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Jagten – The Hunt – A Caça

17 de agosto de 2013 13 comentários

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Alguns diretores dificilmente decepcionam. Eles normalmente apresentam um trabalho interessante. Thomas Vinterberg é um destes casos. Jagten tinha passado por mim sem merecer a devida atenção. Isso porque eu não tinha percebido o nome que está à frente da produção. Ao perceber que era um trabalho de Vinterberg, observar que o protagonista era o ator da série Hannibal e receber uma indicação contundente de um colega jornalista, não tive dúvidas que eu deveria abrir uma exceção e assistir ao filme mesmo “atrasada”. Ainda bem que fiz isso. Esta produção é simplesmente imperdível.

A HISTÓRIA: Um grupo de amigos aposta quem vai mergulhar primeiro em um lago no inverno. Crianças passam de bicicleta, e outras pessoas da comunidade se aproximam para ver a cena de marmanjos se desafiando na brincadeira. É novembro, e é preciso muita coragem para tirar os casacos, quanto mais para mergulhar nu na água gelada. O primeiro a pular começa a ter cãibras, e Lucas (Mads Mikkelsen) entra com roupa e tudo para ajudá-lo. Ele faz parte do grupo de amigos que sempre se reúne para caçar, beber e falar besteiras, e trabalha como professor em um jardim de infância. Amigo próximo do casal Theo (Thomas Bo Larsen) e Agnes (Anne Louise Hassing), Lucas vai enfrentar uma perseguição grave quando a filha deles, Klara (Annika Wedderkopp) se irrita com ele.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes da produção, por isso só recomendo que continue a ler quem já assistiu a Jagten): Sempre gostei muito do estilo de direção e dos textos de Vinterberg. Seus filmes mergulham no cotidiano dos personagens e, ao chegar tão perto deles, especialmente de grupos – sejam eles de amigos ou famílias -, revela toda a gama de sentimentos possível e as ações provocadas por eles. É um estilo de cinema psicológico.

Jagten não foge desta filmografia. Ainda que a família, mais uma vez, seja um elemento importante na produção, aqui os grupos sociais ganham protagonismo. E foca em um tema que é muito delicado – e conhecido bem pela sociedade brasileira desde o caso da Escola Base: o risco das denúncias sobre abusos contra crianças.

(SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). O ótimo roteiro de Vinterberg e Tobias Lindholm nos transportam para um caso clássico de denúncia de abuso sexual contra crianças. Klara fica muito próxima de Lucas e, irritada com as barreiras que ele coloca em determinado momento, fala “besteiras” para a coordenadora do jardim de infância, Grethe (Susse Wold). A lógica da mulher é compreensível: como uma criança como Klara pode inventar que Lucas tem um “pau levantado”?

A afirmação é chocante, de fato. Mas o que vem depois é ainda mais aterrador. Afinal, a própria Klara tenta falar, em mais de uma ocasião, que tudo aquilo é uma grande bobagem. Que Lucas não fez nada. Mas os adultos, especialmente os pais da menina, tão preocupados em que a criança estaria voltando atrás por medo de represálias, não querem saber de ter dúvidas. E esse é o problema central deste caso e de tantos outros. Quando as pessoas abrem mão da dúvida.

O alerta principal desta produção está no perigo do julgamento, tão alimentado pela crueldade dos dias atuais, feito muitas vezes às pressas por um coletivo qualquer. Algumas vezes este julgamento é feito por comunidades no interior, como a mostrada pelo filme. Outras vezes, por grupos na internet ou em outros espaços que permitem a manifestação coletiva. As pessoas tem pressa, e isso para mim está ficando cada vez mais claro nos diferentes ambientes sociais, em classificar, rotular, julgar.

Jagten, este filme brilhante, mostra o perigo do que isto pode representar. Rapidamente Grethe assume a premissa de que Klara foi abusada por Lucas. E incentiva os pais que tem filhos no jardim de infância a tentarem tirar informações das crianças. A psicologia explica como a sugestão pode ser decisiva no caso de crianças. E é assim que, rapidamente, todos entram na mesma história fantasiosa. Grave também é a postura dos pais de Klara que, mesmo sendo grandes amigos de Lucas, não duvidam em nenhum momento do que está acontecendo.

O roteiro de Vinterberg e Lindholm é brilhante porque vai crescendo com o tempo e cerca todas as variáveis de uma história deste gênero. (SPOILER – não leia… bem, você já sabe). Todas as pessoas duvidam de Lucas, exceto o filho dele, Marcus (Lasse Fogelstrom), personagem decisivo para a virada que acontece na produção. A reação do grupo de habitantes daquela cidade, incluindo a nova namorada do protagonista, Nadja (Alexandra Rapaport) chega a abalar a convicção do espectador.

Afinal, quem garante que assistimos às cenas fundamentais? Lucas teve a oportunidade de abusar de Klara, mas não parece ter a motivação. Mas nunca se sabe… A incerteza dura pouco tempo, mas chega a existir. O que reforça, ainda mais, a qualidade do filme em mostrar uma realidade delicada e que divide opiniões. Mas como ocorreu no clássico exemplo da Escola Base, os efeitos do julgamento precipitado do caso Klara e Lucas são devastadores.

O tema abuso infantil é muito delicado, não há dúvida disso. É preciso cuidar para não traumatizar ainda mais as crianças, fazer justiça e, ao mesmo tempo, apurar a situação bem para impedir novos abusos. Dá para entender a angústia e a indignação dos pais. Mas também é possível se colocar no lugar do acusado. Um filme completo, pois. E aí outro ponto fundamental desta produção: afinal, quem é a caça e quem é o caçador?

A sequência final mostra a insegurança que sempre vai acompanhar o protagonista. Aquele episódio nunca será apagado, apesar de ter sido desmentido. (SPOILER – não leia… bem, você já sabe). O final pode ter múltiplas interpretações (e, antes que alguém me pergunte, acho que nenhuma delas é equivocada): de fato, aquele tiro existiu; ou, ao contrário, ele representa apenas o sentimento de perseguição constante de Lucas. Se o primeiro caso é o verdadeiro, quem teria efetuado o tiro? Dificilmente um dos integrantes do grupo erraria o disparo, correto? Então teria sido o filho de Lucas – o único inexperiente que poderia errar aquele tiro?

Perguntas que não precisam ser respondidas porque, como perguntas, elas já atingem o objetivo proposto por Vinterberg. Todos estes elementos fazem esta nova produção do diretor dinamarquês ser brilhante. Especialmente pelo questionamento do perigoso comportamento de manada e do, para mim cada vez mais frequente, método de julgamento precipitado das pessoas nas mais diferentes situações. Espero que Vinterberg siga com este foco, questionando os desvios sociais e familiares. Os espectadores que gostam de ser desafiados agradecem. :)

NOTA: 10.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Estou fascinada pelo trabalho do ator Mads Mikkelsen. Ele é brilhante. Além de ser um nome fundamental nesta produção, ele é o grande responsável pelo sucesso da série Hannibal. Não há dúvida de que Mikkelsen, ao lado de Annika Wedderkopp, que interpreta a Klara, e o pai dela, interpretado por Thomas Bo Larsen, são os nomes fortes de Jagten.

Falando no título original do filme, fui atrás para saber o que Jagten significa. A palavra, segundo o tradutor do Google, significa “procurar”. Um sentido muito mais amplo que “the hunt” que, este sim, tem paralelo com o título dado em português. Procurar, por sua vez, pode significar sim o gesto de buscar um alvo, uma caça, mas também um culpado.

Algumas cenas de Jagten mexem com o brio do espectador. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Da minha parte, fiquei muito indignada com a reação dos pais de Klara desde o início e, especialmente, com a sequência de Lucas no supermercado. Não apenas pela injustiça que o protagonista sofreu naquela sequência com vários “machões”, mas porque eu conheço muitos homens que seriam capazes de agir daquela forma.

A direção de Vinterberg é toda centrada na atuação dos atores e em suas ações, aproximando o espectador do que está acontecendo e, também, dos sentimentos explorados pela trama. Assim, nos sentimos “envolvidos” com a situação. Ajuda neste envolvimento o ótimo ritmo do texto do diretor com o parceiro Tobias Lindholm. Conhecemos, de forma muito planejada, aquele grupo de amigos, a confiança que eles tem um nos outros e, ao mesmo tempo, a relação superficial desenvolvida naquele meio.

Como na maioria das sociedades desenvolvidas, aquela que assistimos no filme mantém uma certa distância entre as pessoas. Lucas percebe que o casal Theo e Agnes tem problemas, mas ele não se envolve. Esta barreira é quebrada quando todos acreditam que algo errado está acontecendo. Daí que aquela “proximidade” que a pequena comunidade parecia ter cai por terra, já que ninguém, de fato, se conhecia ou convivia – apenas mantinham uma relação superficial.

O roteiro de Jagten acerta em cheio no ritmo e ao apresentar rapidamente para o espectador todos os elementos importantes para a história. Depois de conhecermos a relação entre aquele grupo de amigos que caçam juntos, logo acompanhamos a proximidade de Lucas com Klara e seus pais.

A menina ganha protagonismo na primeira parte do filme, especialmente, com aquela cena do irmão dela, Torsten (Sebastian Bull Sarning) e do amigo não passando desapercebida. Pelo contrário, quando ela acontece, achei a proposta descolada, estranha, até que, na sequência, ela se justifica perfeitamente. Estas agressões cotidianas, muitas vezes, passam assim desapercebidas mas, no final das contas, podem ter um impacto grande para algumas pessoas – especialmente crianças.

Além dos atores já citados, vale destacar o trabalho de Lars Ranthe como Bruun, o único amigo de Lucas, e padrinho de Marcus, que fica ao lado do professor condenado antes da hora; Daniel Engstrup como Johan, o amigo grandão da turma que confronta Lucas em mais de uma ocasião; e Bjarne Henriksen como Ole, chamado por Grethe para falar com Klara e que, no fim das contas, acaba induzindo as respostas da menina. Oyvind Hagen-Traberg é o açougueiro que protagoniza uma das sequências mais fortes da produção, junto com Allan Wibor Christensen, que interpreta ao ajudando do açougueiro, e Nicolai Dahl Hamilton, que atua como um tipo de gerente do supermercado.

Da parte técnica do filme, vale destacar a direção de fotografia precisa de Charlotte Bruus Christensen, que atua bem nas mais diferentes situações, com destaque, em especial, para as cenas noturnas. Muito bom, também, o trabalho dos editores Janus Billeskov Jansen e Anne Osterud.

Antes eu citei o Caso da Escola Base. No próximo ano, em 2014, o caso que envergonha a mídia do país completa 20 anos. Até hoje ele é lembrado como um exemplo a não ser seguido, ainda que, diariamente, meios de comunicação dos mais diferentes portes repitam injustiças como aquela da mesma forma. Só que sem tanta projeção – ou crítica sobre este equívocos, vai saber… Jagten não explora o peso da mídia para que uma injustiça como aquela possa ser difundida. E nem precisa. O equívoco da Escola Base e da história de Jagten tem elementos anteriores, especialmente esta pressa em condenação e julgamento da sociedade – difundida e ampliada pela mídia, no caso brasileiro.

Para quem não lembra muito da história da Escola Base, deixo aqui algumas leituras. Para começar, estes textos – um que fala da condenação dos meios e outro que relembra os equívocos passado algum tempo, em 2005 – e, depois, estes vídeos – este trabalho de estudantes que relembra o episódio; mais esta reportagem 18 anos após o ocorrido e, finalmente, esta entrevista com o jornalista Valmir Salaro que recorda o papel dele e da imprensa.

Jagten teria custado US$ 3,8 milhões e arrecadado, nos Estados Unidos, em quase um mês de exibição nos cinemas, quase US$ 459 mil. Evidente que o filme não está tendo uma grande repercussão na terra do Tio Sam. Na Holanda, a produção conquistou pouco mais de 1,24 milhão de euros. Não há informações, por enquanto, sobre o resultado do filme no acumulado das bilheterias pelo mundo.

Esta produção estreou em maio de 2012 no Festival de Cannes. Depois, a produção passaria por outros 18 festivais, incluindo os de Karlovy Vary, Toronto, Zurich, Londres, São Paulo, entre outros. Nesta trajetória, Jagten recebeu 10 prêmios e foi indicado para outros oito. Entre os que ganhou, destaque para os prêmios de Melhor Ator, Prêmio do Júri Ecumênico e o Prêmio Vulcain para Artista Técnico (para a diretora de fotografia Charlotte Bruus Christensen) no Festival de Cannes de 2012; assim como o prêmio de Melhor Roteiro no European Film Awards; e os prêmios de Melhor Filme pela escolha do público e o Canvas Audience Award entregue para Thomas Vinterberg no Festival Internacional de Cinema de Ghent, na Bélgica.

Jagten foi totalmente rodado na Dinamarca, com a cena da igreja rodada na cidade de Taastrup. Aliás, esta é uma produção 100% dinamarquesa.

Os usuários do site IMDb deram a nota 8,2 para esta produção. Uma avaliação muito, muito boa, para os padrões exigentes do site. O filme também caiu no gosto da crítica. O site Rotten Tomatoes traz 94 avaliações positivas e apenas cinco negativas para a produção, o que lhe garante uma aprovação de 95% e uma nota média de 7,9 – também muito acima da média do site. Devo dizer que concordo com a maioria, desta vez. :)

Esta nova produção de Vinterberg entrou e saiu do meu radar. Queria assistir ao filme, mas perdi o tempo de fazer isso e ele caiu na minha gigante lista de “filmes que passaram”. Até que o meu colega Jacson Almeida, com quem eu tive o prazer de trabalhar nos meus últimos dias no Diário Catarinense, me provocou a assisti-lo. Jacson, caso você passar por aqui e ler este texto, quero publicamente agradecer pela provocação. Como podes ver, adorei o filme. :)

Thomas Vinterberg é um destes diretores que vale conhecer a filmografia. Além do clássico Festen, que abalou o cinema mundial com a filosofia do Dogma95 em 1998, destaco Dear Wendy, de 2004. Infelizmente não publiquei a crítica de nenhum dos dois porque comecei este blog depois. Por outro lado, aqui você pode ler a crítica de Submarino, outro trabalho do diretor que vale ser visto.

