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E o Oscar 2010 foi para… (avaliação online sobre os premiados)


Boa noite, meus caros leitores. Hoje, como no ano passado, vou comentar por aqui os premiados do Oscar conforme eles forem sendo anunciados, “ao vivo”. Farei alguns comentários, esporadicamente, no Twitter (por lá estou como @aleogeda). O tapete vermelho ao vivo está sendo transmitido desde as 20h (podia ser assistido pela internet). Vamos fazendo figa para que os melhores (ou grande parte deles) ganhem esta noite. A seguir, a lista dos prêmios conforme eles serão entregues durante a noite. Logo mais, os ganhadores.

O Oscar 2010 mudou a ordem das categorias apresentadas em relação ao ano passado. No lugar de começar com a de Melhor Curta de Animação, começou com Melhor Ator Coadjuvante. E como era mais do que esperado, o grande vencedor foi Christoph Waltz. Educadérrimo, ele disse que ganhar um Oscar pelas mãos de Penélope Cruz foi um presente duplo. Gentil, elegante, brilhante. Merecidíssimo! Waltz agradeceu e elogiou o trabalho do grande Quentin Tarantino, responsável por Inglourious Basterds e por ter colocado o melhor papel do filme nas mãos do ator.

A segunda categoria entregue na noite foi Melhor Animação. Novamente, uma boa mais do que cantada: Up, favoritíssimo. O filme realmente incrível, praticamente uma unanimidade. O que eu gostaria que ganhasse, Mary & Max, nem chegou até a final, então entre os que foram selecionados, acredito que ganhou realmente o melhor.

Yessssss. Mil vivas!!! Como Melhor Canção Original ganhou a emocionante, linda, inspirada The Weary Kind, do filme Crazy Heart, de autoria de Ryan Bingham e T Bone Burnett. Ela define o personagem Jeff Bridges com perfeição e acaba sendo fundamental para o filme. Mais que justa a sua vitória – ainda que a representante de Nine também era uma grande candidata.

Na categoria Melhor Roteiro Original ganhou o ótimo texto de Mark Boal por The Hurt Locker. Grande roteiro o dele, e cercado por uma certa polêmica – há um militar que está processando os produtores do filme por afirmar que a história se baseou em sua vida. Na hora de agradecer o Oscar, Boal lembrou as pessoas envolvidas no filme, inclusive os técnicos, assim como os militares que continuam no Iraque e aqueles que morreram em combate. Tomara que este seja o primeiro de muitos prêmios para o filme.

O roteirista, diretor e produtor John Hughes, morto em agosto de 2009, foi homenageado na noite. Algo rápido, mas de bom gosto. Familiares seus também estiveram presentes e foram bastante aplaudidos.

Depois o Oscar ressaltou a importância e a beleza dos curtas-metragens – algo que achei muito bacana, porque os curtas realmente merecem ser mais vistos. Como disse no post anterior aqui do blog, há verdadeiras jóias a cada ano concorrendo e ganhando o Oscar.

O primeiro a ser premiado foi Logorama como Melhor Curta de Animação. Uma grande e grata surpresa, porque o curta, como comentei no post anterior, é genial, criativo, mas bastante ousado por ser politicamente incorreto até a medula. Mas ele merece ser visto, é delicioso e mereceu ter ganho esta noite.

Como Melhor Documentário em Curta-metragem ganhou o emocionante Music by Prudence. Foi um pecado que o diretor foi cortado pela produtora do filme e não pode dizer o que queria. Mas foi bacana as câmeras terem mostrado a presença de Prudence Mabhena, a homenageada com o filme e que dá um grande exemplo de vida, superação e talento. Foi um pouco surpreendente o filme ter ganho do favorito Rabbit à la Berlin. Sem dúvida uma escolha da Academia para o emocional.

Em seguida foi a vez de The New Tenants ganhar o Oscar de Melhor Curta-Metragem. O filme venceu fortes concorrentes, mas mostrou o poder do texto do roteirista Anders Thomas Jensen, que teve a idéia original para o curta – idéia esta desenvolvida depois pelo roteirista David Rakoff.

Como Melhor Maquiagem saiu como vencedor o filme Star Trek. Não assisti ao filme, mas pelas fotos que vi da produção, acredito que foi merecido – era o favorito, sem dúvida. Ainda que a disputa este ano estava boa. Uma pena que o Oscar, em sua ânsia de ser rápido, cortou os agradecimentos dos premiados.

