribuidoras brasileiras para os filmes, mas não posso evitar. Dar o título de “A Outra” para este filme foi demais para a minha cabecinha. ¡Vaya! mal gosto, hein? Até porque eu acho que o mais adequado seria “As Outras”, heheheheheheheheehe. O que me pareceu é que os tradutores só olharam a primeira metade do título e pronto, dá-lhe! :)

O filme conseguiu um desempenho mediano tanto de crítica quanto de bilheteria. Pelo site IMDb ele recebeu a nota 6,8, enquanto que os críticos que tem textos publicados no Rotten Tomatoes lhe conferiram 74 críticas negativas e 52 positivas para o filme. A produção, que teria custado US$ 35 milhões, ainda não conseguiu se pagar… nos Estados Unidos o filme conseguiu, até o dia 20 de abril, arrecadar pouco mais de US$ 26,8 milhões. Não é um fracasso retumbante, mas está longe de ser um êxito comercial.

Este é o primeiro filme do inglês Justin Chadwick para os cinemas. Antes ele dirigiu a produção televisiva Family Style, com Ewan McGregor, em 1993, assim como uma boa variedade de séries televisivas.

O roteirista Peter Morgan, que aqui descuidou de vários detalhes e passou “batido” por tantos outros, escreveu antes o elogiado roteiro de A Rainha, que conta com uma magistral interpretação de Helen Mirren como a Rainha Elizabeth II - ironicamente a descendente de toda esta “suruba” da família Boleyn com o Rei inglês. Achei que faltou força no roteiro deste filme mais recente.

Como já era de se perceber com o filme, ele foi todo filmado na Inglaterra. Entre as cidades e locações, destaque para as cidades de Kent, Gloucestershire e Cambridgeshire, assim como para os castelos de Berkeley e Dover e para a Catedral de Ely.

Não sei se fui só eu que percebi, mas na cena em que as irmãs Boleyn “confrontam” a Rainha Catarina de Aragão, bem no início da cena, não parece que Scarlett Johansson está despropositalmente achando tudo tão engraçado? O que me pareceu é que a cena foi filmada mil vezes porque as duas atrizes - Natalie Portman e Scarlett Johansson - deviam sofrer ataques de risos e, no take que foi aproveitado, ainda ficou um pouco do ar de “besteirol” em cena. Pode ser só impressão também…

Para constar: o filme é uma co-produção entre Estados Unidos e Inglaterra.

CONCLUSÃO: Um bom filme de época tecnicamente falando, recheado de intrigas e jogos amorosos. Se mostra interessante por contar um pouco do jogo de poder e dos bastidores do reinado de Henrique VIII ou Henry Tudor na Inglaterra - reinado este que mudaria a história do país para sempre, afastando o governo inglês da Igreja Católica e criando a Igreja Anglicana. Tem boas atuações ainda que, no geral, nenhuma acima da média. Bom passatempo, mas mortífero para os que gostam de filmes históricos - já que de fidelidiade histórica ele tem quase nada.

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Caótica Ana

Junho 17, 2008 at 7:29 pm (Cinema, Cinema espanhol, Cinema europeu, Crítica de filme, Movie)

Sempre é complicado gostar de um autor. Digo isso porque o espanhol Julio Medem não é o primeiro que “pisa na bola” com as minhas expectativas ou a minha crença em seu trabalho. Eu gostava dele. Até assistir a este Caótica Ana. De sua autoria eu tinha assistido antes a Los Amantes del Círculo Polar e Lucía y el Sexo, dois dos melhores filmes que o cinema espanhol produziu no final dos anos 90 e início destes anos 2000. Por isso mesmo estava um pouco ansiosa por este Caótica Ana. E o choque ao vê-lo foi imenso. Toda a “inovação”, o sentido de “outro tipo de narrativa” no cinema espanhol que Medem conseguiu nos filmes anteriores virou fumaça. Caótica Ana é, sem dúvida, um dos piores filmes que eu assisti nos últimos anos. Por isso, meu caro leitor e leitora, esta não é uma recomendação, é um alerta de “fique longe” ou, pelo menos, “tome cuidado” ao saber que se trata de uma bomba.