ADENDO (incluído no dia 7/10): Hoje saiu a lista dos 76 países que estão habilitados a concorrer a uma das vagas na categoria Melhor Filme Estrangeiro no Oscar 2014. Fiquei muito feliz ao ver que Jagten está lá, na lista, representando a Dinamarca. Achei muito merecido. E espero que o filme consiga avançar e chegar até a lista dos cinco indicados.

CONCLUSÃO: Há tempos eu queria assistir a um filme que realmente prendesse a minha atenção do primeiro até o último minuto. Não encontrava nada do gênero até pegar este Jagten pela frente. Há uma grande diferença entre uma produção que você assiste, admira, saboreia, mas que não te prende a atenção e mexe com você e uma que faça tudo isso. Muito bom reencontrar Vinterberg, um dos grandes nomes do novo cinema europeu, em sua melhor fase.

Jagten trata de um tema delicado e de forma angustiante. Não apenas porque envolve crianças, mas especialmente porque trata desta crueldade de grupos sociais que pode destruir um indivíduo ou uma família com precisão e de forma muito “natural”. Aliás, o cinema de Vinterberg amadureceu no uso da filosofia do Dogma95 e, assim, acompanhamos de perto e da forma mais “realista” possível a história de uma comunidade, suas relações e a personalidade dos protagonistas.

Um verdadeiro deleite artístico e que mexe com os nossos conceitos. Com um roteiro primoroso e interpretações precisas e envolventes, especialmente dos protagonistas, Jagten nos provoca enquanto dura a produção e, depois, faz refletir sobre os nossos próprios julgamentos e reações quando estamos envolvidos em grupos. Perfeito, do início ao fim e depois.

PALPITE PARA O OSCAR 2014: Não sei se Jagten terá fôlego para ganhar o Oscar, até porque é uma produção forte, que toca em um assunto complicado. Mas não tenho dúvidas que ele merece chegar até perto da estatueta dourada, pelo menos, até para que possa ser visto por mais pessoas. Afinal, o Oscar dá muita visibilidade para qualquer produção que chega a ser selecionada. Logo mais veremos… Ainda preciso assistir aos outros concorrentes ao Oscar 2014, mas inicialmente eu estou torcendo por Jagten.

ATUALIZAÇÃO (21/12/2013): A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood divulgou ontem, dia 20 de dezembro, a lista de filmes que avançaram na disputa da categoria de Melhor Filme em Língua Estrangeira. Jagten é um dos filmes que avançou na tentativa de uma indicação ao prêmio. As outras produções que constam na lista são as seguintes: The Broken Circle Breakdown (Bélgica), An Episode in the Life of an Iron Picker (Bósnia e Herzegovina), The Missing Picture (Camboja), Two Lives (Alemanha), The Grandmaster (Hong Kong), The Notebook (Hungria), La Grande Bellezza ou The Great Beauty (Itália) e Omar (Palestina).

Kon-Tiki – Expedição Kon Tiki

12 de agosto de 2013 1 comentário

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O mundo é feito por pessoas obstinadas. De quem tem foco, ajusta o campo da visão e segue em frente. O filme norueguês Kon-Tiki conta a história de um homem obstinado, o explorador Thor Heyerdahl e a primeira grande aventura coordenada por ele. Um filme interessante pelas belas imagens, pelo roteiro e pelo trabalho dos atores, que trilham um caminho original e que foge do tom épico clássico dos filmes de Hollywood.

A HISTÓRIA: Céu azul e um cenário terrestre repleto de neve em Larvik, cidade da Noruega, em 1920. Aos poucos, uma fila de pessoas vai se aproximando da câmera. À frente do grupo, o jovem Thor Heyerdahl (Kasper Ameberg Johnsen quando ele tinha seis anos de idade, Pal Sverre Hagenquando adulto) que, obstinado por resgatar uma serra, se aventura sobre dois blocos de gelo. O grupo de crianças que lhe acompanha pede para que ele não se aventure, mas ele não escuta a ninguém. Depois de cair na água, ele é resgatado por Erik Hesselberg (Edward Kling quando ele tinha sete anos de idade, Odd Magnus Williamson quando adulto). Mais tarde, aquele mesmo olhar obstinado de Thor é lançado em direção à Liv (Agnes Kittelsen), com quem ele vai viver uma experiência interessante e que vai mudar a vida deles em Fatu Hiva, a ilha mais ao leste do arquipélago das Marquesas, na Polinésia Francesa.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso só recomendo que continue a ler quem já assistiu a Kon-Tiki): A primeira característica marcante desta produção é a preocupação visual do filme. Belas imagens perpassam a visão do espectador do primeiro até o último minuto de Kon-Tiki. Outra característica que fica evidente logo no início é a aposta dos diretores Joachim Ronning e Espen Sandberg no trabalho dos atores que, diferente de tantos filmes de Hollywood, não tem um excesso de diálogos para proferir.

Pelo contrário. Outro ponto interessante desta produção é que ela é muito mais contemplativa e cheia de momentos de deslumbramento e de ação do que de discursos emocionados ou frases “feitas para a posteridade”. E que bom que é assim. Não há espaço, no roteiro de Petter Skavlan, que teve a consultoria de Allan Scott, para frases heroicas, mas para reações humanas bastante legítimas.

Uma lição interessante de Kon-Tiki é que não importa o quanto algo que você acredita seja considerado loucura. Se você foi feito para perseguir determinado caminho, a tua realização só será plena se você seguir aquilo que acredita. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Esta é a postura do protagonista Thor, que sabe muito bem tudo o que ele está arriscando ao tentar comprovar a sua teoria, considerada totalmente equivocada pelos colegas cientistas da época – e até hoje – de que a Polinésia Francesa foi colonizada pelo Leste. Ou, em outras palavras, que os primeiros habitantes daquelas ilhas teriam saído do Peru, e não da Ásia.

É fascinante como ele persegue o sonho de comprovar a teoria que ele desenvolveu por 10 anos. Ao perceber a resistência da comunidade científica, Thor percebeu que a sua única saída seria percorrer, ele próprio, cerca de 8 mil quilômetros em uma balsa, tal qual teriam feito os peruanos 1,5 mil anos antes. Para alguns, essa ideia era suicida. Para outros, como os homens que lhe acompanharam, seria uma oportunidade de fazer história.

Sem homens e mulheres corajosos deste jeito, a Humanidade não evoluiria. E alguém pode perguntar: “ok, mas o que esta experiência mudou a civilização?” Certamente pouco, ou quase nada, é verdade. Mas este espírito aventureiro e idealista é o que faz muita gente seguir adiante e dedicar boa parte da vida para ajudar a ciência a avançar, as pessoas a saberem mais do que hoje sobre o seu passado, sobre as origens das civilizações e, com este conhecimento, aprender a melhor forma de evoluir.

Verdade que, se observarmos esta e outras experiências de Thor, ele mudou pouco as versões históricas predominantes. Ele comprovar que os Tiki poderiam ter viajado do Peru até a Polinésia com uma balsa amarrada por cordas não comprova, de maneira irrefutável, que isso aconteceu. Apenas demonstra a viabilidade da teoria.

Mas independente da eficácia do trabalho de Thor, o impressionante é a sua obstinação. Seguindo o que eu falava antes, quando o protagonista decidiu apostar em sua grande aventura, ele sabia o que estava arriscando. Primeiro, a própria vida. Depois, a família que havia construído com Liv. Outra mensagem bacana de Kon-Tiki é que o mais importante, no final da conta, é o respeito que devemos ter com quem somos e com a vocação daquele que amamos. Abandonar o egoísmo e permitir que as pessoas desenvolvam as suas próprias capacidades e vocações ao máximo é a maior demonstração de amor e de respeito á vida possível.

Este filme nos leva a estas reflexões. E também nos permite contemplar algumas imagens maravilhosas, além de demonstrar que é importante duvidar. Afinal, quando pensarmos que sabemos tudo, não podemos estar mais equivocados. E o mesmo vale para a ciência. Nada mais bacana que a evolução do conhecimento, com a mudança e a quebra de “paradigmas”. Assim evoluímos.

Além destes aspectos, me chamou muito a atenção a calma, a tranquilidade e a postura pacífica de Thor. Ele olha com atenção a cada pessoa que conhece, não importa se ela é uma parceira de aventura ou um “nativo” de uma ilha qualquer. Na adversidade e enquanto todos temiam pelo sucesso da viagem, ele mantinha a calma e, aparentemente, uma certeza irrefreável de que tudo daria certo porque assim tinha que ser. Essa fé é contagiante.

NOTA: 9,2.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Gostei do estilo de direção da dupla Ronning e Sandberg. Além dos motivos citados anteriormente, destaco a preocupação deles em manter a câmera sempre próxima dos atores e da ação. Vemos os detalhes constantemente. A edição precisa de Per-Erik Eriksen e Martin Stoltztambém ajudam o filme a ter o ritmo adequado, equilibrando o mergulho nas reações dos personagens e nas características de personagem de cada um deles e, ao mesmo tempo, na ação da aventura que eles empreendem.

Além do belo trabalho dos diretores, é importante destacar o excelente e preciso trabalho do diretor de fotografia Geir Hartly Andreassen. Ele consegue manter a qualidade visual do filme nos momentos mais diferentes, incluindo as sempre delicadas cenas noturnas. A trilha sonora de Johan Söderqvist não rouba a cena em momento algum, mas é importante para alguns momentos da produção.

Além dos atores que interpretam a Thor e Erik quando adultos, ganham destaque nesta produção Anders Baasmo Christiansen, que interpreta a Herman Watzinger, que deixa o trabalho como vendedor de frigoríficos para embarcar no projeto ambicioso do explorador norueguês; Jakob Oftebro como Torstein Raaby, um “herói de guerra” convocado para trabalhar com a rádio da missão; Tobias Santelmann como Knut Haugland, que também lutou na guerra e é especialista em operar rádios; e Gustaf Skarsgard como o etnógrafo Bengt Danielsson. Este foi o grupo de corajosos que fez aquela viagem a bordo do Kon-Tiki.

Dos atores citados anteriormente, sem dúvida Christiansen tem um protagonismo maior, depois de Hagen. Williamson aparece bem menos, mas tem carisma. E Santelmann se destaca por algumas sequências marcantes. Mesmo aparecendo pouco, a veterana Agnes Kittelsen rouba a cena sempre que aparece. Muito boa!

Os diretores de Kon-Tiki são amigos de infância e começaram, juntos, a produzir curtas-metragens com uma câmera amadora do pai de Joachim Ronning. Em 1992, os dois entraram na escola de cinema de Estocolmo e lançaram o primeiro curta oficialmente cinco anos depois. Nos anos 2000, eles dirigiram três longas: BandidasMax Manus (comentado por aqui no blog) e, o mais recente, este Kon-Tiki. A projeção deles com os dois últimos títulos fizeram a dupla ser confirmada na direção de Pirates of the Caribbean 5. Sem dúvida alguma eles são uma boa promessa da Noruega.

Kon-Tiki foi indicado ao Oscar 2013 como Melhor Filme Estrangeiro. Mas ele não teve chances frente a Amour (comentado aqui no blog). Na comparação dos dois filmes, não tenho dúvidas que a Academia fez a escolha certa. Da mesma forma que eu acho que foi merecida a chegada de Kon-Tiki na reta final da premiação.

Falando em prêmios, Kon-Tiki ganhou como melhor Design de Produção no Amanda Awards, entregue na Noruega, que reconheceu o trabalho de Karl Júlíusson; recebeu o prêmio da audiência do Festival Internacional de Cinema Norueguês; e o prêmio Diretores para Acompanhar do Festival Internacional de Cinema de Palm Springs.

Os usuários do site IMDb deram a nota 7,2 para esta produção. Os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 45 críticas positivas e nove negativas para Kon-Tiki, o que lhe garante uma aprovação de 83% e uma nota média de 7,1.

Fiquei curiosa para assistir ao documentário homônimo, Kon-Tiki, dirigido por Thor Heyerdahl durante a expedição em 1947, lançado em 1950 e que recebeu o Oscar de Melhor Documentário no ano seguinte. O filme tem 77 minutos e deve ser interessante.

Uma pequena observação sobre um detalhe do filme: volta e meia, observo o famoso “merchandising” em produções de diferentes portes, especialmente os blockbusters de Hollywood. Aqui e ali, aparecem sem qualquer inocência marcas de produtos dos mais variados. Mas isso não é tão comum fora de Hollywood ou em filmes “alternativos”. Uma prova que esta produção tem uma visão de mercado, além de tudo, é aquele luminoso caprichado da Pepsi que aparece lá pelas tantas no filme. Nada discreto. :)

Kon-Tiki estreou no festival de cinema norueguês em agosto de 2012. Depois, o filme passou por outros 10 festivais.

Esta produção custou US$ 16,6 milhões, uma quantia significativa – especialmente para o cinema norueguês. Nos Estados Unidos, até o dia 4 de agosto deste ano, o filme tinha arrecadado pouco mais de US$ 1,5 milhão. Mas no restante dos mercados, ele já acumulou quase US$ 22,8 milhões. Ou seja, não deu prejuízo.

Este filme foi rodado em diversas partes – não é por acaso que ele teve um custo considerável. Entre os locais que receberam a equipe de produção estão as Maldívias, a Noruega, a Tailândia, a Bulgária, Nova York e a Suécia.

Kon-Tiki é uma co-produção da Noruega com o Reino Unido, a Dinamarca, a Alemanha e a Suécia.

CONCLUSÃO: Eu gosto, volta e meia, de assistir a filmes de países menos evidentes na cinematografia mundial. Escapar um pouco de Hollywood sempre faz bem – ainda que eu admire e aprecie muito os filmes made in USA. Não é sempre que a Noruega nos apresenta filmes com relevância internacional. Por isso é bacana assistir a produções como Kon-Tiki, bem trabalhadas nos detalhes técnicos e com um estilo de narrativa mais realista e sem preocupação de frases históricas como seria esperado em filmes do gênero.