Na categoria de Melhor Roteiro Adaptado, uma grande surpresa e/ou zebra: Precious levou a estatueta dourada. Geoffrey Fletcher estava realmente emocionado e lembrou muita gente no discurso de agradecimento. Dos familiares até todas as pessoas que acreditaram nele e aquelas que fazem parte de uma minoria muitas vezes ignorada. Fiquei feliz! O grande favorito era Up in the Air, e ainda que o seu roteiro seja muito bom, eu gostei que Precious tenha conseguido o Oscar.

Depois foi a vez do Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante. A vencedora, a mais que esperada e merecida Mo’nique, de Precious. Aplaudida de pé por todo o Kodak Theater, ela começou dando os parabéns para a Academia por dar prêmios pela interpretação e não por questões políticas. Em seguida ela agradeceu a todas as pessoas responsáveis pelo filme, e ainda fechou dizendo que muitas vezes as pessoas devem deixar de fazer o que agrada para fazer o que é correto. Perfeita.

Avatar levou o seu primeiro Oscar técnico da noite, o mais que esperado Melhor Direção de Arte. Nos agradecimentos, como sempre, a velha homenagem ao diretor, James Cameron, e os comentários sobre eles terem esperado muito tempo para ganhar um reconhecimento como aquele.

Na categoria de Melhor Figurino também venceu uma produção favoritíssima na noite: The Young Victoria. Como filme de época, ele conta com um trabalho de pesquisa e design de figurinos impecável. Merecido, sem dúvida – ainda que vale dar uma olhada cuidadosa no trabalho de figurino feito em Bright Star.

Para cair ainda mais no gosto do público jovem e das grandes audiências, o Oscar seguiu com uma homenagem muito interessante para os filmes de terror. Depois dos apresentadores fazerem uma paródia de Atividade Paranormal, entrou em cena um clipe com grandes clássicos, como Tubarão, O Iluminado, Chucky, Psicose, Freddy Kruger, O Exorcista, O Bebê de Rosemary, Frankenstein, Os Fantasmas se Divertem, Aliens, Drácula de Bram Stoker, Carrie, O Silêncio dos Inocentes, entre tantos outros filmaços. Uma delícia de homenagem.

Em seguida, na categoria de Melhor Edição de Som, ganhou a minha aposta: The Hurt Locker. Fiquei muito feliz, porque o filme é excepcional – melhor que o badalado Avatar. Melhor Mixagem de Som foi abocanhado também por The Hurt Locker. Achei que poderia ter uma mudança nesta categoria porque, afinal, os aspectos técnicos que envolvem a primeira e a segunda são diferentes – nem sempre quem ganha uma, leva a outra. Achei um bom sinal para o filme ganhar mais durante a noite.

Avatar ganhou o Oscar em Melhor Direção de Fotografia. Novamente, acertei a minha aposta. O filme é, visualmente, incrível. Claro que o trabalho em Das Weisse Band é mais artístico, mas é preciso admitir que a fotografia de Avatar é fundamental – e tecnicamente falando, perfeita e difícil de ser realizada.

Como Melhor Trilha Sonora Original, a animação Up levou a estatueta. Como eu já havia cantado a bola. Era bastante previsível, na verdade, já que a música do filme é um de seus pontos fortes. Um trabalho genial de Michael Giacchino.

Avatar ganhou outro prêmio técnico mais que previsível: Melhores Efeitos Especiais. Inquestionável a sua superioridade neste quesito.

Na categoria de Melhor Documentário, ganhou o maravilhoso The Cove. Mesmo que o ano tenha tido grandes concorrentes ao lado dele, sem dúvida o filme de Louie Psihoyos merecia. Fiquei muito feliz. Só achei sacanagem, mais uma vez, impedirem o diretor de fazer o seu discurso. Ele merecia, especialmente para falar sobre a questão que o filme trata.

The Hurt Locker leva mais um: o Oscar de Melhor Edição. Era um prêmio esperado para o filme. Justamente porque a edição é um dos destaques da produção, assim como a direção de Kathryn Bigelow e a edição de som.