A HISTÓRIA: Ana (Manuela Vellés) é uma jovem artista autodidata que vive em uma caverna com o seu pai, um alemão chamado Klaus (o polonês Matthias Habich), na ilha de Ibiza, Espanha. Ela vende seus quadros em uma feira na cidade quando aparece a mecenas Justine (a inglesa Charlotte Rampling), que se interessa pelo trabalho de Ana e a convida para se mudar para Madri, onde poderá ter contato com distintas classes de arte e onde poderá desenvolver o seu talento. Mudando para a capital, Ana conhece uma variedade de jovens talentosos, incluindo Linda (a cantora Bebe), uma apaixonada pelo vídeo; Said (o francês Nicolas Cazalé), um pintor atormentando com quem irá desenvolver uma forte de paixão; Lucas (Raúl Peña), ator mulherengo, entre outros. Mas ao mesmo tempo em que Ana desenvolve o seu talento artístico e descobre a sua sexualidade, ela também começa a sofrer crises que revelam a existência no seu inconsciente de diversas mulheres que foram suas reencarnações passadas.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER - aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta trechos importantes do filme, por isso só recomendo que continue a ler quem já assistiu a Caótica Ana): Realmente acaba ficando complicado falar deste filme. Seria um pouco lugar-comum dizer que tudo nele é um caos. Não. Na verdade, nem tudo é um caos. Julio Medem continua sabendo o que faz como diretor, conseguindo alguns planos bacaninhas e algumas seqüências bonitas… mas os poucos segundos de beleza do filme - acredito que apenas as imagens de Ibiza e os primeiros passos de Ana nas ruas de Madri (ela caminha, mais especificamente, pela Gran Vía) - não passam exatamente disto, de poucos segundos. O resto, meus caros leitores, é uma grande forçada de barra.

Para começar, não gostei dos atores. Achei todos eles, sem exceção, com interpretações exageradas ou nada convincentes. Sim, existem muitos extremos neste filme. Exceto por uma ou outra cena, a estreante atriz Manuela Vellés é a pessoa errada para este papel. Ela não consegue, coitada, chegar ao fundo de sua personagem. Alguns até podem achar ela simpática ou carismática, como li por aí, mas isso porque ela tem um sorriso bonito. Também os marmanjos podem achar interessante as várias cenas de nudez da garota. Mas eu, que estou mais interessada em interpretação do que em desfile de gente nua - ainda que eu ache um recurso super justificável e interessante, dependendo do contexto - achei a menina muito desprovida de recursos dramáticos (especialmente nas cenas de “caos virtuoso”). Para quem tinha que “vestir” a pele de uma jovem libertária influenciada por várias vidas passadas, faltou a Manuela alguns anos de experiência como atriz - o que ela não tem.

Depois, a geralmente competente Charlotte Rampling parece estar constantemente tentando ser “agradável” como a mecenas francesa que lhe coube na história, mas ela não consegue fazer muito mais do que isso. Em uma das últimas cenas do filme, quando Ana é levada para descobrir as suas mais remotas raízes nos Estados Unidos, tive pena de Charlotte tendo que fazer um papel quase de “desesperada”, bem distante do que era a sua personagem até então. Os demais atores também são bem fraquinhos… Nicolas Cazalé e Raúl Peña, os dois “jovens objetos de desejo” em cena, parecem amadores, como Manuela - ainda que eles, diferente da jovem atriz, tenham alguns anos de experiência no currículo. Mas seus papéis são construídos de maneira tão fraca que eles parecem estar impossibilitados de fazer algo melhor.

Acho que o único que se pode dizer “regular” no filme é o ator Matthias Habich, que interpreta o pai de Ana. Ele fala pouco, mas imprime com o olhar e com o gestual o tom exato de seu personagem contido e apaixonado pela filha. Também pareceu coerente em seu papel Bebe, cantora que vive em Madri e que lançou seu primeiro disco em 2004. Se bem que, pelo que andou dizendo o diretor em entrevistas e no material de divulgação do filme, parece que o papel dela ficou mais “legítimo” porque ela interpretou Linda da maneira que quis, resultando em uma personagem bem diferente do que a que ele tinha imaginado com o seu roteiro.