Esta produção funciona bem do início a fim, incentivando o espectador a acompanhar as dificuldades e os prazeres de um grupo de aventureiros. Acreditar em algo e seguir esta crença é fundamental, nos ensina esta produção. Assim como ela versa sobre a importância de um indivíduo em conhecer a si próprio e respeitar a sua natureza, adaptando-a para aquilo que achar relevante. Filme bem acabado, lindo visualmente e com um estilo realista e épico, Kon-Tiki também ganha pontos por resgatar uma história menos conhecida do grande público. Vale ser visto e apreciado.

To the Wonder – Amor Pleno

9 de agosto de 2013 Deixe um comentário

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Dois temas fundamentais para qualquer pessoa, o amor e a fé, estão no centro da história de To the Wonder. O diretor e roteirista Terrence Malick mais uma vez trata de questões essenciais e existenciais em seu novo filme. As cenas, para não variar, são belíssimas, e o visual dita a narrativa muito mais do que as falas dos personagens algumas vezes desconexas. Esta é a forma de Malick em fazer o seu cinema, um estilo que enche os olhos e busca fazer o espectador pensar sobre questões fundamentais.

A HISTÓRIA: Uma mulher, Marina (Olga Kurylenko) fala de seu renascimento, da descoberta do amor junto de Neil (Ben Affleck). Acompanhamos os dias de paixão e encantamento entre os dois na maravilhosa Paris, a cidade dos enamorados. O olhar, as imagens são dele, de um norte-americano fascinado por uma francesa que ama a liberdade. Acompanhamos as desventuras deste casal e, em paralelo, as inquietações do padre Quintana (Javier Bardem).

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso só recomendo que continue a ler quem já assistiu a To the Wonder): Sou franca em admitir que eu não era uma fã da filmografia de Terrence Mallick em sua “primeira fase”, forjada nos anos 1970. Sendo assim, não tenho uma carteirinha do diretor em casa. Mas como qualquer mortal que assistia a um monte de filmes nos anos 1980 em diante, acompanhei o alvoroço sobre a volta do diretor ao batente com o lançamento de The Thin Red Line em 1998.

Gostei daquele filme. Ele me parecia uma volta à melhor fase do cinema de guerra, como quando lançaram Apocalipse Now. Havia poesia em cena, e não apenas tiroteios, mortes e gente jovem passando o tempo ao flertar com a morte. Mas diferente de outros apreciadores do cinema, eu não vi o mesmo potencial nos outros filmes de Mallick lançados desde então. The Tree of Life, em especial, para mim foi uma experiência muito entediante – como vocês puderam ler nesta crítica.

Então cheguei para assistir a To the Wonder com certa curiosidade, mas sem grandes expectativas. Como eu gosto de antropologia, queria mais era conferir para que caminho o diretor estava trilhando agora. E ele segue a mesma linha do filme anterior, falando menos de morte, família e da evolução do planeta que a produção anterior, mas igualmente em uma busca pseudo-filosófica.

Sabendo melhor sobre o estilo de Mallick e após a decepção com The Tree of Life, admito que até gostou de To the Wonder. Primeiro que boa parte do filme gira naquele delicioso flerte amoroso. Cenas belíssimas de encantamento desfilam na frente do espectador, e isso nunca é demais de ser assistido. Mas ao mesmo tempo que eu via aquelas cenas maravilhosas, eu pensava quando tudo aquilo iria acabar. Porque sim, Mallick não sabe ser feliz.

Então uma hora a decepção generalizada começou a tomar força. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Seja na frustração de Marina com a falta de “comprometimento” de Neil, seja no automatismo do padre Quintana, que a todo momento nos diz que está desencantado com Deus ao não receber respostas para a sua própria falta de fé. E daí o filme gira nestas frustrações por um bom tempo, enquanto eu me perguntava: “Ok, entendi. Mas e agora, para onde vamos?”.

Como gostam os diretores de estilo “artista” como Mallick, o importante mesmo não é responder, mas lançar perguntas. O que eu acho bacana. Como tantas outras expressões de arte, quem deve ter respostas é o público. Cada um de nós. E apenas uma resposta não vale. O ideal são as múltiplas conclusões. Agora, isso funciona bem no cinema? Em algumas situações, sim. Em outras, como neste filme de Mallick, eu fico com a impressão de ter visto “mais do mesmo” em uma produção um tanto pretensiosa demais.

De fato, me agrada mais outros estilos de cinema. Muitas vezes, filme tão ou mais “poéticos” quanto este, mas que conseguem nos provocar em um nível muito diferente. Produções que nos tiram da zona de conforto. To the Wonder faz isso? Para mim, não fez. Talvez para você, caro leitor, ele tenha tido este efeito. Da minha parte, achei apenas um filme muito bem dirigido, no qual o diretor parece estar a todo instante buscando a cena mais bonita possível. E só.

Há questões que não ficam muito claras para mim. Por que, apesar de grande parte da história se passar nos Estados Unidos, os protagonistas – Marina e o padre Quintana – narram as suas histórias em línguas estrangeiras? A saber: francês e espanhol. É uma forma de ressaltar o estranhamento deles com o local em que eles estão? Uma forma de dizer que os amores, as dúvidas e as dores são universais? Pode ser. Mas para mim essa intenção não fica clara. E no cinema, toda escolha do diretor ou do roteirista que não comunica, que não deixa claro o que se propõe, não ajuda.

Depois, por mais que esta produção esteja bem focada no amor, ela me pareceu cheia de desesperança. Demais para o meu gosto. Marina conhece Neil, se apaixona por ele, decide segui-lo com a filha Tatiana (Tatiana Chiline) até os Estados Unidos e, depois, vê a expectativa de se casar com ele frustrada. Final do Primeiro Ato. Por sua parte, o padre Quintana faz um importante trabalho de formiguinha ajudando pessoas que precisam enquanto, internamente, sofre com a falta de Deus, de fé, de respostas. Mais desesperança.

No Segundo Ato, Marina finalmente consegue o que quer. Mas no fim das contas, o que ela queria não era suficiente. A busca pelo amor dela parece sem fim, e incapaz de estar satisfeito em um casamento. Enquanto isso, o padre Quintana segue orando, cansado, e prega que o “amor é um dever”. Mas afinal, o que é o amor? É livre e vale por si mesmo, como sugere Marina, ou é um dever, como afirma Quintana?

O filme não responde, é claro. Mas nos mostra estes painéis tão diferentes da realidade para refletirmos a respeito. Acho louvável Mallick abraçar o debate, ainda que eu tenha achado bem desconexa a junção das histórias de Marina e do padre. Ok, em certo momento eles se encontram. Mas o pobre Javier Bardem fica em segundo plano na história, quase eclipsado pelas andanças de Olga Kurylenko.

A impressão que eu tenho é que Mallick ficou tão fascinado com o desempenho da atriz ucraniana, com sua leveza e beleza, que não houve outra escolha possível que não deixar o filme para ela. Bacana. Tenho certeza que os homens vão adorar. Até porque ela ajuda a tornar o filme tão bonito. Mas eu lamentei pelos demais atores, especialmente Bardem, que pouco aparece.

Resumo da ópera: para mim, o melhor do filme está na beleza das imagens e no encantamento do amor. A desesperança, especialmente das expectativas humanas frustradas, me cansou. Isso porque eu acho que as expectativas devem ser conhecidas, e todos deveriam lidar com as suas frustrações. Elas fazem parte da vida. Há dias mais difíceis que outros, e dias mais fáceis. Ter essa consciência, buscar a calma e esperar pela melhora do cenário, é fundamental. Do contrário, a solução seria acreditar que devemos viver e amar apenas por obrigação, que é uma das versões deste filme? Prefiro não acreditar nisto. Mas cada um, como sempre, chegará a suas próprias conclusões.

NOTA: 8,2.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: A nota acima tem menos a ver com o efeito do filme sobre o espectador e está mais relacionada pelo excelente trabalho do diretor Terrence Mallick. To the Wonder é um filme belíssimo e menos chato que The Tree of Life. Também achei ele um pouco menos ambicioso. Apenas por estas razões, acho justo este novo filme de Mallick ganhar uma avaliação melhor.

O problema central de To the Wonder, para o meu gosto, é o roteiro pouco costurado de Malick. Certo que ele tenta fazer poesia com os filmes. Acho bacana, ousado. E nesta produção, em especial, gostei da forma com que os pensamentos dos personagens principais direcionam a narrativa. Ainda assim, nem sempre a técnica dá certo. Em muitos momentos, por exemplo, achei a técnica cansativa e repetitiva. Sem contar que o espectador perde muito ao não acompanhar o que os personagens dizem uns para os outros, em muitos momentos. Afinal, as palavras tem muito peso, quando proferidas – e não apenas quando ressoam na nossa consciência.

A narrativa desta produção, como eu comentei antes, ficam por conta dos personagens de Olga Kurylenko e de Javier Bardem. Além deles, ganha destaque nesta produção, ainda que muito mais pela presença física do que pela narrativa, o ator Ben Affleck. Em segundo plano aparecem a já citada Tatiana Chiline e Rachel McAdams. Esta última, como Jane, aparece como um raio de sol na tela. Pena que por pouco tempo.

Além da direção de Mallick, impossível não tirar o chapéu para a excepcional direção de fotografia de Emmanuel Lubezki, mexicano que trabalhou nos dois filmes anteriores de Mallick e que se destacou, entre outros, pelos trabalhos em Y Tu Mamá También, Ali, Lemony Snicket’s A Series of Unfortunate Events (com crítica aqui) e Children of Men. Lubezki foi indicado a cinco Oscar, mas não ganhou nenhuma estatueta até o momento. Além dele, tem um peso fundamental nesta produção a trilha sonora de Hanan Townshend.

Falando em prêmios, To the Wonder recebeu um até agora: o Signis Award no Festival de Veneza em 2012. Este prêmio é entregue pela Associação Mundial Católica para a Comunicação. Na ocasião da escolha do filme para o Signis Award, a associação destacou a “narrativa tecnicamente rica e poética” desta produção independente que “celebra os mistérios da beleza, da verdade e do amor”. Eles também destacaram que a “rica composição do filme, a direção texturizada e o uso da luz reúnem elementos de divindade e de humanidade que, finalmente, criam uma experiência sacramental que revela o dom do amor incondicional de Deus”. No mesmo ano, o filme foi indicado ao Leão de Ouro, mas perdeu a disputa para Pieta, dirigido por Ki-duk Kim.

Os usuários do site IMDb deram a nota 6,2 para To the Wonder. Nada mal, para os padrões da página. Para comparar, The Tree of Life tem a nota 6,8. Os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes, para a minha surpresa, foram menos efusivos. Eles dedicaram 61 críticas positivas e 83 negativas, o que rendeu uma aprovação de 42% para o filme e uma nota média de 5,6.

Falando ainda da direção de Mallick, para mim o ponto forte desta produção, eu gostei da escolha do diretor, junto com Emmanuel Lubezki, dos recursos para a captação das imagens. Por exemplo, na parte inicial do filme, assistimos a cenas de “menor qualidade” porque elas nos apresentam Marina sob a ótica de Neil. Em certo momento, ele aparece com uma filmadora na mão. Depois, as cenas em alta definição dominam a produção, nos entregando sequências maravilhosas.

Sobre os atores, de fato Olga Kurylenko é uma ótima intérprete. Ela se entrega ao papel, à personagem, e sabe encantar a câmera. Mas a loucura da personagem dela, tão insatisfeita e inconstante, me cansou um pouco. Ben Affleck… ah, Ben Affleck. Está um deleite só. :) Este deve ter sido o filme em que ele se preocupou menos com decorar as falas, afinal, ele é quase mudo. hehehehehe. Seu papel é embelezar a telona, ao lado de Olga. Nossos olhos agradecem.

Agora, para fechar, umas poucas linhas para vocês, meus fiéis leitores: sei que deixei vocês “na mão” por algum tempo. Um exemplo disto é que o texto anterior a este foi publicado há quase dois meses. Minha produção por aqui caiu muito – especialmente na quantidade de textos publicados. Peço desculpas por isso. Sinceras desculpas. É que algumas escolhas que eu fiz, especialmente em 2012, me tiraram grande tempo de vida. Não tive quase oportunidade alguma de atualizar o blog. Mas agora esta situação mudou. Tomei uma atitude para fazer com que eu tenha mais tempo livre e isso, entre outras coisas, trará mais textos para este blog. Podem me cobrar a respeito. :) E muito, muito obrigada para quem seguiu me acompanhando até aqui. Este blog só tem razão de ser por causa de vocês. Abraços!

CONCLUSÃO: Para algumas pessoas, ficar horas observando uma obra de arte ou uma paisagem é mais significativo e provocante do que horas de conversa com amigos em uma mesa de bar. Diferentes pessoas chegam ao prazer extremo de formas distintas. Para alguns, falar e ouvir é fundamental. Para outros, a contemplação e o silêncio são muito mais significativos. To the Wonder é um deleite para aqueles que tem na linguagem visual e na contemplação a sua melhor característica.

O filme, como é típico do diretor e roteirista Terrence Mallick, tenta abordar temas existencialistas fundamentais. Amor e fé, a relação humana com seus semelhantes e com o “amor” supremo. Ambicioso, mais uma vez. E o resultado? Como eu normalmente concluo após assistir aos filmes de Mallick, pelo menos desde o retorno dele aos cinemas com The Thin Red Line, é muito mais de provocação visual do que filosófica. Ou, em outras palavras, vejo To the Wonder como um deleite para os olhos, cheio de riqueza na forma, mas fraco no conteúdo. O bom de conhecer um realizador como ele, contudo, é que esse conteúdo pseudo-filosófico que se resume mais na forma não decepciona. Era previsível. Então sim, é um belo filme. E nada mais. Não emociona, não incomoda, não faz você se mexer na poltrona do cinema ou no sofá de casa. Apenas mais um Mallick para agradar a crítica, tornar quase duas horas do nosso tempo um deleite visual e nada mais.

Sudoeste

5 de maio de 2013 1 comentário

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Sempre fui da opinião que se é para fazer algo parecido com algo que já foi feito, que seja feito, pelo menos, algo melhor. Ou então, que se faça diferente. E foi este segundo caminho que o diretor Eduardo Nunes escolheu ao fazer o filme Sudoeste. Eis uma produção diferenciada, que resgata algumas das qualidades de clássicos do cinema nacional e que, mesmo assim, ainda apresenta uma identidade interessante. A história, em si, acaba sendo um tanto óbvia demais. Mas o filme é belíssimo e tem na qualidade das imagens e do estilo o seu principal trunfo.