A maior surpresa do Oscar até o momento: El Secreto de Sus Ojos ganhou a estatueta de Melhor Filme Estrangeiro. Juan José Campanella se saiu bem falando inglês, ainda que ele estava visualmente surpreso por ter vencido o favorito Das Weisse Band – e o melhor para mim em competição, Un Prophète. E a Argentina consegue o Oscar que o Brasil até hoje não conseguiu abocanhar (detalhe que este não foi o primeiro Oscar que um filme argentino conseguiu). Respeito muito o Campanella e gosto de El Secreto, mas não acho o melhor filme estrangeiro do ano. Entre os latinos, preferia La Teta Asustada.

Repetindo a fórmula do Oscar passado, a apresentação dos intérpretes da categoria Melhor Ator foi feita por atores e atrizes com os quais eles já haviam contracenado anteriormente. Jeff Bridges recebeu comentários maravilhosos de Michelle Pfeiffer. Vera Farmiga fez comentários elogiosos para George Clooney, ressaltando a sua generosidade, entre outros predicados. Julianne Moore foi elegante ao falar da coragem e da integridade do ator Colin Firth, com quem dividiu a cena em A Single Man. Tim Robbins fez o comentário mais hilário da noite ao comentar sua parceria com Morgan Freeman em The Shawshank Redemption. Finalizando as homenagens bacanas, Colin Farrell falou sobre o trabalho de Jeremy Renner, ressaltando a sua evolução como intérprete.

Muito bacana as apresentações. Depois delas, o Oscar de Melhor Ator foi para Jeff Bridges, em uma entrega esperadíssima e muito merecida. Super figuraça, ele agradeceu demais aos pais, ressaltando como eles adoravam a indústria do cinema (os dois eram atores). Foi emocionante quando ele disse que se sentia como uma extensão deles, afirmando que eles estavam sendo tão homenageados quanto ele com o prêmio. Bridges ainda agradeceu ao diretor de Crazy Heart, ao elenco e a todos os demais envolvidos.

Na premiação de Melhor Atriz, novamente atores que contracenaram com as candidatas falaram das indicadas do ano. Forest Whitaker fez comentários de Sandra Bullock; Michael Sheen falou de Helen Mirren; Peter Saarsgaard disse que o cinema terá que se habituar com o talento de Carey Mulligan; Oprah Winfrey tirou lágrimas dos olhos da estreante Gabourey Sidibe; e Stanley Tucci comentou o talento, a bondade, a generosidade e o senso de humor de Meryl Streep. Os melhores comentários foram os dois últimos, pela emoção e o humor.

E para a desgraça da noite até então, ganhou Sandra Bullock. Impossível achar que ela é melhor que as outras quatro. Meryl Streep e Helen Mirren eternamente são melhores que as demais. Carey Mulligan e Gabourey Sidibe fizeram grandes trabalhos. Mas pelo menos a Sandra Bullock foi simpática e generosa e falou com humor da sua premiação, destacando cada uma das outras atrizes. Também se emocionou ao falar da própria mãe e ao comentar que todas as pessoas, independente das diferenças que elas podem ter, devem ter a oportunidade de se desenvolveram plenamente. Sandra Bullock, desde já, faz companhia a Gwyneth Paltrow na lista de atrizes vencedoras do Oscar que não mereciam ter ganho a estatueta – e olha que na comparação ainda prefiro Paltrow em Shakespeare in Love que a Bullock em The Blind Side.

Em seguida, para apagar a injustiça anterior, Kathryn Bigelow ganhou como Melhor Diretora. A primeira mulher a vencer na história da premiação. Agora sim, quase posso dormir feliz. Grande vitória, com todos os méritos. Seu trabalho de direção é magnífico. Uma visão da história impecável, filmando em condições bastante difíceis e com precisão. Ela fez uma declaração bacana, mas pouco inventiva. Homenageou as pessoas que fizeram o filme com ela, o roteirista que arriscou a sua vida para contar esta história (ele foi correspondente de guerra) e os militares, homens e mulheres, que arriscam suas vidas em todo o mundo.

Fechando a noite, The Hurt Locker ganhou o Oscar de Melhor Filme. Definitivamente a vitória da qualidade sobre os altos orçamentos. Como o Oscar do ano passado, a Academia mostrou a coragem de premiar uma produção inventiva, que trouxe um novo olhar para um assunto batido como era o da Guerra do Iraque. The Hurt Locker não investe em novas tecnologias, como Avatar, mas faz o cinema avançar em outros sentidos, como o de reafirmar que filmes de altíssima qualidade podem ser produzidos com orçamentos diminutos. Excelente direção, roteiro, atores e com qualidade técnica ajustada. Merecidíssimo.