Feitos estes comentários dos atores, vamos ao roteiro. Uma história que conta o encontro de uma jovem criada um tanto isolada do mundo e com um forte senso de liberdade com o mundo pode render um bom filme. Assim como a premissa de que esta jovem exerce tanto “fascínio” (em mim ela não exerceu, mas tudo bem… em teoria, pelo roteiro, ela deveria ser como uma “hipnose” para os que estão a sua volta) nas pessoas porque ela carrega em si a força de várias mulheres jovens mortas prematuramente em vidas passadas - suas reencarnações anteriores - também poderia render algo interessante. Mas, no fim das contas, pela interpretação da protagonista e de seus companheiros de elenco e, também, deve-se dizer, por um roteiro um tanto perdido em “viagens autorais” de Medem nos encontramos com um filme fraco, previsível, arrastado e ruim.

A inovação é algo interessante e importante. São bem-vindos sempre os diretores e roteiristas que resolvem fazer algo diferente, criativo. Reviravoltas e surpresas no roteiro agradam platéias. Mas tudo isso funciona quando existem atores que convencem e linhas escritas com precisão, sem devaneios, sem “coelhos tirados da cartola” ou, pelo menos, que não terminemos nossa aventura cinematográfica dizendo um grande “E daí?”. Nos filmes anteriores de Medem que citei aqui no início ele conseguiu ser inventivo e aliar, naquelas produções, uma interessante precisão narrativa (com um olhar curioso da câmera muitas vezes) com curiosas linhas de falas para os seus atores. Além disso, ele contava com atuações marcantes de Fele Martínez, Najwa Nimri (de Los Amantes del Circulo Polar) e de Paz Vega (de Lucía y el Sexo). Mas nada disso aconteceu neste Caótica Ana.

O final do filme, em especial, é algo absurdamente irritante. Desde Saló ou 120 Dias de Gomorra, de Pier Paolo Pasolini, que considero um dos piores filmes que eu já vi na vida, eu não tinha visto uma alusão à merda, literalmente, tão ridícula. Além do filme ser chato e arrastado, como eu disse antes, ele ainda termina da maneira com que termina. Realmente, uma grandíssima perda de tempo. Só espero ver algo melhor da próxima vez ou terei que ficar afastada dos cinemas por um tempo para me recuperar. hehehehehehehe.

E a história… coisa mais irritante do mundo aquela insistência em “regressar” às vidas passadas de Ana, gravando em vídeo as suas narrativas de mortes violentas ou então fazendo com que ela lembrasse o que ocorreu. Além de chatas, repetitivas e sem um fundo prático - afinal, aquelas sessões de hipnose não estavam ajudando ela em nada -, estas voltas acabem desencadeando uma fuga da personagem ainda mais sem sentido com Ismael, o pai (!!!??!!) de Linda para Nova York - personagem interpretado por Lluis Homar. No fundo, tudo parece um sonho sem graça.

NOTA: 2.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Na verdade eu tinha pensado em dar um categórico 0 ou então a nota 1 para esse filme, mas em consideração ao diretor, que fez filmes muito interessantes anteriormente, dou esse 2.

Além dos atores já citados, faz parte do elenco Asier Newman como Anglo, o jovem que cai de páraquedas na vida de Ana e que resolve “ajudá-la” a descobrir o que está fazendo ela entrar em crise. Especializado em hipnose, é ele que começa a trabalhar com a jovem artista para ir “recontando” as suas vidas passadas e, assim, encontrar a base “feminista” de seu dilema atual. Nada mais vago e sem verdadeiro argumento para convencer a quem for. Outro ator que está no elenco é o veterano estadunidense Gerrit Graham. Ele interpreta o Mr. Halcon, um pretenso político importante dos Estados Unidos que é um “senhor da guerra” e que acaba aparecendo no “grand finale” de Caótica Ana de maneira, digamos, ridícula. Tem gente que aparece só para morrer, enquanto outros aparecem para… hehehehehee. Não vou contar para não estragar a merda de surpresa.

