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Filmes que valem a pena – Eu recomendo!

31 de outubro de 2007 11 comentários

Meus bons leitores, eu sou uma cinéfila de carteirinha. Antes mesmo de escrever sobre cinema como jornalista, eu era louca por assistir a filmes. De todos os tipos. Documentários, dramas, de terror, comédias, de ação, suspense, thrillers, filmes-B, cinebiografias… enfim, todos que eu pudesse encarar pela frente. Filmes de Hollywood, da Índia, da Espanha, do Japão, da Argentina, do Canadá, da França, de onde viesse. Filmes bons, filmes lixo. Não importa. Todos merecem ser vistos. Desde os cults até os malditos. Desde aqueles que todos falam até aqueles que ninguém nunca ouviu falar.

Pois eu sigo atualmente com o mesmo gosto por cinema. Escrevendo agora para um blog e não para um jornal – estou de “férias” da profissão até terminar o meu doutorado -, continuo consumindo tudo que eu posso assim que me sobra tempo. Esse blog, falando nele, acho que não expliquei ao que ele vem. A idéia é escrever aqui sobre todos os filmes que eu vou assistindo, na ordem em que assisto. Por isso por aqui se encontram filmes bons e ruins. É como um “diário” – nem tão diário assim – de filmes, como um “caderno de anotações” do que eu ando assistindo. Espero que interesse a alguns e, mais que isso, que seja um ponto de encontro para falar sobre cinema.

Mas o objetivo deste post é comentar e indicar filmes bons que eu vi antes de criar este blog. Afinal, nos últimos anos apareceram vários filmes bacanas e que merecem ser visto. Como não vou falar deles por aqui – exceto se os assisto novamente, mas daí seria quase uma quebra de “regras” para esse blog -, resolvi listá-los e indicá-los.

Acho que todos os filmes abaixo merecem ser vistos – ou revistos. Bom proveito e bons filmes para todos!

Filmes que vi nos últimos dois anos e que recomendo:

Guardiões da Noite (Night Watch)

O Jardineiro Fiel (The Constant Gardener)

Minha Vida Sem Mim (My Life Without Me)

Flores Partidas (Broken Flowers)

Boa Noite, e Boa Sorte (Good Night, and Good Luck)

Uma Vida Iluminada (Everything is Illuminated)

Fora do Mapa (Off the Map)

Johnny & June (Walk the Line)

O Mestre das Armas (Huo Yuan Jia)

V de Vingança (V for Vendetta)

Nine Lives

Casa de Areia

Down in the Valley

Querida Wendy (Dear Wendy)

La Educación de las Hadas

Xeque-Mate (Lucky Number Slevin)

Obrigado por Fumar (Thank You for Smoking)

Pequena Miss Sunshine (Little Miss Sushine)

O Ilusionista (The Illusionist)

Babel

Paris Je T´Aime

As Bonecas Russas (Les Poupées Russes)

O Labirinto do Fauno (El Laberinto del Fauno)

Notas sobre um Escândalo (Notes on a Scandal)

300

Sicko

O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias

O Vigarista do Ano (The Hoax)

Essa lista é dos que recomendo. Deixei para lá, sem citar, todo o restante. hehehehehe

CategoriasCinema, Confessions

American Gangster – O Gângster

31 de outubro de 2007 14 comentários

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Eu tinha escrito minha crítica de American Gangster antes. Agora há pouco. Mas apaguei. Fui sendo sincera e dizendo na lata tudo o que achei do filme nessas primeiras linhas. Erro fatal. Eu não gostaria que alguém me dissesse o que eu ia escrevendo aqui antes de vê-lo. Por isso vou respeitar você, caro leitor, que chegou aqui. Não falarei nada aqui que possa comprometer o filme ou revelar o quanto gostei dele. Afinal, a expectativa é o pior aliado antes de uma experiência. E eu não quero que ninguém, absolutamente ninguém seja afetado por muita expectativa antes de ver esse filme. Só quero que algo fiquei claro: vá assistir a American Gangster. Nada mais. Vá assistí-lo na primeira oportunidade. Depois termine de ler essa crítica. Só depois.

A HISTÓRIA: O filme começa com Frank Lucas (Denzel Washington) acompanhando e observando o seu “mestre” Ellsworth “Bumpy” Johnson (Clarence Williams III) no Harlem em 1968. Bumpy é como uma “unanimidade” na região, um líder respeitado e admirado que vive do tráfico. Quando ele morre, Frank Lucas vê a calma do Harlem terminar, com todos os demais traficantes brigando por cada centímetro do bairro, todos explorando todos e terminando o “respeito” entre os criminosos. Assistindo ao telejornal um dia, sobre como as drogas estão dominando, enfraquecendo e corrompendo os soldados americanos no Vietnã, Lucas tem uma idéia. Ele, um negro pobre que migrou da Carolina do Norte para o Harlem e trabalhou para Bumpy por pouco mais de 15 anos, decide tomar as rédeas de sua vida. Lucas liga para seu primo, um oficial do Exército em Bangok, e viaja para o Vietnã, onde passa a fazer negócio diretamente com o fornecedor primário de drogas na região. Utilizando os aviões do Exército norte-americano que saem do país em guerra, Frank Lucas constrói o maior império do tráfico de Manhattan. Em paralelo, o filme conta a história do investigador Richie Roberts (Russell Crowe), um dos poucos policiais honestos da cidade. Quando o governo dos Estados Unidos – com direito a declarações de Richard Nixon sobre o tema na TV – percebe que as drogas são um de seus maiores câncer, Roberts é chamado para formar um grupo novo de investigação especializado em prender os “grandes” do tráfico na cidade. As histórias de Lucas e Roberts vão se cruzar inevitavelmente.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – advirto aos navegantes que este é o maior SPOILER de todos, ou seja, extremamente não recomendado para quem não assistiu a American Gangster ainda… se for o seu caso, não leia!): Talvez você esteja pensando algo que eu também pensei antes de assistir a American Gangster: “Mais um filme de gângsters, mais um filme de mafiosos… o que pode nos contar de novo?”. Bem, até um certo ponto é verdade que esse filme não reinventa a roda. Muito da história realmente já vimos em outros filmes, desde Os Bons Companheiros, Operação França até Traffic. Ok, já ouvimos também histórias sobre corrupção policial, traficantes que vão subindo até se tornarem reis da máfia (Al Pacino em Scarface) e tal, mas poucos filmes misturam tantos elementos em um e, ainda assim, parecem nos contar algo novo. Esse American Gangster é isso, e mais.

O filme é uma mescla de vários gêneros, nos remete a várias outras histórias. Mas isso só depois, quando começamos a racionalizar o que vimos e a “puxar” referências, porque antes, enquanto American Gangster está sendo projetado na frente dos nossos olhos, nada mais importa. Nenhum outro filme interessa. O diretor inglês Ridley Scott comprova, de uma vez por todas, porque aos 70 anos ele é um dos grandes cineastas vivos em atividade. Faz um trabalho muito maior e melhor do que Martin Scorsese em seu The Departed (que, para mim, foi muito celebrado sem merecer. E eu já achava isso antes de assistir a American Gangster, tanto que me surpreendi com ele recebendo o Oscar – para mim, mais um “acerto de contas” da premiação com alguém que deveria ter recebido o Oscar antes, e nada mais).

O peso de cada elemento em American Gangster parece ter sido medido em uma balança de precisão destas que os traficantes utilizam para faturar mais em seu negócio. Nessa história temos em doses certas o drama, o suspense, a cinebiografia, o policial, a comédia – por que não? – e a ação. Boa parte da culpa disto, além da direção precisa de Scott, é do roteirista Steven Zaillian, que escreveu a história baseado em um artigo do jornalista Mark Jacobson.

O filme é realmente impressionante. Um de seus muitos acertos é desmascarar, por exemplo, a última cortina a respeito da Guerra do Vietnã. Eu sabia que durante a guerra os soldados norte-americanos estavam mais preocupados com drogas, rock e demais distrações do que em lutar, mas não sabia que a guerra tinha sido utilizada para trazer toneladas e toneladas de heroína e de outras drogas para os Estados Unidos. Interessante e impressionante.

Assim como é interessante e impressionante a história de Frank Lucas, um negro norte-americano que soube erguer um império do tráfico e que só caiu por ter se rendido a luxúria – como explicar que um homem como ele, tão cuidadoso em não aparentar o poder que ele tinha, sucumbir ao casamento com uma ex-Miss Porto Rico (Lymari Nadal)? E, pior, aceitar um casaco de peles como aquele de presente e utilizá-lo em uma luta de boxe tão visada? Ele caiu em aquele momento, em nenhum outro. Luxúria, ambição… o filme mexe também com o “sonho americano” e todos os valores que aquela sociedade acredita que está fundada. E tudo o que esses valores trazem de podre quando são utilizados para justificar qualquer ação.

O novo do filme? Justamente o que eu comentei: ele olha de uma maneira direta e crítica para os “valores” em que a sociedade estadunidense firmou os seus pilares. A Guerra do Vietnã não é uma chaga só porque eles perderam a guerra ou porque fizeram atrocidades durante o tempo em que estiveram lá… também não é um problema porque marcou a vida de tantas famílias e de tantos “veteranos” de guerra que voltaram para lá marcados para o resto da sua existência recente. É uma chaga por todo o demais, é uma vergonha pela corrupção e pelos problemas que migraram para dentro dos Estados Unidos “pelo subsolo”, como as drogas. O filme trata disso de uma maneira muito honesta e interessante.

