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	<title>Crítica (non)sense da 7Arte</title>
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	<description>Blog com críticas de cinema; Blog with coments about cine; Blog con críticas de películas</description>
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		<title>Crítica (non)sense da 7Arte</title>
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		<title>Historias Mínimas &#8211; Histórias Mínimas</title>
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		<pubDate>Thu, 09 Jul 2009 18:28:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alessandra</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema argentino]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema espanhol]]></category>
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		<category><![CDATA[Crítica de filme]]></category>
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		<description><![CDATA[
Um filme para ser belo e profundo não precisa tratar de questões atípicas. Não faz falta que ele mostre um herói em sua saga pessoal ou reconstrua os desafios de uma época. Historias Mínimas demonstra tudo isso através de uma direção cuidadosa, de um texto inspirado &#8211; inspiradíssimo, eu diria &#8211; e de um grupo [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=moviesense.wordpress.com&blog=1601314&post=1762&subd=moviesense&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><a rel="attachment wp-att-1767" href="http://moviesense.wordpress.com/2009/07/09/historias-minimas-historias-minimas/historiasminimas5/"><img class="alignnone size-full wp-image-1767" title="historiasminimas5" src="http://moviesense.files.wordpress.com/2009/07/historiasminimas5.jpg?w=650&#038;h=923" alt="historiasminimas5" width="650" height="923" /></a></p>
<p>Um filme para ser belo e profundo não precisa tratar de questões atípicas. Não faz falta que ele mostre um herói em sua saga pessoal ou reconstrua os desafios de uma época. <a href="http://www.imdb.com/title/tt0291988/">Historias Mínimas</a> demonstra tudo isso através de uma direção cuidadosa, de um texto inspirado &#8211; inspiradíssimo, eu diria &#8211; e de um grupo de atores que prima pela busca do tom mais natural possível para seus personagens. Me desculpem, mas nesta crítica farei uso, mais do que nunca, de lugares-comum. Começo afirmando que Historias Mínimas revela, como poucos filmes até hoje, como o mais importante não é a chegada, o resultado final de uma trajetória, mas o caminho, a forma com que cada pessoa escolhe traçar a linha por baixo de seus pés.</p>
<p><strong>A HISTÓRIA: </strong>Don Justo Benedictis (<a href="http://www.imdb.com/name/nm1035096/">Antonio Benedicti</a>) faz um exame oftalmológico para renovar sua carteira de motorista. Mas ele se sai mal, muito mal. Corta. Uma mulher (<a href="http://www.imdb.com/name/nm1325251/">Mariela Díaz</a>) se apressa pelo terreno árido local para avisar sua amiga, María Flores (<a href="http://www.imdb.com/name/nm1028330/">Javiera Bravo</a>), de que ela foi chamada para participar de um programa de tevê. As duas se dirigem até o armazém local, o Ramos Generales &#8220;California&#8221;, criado por Don Justo, para ligar para o canal televisivo e saber que tipo de prêmio está em jogo. Pouco depois, Don Justo recebe a informação de que seu cachorro desaparecido, Malacara, foi visto na cidade de San Julián, distante 300 quilômetros dali. Don Justo resolve ir atrás de Malacara, mesmo contra a vontade do filho e da nora. A cidade para a qual ele quer viajar é a mesma que chama a María Flores e a Roberto (<a href="http://www.imdb.com/name/nm1030946/">Javier Lombardo</a>), um revendedor de produtos para emagrecer que está encantado por uma de suas clientes.</p>
<p><strong>VOLTANDO À CRÍTICA </strong>(SPOILER &#8211; aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Historias Mínimas): A primeira característica do filme que me chamou a atenção foi a maneira inusitada do diretor, o fantástico porteño <a href="http://www.imdb.com/name/nm0815044/">Carlos Sorin</a>, nos mostrar uma simples consulta oftalmológica. Apenas aquele começo é um indicativo de que algo bom viria por ali. Depois, achei impressionantes a trilha sonora e a direção de fotografia do filme. Estes dois elementos, por assim dizer, &#8220;saltam aos olhos&#8221;. Tornam o filme ainda mais belo &#8211; isso porque, apenas a sua história e a maneira com que ela foi contada já bastariam para que ele assim fosse classificado. Mas não&#8230; para completar o nosso deleite sensorial, ainda somos brindados com uma trilha sonora impecável de <a href="http://www.imdb.com/name/nm1259300/">Nicolás Sorin</a>, filho do diretor, e com uma direção de fotografia belíssima de <a href="http://www.imdb.com/name/nm0170130/">Hugo Colace</a>. Se bem que, convenhamos, o cenário da <a href="http://vidasimples.abril.com.br/edicoes/051/horizontes/slide_266273.shtml">Patagônia argentina</a>, por si só, era quase impossível de não ficar belo em um filme. Mas a escolha certa das lentes e dos ângulos acaba sendo fundamental para capturar aquela beleza natural bruta.</p>
<p>Mas ok, vamos deixar o meu estado maravilhado com estes elementos técnicos para lá. Não demora muito para Historias Mínimas se mostrar mais uma produção ao estilo &#8220;histórias-que-se-cruzam-e-se-perdem&#8221;. Pois sim&#8230; outras produções, inclusive anteriores, como é o caso de <a href="http://www.imdb.com/title/tt0108122/">Short Cuts</a> e <a href="http://www.newline.com/properties/magnolia.html">Magnólia</a>, exploravam esta vertente de &#8220;colcha-de-retalhos-humanista&#8221;. E ainda que eu gosto dos filmes citados, vejo em Historias Mínimas um nível de sensibilidade e, porque não dizer, beleza, mais significativos. Aqui, como em tantos filmes de <a href="http://www.imdb.com/name/nm0000265/">Robert Altman</a> e de outros diretores, a &#8220;gente ordinária&#8221; é protagonista. No melhor estilo de &#8220;as coisas simples são as que valem mais&#8221; &#8211; eu avisei que iria resgatar um monte de lugares-comum! -, este filme de Sorin nos mostra que são os pequenos gestos de generosidade, os atos de bravura cotidianos, que realmente fazem a diferença no final das contas.</p>
<p>Algo muito acertado no excelente texto de <a href="http://www.imdb.com/name/nm1258535/">Pablo Solarz</a> é o fato de que ele não mostra apenas o &#8220;lado feliz&#8221; da vida. Não. A família de Don Justo, María Flores e todas as pessoas que moram na pequena cidade de Fitz Roy tem uma vida dura, com pouquíssimas perspectivas ou oportunidades no horizonte. (SPOILER &#8211; não leia se você não assistiu ao filme). Naquele cenário de cidades isoladas na distante Patagônia, as pessoas vendem seus prêmios e seus cães por 50 pesos porque esse dinheiro lhes faz uma falta brutal. Nesta história, existem pessoas como a encantadora Julia (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0813439/">Julia Solomonoff</a>), que dá uma carona para o &#8220;avôzinho&#8221; que está andando na beira da estrada, assim como existem aproveitadoras como a Sra. Gladys do programa de televisão, que engana María Flores para conseguir o seu tão sonhado prêmio. A verdade é que estes dois personagens centrais, Don Justo e María Flores, poderiam ter se dado muito mal em suas aventuras. Mas eles tiveram sorte de encontrar pessoas boas pelo caminho &#8211; outro que merece ser citado é o personagem de Fermín (<a href="http://www.imdb.com/name/nm1324989/">Aníbal Maldonado</a>), um chefe-de-obras que deveria ser clonado.</p>
<p>Outro acerto do roteiro é não tornar estas histórias &#8220;mínimas&#8221; (gigantes, na verdade) um dramalhão. Na verdade, o filme tem muitos momentos de pura comédia &#8211; especialmente na saga de Roberto e seu bolo. Pablo Solarz consegue juntar em seu roteiro os variados elementos da vida mesma, ou seja, comédia, drama, uma certa carga de suspense, de tensão e de aventura. Seu texto também trata de família, busca por oportunidades, vulnerabilidade, firmeza de caráter, enfim&#8230; poderia passar horas &#8211; e parágrafos &#8211; falando de cada aspecto do filme. Mas o melhor mesmo é descobrí-lo. Agora, um aparte nesta história: acho incrível como algumas pessoas, no caso específico do filho de Don Justo, podem ser tão egoístas. O que custava à aquele homem ajudar o pai a realizar o desejo/sonho de conseguir o seu antigo cão, companheiro de boa parte de sua vida, de volta? Vaya!! Nestas horas penso que tem pessoas que realmente não percebem o que é importante nesta vida.</p>
<p>Outra reflexão interessante do filme é a de que ninguém, por mais próximo que seja de uma pessoa, pode saber tudo a seu respeito. (SPOILER &#8211; não leia&#8230; vc já sabe). Os três personagens principais do filme sentem e passam por situações que ninguém, além deles mesmos, pode entender. Don Justo acredita que o acidente que ele causou lhe define mais do que outras ações e gestos conhecidos por seus familiares e amigos. Carregado de culpa, ele acredita que apenas Malacara o conhece de verdade. Roberto, como um bom vendedor, sabe convencer os demais para que eles façam o que ele deseja. Ele veste uma armadura e interpreta um papel em todo e qualquer encontro mas, em uma lanchonete ou em um quarto de hotel, sozinho, ele se revela (para ninguém). María Flores também deixa ser vista pela televisão, &#8220;por todo o mundo&#8221;, mas apenas ao se olhar no reflexo de um espelhinho é que percebemos o quanto ela é maior do que os minutos que os produtores deste filme deram para ela.</p>
<p>E se Historias Mínimas inteiro é bem escrito e bem dirigido, o final dele é o que nos provoca uma reflexão ainda mais importante, e de forma muito natural. (SPOILER &#8211; não leia se você não assistiu ao filme). Não importa se o cachorro encontrado por Don Justo não era o seu Malacara. Não vem ao caso se a idéia de surpresa romântica de Roberto não se concretizou. Pouco importa se o que María Flores traz para casa é um multiprocessador todo &#8220;moderno&#8221; ou um kit de maquiagens que parece ter sido feito para crianças. O importante em cada uma destas &#8220;chegadas&#8221; foi o caminho percorrido por seus personagens. Ou, em outras palavras, o que interessa é que Don Justo encontrou o seu perdão; que María Flores realizou o sonho de ser vista por &#8220;todo o mundo&#8221; pela televisão; e que Roberto conseguiu o seu quinhão de esperança. Humanista, sensível e otimista, Historias Mínimas é um destes filmes que deveria ser obrigatório.</p>
<p><strong>NOTA: </strong>10.</p>
