Saw VI – Jogos Mortais 6 Novembro 8, 2009
Posted by Alessandra in Cinema, Cinema do mundo, Cinema europeu, Cinema norte-americano, Confessions, Crítica de filme, Movie.trackback
O terror de Jigsaw voltou a dar as caras com Saw VI. Divulgado como sendo o filme mais violento da série, esta nova produção repete boa parte da fórmula utilizada até aqui – no quesito sanguinolência e gosto por torturas e mortes brutais – ao mesmo tempo em que lança novas luzes sobre o idealizador dos jogos macabros. Deve agradar, por tudo isso, aos fãs de Jigsaw que acompanharam todas as produções até agora. Da minha parte, admito, não assisti a todos os filmes anteriores. Mas até que gostei desta nova produção, especialmente porque ela tenta se aprofundar nas motivações de Jigsaw mais do que simplesmente ocupar o tempo do espectador com novos aparatos de morte.
A HISTÓRIA: Uma mulher desperta com um estranho e pesado aparato metálico preso na cabeça. À sua frente, Eddie (Marty Moreau), seu parceiro em um negócio de agiotagem. Simone (Tanedra Howard) sabe, imediatamente, em que jogo macabro eles estão metidos e, por isso, tenta impedir que Eddie se movimente. Mas em vão. Quando ele levanta da cadeira, uma nova cilada de Jigsaw começa a correr no cronômetro. Com esta introdução cheia de automutilação e sangue o espectador é inserido em mais um conto estrelado por Jigsaw/John (Tobin Bell) que, mesmo morto, continua fazendo as suas vítimas.
VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só contineu a ler que já assistiu a Saw VI): Serei honesta. Não tenho muita paciência com a série de filmes Saw. Assisti aos dois primeiros, mas depois me cansei. Diferente dos antigos filmes estrelados por Jason Voorhees ou Freddy Krueger que eu gostava de assistir nas sessões de madrugada, Jigsaw é um “astro” dos filmes de terror muito mais sanguinolento e sádico. Um pouco acima do tom, para o meu gosto. Digo isso porque, ao receber a “missão” de assistir a esta sexta produção estrelada pelo “assassino justiceiro”, eu tive que buscar críticas dos filmes anteriores para entender tudo o que se passava. Primeira dica: para entender completamente o que ocorre em Saw VI, só tendo assistido a todas as produções anteriores.
Diferente de outras produções lançadas sobre um mesmo personagem, Saw VI exige que os espectadores estejam bem familiarizados com a história. Do contrário, fica difícil acompanhar o roteiro de Marcus Dunstan e Patrick Melton. Mas, ao mesmo tempo, esta escolha dos produtores da série faz com que o filme não perca tempo explicando o que os fãs já sabem. Quem estava ansioso, por exemplo, para saber o conteúdo da caixa entregue para Jill (Betsy Russell) como herança de John no filme passado, terá a sua curiosidade saciada. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Como era de se esperar, a tal caixa trazia novos alvos para os jogos mortais.
A vítima principal, desta vez, foi William Easton (Peter Outerbridge), vice-presidente da Umbrella Health, uma seguradora que determina quem “vive ou morre” através de uma fórmula que calcula os riscos de cada plano de saúde. Claro que tal fórmula, criada por Easton, sempre privilegia a empresa – nunca o segurado. (SPOILER – não leia… bem, você já sabe). Entre outras “vítimas” da Umbrella Health estava o rico John que, mesmo podendo pagar do próprio bolso o seu tratamento, não se conforma com a política antiética de Easton. Não podendo se vingar em vida, John cuida para que seu alvo passe por longas provações através de outras mãos.