Com isso, fecho esse texto com comentários simultâneos à entrega do Oscar. Como em 2009, foi um ano em que a Academia mais acertou do que errou. Bacana ver a consagração de The Hurt Locker, assim como foi surpreendente que Precious tenha se dado tão bem. Gostei que The Cove e Logorama tenham ganhado em suas respectivas categorias. Votos corajosos da Academia. Gostei também dos prêmios para Crazy Heart. A vitória de Kathryn Bigelow foi um dos grandes acertos deste ano.

Mas fiquei triste por Inglourious Basterds não ter recebido quase nada – exceto pelo justíssimo prêmio de Melhor Ator Coadjuvante – e por Das Weisse Band e Un Prophète terem sido derrotados. Isso por um lado. Por outro, fico feliz que o cinema latino tenha ganho uma estatueta depois de muito tempo. Sobre a Sandra Bullock não vou mais comentar. ;) No geral, uma noite bacana. E agora, tiro férias do Oscar e volto com o hábito de ver filmes diversos, incluindo os premiados por outros lugares do mundo. Vamos que vamos, porque há muito cinema de grande qualidade (como o de The Hurt Locker) nos esperando. Inté!

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  1. Eduardo Louzada
    8 de março de 2010 às 6:20

    Não sei se foi no Globo de Ouro ou na premiação do sindicato de atores, mas o locutor falava que a Sandra Bullock poderia ganhar, pois é muito admirada etc etc… De qualquer forma, não posso dar o palpite, pois não vi filme algum da indicação das atrizes. Porém, posso dizer que a própria Sandra parecia não acreditar (no sentido de não ser merecedora mesmo).

    Fiquei meio decepcionado por Avatar não ganhar mais prêmios e com o curto e surpreendente discurso do Tom Hanks na entrega do prêmio final. Mas, acho bacana um filme de orçamento mais humilde ganhar, sem dúvida! Porém, não gosto do tom que utilizam nas premiações… “A primeira diretora (mulher)”, “o primeiro diretor negro” etc. Acho que isso é lobby e não aprecio essa ênfase. Afinal, mesmo esses fatores sendo relevantes, ao serem colocados em pauta, só colaboram para uma maior desigualdade.

    De qualquer forma valeu. Dá para dormir, como a Ale mesma citou. rs

    Abcs,
    Louzada

  2. Eduardo Louzada
    8 de março de 2010 às 6:34

    Ah… Só para explicar como um discurso enfatizando os primeiros diretores da história serem mulher ou um homem negro, devo citar que os rumos do poder mudam de tempos em tempos.

    Se a raça negra for futuramente a dominante e, durante seu crescimento seu poder crescer juntamente com as amarguras, fará com que o lado mais fraco, seja qual for, sinta-se no dever de retomar o poder perdido. Portanto, a longo prazo, essa ênfase gera somente a desigualdade. Isso vale para a diretora vencedora do Oscar deste ano. Afinal, ela não ganhou porque é mulher, mas sim porque é competente no que faz. E isso sim deve ser o foco!

    Ps: Muito se falou da diretora vencendo seu ex-marido e, sinceramente, esse é assunto de tablóides. Que aliás não deveriam existir. Guerra dos sexos, apesar de vender bem, nunca é uma coisa boa. Creio que dia após dia as mulheres se fazem respeitar. E não importará o sexo no futuro, mas as capacidades do indivíduo (vale citar que ainda existe desigualdade, principalmente em países orientais). É claro que para o caso das raças serem iguais ainda existe um longo, longo caminho… Infelizmente.

    Abcs,
    Louzada

  3. Patricia Canarim
    8 de março de 2010 às 11:01

    Parabéns pelo trabalho, pela primeira vez assisto o Oscar e acompanho pelo twitter e ler suas críticas me faz perceber um novo cinema. Adorei ver um filme real ganhando de um virtual, isso sim é cinema!

  4. Janice
    8 de março de 2010 às 16:08

    Parabéns pelo blog que é maravilhoso e também pela cobertura do Oscar

  5. L3on
    8 de março de 2010 às 21:48

    É, a Caesar o que é de Caesar.