<p><strong>OBS DE PÉ DE PÁGINA: </strong>Me desculpem os nossos &#8220;hermanos&#8221; argentinos, mas é MUITO estranho ouvir a maneira deles falarem. Claro que cada país de língua espanhola tem a sua forma de falar, mas ainda assim&#8230; Sinto muito, mas o idioma que eles falam é o &#8220;argentino&#8221; (sic), porque o castellano, ou seja, o idioma dos colonizadores, aquele que é utilizado na Espanha, é outro. Totalmente. Pessoalmente, gosto mais do castellano do que do espanhol falado pelos argentinos.</p>
<p>Eu gostei de todos os atores do filme, mas tem um que, sem dúvida, merece cada segundo em que ele aparece em cena: Antonio Benedicti. Que monstro, este homem! Sua expressividade, especialmente pelo olhar, é magnífica. De tirar o chapéu, realmente. Outras que conseguem &#8220;hipnotizar&#8221; enquanto estão em cena são as atrizes Julia Solomonoff e Mariela Díaz.</p>
<p>Na parte técnica do filme, além dos profissionais já citados, vale a pena comentar o trabalho preciso do editor <a href="http://www.imdb.com/name/nm1258258/">Mohamed Rajid</a>.</p>
<p>Historias Mínimas é um dos grandes êxitos do cinema argentino. Em sua trajetória, este filme de 2002 abocanhou 22 prêmios e foi indicado ainda a outros sete. Entre os prêmios que ganhou, destaque para o de Melhor Filme Estrangeiro em Língua Espanhola dos <a href="http://www.academiadecine.com/">Prêmios Goya</a>; duas menções especiais e um prêmio especial do júri do <a href="http://www.sansebastianfestival.com/">Festival Internacional de Cinema de San Sebastián</a> &#8211; as maiores premiações da Espanha; e outros dois prêmios para Carlos Sorin no <a href="http://www.habanafilmfestival.com/">Festival de Havana</a>.</p>
<p>O filme também se saiu muito bem na opinião do público e da crítica. No site <a href="http://www.imdb.com/">IMDb</a> ele conquistou a nota 7,6. O <a href="http://www.rottentomatoes.com/">Rotten Tomatoes</a> abriga 23 críticas positivas e apenas duas negativas, o que garante para Historias Mínimas uma aprovação de 92%.</p>
<p>Nas bilheterias Historias Mínimas foi razoavelmente bem: arrecadou pouco mais de 282 mil pesos na Argentina e, nos Estados Unidos, pouco mais de US$ 102 mil.</p>
<p>Um detalhe chamou bastante a minha atenção no filme: os bastidores do programa de TV no qual María Flores vai tentar a sua sorte. (SPOILER &#8211; não leia se você não assistiu ao filme). Muito interessante a maneira com que os estereótipos e a imagem distorcida que a personagem, representando todas as espectadoras viciadas nesse tipo de programa &#8211; de prêmios, sorteios e desafios &#8211; vão sendo tratados pelo filme. María Flores sai maravilhada desta experiência, diferente de nós, que percebemos com um bocado de ironia e cinismo o tipo de ambiente improvisado daquele programa. Uma das partes mais cômicas e irônicas do filme, sem dúvida.</p>
<p>Enquanto as histórias do filme vão se desenvolvendo, fica a impressão que muitas pessoas que aparecem em papéis secundários são &#8220;gente comum&#8221;. E não é por menos: Sorin realmente utilizou pessoas daquela região que não eram atores para fazer papéis pequenos no filme. O que, evidentemente, só aumenta um pouco mais o tom &#8220;realista&#8221; da história.</p>
<p>Lançado em 2002, Historias Mínimas é uma co-produção da Argentina e da Espanha.</p>
<p><strong>CONCLUSÃO: </strong>Um filme sensível e belo em cada detalhe, que revela histórias &#8220;simples&#8221; e cotidianas carregadas de humor, drama, desafios e pequenas conquistas. Como a vida mesma, alguns diriam&#8230; Produção argentina que deveria constar na lista básica de filmes feitos na América Latina que devem ser vistos. Além de apresentar um roteiro coerente e envolvente, Historias Mínimas revela um cenário lindo: o da parte menos &#8220;glamurosa&#8221; da Patagônia argentina. Sem esconder a pobreza local e nem os desafios de seus personagens, esta produção acaba sendo realista e, ao mesmo tempo, otimista. No fim das contas, nos deixa o sabor de que a vida é feita de momentos de felicidade, conquistas singelas, em meio a um cotidiano muitas vezes de desafios, tédio e poucas oportunidades. Grande trabalho do diretor Carlos Sorin e do roteirista Pablo Solarz. Mas nada disso funcionaria tão bem sem a interpretação emocionada e hipnotizante de Antonio Benedicti. Para quem gosta de filmes desta estirpe, não haverá erro.</p>
<p><strong>SUGESTÕES DE LEITORES: </strong>Eis aqui um filme que foi indicado por um leitor deste blog há séculos atrás e, só agora, consegui assistí-lo. Aliás, comento que neste momento, sem nenhuma &#8220;série de filmes&#8221; para serem assistido e nem nada, voltarei a consultar a minha lista de produções que foram citadas ou sugeridas aqui no blog e&#8230; dá-lhe! Pouco a pouco assistirei a todos. Há muito tempo algumas pessoas com quem eu já troquei idéias sobre cinema &#8211; e elas foram/são muitas &#8211; haviam me falado de Historias Mínimas. Mas, definitivamente, foi o comentário de Tony Freitas, no dia 28 de julho do ano passado &#8211; puf! há quase um ano! &#8211; que me fez ir atrás deste filme. Aliás, Tony, você nunca mais voltou aqui no blog. Espero que retornes, inclusive para falar de outros filmes. Na época do teu comentário, me perguntavas porque não era possível encontrar Historias Mínimas no Brasil. Pois, boa pergunta. Eu consegui assistir a este filme através de um amigo argentino &#8211; que há tempos tinha feito a propaganda desta produção. Mas reparei que realmente ele não está à venda no Brasil. Se não tens um amigo/a argentino/a para te emprestar o filme, a única maneira que eu vejo é importá-lo&#8230; se queres mesmo assistí-lo. Na Amazon.com, por exemplo, ele está sendo vendido entre US$ 14 e US$ 22,56. É uma saída&#8230; mas se optares por importá-lo, fica de olho na região que corresponde ao DVD.</p>
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		<title>Wendy and Lucy</title>
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		<pubDate>Tue, 07 Jul 2009 21:33:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alessandra</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema norte-americano]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica de filme]]></category>
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Um drama lírico, bonito, que traz uma história singela que provoca, me desculpem os sensíveis, um certo grau de raiva. Wendy and Lucy, filme independente protagonizado por Michelle Williams, narra a trajetória de uma garota em trânsito. Ela saiu do Estado de Indiana, no Centro-Oeste dos Estados Unidos, em direção ao distante Alaska, apenas acompanhada [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=moviesense.wordpress.com&blog=1601314&post=1740&subd=moviesense&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><a rel="attachment wp-att-1744" href="http://moviesense.wordpress.com/2009/07/07/wendy-and-lucy/wendyandlucy1/"><img class="alignnone size-full wp-image-1744" title="wendyandlucy1" src="http://moviesense.files.wordpress.com/2009/07/wendyandlucy1.jpg?w=650&#038;h=962" alt="wendyandlucy1" width="650" height="962" /></a></p>
<p>Um drama lírico, bonito, que traz uma história singela que provoca, me desculpem os sensíveis, um certo grau de raiva. <a href="http://www.wendyandlucy.com/index.html">Wendy and Lucy</a>, filme independente protagonizado por <a href="http://www.imdb.com/name/nm0931329/">Michelle Williams</a>, narra a trajetória de uma garota em trânsito. Ela saiu do Estado de Indiana, no Centro-Oeste dos Estados Unidos, em direção ao distante Alaska, apenas acompanhada de sua cadela, Lucy. No melhor estilo de narração naturalista, o filme previlegia o cotidiano de Wendy e as relações que ela desenvolve na cidade em que está provisoriamente. A raiva surge pela inocência (ou burrice) da personagem, que toma as decisões mais equivocadas possíveis &#8211; e que também, convenhamos, é atrapalhada por uma aparente onda de azar e pela frieza das pessoas modernas, mais preocupadas com o próprio umbigo do que com alguém que passe ao lado.</p>
<p><strong>A HISTÓRIA:</strong> Wendy (Michelle Williams) passeia com sua cadela, Lucy, perto de um trilho de trem. Lá pelas tantas, Lucy desaparece. Wendy busca sua companheira até encontrá-la junto a um grupo de moradores de rua. Destemida, ela se aproxima calmamente e consegue recuperar a cadela. Pouco depois, as duas dormem no carro de Wendy em um estacionamento vazio. Pela manhã cedo, o vigia do local (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0198369/">Wally Dalton</a>) acorda as duas e avisa que elas devem sair dali. A partir deste momento, uma maré de azar e de decisões equivocadas de Wendy vai separar ela de sua cadela mais uma vez &#8211; e, desta vez, por muito mais tempo.</p>
<p><strong>VOLTANDO À CRÍTICA </strong>(SPOILER &#8211; aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Wendy and Lucy): Sempre é um prazer encontrar um filme que nada contra a corrente. Especialmente quando isso significa não ter pressa em contar uma história e, principalmente, demonstrar o apreço pela beleza das imagens, mais do que a necessidade de impressionar o espectador com cortes rápidos ou movimentos de câmera frenéticos. Não é nada comum apreciar, no cinema made in Estados Unidos, este tipo de cinema &#8211; que talvez seja muito mais característico no cinema japonês. Apenas por trazer esta &#8220;brisa&#8221; diferente para o cinema estadunidense, Wendy and Lucy se justifica. Mas é uma pena que a beleza da direção e o cuidado em narrar esta história não seja acompanhado pela história em si.</p>
<p>A verdade é que Wendy dá nos nervos. Me desculpem os fãs da personagem, mas eu admito que tive vontade de entrar na história, muitas vezes, e dar uma bela chacoalhada na figura &#8211; no melhor estilo de <a href="http://www.imdb.com/title/tt0089853/">The Purple Rose of Cairo</a>. <img src='http://s.wordpress.com/wp-includes/images/smilies/face-smile.png' alt=':)' class='wp-smiley' />  Eu não entendo se ela é burra ou inocente demais, mas o fato é que Wendy semeia seu azar ao vento &#8211; e, claro, acaba colhendo parte de seus frutos. (SPOILER &#8211; não leia se você não assistiu ao filme). Entendo que ela quisesse economizar cada centavo de seu dinheiro porque, afinal de contas, faltava muita estrada ainda para percorrer até o Alaska. Certo. Mas será mesmo que ela não pensou que tipo de consequencia ela poderia ter roubando um par de produtos no supermercado local? Se fosse só ela, ainda vá lá&#8230; mas Wendy tinha a Lucy sob sua responsabilidade. Também não entendi porque ela não negociou com o dono da loja, garantindo que iria pagar por aqueles produtos.</p>