A HISTÓRIA: Em primeiro plano, mato. Na sequência da imagem, parece que existe uma estrada. Ouvimos o som da Natureza, ao mesmo tempo que começa a se solidificar o barulho do que parece ser uma carroça. A imagem vai deslizando para a direita até que vemos, de fato, uma carroça se aproximando. Nela, está a parteira, também chamada por alguns de bruxa, Darci (Léa Garcia). Ela é chamada para atender a uma mulher que está dando a luz em uma pensão. Só que Darci chega tarde, e Clarice (Simone Spoladore) morre antes de sua criança nascer. Mas a história dela não termina ali.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes da história, por isso sugiro que só continue a ler quem já assistiu a Sudoeste): A primeira característica que me chamou a atenção neste filme foi a escolha do diretor em contar a história utilizando longos planos de câmera, uma vista panorâmica dos diferentes locais por onde esta história se passa. Até porque, tudo indica, o cenário é fundamental. Para entender como vive aquela gente, e que tipo de (falta de) perspectiva e limites eles tem acessíveis.

Gostei daquela significação em cada plano, em cada escolha de ângulo e do ritmo. Com bastante frequência a câmera do diretor Eduardo Nunes percorre a tela sem interrupção, mas de forma muito lenta, tanto para dar ritmo para o filme quanto para nos mostrar que o tempo não passa com rapidez naquele cenário que poderia compor diversos lugares do interior brasileiro. O gesto de guiar o olhar do espectador para a direita ou para a esquerda, lentamente e em um movimento contínuo, dá ritmo para o filme e também serve de fio condutor para diferentes cenas, ajudando a montar a identidade desta produção.

Depois, me chamou a atenção a escolha do diretor do que filmar. Na primeira cena do filme, mas em outros momentos de Sudoeste também, aparentemente enxergamos um elemento pouco significativo – seja o mato, no início, seja as pás de um catavento, em outro momento. Um recurso interessante porque estimula o espectador a utilizar outros sentidos que geralmente ficam em segundo plano no momento de assistir a um filme, como a audição.

Se o que aparece em primeiro plano é menos significativo do que aquilo que ouvimos, nossa atenção parte para identificar o som antes de dar importância para a imagem. Assim, Nunes nos mostra que nem tudo que é visível, de fato, é importante. Ou, como diria uma certa canção, que as aparências enganam, tanto àqueles que amam quanto aqueles que odeiam. Neste filme, o elemento predominante é o amor. Ainda que a raiva e a indignação estejam presentes – não, neste caso, no enredo, mas na possível reação do público.

Nem tudo que se vê é real. Esta afirmação acaba sintetizando a experiência de Clarice. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Depois de morrer, antes de dar a luz a sua primeira e única filha, a personagem vivida pela atriz Simone Spoladore “renasce” na figura de sua filha. Em um dia, ela acaba passando de bebê até uma senhora idosa que ela não chegou, de fato, a vivenciar. Nesta trajetória, ela se reencontra com a própria família e com outras pessoas para relembrar pelo que passou. É como se esse fosse um rito de passagem dela para a morte. Uma forma de encarar a própria trajetória e, ao mesmo tempo, se despedir das pessoas que amava antes de partir definitivamente deste plano para outro.

Não vou discutir aqui as diferentes crenças religiosas. Até porque, e os leitores que me acompanham há mais tempo sabem disso, este não é o propósito deste blog. Ainda assim, Sudoeste segue a linha de várias doutrinas. Especialmente aquelas que acreditam que alguém, quando morre de forma trágica – o que é o caso de Clarice -, precisa de um “tempo” e/ou de um rito de passagem para entender porque deixou a vida de forma tão prematura.

O que eu achei mais interessante neste filme, além do estilo da direção e do virtuosismo da direção de fotografia de Mauro Pinheiro Jr., foi a reação dos vivos à presença de Clarice. A família dela, certamente, não a enxergou de forma realista. Do contrário, não teria reagido tão bem ao seu “retorno” à vida. Na fase dela como menina, interpretada pela ótima atriz Raquel Bonfante, até podemos imaginar que a garota não seguiu a mesma fisionomia da Clarice real. Mas depois, quando ela é interpretada por Simone Spoladore novamente, não deixa de ser curioso como as pessoas reagem à ela de forma natural – quando todos sabem que ela morreu.

Uma outra forma de justificar essa naturalidade com que os familiares tratam o retorno da garota ao seu convívio é que nada daquilo, de fato, aconteceu. Ou seja, que ao invés de encarar a passagem de Clarice como sendo uma “despedida” de seus familiares e a adaptação do espírito dela antes de sua partida para outro plano, ver que aquela experiência de “uma vida em um dia” foi vivida por ela sozinha. Talvez até antes de morrer – sua experiência de projeção mental ocorreu sem a respectiva interação com aquelas pessoas. É outra forma de explicar o que Sudoeste explora.

Independente de uma interpretação ou outra, esta produção conta a história de uma garota sofrida, que teve um destino trágico por causa do pai, Sebastião (Julio Adrião). (SPOILER – não leia… bem, você já sabe). Como acontece em tantas partes do interior do país, meninas e moças são estupradas por seus pais e não encontram espaço para falar deste abuso com ninguém. A mãe de Clarice, Luzia, interpretada com perfeição e profundidade pela atriz Mariana Lima, assume a pele de muitas mulheres submissas deste país. Que ignoram os abusos do marido por duas razões, basicamente: por amor, por uma parte, e por dependência financeira, por outra. Sem perspectivas e sentindo-se dependentes dos maridos abusivos, elas sofrem diariamente, mas não conseguem romper com aquela dependência e por fim aos abusos e crimes dos homens que elas escolheram para casar.

Desta forma, Sudoeste trata de uma realidade nacional que segue sendo válida em várias latitudes do país. O cenário é agreste, mas esta mesma história poderia ter sido contada em um ambiente urbano. E acredito que não apenas no Brasil, mas em outras parte do mundo também. Infelizmente. Este filme, além de belo nas imagens e com estilo na narrativa, trata de um tema universal e muito duro. Fala sobre abuso sexual, mas também sobre falta de perspectivas, relações desiguais de poder, família e necessidade de compreensão da própria realidade e de perdão. Porque nem sempre é possível perdoar um agressor, mas é preciso desculpar a si mesmo e às pessoas que estavam perto, mas que não sabiam de nada ou que, mesmo sabendo, foram incapazes de agir de outra forma.

NOTA: 9,3.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Filme em preto e branco e com um ritmo muito diferente daquele que as pessoas acostumadas ao cinemão comercial – seja brasileiro, seja de Hollywood – estão habituadas a assistir. Sudoeste pode não ser um filme fácil para a maioria dos perfis de espectadores. Mas honestamente eu espero que as pessoas dêem uma chance para ele. Afinal, este é o estilo de cinema nacional que foge da preocupação com a bilheteria e tenta produzir algo diferenciado e com estilo. Existe vida inteligente e que foge dos padrões no Brasil. Graças a Deus!

Com Sudoeste, sigo a minha promessa de abraçar a uma série de filmes brasileiros. Resultado de uma votação feita aqui no blog, na qual eu pedia para vocês indicarem que país da América do Sul deveria ser foco de uma série de críticas. Não tenho previsão de até quando vou com esta série de críticas. Mas tenham certeza que a vontade é que a lista siga forte por muito tempo. Só devo intercalar estes textos sobre filmes nacionais com outros lançamentos, para não ignorar boas produções que vão aparecer nos cinemas nos próximos meses.

Sudoeste faz referência a vários filmes nacionais. A mais evidente, especialmente quando Darci coloca o bebê no barco, é feita para o clássico Limite, uma das produções que marcaram a história do cinema brasileiro.

Duas atrizes roubam a cena nesta produção: Simone Spoladore e Mariana Lima, respectivamente filha e mãe. Elas convencem e, mais que isso, comovem com as suas interpretações sensíveis e sofridas. Mas vale destacar outras participações. Como Dira Paes na pele de Conceição, uma mulher que tem um caso com Sebastião e que acompanha Clarice em sua fase de isolamento e gravidez quase secreta. Além dos atores já citados, vale comentar o trabalho de Everaldo Pontes como o comerciante Malaquias – que defende “a bruxa” Darci, sem sucesso.

Falando na personagem de Darci, eis um ponto curioso do roteiro desta produção. Mulher forte e que vive isolada, ela sintetiza muitas brasileiras que, no interior ignorante de várias latitudes do país, tem conhecimento sobre a vida que outros não tem e, por isso, é vista com ressalvas pelas pessoas que tem medo de tudo aquilo que elas desconhecem. Além de parteira, Darci é um tipo de curandeira – em outras palavras, alguém que domina as propriedades de diferentes tipos de plantas. Ela ajuda a trazer pessoas para a vida e a curar quem precisa. Desta forma, é vista com respeito e com temor pelas pessoas. Vira alvo de brincadeiras de desafio entre as crianças, assim como de ataques dos adultos. Como todas as bruxas que já foram combatidas na história da Humanidade, Darci é poderosa porque sabe muito sobre o que a maioria desconhece. Segue a própria intuição e sabe perceber os sinais que estão em todas as partes.

Gostei do roteiro de Guilherme Sarmiento e do diretor Eduardo Nunes, especialmente pela imersão dele em um estilo de Brasil que eu gostaria que fizesse parte apenas de obras de ficção. O texto equilibra a dura realidade com a fantasia. Isso é bacana e funciona. Mas só achei o “grande segredo” da produção muito previsível. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Não sei vocês, mas para mim ficou logo evidente que o pai da criança que matou Clarice era o próprio Sebastião. As falas dele, ao saber da morte da filha, praticamente terminam com o mistério. Uma pena. O filme seria mais interessante se a informação chocante, de fato, chegasse no momento certo e de forma estratégica.

Da parte técnica do filme, vale citar o ótimo trabalho do editor Flávio Zettel e a trilha sonora de Leandro Lima e Gabriel d’Angelo.

Sudoeste estreou nos cinemas brasileiros em outubro do ano passado. Antes, ele participou do Festival Internacional de Cinema de Rotterdam, na Holanda, em janeiro de 2012; foi exibido, em maio, no Festival de Cinema Brasileiro de Paris, na França e, em setembro, participou do Festival de Cinema Independente Katowice, na Polônia. O filme participaria, ainda, dos festivais de cinema de Thessaloniki, na Grécia, e do Mar del Plata, na Argentina. Nos Estados Unidos, a produção estreou em janeiro deste ano.

Nesta trajetória, Sudoeste ganhou sete prêmios e foi indicado a outros quatro. Entre os que recebeu, destaque para o de Melhor Contribuição Artística no Festival de Cinema de Havana para Eduardo Nunes; os prêmios de Melhor Filme Latino-Americano, Melhor Fotografia e Prêmio Especial do Júri no Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro; Melhor Fotografia e Melhor Diretor pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA); e o Melhor Longa Metragem no Vitória Cine Video. Bastante premiado, pois, entre os anos 2011 e 2013.

Os usuários do site IMDb deram a nota 7,4 para esta produção. Uma bela avaliação, especialmente porque este filme foge dos padrões mais comuns do cinema comercial. Apenas dois críticos relacionados no Rotten Tomatoes dedicaram textos para esta produção. O texto do Stephen Holden, do New York Times, elogia a produção brasileira, enquanto o crítico Tomas Hachard, da Slant Magazine, não gostou do que assistiu.

Algo curioso sobre Sudoeste: ao procurar a página oficial do filme, não consegui encontrá-la. Por outro lado, encontrei a página do filme no Facebook. Sinal dos tempos?

Sem dúvida a fotografia deste filme está entre as melhores que eu já vi no cinema nacional. E entre as melhores que eu assisti nos últimos tempos no cinema mundial. Grande trabalho!

CONCLUSÃO: Beleza, disse um dia o poeta, é fundamental. E Sudoeste é um filme duro, árido, triste, lírico, mas também muito belo. As principais qualidades dele estão, em ordem de importância, na direção de fotografia, na direção e no trabalho dos atores. Longos planos de câmera, perspectivas estendidas, e a dinâmica própria da produção, que estimula o espectador primeiro a ouvir, depois a ver e, por fim, a entender, tornam esta produção diferenciada. Um belo trabalho do diretor Eduardo Nunes e que merece ser descoberto. Com fotografia preto e branco e com um estilo muito diferente do que as pessoas estão acostumadas a ver, seja nas novelas brasileiras, seja nos filmes de Hollywood, Sudoeste pode demorar um pouco para fazer sentido para você. Mas se deixe levar por um projeto que beira o experimental e abra os sentidos. A história, dura, poderia ter alguns elementos menos previsíveis. Mas nada que tire os méritos da produção.

The Master – O Mestre

23 de abril de 2013 1 comentário

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Todos servem a algo ou a alguém. Essa afirmação foi cantada por Bob Dylan em 1979 na música Gotta Serve Somebody. E eu sempre lembro dela, nos momentos mais diferentes. Afinal, por mais independente e esperto que alguém se imagine, uma hora ou outra ele vai servir a alguém. The Master trata um pouco sobre isto. De como as pessoas precisam de lideranças e de crenças. Elas vão seguir e servir a alguém. E elas tem o poder de escolher a quem.

A HISTÓRIA: O mar. Águas azuis. Um marinheiro olha para o horizonte e sente o sol. Depois, em um coqueiro, ele retira alguns cocos com um machado, e bebe aquela água com um aditivo. Este cidadão é Freddie Quell (Joaquin Phoenix), que faz parte de um grupo de marinheiros em tempo de guerra que encontra tempo para lutar como “gladiadores” na areia e para fazer imagens de mulheres nuas na praia. Com o fim do conflito, Quell volta para os Estados Unidos, onde passa por um tratamento psiquiátrico. Liberado, ele vai trabalhar como fotógrafo, na colheita de verduras, mas sempre se envolve em algum conflito. Até que entra no barco de Lancaster Dodd (Philip Seymour Hoffman), conhecido como Mestre, e fazer parte do grupo de seguidores de sua filosofia chamada A Causa.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso só recomendo que continue a ler quem já assistiu a The Master): A música no início do filme fala muito a respeito do que vamos assistir a seguir. Porque ela é estimulante e ajuda a estarmos, ao mesmo tempo, atentos e inquietos. E este é apenas o começo. Outro elemento também logo fica evidente: que Joaquin Phoenix carrega o filme sozinho. Ele é a parte mais perturbadora da história, porque tem um desempenho visceral que impressiona.