Como ficou evidente no filme anterior, o cúmplice de Jigsaw em seus planos de vingança é o detetive Hoffman (Costas Mandylor). A cena em que ele se livra do agente especial Peter Strahm (Scott Patterson) volta a ser repetida após os créditos iniciais do novo filme. Saw VI, aliás, é cheio de cenas de flashback e de vídeos gravados por John – graças a eles que o personagem se torna tão presente na nova trama. O roteiro de Melton e Dunstan corre, paralelamente, em três direções: nas investigações sobre o novo crime que repete o “modus operandi” de Jigsaw; no novo plano de vingança de John e na revelação de novos detalhes sobre a relação que o protagonista mantinha com Jill e Hoffman.
Em meio a “tanta história”, como é costume nos filmes da grife Saw, o espectador é “brindado” por várias cenas de assassinato e tortura estreladas por diferentes aparatos criados para estes fins. Neste quesito, sobra pouco para ser inventado – afinal, este é o sexto filme que tenta trazer novidade neste sentido. Ainda assim, Saw VI deve agradar aos fãs da grife por suas sequências com jogos mortais e, especialmente, por trazer um roteiro que se aprofunda um pouco mais nas motivações e na “filosofia justiceira” de John Kramer.
Agora, uma pequena reflexão sobre o sucesso da série Saw. Sei que vocês podem comer o meu fígado por isso (não literalmente, eu espero… hehehehehehe), mas acho, honestamente, que a série desperta no público uma certa “saciedade” do gosto pela punição dos aproveitadores, dos que não tem caráter e daqueles todos que não parecem ter um senso mínimo de moral. Pelo menos é isso o que sugere Jigsaw e seu espírito vingador e, ao mesmo tempo, que tenta “despertar o gosto pela vida” de quem parece não ter apreço por ela. Seria a série Saw uma forma das pessoas verem a sua própria necessidade por “justiça” saciada? É uma forma de ver este fenômeno… Ainda que eu ache que é preciso ter um bom gosto mórbido para curtir tantas cenas de violência e mutilação.
NOTA: 8,5.
OBS DE PÉ DE PÁGINA: Certamente, muitos leitores deste blog devem ficar surpresos com as notas que eu tenho dado recentemente para alguns filmes. Como, por exemplo, dedicar uma nota 8,5 para Saw VI. Quero deixar claro – ainda que eu já tenha falado disso anteriormente – que eu avalio os filmes dentro de seus próprios contextos. Ou seja: nunca poderei comparar jabuticaba com mamão. Em outras palavras, é impossível medir com o mesmo peso e a mesma medida uma comédia romântica, um filme de terror ou uma animação – só para citar as últimas críticas. Avalio, sempre, os filmes dentro do que eles se propõe e dentro, principalmente, da história de cada gênero. Certo? Por isso eu posso sim dar uma nota maior para um filme totalmente “interesseiro” como Saw VI do que para uma produção “artística” como De Profundis. Espero que eu tenha me feito entender – e se não fiz, sinto muito aos que acompanham o blog.
Comentei, recentemente, sobre Saw VI no Pílulas Vermelhas. Como eu dizia por ali, realmente, eu não tinha intenção de falar sobre este filme aqui no blog… mas a notícia da “censura” espanhola me chamou a atenção. E, como ocorreu com outros filmes que eu comentei recentemente aqui no blog, só assisti a nova produção estrelada por Jigsaw pela força dos compromissos. Me pediram uma crítica sobre o filme e… voilà, eu o assisti. Mas, francamente, este e outros filmes que comentei recentemente não estariam nem entre as 10 próximas produções escolhidas para ocupar meu tempo. Mas paciência… trabalho é trabalho.
E até que, algumas vezes, nos surpreendemos positivamente com algumas encomendas como estas.
Falando em “censura” do Ministério da Cultural espanhol, agora que eu assisti a Saw VI posso afirmar sem sombra de dúvidas: foi um exagero deles terem classificado este filme na categoria X. Lembrando – para os que não leram o meu comentário no Pílulas Vermelhas – que Saw VI foi o primeiro filme de terror a receber a classificação X, até então restrita aos filmes pornô, na história da Espanha. O ministério definiu esta classificação alegando que o filme fazia “apologia da violência”. Francamente, se era para dar esta classificação para Saw VI, todos os filmes anteriores da grife mereciam o mesmo “selo”. E não apenas eles, mas outras produções que exploram detalhes de assassinatos e torturas – a lista é um bocado grandinha nestes termos.