Segundo o diretor na página que criou para o filme, Caótica Ana conta a história-viagem da personagem durante quatro anos: de seus 18 até os seus 22 - o curioso é que essa “diferença” de idade não fica visível no filme, exceto pelos cortes de cabelo diferente, que não querem dizer muita coisa.

O filme também seria uma homenagem do diretor a sua irmã, Ana, morta em 2000 em um acidente de trânsito. Boa parte dos trabalhos artísticos que aparecem no filme, aliás, eram de autoria da irmã do diretor, artista plástica. Só achei que ela merecia uma homenagem melhorzinha…
Caótica Ana teria custado € 9 milhões e teve filmagens no deserto do Saara, em Nova York, em Ibiza e Madri (ambas cidades espanholas).

No site IMDb Caótica Ana conseguiu a nota 5,7 dos usuários, enquanto que o site Rotten Tomatoes publica apenas duas críticas, uma positiva e uma negativa.

ATUALIZAÇÃO: (SPOILER - não leia se não assistiu ao filme). Tinha me esquecido de comentar algo antes… segundo o diretor, Caótica Ana é uma “ode” a mulher contra o homem branco. Depois fiquei pensando naquele final infame… a jovem Ana, um tanto “despirocada” e perdida no mundo, sem seu amor, trabalhando em um restaurante de Nova York, resolve seduzir o “homem da guerra”, o “homem branco” culpado de todas as guerras e pecados do mundo… seria essa a mensagem do diretor? E ela resolve se “vingar” do tal “vil homem branco” daquela maneira, buscando sua própria morte? Agora, não sei se foi mais ridículo o que ela fez, como ele reagiu ou a maneira com que ela foi “salva”… o que tem a ver a coluna romana com ela ser romana?? Hein?? Acho que não cheguei na “pira” do diretor nesse momento… Supondo-se que ela tivesse algo de romana, o machadinho que matou ela em sua encarnação índia, a guilhotina que a matou em outra vida, os corvos do deserto e etc. não seriam de sua mesma origem?? E ainda assim ela não morreu nas outras vezes todas? Ai, alguém por favor volte a dar o remédio para esse diretor que ele está pirando…

CONCLUSÃO: Um filme extremamente pretensioso, que busca contar a história de um espírito livre confrontado com o mundo e que carrega em si vários “sentimentos” e lembranças de vidas passadas. O que poderia ser interessante se mostra extremamente chato, arrastado, mal feito e com interpretações ridiculamente sem profundidade. Faltou um roteiro melhor e um elenco idem. Exceto por um par de cenas bem dirigidas, praticamente todo o filme é uma grande bobagem. O final, ainda por cima, irrita. Realmente não vejo nada para poder indicá-lo para alguém.

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Grace is Gone

Maio 26, 2008 at 8:06 pm (Cinema, Cinema norte-americano, Crítica de filme, Filme premiado, Movie)

Este é um bom exemplar de filme para ser bombardeado. Primeiro, porque a história é a típica que cai no gosto de quem gosta de julgar o próximo. Segundo, porque o diretor James C. Strouse não tem nenhuma pressa em acelerar o ritmo da narrativa ou de escrever o seu roteiro para agradar o espectador. Resumindo: Grace is Gone é o típico filme que fará muita gente criticar imensamente o personagem Stanley Philipps, vivido de uma maneira interessante e marcante por John Cusack, acreditando que tem a resposta certa para o que uma pessoa deveria fazer em uma situação como a dele. O problema é que jogam papéis decisivos aqui a frustração e a incredulidade. Como explicar para as suas duas filhas que você mal consegue criar sozinho quando a sua mulher está fora de que a mãe delas morreu de uma forma estúpida, sem justificativa? E olha que Philipps ainda acredita na instituição do Exército e vê como “justificável” a causa que matou a sua mulher… ou pensava que acreditava até que o pior aconteceu.