The Master é um destes filmes curiosos do senhor Paul Thomas Anderson. O diretor assina também o roteiro da produção, que mergulha em elementos conhecidos do público estadunidense, como os traumas de um pós-guerra e a difícil experiência de integração dos ex-soldados a uma sociedade que não viu ou sentiu o que eles passaram em ambientes de batalha, tédio, espera e tensão. Mas o filme também inova ao mostrar uma seita, baseada em “ciência”, mas que trata de questões quase (ou que podem ser consideradas) religiosas.

Por todas as partes, os elementos dominantes deste filme são a dominação e a submissão. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Não percebemos no início, mas teremos certeza apenas no final, que Freddie Quell e Lancaster Dodd estão em uma permanente queda de braços. Para Dodd, líder de uma seita que busca consolidar-se e crescer, Quell é um belo experimento. Um desafio que, se superado, vai ajudar-lhe a ganhar ainda mais fama. Quell, por sua vez, perdido e solitário, sem amigos ou o amor verdadeiro, fica fascinado com a persuasão de Dodd, com o grupo que circula ao redor dele, e com a aparente confiança que o “guru” deposita nele, um pária social.

A todo o momento, esperamos que alguma catástrofe aconteça. Não sei vocês, mas eu aguardava a hora em que Quell pegaria uma mulher contra a sua vontade, talvez até a “bastante acessível” Peggy Dodd (Amy Adams). Isso porque ele é inconstante e imprevisível. Ainda que, conforme o filme passa, começamos a ter um quadro um pouco mais aprofundado do personagem, o opositor perfeito para o equilibrado e calculista Lancaster Dodd.

A grande questão levantada por The Master é de quem, afinal, acaba tendo mais poder? O sujeito inteligente, determinado, manipulador e cheio de seguidores, que tenta convencer as pessoas com sua doutrina e lógica, ou a força destrutiva, independente, anárquica e fora dos padrões do sujeito que flerta com a loucura e brinca com os padrões sociais? (SPOILER – não leia… bem, você já sabe). Por boa parte do filme, o primeiro tenta domar, compreender e subjugar o segundo. Acreditando que ele precisa ser “salvo” e domesticado. O segundo joga este jogo do subjugado por um tempo, mas resiste. E surpreende. A cena final entre os gigantes Phoenix e Hoffmann é de arrepiar, e só revela, mais uma vez, como este é o trabalho da vida de Joaquin.

O final deste filme pode levantar muitos debates – como a produção inteira, inclusive. O que eu achei dele? Bueno, primeiro, que os métodos de Dodd não eram tão eficazes assim – o que acaba sendo uma ironia interessante sobre qualquer figura que, como ele, tenta ser um messias misturando religião com ciência. Depois, que há casos de psoturas anarquistas e que fogem da lógica predominante que vencem qualquer tentativa de “conversão”. E terceiro que, mesmo que o objetivo “total” de Dodd não tenha sido realizado, de subjugar Quell, ele serviu como inspiração para o ex-militar, que seguiu adotando algumas das técnicas de Dodd a sua própria maneira.

E eis a ironia final de The Master. Porque por mais que algumas pessoas resistam a certa dominação, elas acabam cedendo a parte delas e/ou a suas influências mesmo sem querer. No fim, sempre que duas pessoas se encontram e se relacionam pra valer, elas se modificam mutuamente. Seguem suas trajetórias, após este encontro, tendo algum hábito ou forma de atuar diferente, influenciada pela pessoa que encontraram.

The Master trata desta história. Com interpretações dedicadas, especialmente de Joaquin Phoenix, e uma direção que valoriza estas interpretações, este é um filme de atores. E que ironiza sobre alguns mestres e seus seguidores, e sobre a validade e eficácia de suas doutrinas. Esta produção segue a lógica de uma extensa sessão de psicanálise. Por isso, tem momentos angustiantes, de puro desabafo e de alguma chatice. A parte que pode render algum bocejo envolve os “exercícios” e “provações” que Quell passa sob a batuta de Dodd. Mas nada que torne a aventura insuportável. Até porque Paul Thomas Anderson sabe o momento de virar o disco. E faz isso sempre no momento certo.

NOTA: 9,2.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Difícil terminar de escrever este texto. Por uma razão bem simples: assisti a este filme, acredito, ainda em fevereiro. Após o Oscar. Na sequência, comecei a escrever este texto. Mas pela correria que tive no meu trabalho, salvei ele nos rascunhos e só voltei a completá-lo hoje. Final de abril, mais ou menos dois meses depois. Então ficou difícil de relembrar de todas as minhas impressões sobre o filme. Por isso, peço desculpas para vocês. Esta crítica ficou mais “fria” do que eu gostaria.

Muito se falou que The Master seria “livremente” inspirado na história de L. Ron Hubbard, o polêmico, admirado e criticado “mestre” da cientologia. Honestamente? Vejo muitos pontos em comum e acredito, francamente, que Paul Thomas Anderson quis dar uma cutucada na cientologia sim. Para os curiosos sobre este assunto, eis aqui um texto, em inglês, assinado por Marc Headley que faz uma comparação interessante entre o filme, Lancaster Dodd, L. Ron Hubbard e a cientologia.

Paul Thomas Anderson faz mais um belo trabalho aqui, mas não considero este o seu melhor filme. Ainda prefiro Magnolia e There Will Be Blood. Neste momento, o diretor está trabalhando em seu décimo sexto título, Inheret Vice, ambientado na Los Angeles dos anos 1960 e protagonizado, mais uma vez, por Joaquin Phoenix.

Para mim, e volto a repetir isto, este é o trabalho mais impressionante de Phoenix. Ele domina e carrega o filme. E olha que ele tem, ao seu lado, o ótimo Philip Seymour Hoffmann e a sempre competente Amy Adams. Ainda assim, eles ficam eclipsados por Phoenix.

Além dos atores já citados, vale comentar o trabalho de Jesse Plemons como Val Dodd, filho do Mestre; Ambyr Childers como Elizabeth, a filha de Dodd; Rami Malek como o marido dela, Clark, que acaba desafiando o protagonista em diversos momentos; e Laura Dern como Helen Sullivan, uma das “crentes” da doutrina de Dodd.

Da parte técnica do filme, vale comentar sobre a trilha sonora fundamental, e algumas vezes irritante, de Jonny Greenwood; e a direção de fotografia de Mihai Malaimare Jr., que valoriza a luz, algumas vezes parece “superexposta” e, consequentemente, nos ajuda a nos transportar para os Estados Unidos do período pós-Segunda Guerra Mundial.

Este foi o primeiro filme de Anderson sem o diretor de fotografia Robert Elswit – que tinha se comprometido a filmar The Bourne Legacy.

E uma curiosidade sobre The Master: ele tem uma forte influência estilística do documentário Let There Be Light, de John Huston, lançado em 1946.

A cena em que Freddie retira etanol de um torpedo para “envenenar” uma de suas bebidas foi baseada em fatos reais contados por Jason Robards para o diretor.

Na cena da destruição da cela na prisão, Phoenix realmente quebra o vaso sanitário. Ele fez isso no improviso. Outra sequência de improviso é aquela que abre o filme, com Freddie falando na praia.

The Master foi indicado a três Oscar‘s, mas não levou nenhuma estatueta para casa. Mesmo saindo de mãos vazias da premiação máxima de Hollywood, ele foi bem reconhecido em outras partes. No total, até o momento, ele recebeu 60 prêmios, a maioria deles entregue por associações de críticos. Preciso destacar, entre este total, os prêmios de melhor Diretor e melhores Atores para Joaquin Phoenix e Philip Seymour Hoffman no Festival de Veneza.

Esta produção recebeu a nota 7,2 pelos usuários do site IMDb. Os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes foram mais generosos, dedicando 189 críticas positivas e 31 negativas para a produção, o que lhe garante uma aprovação de 86% e uma nota média de 8,1. Especialmente a nota é muito boa, levando em conta a média do site.

Meus bons leitores/seguidores deste site, peço desculpas pela ausência desde o último Oscar. Mas é que vivi meses complicados, de muito trabalho fora do blog. Mas prometo que a partir desta semana eu voltarei a publicar com mais frequência, combinado? Obrigada a quem seguiu visitando este espaço e para quem fez comentários por aqui no período.

Em breve, começo a cumprir a promessa da última enquete neste site. A maioria de vocês pediu para que eu comece a falar de filmes nacionais. Muito bem, vou começar a fazer isto. Amanhã, vou assistir ao filme Somos Tão Jovens, um belo recomeço para as críticas de filmes nacionais aqui no blog. Sou convidada do Cinemark do Floripa Shopping. E na sequência, falo tudo sobre esta produção, que certamente vai mexer comigo – depois conto as razões -, para vocês. Inté breve!

CONCLUSÃO: Paul Thomas Anderson é um diretor diferenciado. E isso é o que eu mais gosto nele. Anderson fez um dos meus filmes preferidos de todos os tempos, Magnolia. E em todas as suas produções, ele apresenta esta forma de fazer cinema que não se parece com a de nenhum outro diretor de sua geração. The Master é mais um filme potente de sua filmografia, que flerta com questões importantes para a psicologia, mas que vai além. Trata de seitas, religiões e da ciência – cada uma com muitas aspas. Aborda os desejos reprimidos, a parte racional e animal de cada indivíduo e, principalmente, a nossa necessidade de acreditar e seguir certas ideias e pessoas. Um filme tão interessante que, certamente, pode render horas de debates. Por tratar de certas datas e locais, The Master foi apontado como uma produção que trata da cientologia e de seu fundador. De fato, há muitas semelhanças entre o roteiro e a história real, o que alimenta, ainda mais, os debates e a polêmica. Um filme perturbador, em vários sentidos, mas muito bom.

OSCAR 2013: The Master foi indicado a três estatuetas do Oscar deste ano. E não levou nenhuma. O que não é surpreendente, porque este não é um filme fácil para Hollywood.

As indicações foram para três atores. Algo justo, porque esta é uma produção que destaca o trabalho do ator. Assim, Joaquin Phoenix foi indicado como Melhor Ator; Philip Seymour Hoffman foi indicado como Melhor Ator Coadjuvante; e Amy Adams foi indicada como Melhor Atriz Coadjuvante.

De fato, acho que Christoph Waltz e Anne Hathaway tiveram interpretações mais impactantes em seus respectivos filmes do que os sempre competentes Hoffman e Adams. Agora, Phoenix… ele está tão entregue a seu papel e faz uma interpretação tão impactante e alucinante, que ouso dizer que ele merecia mais a estatueta que Daniel Day-Lewis.

Claro que ninguém duvida que Day-Lewis merecia ser o primeiro ator a receber três estatuetas pela categoria principal para homens do Oscar. Mas, desta vez, Phoenix fez um trabalho superior. Mas para quem acompanha a Academia, faz parte também saber que ela é política, e gosta de criar os seus mitos. Day-Lewis foi alçado a esta posição. Com méritos.

E o Oscar 2013 foi para… (cobertura online da premiação)

24 de fevereiro de 2013 5 comentários

85th Academy Awards, Set Ups

Boa noite, pessoal!!!

E aqui estamos nós outra vez. Firmes e fortes na cobertura do Oscar, desta vez ano 2013, a principal e mais badalada premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood.

Tudo indica que teremos uma noite com os principais astros em cena, desfilando no tapete vermelho e depois, durante a premiação. Agora, 20h20min, no horário de Brasília, o canal E! está transmitindo a chegada dos astros. Em breve a TNT começa a transmissão, as 20h30.

Jessica Chastain, uma das duas favoritas da noite para o Oscar de Melhor Atriz, arrasou com um vestido cor pele. Linda, deslumbrante, perfeita para receber a estatueta por Zero Dark Thirty. Francamente, estou na torcida por ela.

A minha previsão é que o Oscar deve manter a sua tradição. Ou seja: deve premiar Argo ou Lincoln, na categoria principal, sem surpresas – porque todas as premiações pré-Oscar apontam para eles, especialmente Argo.

Além disso, não devemos ter surpresas nas categorias principais. Prevejo que três filmes devem dividir a maior parte das estatuetas: Argo, Lincoln e Life of Pi. O último, pode predominar nas categorias técnicas. E os dois primeiros, nas principais. Logo veremos…

Agora, 20h34min, no tapete vermelho o fenômeno Quvenzhané Wallis, a mais jovem atriz indicada a um Oscar. Tudo indica que ela só conseguiu sorrir depois de fazer o filme Beasts of the Southern Wild. :) Quem assistiu ao filme, sabe do que estou falando.

Reese Whiterspoon, com vestido e joias Louis Vuitton, disse que a filha de 13 anos a ajudou a escolher o vestido. Mas para mim, até agora, a mais linda a desfilar no tapete vermelho foi Samantha Barks, que interpretou a Éponine em Les Misérables. Ela e Jessica Chastain estão inacreditáveis…

No Oscar deste ano, sou franca em dizer, os meus favoritos correm por fora. Então minha “torcida” está menor. Mas, de fato, tivemos uma safra muito boa. Ainda que poucos filmes tenham sido, de fato, “arrebatadores”.

Amanda Seyfried, também de Les Misérables, também está linda. Vestindo Alexander McQueen. Jennifer Lawrence é outra que chegou bem. Esta noite, sem dúvida, será uma das mais interessantes em termos de astros e estrelas talentosos e muito bem vestidos.

Servidos? Como estou com fome, sem dúvida eu encararia vários destes “Oscar’s”. ;)85th Academy Awards, Governors Ball Press Preview

Jennifer Lawrence, a outra favorita para o Oscar de Melhor Atriz, acaba de dizer que não teve tempo de comer, e que está com fome. Pois somos duas… mas o meu problema eu vou resolver em breve. hehehehe

Ela está linda. Mas ainda sou mais a Jessica Chastain. Tanto para o Oscar como com o modelito da noite.

Até o momento, o predomínio no tapete vermelho foi feminino. Não vi muitas beldades entre os atores. As lentes estão ignorando eles ou será que todos vão chegar mais tarde?