Vários personagens importantes para a “saga” de Jigsaw voltam à cena. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Entre eles, Amanda Young (Shawnee Smith), a agente Perez (Athena Karkanis) e Lynn (Bahar Soomekh). Muitos deles, claro, aparecem apenas através de flashbacks – afinal, eles estão mortos. Um dos acertos do novo roteiro é o de lançar novas informações sobre o final de Saw III – os filmes, os fãs da série sabem, não seguem, necessariamente, uma ordem sequencial.
O diretor Kevin Greutert, editor dos outros cinco filmes da grife Saw, faz um bom trabalho com esta nova entrega. Na verdade, ele faz um trabalho correto, mas pouco inventivo. O filme caminha bem graças ao roteiro da dupla Dunstan e Melton que, inclusive, está escalada para o próximo filme sobre Jigsaw. Mas um problema de Saw VI, para mim, foi a acelerada que a produção dá no final, com uma edição cheia de cortes rápidos um pouco exagerados. Esta parte destoa demais do restante do filme – mas deixa claro, para o espectador, que haverá uma nova produção com jogos mortais.
Falando no próximo filme, Saw VII está, atualmente, em fase de pré-produção. Mas os produtores já adiantaram que ele será dirigido por David Hackl, o homem por trás de Saw V – o que, para muitos fãs, não é exatamente uma boa referência. Existe a possibilidade do filme ser feito em 3D. Se confirmada esta hipótese, ele talvez não fique pronto para o Halloween em terras estadunidenses de 2010 – época em que ele tem sido lançado desde o segundo filme da “saga de Jigsaw”. Além do protagonista interpretado por Tobin Bell, está confirmado o nome de Tanedra Howard para o próximo lançamento – a mulher sem braço poderá buscar vingança após sair do hospital? É uma hipótese…
Ainda é cedo para saber o quanto Saw VI irá faturar nas bilheterias dos Estados Unidos e dos demais países. Mas sabemos que, apenas em duas semanas em cartaz na terra do Tio Sam, o filme arrecadou pouco mais de US$ 22,5 milhões. Uma marca importante – e que demonstra como a fórmula ainda não está totalmente desgastada.
Os usuários do site IMDb deram a nota 6,5 para o novo filme de Jigsaw – a melhor avaliação desde Saw II. Os críticos que tem textos linkados no Rotten Tomatoes, por sua vez, dedicaram 24 críticas positivas e 30 negativas para a produção – o que lhe garante uma aprovação de 44%.
Uma curiosidade: Saw VI é uma co-produção dos Estados Unidos, do Canadá, do Reino Unido e da Austrália – o primeiro filme, dirigido por James Wan, tinha recursos apenas do primeiro e do último país citado.
CONCLUSÃO: O mais novo filme sobre Jigsaw mistura trama policial, drama e novos jogos mortais para agradar em cheio aos fãs da grife. O resultado é um filme que se aprofunda nas motivações e na “filosofia vingadora” de John Kramer na mesma medida em que revela o conteúdo da caixa deixada por ele como herança para sua parceira Jill. Saw VI começa com cenas fortes de mutilação e sanguinolência para, depois, desacelerar o ritmo e, como pede uma narrativa clássica, voltar a acelerar sua narrativa perto do final. Para o que este filme se presta, ele é bem feito e envolvente. Recomendado, especialmente, para quem assistiu aos filmes anteriores da série.











Belíssimo review, não tendo nele o que tirar nem pôr. Continue assim e prestará sempre um grande serviço aos amantes da sétima arte como eu, obrigadooooooooooooo.
Olá Alessandra, tudo bom? Como faço para entrar em contato com você?