    Sim:

    Up para os prêmios que ganhou; Mo’nique, essa despensa comentários; Christoph Waltz, das is über; Precious, ainda preciso ver esse filme; Jeff Bridges, claro. A contida na onda do Avatar. [essa última, ainda bem, senão tinha desistido de ver os oscars daqui em diante]

    Talvez:

    Serious Man não ganhou nenhum; Das Weisse ainda não vi, mas pelo que me dizem merecia algo.

    Nem no inferno:

    Sandra Bullock, tirou de Meryl Streep e Hellen Mirren? Golden Globes deja vù? Ou estupidez de quem achou que ela devia ganhar? Adorei a sua colocação, descreve muito bem a situação.

    Nada más,

    Leon

  6. Eduardo Louzada
    12 de março de 2010 às 5:46

    Sinceramente, vi The Hurt Locker ontem e, apesar de tecnicamente ser muito bem feito, de que as gravações foram complexas, não vi muito mérito em ser um filme nomeado como “melhor do ano”. Existem vários filmes de guerra melhres. Platoon, Soldado Ryan, Os 12 condenados (e nem citei o melhor)… Sinceramente esperava mais…

    Creio que que o Cameron deveria ter ganho pela dificuldade em se dirigir um filme complexo como Avatar. Utilizar os recursos 3d como aquele filme utiliza exige muita preparação e experiência de um diretor. Mas, creio que foi politicamente correto a Bigelow vencer. Afinal, ela realmente fez um bom trabalho (apesar que ainda acho não ser merecedor de um Oscar) e o Cameron já ganhou antes nesta categoria.

    No final das contas, creio que 2009 precisava de filmes melhores mesmo…

    Abcs,
    Louzada

  7. 16 de março de 2010 às 14:58

    Olá Eduardo!!

    Sim, desde o Globo de Ouro boa parte da crítica afirmava que a Sandra Bullock poderia ganhar este ano. Não foi exatamente uma surpresa a sua premiação – e sim, uma decepção. Mas previsível, viu? Muitas vezes o Oscar escolhe uma pessoa para ganhar o prêmio e acabou-se! Independente de suas qualidades como intérprete ou daquela ter sido realmente a melhor interpretação do ano.

    Achei que a Sandra Bullock estava muito segura de si. Não me pareceu surpresa não… apenas citou todas as outras atrizes porque ela é, isso devo admitir, simpática. Além do fato que é sempre bom fazer uma média e parecer “humilde”.

    Bem, diferente de ti, gostei muito de que Avatar não ganhou mais prêmios. Realmente não acho o filme mais merecedor do que os premiados nas diferentes categorias. Mas, claro está, isto é uma questão de gosto e de percepção, e eu respeito as tuas. ;)

    Tom Hanks foi muito breve porque o Oscar já tinha estourado o tempo na televisão. Pura necessidade mesmo o seu vapt-vupt.

    Também não acho que citar que foi “a primeira diretora mulher” ou o “primeiro ator negro” seja questão de lobby. É uma constatação. E para a imprensa, um diferencial como este sempre rende manchetes e títulos de abertura de página. Não vejo maldade em citar estes fatos, e nem acho que a Kathryn Bigelow ganhou por ser mulher – porque se fosse por isso, outras diretoras teriam ganhado antes, como Jane Campion (que merecia no ano de The Piano, ainda que competir com Spielberg sempre é complicado).

    Não gostei também da insistência em dizer que Bigelow e Cameron estavam “disputando” a estatueta como se fosse algo passional. Bobagem. Até certo ponto, afirmar que eles foram casados, é apenas mais um dado. O problema é quando isso passa a ser o ponto mais importante – aí sim concordo que foi um erro.

    Quanto à questão de negros e mulheres requererem uma igualdade maior e esta “luta” causar ainda mais desigualdades, a questão rende bons debates. O fato é que por mais antiga que seja a tentativa de buscar igualdade real entre as pessoas, as diferenças de tratamento, salarial, entre outras continuam existindo. E isso é deplorável. Infelizmente muita gente ainda se acha superior aos demais, e isso acaba provocando esta realidade deturpada e absurda. Inicialmente sou favorável a qualquer movimento que tente diminuir um pouco as desigualdades ainda gritantes – mas desde que esses movimentos levem em conta a competência e a vontade, mais que o sexo, a raça ou a cor da pele.

