White House Down – O Ataque


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O que esperar de um filme dirigido por Roland Emmerich e que tenha a Casa Branca como elemento fundamental? Muita ação, efeitos especiais e uma boa dose de patriotismo, correto? Sim, é isso mesmo que você vai encontrar em White House Down, último filme de ação de Emmerich. Esta produção não foi planejada para criar reflexões ou levantar questões existenciais. Ainda assim, ela apresenta alguns elementos interessantes além da ação pura e simples.

A HISTÓRIA: Emily (Joey King) coloca o celular para despertar pouco depois das 6h30min. Ela quer ouvir as últimas notícias, e fica sabendo sobre o retorno do presidente dos Estados Unidos, Sawyer (Jamie Foxx), após ele propor um acordo de paz envolvendo os países do Oriente Médio. A proposta, dizem as notícias, foi criticada no encontro do G-8, que reúne os países mais ricos e industrializados do mundo. Ao levantar as persianas do quarto, a garota vê helicópteros voando baixo na capital do país, Washington.

Em um deles está o presidente, que pede para que seja feito um pequeno desvio da rota. Com ele, os helicópteros passam pelo Lincoln Memorial, e ele fala de sua admiração por Lincoln para Finnerty (Maggie Gyllenhaal), uma das assessoras diretas de Sawyer. O presidente chega com segurança na Casa Branca. Em seguida, Cale (Channing Tatum) aparece brigando com um esquilo, enquanto aguarda por Raphaelson (Richard Jenkins), que avisa que eles terão uma manhã muito agitada. De fato, os EUA e o mundo ficarão surpresos com aquele dia, que terá um ataque bem orquestrado contra o presidente e a Casa Branca.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a White House Down): Uma premissa básica de qualquer filme de ação é explicar a “problemática” da história e os principais nomes da trama logo de cara. Então marque um X neste quadrinho com White House Down.

O filme com roteiro de James Vanderbilt vai direto ao assunto. Primeiro, apresentando o pequeno drama familiar do protagonista, que vive uma “crise” de representatividade como pai com a filha. Ao mesmo tempo, sabemos do momento de tensão que cerca o presidente dos Estados Unidos, envolvido em mais uma ação pacificadora que encontra crítica em várias partes. E, finalmente, somos apresentados aos atores principais da trama nos primeiros minutos da produção.

Tarefa básica de um roteiro de ação feita, mergulhamos em um estilo de texto que tem sido cada vez mais frequente em filmes do gênero – especialmente os que levam a assinatura de Roland Emmerich: doses de humor salpicadas aqui e ali entre uma correria e outra, uma cena de pancadaria e outra de explosões.

A lógica deste método é simples. Provocar riso, nem que seja de canto de boca, fazendo com que o público relaxe antes da próxima cena de ação que provoque tensão. Quanto mais altos e baixos em sensações no público o filme provoque, mas em um constante “crescente” da ação, melhor. White House Down segue à risca o manual de filmes de ação e consegue conduzir a história no tom certo até o final.

Alguém pode argumentar que este é um filme ufanista demais. Mas convenhamos, amigos e amigas, uma produção que tem a Casa Branca como elemento fundamental poderia ser diferente? Não, acho que não. E cá entre nós, acho o patriotismo – e/ou ufanismo – dos estadunidenses muito positivo. Nós também deveríamos gostar da nossa história e da nossa bandeira com maior intensidade – e não apenas lembrar do verde e amarelo quando torcemos por alguma Seleção do país.

Claro que há críticas a serem feitas para o nosso país, como há críticas nos EUA – e que as pessoas de lá seguem fazendo, apesar do cinema mostrar sempre um povo orgulhoso de seus símbolos nacionais. Agora, sempre vou concordar com a crítica de que os norte-americanos deveriam olhar para além dos seus próprios umbigos, se interessando mais pela história dos outros países do mundo. Mas cá entre nós, o quanto os brasileiros sabem ou se interessam pelos demais países da América do Sul, por exemplo? Então sim, muita vezes olhamos demais para o nosso próprio umbigo também.

