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Enchanted – Encantada Maio 4, 2008

Posted by Alessandra in Cinema, Cinema norte-americano, Crítica de filme, Filme premiado, Movie, Oscar 2008.
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Realmente eu não tinha interesse em assistir a esse filme. Nada nele me atraia – até porque a única “razão” justificável para assistí-lo, ver ao ator Patrick Dempsey em cena, não era suficientemente forte. Explico: para ver esse bonitão atuando, vale mais a pena assistir a Grey’s Anatomy (ainda que a série não seja uma “Brastemp” mas, pelo menos, trata de dramas humanos e não de uma fantasia cor-de-rosa). Bem, mas acabei assistindo a Enchanted por “encomenda”, a pedido do editor de um site para o qual estou escrevendo alguns textos. Não digo que meu tempo foi totalmente jogado fora, mas este filme definitivamente é muito “Disney” para o meu gosto. Digo isso porque ele é carregado demais de uma “fantasia” já vencida, na minha opinião. Exceto para as crianças, claro. Para os “pequenos” ele deve ser interessante. Mas, diferente do anteriormente comentado Penelope – que eu tinha interesse de assistir porque gosto da Christina Ricci e tinha curiosidade de ver a James McAvoy em outro papel que não fosse em Atonement -, que trata também de transportar uma história de conto-de-fadas para a “vida real”, esse Enchanted me pareceu muito óbvio, um tanto arrastado e um bocado chato – pelo menos para os adultos. Espero ver um filme melhor em breve… quem sabe algo mais denso para compensar tanto açúcar – hehehehehehehehe.

A HISTÓRIA: Em um bosque encantado cheio de animais falantes, uma linda garota espera por seu príncipe encantado, que lhe dará um beijo de “amor eterno”. O filme começa como os antigos desenhos da Disney, até que a rainha e mãe do príncipe resolve se livrar da garota que irá se casar com ele. A rainha joga a garota em um poço encantado e ela surge em um bueiro em Nova York. Perdida na cidade, Giselle (Amy Adams) é encontrada pelo advogado Robert Philip (Patrick Dempsey) e sua filha Morgan (Rachel Covey). Mas o príncipe Edward (James Marsden) logo aparece no encalço de sua amada, trazendo para o mundo real vários outros personagens do conto-de-fadas.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta trechos importantes da história, por isso só recomendo que continue a ler quem já assistiu a Enchanted): Como eu dizia lá no princípio, o filme é por demais “Disney” antiga. Desde Roger Rabbit – que está completando 20 anos – a mistura de desenho animado com atores reais não é mais novidade – e evoluiu bastante, desde então. Ainda assim, em Enchanted a escolha do diretor Kevin Lima, um amante do mundo Disney, segue pelo caminho do tradicionalismo. Tanto que as inserções animadas no mundo real são bem limitadas e resgatam uma forma de “traços de desenhos” antiga da Disney – resgatando a animação 2D. Para crianças deve funcionar.

Como comentei lá no início também, o filme é muito, mas muito óbvio. Todos nós sabemos, logo que a atriz Amy Adams aparece no mundo real, o que irá acontecer entre ela e Patrick Dempsey. A partir daí e até o final não há surpresa alguma. E magia? Me desculpem os extremamente românticos, mas até a “sintonia” entre os dois não me convenceu. Dempsey faz as mesmas caras, bocas e esbanja aquele sorriso que faz muita gente suspirar por aí do seu personagem Dr. Derek Shepherd de Grey’s Anatomy. Igualzinho, sem colocar ou tirar nada. A única diferença é que em Enchanted ele é um pai que foi “deixado” por sua mulher e que cuida sozinho de uma menininha encantadora. Nada mais. Mas não senti com ele e a atriz principal do filme a sintonia ou o carismo que vi, por exemplo, entre Christina Ricci e James McAvoy no recentemente comentado Penelope.