Mestre Dustin Hoffman é um dos primeiros grandes a chegar no tapete. Agora, Norah Jones, bem diferente do que estamos acostumados. São 21h02min e o E! segue indo muito bem, enquanto a TNT está muito morna.

Pela quantidade de gente que disse que vai cantar no Oscar nesta noite, teremos uma edição muito musical. Começando pelo apresentador, o relativamente “desconhecido” Seth MacFarlane, diretor de Ted, que muitos dizem que foi escolhido mais pelo ótimo tom e afinação ao cantar do que pelo carisma. Logo mais veremos como ele vai se sair em cena.

Anne Hathaway, mais uma grande concorrente da noite, aparece agora, 21h15min, em cena no tapete vermelho. Está menos exuberante que outras de suas colegas. Mas não consegue estar feia, né? :)

Agora sim, Christoph Waltz em cena. Grande, grande! Estou na torcida por ele também. Bem simples, discreto. Genial. Anne Hathaway dando entrevista, disse que está vestindo um Prada, e que escolheu o modelito, que evidencia os seus seios, três horas antes de ir para a cerimônia.

85th Academy Awards, Friday, Set UpsBradley Cooper, mais barbudo, com muito gel no cabelo e com gravata borboleta. Acompanhado da mãe, que dá no ombro dele, que afirma estar pela primeira vez no Oscar. E para ver ao filme indicado como Melhor Ator. O que, por si só, é muito surpreendente.

Naomi Watts é outra que merece menção. Para mim, uma das mais bem vestidas da noite, em um vestido de alto risco, lindo, ousado e perfeito para ela. Dior dominando a cena.

Passei para a TNT, porque o início da cerimônia se aproxima… impressionante a Nicole Kidman. Sempre linda e escolhendo muito bem os vestidos do Oscar. São 21h40min e ela me espanta pela altura e pela silhueta. A Adele, por outro lado… está sendo um bocado “detonada” pelos comentaristas do Oscar. Ela realmente ficou estranha.

Até agora, algumas mulheres dominaram a cena. Especialmente Naomi Watts e Jessica Chastain. Entre os homens, o maior frisson parece ter sido com Bradley Cooper.

Faltando 39 minutos para a cerimônia começar, as 21h50min, Hugh Jackmann e a esposa… lindos. Muito elegantes e tranquilos, sem exagerar na dose e até bem simples. Ele, lindo. E, para mim, um dos melhores apresentadores recentes da premiação.

85th Academy Awards, ArrivalsDepois de Chris Evans, é a vez de Robert De Niro. Concorrente da noite, figuraça. Ele destaca o trabalho de elenco de Silver Linings Playbook. Na votação dos melhores vestidos da noite, pela TNT, Jennifer Lawrence aparece em primeiro lugar, com Jessica Chastain em segundo. Lawrence virou, realmente, a última “queridinha da América”.

Jennifer Aniston, de vermelho estonteante by Valentino, diz que vai a apenas algumas festas na noite, porque são muitas… êêê sorte! Falando nos homens da noite, pouco focados pela TV até agora, Ben Affleck, que pode ser um dos grandes vencedores da noite com Argo, está muito bem. Melhor que a esposa, Jennifer Garner, um tanto estranha.

Uau! Halle Berry maravilhosa, mais uma vez! E ela reforça a lista de atrizes com cabelos beeeeem curtos. No caso dela, algo tradicional. Para outras, uma novidade. Engraçado como todas da fila, que passam atrás da Halle Berry, ficam babando nela. O público vai entrando lentamente, e esticando o pescoço para as estrelas.

Agora sim, uma miragem para as meninas… George Clooney e sua mais nova namorada, muito bem vestida. E ele… sem comentários. Fantástico! E poderá sair da noite com uma estatueta se Argo ganhar como Melhor Filme, porque ele é um dos produtores da produção.

Faltando 16 minutos para a premiação começar, Anne Hathaway brinca que o seu vestido é “business” na frente e diversão – porque é bastante aberto – atrás. Ela também revela que, como vem de Nova York, ela está usando um lindo colar da Tiffany.

Jamie Foxx, muito elegante, está ao lado da filha, com todo o jeito de modelo, de 19 anos, linda. E o ator confidencia que veio no carro falando com a filha sobre a faculdade e amores, já que eles tem pouco tempo para conversar. Muitos astros com mães e filhas. Oscar bem família.

E o grande Daniel Day-Lewiss, favoritíssimo ao Oscar de Melhor Ator. Bastante discreto e simples, ao lado da mulher. Ele é assim mesmo… low profile. Concentrado na carreira e não no showbusiness, tão diferente de Clooney e Affleck, por exemplo.

85th Academy Awards, Governors Ball PreviewAgora sim, pontualmente as 22h30min, começa a premiação do Oscar. O comediante Seth MacFarlane entra em cena. Ele fala dos vários filmes maravilhosos do ano, e começa destacando Argo. Um indicativo interessante…

MacFarlane brinca que o Oscar é importante para a carreira de qualquer um da indústria. E cita, com ironia, Jean Dujardin, que ganhou no ano passado, e que agora “está em todas as partes”. A verdade é que o inverso aconteceu. Depois ele destaca Amour e Daniel Day-Lewis. Depois ele fala de Django Unchained, brincando sobre a violência da produção. Comenta sobre Jennifer Lawrence, que teria brincado com a ausência de Meryl Streep entre as indicadas.

E então William Shatner, o histórico Kirk de Star Trek, interrompe a cerimônia para tentar “impedir” MacFarlane a fazer a pior apresentação de todos os tempos do Oscar. A tentativa da Academia em tirar sarro de si mesma é boa, mas de fato o apresentador é muito fraquinho. Sem dúvida ele tem um efeito muito maior nos Estados Unidos do que para o resto do mundo.

Em seguida, e aí sim valeu o primeiro minuto da noite, Channing Tatum entra em cena, com Charlize Theron, para dançarem uma música clássica imitando Fred Astaire e Ginger Rogers. Depois Daniel Radcliffe e Joseph Gordon-Levitt dançam sobre o palco, com o apresentador cantando. Certo, já entendemos o esforço do Oscar em tentar ser engraçado e mudar o apresentador, mas não está funcionando. Apresentação chata, e o tal MacFarlane se esforçando demais para agradar, sem conseguir.

Finalmente, começa o que interessa. Viola Davis Octavia Spencer apresenta os indicados a Melhor Ator Coadjuvante. Só feras entre os indicados: Alan Arkin, Robert De Niro, Philip Seymour Hoffman, Tommy Lee Jones e Christoph Waltz. E o Oscar foi para… Christoph Waltz. Grande! Adorei. Estava torcendo por ele. Francamente, gosto muito dos outros. Mas ele rouba a cena em Django Unchained. Tarantino aparece todo feliz, e bem no canto do teatro. Curioso… Waltz agradece muito a ele e a vários nomes do elenco e da produção. Para fechar, ele usa palavras de seu personagem no filme, o Dr. King Schultz. Primeiro prêmio e já gostei. Este é o segundo Oscar de Waltz, que merece. OBS: Falha minha. Estava distraída e confundi Spencer com Davis. Eita! Mas foi Octavia Spencer mesmo quem apresentou.

E o Oscar de Melhor Curta de Animação foi para Paperman, um filme da Disney todo em preto e branco. Não assisti, mas parece interessante. O diretor John Kahrs agradece à Academia. Em seguida, são anunciados os concorrentes a Melhor Filme de Animação. E o Oscar foi para… Brave, dirigido por Mark Andrews e Brenda Chapman, com co-direção de Steve Purcell. Não assisti a nenhum dos concorrentes, algo raro, já que gosto dos filmes de animação. Mas parece que Brave era o mais popular, não?

Na sequência, Reese Whiterspoon apresenta três dos indicados a Melhor Filme. Ela apresenta a ousadia das produções Les Misérables, Life of Pi e Beasts of the Southern Wild. Impressão minha mas o Oscar está correndo com as premiações? Não com as piadas, meio xaropes, mas com a entrega dos prêmios. Estão cortando o lado errado.

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Agora, os indicados a Melhor Fotografia. E o Oscar foi para… Life of Pi. Grande! Merecidíssimo. Só podia dar ele mesmo. Fotografia maravilhosa. O grande Claudio Miranda sobe no palco e fala do quanto difícil e incrível foi fazer aquele filme. Um dos grandes trabalhos da vida dele, sem dúvida.

Os atores de The Avengers, Robert Downey Jr., Jeremy Renner, Chris Evans, Mark Ruffalo e Samuel L. Jackson apresentam, na sequência, o segundo Oscar da trupe nesta noite, o de Melhores Efeitos Visuais. E o Oscar foi para… Life of Pi. Mega merecido novamente. Era esperado, eu estava na torcida, e tiro o meu chapéu.

Na volta do intervalo, Jennifer Aniston e Channing Tatum apresentam o Oscar de Melhor Figurino. Eles fazem muitas gracinhas sobre estes profissionais que ajudam a melhorar o trabalho de qualquer ator, preparando-os para a cena. E o Oscar foi para… Jacqueline Durran por Anna Karenina. Nesta categoria, eu poderia opinar pouco, porque só assisti a Lincoln e Les Misérables. Estava na torcida pelo segundo mas, parece, Anna Karenina mereceu.

lesmiserables6Em seguida, a dupla de atores apresenta o Oscar de Melhor Maquiagem e Cabelo. E o Oscar foi para… Les Misérables. Boa! Que bom que este filme não vai sair no zero a zero. Lisa Westcott e Julie Dartnell fizeram um grande trabalho com este filme. De arrepiar o resultado que elas conseguiram.

Na sequência, a estonteante Halle Berry, aparecendo como uma bond girl. Ela apresenta uma homenagem aos filmes de 007, que completam 50 anos. Bela edição de imagens dos filmes que fizeram a história do personagem. Edição moderna, valorizando o estilo das cores que marcaram Bond e aquela trilha sonora deliciosa que todos nós conhecemos. Fechando a homenagem, Shirley Bassey canta um clássico da trilha de Bond. Bacana. Funcionou bem.

Após o intervalo, Jamie Foxx e Kerry Washington, o casal de Django Unchained. Eles apresentam o Oscar de Melhor Curta de Ficção. E o Oscar foi para… Curfew, dirigido por Shawn Christensen. Segundo os atores, esta foi a primeira vez que todos os integrantes da Academia puderam votar nos curtas. Bela valorização. Passava da hora, aliás. Christensen agradece demais aos seus familiares, e a outras pessoas que participaram da produção.

A dupla de atores apresenta o Oscar de Melhor Curta Documentário, que foi para… Inocente, dos diretores Sean Fine e Andrea Nix Fine. Eles são bem aplaudidos. Andrea agradece a várias pessoas que participaram do curta, na equipe de filmagem, e Sean valoriza a artista que é o foco do documentário.

Na sequência, Liam Neeson apresenta outros três indicados ao Oscar de Melhor Filme: Argo, Lincoln e Zero Dark Thirty. Como na apresentação anterior, o público assiste a um trailer que junta as três produções. Os dois primeiros são os favoritos mas, francamente, meu voto iria para o terceiro. E as piadinhas do apresentador… chaaatas. Mas bueno.

Depois entra em cena Ben Affleck. Ele apresenta os indicados ao Oscar de Melhor Documentário: 5 Broken Cameras, The Gatekeepers, How to Survive a Plague, The Invisible War e Searching for Sugar Man. E o Oscar foi para… Searching for Sugar Man, dirigido por Malik Bendjelloul.

Agora, francamente, ooohhh apresentador chato! Eu preferia mil vezes o Hugh Jackman apresentando ao Oscar do que este Seth MacFarlane. Ele não consegue quebrar o gelo.

amour2Voltando do intervalo, Jennifer Garner e a maravilhosa Jessica Chastain. Elas apresentam os indicados ao Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira: Amour, Kon-Tiki, No, A Royal Affair, War Witch. Na torcida por Amour, claro. E o Oscar foi para… Amour. Oh yeah!! O grande Michael Haneke vai até o palco para receber a merecida estatueta. Nos agradecimentos, muito fofos, achei especialmente tocante a fala dele para a mulher, que lhe acompanha há mais de 30 anos, e o agradecimento para os grandes atores Emmanuelle Riva e Jean-Louis Trintignant. Bacana. Primeiro Oscar para este grande diretor.

John Travolta sobe ao palco para falar dos musicais. E homenageá-los. Um clipe apresenta alguns dos melhores dos últimos tempos, quando Chicago e tantas outras produções resgataram o gênero. E sobre o palco, Catherine Zeta-Jones arrasou. No vocal e na dança. Dominou o palco. Começou cantando, mas depois foi para o playback. Mas dançou bem. Ela foi seguida pela homenagem para Dreamgirls, com Jennifer Hudson cantando e gritando no palco. Desta vez pra valer. E aí veio Les Misérables… e Hugh Jackman, que deveria estar apresentando este Oscar, cantando maravilhosamente. Grande! Em seguida, a genial Anne Hathaway, seguida de Amanda Seyfried, Eddie Redmayne, Samantha Barks, Aaron Tveit e o restante do elenco deste grande filme. Russell Crowe, que não tem voz para cantar, nem mesmo no filme, teve que usar um microfone discreto.

Zoe Saldana e Chris Pine voltam após o comercial para destacar os prêmios científicos, que destacam os avanços tecnológicos que servem ao cinema. O apresentador chato chama os astros de seu “esforço medíocre”, Mark Wahlberg e Ted, do filme Ted… sono! Eles apresentam os indicados para Melhor Mixagem de Som. E o Oscar foi para… Andy Nelson, Mark Paterson e Simon Hayes pelo filme Les Misérables. Bacana. Fico feliz que esta produção está sendo lembrada durante a noite.

A dupla de Ted segue apresentando o Oscar. Desta vez, os indicados a Melhor Edição de Som. E o Oscar foi para… que surpresa, um empate! A primeira estatueta vai para Paul N. J. Ottosson, por Zero Dark Thirty. Legal. Gostei muito deste filme. E o segundo Oscar nesta categoria foi para Per Hallberg e Karen Baker Landers por Skyfall.