<p>Essa sua atitude é a primeira de uma série de erros que desencadeiam no final de, admito, cortar o coração. Final esse também que não concordo, porque me pareceu uma baita covardia &#8211; alguém talvez pense o contrário, que se tratou de um ato de coragem. Bem, logo mais falaremos disso. A impressão que eu tenho de Lucy é que ela é um tanto &#8220;limitada&#8221; intelectualmente. Sem dúvida ela não tem a malandragem que, acredito, a maioria dos brasileiros parece ter. (SPOILER &#8211; não leia se você não assistiu ao filme). Quem, hoje em dia, viajaria por milhares de quilômetros dormindo, a cada noite, dentro de um carro? E pior, quem, ao não ter o carro disponível para dormir, escolheria um terreno próximo a um trilho de trem para passar a noite? Detalhe: essa pessoa sendo uma mulher bonita e com todo o naipe de ser anônima no local. Por esse tipo de atitude da protagonista, estamos sempre esperando que o pior aconteça com Wendy.</p>
<p>Narrado de uma maneira linear e cuidadosa pela diretora <a href="http://www.imdb.com/name/nm0716980/">Kelly Reichardt</a>, Wendy and Lucy mostra os perigos, o azar e a sorte que uma garota sem passado e sem futuro claros/conhecidos pode encontrar pelo caminho. (SPOILER &#8211; não leia&#8230; você sabe). O momento mais tenso do filme é aquele em que um protótipo de serial killer encontra Wendy dormindo no terreno próximo as linhas de trem. O que acontece a partir daquele momento resulta no ápice da interpretação de Michelle Williams. Mas se existe gente ruim e desequilibrada no mundo, talvez na mesma medida exista gente do bem, pessoas generosas, como é o caso do vigia interpretado por Wally Dalton. Ele não faz nenhum grande gesto de sacrifício, mas tem a atitude do olhar e do cuidado para com o próximo que deveria ser mais comum no nosso mundo. Talvez essa reflexão seja o melhor do filme.</p>
<p>No mais, Wendy and Lucy revela os percalços da protagonista para resolver problemas &#8220;simples&#8221; &#8211; uma dificuldade que talvez seja mais comum atualmente do que gostaríamos de admitir. (SPOILER &#8211; não leia se você não assistiu ao filme). Entre eles, o conserto do carro para que ela possa continuar viajando; a busca por Lucy; e a busca por locais relativamente seguros para passar a noite e fazer sua higiene básica de cada dia. Alguns podem achar o filme entediante, muito lento&#8230; bem, sem dúvida esta produção é uma forma diferenciada de contar uma história. Ele lembra algumas produções francesas, japonesas ou de outros países europeus &#8211; guardadas as devidas proporções, é claro. Um acerto do roteiro é nos deixar em dúvida sobre o perfil de Wendy &#8211; aquilo de não sabermos se ela é despreparada para a vida, inocente demais ou burra mesmo, sem contar o fato de que desconhecemos seu passado.</p>
<p>E o final&#8230; me deixou ainda mais irritada com a personagem. (SPOILER &#8211; bem, vocês já sabem). Cacilda, será que ela não consegue pensar nunca em uma saída relativamente inteligente para seus problemas? Primeiro, ela não consegue evitar a própria prisão por um motivo estúpido. Depois, não pensa em vender o carro sem conserto para pagar o restante da viagem. Alguns podem ver sua atitude com Lucy como algo corajoso, que demonstra o quanto ela era desprendida e &#8220;pensava o melhor para sua cadela&#8221;. Pois eu vejo como mais um sinal de burrice. Afinal, sempre existem outras saídas. O abandono é sempre a última alternativa. E que dó eu tive da pobre Lucy&#8230; <img src='http://s.wordpress.com/wp-includes/images/smilies/face-wink.png' alt=';)' class='wp-smiley' /> </p>
<p><strong>NOTA: </strong><span style="text-decoration:line-through;">7,8</span> 8,3.</p>
<p><strong>OBS DE PÉ DE PÁGINA: </strong>Admito que fazia muito tempo que eu queria ver a este filme e que, talvez por esta relativamente alta expectativa, ele tenha se saído pior do que eu esperava. Ele é bonito, Michelle Williams e a cadela Lucy estão bem (hehehehehehehe, não consegui evitar a piada) e tudo o mais, mas não sei&#8230; acho que faltou um pouco mais de conteúdo. Ou eu não cheguei ao fundo da questão, não entendi a história.</p>
<p>(SPOILER &#8211; não leia se você não assistiu ao filme). Se ela é uma reflexão sobre a fragilidade e a &#8220;insignificância&#8221; de uma vida em trânsito&#8230; bem, ok. Não deixa de ser interessante assistir a um filme que mostra que toda e qualquer pessoa tem os seus desafios, seus amores, problemas, sonhos e tudo o mais, independente se é uma pessoa desconhecida ou familiar. Independente se conhecemos o seu passado, suas motivações, ela tem importância/desimportância, dependendo de cada ótica. Agora, como falei anteriormente, um dos acertos de Wendy and Lucy é não explicar muito bem o passado e nem o futuro da nossa protagonista. Não sabemos, realmente, se ela está indo para o Alaska atrás de trabalho ou se ela tem outras razões para fazer uma viagem tão longa. Que tipo de relações ela tem com o cunhado e a irmã &#8211; parece que Wendy tem uma história mal resolvida nas costas. Bem, nada disso, saberemos ao certo. Tudo acaba em conjecturas.</p>
<p>Este é o sexto filme no currículo da diretora Kelly Reichardt. Ela faz um trabalho muito bom, inspirado, em Wendy and Lucy. A sequência inicial, em que sua câmera praticamente faz as vezes de um voyeur, é muito boa. Uma sequência bastante promissora. Outras que sucedem essa primeira, com a eleição de planos de câmera que privilegiam os personagens e a cidade em que a história está sendo contada, caminham com a mesma qualidade. O problema é que a adaptação da diretora, feita juntamente com <a href="http://www.latimes.com/features/books/la-ca-jon-raymond11-2009jan11,0,7337872.story">Jon Raymond</a>, autor do conto que originou o roteiro, Train Choir, se mostra um tanto descompassada em relação a narrativa das imagens. Parece que faltam diálogos e acontecimentos mais interessantes para fazer companhia com a escolha de imagens inspirada. E falando nelas, merece uma menção especial o trabalho do diretor de fotografia <a href="http://www.imdb.com/name/nm1240085/">Sam Levy</a>.</p>
<p>Além dos atores já citados, vale comentar as &#8220;pontas&#8221; de <a href="http://www.imdb.com/name/nm0001599/">Will Patton</a> como o dono da oficina mecânica em que Wendy leva seu carro; <a href="http://www.imdb.com/name/nm0275244/">Larry Fessenden</a> como o homem do parque que eu chamei carinhosamente de &#8220;protótipo de serial killer&#8221;; e <a href="http://www.ayannaberkshire.com/">Ayanna Berkshire</a> como a atendente do abrigo para animais.</p>
<p>Até o momento, Wendy and Lucy ganhou quatro prêmios e foi indicado a outros cinco. Entre os que levou para casa, estão o de melhor atriz para Michelle Williams e o de melhor filme atribuídos pela premiação da <a href="http://www.torontofilmcritics.com/">Associação de Críticos de Cinema de Toronto</a>, no ano passado. Williams ainda recebeu o prêmio de melhor atriz no Prêmio da <a href="http://ofcs.rottentomatoes.com/">Sociedade de Críticos de Cinema Online</a>; e Kelly Reichardt recebeu o Russell Smith no Prêmio da <a href="http://www.dfwfilmcritics.com/">Associação de Críticos de Cinema de Dallas-Fort Worth</a>.</p>
<p>Wendy and Lucy conseguiu uma nota muito boa para os padrões do site <a href="http://www.imdb.com/">IMDb</a>: 7,3. Os críticos que tem seus textos linkados no <a href="http://www.rottentomatoes.com/">Rotten Tomatoes</a> também foram generosos com o filme, dedicando-lhe 117 textos positivos e apenas 22 negativos, o que lhe garante uma aprovação de 84%.</p>
<p>Depois de estrear no <a href="http://www.festival-cannes.com/en.html">Festival de Cannes</a> de 2008 e de passar por outros 20 festivais &#8211; uma marca impressionante! -, o filme chegou aos cinemas dos Estados Unidos conseguindo, até o dia 26 de abril deste ano, uma bilheteria de quase US$ 857 mil. Depois desta estréia em solo norte-americano, a produção ainda passaria por seis festivais este ano.</p>
<p>Um ponto interessante do filme, do qual não falei antes, é que ele mostra a vida em uma cidade do Oregon para ilustrar o cotidiano de muitas outras cidades dos Estados Unidos. Por este lado, o filme tem seu interesse. Especialmente porque o que vemos é um cenário de certa desolação, com poucas opções de trabalho, falta de perspectivas para as pessoas &#8211; incluídos os jovens. Uma América muito diferente do que a maioria está acostumada &#8211; maioria essa que, certamente, não assistiu ao interessante (e importante) documentário de <a href="http://www.michaelmoore.com/">Michael Moore</a>, <a href="http://www.michaelmoore.com/dogeatdogfilms/rogerme.html">Roger &amp; Me</a>, filmado em Flint, no Estado de Michigan.</p>
<p>Nas notas de produção do filme, fica claro que a intenção de Wendy era buscar trabalho em uma das fábricas de conserva de peixes no Alaska, durante a &#8220;lucrativa temporada de verão&#8221;. O carro dela quebra no Oregon, <a href="http://maps.google.com.br/">distante</a> aproximadamente 4 mil quilômetros de seu destino final &#8211; segundo o <a href="http://maps.google.com.br/">Google Maps</a>.</p>
<p>Em uma entrevista para o material de divulgação de Wendy and Lucy, a diretora Kelly Reichardt comentou que dois elementos estavam no conto original de Raymond e no roteiro que eles produziram depois: o cachorro e a economia. Cada um deles trabalhou um período no roteiro, deixando ainda os atores confortáveis para contribuirem, eles mesmos, com o texto final. Achei bacana a diretora destacar o talento de Raymond em transformar a paisagem em que suas histórias se desenvolvem em um personagem a mais. Foi essa a impressão que eu tive também.</p>
<p>Críticos como Wesley Morris, do <a href="http://www.boston.com/bostonglobe/">The Boston Globe</a>, destacaram a interpretação de Michelle Williams e uma das mensagens do filme: a convicção de sua personagem por ser uma pária social. Ou seja, por revelar-se uma excluída da sociedade consumista atual &#8211; ela se recusa a pagar por uma lata de comida para cachorro, não tem cartão de crédito ou celular. <a href="http://www.boston.com/movies/display?display=movie&amp;id=12554">Neste texto</a> (em inglês), Morris faz um paralelo entre Reichardt e <a href="http://www.myspace.com/gusvansant">Gus Van Sant</a>, afirmando que a primeira é mais reflexiva que o segundo. Ele destaca, por exemplo, como os dois últimos filmes da diretora &#8211; Wendy and Lucy e <a href="http://www.imdb.com/title/tt0468526/">Old Joy</a> &#8211; refletem sobre os limites do idealismo. É uma forma interessante de ver o seu trabalho. Admito que, encarando por esta ótica, o filme merece uma nota um pouco maior.</p>
<p>Gostei também <a href="http://nuvempreta.blogspot.com/2009/04/wendy-and-lucy.html">desta leitura</a> feita pelo Bruno Carmelo do blog Nuvem Preta, que considera Wendy and Lucy inclassificável.</p>