    Uau, ainda tem um terceiro comentário teu. hehehehehe. Bem, nem preciso dizer que, mais uma vez, discordo totalmente de você. Achei The Hurt Locker simplesmente brilhante. Muito superior a grande parte dos filmes de guerra – especialmente os recentes. Para mim, como comentei na crítica do filme, ele está do lado de clássicos insuperáveis como Apocalypse Now, Full Metal Jacket e Platoon. Nunca achei Saving Private Ryan tão bom quanto os anteriores.

    Como disse recentemente para o meu pai, acho que a maioria das pessoas não entendeu realmente o filme. Não perceberam tudo o que ele quer dizer e nem a forma com que ele é crítico e ao mesmo tempo autocrítico. Também acho que existe uma diferença brutal entre rodar um grande filme em um calor escaldante, tendo que se proteger de todas as formas da insolação, e filmar dentro de um estúdio, com ar-condicionado e fazendo o “grosso” da produção com a utilização de computadores. Essa foi a diferença do trabalho prático entre Cameron e Bigelow. Francamente, acho muito mais difícil e cheio de sacrifícios o trabalho dela – por estes e outros motivos – do que o dele. Sem comparação.

    Por tudo isso, fiquei MUITO feliz com a premiação da diretora e do filme The Hurt Locker. Merecidíssimo. E não, não achei que foi uma questão de “politicamente correto”. No mais, achei que tivemos uma safra muito boa de filmes – melhor do que em outros anos do Oscar.

    Abraços, Eduardo, e volte sempre!

  8. 16 de março de 2010 às 15:10

    Olá Patricia!!

    Antes de mais nada, seja bem-vinda por aqui.

    Bacana esta interação que a internet nos propicia, hein? Gostei muito também de, este ano, conseguir atualizar o blog constantemente, conforme as categorias do Oscar iam sendo anunciadas e, além disso, volta e meia lançar algum comentário pelo Twitter. Foi divertido. ;)

    Como você, também adorei um filme real ganhar de um que é, basicamente, virtual (eu diria até superficial). Não tenho dúvidas sobre a superioridade de The Hurt Locker em relação à Avatar – em todos os sentidos. Ainda assim, entendo o fascínio de muitas pessoas pelo filme do Cameron – até porque The Hurt Locker não é uma produção nada óbvia. O que vejo mais frequentemente é uma leitura rasa que os espectadores estão fazendo do filme. Uma pena!

    Por outro lado, fico feliz que os críticos e os votantes da Academia souberam perceber essa obra-prima. Pelo menos ela entrou para a história do cinema – mesmo que o público só vá perceber a sua dimensão daqui a alguns anos.

    Obrigada por tua visita e por teu comentário. Espero que apareças por aqui mais vezes.

    Abraços!

  9. 16 de março de 2010 às 15:12

    Oi Janice!!

    Eeeeehhhhhhh. Minha amiga, você me visitou aqui no blog. Que legal!! Fiquei feliz.

    Que bom que você gostou da cobertura do Oscar. E que gostas do blog… agora, só falta apareceres mais vezes.

    Beijos grandes, fofolete!!

  10. 16 de março de 2010 às 15:21

    Oi l3on!!

    hahahahahaha. Teus comentários sempre ótimos, cheios de ironia e humor. Adoro!!

    Olha, antigamente eu era como você… ficava indignada quando algum filme era injustiçado no Oscar ou quando um filme “menor” (em qualidade) ganhava de um filme “maior”. Mas nos últimos anos estou mais relaxada a respeito das premiações – inclusive do Oscar. Ainda assim, admito que fico na torcida por alguns atores, diretores e filmes e que, quando os que estou torcendo ganham, eu comemoro. ;)

    Digo isso porque eu não chegaria ao ponto de deixar de assistir ao Oscar caso Avatar ganhasse. Mas claro, acharia um bocado injusto. Concordo contigo nos acertos da noite. Também acho que A Serious Man merecia ter levado algo – ainda que, cá entre nós, o ano estava complicado para o filme. Querendo ou não, foi um Oscar disputado. Também não achei justo o filme argentino ganhar de Das Weisse ou de Un Prophète. Foi um dos “erros” da noite, para mim.

    Sandra Bullock… o que dizer? Totalmente absurdo ela ter ganho das outras atrizes. Mas… alguma injustiça o Oscar sempre tem que ter para causar polêmica e/ou descontentamento. Faz parte do show – estou acostumada já. hehehehehe

    Nós geralmente concordamos… mas chegará o dia em que vamos discordar, viu? hehehehehe

    Abrazos y besos para tí!

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