Film Title: Les MisÈrablesNa sequência, mais uma piada idiota com a família Von Trapp. Melhor que o apresentador sem graça, Christopher Plummer, um veterano dos bons, sobe ao palco para apresentar o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante: Amy Adams, Sally Field, Anne Hathaway, Helen Hunt e Jacki Weaver. Minha torcida para Hathaway. E o Oscar foi para… Anne Hathaway. Legas! Elegante, Anne Hathaway agradece a Academia por ter indicado ela junto com as outra atrizes, que lhe inspiram. Ele agradece a Hugh Jackman e a várias pessoas da equipe de Les Misérables. Em um discurso emocionado, ela agradeceu também aos amigos, familiares, fez uma declaração de amor fofa para o marido – eles são recém-casados – e disse que espera que um dia as dores e mazelas de sua personagem Fantine façam parte apenas da ficção, e não mais da realidade de ninguém. Foi muito bem. Indicada para dois Oscars antes, mas sem nunca ter recebido nenhuma estatueta, chegou a hora dela. Merecido. Ela faz uma das melhores interpretações de sua vida em Les Misérables.

Até agora, fora o empate, surpresa alguma. Fora o apresentador, horrível, e a dinâmica desta premiação, bem mal planejada, estou gostando da distribuição de estatuetas. Filmes que eu gostei muito estão levando os seus merecidos Oscars.

argo1Sandra Bullock entra após mais uma fala idiota do apresentador para apresentar os indicados ao Oscar de Melhor Edição: Argo, Lincoln, Silver Linings Playbook e Zero Dark Thirty. E o Oscar foi para… William Goldenberg, de Argo. Era bola bem cantada. Argo, de fato, tem uma ótima edição.

Depois, Jennifer Lawrence, em seu vestido tão comentado, introduz Adele, que canta a música Skyfall, do filme homônimo de 007. A canção é dela e de Paul Epworth e está concorrendo na categoria Melhor Canção Original. Essa sim, sabe soltar a voz. E só daí, com o telão borbulhando em brilhos, que eu entendi o vestido dela… tipo uma continuidade das “estrelas” do fundo. Melhor só escutar do que vê-la em uma roupa que não a favoreceu em nada. :) Agora, depois de nos acostumarmos com o visual, foi legal ver ela se soltando, inclusive com dancinha. Possivelmente a pessoa que mais se soltou na noite. Grande!

Pois é, meus bons leitores. Só amando muito o cinema e o Oscar para aguentar a premiação deste ano. Chata, chata! Só o povo que faz Hollywood e o cinema pelo resto do mundo e que está presente para fazer a noite valer a pena.

No retorno do comercial, Nicole Kidman apresenta outros três indicados na categoria Melhor Filme: Silver Linings Playbook, Django Unchained e Amour. Achei a Nicole meio “passada”… parecia que tinha bebido. Por isso mesmo, engraçada. Depois, o tradicional trailer com estas três produções.

lincoln2Na sequência, Kristen Stewart e Daniel Radcliffe apresenta os indicados a Melhor Design de Produção. E o Oscar foi para… Rick Carter no design de produção e Jim Erickson na decoração de set de Lincoln. Fiquei surpresa. Esperava que a estatueta fosse para Life of Pi ou Les Misérables.

Após uma rápida piada idiota sobre atores que não são compreendidos – por serem gringos – do apresentador, Salma Hayek apresenta os Oscars honorários e humanitários para D.A Pennebaker, George Stevens Jr., Hal Needham e Jeffrey Katzenberg.

No retorno de mais um comercial, George Clooney apresenta o in memoriam do cinema, que começa com Ernest Borgnine, passou por Michael Clarke Duncan, Tonino Guerra, Herbert Lom, Tony Scott, Nora Ephron e terminou com Marvin Hamlisch, homenageado por Barbra Streisand. Sono e sono!

Senti que o apresentador mala está mais “contido”. Alguém deve ter contado pra ele que o Oscar de chato da noite vai pra ele. Na sequência, alguns dos atores principais de Chicago, Renée Zellweger, Catherine Zeta-Jones, Queen Latifah e Richard Gere apresentam os indicados a Melhor Trilha Sonora. E o Oscar foi para… Mychael Danna por Life of Pi. Legal. Gostei muito da trilha deste filme. Peça fundamental para o conjunto da obra.

Na sequência, o mesmo grupo de atores de Chicago relembra os indicados a Melhor Canção Original. Além daqueles que se apresentaram na noite, eles apresentam as composições de Chasing Ice e Life of Pi. Fechando a lista, Norah Jones subiu ao palco para interpretar a Everybody Needs a Best Friend, do filme Ted. E o Oscar foi para… Adele e Paul Epworth por Skyfall, do filme de 007. Gostei. Ainda que estivesse torcendo para a música de Les Misérables, gostei de ver Adele ser reconhecida. Ela é genial.

No retorno dos comerciais, serão entregues os principais prêmios. Life of Pi não deve ganhar mais nada. E o que falta ser entregue tem grandes chances de ser repartido por três ou quatro produções. 1h20min da manhã de segunda-feira e o Oscar manteve o seu padrão. Distribuindo prêmios, e com um apresentador surpreendentemente chato.

Na sequência, Charlize Theron e Dustin Hoffman sobem ao palco, para o nosso deleite, e apresentam os indicados ao Oscar de Melhor Roteiro Adaptado. Grandes concorrentes. Eu votaria em Life of Pi. Mas deve ganhar Argo. Veremos. E o Oscar foi para… Chris Terrio por Argo. Previsível. A verdade é que o roteiro deste filme é muito bom. Mas eu acho que tivemos outros exemplares mais complicados de adaptar, como Life of Pi. Paciência. Agora Argo vai começar a levar algumas estatuetas.

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A mesma dupla de atores apresenta os indicados na categoria Melhor Roteiro Original. Talvez a categoria mais disputada da noite. Só filmes geniais estavam concorrendo. E o Oscar foi para… Quentin Tarantino! Uau! Genial. Django Unchained não é o melhor roteiro dele, mas como a Academia devia há tempos uma estatueta para esse cara genial, fiquei feliz. Depois de ganhar por Pulp Fiction, este é o segundo Oscar da carreira do diretor e roteirista.

No retorno do comercial, 1h32min, Jane Fonda e Michael Douglas, dois monstros do cinema, caminham com toda a elegância sobre o palco para apresentar os indicados a Melhor Diretor. E o Oscar foi para… Ang Lee. Uauuuu! Fiquei surpresa. Achei que ia dar o Steven Spielberg. Mas Lee foi supermerecido. Ele fez um trabalho primoroso com Life of Pi. E ele foi aplaudido de pé pelo público. Um grande reconhecimento, e bastante raro na noite. Ele agradeceu a todos que acreditaram no projeto, às mais de 3 mil pessoas que trabalharam no filme e a Suraj Sharma, que “levou o filme”. Ele tem razão. Fico especialmente feliz por ser um diretor estrangeiro sendo reconhecido pela Academia. Especialmente ele, com uma filmografia tão boa.

O simpático, carismático e lindo (me perdoem os sensíveis, hehehehe) Jean Dujardin aparece sobre o palco para apresentar as indicadas a Melhor Atriz: Jessica Chastain, Jennifer Lawrence, Emmanuelle Riva, Quvenzhané Wallis e Naomi Watts. E o Oscar foi para… Jennifer Lawrence. Uau!! Agora ninguém mais segura ela, que já é a queridinha da América. De tão emocionada, ela caiu ao subir aos degraus. No discurso, o que achei o máximo, ela brincou que o povo estava aplaudindo ela de pé porque havia caído. Ela agradeceu ao elenco, à equipe, deu os parabéns para Emmanuelle Riva, que estava de aniversário. Figura.

Na sequência, a grande, insuperável Meryl Streep. Ela apresenta aos indicados na categoria Melhor Ator: Bradley Cooper, Daniel Day-Lewis, Hugh Jackman, Joaquin Phoenix e Denzel Washington. E o Oscar foi para… Daniel Day-Lewis. Era a bola mais cantada da noite, sem dúvida. E Meryl Streep foi a mais rápida no anúncio. Como Jennifer Lawrence, ele foi aplaudido de pé. Mas por muito mais tempo. Ovacionado, na verdade. Bacana. Ele brinca que não sabe como aquilo aconteceu… porque ele gostaria de ter interpretado a Margareth Thatcher. Uma piada com Meryl, que ele disse que foi a primeira escolhar para Lincoln. Ele brinca que a mulher dele casou com um homem estranho há 16 anos. Foi muito bem no discurso. A música não tocou pra ele… e após agradecer a muita gente, ele dedicou o prêmio para a mãe. Fofo!

argo2E para fechar a noite, Jack Nicholson. Figuraça. Andando bem estranho. Ele brinca que escolheram alguém bem confuso para apresentar o prêmio. E depois, chama a primeira dama dos EUA ao vivo da Casa Branca, Michelle Obama. Estranho foi ver as pessoas atrás dela com um olhar de admiração mega exagerado. Nicholson volta para nominar os concorrentes a Melhor Filme: Amour, Argo, Beasts of the Southern Wild, Django Unchained, Les Misérables, Life of Pi, Lincoln, Silver Linings Playbook e Zero Dark Thirty. E o Oscar foi para… Argo. Anunciado por Michelle Obama. Deu o previsto. Com Ben Affleck com aquela cara de surpresa que ninguém mais acredita. Apesar disto, o discurso dele foi bacana. Nervoso, fez uma revisão de sua carreira, e de como ele mesmo se surpreendeu com ela.

Francamente? Um Oscar bem político. Em todos os sentidos. Não apenas por Michelle Obama, mas pela repartição de prêmios, no estilo “vamos tentar agradar um pouquinho a todo mundo”. Das indicações até os premiados foi assim. Agora, um ano em que um filme como Argo é considerado o melhor… não acho ele ruim. É interessante, bem construído e narrado. Mas o melhor do ano? Sério? Pufff… Oscar político. Que pena. Mas valeu. No ano que vem tem mais. :)

Abraços para quem acompanhou a premiação por aqui. Seguimos na luta, pois! Inté!

Life of Pi – As Aventuras de Pi

24 de fevereiro de 2013 7 comentários

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Se você assistiu a Life of Pi, certamente nunca mais vai esquecer de Richard Parker. Este nome vai ficar ressoando na sua lembrança por muito tempo. A história sobre ele é grande, mas demorei para assisti-la porque estava com preguiça. Admito que não foi por acaso que deixei este filme como o último para assistir da lista dos melhores indicados para o Oscar 2013. Eu sabia que Life of Pi trazia a história de um garoto e um certo tigre. E me deu preguiça. Porque achei que seria uma daquelas histórias de amizade entre “pessoas e bichinhos selvagens”. Ledo engano. E uma grande e boa surpresa.

A HISTÓRIA: Em um belo jardim, uma girafa come algumas folhas em uma árvore. Na sequência, um desfile de belos e diferentes bichos aparecem na tela. Quando os créditos e a música terminam, Pi Patel (Irrfan Khan) começa a contar a sua história para o escritor (Rafe Spall) que vai visitá-lo por indicação de um grande amigo do pai (Adil Hussain) de Pi, Mamaji (Elie Alouf). Ele conta que nasceu em Pondicherry, uma parte francesa da Índia, e que foi criado em um zoológico mantido por sua família. Procurando uma boa história para contar, o escritor comenta que Mamaji disse que Pi poderia lhe inspirar com o que havia acontecido em sua vida, e que comprovaria que Deus existe. Mergulhamos nesta história.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Life of Pi): O início deste filme me fez acreditar, por alguns minutos, que a minha resistência à ele poderia ser justificada. Por uns 200 segundos, assistimos a um desfile de diferentes animais na telona. Enquanto eles iam se sucedendo, apesar das belas imagens, eu pensava: “será mesmo que teremos um filme gracinha sobre bichos?”. Ainda bem que não.

Logo entra em cena o fantástico personagem de Pi Patel, interpretado, quando adulto, pelo carismático Irrfan Khan. A escolha do ator foi perfeita. Ele passa legitimidade como contador de história. E mesmo que apareça muito menos que o jovem Suraj Sharma, que vive Pi na juventude, Khan é fundamental para esta história. Ele nos fascina como narrador da mesma forma com que impressiona ao escritor estrangeiro interpretado por Rafe Spall.

Aliás, não sei quanto o roteiro de David Magee é fiel ao livro de Yann Martel. Mas posso dizer que é uma grande sacada da história o personagem do escritor gringo. Porque ele, no fundo, somos todos nós, “ignorantes” na cultura e nas peculiaridades dos indianos. Olhamos para aquela realidade, a exemplo de Slumdog Millionaire, com admiração e fascínio. Afinal, é uma cultura muito diferente da nossa e, ao mesmo tempo, ela guarda certas semelhanças com a diversidade e os contrastes do Brasil.

Enquanto o grande Slumdog explora mais a música, o ritmo acelerado da narrativa e os contrastes da Índia, Life of Pi mergulha mais na tradição e nos costumes daquele “sempre exótico país”. Então a minha primeira impressão positiva foi a escolha acertada dos atores e da “posição” dos personagens: o escritor gringo, que representa o espectador que vê tudo aquilo com surpresa, e o personagem principal, com uma história engraçada, curiosa e fascinante.

O segundo ponto que me fascinou na história foi a sua ideia de diálogo religioso. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Não demora muito para Pi nos ensinar que todas as religiões são válidas porque todas, a sua maneira, tratam de devoção, respeito a uma (ou mais de uma) divindade(s) e de amor. Mas ao invés de igualar todas as religiões, o protagonista deste filme mostra as diferenças entre elas, e como cada uma pode tornar o homem melhor de uma maneira diferente. Assim, Pi segue o hinduísmo, como qualquer indiano, encarando os seus diversos deuses como super-heróis; fica fascinado com o cristianismo, admirando a história de doação de Jesus; e também conhece Deus através do islamismo, quando percebe como a religião pode ser sentida fisicamente e dar paz de espírito. Nas palavras de Pi, ele conheceu a fé pelo hinduísmo, o amor de Deus pelo cristianismo e a serenidade e a irmandade pelo islamismo.