Mas deixando para lá a questão “filosófica ufanista” do filme, vamos falar do enredo que ele nos apresenta. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). O herói desta produção é um sujeito que não consegue a vaga que desejava, como segurança do presidente dos EUA, mas que acaba salvando a pátria. Claro que ele não faz isso por pura sorte. Cale tem experiência militar, tendo passado três temporadas em missões no Afeganistão e recebido uma medalha por uma ação heroica. Logo percebemos que os vilões da história também são bem preparados, tendo passado pelo Exército, Marinha ou por serviços secretos do país.

Aliás, a escolha do roteirista por mostrar que o risco é interno me pareceu muito interessante. Por duas razões, basicamente. Neste tempo de WikiLeaks e Edward Snowden, com suas respectivas críticas aos métodos de vigilância e espionagem dos EUA, seria ruim Hollywood lançar um filme em que os vilões viessem do Oriente Médio, da Rússia ou de outra parte do mundo preparada para afrontar o poderio do país norte-americano. Além do mais, após os ataques de 11 de Setembro de 2001, ficou cada vez mais difícil um alvo importante dos Estados Unidos ser atacado por alguma iniciativa externa.

Assim sendo, a maior ameaça parece mesmo ser interna. White House Down, desta forma, toca em um tema importante para qualquer país: como lidar com as insatisfações internas de maneira satisfatória? Qualquer governo é composto por pessoas com múltiplos interesses. Este filme deixa algumas motivações, muito palpáveis, bastante claras. (SPOILER – não leia… bem, você já sabe). James Woods interpreta a Walker, chefe de segurança do presidente que está começando a sua última semana de trabalho e que discorda dos métodos de Sawyer; e Richard Jenkins interpreta a Raphelson, que planeja o golpe contra o governo para defender os interesses de seus amigos da indústria armamentista. No caso de Walker, ainda devemos somar a mágoa dele pela morte do filho militar.

O fato é que não são poucos os integrantes de diferentes esferas do governo norte-americano que acreditam que a única solução para conflitos importantes no mundo passam, necessariamente, pela guerra. Isso especialmente no caso do Oriente Médio. White House Down toca neste assunto, o que eu achei uma cereja no bolo – afinal, seria muito mais fácil e “clássico” se o filme mostrasse que a origem do ataque contra a Casa Branca fosse externo. Mas estamos em uma aparente nova fase no mundo, em que a autocrítica – seja individual, seja coletiva, como de governos – predomina. A ameaça, nestes tempos de “sociedade do risco”, seguindo a teoria de Ulrich Beck, está em todas as partes.

Esta produção trata do risco interno, o que facilita a explicação de como um sistema de segurança tão potente como o que cerca a Casa Branca pode ter falhado de forma tão “simples”. Muitos outros filme já revelaram como uma “ajudinha interna” é fundamental para furar esquemas tidos como infalíveis. Claro que, mesmo assim, White House Down tem muitas sequências pouco críveis, especialmente aquelas que envolvem a “impossível” captura do “herói solitário”. Ele nos lembra o Rambo, em muitos momentos – especialmente quando cai de uma altura considerável e, como um gato, sai correndo em seguida sem levar nenhum tiro. :)

Agora, algo é fato: Vanderbilt pensou em saídas inteligentes dos “terroristas” para cada passo que o lado oposto poderia adotar. Desde as armadilhas nos corredores – mesmo os alternativos – que poderiam garantir a saída para o presidente, até a preparação para enfrentar as tentativas externas para recuperar a Casa Branca. As sequências de ação, de ataque e contra-ataque são incríveis. Mais um belo trabalho do mestre em filmes de grandes proporções (blockbusters) Roland Emmerich.

Um toque bem interessante também a “ambientação” da história nos dias atuais. Afinal, impossível não enxergar Barack Obama em Sawyer. Bacana que, no filme, o presidente não fica na postura da “dama que precisa ser protegida”. Demonstrando preparo para o uso de armas e para táticas de escape, Sawyer também assume a ação, toma iniciativa em diferentes momentos e demonstra ter uma real preocupação pelo país e pelas pessoas. Uma leitura de Obama que muitos acreditam – e outros discordam, como White House Down mesmo sugere. As referências iniciais de admiração do presidente fictício à figura de Abraham Lincoln também remetem à Obama – que sempre reafirma que a figura do ex-presidente que defendeu o voto das mulheres, e tantas outras leis que continuam atuais hoje, lhe inspira.