A HISTÓRIA: Stanley Philipps (John Cusack) é o chefe de uma equipe de vendedores de uma loja de departamentos típica nos Estados Unidos. Fora o tempo no trabalho, ele passa muito tempo em casa sozinho com as duas filhas, Heidi (Shélan O’Keefe) e Dawn (Gracie Bednarczyk), porque a mulher dele, Grace, serve o Exército e vive sendo chamada para missões fora. Desta vez ela está servindo na Guerra do Iraque. Um dia pela manhã, antes de ir trabalhar e depois que as filhas saem para o colégio, ele recebe a visita de dois oficiais que comunicam a morte de Grace. Sem saber como comunicar isso para as filhas, ele resolve sair com elas para uma aventura especial.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER - aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Grace is Gone): Muitas pessoas - talvez a maioria - que vá assistir a esse filme sairá do cinema ou desligará o DVD irritadas. Estarão dizendo uma para as outras: “Mas isso é atitude de um homem adulto, pai de família e que tem duas garotas em casa que são suas dependentes?”. Fácil julgar. Sempre foi e sempre será mais tranquilo apontar o dedo para a pessoa próxima e dizer tudo que ela faz de errado. Mas quem pode julgar Stanley Philipps? Ninguém. Nem mesmo alguém que tenha passado pelo mesmo. E eu explico o porquê.

O personagem vivido por John Cusack (em uma das, senão a maior interpretação de sua carreira) vive frustrado. Se sente também culpado por estar em casa enquanto a mulher faz o que ele gostaria, enquanto ela leva a vida de “herói” que ele sempre sonhou. Enquanto ela está longe de casa defendendo o seu país - algo que ele realmente acredita ser o correto -, ele está em casa cuidando de duas meninas com as quais ele não consegue se comunicar direito. Quando começamos a assistir o filme, Philipps parece um estranho em seu próprio lar, em seu próprio corpo. Cada gesto, cada olhar furtivo que Cusack lança em sua interpretação denuncia a falta de conforto de um homem vestindo uma fantasia de pai de família. E se ele queria sair correndo, tudo fica mais impossível quando chega a notícia da morte de Grace.

É dificílimo lidar com a morte de uma pessoa que a gente ama muito. Mas, algumas vezes, por mais paradoxo que isso possa parecer, é mais fácil lidar com a perda quando estamos sozinhos. Porque daí nada e nem ninguém nos impede de nos afundarmos por um tempo, de nos jogarmos dentro de um casulo sem prazo para sair. Mas tudo fica mais “pesado” ou mais “grave” quando existem pessoas hipoteticamente mais frágeis que nós mesmos dependendo de nossa força, de nossa postura. Mas que força? Que postura? Como permanecer com a coluna ereta se perdemos uma parte importante de nós mesmos expresso na forma da pessoa que escolhemos para viver conosco e que é o nosso amor? Difícil, muito difícil. Mas necessário se reerguer.

Neste cenário de perda, de frustração e de dificuldade em se comunicar é que Philipps decide sair de casa, do seu “lugar seguro”, para aventurar-se. Quem sabe no caminho ele não encontra a forma de contar para as filhas que a mãe que elas sentem falta todos os dias nunca mais irá voltar? E ele vai dirigindo, perguntando o que Heidi e Dawn querem fazer sempre, enquanto pensa no que vai fazer. (SPOILER - não leia o trecho a seguir se realmente não assistiu ao filme). Para mim um dos momentos mais duros do filme é a última ligação que ele faz para a casa deles. Na primeira, quando ele liga para ouvir a voz de Grace na secretária eletrônica e deixa uma mensagem como se ela fosse voltar para casa, achei besta, pensei que ele estivesse negando a realidade. Talvez sim. Mas depois, quando ele liga para ouvir a voz de Grace na secretária eletrônica e também para pedir ajuda, perguntando como ele deveria falar o que deveria falar para as filhas, foi de matar. Cada um realmente sabe a dor que sente e encontra, por autopreservação mesmo, a melhor forma de enfrentar a sua dor.