Também tenho que admitir que me irritou um pouco o estilo “quase” musical do filme. Toda a parte da cantoria no parque, por exemplo, achei por demais brega. Ok, foi tudo muito bem filmado e coreografado. Lembrou algumas sequências de musicais urbanos feitos por Hollywood. Mas, de verdade? Dispensável. Assim como todo aquele final… depois do tão “esperado” e previsível beijo para salvar a Giselle, toda a transformação e “loucura” da Rainha Narissa (Susan Sarandon, coitada!), era totalmente passível de ser cortada, convenhamos. Não leva a lugar algum e não refresca em nada a história. Mas enfim…

Além dos atores já citados, vale citar a participação de Idina Menzel como a namorada de Robert, Nancy Tremaine; e de Timothy Spall como Nathaniel, o braço direito da Rainha má que, sem nenhuma lógica, vira a casaca no final. E não me venham dizer que ele foi influenciado pela televisão, porque nem isso me convence. hehehheheheheheheehehe. E duas curiosidades: a veterana atriz Julie Andrews participa do filme como narradora da história; enquanto o diretor Kevin Lima dá a voz ao esquilo Pip em sua passagem “muda” (melhor dizendo, falando através de grunhidos) em Nova York. E a filha dele, Emma Rose Lima, dá a voz para três personagens: o pássaro azul, o falcão e a Rapunzel.

Semi-musical, o filme foi indicado a três Oscar pelas canções Happy Working Song, So Close e That’s How You Know. Perdeu, na decisão, para Falling Slowly, uma linda composição de Glen Hansard e Makéta Irglová para o filme Once.

NOTA: 5.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Antes que alguém envie vírus para o meu computador como represália indignada, quero ressaltar que a nota acima leva em conta que eu já passei dos 10 anos de idade. O filme ganharia uma nota melhor, talvez um 8, se eu fosse indicá-lo para as crianças. Afinal, tem toda uma parte de “acreditar nos seus sonhos e no amor” e de ver a fantasia como algo tão paupável como um sorvete que se compra no parque que pode ser valorizada. Mas como escrevo, inicialmente, para adultos, acho que o filme realmente é previsível e arrastado demais. Por isso a nota 5.

O filme, que custou impressionantes US$ 85 milhões, se deu muito bem na bilheteria. Apenas nos Estados Unidos ele arrecadou pouco mais de US$ 127,7, milhões. A Disney mostra que ainda está podendo. E com um filme no estilo tradicional, deixando para trás as “inovações” narrativas e de estilo de várias histórias inspiradas em seus desenhos. Eu diria que é quase uma revanche que deu certo. Vamos ver agora se eles vão continuar com seu resgate do “velho jeito de fazer” animações e filmes…

No site IMDb o filme registra a nota 7,7 conferida por seus usuários, enquanto no Rotten Tomatoes Enchanted acumula impressionantes 133 críticas positivas e apenas nove negativas.

O filme foi indicado a outros 14 prêmios, além dos três Oscar já citados para canções, e saiu vencedor em duas premiações: como Melhor Filme para a Família dado pela crítica na premiação da Broadcast Film Critics Association (que reúne desde 1995 um total de 192 críticos de televisão, rádio e meios online do Canadá e dos Estados Unidos), e como Melhor Filme de Ação para a Família no prêmio da Sociedade de Críticos de Cinema de Phoenix. Nenhum dos dois prêmios é expressivo, mas pelo menos o filme ganhou algo…

CONCLUSÃO: Um filme à moda antiga da Disney, que resgata tanto sequencias de animação em duas dimensões – na parte inicial – quanto um roteiro tradicional sobre a busca do amor verdadeiro. Deve agradar às crianças, mas adultos um pouco exigentes devem sentir que falta algo na história. E realmente falta, praticamente tudo – desde um roteiro que não seja extremamente óbvio até atores com melhor sintonia.

Penelope – Penélope Maio 4, 2008

Posted by Alessandra in Cinema, Cinema europeu, Cinema norte-americano, Crítica de filme, Movie.
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Desde o lançamento de Ever After (Para Sempre Cinderela, de 1998 ) e, depois, de Shrek, a visão dos “contos-de-fada” mudou um bocado em Hollywood. O primeiro filme, com Drew Barrymore, está completando 10 anos. A produção, que transportava para o “mundo real” a história de Cinderela, cativou muita gente especialmente pelo carisma da protagonista. Depois, Shrek (2001) surgiu como uma paródia animada dos contos-de-fada tradicionais, com uma boa dose de humor e sarcasmo. Por tudo isso, a nova “remessa” de filmes que tentam repetir a fórmula, como este Penelope e Enchanted (Encantada, que vou comentar em seguida), acabam perdendo boa parte de sua “força” como novidade. Porque não são nada novos, claro. Ainda que Penelope consiga cativar o espectador incauto especialmente pela simpatia dos protagonistas, interpretados por Christina Ricci e James McAvoy. Além disso, o filme tem uma certa dose de cuidado estético e algumas “sacadas” muito boas – especialmente com a sua “crítica” velada a superexposição midiática de alguns ricos e famosos.