Falando nisso, um dos melhores momentos do filme para mim é quando o “superior” de Richie Roberts lhe dá uma dura, logo depois que ele abre um dos caxões de um soldado que está voltando para casa morto logo depois que é declarado o fim da guerra. Quando o “superior” diz que é um absurdo a investigação de Roberts porque ela demonstraria que o Exército estaria trazendo drogas para dentro do país e que era uma “piada” ainda maior dizer que ele estava atrás de Frank Lucas, um negro norte-americano que seria mais poderoso no tráfico do que os tão conhecidos clãs familiares de italianos e similares, quase bati palmas. Essa é a tradicional ironia dos Estados Unidos que me faz, na verdade, ter pena daquele país e da maioria das pessoas que vivem lá. Afinal, acho que poucos ignoram a verdade com tanta convicção do que eles ou conseguem ser tão cínicos. Não digo todos de lá, desde logo, mas a maioria.

American Gangster é um soco no estômago dos Estados Unidos. Fala de verdades que o nosso Tropa de Elite nos conta sobre o Brasil.

Eu teria que escrever um livro para falar de todos os aspectos, temas e pontos interessantes do filme. A corrupção policial, a luta pelo poder, a noção de justiça… são muitas leituras possíveis. Interessante também como Lucas, querendo ou não, cuida de seus negócios e de sua família como um verdadeiro gângster italiano, ainda que ele não tenha sido inspirado por um. O filme merece ser visto e apreciado, em cada nuance e interpretação. Todos fazem o seu trabalho muito bem. E eu torço para que a justiça seja feita e esse filme ganhe vários e vários Oscars. Ele merece.

NOTA: 10.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: American Gangster me impressionou tanto que todos os outros filmes deste blog terão que sofrer as consequências. Quem acompanha o que eu escrevo há mais tempo já deveria ter notado que eu tinha dado notas 10 para alguns filmes. Todos realmente muito bons. Mas agora, nenhum outro receberá esse 10. Baixei a nota de todos. Por enquanto e até outro filme me impressionar tanto, só American Gangster receberá 10 por aqui.

Eu sou fã de filmes que mexem com as pessoas, que fazem elas pensarem além de “reagirem” instintivamente com o que estão vendo. Claro que gosto de comédias e de um ou outro besteirol de vez em quando, mas nada como um filme que te “atinge o estômago”. Gosto de filmes com filosofia, carisma ou até um pouco existenciais, por que não? American Gangster não é existencial, mas tem vários elementos que me fazem amar um filme. Eu sou fã de Os Bons Companheiros e de vários outros filmes sobre mafiosos. Mas esse, realmente, é o melhor do gênero em muito tempo. Bati palmas quando Denzel Washington diz que bebida ele quer no final das investigações de Russell Crowe. Maravilhoso!

Falando em equipe do filme, acho que está na hora – ou melhor, passou da hora – do Oscar se render pela terceira vez ao talento deste homem: Denzel Washington. Ele merece mais uma estatueta na sua estante. E acho também que Ridley Scott e o roteirista deste filme merecem outras duas. Espero mesmo que American Gangster seja indicado a muitos prêmios e que ganhe todos ou, pelo menos, quase todos.

Além de Denzel Washington e Russell Crowe, dois nomes que merecem destaque do elenco: Chiwetel Ejiofor como Huey Lucas, um dos irmãos e o braço direito do personagem de Washington; e Josh Brolin como o detetive corrupto Trupo.

O filme ganhou dos usuários do site IMDb a nota 8,8.

American Gangster teria custado aproximadamente US$ 100 milhões. Ele teve uma première em Nova York no dia 19 de outubro. No dia 2 de novembro American Gangster estréia oficialmente nos Estados Unidos, Canadá, Bulgária e outros países, chegando no dia 14 de novembro à França e Bélgica e nos demais dias aos outros países. O filme deve estreiar no Brasil apenas no dia 25 de janeiro de 2008.

EXTRA EXTRA: Inicio aqui outra “seção” nos comentários de filmes… sempre vou colocar como “extra extra” quando atualizo algum comentário, como agora.

Pois acho inevitável comentar que o filme American Gangster estreou nesse final de semana nos Estados Unidos e arrasou! Já contabiliza a bilheteria de US$ 46,3 milhões. Se seguir nesse ritmo – e tem tudo para isso, porque é um excelente filme – vai passar tranquilamente dos US$ 100 milhões. Para se ter uma idéia, American Gangster conseguiu logo na estréia mais dinheiro que o filme Michael Clayton – comentado aqui no blog antes – em todas as semanas em que ele está em cartaz. Michael Clayton faturou até agora US$ 33,2 milhões e segue diminuindo o faturamento.

PALPITE PARA O OSCAR: Como comentei antes, no post original deste filme, American Gangster tem o meu voto para todas as principais categorias do Oscar. Acho realmente que ele irá concorrer como Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Roteiro, Melhor Ator e, quem sabe, em algumas outras categorias secundárias, como Melhor Edição, Melhor Trilha Sonora, etc. Não assisti ainda a There Will Be Blood, um filme que vêm crescendo nas apostas nos últimos tempos, mas comparando aos demais filmes que estão na lista dos especialistas (e que comento neste blog), acho que American Gangster é o que merece levar as principais estatuetas, incluindo filme, direção, roteiro e ator. Talvez mude a minha opinião ao ver o filme de Paul Thomas Anderson, mas acho difícil. (OBS: post atualizado no dia 19 de dezembro, depois das indicações ao Globo de Ouro)

Away from Her – Longe Dela

30 de outubro de 2007 13 comentários

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Todas as pessoas que já amaram alguém na vida pensaram no viver juntos até ficarem velhinhos. Mesmo que para alguns essa idéia seja apavorante – a idéia de planos para o “resto da vida” -, sem dúvida, quando estavam amando, pensaram nessa possibilidade. Alguma vez, pelo menos. Pessoalmente, de vários anos para cá eu tenho achado muito mais bonitos os casais de velhinhos enamorados do que os jovens enamorados. A cada ano eu acho mais isso. E eu não estou perto dos 60, ainda não sai da casa dos 20 – ainda que me falte pouco. Mas a questão não é essa, a idade. Quanto mais uma pessoa vive e admira a vida, percebe as nuances e aprende consigo e com os outros, mais suscetível está as delicadezas da vida, mais percebe o difícil que é amar uma pessoa por tanto tempo. E por tudo isso, talvez, que eu ache os velhinhos enamorados os mais belos casais do mundo.

Ao mesmo tempo, a vida me ensinou a pensar na velhice de outra maneira. Por experiência própria, de visitar velhinhos em asilos e com a informação cada vez maior do Mal de Alzheimer, há alguns anos reflito sobre o complicado que deve ser viver muito e viver mal. A maioria das pessoas que eu conheço querem viver muito, mas poucos se perguntam o que prefeririam: viver muito e com a possibilidade de estar doente, talvez muito doente no final; ou de viver menos, mas com saúde. Quase todos pensam apenas em viver muito. Pois eu penso também em conseguir viver dignamente, em viver com o mínimo de saúde e lucidez – existe um filme muito bom que também reflete sobre isso: Mar Adentro. Gostaria muito disso, para mim e para as pessoas que eu amo. E já me imaginei sofrendo de uma doença como o Alzheimer. Ainda que, na minha opinião, ela seja mais cruel para quem está a nossa volta do que para nós mesmo, em caso de sofrermos com ela. Mas enfim, toda essa introdução para falar de Away From Her, um filme maravilhoso sobre o amor e sobre viver (e deixar viver) dignamente.

A HISTÓRIA: O casal Grant (Gordon Pinsent) e Fiona (Julie Christie) estão casados há 44 anos. Eles continuam fazendo tudo juntos e desfrutando bons e alegres momentos. Mas, ao mesmo tempo, Fiona percebe gradativamente, dia após dia, que o Mal de Alzeheimer está se tornando mais forte do que ela mesma. Grant percebe e sofre por assistir a sua esposa “desaparecer” na frente dos seus olhos, mas ele reluta em aceitar a realidade e prefere acreditar que a doença pode estagnar ou que ela tem apenas “altos e baixos”. Mas percebendo o que está acontecendo, Fiona encoraja Grant a lhe internar em uma clínica especializada. Ali, enquanto permanece “isolada” um mês de Grant – sob determinação da direção do local -, Fiona conhece a Aubrey (Michael Murphy), um outro paciente com quem acaba desenvolvendo o que parece, inicialmente, ser uma forte amizade.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Away from Her): Logo que vi o nome da diretora, pensei: “Eu conheço essa mulher”. Mas acertei na trave. Pensei que fosse a diretora de Minha Vida Sem Mim e A Vida Secreta das Palavras… mas acertei na trave porque ela não foi a diretora destes filmes (a diretora é a maravilhosa Isabel Coixet), mas sim a atriz principal. Oh yeah, a maravilhosa atriz Sarah Polley além de interpretar a personagem principal nos dois filmes mencionados – os quais adoro, especialmente o primeiro – também dirigiu agora esse Away From Her. Ganhou um bilhão de pontos!