<p><strong>CONCLUSÃO: </strong>Um filme que lembra, em determinados aspectos, algumas produções européias, mais especificamente francesas, ou mesmo do cinema japonês. Contado sem pressa, em um tom naturalista/minimalista, ele destaca as interpretações dos atores e o ambiente em que a história se passa. Mas se Wendy and Lucy acerta na direção e nos detalhes, erra na ligeireza de sua história. Fraco em conteúdo, ele termina sem dizer muito bem ao que veio. Pode ser visto como uma crítica a nossa sociedade consumista, que cobra um alto valor das pessoas simples. Ou pode ser entendido como uma crônica sobre as consequências de uma série de escolhas erradas de um indivíduo. Vale como curiosidade e como exercício de um cinema independente produzido nos Estados Unidos. Chega a emocinar. Provoca diferentes reações no espectador durante a sua projeção. Mas sua validade termina aí. Uma pena para uma produção que começa com uma sequência ao melhor estilo voyeur, mas que termina sem nenhum suspense ou complexidade.</p>
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		<title>Grey Gardens</title>
		<link>http://moviesense.wordpress.com/2009/07/06/grey-gardens/</link>
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		<pubDate>Mon, 06 Jul 2009 04:19:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alessandra</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema norte-americano]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica de filme]]></category>
		<category><![CDATA[Movie]]></category>

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		<description><![CDATA[
Algumas vezes a realidade é mais assustadora que qualquer ficção. Grey Gardens, drama dirigido por Michael Sucsy e estrelado pelas divinas Jessica Lange e Drew Barrymore, conta a história verdadeira da tia e da prima de Jacqueline Kennedy Onassis. A narrativa, que mostra parte da vida de mãe e filha durante 40 anos (precisamente entre [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=moviesense.wordpress.com&blog=1601314&post=1728&subd=moviesense&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><a rel="attachment wp-att-1732" href="http://criticanonsense.com/2009/07/06/grey-gardens/greygardens1/"><img class="alignnone size-full wp-image-1732" title="greygardens1" src="http://moviesense.files.wordpress.com/2009/07/greygardens1.jpg?w=650&#038;h=962" alt="greygardens1" width="650" height="962" /></a></p>
<p>Algumas vezes a realidade é mais assustadora que qualquer ficção. <a href="http://www.hbo.com/films/greygardens/">Grey Gardens</a>, drama dirigido por <a href="http://www.imdb.com/name/nm1302591/">Michael Sucsy</a> e estrelado pelas divinas <a href="http://www.imdb.com/name/nm0001448/">Jessica Lange</a> e <a href="http://www.drewbarrymore.com/">Drew Barrymore</a>, conta a história verdadeira da tia e da prima de <a href="http://www.whitehouse.gov/about/first_ladies/jacquelinekennedy/">Jacqueline Kennedy Onassis</a>. A narrativa, que mostra parte da vida de mãe e filha durante 40 anos (precisamente entre 1936 e 1976), esboça um retrato realista e, consequentemente, cruel da decadência de parte de uma família considerada por muito tempo como de alta classe. De forma indireta, o retrato destas mulheres mostra como a sociedade estadunidense tradicional foi desaparecendo, sendo corroída pelo tempo e a falta de senso para o realismo. Um filme produzido para a TV impressionante, seja pelo conteúdo, pelas protagonistas ou pelo caprichado acabamento da produção.</p>
<p><strong>A HISTÓRIA:</strong> Edith Bouvier Beale (Jessica Lange) e a &#8220;pequena&#8221; Edith Bouvier Beale (Drew Barrymore), mãe e filha, assistem na antiga propriedade da família, Grey Gardens, uma pequena parte de um documentário sobre suas vidas. Nele, a &#8220;pequena&#8221; Edith &#8211; que chamarei de Edie &#8211; dança para dois dos diretores do longa, Albert e David Maysles, relembrando os velhos tempos, quando sonhava em ser uma artista. Prestes a completar 60 anos, e depois de viver décadas um estilo de vida de permanente decadência, Edie aparece na telona querendo mostrar talento, classe, um modo de viver que existe apenas nas aparências, ornamentado pela bandeira dos Estados Unidos. Corta. A partir desta sequência, o filme volta para o ano de 1936, quando Grey Gardens ainda era um lugar cheio de vida, aonde vivia Edith e sua família. O que presenciamos, a partir daí, é um resumo do que aconteceu na família dos Beale a partir de então.</p>
<p><strong>VOLTANDO À CRÍTICA </strong>(SPOILER &#8211; aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso só recomendo que continue lendo quem já assistiu a Grey Gardens): Propriedade e família, dois marcos na cultura dos Estados Unidos, aparecem neste filme de uma maneira emblemática. Os Beale, representados por sua matriarca, revelam um apego a estes valores que chega ao absurdo. No melhor estilo &#8220;décadene avec élégance&#8221; (leia-se &#8220;decadência com elegância&#8221;), Grey Gardens nos mostra como o apego às aparências pode significar o centro de uma existência. No caso das &#8220;Edith&#8221; desta história, mãe e filha, a falsa sensação de propriedade e de ter uma vida &#8220;com liberdade&#8221; as leva ao abandono extremo e à mais pura decadência. Tentando manter as aparências, ainda se sentindo &#8220;belas&#8221; e &#8220;elegantes&#8221;, as duas passaram a viver em condições de higiene absurdas.</p>
<p>Mas antes disso, muita água rolou por baixo da ponte destas mulheres. Edith Bouvier Beale &#8211; uma Jessica Lange como há muito não se via &#8211; seguiu o padrão das mulheres do final do século 19 e início do século 20: casou para garantir uma vida segura confiando que poderia ser &#8220;livre&#8221; mesmo &#8220;presa&#8221; a um matrimônio baseado mais em interesse que em amor. E assim como muitas mulheres de sua geração, ela aceitava a infidelidade do marido, Phelan Beale (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0397432/">Ken Howard</a>), em troca de ter as suas &#8220;regalias&#8221;.</p>
<p>(SPOILER &#8211; não leia se você não assistiu ao filme). Frustrada por não ter seguido uma carreira artística, como dançarina e cantora, ela decidiu, depois que tinha tido três filhos com Beale &#8211; o que lhe dava uma certa &#8220;garantia&#8221; de bem-estar &#8211; viver a sua própria aventura. Mas não demora muito para ela descobrir que seu caso com o músico George Strong, conhecido por Gould (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0315236/">Malcolm Gets</a>) não seria aceito pelo marido. Santa inocência daquela mulher &#8211; ou, talvez, apenas os primeiros sinais de sua total falta de senso para a realidade &#8211; achar que existia igualdade entre homens e mulheres. Se mesmo hoje, em pleno século 21, ela ainda não existe, quanto mais na década de 1930. Bem, mas isso é assunto para outras conversas.</p>
<p>Um fato curioso na vida de mãe e filha é que Edie teve a oportunidade de se lançar a uma vida diferente. (SPOILER &#8211; não leia se você não assistiu ao filme). Mas, no fim das contas, ela acaba sucumbindo a chantagem emocional &#8211; e controle &#8211; da mãe. No melhor estilo &#8220;Como nossos pais&#8221;, Edie rejeita a trajetória de Edith, mas acaba seguindo, deliberadamente, os seus passos &#8211; exceto pelo casamento, porque ela resolve não se casar. Fora isso, ela repete os gestos e o comportamento da mãe, conseguindo viver em uma realidade paralela, irreal, da mesma forma. Impressionante o que estas duas passam. Pouco a pouco, tudo ao seu redor vai se deteriorando. Casa, jardim, suas dignidades. Mas elas não querem saber, continuam sonhando com uma vida de estrelato &#8211; algo que pode ser percebido quando elas viram objeto de desejo de jornalistas e, posteriormente, dos diretores do documentário homônimo de 1975. Edith querendo receber parte do lucro que o filme poderia ter e, principalmente, Edie querendo uma cláusula no contrato que lhe permitiria fazer outros filmes &#8211; e quem se interessaria por ela? &#8211; são de assustar. E resumem bem o que se passava com aquelas duas.</p>
<p>Além de contar com um roteiro e uma direção cuidadosos, este filme é um belo exemplo de trabalho bem acabado em seu conjunto &#8211; depois falarei de cada parte técnica do filme. Mas o impressionante mesmo são as atuações do elenco, com especialíssimo destaque para Drew Barrymore e, em um nível difícil de alcançar, de Jessica Lange. As duas passam por transformações incríveis com o passar da história &#8211; deveria ser duro receber aquela quantidade de maquiagem na fase madura das personagens. Mas, ainda assim, conseguem nos revelar toda a fragilidade, loucura, determinação e profundidade das mulheres que elas encarnaram. Impressionante.</p>
<p>Tão impressionante quase como a participação generosíssima de Jackie Kennedy (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0000675/">Jeanne Tripplehorn</a>) em certo ponto do filme, estendendo a mão para ajudar duas pessoas com as quais ela nunca mais teve contato na vida. Pessoas essas das quais ela tinha boas lembranças da época em que era criança e que, apesar de tudo &#8211; e da distância/esquecimento &#8211; eram sua família. Seu gesto de generosidade, mais do que o apego pela propriedade das duas Edith, talvez é o que demonstre da melhor forma o real sentido de família. Porque ela não deve ser entendida como uma relação entre pessoas baseada em um apego egoísta e extremo, quase canibal/vampiresco &#8211; como acredito que tenha sido a relação de dependência e de certa exploração de Edith e Edie -, mas como algo forte e generoso, que investe seu tempo e amor para que o outro evolua, cresça. Um belo exemplo em meio ao cenário assustador vivido pelas protagonistas &#8211; mas que também, por sua vez, nos ensina um bocado.</p>
<p><strong>NOTA:</strong> 9,5.</p>
<p><strong>OBS DE PÉ DE PÁGINA: </strong>Grey Gardens funciona em cada mínimo detalhe. Começando pela trilha sonora, impressionante. Um trabalho exemplar e fundamental para a história assinado por <a href="http://www.imdb.com/name/nm0006235/">Rachel Portman</a>. Depois, o trabalho igualmente impressionante e fundamental da equipe de 11 profissionais do departamento de maquiagem &#8211; coordenado por <a href="http://www.imdb.com/name/nm0235722/">Linda Dowds</a>. Trilha sonora e maquiagem acabam funcionando como selos de qualidade para dar a devida veracidade e ambiente para esta história. Mas vale citar ainda os trabalhos importantes da direção de arte de <a href="http://www.imdb.com/name/nm0330044/">Brandt Gordon</a>; a decoração de <a href="http://www.imdb.com/name/nm0761674/">Norma Jean Sanders</a> e figurinos de <a href="http://www.imdb.com/name/nm0858606/">Catherine Marie Thomas</a>.</p>