Agora sobre o filme propriamente dito. Gostei do ritmo natural da história, que não tem pressa alguma em chegar a respostas. James C. Strouse escreveu o roteiro e também dirige o filme. Para mim, fez um bom trabalho. John Cusack, como eu disse antes, está incrível. Não é fácil interpretar um sujeito que carrega tanto peso sobre os ombros e que, por incrível que pareça, talvez seja mais comum do que gostaríamos. As meninas que interpretam as filhas de Stanley e Grace são ótimas, especialmente Shélan O’Keefe. Gostei bastante da direção de fotografia de Jean-Louis Bompoint e da trilha sonora de - quem diria! - Clint Eastwood.

Falando em “quem diria!”, Marisa Tomei faz uma ponta quase imperceptível como a “mulher da piscina” do hotel em que eles ficam hospedados uma noite - e em que Heidi conhece um garoto com o qual tenta “flertar” e começar a fumar.

NOTA: 8.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Algo interessante do filme é que nunca vemos a Grace que dá título ao filme, mas ela está sempre presente, como uma “entidade”. Acho que a trilha sonora de Eastwood ajuda bastante neste efeito.

Falando em “efeito”, achei curioso também como o filme acaba sendo uma crítica interessante a ignorância da Guerra do Iraque, ainda que isto não seja muito óbvio na história. Sabemos que Grace foi para o Iraque por uma “fração” de tempo em que Heidi está assistindo TV em casa. Depois, a crítica aparece em uma conversa “casual” entre Heidi, seu tio John (Alessandro Nivola) e o próprio pai. No fim das contas, assistimos em tela uma história que poderia ser real e que, provavelmente, está ocorrendo de maneiras “levemente” distintas em muitas casas dos Estados Unidos agora mesmo. Pessoas perdendo amores de suas vidas, filhas ficando órfãs por uma guerra inútil e corrompida. Mesmo sendo um “drama humano”, Grace is Gone é carregado desta crítica das mortes estúpidas e anti-naturais.

Até agora o filme foi indicado a 10 prêmios - levando para casa quatro deles. Entre os mais importantes, destaque para os prêmios de no Festival de Sundance - para o roteiro de Strouse e como prêmio da audiência para filme dramático. No Globo de Ouro o filme concorreu em duas categorias de música - trilha sonora e música - mas não levou nenhum prêmio para casa.

O interessante é que Grace is Gone teve um baixíssimo orçamento: teria custado US$ 2 milhões. Independente, sendo exibido em pouquíssimas salas nos Estados Unidos, ele até agora conseguiu uma bilheteria “ridícula” para os padrões de Hollywood: pouco mais de US$ 50 mil. Isso mesmo, “mil” e não “milhões”… hehehehehehehehe

Os usuários do site IMDb deram a nota 6,8 para o filme, enquanto o site Rotten Tomatoes publica 35 críticas positivas e 25 negativas para o filme.

CONCLUSÃO: Um filme com clara vocação para ser “amado ou odiado”, pode tanto fazer as pessoas chorarem quanto fazê-las querer bater no personagem principal - ou querer acelerar o filme até a parte inevitável. Ainda assim, achei um filme interessante por mostrar outra “ótica” na questão de perdas pela Guerra do Iraque. E, mais que isso, por tratar de forma natural o quão desajustada uma pessoa pode estar e/ou ficar com uma notícia incomunicável. Recomendado para quem consegue ver filmes sem muita ação e que gostam de observar diferentes tipos de pessoas em situações de ruptura em suas vidas.