Mas voltando ao filme. A história realmente é linda e narrada de uma maneira perfeita. Aliás, o roteiro também é assinado por Polley, inspirada na história curta The Bear Came Over the Mountain, de Alice Munro. Mas como eu ia dizendo, um tema tão forte quanto esse, do “desaparecimento” de uma pessoa em sua própria mente, o que alguns classificam como “morte em vida”, e tudo o que isso pode significar para quem essa pessoa “deixa”, é tratado de maneira natural e poética pela diretora e roteirista. E os atores, ah os atores! Nem preciso dizer que Julie Christie e Gordon Pinsent estão maravilhosos. Para mim, dignos de Oscar e do prêmio que quiserem inventar.

Além deles, temos a sorte de ver na tela Olympia Dukakis como Marian, a mulher de Aubrey; Alberta Watson como a diretora do hospital, Dra. Fischer; e Kristen Thomson como a chefe de enfermagem Kristy – responsável por algumas das melhores frases do filme. Michael Murphy também emociona em uma interpretação muito difícil na pele de Aubrey. Realmente é um elenco afinadíssimo e que “conspira” em favor do roteiro.

Mas deixando a parte “técnica” do filme um pouco de lado, queria comentar sobre a história mesmo. Sei que muitas pessoas podem discordar de mim, mas além do tema difícil do Mal de Alzeheimer, o filme trata, ao meu ver, de como o amor é desigual e de como é difícil encarar a perda de alguém que se ama. De um lado, temos a coragem de Fiona, que decide o que é melhor para ela e para o seu marido, acreditando que sua decisão irá “facilitar” a despedida dos dois e que evitará que ele sofra tanto com o que ela sabe que vai acontecer. Ela encara o seu destino com perseverança, com uma segurança e uma coragem que só as pessoas que estão frente a morte creio que são capazes. Ou as grandes pessoas frente a outros desafios da mesma magnitude – ou quase.

Pois Fiona olha para o futuro, sabe que vai “perder a si mesma” e a tudo que conhece mas, ainda assim, segue em frente, obstinada. Grant, por outro lado, reage de maneira egoísta. É o amor que eu acho que a maioria dos homens vive: um amor de “pertencer”, um amor de “estar junto a qualquer custo” – ainda que na mentira, um amor mais egoísta. Por que digo isso? Porque ele age de uma maneira totalmente egoísta, na minha opinião, todas as vezes que tenta fazer Fiona lembrar de uma vida que ela já perdeu, todas as vezes que ele tenta afastar ela de Aubrey para que continue com ele em uma realidade que não existe mais. Ok, eu sei que é extremamente duro ver e sentir o que ele vê e sente, mas ele demora muitíssimo para aceitar o que está acontecendo com a sua mulher. E o pior: faz ela sofrer no meio do caminho. Egoísta. Mas mais que compreensível. Afinal, são as pessoas que amam os doentes de Alzheimer que lhes vê “morrendo lentamente”.

Cito um momento para comprovar o que eu digo: quando ele diz para Fiona que é o seu marido e que ela está vestindo uma blusa que não é dela. Aquilo me partiu ao meio. Acabou com Fiona. Ou, como ela disse em outro momento, ela gostava de Aubrey porque ele não a deixava confusa. Deus! É de matar. Ao mesmo tempo, é claro, ele foi corajoso em ficar com ela até o final, ainda que muitos fatos lhe fizessem querer fugir. Independente se reagindo de maneira egoísta por grande parte do tempo ou não, Grant vivia seu grande amor, o amor de sua vida. E é difícil, reamente, ver algo assim desaparecer. Ainda que não desapareça, na minha opinião, mas se modifica. Nada mais.

NOTA: 9,7.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Esse filme é uma produção canadense e não estadunidense. Isso porque Sarah Polley, Gordon Pinsent, Alberta Watson, Kristen Thomson e boa parte das demais pessoas envolvidas no projeto são canadenses. Sem contar que o filme foi rodado todo em Ontario, no Canadá. Uma maravilha! Mas eu não viveria rodeada de tanta neve, nem me pagando! hehehehehehe

Como muitos e muitos filmes bons da nova safra, Away From Her faturou pouquíssimo nos Estados Unidos: pouco mais de US$ 4,5 milhões. Mas o espantoso é o quanto ele teria custado: US$ 3,4 milhões! E depois tem muita gente que acha que precisa gastar os tubos para fazer um filme bom… Fora dos Estados Unidos ele teria faturado mais quase US$ 1,4 milhões. Só espero que as pessoas vão descobrindo ele na locadora ou com a propaganda boca-a-boca.

Até buscar mais sobre a atriz Julie Christie, magnífica com seus 66 anos, eu não sabia que ela tinha nascido na Índia. Mas, claro, como filha de pais com dinheiro na década de 50, ela foi mandada para a Inglaterra e depois para a França para estudar. Ela começou a atuar na televisão e no cinema no início dos anos 60. Magnífica!

O filme ganhou nota 8 dos usuários do site IMDb. Eu, novamente, dou uma nota maior. Mas acho que é porque eu estou meio “generosa” com os filmes ultimamente. Vai ver que é porque eu tenho uma vaga idéia, por ter visto a produção de curtas, do quanto difícil é fazer algo do gênero. Acho que por isso que sou tão generosa com os filmes e só dou abaixo de 7 para os ruins, os ruins mesmo!

The Heartbreak Kid – Antes Só do que Mal Casado

29 de outubro de 2007 18 comentários

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Os irmãos Farrelly são especializados em filmes de comédia escrachados. E eles não perderam a mão com esse The Heartbreak Kid – com o título horrível de tão pessimamente óbvio e sem graça em português de “Antes Só do que Mal Acompanhado”. O problema é que o tipo de humor deles parece já meio “vencido”, ou seja, chega uma hora que cansa. Pois nesse filme eles continuam acertando em algumas cenas muito boas de tão absurdas, mas grande parte dele parece nada mais que um “repeteco” de histórias anteriores. Ou seja: você fica com aquela sensação de deja-vù ou de “eu acho que já vi esse filme antes”.

A HISTÓRIA: Eddie Cantrow (Ben Stiller) é um cara que olha para os lados e vê todos os seus amigos casados. Além disso, ele tem que aguentar a pressão do pai, Doc (Jerry Stiller, que, com o sobrenome mesmo diz, é o pai do ator Ben Stiller), para que case ou, pelo menos, transe com alguma mulher. Depois de ir no casamento de uma ex-namorada e receber mais conselhos de seu melhor amigo, Mac (Rob Corddry), Eddie decide começar a buscar uma mulher para se apaixonar. Pouco depois, ele está caminhando por uma rua quando vê Lila (Malin Akerman) ser assaltada. Ele tenta evitar que o ladrão escape mas consegue apenas ser ferido com perfume nos olhos. Eddie então tem uma rápida conversa com Lila que, dias depois, lhe procura na loja de artigos desportivos que ele tem ali perto. Os dois começam a namorar e poucas semanas depois, quando ela diz que precisa mudar-se para Amsterdã por trabalho, todos aconselham Eddie a finalmente “jogar-se” em um casamento. E é o que ele faz. O problema é que na viagem de lua-de-mel ele descobre que se casou com uma mulher totalmente diferente do que ele imaginava. E, para complicar sua vida, no México ele acaba conhecendo a Miranda (Michelle Monaghan), uma mulher aparentemente encantadora e que passa a ameaçar o seu casamento.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que no texto à seguir conto partes importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a The Heartbreak Kid): Como ia dizendo antes, o filme tem várias cenas muito engraçadas. Além do mais, os irmãos Farrelly tem como hábito fazer um humor inteligente, cínico e ácido, o que é mais interessante que a média das comédias de Hollywood. Um exemplo: eles primeiro “cutucam” a ironia quando, no casamento da ex-namorada que vai Eddie, seu amigo Mac lhe diz que para “saber como a sua mulher ficará no futuro, basta olhar para sua mãe”. Voilà, tempos depois, quando Eddie casa tempestivamente com Lila, ele tem a primeira decepção com a sua nova condição ao conhecer a mãe da garota, uma verdadeira “tribufú” – interpretada por Kathy Lamkin. Mas esse é só um exemplo, porque o filme tem dezenas deles.

Os irmãos Farrelly fazem um humor escrachado, destes que até uma criança entende, como a cena da bicicleta. E, ao mesmo tempo, fazem um humor cínico, como a piada sobre a “mulher de Eddie que foi morta por um louco com um picador de gelo”. Eles são muito bons! Ainda assim, como comentei no início dessa crítica, as piadas deles já parecem meio gastas, porque sempre seguem a mesma linha de humor. Uma das melhores sequências para mim é a viagem de carro do casal Eddie e Lila até o México… a menina cantando toda santa música e não calando a boca é de matar! hehehehehehe. Detalhe que ela tem uma voz ótima, mas ninguém aguentaria toda santa música outra pessoa ao lado cantando! Ainda mais por horas.