<p>Mas, como em qualquer outro filme, nada disso funcionaria sem o trabalho de &#8220;maestro&#8221; do diretor, Michael Sucsy. Para ajudá-lo em sua missão, ele contou com a colaboração do talentoso diretor de fotografia <a href="http://www.imdb.com/name/nm0253279/">Mike Eley</a>, que conseguiu captar todas as cores e nuances das diferentes épocas &#8211; de grandeza e decadência &#8211; da família retratada. Muito bacana. Sucsy ainda surpreende porque foi dele a história deste filme, assim como o roteiro, escrito com a parceria da canadense <a href="http://www.patriciarozema.com/">Patricia Rozema</a>. Ainda que eles tivessem muito material em que se inspirarem &#8211; o documentário homônimo de 1975 e várias reportagens publicadas na imprensa norte-americana -, não deixa de ser impressionante a maneira contagiosa e envolvente com que eles narram a história da família Beale. Cada flashback se justifica e fica bem amarrado com a história basicamente linear do roteiro. Um trabalho bem feito e que, acertamente, deixa o terreno livre para as atrizes esbanjarem todo o seu talento.</p>
<p>Grey Gardens é um trabalho focado em duas atrizes. Ainda assim, há espaço na história para os papéis masculinos. Um dos mais importantes e interessantes ficou nas mãos de <a href="http://www.imdb.com/name/nm0000838/">Daniel Baldwin</a>, o menos conhecido irmão da família Baldwin, que interpreta Julius Krug, um político de prestígio que acaba tendo um caso com Edie. Fazem papéis importantes na história também <a href="http://www.imdb.com/name/nm0343325/">Arye Gross</a> como Albert Maysles, um dos diretores do documentário Grey Gardens; e especialmente o trabalho de <a href="http://www.imdb.com/name/nm0521878/">Justin Louis</a> como David Maysles, o outro diretor do filme de 1975. <a href="http://www.imdb.com/name/nm0668702/">Joshua Peace </a>fecha a lista de participações com algum destaque como o ator que interpreta Buddy Bouvier, filho de Edith que insiste para que a mãe venda a propriedade de Grey Gardens.</p>
<p>Produzido para a TV pela HBO, Grey Gardens teria custado US$ 12 milhões.</p>
<p>O <a href="http://www.imdb.com/title/tt0073076/">documentário homônimo</a> lançado em 1975 foi dirigido pelos irmãos <a href="http://www.mayslesfilms.com/">Albert</a> e <a href="http://www.imdb.com/name/nm0563100/">David Maysle</a>, com a participação de <a href="http://www.imdb.com/name/nm0396985/">Ellen Hovde</a> e <a href="http://www.imdb.com/name/nm0583287/">Muffie Meyer</a>. Além de entrevistar Edith e Edie, os diretores trazem depoimento do jardineiro Brooks Hyers e depoimentos que não tiveram crédito de Jack Helmuth e Lois Wright. No <a href="http://www.youtube.com/">Youtube</a> podem ser encontrados alguns trechos do original, como <a href="http://www.youtube.com/watch?v=HThPvYePxx0">este</a>, em que Edie fala sobre seu figurino e comenta sobre o trabalho do jardineiro, assim como a dificuldade em &#8220;separar passado e presente&#8221;. Fiquei especialmente impressionada com o jeito dela falar &#8211; que se assemelha muito com a forma com que Drew Barrymore utiliza durante o filme. O documentário inspirou muitas pessoas, especialmente no circuito da moda &#8211; entre eles, <a href="http://msn.lilianpacce.com.br/tag/edith-bouvier-beale/">segundo Lilian Pacce</a>, a Marie Rucki, diretora do<a href="http://www.studio-bercot.com/"> Studio Berçot Paris</a>; Fabrice Paineau e <a href="http://www.marcjacobs.com/">Marc Jacobs</a>. A última coleção da <a href="http://www.chloe.com/#en">grife Chloé</a> foi inspirada no documentário sobre as Beale.</p>
<p><a href="http://www.gettyimages.com/Account/MediaBin/LightboxDetail.aspx?Id=14921538&amp;MediaBinUserId=2676779&amp;language=pt-PT">Neste link</a> da GettyImages encontrei algumas fotos impressionantes de mãe e filha que mostram um pouco de como eram as pessoas reais que inspiraram as personagens de Drew Barrymore e Jessica Lange.</p>
<p>O estilo de vida de Edith e Edie chamou a atenção de algumas das principais publicações dos Estados Unidos depois que o departamento de inspeção sanitária de Nova York fez uma vistoria na casa e ordenou que ela fosse limpa &#8211; ou que as mulheres fossem despejadas. A história delas acabou estampando as páginas da sensacionalista <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/The_National_Enquirer">National Enquirer</a> e virou capa da <a href="http://nymag.com/">New York Magazine</a>.</p>
<p>Uma dica para quem vai assistir ao filme ainda: veja a produção até o final, incluído esperar os créditos terminarem. Beeeeeem lá no finalzinho, aparecem em cena ainda Drew Barrymore, assim como uma frase incrível de Edie, que morreu em 2002. E, para nossa surpresa, uma brincadeira da atriz que fala, com uma voz super engraçada, que nenhum animal foi maltratado durante as filmagens. <img src='http://s.wordpress.com/wp-includes/images/smilies/face-wink.png' alt=';)' class='wp-smiley' /> </p>
<p>Acho praticamente impossível alguém não saber quem foi Jacqueline Kennedy Onassis mas, para quem quiser saber um pouco mais além do básico, deixo <a href="http://www.saberweb.com.br/estados-unidos-da-america/jacqueline-kennedy-onassis/">aqui</a> e <a href="http://www.terra.com.br/istoegente/12/diversaoearte/book_kennedy.htm">aqui</a> dois textos com informações para o início de uma pesquisa. Também encontrei estes dois textos &#8211; <a href="http://www.biography.com/articles/Beale-EdithBouvier-435518">texto 1</a>, <a href="http://www.guardian.co.uk/news/2002/feb/09/guardianobituaries">texto 2</a> &#8211; sobre Edie Bouvier Beale. Na verdade, são dois obituários publicados &#8211; em inglês &#8211; quando de sua morte, em 2002.</p>
<p>No site oficial do filme, é possível ter acesso a detalhes da produção e a entrevistas com alguns de seus envolvidos. Entre eles, o diretor Michael Sucsy, que revela seu envolvimento com a história dos Beale e todo o trabalho que ele teve em ir a fundo na pesquisa sobre suas vidas &#8211; tendo acesso, por exemplo, a um vasto material inédito de Edie, incluindo cartas pessoais, poesias e recortes de jornais. Curioso que Sucsy revela que sua idéia original era contar em detalhes, década após década, o que aconteceu com aquelas mulheres, mostrar &#8220;como elas chegaram lá&#8221; &#8211; no ponto em que se tornaram figuras conhecidas, através do documentário de 1975. Como seria impossível contar tudo que ele queria de maneira linear &#8211; pelos custos -, Sucsy resolveu inserir na narrativa as filmagens do documentário homônimo, o que lhe permitiu fazer retrocessos na história, verdadeiros pulos narrativos, sem que isso se tornasse &#8220;estranho&#8221; ou forçado.</p>
<p><strong>CONCLUSÃO: </strong>Um filme impressionante sobre o auge e a decadência de uma importante família de alta classe dos Estados Unidos. Edith e Edie Bouvier Beale ficaram conhecidas nas décadas de 1960 e 1970 por terem sido tema de um documentário e de várias reportagens nos Estados Unidos. Todas exploravam os laços familiares delas com a ex-primeira-dama Jacqueline Kennedy. Bem acabado em todos os seus detalhes e com uma dupla de protagonistas de tirar o chapéu, Grey Gardens nos conta uma história incrível, que revela até que ponto a dificuldade de alguns para enxergar a realidade pode chegar. De quebra, o filme ainda explora conceitos importantes para a sociedade moderna &#8211; representada pelos valores exportados pelos Estados Unidos -, como são os da propriedade, da família e o do êxito/sucesso pessoal. Envolvente, bastante crítico sem ser óbvio, é um destes filmes baseados em &#8220;fatos reais&#8221; que vale a pena ser visto.</p>
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		<title>He&#8217;s Just Not That Into You &#8211; Ele Não Está Tão a Fim de Você</title>
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		<pubDate>Fri, 03 Jul 2009 00:01:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alessandra</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Cinema alemão]]></category>
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		<category><![CDATA[Cinema norte-americano]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica de filme]]></category>
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Depois de assistir a uma sequência de filmes sérios, complexos e sobre temas &#8220;pesados&#8221;, resolvi relaxar assistindo a uma comédia romântica. E, desta vez, meio que fui segura no alvo: escolhi um filme que tivesse uma nota razoável no site IMDb. He&#8217;s Just Not That Into You acabou confirmando a minha expectativa. Com um roteiro [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=moviesense.wordpress.com&blog=1601314&post=1720&subd=moviesense&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><a rel="attachment wp-att-1723" href="http://criticanonsense.com/2009/07/03/hes-just-not-that-into-you-ele-nao-esta-tao-a-fim-de-voce/hesjustnotthat3/"><img class="alignnone size-full wp-image-1723" title="hesjustnotthat3" src="http://moviesense.files.wordpress.com/2009/07/hesjustnotthat3.jpg?w=650&#038;h=963" alt="hesjustnotthat3" width="650" height="963" /></a></p>
<p>Depois de assistir a uma sequência de filmes sérios, complexos e sobre temas &#8220;pesados&#8221;, resolvi relaxar assistindo a uma comédia romântica. E, desta vez, meio que fui segura no alvo: escolhi um filme que tivesse uma nota razoável no site <a href="http://www.imdb.com/">IMDb</a>. <a href="http://www.hesjustnotthatintoyoumovie.com/">He&#8217;s Just Not That Into You</a> acabou confirmando a minha expectativa. Com um roteiro inteligente, que brinca com as velhas diferenças entre homens e mulheres e, mais que isso, que ironiza a mania da maioria das mulheres por buscar romantismo por todas as partes &#8211; ou seu gosto pelo &#8220;drama&#8221;, como define um dos homens do elenco &#8211; este filme diverte na medida. E para não decepcionar as pessoas que gostam de finais felizes, ele nos traz diferentes versões deste conceito. Bem bacana, estrelado por um elenco nada fácil de ser reunido em uma mesma produção, ele é ideal para relaxar em uma noite qualquer &#8211; especialmente depois de uma sequência de filmes mais &#8220;complexos&#8221;.</p>