Gostei também de outro toque do roteiro: a influência que as novas gerações, superconectadas, podem ter em fatos decisivos. A esperta Emily, filha de Cale, tem a coragem desta moçada jovem e, desta forma, consegue uma resposta interessante do presidente dos EUA antes da Casa Branca ser atacada. Ela vai demonstrar essa coragem em muitos outros momentos do filme. Dona de um blog, algo muito bacana que a internet nos propiciou desde o final dos anos 1990, Emily é rápida no registro da ameaça com o smartphone que levava consigo e garante, assim, imagens importantes para a imprensa e para a inteligência do governo norte-americano. É a força das novas tecnologias e da apropriação que as pessoas estão dando para elas mostrando força em obras ficcionais e na vida real também.

NOTA: 9.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Algo que despertou a minha curiosidade durante boa parte do filme foi saber onde Emmerich teria rodado White House Down. Porque é evidente que não foi dentro da Casa Branca. :) Buscando informações a esse respeito, descobri que esta produção foi filmada nos estúdios da Mel na cidade de Montreal, no Canadá. Vários sets foram construídos no local, incluindo uma réplica do interior da Casa Branca. A maioria das cenas externas da produção, claro, foram rodadas em Washington.

Em um filme como este, um elemento técnico é um artigo vital: a trilha sonora. Harald Kloser e Thomas Wanker fazem um excelente trabalho e apresentam uma trilha envolvente e, nos momentos certos, bastante emotiva. Além deles, vale destacar o trabalho da diretora de fotografia Anna Foerster, a edição de Adam Wolfe e, claro, o trabalho das equipes dos departamentos de Arte, de Som, dos Efeitos Especiais, e dos Efeitos Visuais. Aliás, não vou me surpreender se esta produção for indicada em algumas destas categorias técnicas, especialmente as últimas, no próximo Oscar.

Channing Tatum reforça, com o trabalho nesta produção, como está em uma ótima fase. Com White House Down ele demonstra como pode ser um nome forte nos filmes de ação – além de estrelar dramas e filmes em que precisa demonstrar todo o seu talento rebolando (como Magic Mike, comentado aqui no blog).

White House Down destaca o trabalho de três atores. Além de Tatum, o sempre competente Jamie Foxx e a revelação Joey King. Além deles, há nomes fortes que aparecem em papéis um pouco menores. Merecem destaque os veteranos James Woods como Walker, e Richard Jenkins como Raphelson; além dos sempre pontuais Maggie Gyllenhaal como Finnerty, que faz parte da guarda pessoal do presidente e discípula de Walker; Jason Clarke como Stenz, líder do grupo que invade a Casa Branca; Kevin Rankin como Killick, o bandido que vigia os reféns; Jimmi Simpson como Tyler, o “hacker” da produção; Michael Murphy como o vice-presidente Hammond; Rachelle Lefevre como Melanie, mãe de Emily; Lance Reddick como o general Caulfield; e Nicolas Wright como o guia Donnie. Peter Jacobson, conhecido pela série House M.D., aparece em uma ponta como Wallace, que faz parte da comitiva do vice-presidente.

Este filme, o décimo-sétimo na filmografia do diretor alemão Emmerich, estreou no dia 26 de junho na Indonésia. No dia seguinte, ele entrou em cartaz nos cinemas de Israel, do Kuwait, Líbano, Nova Zelândia, Cingapura e Coreia do Sul.

Como pede qualquer filme blockbuster, White House Down custou uma fortuna: US$ 150 milhões, aproximadamente. Nos Estados Unidos, onde está em cartaz desde o dia 30 de junho, o filme conquistou pouco mais de US$ 72,8 milhões nas bilheterias, segundo o site Box Office Mojo. Nos outros mercados, mundo afora, ele acumulou cerca de US$ 65,8 milhões. No total, até agora, US$ 138,6 milhões. Como falta estrear em vários mercados ainda, certamente o filme vai conseguir se pagar e conseguir algum lucro.