Só achei que a maioria das piadas envolvendo a família de Miranda não tem graça. Talvez a do nome do tio dela, mas essa como muito. O restante das piadas foram bem, mas bem fraquinhas. Aliás, achei algo curioso nesse filme. Além dos irmãos Bobby e Peter Farrelly dirigirem o filme e escreverem o roteiro, como é de costume, eles dividiram a tarefa de escrever a história com outros três roteiristas: Scot Armstrong, Leslie Dixon e Kevin Barnett. Talvez tanta gente junta não tenha sido de todo proveitoso.

Mas para relaxar e dar uma ou outra risada, o filme cumpre o seu papel. Ainda que não seja assim uma Brastemp ou tão bom quanto Quem Vai Ficar com Mary? ou Eu, Eu Mesmo e Irene, por exemplo.

NOTA: 7.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Fiquei sabendo depois, ao olhar os créditos dos roteiristas, que esse filme é uma refilmagem de The Heartbreak Kid, uma produção de 1972 com Cybill Shepherd como a mulher que encanta o homem recém-casado – nesse outro filme, com roteiro de Neil Simon. Os dois filmes, este de 2007 e o outro, de 1972, são baseados em um conto de Bruce Jay Friedman. Fiquei surpresa em saber que os irmãos Farrelly sucumbiram ao “câncer” das refilmagens. Eu quase sempre acho uma perda de tempo refilmar filmes, mas tudo bem. Agora entendo ainda melhor porque ele é meio “fraquinho”.

Ben Stiller está muito bem em seu papel. Para ser franca, não gosto muito dele. Melhor dizendo, não sou fã e nem ele chega a me irritar. Só acho que normalmente ele faz as mesmas caras e bocas e interpreta todos os papéis da mesma forma. Mas juro que neste filme ele está ainda melhor. A cena do carro mesmo é tão divertida por causa dele, essencialmente. Se bem que admito que Malin Akerman como Lila está realmente bem, muito bem. A mulher é muito psicopata! hehehehehe. Quando ela conta do seu vício pela cocaína também vale o filme. hehehehehehe. Muito bom!

Aliás, alguém pode explicar como uma mulher tão linda quanto Lila poderia ficar com um cara como Eddie. Só podia ser porque ela não era tão perfeita assim… hehehehehe.

Em duas semanas em cartaz – do dia 7 ao dia 14 de outubro – The Heartbreak Kid arrecadou só nos Estados Unidos pouco mais de US$ 25,8 milhões. Nada, nada mal. O filme estréia no Brasil no dia 9 de novembro.

No site IMDb o filme contabiliza a nota 5,7.

Habana Blues

29 de outubro de 2007 19 comentários

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Sempre me fascinou Cuba. Não apenas pela óbvia questão política e de resistência, mas pela cultura – uma parte muito bem retratada por filmes como Buena Vista Social Club, do diretor alemão Wim Wenders – e por todas as questões sociais oriundas justamente do bloqueio imposto desde a Revolução Cubana. Além do já citado Buena Vista Social Club, que é um documentário, outro filme que tinha me impressionado sobre um artista em Cuba é Before Night Falls, do diretor Julian Schnabel. Mas agora, tempos depois, assisto a esse Habana Blues. Mais despretensioso que os outros dois, esse filme me surpreendeu ao tocar em vários pontos do cotidiano das pessoas comuns – ainda que retrate um entorno de artistas – em Cuba que lutam por sobreviver e por uma vida melhor. Parte deles sofrendo para sair do país e parte sofrendo para ficar. Realmente um filme despretensioso que vale a pena, especialmente pela música variada que apresenta e pela falta de discurso político – ainda que, inevitavelmente, ele não fuja dele totalmente.

A HISTÓRIA: Ruy (Alberto Joel García Osorio, ou apenas Alberto Yoel) e Tito (Roberto Sanmartín) sou dois amigos que lutam para fazer música em Havana, Cuba. Junto com outros amigos e músicos, eles acabam de gravar o seu primeiro CD por conta própria e preparam um concerto para celebrar o seu trabalho em conjunto em um antigo teatro ameaçado de fechar. Enquanto correm atrás para divulgar o seu trabalho, eles conhecem dois produtores espanhóis, Marta (Marta Calvó) e Lorenzo (Roger Pera), para quem acabam apresentando a cidade e outros artistas. Quando são chamados pelos produtores a assinarem um contrato, os amigos ficam divididos pelas escolham que devem fazer. Enquanto isso, Ruy também sofre com a possibilidade de ver a sua ex-mulher, Caridad (Yailene Sierra) sair de Cuba com seus dois filhos, Lucía (Mayra Rodríguez) e Carlitos (Ernesto Escalona) em busca de uma vida melhor nos Estados Unidos.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que parte da crítica à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só prossiga lendo quem já assistiu a Habana Blues): O interessante do filme é que ele tem vários níveis de compreensão, discussão e temas. Mas, mais que isso, ele mostra uma Havana não muito visível aos olhos do mundo. Se vê muito as ruas e as pessoas comuns da cidade, em takes que parecem quase de documentário. É um elemento a mais de uma história que é ficcional mas que poderia ser real.

Como dizia antes, sempre me interessou Cuba, mas nunca tive a oportunidade de viajar até aquele país ou de conhecer cubanos, até que vim viver em Madrid. Aqui, logo que cheguei, dividi apartamento com um cubano. Depois, trabalhando como garçonete, conheci outros cubanos com quem tive a oportunidade de falar sobre Cuba e a vida naquele país. Vendo a Habana Blues lembrei de muitas conversas com essas pessoas.

O filme realmente tem muitos nuances interessantes. Ele só é o que é porque foi produzido por três países: Cuba, Espanha e França. Digo isso porque, se fosse um filme apenas cubano, talvez caísse no erro de ser um discurso político, poderia apenas defender a “causa da revolução” ou a bandeira cubana. E para ouvirmos um discurso político não faz falta um filme, basta procurar as declarações de Fidel ou de outros políticos cubanos. Mas o que interessa mesmo, na minha opinião, são os discursos, a vida e os sonhos das pessoas comuns de Cuba. E boa parte disso se vê em Habana Blues.

O filme fala desde a luta para sobreviver no país até a vontade de muitos em sair de lá, de se verem livre de uma realidade em que eles não tem muitas opções ou conforto. Ao mesmo tempo, eles sentem orgulho de serem cubanos, vivem a sua pátria, ainda que os personagens principais não queiram sabem de política ou de revolução. Eles são, na verdade, pessoas comuns que buscam melhorar de vida. Se por um lado há pessoas como Ruy, Tito e todos os demais músicos, que vivem por cantar as suas músicas e buscam serem reconhecidos, há outros que lutam simplesmente por dar uma vida melhor para seus filhos, como Caridad.

Mas além do tema de como se vive em Havana, existe outros temas por detrás, como com que tipo de arte se pode viver – com a comercial, dos “vendidos”, para que se sobreviva, ou com a arte “marginal”, “maldita”, dos que não se rendem ao mercado e que fazem isso para sobreviver a sua maneira também -; ou que tipo de preço uma pessoa está preparada a pagar para conseguir ter uma oportunidade de crescer; ou sobre o controle do governo na vida das pessoas a ponto de dizer o que acha que é de interesse da maioria ou não – mas sem consultar ninguém, especialmente os interessados, a respeito. Também está aí, nas entrelinhas, o gosto de muitos cubanos pela bebida, pelas festas, pelas telenovelas… assim como a necessidade prática de comprar comida, roupa e demais necessidades “por fora”, pagando mais do próprio bolso, porque de outra maneira não se consegue. Assim como o envio de dinheiro fundamental das pessoas que estão fora do país para quem ainda permanece lá. Enfim, são muitos temas muito reais que o filme trata.

Na minha opinião, um filme assim só poderia ter sido feito por cubanos. Por isso a minha surpresa ao saber que grande parte dos atores é, de fato, cubana, mas que os nomes principais envolvidos na história são espanhóis. O diretor, Benito Zambrano, por exemplo, é espanhol, de Sevilla. Ele faz um trabalho muito bom, é muito competente no manejo da história e no destaque que dá para a “vida comum” de Havana. Ele é o responsável pelo roteiro junto com Ernesto Chao, outro espanhol, nascido em Ribadavia, na Galícia. Muito interessante como os dois, sem serem cubanos, entenderam tão bem o espírito do cotidiano das pessoas comuns de Cuba – ao menos penso isso ao lembrar das histórias que meus amigos contaram de lá, já que eu, pessoalmente, ainda não conheço Cuba.

Mas o elenco é praticamente todo formado por cubanos: desde os já citados Alberto Joel García Osorio, Roberto Sanmartín e Yailene Sierra, até os demais atores que interpretam os diferentes músicos da história.

Outro tema interessante que o filme aborda é como os “extranjeiros” interessados nos artistas cubanos buscam colocá-los, na maioria das vezes, dentro de estigmas, ou seja, dentro de um discurso pré-fabricado político anti-sistema cubano. Essa parte crítica do filme achei bem interessante. É o único discurso mais político do filme. O curioso é que tenta “purgar” a culpa dos produtores espanhóis dizendo que o parceiro da produtora, dos Estados Unidos, é que está pedindo que os músicos que assinarem o contrato sejam “independentes”, que se finjam de “malditos” e que, desta forma, possam vender um discurso político contra o seu próprio país. Nesse momento que Ruy questiona o contrato e coloca na balança uma decisão que ele sabe o que vai acarretar: a proibição de no futuro voltar ao seu país. Isso já aconteceu com muita gente e continua acontecendo. E eu só consigo imaginar o quanto duro deve ser você abrir mão pra sempre do seu país.