<p><strong>A HISTÓRIA: </strong>Praticamente seguindo o estilo do poema <a href="http://www.revista.agulha.nom.br/drumm11.html">Quadrilha</a>, do mestre <a href="http://www.memoriaviva.com.br/drummond/">Carlos Drummond de Andrade</a>, este filme se centra na história de nove personagens que formam, em um momento ou outro da história, distintos pares românticos. Desta forma acompanhamos um pouco da vida da romântica Gigi (<a href="http://www.imdb.com/name/nm1045423/">Ginnifer Goodwin</a>), que trabalha ao lado das comprometidas Beth (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0000098/">Jennifer Aniston</a>) e Janine (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0000124/">Jennifer Connelly</a>) e que, por estar sempre se dando mal em seus encontros amorosos, escuta paciente os conselhos das amigas. Até o dia em que Gigi sai com Conor (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0175305/">Kevin Connolly</a>), um corretor apaixonado por Anna (<a href="http://www.myspace.com/scarlettalbum">Scarlett Johansson</a>) que, por sua vez, acaba flertando com o casado Ben (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0177896/">Bradley Cooper</a>). Ao insistir em uma possível relação com Conor, Gigi acaba conhecendo a Alex (<a href="http://www.justinlong.net/ubbthreads7/ubbthreads.php">Justin Long</a>), o seu oposto, um rapaz que não acredita em relacionamentos sérios e que olha para os jogos amorosos com um bocado de cinismo. Enquanto alguns buscam relacionamentos sérios, como é o caso de Gigi, outros tentam encontrar um caminho alternativo à velha fórmula do casamento, como é o caso de Beth e Neil (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0000255/">Ben Affleck</a>).</p>
<p><strong>VOLTANDO À CRÍTICA</strong> (SPOILER &#8211; aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a He&#8217;s Just Not That Into You): Gosto de produções que brincam com estereótipos e lugares-comum. Ainda que, admita, há algum tempo já esse tipo de ironia quase virou, por sua vez, o próprio lugar-comum. Mas o bacana de He&#8217;s Just Not That IY é que o filme não apenas brinca com estereótipos e tira sarro de produções do gênero, mas também inova na forma com que estes elementos são tratados em diferentes realidades e culturas e, de quebra, ainda joga algumas idéias muito verdadeiras na cara do espectador.</p>
<p>Para começar, rachei o bico com a contraposição da romântica Gigi e do cínico Alex. Ele fala para ela claramente algo que outro dia eu estava comentando com umas amigas: &#8220;Ei, não vamos nos iludir. Se um cara não te liga é porque, provavelmente, não quer mesmo falar com você&#8221;. Lógica simples, mas que muitas garotas insistem em não acreditar. Isso porque, como bem argumenta o roteiro de He&#8217;s Just Not That IY, as mulheres seguem a tendência de acreditar que as exceções devem ser a regra. Ou, em outras palavras, que com elas &#8220;será diferente&#8221;. Ok que às vezes isso realmente acontece. Você passa a ser a exceção. Mas, até lá, serás a regra por muito e muito tempo, minha amiga! <img src='http://s.wordpress.com/wp-includes/images/smilies/face-wink.png' alt=';)' class='wp-smiley' />  E o mesmo vale para os caras, é claro. Em linhas gerais, esta é a grande conclusão do filme&#8230; que ninguém deve perder a esperança de um dia ser a exceção, mas que, até lá, é preciso levar numa boa a condição de ser a regra &#8211; até porque você também ajuda a elaborar esta regra.</p>
<p>Mas melhor do que tratar sobre as conclusões do filme &#8211; porque isso, cada um vai descobrir por sua conta -, acho interessante comentar sobre o seu conteúdo. Admito que não li o livro que inspirou a este filme &#8211; He&#8217;s Just Not That Into You: The No-Excuses Truth to Understanding Guys, escrito por <a href="http://www.gregbehrendt.com/">Greg Behrendt</a> e <a href="http://www.imdb.com/name/nm0875710/">Liz Tuccillo</a> (consultores da série <a href="http://www.hbo.com/city/">Sex and the City</a>). Imagino que o livro seja muito bom e que garanta, praticamente sozinho, um texto-base muito bom para qualquer filme. Ainda assim, me surpreendi pelo trabalho dos roteiristas <a href="http://www.imdb.com/name/nm0463359/">Abby Kohn</a> e <a href="http://www.imdb.com/name/nm0799050/">Marc Silverstein</a>, que conseguiram materializar um texto muito bom e criativo em algo bacana para ser visto no cinema. Claro que o filme não se sustenta com perfeição todo o tempo. Lá pelas tantas, o &#8220;destino&#8221; dos nossos personagens parece meio óbvio &#8211; o que faz a produção perder um pouco do seu gás e inventividade. Mas nada disso atrapalha a impressão geral que o filme nos deixa &#8211; aliás, quem leu o livro que inspirou o filme, por favor, comente por aqui o que achou da adaptação.</p>
<p>Gostei de que He&#8217;s Just Not That IY propõe para as comédias românticas o mesmo caleidoscópio de variáveis que filmes como <a href="http://www.imdb.com/title/tt0108122/">Short Cuts</a> e <a href="http://www.newline.com/properties/magnolia.html">Magnolia</a> propuseram, anteriormente, para o gênero dramático. Esta produção traz algumas das variáveis possíveis no quesito de jogos amorosos &#8211; talvez tenha faltado apenas um ou dois casais de homossexuais para completar o quadro. Mas a verdade é que a variedade proposta pelo filme, com uma boa dose de humor e &#8220;depoimentos&#8221; &#8211; gravados por atores, que &#8220;interpretam&#8221; pessoas reais -, já rende um bom caldo de entretenimento.</p>
<p>Para começar, gostei das &#8220;lições&#8221; que Alex dá para a &#8220;sonhadora&#8221; Gigi. (SPOILER &#8211; não leia se você não assistiu ao filme). Ele demonstra, por A+B, como os homens e as mulheres são diferentes. Não apenas em relação a suas expectativas amorosas, como na forma com que eles lidam com o romance. Da boca do ator Justin Long saem algumas das melhores frases do filme. Não deixa de ser bastante cômica a forma com que Gigi busca o romance em todas as partes, exagerando na busca por &#8220;sinais&#8221; dos homens que encontra pelo caminho &#8211; ela me lembrou uma ou outra amiga. <img src='http://s.wordpress.com/wp-includes/images/smilies/face-wink.png' alt=';)' class='wp-smiley' />  Por sua vez, Alex encarna o típico cara que só quer se divertir, sem querer se comprometer nunca &#8211; até que ele leva uma &#8220;lição de moral&#8221; e começa a repensar o próprio comportamento. Gostei muito de uma das frases finais do casal, quando ele diz que Gigi era a exceção em sua vida. Sim, até o maior &#8220;bon vivant&#8221; ou &#8220;galinha&#8221; do mundo, um dia, se apaixona. A pergunta é até quando esse seu sentimento irá &#8220;prendê-lo&#8221; &#8211; bem, o tema da fidelidade é outro que rende&#8230; A minha única crítica para o casal Gigi e Alex é que o filme parece ter ficado &#8220;muito curto&#8221;, ou seja, a mudança dele acontece rápido demais. Na vida real, o provável é que ele sairia com algumas garotas antes de concluir que está apaixonado pela menina que é o seu oposto.</p>
<p>Outro casal bastante interessante nesta história é aquele vivido por Ben Affleck e Jennifer Aniston. (SPOILER &#8211; não leia se você não assistiu ao filme). Eles são os únicos que começam e terminam juntos. Neil e Beth também são os únicos que permanecem fiéis um ao outro, mesmo quando vivem uma fase de separação. Olhando pelo lado romântico, a história deles é a mais bacana do filme &#8211; ainda que a talvez menos explorada. E Neil me lembra um grande amigo meu&#8230; que igualmente não acredita na &#8220;instituição&#8221; casamento e toda a sua &#8220;hipocrisia&#8221;, &#8220;formalidade&#8221; e etcétera mas que, como no filme, cedeu ao desejo da namorada porque sabia que isso a faria feliz. Sim, estas histórias &#8211; e tantas outras &#8211; realmente acontecem. Achei muito legal a história deles, até porque achei ela uma das mais realistas do filme. Primeiro, porque ela trata de algo muito forte: a pressão social para que as pessoas se enquadrem em um certo &#8220;modelo&#8221; desejado. Segundo, porque mostra como o que acontece com outras pessoas &#8211; especialmente amigas &#8211; pode afetar um relacionamento que até então ia muito bem. E terceiro porque sim, é muito bom ver uma história, ainda que ficcional, de duas pessoas que se dão tão bem e que querem ficar juntas &#8211; requisito primeiro para um casamento ir pra frente.</p>
<p>Depois, o filme nos apresenta uma história praticamente oposta à anterior, a do casal Janine e Ben. (SPOILER &#8211; não leia se você&#8230; bem, já sabes, se você ainda não assistiu ao filme). Inicialmente, o meu lado cínico e descrente olhou para Ben e pensou: &#8220;Ahã, o marido jovem típico&#8221;. Ou seja: o cara que até pode não trair na prática, mas que adora flertar com outras pessoas que não a sua esposa. Ben veste a camisa do cara que foi pressionado pela namorada, com quem estava há bastante tempo, para casar ou pular fora. Ele decide casar, mesmo não sentindo que isso é o certo. Resultado: uma hora ou outra o cara vai pular a cerca. E é o que de fato ele faz&#8230; Até um certo momento achei que ele não faria isso &#8211; porque nem todos vão trair  a mulher na prática. Mas chega o momento em que ele torna a traição algo real. E bem&#8230; a partir dali, é esperar o momento em que a bomba vai estourar &#8211; seja para Janine ou Anna.</p>
<p>Falando das mulheres na vida de Ben&#8230; (SPOILER &#8211; idem). Scarlett Johansson dá mais um passo, com seu papel como Anna, na trilha bem construída em sua carreira de ser a mulher &#8220;superdesejada&#8221;. Ela é a gostosa que todos querem pegar. Anna, sua personagem neste filme, joga com os homens. Mas, nem sempre, com &#8220;maldade&#8221; &#8211; ou é isso que ela quer fazer todos acreditarem. Como muitas mulheres lindas, ela sabe como conquistar o que quer com sua beleza &#8211; especialmente quando o que ela precisa passa pela decisão de um homem. Mas, no fim das contas, ela não se sente satisfeita. O curioso de sua personagem é que ela cai, como Gigi, na crença de que &#8220;comigo será diferente&#8221;. Ou pelo menos é o que ela se esforça em fazer para justificar o caso com um homem casado. Mas, francamente, não acho que ela ficaria com ele mesmo que ele quisesse, mesmo que ele se separasse de Janine. Típica &#8220;caçadora&#8221;, Anna provavelmente vai demorar um bocado ainda em sua &#8220;autodescoberta&#8221; antes de conseguir se relacionar seriamente com alguém.</p>
<p>Por sua vez, Janine começa muito bem na história. (SPOILER &#8211; idem). Jennifer Connelly &#8211; sempre linda, sempre competente &#8211; encarna uma mulher segura, certa do que quer &#8211; e do que não quer. Mas, logo mais, como a bailarina da música do <a href="http://www.chicobuarque.com.br/">Chico Buarque</a> que não é perfeita, ela vai demonstrando uma série de inseguranças e de &#8220;manias&#8221; que são de enlouquecer qualquer um. Ela está certa em odiar a mentira e em buscar a verdade. Mas ela perde, na mesma medida, a noção do que está acontecendo ao seu redor, em sua vida privada. Não percebe que um casamento não é APENAS companheirismo &#8211; porque, se fosse, seria basicamente amizade -, mas que ele passa também por uma vida sexual saudável. Quando ela veste a roupa da &#8220;mulherzinha-classe-média-mais-preocupada-com-a-reforma-da-casa-do-que-com-o-marido&#8221;, sabemos que o caminho que virá pela frente será o de ladeira abaixo. Mas independente das &#8220;mancadas&#8221; de Janine, gostei do final desenhado pela personagem. Aliás, ela resume a idéia de &#8220;nunca desistir&#8221; e de que o importante é a valorização de si mesmo do filme. Bacana.</p>