A HISTÓRIA: Conhecemos a família de aristocratas ricos e midiáticos Wilhern, sobre a qual recai uma maldição. Antes de Penelope nascer, seu tetra-tetra-tetra-avô Ralph (Nicholas Prideaux) teve um romance com uma empregada, Clara . Depois de rejeitá-la por pressão da família e casar com uma mulher de sua mesma classe social, Ralph foi almadiçoado pela mãe de Clara e bruxa da cidade (Michael Feast). Sua maldição: a primeira mulher que nascesse de um Wilhern teria cara de porco. Todas as gerações seguintes da família foram de homens, até que o casal Jessica (Catherine O’Hara) e Franklin (Richard E. Grant) tiveram uma filha: Penelope (Christina Ricci). Segundo a maldição, a única maneira de quebrar o encanto seria que a descendente Wilhern com cara de porco fosse aceita por alguém de sua “própria espécie”, o que desencadeia anos e anos de busca por algum ricaço que resolva casar com Penelope.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que parte do texto à seguir conta trechos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Penelope): Como todo conto-de-fadas ou fábula, Penelope tem a idéia de uma “moral” ou “sentido da história”. Mas além do mais óbvio, que é a questão do que “cada um deve aceitar o outro como ele é”, de que “a beleza exterior importa menos que a interior” e de que “a força de qualquer maldição depende da importância que se dá a ela” (como bem diz o garotinho simpático no final do filme), Penelope trata de outras questões interessantes, especialmente na superexposição de determinadas pessoas na mídia e sobre o círculo de interesse que eles criam sobre si mesmos – e, claro, sobre a dependência das pessoas que vivem em função destes “desconhecidos tão familiares”.

Mas antes de entrar neste tema, vamos ao que o filme realmente é: uma história romântica com boa dose de comédia que resgata a “alma” dos contos-de-fadas e a transporta para o mundo real. Como disse no início deste texto, esse “transporte” não é algo novo… vêem sendo feito com uma certa frequência nos últimos 10 anos, desde aquele filme com Drew Barrymore. E vem sendo feito porque dá certo, claro. Funciona tanto com o público infantil, que fica encantado em ver no “mundo real” algo tão fantasioso, como funciona também com o público adulto, especialmente com aquela faixa de espectadores que gosta de um bom romance com comédia e fantasia.

A verdade é que Penelope funciona. Em especial pela sintonia de Christina Ricci com James McAvoy (que interpreta Johnny, um jogador de pôquer que resolve se passar pelo filho “de boa família” Max para conseguir dinheiro). Também funciona pela direção competente e cuidadosa de Mark Palansky, pelo interessante trabalho de fotografia de Michel Amathieu e por detalhes tão importantes em uma história assim como é a direção de arte de Gerard Bryan e John Reid, os cenários e decoração em cena de Bridget Menzies e o figurino de Jill Taylor. O figurino, aliás, merece uma menção honrosa. Realmente um belo trabalho de Taylor.

Mas todos estes elementos técnicos e de cuidado estético não funcionariam se os atores não fossem competentes. E além dos já citados, destaco a atuação divertida e equilibrada de Catherine O’Hara e Richard E. Grant como os pais da “garotinha com cara de porco”. Os dois, que na história eram superexpostos pela mídia, fazem um pacto de distanciamento e de isolamento de sua filha para “protegê-la” – e a eles próprios, claro. Claramente os dois tem visões diferentes do que seria melhor para a garota, especialmente depois que ela passa por anos de rejeição de todos os “bons partidos” da sociedade local. Mas ainda assim eles não tem coragem de quebrar uma rotina com a qual tiveram que se acostumar. E a coragem de Penelope joga todos em um novo e decisivo ciclo.

Um ponto de vantagem do filme é que ele não “endeusa” ou enfeita os personagens principais. Exceto por Penelope, que realmente parece uma “santa” que foi criada em uma redoma de vidro, isolada do mundo e de seus perigos e tentações – curioso que ela não assite televisão, hein? – todos os demais e, em especial, o “herói” ou “príncipe encantado” da história, são bem reais e passíveis de erros. Mas, como em qualquer encontro bom na vida, tanto nosso “herói” como nossa “heroína” mudam depois de se encontrarem. A realidade que lhes incomodava parece já não ser possível depois do encontro que tiveram – ainda que rápido, mas suficientemente importante para motivá-los a mudar de vida. Bons encontros fazem isso com as pessoas.