Um filme completo e divertido, com algumas realmente muito boas, com sonoridade e letras emocionantes. Vale a pena.

NOTA: 9,8.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Habana Blues é um filme, como eu disse anteriormente, de co-produção cubana, espanhola e francesa. Ele foi lançado em 2005 – e eu, cabeçona, o havia baixado faz tempo mas me havia esquecido dele.

Como diz nos créditos finais, o filme todo foi filmado em Havana e em Cienfuegos (a parte do teatro).

A produtora responsável pelo filme, a Maestranza Films, foi responsável também por uma série de filmes que parecem interessantes produzidos desde 1990. Entre eles, ouvi falar bem – mas ainda não assisti – a Solas e Los Aires Dificiles. A conferir.

Habana Blues recebeu uma nota 7,3 dos usuários do IMDb. Acho pouco. Merecia, pelo menos, um 9.

Essa produção participou de vários festivais e ganhou alguns prêmios. Entre eles, destaque para alguns prêmios como melhor música e, no caso dos Prêmios Goya, da Espanha, também para a edição feita por Fernando Pardo.

I Know Who Killed Me – Eu Sei Quem Me Matou

27 de outubro de 2007 66 comentários

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 Ok, sei que o título faz qualquer um lembrar de Eu Sei o Que Vocês Fizeram no Verão Passado – que, aliás, está completando 10 anos. Mas, vamos lá, o título Eu Sei Quem Me Matou é mais divertido. Ou mais irônico, ao menos. E, na minha opinião, melhor do que o filme com o qual alguém pode se confundir. O cartaz é ruinzinho e pode não atrair muita gente, mas o filme acaba surpreendendo. Eu ao menos comecei a perceber as qualidades da produção dirigida por Chris Sivertson desde o princípio. Esses detalhes que eu sempre percebo, como os ângulos da câmera, a sincronia das imagens com a trilha sonora – quase em um balé -, e por aí vai. Depois, o roteiro de Jeff Hammond vai nos envolvendo dentro de mais de uma possibilidade para uma história que parecia comum: um serial killer que começa a matar as mocinhas bonitinhas de uma cidade do interior dos Estados Unidos. A história só parecia comum. Ainda que com vários clichês, o filme surpreende justamente por conseguir jogar com o óbvio e nos levar pela mão a cada passo dessa história. Vamos a ela.

A HISTÓRIA: Aubrey Fleming (Lindsay Lohan) vive uma vida praticamente perfeita. Tem talento para escrever, estuda piano, namora com Jerrod Pointer (Brian Geraghty), um popular jogador da escola, e é amada pelos pais Susan (Julia Ormond) e Daniel Fleming (Neal McDonough). Mas, ao mesmo tempo, ela flerta com o vizinho e escreve sobre uma garota com “vida dupla”. Como os demais estudantes de sua escola, Aubrey também fica impressionada quando é encontrado o corpo de uma jovem garota mutilado. Mas ela sente na pele o ataque do serial killer quando, na saída de um jogo do namorado, desaparece e passa a ser procurada pela polícia e o FBI. Algumas semanas depois uma garota identificada como Aubrey é encontrada quase morta e mutilada na beira de uma estrada. Mas o que deixa os investigadores intrigados é que a garota diz chamar-se Dakota Moss e não reconhece ninguém, nem mesmo os pais de Aubrey.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que partes do texto a seguir contam partes importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a I Know Who Killed Me): O resumo da história mais confunde que explica, eu sei. Mas é que o filme tem uma série de nuances que só assistindo para entender. O que eu achei mais interessante, como comecei a comentar antes, é que o diretor utiliza com cuidado cada take de filme em sintonia com a trilha sonora. Um ponto positivo.

Também gostei, logo do início, de que o filme não fica se “enrolando muito”, ou seja, não fica gastando muito tempo para entrar no interessante da história. Aliás, quando vi que o serial killer tinha pego a Aubrey, logo pensei: “nossa, será que vamos presenciar por uma hora e meia ele mutilando a menina em câmera lenta? Ou teremos que aguentar uma enrolação de `busca-se Aubrey despeseradamente` até o final?”. O filme realmente poderia ter caído em alguma cilada destas, mas não. Para nossa sorte.

Advirto aos sensíveis que há pelo menos duas ou três cenas de cortes que é meio complicado de ver. Mas fora isso, o filme é bem “levezinho”. O interessante é que depois que a menina é raptada e mutilada, e que se encontra Dakota jogada na sarjeta, o filme não perde o ritmo. O roteiro de Jeff Hammond realmente segura as pontas e o suspense, deixando o espectador sempre em dúvida se existe realmente duas garotas iguais, se Aubrey sofre de dupla personalidade, se Dakota está viva e Aubrey morta ou se a garota encontrada está dissimulando desde o início por alguma razão obscura. Interessante.

O vilão da história, em teoria, pode ser mais de uma pessoa. Mas eu, não sei porque, desde o início já tinha meio que “matado a charada”. Acho que isso deve ser um resquício das minhas várias leituras de Agatha Christie. hehehehehe

NOTA: 8.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: O filme realmente é um bom entretenimento. Sem ser uma grande produção, conta com uns atores não extremamente conhecidos. Vários você já viu, tenho certeza, em papéis secundários em filmes importantes. Ou, como no caso de Julia Ormond e Lindsay Lohan, em papéis principais em filmes razoavelmente conhecidos. Acho que não apostar em nomes extremamente famosos fez bem para o filme.

Não sei, mas ultimamente, realmente, não estou concordando com os usuários do site IMDb. Eles deram, para I Know Who Killed Me, apenas a nota 4,5. Achei baixa, muito baixa. Especialmente comparado a outros filmes que são suspense e que são piores, recentes, e que receberam notas melhores. Exemplo? Planet Terror, que ganhou 7,9 – já comentei ele aqui antes, achei uma bomba! Ainda assim, continuo olhando o site e a opinião dos usuários, porque gosto do conteúdo deles.

Segundo o mesmo IMDb, I Know Who Killed Me custou aproximadamente US$ 12 milhões e arrecadou, no período de 29 de julho a 19 de agosto, nos Estados Unidos, pouco mais de US$ 7,2 milhões. O filme ainda não se pagou mas, algo me diz, vai fazer mais sucesso no boca-a-boca e pela internet do que nos cinemas em si.

Só o diretor falhou em algumas cenas. Tem vários takes em que os “continuistas” se esqueceram de prestar a atenção na luva que dissimula a mão esquerda da personagem principal e, mesmo depois de mutilada, ela aparece com a mão normalzinha. Falhas normais e que não comprometem nada, claro, mas que podiam ser evitadas.

E o personagem de Daniel Fleming, interpretado por Neal McDonough (sempre que vejo esse ator penso em botox e em plástica, não sei porque… hehehehehe) que dá raiva. Dá vontade de bater nele, de tão “mole” que ele é. Ah, e por falar em falhas do filme… não dá para entender como Dakota vai parar na sarjeta ou porque ela fica no carro tanto tempo depois que vai atrás do vilão. Mas tudo bem, já não procuro tentar entender todos os detalhes nesse tipo de filme. O mais fácil do mundo é os roteiristas e diretores derraparem em alguma parte. E isso até faz parte do que a gente espera, ou não?

Algo um pouco cômico desse filme que só os “viciados” em cinema e em filmes do gênero devem sentir: o tempo todo o espectador fica se perguntando se a repetição da cor azul aqui e ali trará algum “sentido escondido”, como o vermelho em O Sexto Sentido. hehehehehehe. Só para malucos como eu mesmo.

Dragon Wars – D-War

27 de outubro de 2007 27 comentários

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Dragões são importantíssimos nas lendas e na iconografia oriental. Ouso dizer que é o símbolo mais conhecido e copiado desta mitologia mundo afora. Pessoalmente, sempre gostei muito de dragões e de suas lendas. Por isso que quando vi o cartaz deste Dragon Wars fiquei interessada. E o filme começa bem, apesar de uma ou duas ressalvas. Até a metade da história o espectador realmente se diverte mas, depois, o diretor sul-coreano Hyung-rae Shim, responsável também pelo roteiro, perde a mão na dose de perseguições e o filme fica repetitivo e chato. O final também não é dos melhores mas, algo tenho que admitir: os efeitos especiais e o confronto de dragões foi muito bem feito. Mas deixemos os detalhes para depois do resumo da história.