<p>Mas uma outra personagem também resume está idéia central: Mary. (SPOILER &#8211; idem). Interpretada por <a href="http://www.drewbarrymore.com/">Drew Barrymore</a>, esta personagem, amiga de Anna, talvez seja a que menos aparece no filme. Ainda assim, ela incorpora a &#8220;neura&#8221; atual de estarmos sempre conectados, participando de mil canais na internet para manter contato com as pessoas &#8211; e, em muitos casos, para estabelecer novos romances. Meio riponga, meio nerd, Mary busca um relacionamento na mesma medida que Gigi, mas de outra forma. Por ironia, ambas passam pelas mãos de Conor, um dos caras &#8220;enrolados&#8221; por Anna em suas desventuras amorosas. Mas, como acontece na vida real, uma história que deu errado hoje, pode dar certo amanhã, porque as pessoas acabam se encontrando em uma mesma sintonia. Isso, mais do que tantas fórmulas amorosas, é o que muitas vezes define se uma história vai para a frente ou não. E Mary, assim como Conor, Janine e tantos outros, resume esta idéia de que o importante é nunca desistir, seguir em frente, seja sozinho ou acompanhado.</p>
<p><strong>NOTA:</strong> 9.</p>
<p><strong>OBS DE PÉ DE PÁGINA: </strong>He&#8217;s Just Not That IY trata da história de diferentes personagens e casais em seus jogos amorosos usando diferentes formas narrativas. O que o torna bem interessante. O primeiro recurso bacana utilizado pelo filme é o de dividí-lo em &#8220;capítulos&#8221;. Conforme a narrativa vai avançando &#8211; de maneira linear -, são introduzidos cortes na história como verdadeiros capítulos em um livro, que resumem a idéia central do que vamos assistir. O bacana é que isso não tira a surpresa do que veremos, mas ajuda a resumir o &#8220;dilema&#8221; proposto. Imagino que a obra original deva seguir a mesma linha. O segundo recurso geralmente acompanha este corte narrativo: são os depoimentos de pessoas que teriam vivido aquela situação &#8211; interpretados por atores que seguem a linha de &#8220;confissão cara-a-cara com a câmera&#8221;. Estes recursos acabam tornando o filme ainda mais rico e bacana.</p>
<p>Descontados os recursos citados no parágrafo anterior, He&#8217;s Just Not That IY segue uma linha bastante tradicional. Ou seja, inicialmente ele traz uma &#8220;piada-flashback&#8221; da protagonista para, em seguida, apresentar os personagens principais da trama. Acompanhamos um pouco da vida de cada um, em sequência, como em um projetor de fotografias. Depois, pouco a pouco e de forma gradativa, estes personagens vão interagindo e tornando o &#8220;quadro&#8221; mais complexo. Como a vida mesma, podemos dizer. <img src='http://s.wordpress.com/wp-includes/images/smilies/face-wink.png' alt=';)' class='wp-smiley' /> </p>
<p>Não falei disso antes, mas gostei muito da direção de <a href="http://www.imdb.com/name/nm0477129/">Ken Kwapis</a>. Não é fácil contar tantas histórias e lidar com distintas &#8220;estrelas de Hollywood&#8221; em um mesmo projeto e, no final, conseguir uma certa unidade neste trabalho. Este diretor experiente, prestes a completar 52 anos &#8211; em agosto -, consegue exprimir o melhor dos recursos que ele tem em mãos. Com a pontual e importante ajuda do diretor de fotografia experiente <a href="http://www.imdb.com/name/nm0007037/">John Bailey</a> e da editora <a href="http://www.imdb.com/name/nm0798889/">Cara Silverman</a>. Em meio a tanta gente talentosa, quase fica em segundo plano a gostosa trilha sonora de <a href="http://www.cliffeidelman.com/">Cliff Eidelman</a> &#8211; importante para dar o clima certo para a produção. No &#8220;playlist&#8221; desta produção, rola desde Elvis Presley, The Cure e New Order até Keane, Lily Allen, R.E.M., Jon Bon Jovi, Wilco e Maroon 5. Resumindo: uma seleção que tenta agradar a todos.</p>
<p>Mais uma vez a atriz Drew Barrymore acerta a mão ao co-produzir um filme do qual faz parte &#8211; e que acaba sendo um sucesso de bilheteria. A atriz, bastante versátil, leva atualmente 11 projetos no currículo como produtora. Entre eles, o ótimo <a href="http://www.donniedarkofilm.com/">Donnie Darko</a> e o ainda inédito <a href="http://www.imdb.com/title/tt1172233/">Whip It!</a> Aliás, esse último filme promete. Com estréia prevista para outubro, ele é dirigido por Drew Barrymore e estrelado por ela, além de contar, no elenco, com <a href="http://www.imdb.com/name/nm0680983/">Ellen Page</a>, <a href="http://www.myspace.com/julietteandthelicks">Juliette Lewis</a>, <a href="http://www.imdb.com/name/nm0001315/">Marcia Gay Harden</a>, <a href="http://www.imdb.com/name/nm0310966/">Ari Graynor</a>, <a href="http://www.imdb.com/name/nm1057928/">Zoe Bell</a>, entre outros.</p>
<p>Com esse elenco de tirar o chapéu, He&#8217;s Just Not That IY foi muito bem de bilheteria nos Estados Unidos &#8211; como era previsível. O filme arrecadou, até o dia 8 de junho, pouco mais de US$ 93,9 milhões. Apenas na semana de estréia, no início de fevereiro, ele arrecadou US$ 27,7 milhões &#8211; ficando em primeiro lugar nas bilheterias. Nada mal. E falando no elenco, todos estão muito bem, com um destaque especial para os carismáticos Ginnifer Goodwin e Justin Long e para a sempre divina Jennifer Connelly.</p>
<p>Mas se esta produção foi bem de bilheteria, não se pode dizer o mesmo a respeito da crítica. No site IMDb o filme conseguiu a nota 6,5, mas ele foi bem pior na avaliação dos críticos que tem textos linkados no <a href="http://www.rottentomatoes.com/">Rotten Tomatoes</a>: o filme conseguiu 81 críticas negativas e apenas 63 positivas, o que lhe garantiu uma média de aprovação de 44%.</p>
<p>Uma curiosidade: o filme foi co-produzido pelos Estados Unidos, pela Alemanha e pela Holanda.</p>
<p><strong>CONCLUSÃO: </strong>Um filme que junta muitos clichês e lugares-comum e bate no liquidificador. O resultado: uma comédia romântica de qualidade, que explora os velhos jogos amorosos e diferenças entre homens e mulheres. Com um elenco de estrelas, muitas histórias paralelas e a vontade de &#8220;contar um pouco de tudo&#8221; que acontece no terreno das conquistas amorosas, He&#8217;s Just Not That Into You consegue o seu propósito de render algumas boas risadas &#8211; além de lançar algumas idéias um tanto cínicas demais para o gosto popular. No fim das contas, ele tenta agradar a gregos e troianos, ou seja, tanto aos que acreditam no amor romântico (porque ele acaba nos apresentando vários &#8220;finais felizes&#8221;) quanto o oposto. No melhor estilo &#8220;só é feliz quem já amou algum dia&#8221;, este filme merece ser visto e desfrutado &#8211; sem rancores, sem problematizar muito e nem nada. No fim das contas, ele é mais simpático do que muitos querem admitir. E, como uma exceção do gênero, deve agradar a homens e mulheres.</p>
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		<title>Five Minutes of Heaven</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Jul 2009 18:15:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alessandra</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema europeu]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica de filme]]></category>
		<category><![CDATA[Filme premiado]]></category>
		<category><![CDATA[Movie]]></category>

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O desvio de jovens para causas assassinas é o mote principal de Five Minutes of Heaven, novo filme o diretor alemão Oliver Hirschbiegel &#8211; responsável anteriormente por The Invasion e pelo premiado Der Untergang, entre outros. Estrelado por Liam Neeson e pelo surpreendente James Nesbitt, este drama resgata o ambiente vivido por católicos e protestantes [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=moviesense.wordpress.com&blog=1601314&post=1711&subd=moviesense&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><a rel="attachment wp-att-1715" href="http://criticanonsense.com/2009/07/01/five-minutes-of-heaven/fiveminutesofh3/"><img class="alignnone size-full wp-image-1715" title="fiveminutesofh3" src="http://moviesense.files.wordpress.com/2009/07/fiveminutesofh3.jpg?w=650&#038;h=962" alt="fiveminutesofh3" width="650" height="962" /></a></p>
<p>O desvio de jovens para causas assassinas é o mote principal de <a href="http://www.imdb.com/title/tt1238291/">Five Minutes of Heaven</a>, novo filme o diretor alemão <a href="http://www.imdb.com/name/nm0386570/">Oliver Hirschbiegel</a> &#8211; responsável anteriormente por <a href="http://theinvasionmovie.warnerbros.com/">The Invasion</a> e pelo premiado <a href="http://www.downfallthefilm.com/">Der Untergang</a>, entre outros. Estrelado por <a href="http://www.imdb.com/name/nm0000553/">Liam Neeson</a> e pelo surpreendente <a href="http://www.imdb.com/name/nm0626362/">James Nesbitt</a>, este drama resgata o ambiente vivido por católicos e protestantes na Irlanda do Norte em meados da década de 70. Escrito de uma maneira bastante interessante, Five Minutes of Heaven conta uma história ficcional que poderia muito bem ser aplicada a Irlanda do Norte e em outros tantos conflitos &#8211; inclusive para os morros do Rio de Janeiro. Bem dirigido, com atuações de tirar o fôlego e um roteiro inteligente, é um destes filmes-libelo contra a violência como forma de resolver problemas de convivência. Uma lição sobre o perigo que atos pouco pensados, na adolescência, podem causar na vida de famílias e comunidades inteiras.</p>
<p><strong>A HISTÓRIA:</strong> Na cidade de Lurgan, na Irlanda do Norte de outubro de 1975, o jovem Alistair Little (<a href="http://www.imdb.com/name/nm3029799/">Mark David</a>) prepara-se para dar o mais importante passo da sua vida e, com ele, &#8220;tornar-se um homem&#8221;. Em busca de respeito entre os &#8220;sujeitos importantes&#8221; da comunidade protestante local, ele toma fôlego para sair de casa e, na companhia de três amigos, ser o responsável do crime &#8220;da vez&#8221;. Integrante do UVF (Força de Voluntários de Ulster) aos 15 anos de idade, Alistair Little vai atacar um comerciante católico que, aparentemente, rivaliza com um membro da comunidade protestante da qual ele faz parte. Desta forma Alistair atira no irmão de Joe Griffen (Kevin O&#8217;Neill), que assiste a tudo atônito. Vinte e cinco anos depois deste crime, Alistair Little (Liam Neeson) e Joe Griffen (James Nesbitt) participam de um programa de reconciliação que procura colocá-los cara-a-cara pela primeira vez desde aquela fatídica noite de 1975.</p>