Belo exemplo. De como a curiosidade pacífica pode levar uma pessoa a conhecer o melhor das diferentes religiões e, desta forma, entender melhor os seus irmãos. O curioso é que, em casa, Pi tinha um pai ateu e uma mãe que não era muito religiosa, mas apegada ao hinduísmo como um último elo de ligação com as suas origens. Com isso, nosso personagem mostrava caráter e independência na forma de pensar. Algo que lhe acompanharia para o resto da vida. Essa reflexão, jogada tão cedo na telona, me fascinou. E para fechar, Pi ensina que há muitas dúvidas para quem acredita, mas que isso é importante quando a fé é vista como algo algo vivo. E aí vem outro ponto interessante da história.

Pi aprende, com Mamaji, que o medo paralisante ou desesperador poderiam ser os seus principais inimigos. Assim, ele não aprende apenas a lidar com a água, mas também a ter um grande fascínio pelos animais. Especialmente por Richard Parker, um tigre de bengala que faz parte do zoológico da família. Ele respeita o tigre e tem uma grande admiração por ele. Mas aprende, com o pai, que deve temê-lo, e encará-lo como um animal cruel. Qualquer ligação afetiva que Pi possa acreditar que existe, ao olhar no olho do tigre, ensina Santosh Patel, deve ser vista pelo filho como um reflexo de suas próprias expectativas.

Esta é uma forma de olhar para um tigre e para a Natureza. Mas há outras. E grande parte de Life of Pi vai tratar desta segunda maneira de encarar a Natureza. Ela é fascinante, e podemos aprender muito com as características de cada animal. (SPOILER – não leia… bem, você já sabe). Assim, quando Pi está sozinho com quatro tipos de bichos em um bote após o naufrágio do navio que está levando ele e a família para o Canadá, ele observa as características essenciais de cada um deles. Aprende a entendê-los, respeitá-los e temê-los. Mas depois, quando fica sozinho com Richard Parker, percebe o quanto o “diálogo” entre eles é o que garantirá a sua própria sobrevivência.

Até perto do final, fiquei apenas fascinada com as belas imagens conquistadas pelo excelente diretor Ang Lee e pelo excepcional trabalho do diretor de fotografia chileno Claudio Miranda. Life of Pi é de encher os olhos. O visual é fantástico, e a trilha sonora de Mychael Danna ajuda a embalar a história e torná-la ainda mais emotiva e dinâmica. O aprendizado de Pi com Richard Parker e vice-versa é pura fantasia e, para pessoas que não se importam com histórias assim, um verdadeiro deleite.

Mas aí que o filme nos dá uma rasteira e revela, perto do fim, toda a sua grandiosidade. (SPOILER – não leia se você ainda não assistiu a esta produção). Afinal, ser apenas uma história difícil de acreditar, mas fascinante, da sobrevivência de um jovem de um naufrágio junto a um tigre, não tornaria Life of Pi grande. Seria, apenas, interessante, bem feito, bonito. Mas quando descobrimos, como o escritor que escuta este conto, que esta história é uma grande parábola para o protagonista lidar com a própria dor e com aquela situação traumatizante, percebemos o quanto Yann Martel realmente escreveu uma grande história. Ao pensar em tudo que acontece após o naufrágio com pessoas específicas no lugar dos animais, Life of Pi ganha outra dimensão.

As pessoas são, muitas vezes, muito mais cruéis que qualquer “animal selvagem”. Somos capazes das maiores brutalidades, das ações mais inacreditáveis – para o bem e para o mal. Life of Pi trata um pouco sobre isso. Nos aproxima das nossas origens, animais, mas revela, também, como podemos superar estas origens para darmos exemplos de grandeza. De valentia, coragem, generosidade e amor. Os japoneses, que sabem como poucos lidar de forma lírica com a dor e a perda, conhecem bem a força de uma parábola. De uma história fantástica para tratar de sentimentos importantes. Não por acaso, são japoneses que escutam Pi e fazem um relatório final que ajuda a consolidar a sua história.

Bem pensado, e muito relevante, a pergunta que Pi faz para o escritor – que somos nós – no final. Qual história nós preferimos, levando em conta que nenhuma delas explica o naufrágio e nem elimina a dor e as perdas que ele sofreu? Fica a critério de cada espectador fazer a sua escolha. Mas evidente que esta é uma alegoria, uma forma poética de encarar uma realidade que foi muito mais cruel. Belo ensinamento, em todos os sentidos. Muito bem administrado desde o princípio, este filme ganha uma outra dimensão no final. Para a nossa sorte.

NOTA: 10.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Life of Pi é um filme lindo. Muito bem acabado, visualmente. Para isso acontecer, pelos ambientes em que a produção se passa, é fundamental não apenas o ótimo trabalho do diretor Ang Lee e do diretor de fotografia Claudio Miranda, mas também o trabalho competente de David Gropman no design de produção; a direção de arte de Al Hobbs, Ravi Srivastava, James F. Truesdale e Dan Webster; o departamento de arte comandado por Wylie Griffin; os efeitos especiais da equipe de Zong-Se Wei e Shang-Mong Wu; e, principalmente, pelos efeitos visuais da equipe que parece não ter fim (vide a lista gigante no site IMDb) coordenada por Oscar Velasquez e que teve a liderança de Manasi Ashish, Ronn Brown, John Kent Jr. e Masahito Yoshioka. Todo este coletivo é responsável pelo apelo visual da produção. E, sem dúvida, grande parte da verba do filme foi gasta com os efeitos visuais.

Outro nome importante para Life of Pi funcionar é o do editor Tim Squyres. Ele teve trabalho, com Life of Pi. Para que tudo esteja no lugar certo, em um filme que consegue ter bastante ritmo, apesar de grande parte dele se passar ao redor de um barco salva-vidas à deriva no mar.

Do elenco, merecem um aplauso especial a dupla que encarna o protagonista. Tanto Suraj Sharma quanto Irrfan Khan dão um show. Ambos são carismáticos e ambos dominam a cena de forma impressionante. Convencem, e com naturalidade.

Além deles, que roubam a cena, e dos atores já listados, vale citar a atriz Tabu como Gita Patel, a mãe tranquila e amorosa de Pi; Gautam Belur como o garoto Pi aos cinco anos de idade; Ayush Tandon como Pi quando ele tinha 11 e 12 anos – aliás, este garoto rouba a cena quando aparece; Ayan Khan em uma ponta como o irmão de Pi, Ravi Patel, quando ele tinha sete anos de idade; Mohd Abbas Khaleeli como Ravi dos 13 para os 14 anos, também como ponta; Vibish Sivakumar como Ravi entre os 18 e os 19 anos; Gérard Depardieu em uma superponta como o cozinheiro grosseiro do navio que leva a família Patel; James Saito e Jun Naito como a dupla de investigadores japoneses que procura saber como o navio naufragou; Andrea Di Stefano como o padre que ensina sobre Cristo para Pi; e Shravanthi Sainath como a primeira paixão de Pi, a jovem indiana aluna de dança Anandi.

Agora, uma curiosidade sobre esta produção: até um certo ponto, M. Night Shyamalan tinha sido cotado para dirigir e escrever o roteiro deste filme. Sem dúvida, teríamos sido apresentados a uma forma muito diferente de narrar a história se isso tivesse acontecido.

De fato existe uma Piscine Molitor na França. Segundo esta história, o protagonista recebeu o nome de Piscine Molitor Patel por causa de uma piscina francesa. A piscina existe perto do Parque Bois de Boulogne, entre o estádio de Roland Garros e o Parc des Princes. Em 1990 ela foi considerada um patrimônio histórico, após ter caído em desuso e ter sido fechada em 1989.

Só depois de assistir a Life of Pi é que fiquei sabendo sobre a “polêmica” (bem entre aspas mesmo) envolvendo a obra de Yann Martel e o livro de Moacyr Scliar. Sou franca em dizer que não li a nenhuma das duas obras. Mas pelo que eu entendi, o livro de Scliar conta a história de um garoto que cruza o Oceano Atlântico em um bote junto com um jaguar. Quem assistiu a Life of Pi – e imagino que o filme seja bem fiel à obra de Martel – sabe que o “espírito” da obra deste autor é muito diferente do conceito de Scliar. Não vejo, de fato, um plágio aí. Mas admito que só poderei opinar com toda a propriedade recomendada após ler aos dois livros.

Em nenhum momento o ator Suraj Sharma contracenou com um tigre de verdade no barco. Apenas algumas cenas em que o animal nada na água, durante a história, foram feitas com um tigre de verdade. Para ser mais precisa, 86% das cenas em que o tigre aparece, ele não passa de efeitos especiais. Em apenas 23 cenas, ou 14% do tempo em que o animal aparece, se trata de um tigre de bengala real.

O estreante Suraj Sharma não tinha feito planos para estrelar este filme. Na verdade, ele foi descoberto ao acompanhar o irmão para uma audição. Sem pretender, ele superou 3 mil candidatos para o papel. E se saiu muito, muito bem.

Life of Pi custou impressionantes US$ 120 milhões. Mas ao assistir ao filme, entendemos como este dinheiro foi gasto. Principalmente com efeitos especiais e visuais. A parte técnica, sem dúvida, consumiu grande parte dos recursos, especialmente porque esta é uma produção sem atores muito conhecidos.

Até o dia 17 de fevereiro, Life of Pi tinha arrecadado quase US$ 111,4 milhões apenas nos Estados Unidos. Juntando a bilheteria no resto do mundo, certamente ele não dará prejuízo.

Esta produção estreou em setembro no Festival de Cinema de Nova York. Depois, ele passaria por outros três festivais, nenhum de grande peso. Até o momento, Life of Pi ganhou 26 prêmios e foi indicado a outros 56, além de ter recebido 11 indicações ao Oscar. Entre os prêmios que recebeu, destaque para o de Filme do Ano na AFI Awards; Melhor Direção de Fotografia e Melhores Efeitos Visuais no BAFTA Awards; Melhor Roteiro Adaptado no Satellite Awards; e Melhor Trilha Sonora Original no Globo de Ouro.

Para quem gosta de saber o local em que os filmes foram rodados, Life of Pi foi filmado em Taiwan, na Índia e no Canadá. Sem dúvida estas locações também ajudaram a elevar o custo da produção.

Os usuários do site IMDb deram a nota 8,2 para esta produção. Uma boa avaliação, levando em conta a média do site. Os críticos que tem o seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 190 textos positivos e 25 negativos para o filme, o que lhe garante uma aprovação de 88% e uma nota média 8.

Life of Pi é uma produção dos Estados Unidos e de Taiwan.

Há tempos eu não tinha dificuldade em escolher o cartaz do filme que eu estava comentando aqui no blog. Mas com Life of Pi, fiquei muito na dúvida… os três cartazes que eu escolhi eram muito bonitos. Mas acabei decidindo por este, possivelmente o mais clássico deles.

CONCLUSÃO: Nada como ser surpreendida positivamente, não é mesmo? Eu não gosto de filmes que forçam a barra para tornar a relação entre animais e pessoas ultra sentimentais. Afinal, nossas relações com os bichos são suficientemente passionais. Não preciso de histórias que levem esta relação ao extremo. Para minha surpresa, Life of Pi não chega nem perto desta vertente de filme. Eis aqui uma história interessante e diferenciada, rara no cinema atual. Um filme que fala como as parábolas fazem sentido. Como é belo pensar em uma forma diferente de encarar a dor, e de enfrentar situações que não deveriam ter acontecido. A perda e a dor podem ser embaladas de uma forma diferente para conseguirem ser levadas adiante. Lindo visualmente, Life of Pi é ainda mais bonito na mensagem. Vença o seu preconceito, como eu venci o meu, para surpreender-se também. Sem dúvida, um dos grandes filmes desta safra recente que chegou até o Oscar.

PALPITE PARA O OSCAR 2013: Life of Pi foi um dos filmes que mais recebeu indicações no Oscar deste ano. Foram 11, no total, a maioria em categorias técnicas. O que é justo, evidentemente, porque esta é uma produção bem acabada, com uma produção impecável e que segue a linha da fantasia, do surreal.

Entre as indicações em categorias técnicas, estão as de Melhor Fotografia, Melhor Edição, Melhor Trilha Sonora, Melhor Canção Original, Melhor Design de Produção, Melhor Edição de Som, Melhor Mixagem de Som e Melhores Efeitos Visuais.

Não assisti a todos os concorrentes destas categorias, mas posso dizer que Life of Pi tem ótimas chances de ganhar as estatuetas de Melhor Fotografia, Melhor Trilha Sonora, Melhor Design de Produção e Melhores Efeitos Visuais. Em Melhor Edição de Som, ele tem fortes concorrentes, como 007 Skyfall, que não assisti, mas que sei que tem um trabalho ótimo em edição de som e, principalmente, Zero Dark Thirty. Igualmente, podem vencer Argo ou, até mesmo, correndo por fora, Django Unchained. Categoria bem equilibrada e difícil de acertar. Meu voto estaria entre Life of PI e Zero Dark Thirty. E em Melhor Mixagem de Som a disputa é boa também. Acho que os grandes concorrentes voltam a ser 007 Skyfall, Argo e Les Misérables. Meu voto estaria entre Les Misérables e Life of Pi.

Além das categorias técnicas, Life of Pi está concorrendo em três categorias principais: Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Roteiro Adaptado. Em todas estas categorias a disputa é acirrada, com grandes produções concorrendo a cada estatueta. E com alguns favoritos já anunciados pelos prêmios que antecedem ao Oscar.

Os grandes concorrentes de Life of Pi em Melhor Roteiro Adaptado são Argo e Lincoln. Como Melhor Diretor, a queda de braço está forte, com algumas surpresas nas indicações, como o novato Benh Zeitlin, de Beasts of the Southern Wild, e veteranos que há tempos estão cotados para receber uma nova estatueta, como Steven Spielberg e Michael Haneke. Francamente, acho que Ang Lee tem poucas chances, e que a Academia deve reconhecer Spielberg. Mas surpresas podem acontecer.

Analisando o trabalho de diretor, deixando para lá a verve de roteirista, meu voto iria para Ang Lee, Benh Zeitlin ou Michael Haneke. Finalmente, a categoria de Melhor Filme… tudo indica que Life of Pi não terá chances frente a Argo e Lincoln. No fim das contas, o filme de Ang Lee deve levar algumas estatuetas em categorias técnicas. Tem potencial para umas quatro ou cinco estatuetas. Seria merecido.

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