Até o momento, White House Down ganhou um prêmio e foi indicado a outros três no Teen Choice Awards. O prêmio que ele levou para casa foi o de Estrela do Verão Masculina para Channing Tatum. O que comprova que o ator é uma das referências para a garotada.

Os usuários do site IMDb deram a nota 6,4 para esta produção. Esta é uma boa avaliação, levando em conta os padrões da página. Mas os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes foram mais duros com a produção, dedicando 77 críticas negativas e 69 positivas para White House Down, o que lhe dá uma aprovação de 47% e uma nota média de 5,4.

Eu gostei do filme, é fato. Especialmente porque ele entrega o que esperamos dele. Mas ele tem alguns “probleminhas” que não permitiram que eu desse a nota máxima para White House Down. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Primeiro, me incomodou um pouco o tempo que os bandidos demoram para encontrar Cale e o presidente e, principalmente, para ligar Cale à Emily. Depois, acho que o filme poderia ser um pouco mais curto. Não faria falta cortar algumas cenas de tiroteio e explosões para tornar a história mais enxuta e dinâmica. Ainda assim, algo que me surpreendeu neste filme é de como algumas cenas, mesmo esperadas, causam impacto. O que mostra a eficiência do diretor e do roteirista, principalmente.

Com este filme, sigo a publicação de críticas dos países mais votados nas últimas “enquetes” aqui do blog. Na primeira, vocês, meus bons leitores, escolheram o Brasil para ser alvo de uma série de críticas. Publiquei algumas delas aqui no blog, e vou seguir buscando filmes nacionais sempre que possível. Depois, vocês votaram nos Estados Unidos para ser alvo de mais uma série de críticas. Pois bem, este é mais um filme desta série. Quando sair o resultado da enquete atual, envolvendo uma parte da Europa, vou focar algumas críticas nas três opções selecionadas até o momento. Assim, tento ampliar a influência de vocês aqui no site. Sigam contribuindo, please!

Chegou antes aos cinemas Olympus Has Fallen, dirigido por Antoine Fuqua e com Morgan Freeman, Gerard Butler e Aaron Eckhart no elenco. Fiquei curiosa para saber se o filme é bom… alguém assistiu? Conseguem comparar com White House Down? Qual é melhor?

CONCLUSÃO: Me surpreende quando alguém detona um filme como este por ele seguir a cartilha dos filmes do gênero. O que esperar de uma história que tem o ataque à Casa Branca e ao presidente dos Estados Unidos como questão central? Claro que haverá muito tiroteio, traidores, drama familiar, patriotismo e um herói que faz a gente lembrar o Rambo. Isso tudo faz parte de White House Down, uma produção com muitos efeitos especiais e a sorte de ótimos atores em ação.

Este filme entrega tudo que promete, e ainda guarda um par de cenas que realmente provocam impacto no espectador. Dava para esperar algo diferente? Tratando-se de Roland Emmerich, não. E quer saber? Isso não é um problema. Acho importante o filme satisfazer as expectativas do público que acompanha a história crescer em tensão até o minuto final. Além disso, White House Down trata da divisão de interesses na Casa Branca, e do perigo que isso pode significar para o mundo. No final, o filme parece sugerir que os Estados Unidos tem mais poder do que qualquer país deveria ter. Afinal, os governos são feitos de pessoas, que são falhas e suscetíveis a desejos de vingança e convicções destrutivas. Apenas por deixar esta questão no ar e por entregar o que promete, White House Down merece o meu respeito.

  1. 12 de setembro de 2013 às 16:41

    Assisti esse e o Olympus has fallen e acho eles praticamente iguais: divertidos e absurdos, bebendo da fonte do Duro de matar original. Eu gostei de ambos e os acho equivalentes em todos os aspectos.

  1. 5 de setembro de 2013 às 6:23

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