Fico no aguardo!
bjs e parabéns pelo excelente blog!
oi Alessandra vc esta de parabéns pelo Review !!
eu sou fã de jogos mortais sim ! mas não sou burro e muito menos alienado
vc sabe que gosto é gosto e muitas vezes por a pessoa não gostar de tal filme
já vai escrevendo (preconceituosamente ) e falando mal ! sem ao menos ter prestado atenção no filme!
eu já li alguns artigos sobre jogos mortais 6 e posso dizer que o seu é completo e acima de tudo justo!
bjos e parabéns pelo excelente blog!(2)
Bom gostei do artigo assisi saw 6 ontem confesso que forçou um pouco a barra pow!!! na cena que o hofman mata tres agentes é um absurdo o que ele é um Rambo haaa… paraaaaa…….mas mesmo assim ja espero o 7 louco pra ver o hoffman apodrecer atraws das grades o que seria melhor do que ver ele morrer é claro já que de mortes o filme ja basta.
Olá Daniel!!
Antes de mais nada, seja muito bem-vindo por aqui. Obrigada por teu comentário. Espero que ambos, visita e comentário, se repitam muitas vezes ainda…
Fico feliz que tenhas gostado da crítica. Como pudeste ver, fui muito franca no meu texto. hehehehehe
Bem, espero que ele te anime a voltar mais vezes, inclusive para falar de outros filmes.
Um abraço!
Olá Rodrigo!!
Tudo certo, e contigo?
Bem, você já entrou em contato comigo.
Fora a brincadeira, pode deixar que eu te mando um e-mail (em seguida).
Fico feliz que tenhas gostado do blog. Aliás, obrigada por tua visita e por teu comentário. Espero que voltes por aqui mais vezes.
Um abraço!
Olá mark!!
Antes de mais nada, seja muito bem-vindo por aqui!!
Achei interessante o teu comentário. E estou contigo: muita gente sai julgando e rotulando as pessoas pelo seus gostos por filmes, música, etcétera. Bobagem.
Cada um tem os seus gostos e por suas razões. Nem sempre o padrão é o mesmo para todos. Concordo contigo que muita gente acha que quem gosta de Saw ou de determinados gêneros (ou blockbusters) são alienados ou meio “burros”. Como toda generalização, essa atitude sim é burra. Cada filme é uma história e, para falar, é preciso assistir e compreender.
Fico feliz, realmente, que tenhas gostado da crítica e do blog. Espero que, por isso mesmo, voltes por aqui mais vezes. E não dê bola para os que vão te classificando por assistires a este ou aquele filme… continue assistindo ao que você gosta e, volta e meia, abrindo teu leque para outras opções. Ampliar nosso “campo de visão” sempre faz bem – e digo isso para todos, inclusive para os que só assistem a “filmes de arte”.
Um grande abraço, beijos e volte sempre!
Olá culth2o!!
Fico feliz que tenhas gostado da crítica.
Agora, cá entre nós, que filme de Saw não força um pouco a barra? É até esperado, não é mesmo? Eu, pelo menos, sempre espero uma “forçadazinha de barra” nos filmes de ação e de terror. Acho que faz parte do pacote.
Mas nesta cena que comentas, achei até que não rolou uma forçada tão grande. Afinal, nenhum dos agentes esperava por um ataque – requisito básico para uma reação decente, não é mesmo? Os dois primeiros alvos de Hoffman eram bem fáceis (especialmente Erickson). Talvez a mais “difícil” de eliminar tenha sido a agente Perez (Athena Karkanis). Mas, francamente, Rambo estrelava cenas bem mais “impossíveis”, não acha?
O próximo Saw será uma surpresa… afinal, Hoffman vai sumir? Jill tentará perseguí-lo até a morte? O que a Simone vai apitar na história? Várias perguntas para serem respondidas no próximo capítulo.
Obrigada por tua visita e por teu comentário, culth2o. Espero que voltes por aqui mais vezes.
Um abraço!