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Iron Man - Homem de Ferro

Maio 25, 2008 at 2:58 pm (Cinema, Cinema norte-americano, Crítica de filme, Movie)

Como falei há pouco tempo na coluna Em Foco, que mantenho no site DVD Magazine, em 2008 os fãs de heróis dos quadrinhos e de personagens de desenhos animados terão alguns filmes interessantes para assistir nos cinemas. O primeiro a estrear desta “nova leva” foi Iron Man, dirigido pelo nova-iorquino Jon Favreau. Para os seguidores do herói nos quadrinhos é um alívio saber que desta vez Hollywood acertou a mão em uma adaptação para o cinema. O filme está bem equilibrado entre ação, drama e crítica ao uso de armas como “defesa” de um status quo norte-americano que defende a idéia de “polícia mundial”, apaziguador de guerras - quando, na verdade, contribui decisivamente para que muitas delas existam. Mas o bom mesmo é que o filme não exagera em nenhuma dose. Também respeita as característica do personagem que originou o filme, ou seja, mostra um Tony Stark um bocado temperamental, excêntrico e intempestivo.

A HISTÓRIA: O filme conta a história de Tony Stark (Robert Downey Jr.), o herdeiro de um conglomerado de alta tecnologia especializado na indústria armamentista. Logo conhecemos a sua veia “bon vivant”, habituado a ter as mulheres mais lindas - e descartá-las depois -, amante do que de melhor uma grande fortuna e o poder de ser o principal fornecedor do Exército dos Estados Unidos pode oferecer a uma pessoa. Mas sua vida muda de rumo quando ele é raptado por terrorista depois de apresentar o seu último armamento de destruição. Ameaçado de morte, ele dissimula que está construindo o novo míssel para os terroristas enquanto utiliza seu tempo no cativeiro para construir a primeira roupa do Homem de Ferro.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER: aviso aos navegantes que parte do texto à seguir conta trechos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Iron Man): Um dos pontos interessantes do filme é que ele mostra a mudança que ocorreu com Tony Stark tal qual ocorreu no gibi, mas sem exagerar na mensagem de “mudança radical”. Ou seja: sim, ele percebe o risco que suas armas provocam em mãos erradas e decidi mudar de rumo, produzindo uma roupa incrível que poderá ser utilizada por ele para o “bem”, mas ainda assim ele não muda radicalmente ao ponto de deixar de ser temperamental ou excêntrico. Não, Tony Stark continua sendo Tony Stark. E o bacana do filme é que ele termina justamente quando o personagem recebe outra lição: que mesmo a sua “boa intenção” de construir um traje para o “bem” pode ser manipulada e utilizada para outros interesses se parte da tecnologia utilizada por ele cair em mãos erradas.

Um dos pontos interessantes do filme é justamente este: de que não interessa a intenção que você possa ter ao inventar ou fazer algo, porque nunca terás total controle sobre isso. Ou seja: o conhecimento traz responsabilidades, porque ele pode servir para usos muito distintos do que originalmente foram planejados. Um dos exemplos clássicos disto foi o uso da descoberta da fissão nuclear, pelos alemães Otto Hahn, Lise Meitner e Fritz Strassmann, para a posterior elaboração das bombas atômicas que mataram milhares de pessoas no Japão. E ninguém pode se dizer “inocente” totalmente pelo uso indevido do conhecimento que ajuda a produzir. Afinal, o estudo da História e um pensamento crítico e dialético dela nos ensina que as inovações são absorvidas - ou tentam ser, pelo menos - pelo mercado mais cedo ou mais tarde. Como diria um professor meu do doutorado, Miguel Angel Sobrino, quem produz conhecimento tem que cuidar para saber que as inovações podem ser instrumentalizadas pelo sistema e utilizadas contra os “interesses originais” de quem encontra o conhecimento. E daí é preciso saber e definir “de que lado você está” ou prever os efeitos bons e ruins que o conhecimento pode trazer.

Mas voltando ao filme: Iron Man ganha pontos ao mostrar um Tony Stark imprevisível, temperamental, um sujeito que cresceu em um sistema de vida - cheio de grana - que o deixa um bocado distante do “mundo real” ou, digamos, pelo menos lhe deixa ignorante a respeito de boa parte do que existe fora do seu quintal de fartura. Ele acaba conhecendo um pouco do que existe além do seu “charco” e resolve mudar um pouco de postura - até porque se sente responsável por alguns absurdos que encontra no caminho. Ainda assim, não muda radicalmente. Não vira um “homem generoso” que distribui seu dinheiro para os pobres. Não, ele continuará multimilionário e poderoso, é claro. Ainda que realmente siga com a idéia de que sua Indústrias Starke deixe de fabricar armas.