A HISTÓRIA: O filme é baseado em uma lenda coreana. Depois de sermos apresentados a ela, acompanhamos o trabalho do repórter Ethan Kendrick (Jason Behr) que vai produzir uma matéria para o canal de tevê CGNN sobre um terrível acidente em Los Angeles. Quando está gravando as cenas, ele percebe alguns investigadores do FBI revelando um objeto curioso que, através de imagem ampliada na redação em que ele trabalha, Ethan descobre ser conhecido. Ele acredita que acaba de identificar uma escama de dragão. Esse é o sinal para que Ethan se lembre de uma experiência em uma loja de antiguidades quando era pequeno. Nessa época, ele vai até a loja com seu pai e acaba ouvindo uma história sobre renascimento de dragões contada por Jack (Robert Foster), o dono da loja. Além de ouvir a história, Ethan ganha um amuleto que, segundo Jack, lhe protegerá de todo o mal quando chegar a hora dele se encontrar com Sarah (Amanda Brooks), a peça-chave da lenda. Agora que Ethan encontra o sinal do dragão, ele pretende buscar a Sarah. Em pouco tempo, contudo, a “serpente do mal” começará a sua busca pela jovem e, com ela, a destruição de parte da cidade.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER - aviso aos navegantes que parte do texto a seguir traz informações essenciais para o filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Dragon Wars): Como eu dizia antes, o filme começa bem. Em pouco tempo ele explica a lenda coreana, inclusive com uma ambientação na Coréia de 500 anos antes. Essa parte é bacana e bem feita, ainda que nada excepcional. Só que aqui já começa o absurdo da história, porque 500 anos depois do que Jack está narrando, porque justamente em Los Angeles a história se passa? Como os dragões foram parar aí? Extremamente sem sentido, mas tudo bem. Nem sempre dá para pedir lógica para os filmes. Só achei que o diretor abriu mão um pouco da originalidade da história para filmá-la onde era mais fácil “fazer dinheiro e ser conhecido”, ou seja, nos Estados Unidos e, mais precisamente, em Los Angeles. Para mim o filme perde pontos por isso. Preferia uma produção menos caprichada mas mais coerente com a história.

Além disso, depois da parte da “reconstituição histórica” contada por Jack, o filme cai bastante de ritmo. Especialmente depois que Ethan encontra a Sarah. Os dois começam uma fuga “sem sentido e sem direção” que é simplesmente cômica. Primeiro, param em uma praia. Depois pedem ajuda de Bruce (Craig Robinson), colega de Ethan, para conseguir credenciais (heim?) para Sarah, sem contar que eles fazem uma parada em um hipnotizador (Holmes Osborne) para que entendam melhor o que está acontecendo. O que eles vêem todos já sabiam e não esclarece nada. Ou seja: uma grande perda de tempo. Esses deslizes no roteiro vão tornando o filme chato, sem contar os vários e vários minutos que parecem de “repeteco” no qual a horda da serpente do mal e ela própria lutam contra policiais e o Exército. O filme, nessas alturas, já está meio perdido.

A lenda coreana diz que a cada 500 anos nasce uma mulher com o poder de transformar uma serpente chamada Imoogi em um dragão alado. O problema é que muitas vezes Imoogi se transforma em duas serpentes que disputam esse poder: uma do bem (chamada apenas de Imoogi do bem, que vai subir aos céus e proteger a humanidade) e outra do mal (chamada Buraki, que quer utilizar o poder para destruir o mundo). Pois depois de nenhum das duas serpentes conseguirem o seu propósito no século 16, elas voltam agora, nos anos 2000, para tentar sua “ascensão” mais uma vez. Por isso elas buscam a mulher com o símbolo de nascença de um dragão no ombro, a chamada Yeouijoo, que deve ser “sacrificada” quando completa 20 anos.

Bem, dito isso, depois de todo confronto das hordas da serpente do mal contra o Exército e a polícia pela ruas de Los Angeles, nossos “inocentes” heróis Ethan e Sarah estão tranquilos guiando para fora da cidade em um carro quando são capturados. Daí já vamos para a parte final realmente do filme, com um esperado confronto entre as duas serpentes. Mas aí outra questão: onde diabos estava metida a serpente “do bem” até então? Por que ela não interferiu antes? Enfim…

No final das contas é um filme que começa bem mas, depois, descamba. Uma pena, especialmente porque ele custou uma fortuna e poderia ter rendido algo melhor. O diretor e roteirista, realmente, para mim, se perdeu no caminho com alguns “desvios” totalmente sem sentido. E os protagonistas… são bem fraquinhos. Vale por uma ou outra cena com os dragões e pelo começo, não muito mais que isso.

NOTA: 4,5.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: O diretor e roteirista também tenta ser engraçado em vários momentos, especialmente com a história do guarda do zoológico (interpretado por Billy Gardell). O problema é que as piadas não funcionam tão bem quanto ele gostaria. Também merecem destaque por suas participações secundárias no filme Aimee Garcia (como Brandy, a amiga de Sarah), Chris Mulkey (o agente do FBI Frank Pinsky) e John Ales (o agente do FBI Judah Campbell). Por falar em FBI, nada convincente a parte em que os agentes do filme estão super bem informados sobre a lenda coreana. Afinal, por melhor que seja o departamento de inteligência norte-americano, alguém de fato pode acreditar que eles seriam quase “especialistas” no assunto? Não, né.

O filme custou aproximadamente US$ 75,4 milhões – alguns calculam em US$ 100 milhões. Mesmo que o número inicial seja o mais aproximado, é uma fortuna. Nos Estados Unidos Dragon Wars foi mal nas bilheterias: arrecadou no período de 16 de setembro até 14 de outubro apenas US$ 10,9 milhões – o que não é pouco, mas está abaixo do que os produtores gostariam levando em conta a fortuna que o filme gastou. Segundo o site IMDb, contudo, fora dos Estados Unidos o filme teria faturado, até 26 de agosto, US$ 53,5 milhões – especialmente na Coréia do Sul, berço do diretor Hyung-rae Shim, e nos demais países asiáticos. O filme deve se pagar mas está longe de ser um sucesso.

No mesmo site IMDb, os usuários lhe deram a nota 4,3. Realmente o filme não convenceu os espectadores norte-americanos.

Feast of Love – Banquete do Amor

27 de outubro de 2007 13 comentários

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Comédias ou dramas românticos sempre são cercados por aquela história: só as mulheres gostam de assistir. Os homens, diz a lenda, preferem filmes de luta, de ação, com carros, com perseguições, violência essencialmente. Se isso é verdade, só lamento que apenas as mulheres terão a oportunidade de ver a este Feast of Love. O filme era um grande desconhecido para mim, mas resolvi vê-lo essencialmente pelos nomes envolvidos: Morgan Freeman (trabalhando como nunca aos 70 anos), de quem sou fã desde Um Sonho de Liberdade, e o diretor Robert Benton, sem dirigir um filme há quatro anos. O filme começa bem, muito bem, falando dos gregos e da “invenção” do amor. E da risada, invenção para que fosse possível suportar o amor. Depois desta reflexão do narrador, Harry Stevenson (Morgan Freeman), somos imersos em várias histórias de amor. E de dor. Porque é normalmente doloroso descobrir nossos erros e revelar mentiras. Em Feast of Love não é apenas o amor que está sendo analisado, mas é a nossa capacidade de passar pela dor, de ter esperança, de viver ainda que isso pareça difícil. No fundo, o filme questiona o que é o amor, mas de uma maneira adulta. Uma boa surpresa.

A HISTÓRIA: Harry Stevenson (Morgan Freeman) é como um observador da vida cotidiana das pessoas de sua comunidade. Atento à vida – já viveu o suficiente para perceber quase todos os sinais que as pessoas exalam em seus atos -, ele é o primeiro a se dar conta do surgimento de vários amores. O primeiro deles ocorre em uma mesa de bar, quando Kathryn (Selma Blair), a mulher de Bradley Thomas (Greg Kinnear), se apaixona de uma maneira surpreendente por Jenny (a canadense Stana Katic). Depois, Stevenson vê Oscar (o inglês Toby Hemingway), o garoto que lhe atende na cafeteria de Bradley, onde Stevenson vai diariamente, se apaixonar à primeira vista por Chloe (a francesa Alexa Davalos). E assim seguem as histórias de amor, cada uma com uma particularidade, mas única e surpreendente.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que o texto a seguir conta partes fundamentais do filme Feast of Love, então recomendo que só continue a ler quem já assistiu ao filme, para evitar que as surpresas sejam estragadas): O primeiro toque em um jogo competitivo e uma troca de olhares. Sinal número 1. Um encontro “imprevisto” no bar, depois, e uma conversa olho no olho e próxima, muito próxima. Sinal número 2, mais desconcertante. O toque na perna, a música dedicada… assim, em um crescente um pouco inexplicável – ou muito explicável – a personagem de Kathryn se descobre interessada, muito interessada por uma mulher. E não é uma mulher qualquer, mas sim Jenny, uma garota que percebe cada sinal e sabe exatamente o que fazer com eles. Perigo ao casamento de Kathryn e Bradley, juntos há seis anos. Primeiro exemplo de cegueira.

O filme poderia facilmente cair no lugar-comum, na narrativa óbvia, no romance pastelão e choroso. Mas não. Desde a citação inicial dos gregos até a cena final, Feast of Love mostra que é possível fazer um drama/romance com classe. E isso tem muito a ver com a competência do elenco, perfeito do início ao fim, assim como com o roteiro de Allison Burnett, que conseguiu dosar na medida certa cada elemento da história e, claro, da direção sensível de Robert Benton. Por todos esses elementos eu classifico o filme como um dos melhores que eu vi do gênero nos últimos tempos.