Mas como eu disse antes, merece um capítulo a parte a questão da superexposição de algumas “celebridades” na mídia. Muito interessante o personagem do jornalista Lemon (interpretado pelo ótimo Peter Dinklage). Ele persegue a história de Penelope para se redimir e, por ironia, sem perceber que ele talvez faça isso porque é considerado também “uma aberração” na sociedade consumista e padronizada por modelos magérrimos e “plasticamente perfeitos” que a própria mídia vende. No fim das contas, acho que muitos jornalistas que tentam expor as outras pessoas e/ou serem polêmicos tentam, na verdade, resolver publicamente problemas que não conseguem resolver com eles mesmos.

Parece meio duro dizer isso ou até mesmo parece uma “teoria da conspiração”, mas realmente acho que muitos que “escrevem sem pensar” estão se expondo mais do que eles gostariam de admitir. E também acho que estas mesmas pessoas criam um ambiente de superexposição na mídia de determinadas pessoas que não traz nada de útil e nem serve a ninguém – e, depois, são eles mesmos que reclamam de um mercado que pede isso, ainda que eles contribuam para alimentá-lo.

Ainda sobre este tema, achei interessante a parte em que a mãe de Penelope a questiona sobre esse seu prazer de estar exposta na mídia… no fundo não era o que ela procurava quando saiu de casa. Ela queria sua independência e conhecer a vida fora da redoma em que estava, mas sem querer ela virou “atração pública” da cidade. E gostou. A verdade é que muita gente se surpreende, depois de um tempo, gostando de uma superexposição que não é real. Claro, todos queremos “um pouco de atenção”, como diria um certo Renato Russo. Mas e quando essa atenção vira necessidade e/ou vício? Quando Jessica comenta com a filha de que as pessoas que ela chama de amigos de verdade são, na verdade, fãs de uma pessoa que aparece na mídia, Penelope se dá conta que talvez esta superexposição seja uma fantasia. Quem sabe o grande conto-de-fadas do filme. E claro que ela tinha, no meio das pessoas que a cercavam, amigos de verdade – como Annie (Reese Witherspoon, também produtora do filme) e Jack (Richard Leaf) – mas, como qualquer pessoa normal desta vida, ela poderia contar nos dedos das mãos os que não a seguiam por algum interesse ou em busca de vantagens.

No fim da história, uma das morais menos óbvias é que muitos personagens descobrem que podem ser felizes de maneira simples, seguindo intuitivamente o que eles acham mais importante e, paralelamente a isso, ignorando a superexposição à mídia que muitos parecem querer, mas que poucos entendem como é extremamente ilusória e prejudicial.

NOTA: 8.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Realmente impressionante o carisma de Christina Ricci e James McAvoy. O ator escocês, em especial, consegue um importante equilíbrio em seu papel, ainda que eu aposto que muitas vezes ele deve ter tido verdadeiros ataques de riso com o seu papel “conto-de-fadas”. Vale a pena esperar para vê-lo em seu próximo filme a ser lançado: Wanted. Neste filme ele divide a cena com Angelina Jolie e Morgan Freeman, entre outros. O filme promete.

Penelope foi filmado todo na Inglaterra, nas cidades de Londres e Beaconsfield. O filme é uma co-produção Estados Unidos e Inglaterra.

O filme, que teria custado aproximadamente US$ 15 milhões, arrecadou apenas nos Estados Unidos, em pouco menos de dois meses em cartaz, cerca de US$ 9,9 milhões. Não está mal, mas com certeza está abaixo do que os produtores esperavam.

No site IMDb o filme registra a nota 7,4, enquanto no Rotten Tomatoes ele consegue praticamente um empate entre as críticas dos jornalistas por ali publicadas: 57 textos são positivos, enquanto 51 são negativos.

Penelope é a estréia em longas-metragens para o cinema do diretor Mark Palansky. Antes ele tinha dirigido a dois curtas: Shuttler e The Same, além de ter sido o responsável por várias entrevistas feitas para a TV com pessoas conhecidas nos “bastidores” de Hollywood, como os roteiristas Paul Haggis e Ted Griffin.

O roteiro do filme, bem escrito – ainda que com alguns chavões praticamente inevitáveis – é de autoria de Leslie Caveny, uma das co-produtoras executivas e roteiristas da série Everybody Loves Raymond.

CONCLUSÃO: Comédia romântica bem produzida que transporta para o “mundo real” uma história totalmente embebida em um conto-de-fadas. Tem várias “morais da história” e uma equipe de atores bem afinada, com destaque especial para o carisma dos protagonistas. Vale como diversão, mas sem grandes expectativas. Não inova, mas ainda assim se trata de um filme bem feito e com carisma.