No geral o filme é muito bem conduzido pelo diretor Jon Favreau, com uma competente edição de Dan Lebental e uma direção de fotografia equilibrada de Matthew Libatique. O criador do personagem, Stan Lee, faz mais uma de suas aparições à la Hitchcock - desta vez, cercados de mulheres. hehehehehehehe. Robert Downey Jr. mostra que é um grande ator - algo que já podia ser conferido em A Guide to Recognizing Your Saints, entre outros. Terrence Howard está bem no papel do coronel James “Rhodey” Rhodes, personagem que faz o elo de ligação entre o Exército e Tony Stark - e que acaba sendo mais do que um contato, mas um verdadeiro amigo do excêntrico industrial. Jeff Bridges mudou bastante para encarnar bem Obadiah Stane, o “braço-direito” do pai de Stark e que sigue sendo “o segundo homem no comando” da empresa depois que ela passa para Tony. Para ser franca, ele me irritou um pouquinho no final, porque me pareceu muito maniqueísta, mas tudo bem. Acho que o problema não foi tanto do ator, mas do roteiro mesmo, que deu uma certa “derrapadinha” no desfecho - me refiro a parte da explosão do reator. Gwyneth Paltrow está razoável - como sempre, aliás. No mais, sem nenhum outro destaque - talvez Faran Tahir como Raza, líder dos terroristas; e o inglês Shaun Toub como o prisioneiro médico que ajuda Stark no cativeiro, Yinsen.

NOTA: 9.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Prestando atenção nos créditos do filme é que percebi que o diretor faz uma “ponta” como Hogan “Happy”, ex-boxeador que nos quadrinhos é motorista e assistente de Tony Stark - e que, no futuro, chegou a virar até um dos vilões nas HQs do Homem de Ferro, chamado de Freak, depois de ter sido exposto a um poderoso raio de cobalto.

Para quem não sabe, o Homem de Ferro foi publicado pela primeira vez em abril de 1963, criado por Stan Lee, Larry Lieber, Don Heck e Jack Kirby. O personagem de Tony Stark foi inspirado na figura excêntrica do empresário e cineasta Howard Hughes (retratada em vários filmes, incluindo o filme de Martin Scorsese, The Aviator/O Aviador). Nas palavras de Stan Lee, produtor executivo do filme Iron Man, Hughes era “um inventor, aventureiro, multimilionário, galanteador e também um doido”.

O filme tem um roteiro escrito a oito mãos: por Mark Fergus, Hawk Ostby, Art Marcum e Matt Holloway. Por coincidência, o mesmo número de pessoas responsável pela criação do personagem para os quadrinhos. Da trupe responsável pelo roteiro, os mais “conhecidos” são Mark Fergus e Hawk Ostby, responsáveis por roteiros como o de Children of Men (Filhos da Esperança) e First Snow (Marcas do Passado). Uma curiosidade: Art Marcum e Matt Holloway são os responsáveis pelo roteiro de outra adaptação dos quadrinhos prevista para estreiar este ano, a de Punisher: War Zone, que traz para as telonas novamente o personagem de Frank Castle/O Justiceiro. Mais uma vez eles assinam o roteiro ao lado de outras duas pessoas: Nick Santora (conhecido por ser co-produtor e um dos roteiristas de Prison Break) e Kurt Sutter (também co-produtor e um dos roteiristas da série The Shield).

Iron Man está se saindo muito bem tanto no quesito bilheteria quanto nas críticas. O filme, que teria custado aproximadamente US$ 140 milhões, arrecadou, apenas nos Estados Unidos e até o dia 18 de maio pouco mais de US$ 223 milhões. Apenas na primeira semana, sendo exibido em 4.105 salas de cinema, ele arrecadou pouco mais de US$ 102 milhões. Os usuários do site IMDb conferiram a nota 8,2 para o filme, enquanto que o