O personagem de Bradley é destes que tu vai acompanhando de maneira dividida. Afinal, ao mesmo tempo que ele dá pena por só “se dar mal” no amor, também nos dá raiva, vontade de lhe dar uns tapas para ver se ele acorda. Quantos homens não são cegos como ele? Parecem mais a cachorros, fiéis e bobões, e não percebem os sinais, não percebe o que a pessoa ao lado quer fazer ou pelo que está passando. Ok que as mulheres são muito mais inconstantes e mudam de opinião. Mas se eles são mais firmes em seus propósitos e convicções, porque não podem também ser mais atentos, mais sensíveis? Stevenson viveu o suficiente e tem a sensibilidade necessária para cuidar muito bem de sua mulher, Esther (Jane Alexander). A história deles de amor é linda, fortificada e ameaçada pela perda recente de seu único filho. E toda a experiência do mundo, nestes casos, não é suficiente para que o homem esteja distante da dúvida, do medo, do passo que falta para perder a esperança. Ainda que veja todos os sinais.

Todas as histórias de amor são importantes e interessantes neste filme. Desde as de Bradley com Kathryn, com Diana (a australiana Radha Mitchell) ou com Margaret Vekashi (a húngara Erika Marozsán) – assim como de Diana com David Watson (Billy Burke); ou de Oscar com Chloe; ou de Kathryn com Jenny; ou de Harry com Esther. Todas são lindas e imperfeitas.

E se percebe que a sorte de alguns se deve, justamente, ao que outros veriam como defeito. Se não, como explicar a determinação de Bradley em ser feliz apesar de tudo que lhe aconteceu? Eu creio que ele é tão determinado justamente porque tem um grande coração, ainda que sofra de cegueira. Mas ninguém fica da mesma forma eternamente. E ele aprende. E ele muda. Nem que para isso tenha que passar pela dor. Stevenson lamenta quando ele se apaixona novamente. Mas ele também, o homem experiente, tem que enfrentar as duas dores e a sua descrença ao perceber a grandeza de Chloe, sua coragem e maturidade. Porque nem sempre os jovens são os mais imaturos. Muitas e muitas vezes eles são, para quem quiser ouvir, os mais sábios. Para mim, além de muitas outras mensagens, o filme me mostrou isso: que o casamento perfeito seria a força, determinação e a esperança da juventude com a sabedoria, a calma e a contemplação serena dos mais velhos.

Sei que é meio exagero dizer isso e tudo, mas a história de Chloe e Oscar é de balançar mesmo. Nem tanto porque a dupla de atores é afinada e são bonitos e tal, mas pelo que a mensagem do seu amor “Romeu e Julieta”, como diz Stevenson meio sem querer, nos passa. Ou seja: é preferível desviar do amor, do risco, de tudo que uma história apaixonante nos traz só porque sabemos que vai nos destroçar depois? Só porque sabemos que vamos sentir dor? A coragem de Chloe e de Oscar é revigorante. Até faz acreditar que realmente vale a pena errar, quantas vezes for, porque no erro também está o acerto. E viver com medo, como já diria um certo alguém, é não viver. Mais confiança, mais ousadia, mais amor e paixão e menos medo. Essa é a mensagem que deveria ser vendida e dada de graça para quem quiser e para quem não quiser ouvir.

NOTA: 9.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: O filme é maravilhoso, como eu disse. Só senti falta de ver o casal Kathryn e Jenny mais vezes na história, depois daquele início no filme.

Além dos atores que já citei, destaco a participação secundária do veterano Fred Ward como Bat, o pai alcóolatra e violento de Oscar.

Falando em Oscar, me surpreendi com a “química” dos atores Toby Hemingway e Alexa Davalos. Eles estão perfeitos nos seus papéis, super convincentes. Ela, em especial, está encantadora. Morgan Freeman, também, faz uma das melhores interpretações recentes de sua carreira. Pelo menos duas cenas dele com Jane Alexander valem todo o restante do filme.

Admito que a parte final, em que todos vão “felizes ao parque” é exagerada e desnecessária. Mas bem, nem tudo pode ser perfeito.

O cartaz de Feast of Love, contudo, parece jogar contra o filme. Assim, à primeira vista, ele vende a imagem deste ser “mais um filme água com açúcar”, algo que ele não é. Acho que se podia ter feito um trabalho melhor na divulgação do filme.

Os usuários do site IMDb lhe deram uma nota baixa: 6,8. Um pouco injusto, na minha opinião. No site Rotten Tomatoes, ele leva uma nota 5,4 – pior ainda -, com 54 críticas negativas da imprensa e 40 positivas.

Feast of Love também foi mal na bilheteria. O filme, que estreou no dia 30 de setembro, arrrecadou até o dia 14 de outubro pouco mais de US$ 3,4 milhões.

Michael Clayton – Conduta de Risco

26 de outubro de 2007 9 comentários

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Eu gosto do Sr. George Clooney, especialmente depois de Syriana e de Boa Noite, e Boa Sorte. E foi por causa dele que fui atrás deste Michael Clayton. Não sabia nada do filme, nem mesmo que ele era dirigido e escrito por Tony Gilroy, o homem por trás da trilogia de Jason Bourne. Michael Clayton, fui descobrir depois, na verdade é a estréia do roteirista Tony Gilroy na direção. E ele faz um bom trabalho. Ainda que eu tenha algumas ressalvas para o filme, ele é um competente trabalho do diretor e de seus atores.

A HISTÓRIA: Toda vez que importantes clientes de uma firma de advocacia em Nova York tem problemas, são chamadas pessoas como Michael Clayton (George Clooney). Ele é o “manager”, o homem que administra crises e resolve problemas. Alguns dizem que ele faz “milagres” porque antecipa problemas e agravantes de situações já complicadas e os resolve da melhor maneira. Sempre aproveitando as brechas da lei. Em uma noite ele é chamado para resolver mais um caso destes e depois, na saída, tem o carro destruído por uma bomba. Em seguida, a história volta quatro meses no tempo, quando Clayton tem que lidar com uma crise sem precedentes em sua companhia. A firma de advogados para a qual ele trabalha está prestes a conseguir um importante acordo em um processo milionário contra a U/North, uma empresa importante do ramo de insumos agrícolas que contaminou a água de muitas famílias de uma pequena cidade muitos anos antes. Tudo está sob controle até que o advogado Arthur Edens (Tom Wilkinson) tem uma crise em uma audiência e provoca um escândalo, sabotando o caso que está sendo defendido e ameaçando divulgar detalhes do processo que podem acabar com a U/North e com a firma de advocacia. Clayton é chamado para administrar essa crise, mas a situação foge do seu controle.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que o texto a seguir contêm partes importantes do filme, por isso recomendo que só continue lendo quem já assistiu a Michael Clayton): O filme é um interessante suspense sobre a máfia existente entre grandes companhias e firmas de advocacia conceituadas. Todos sabem como as grandes firmas de advocacia conseguem as suas fortunas, não é mesmo? Pois fazendo cumprir a lei e defendendo o interesse das vítimas é que não. Eles sempre conseguem tirar, de uma maneira ou de outra, proveito para as grandes companhias. E os cidadãos comuns que se lasquem! Pois o filme conta justamente uma história de ficção sobre até que extremos uma firma destas pode chegar para preservar os seus “segredos” e defender o interesse de seus clientes - e, mais que tudo, de si mesmos. E o filme conta também, claro, como as grandes corporações conseguem garantir que a verdade não apareça em casos como o que o filme conta, de contaminação de recursos naturais.

Só pela premissa que comentei antes, o filme já vale a pena. Afinal, não é sempre que Hollywood resolve mexer em vespeiros como este. Mas a maneira com que a saída “alternativa” para o problema é escolhida por Karen Crowder (Tilda Swinton, perfeita em seu papel), a conselheira da firma de advocacia Kenner, Bach & Ledeen, me pareceu um pouco “forçada”. Afinal, não seria mais fácil dar um “sumiço” em Arthur Edens de outra maneira? Talvez lhe “sequestrando” simplesmente, fazendo ele sumir do mapa e lhe pagando uma passagem só de ida para um país longínquo e perdido no mapa até que a situação se resolvesse? E depois do que fazem com ele, o que resolvem fazer com Clayton parece ainda mais exagerado. De qualquer forma, o que ocorre e da maneira que ocorre rende uma troca de diálogos final de tirar o chapéu. O que Clayton diz para Crowder sobre a “saída mais simples” para o problema é simplesmente perfeito!

O filme tem uma boa “quebra” de ritmo no início, quando a história volta quatro meses no tempo para sabermos o que está acontecendo com Michael Clayton. Afinal, porque alguém explodiria o carro de um cara como ele? Depois deste ponto a história volta a ser contada linearmente e de maneira interessante. Afinal, não é nada fácil tornar quase um suspense uma história de intriga empresarial que poderia se tornar muito, muito chata. Mas o roteirista e diretor Tony Gilroy prova mesmo que sabe contar uma história. Fora um ou outro exagero estratégico dos envolvidos na história – especialmente da personagem de Karen Crowder – o filme é perfeito. Recomendado para quem gosta de histórias sobre os lados podres do poder, dar corporações e das grandes firmas de advocacia. Agora, se você não curte um filme “sério” deste tipo, passe longe. Não vai gostar… certeza que vai achar um pouco “aborrecido”. Ainda que não seja. Mas, para mim, ainda está abaixo da qualidade de Syriana e de Boa Noite, e Boa Sorte.

NOTA: 8,5.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Os atores principais do filme estão muito bem. Com especial destaque para George Clooney e Tom Wilkinson – para mim é a melhor interpretação dele depois de Entre Quatro Paredes. Outros nomes que fazem parte do elenco, além da já citada Tilda Swinton, são: Sydney Pollack (como Marty Bach, um dos sócios da firma de advocacia), Michael O´Keefe (como Barry Grissom, um dos advogados da firma), Merritt Wever (como Anna, a vítima que passa a ser defendida por Arthur Edens) e Robert Prescott (como Mr. Verne, o homem que cumpre as ordens de Karen Crowder).

Um dos pontos interessantes do filme é que ele não santifica a Arthur Edens. Por um tempo somos levados, como a Michael Clayton, a pensar que o homem está louco. Mas depois, quando sabemos que ele está tendo, na verdade, a primeira crise de sinceridade de sua carreira, o roteiro deixa em dúvida as reais razões que lhe motivaram a fazer isso. Vejamos: mais para o final do filme, quando Clayton finalmente fala com Anna, ficamos na dúvida, pelo que ela nos conta do que lhe disse Arthur, de quais eram as reais intenções dele. Será que ele estava fazendo o que estava fazendo – pagar passagem de primeira classe para ela e tudo o mais – porque só lhe queria ajudar ou por que esperava que ela pudesse ser um novo amor? Sim, essa dúvida fica no ar, especialmente pela reação de Arthur quando Clayton lhe diz que foi a própria Anna que havia lhe “entregado” para a firma de advocacia. A reação dele é um pouco estranha, assim como as passagens em que ele fala com Anna… parece que lhe está cortejando. Pode ser que sim, ou pode ser que ele era um “bondoso” que teve uma crise de consciência perto de terminar um importante acordo e resolveu contar a verdade. De qualquer forma, fica a dúvida. O que é mais um ponto positivo do roteiro, porque o autor não quis “santificar” o personagem.

Para variar, gostei muito do cartaz do filme. Nada mais acertado para esse filme do que a frase “a verdade precisa ser ajustada”. Duplo sentido inteligente.

Michael Clayton custou aproximadamente US$ 25 milhões e arrecadou, em três semanas em cartaz nos Estados Unidos, US$ 21,6 milhões. A produção deve pagar-se facilmente. Ainda mais porque, até o dia 19 de outubro, seguia em quarto lugar no ranking dos filmes mais vistos. Ainda que perde para as comédias da vez – The Game Plan, com US$ 69,2 milhões, e Why Did I Get Married? (que está mais para “drama” ou “romance” do que para comédia, mas tudo bem), com US$ 39 milhões.

O filme, com nota 7,8 no site IMDb, ainda não tem estréia prevista no Brasil.

Death Sentence – Sentença de Morte

24 de outubro de 2007 6 comentários

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Tem vários filmes bons sobre a perda de uma pessoa próxima, alguém importante da família, pelas mãos de assassinos. Alguns destes filmes mostram como é difícil a vida após uma perda deste tipo – como Entre Quatro Paredes – e outros contam a história da saga da pessoa em se vingar e fazer a justiça pelas próprias mãos – Estrada para Perdição, Abril Despedaçado e os filmes mais conhecidos de Charles Bronson, só para citar alguns. Death Sentence, o novo filme do diretor James Wan (conhecido pelo filme de terror Saw), vai pelo segundo caminho. Gostei muito do filme, que não alivia em mostrar o que acontece com quem tenta fazer a justiça pelas próprias mãos e, ao mesmo tempo, com quem acha que não tem mais nada a perder.

A HISTÓRIA: Nick Hume (Kevin Bacon) é um empresário e feliz pai de família. Ele paparica os dois filhos, Brendan (Stuart Lafferty) e Lucas (Jordan Garrett), com especial atenção para Brendan, um jogador de hockey em ascensão. Ao lado de Nick, forma a “família perfeita” sua esposa, Helen (Kelly Preston). Quando os meninos são crianças, eles realmente parecem a família perfeita. Quando ficam adolescente, contudo, Nick e Helen tem que enfrentar os humores e as disputas entre os irmãos mas, ainda assim, eles tentam ser uma família unida e feliz. A rotina dos Hume muda radicalmente quando em uma noite, após uma partida de hockey, Brendan é atacado pela gangue de Billy Darley (Garrett Hedlund, irreconhecível). O grupo entra na loja de conveniência em que está Brendan, no posto de gasolina em que seu pai parou para abastecer, para fazer a iniciação da gangue de Joe (Matt O´Leary). Depois do ataque ao filho e de descobrir que Joe provavelmente seria condenado a poucos anos de prisão, Nick resolve fazer justiça com as próprias mãos.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Death Sentence): O filme não alivia. Ainda assim, não exagera na violência e nem explora, como Saw ou outros filmes recentes, cada ferida ou buraco de bala. É um filme mais “profissional” do que Saw, produção anterior de Wan que pode ser considerada quase um “trash movie”. E é um filme bom, além de tudo. Mas é o filme mais Hollywood do diretor até agora. O filme mais profissional e menos ousado, também.

Mas voltando à Death Sentence. O filme realmente mostra o que acontece com quem tenta fazer a justiça com as próprias mãos. Entendo que o personagem de Nick fique louco ao saber que seu filho não foi morto por “acidente” em um assalto, mas sim determinadamente escolhido para a iniciação em uma gangue de um moleque chamado Joe. Se entende a reação dele, o que não se entende é como a detetive Wallis (Aisha Tyler) dormiu no ponto totalmente após a sessão na corte, quando Nick demonstra para todos uma mudança de postura e de comportamento no caso de seu filho inexplicável. Como policial, ela deveria ter desconfiado e ter “monitorado” o pai revoltado, ou não? Se isso ocorresse no Brasil, até vai lá… se pode vir com a desculpa que os policiais tem mais o que fazer do que ficar monitorando pais com comportamento estranho. Mas nos Estados Unidos, onde nos vendem tanto a idéia de polícia inteligente? Sinistro.

O fato é que Nick parte mesmo para a vingança e consegue comer o seu prato ainda quente. Mas, claro, desencadeia uma reação das grandes de Billy e de sua gangue – formada ainda por Bodie (Edi Gathegi), Heco (Hector Atreyu Ruiz), Baggy (Kanin J. Howell), Jamie (Dennis Keiffer), Tommy (Freddy Bouciegues), entre outros. A reação do grupo rende algumas cenas de perseguição ótimas, além de uma inevitável represália para o restante da família de Nick.

A direção de James Wan é bem equilibrada, com o tom exato conforme a situação e com espaço para alguns momentos mais de expressão dos personagens. A história é baseada no livro de Brian Garfield, com roteiro assinado por Ian Jeffers. Todos os atores estão muito bem, inclusive com uma participação de John Goodman como Bones, um vendedor de armas com duplo interesse na história.

NOTA: 8.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: A nota do filme só não é maior porque eu achei que o diretor deu uma aliviada no final. Sei que a maioria dos filmes de ação não segue a lógica e tudo, mas se o filme estava sendo honesto com o que acontece em uma situação destas, porque no final, depois do ataque a família de Nick, o diretor e o roteirista querem nos convencer de verdade que Nick tem reais chances de se vingar de toda a gangue que sobrou? Hummm… saímos da tão bacana lógica até esse ponto para cair em uma satisfação dos espectadores, que querem ver o heróico pai de família ganhar sua batalha pessoal? Achei desnecessário. Se o filme tivesse acabado no hospital, por exemplo, acho que eu teria dado uma nota maior. De qualquer forma, o restante de Death Sentence continua sendo bem dirigido e com boas atuações, mas achei meio “simplório” terminar da maneira que terminou. Muito Charles Bronson para o meu gosto. hehehehehehe

Falando em Charles Bronson, fiquei sabendo depois que Death Sentence é baseado no mesmo autor de Death Wish, história que tornou Bronson famoso com o filme de 1974 de mesmo nome. Ou seja: as ligações são mais que óbvias.

Gosto muito de cartazes bem feitos de filmes. E Death Sentence tem alguns cartazes muito bacanas. Tive trabalho de escolher o mais bacana. Mas gostei muito deste, negro e com um toque de “mangá”. Mas tem outros muito bons. Para mim, um bom cartaz de filme, um bom trailer e uma boa divulgação são fundamentais para que um filme dê certo. Não vejo trailers – para não estragar surpresas – mas sou levada por cartazes de filmes.

Infelizmente o filme está tendo uma bilheteria fraca nos Estados Unidos. No período de 2 de setembro até 14 de outubro, ele arrecadou apenas US$ 9,4 milhões. Pouco, muito pouco. Merecia mais. Mas, quem sabe, ele acaba tendo mais sucesso quando for lançado em DVD.

No Brasil o filme tem estréia prevista para o dia 2 de novembro.

No site IMDb o filme ganhou a nota 7,1.

James Wan é um fenômeno. Ele tem apenas 30 anos e já é um nome conhecido por fazer um bom trabalho no cinema. Ele nasceu na cidade de Kuching, na Malásia, e tem cinco filmes no currículo.

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