<p><strong>VOLTANDO À CRÍTICA </strong>(SPOILER &#8211; aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Five Minutes of Heaven): Esta produção com cara de independente dirigida por Oliver Hirschbiegel não faz concessões. Ela não tenta simplificar o papel de vítima e de vilão e nem busca uma solução rápida para os dilemas e para as cicatrizes provenientes de um crime como é aquele mostrado pela história. O grande mérito por tornar este filme interessante e angustiante do início ao fim é, sem dúvida, do texto do roteirista <a href="http://www.imdb.com/name/nm0382505/">Guy Hibbert</a> e, para sustentá-lo, as interpretações de seus protagonistas.</p>
<p>A direção de Oliver Hirschbiegel é competente e consegue retratar bastante bem o ritmo, as épocas e a angústia dos personagens desta história. Mas a inovação nesta produção passa pelo texto de Hibbert. O roteirista não apresenta um vilão que pode ser confundido com alguém que foi apenas manipulado &#8211; ainda que ele tenha sido, um pouco. Alistair Little é um assassino que sabia bem (aparentemente) o que estava fazendo e que tinha suas motivações egoístas. O que, no futuro, não impediu que ele chegasse a conclusão de que foi vítima de um período, de um grupo, o que fez ele entender a dimensão exata de seu ato criminoso.</p>
<p>O caminho fácil, para qualquer outro filme, seria o de Little se transformar em &#8220;mocinho&#8221;, em um sujeito arrependido e que merece perdão &#8211; mas não é exatamente isso que acontece em Five Minutes of Heaven. (SPOILER &#8211; não leia se você não assistiu ao filme). Ainda que ele desperte uma certa piedade porque, afinal, Little também se mostra uma pessoa presa ao passado na mesma medida &#8211; ou quase &#8211; que sua vítima indireta, Joe Griffen, sua culpa não desaparece como mágica quando ele passa a ser o alvo da vez. Até porque a &#8220;troca de papéis&#8221; entre os dois, ou seja, quando Griffen decide matar Little, não coloca os dois no mesmo patamar. Desequilibrado, Griffen provoca piedade mesmo nas sequências de maior descontrole. Isso porque ele é produto de uma vida de ressentimento. Mas aí reside o texto bem escrito de Hibbert que, mesmo deixando claro que Griffen é uma vítima, não tira dele a responsabilidade por cada um de seus atos &#8211; e deixa clara uma violência patente em seu comportamento que nos deixa incômodos e temerosos pelo que pode acontecer. Afinal, a decisão dele sobre o que fazer com Little é o que vai definir o futuro deles e de muitas outras pessoas.</p>
<p>Talvez esta seja uma das grandes lições de Five Minutes of Heaven. A de que é um grande engano pensar que o assassinato de uma pessoa significa apenas um crime, contabiliza somente uma vítima. Não. O texto Hibbert deixa claro que toda a estrutura familiar e, em alguma medida, a estrutura de uma comunidade ficam abaladas por um ato criminoso. E uma outra mensagem, fundamental, é dita pelo personagem de Liam Neeson: todos devem ser responsáveis por evitar que um jovem se &#8220;aliste&#8221; a um movimento criminoso &#8211; seja ele o IRA, o UVF, o ETA ou o grupo de traficantes que domina a comunidade local. Achei bacana e importante esta mensagem, porque o centro da questão é este, dar oportunidades e ensinar conceitos morais básicos que impeçam os jovens de cair no tentador caminho do crime &#8211; onde eles podem se sentir como verdadeiros rockstars, muitas vezes, como foi o caso de Little.</p>
<p>O curioso deste filme é que ele, por sua dinâmica tradicional &#8211; narrativa linear, com pequenos cortes que dão espaço para flashbacks &#8211; não surpreende na forma, mas no conteúdo. Não é muito frequente encontrar produções que mexam tão claramente em algumas feridas. Também gostei do fato de Five Minutes of Heaven, desta vez, não mostrar os &#8220;assassinos&#8221; do ETA. Ele conta a história do &#8220;outro lado&#8221; daquela mesma moeda, ou seja, de um grupo de protestantes que queria continuar vendo a Irlanda do Norte atrelada à Inglaterra e que, para isso, praticava atentados terroristas e assassinatos quase na mesma medida de seus opositores. Um bom filme, com mensagens importantes, ainda que parece que lhe falta um pouco mais de &#8220;humanidade&#8221; &#8211; ou, visto de outro ângulo, um pouco menos de frieza.</p>
<p><strong>NOTA: </strong>8,5.</p>
<p><strong>OBS DE PÉ DE PÁGINA:</strong> Para o alívio de muita gente &#8211; especialmente de quem vive naquele país ao norte da Irlanda -, o IRA <a href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2005/07/050728_iraba1.shtml">declarou</a> o fim da luta armada em 2005. Mas, mais que isso, a Irlanda do Norte deu uma lição ao mundo inteiro ao promover, nos últimos anos, um governo de coalização entre católicos e protestantes &#8211; ou entre os que procuravam a independência ou a permanência do país em relação à Inglaterra. Para quem quiser saber mais sobre este tema, recomendo a leitura <a href="http://veja.abril.com.br/idade/exclusivo/perguntas_respostas/irlanda_norte/index.shtml">deste texto</a> da Veja, que traça, em linhas gerais, o que aconteceu naquele país desde o século XII; e <a href="http://usacac.army.mil/CAC2/MilitaryReview/Archives/Portuguese/MilitaryReview_20080831_art007POR.pdf">deste texto</a> assinado pelo major John Clark, do Exército Britânico (que, por isto mesmo, deve ser lido com o devido olhar crítico), que explica de forma mais detalhada a questão da anistia, da reconciliação e da reintegração promovida na Irlanda. Muito interessante o exemplo daquele país &#8211; e que deveria servir de farol para outros conflitos que envolvem invasões e religião, como o caso de palestinos e israelenses (guardadas as devidas proporções, é claro) ou mesmo dos bascos do ETA.</p>
<p>Ainda que se trate de uma ficção, Five Minutes of Heaven deixa claro, logo nas informações que disponibiliza em seu início, que aquela história trata de questões de um conflito real. Conflito este que, segundo o filme, teria matado aproximadamente 3.720 pessoas.</p>
<p>No texto do Major John Clark que eu sugeri há pouco, é possível encontrar alguma informação sobre o grupo paramilitar UVF. Mas não encontramos nada a respeito da citada Tartan Gangs, onde o personagem de Alistair Little teria dado os &#8220;primeiros passos&#8221; em suas intenções criminosas aos 14 anos. <a href="http://www.triskelle.eu/history/ulsterdefenceassociation.php">Neste texto</a> (em inglês) é possível saber um pouco mais sobre a Tartan Gangs &#8211; procure na seção de Ulsters Young Militants.</p>
<p>Outra curiosidade deste filme é que ele não tenta &#8220;glorificar&#8221; um criminoso que, atualmente, é respeitado, mas que anteriormente cumpriu 12 anos de sua pena. Ou seja: ele pagou pelo seu crime. Ainda assim, e diferente do que Joe Griffen imagina, o vilão desta história vive uma vida bastante miserável. Ainda que seja um consultor internacional que tem suas opiniões escutadas por líderes mundiais e figuras proeminentes da sociedade, Alistair Little parece viver nas sombras. Na lembrança &#8211; e culpa &#8211; de um ato que praticou há 25 anos. Ele não busca &#8211; e nem deseja &#8211; o perdão. Quer apenas que Griffen viva a sua vida, caminhe para a frente e, desta forma, permita que ele mesmo possa se despedir do passado. Nada será esquecido ou perdoado. Apenas o peso de ter uma outra pessoa vivendo em dor por algo que você fez será amortizado. Five Minutes of Heaven, por este ponto e todos os outros comentados anteriormente, se revela um filme interessante e diferente da média.</p>
<p>Um ponto que não comentei antes, mas que é importante para o filme, é o que trata do programa de reconciliação dos quais acabam fazendo parte Little e Griffen. Achei curioso todo o aparato e a &#8220;espetacularização&#8221; montada para tal acontecimento, sem a devida preocupação com a segurança de um evento desta natureza. Neste ponto, o filme questiona o papel da mída, mais especificamente o de alguns canais de televisão, em promover eventos importantes sem o devido cuidado ou, em outras palavras, de maneira pouco responsável. Algo interessante para pensar &#8211; o papel da televisão e da mídia em geral em conseguir audiência a qualquer custo, sem preocupar-se, muitas vezes, com os efeitos de seus atos e/ou programas.</p>
<p>Além dos atores já citados, merece um comentário à parte a aparição da ótima atriz <a href="http://www.imdb.com/name/nm1671512/">Anamaria Marinca</a> como Vika, a garota &#8220;pau-para-toda-obra&#8221; que acaba se aproximando de Griffen e Little durante a fase de pré-produção do programa de reconciliação do qual eles decidiram participar. Seus comentários, especialmente com Griffen, foram decisivos para o desfecho daquele programa. Ainda que seu papel seja pequeno para o contexto do filme, a atriz se saiu muito bem. Outras pessoas que merecem ser citadas: <a href="http://www.imdb.com/name/nm2641044/">Juliet Crawford</a> como Cathy, a esposa de Joe Griffen e mãe de suas duas filhas; <a href="http://www.imdb.com/name/nm0429956/">Gerard Jordan</a> como Jim, a vítima direta de Little; <a href="http://www.imdb.com/name/nm2692812/">Matthew McElhinney</a> como Stuart, o amigo de Little que providenciou as máscaras e a roupa utilizada durante o crime; <a href="http://www.imdb.com/name/nm1559688/">Diarmuid Noyes</a> como Andy, o amigo que dirige o carro no dia do assassinato; <a href="http://www.imdb.com/name/nm2736817/">Conor MacNeill</a> como Dave, o outro comparsa de Little; e <a href="http://www.imdb.com/name/nm0568862/">Paula McFetridge</a> como a mãe de Joe.</p>
<p>Na parte técnica do filme, destaque para o trabalho correto do diretor de fotografia <a href="http://www.ruairiobrien.com/">Ruairi O&#8217;Brien</a>. Ele conseguiu, na medida certa, utilizar um jogo de lentes adequado para diferenciar muito bem a Irlanda do Norte da década de 1970 daquela que pode ser vista atualmente.</p>
<p>Five Minutes of Heaven estreou no <a href="http://festival.sundance.org/2009/">Festival de Sundance</a> no dia 19 de janeiro deste ano. Até o momento, o filme concorreu a três prêmios &#8211; e ganhou dois deles: os de melhor diretor na categoria &#8220;World Cinema &#8211; Drama&#8221; e o de melhor roteiro na categoria &#8220;World Cinema&#8221;, ambos no Festival de Sundance. Five Minutes of Heaven concorria também como melhor filme, mas perdeu o prêmio para a produção chilena/mexicana <a href="http://www.imdb.com/title/tt1187044/">La Nana</a>.</p>
<p>Esta produção inglesa praticamente não teve nenhuma divulgação ou mesmo a confirmação de estréia nos diferentes mercados internacionais. Ainda assim, ela conseguiu uma boa nota no site <a href="http://www.imdb.com/">IMDb</a>: 7,2. O <a href="http://www.rottentomatoes.com/">Rotten Tomatoes</a>, outro termômetro de críticas para um filme, abriga links para apenas três textos sobre Five Minutes of Heaven &#8211; todos positivos.</p>
<p>Entre os textos linkados pelo Rotten Tomatoes, está <a href="http://www.variety.com/index.asp?layout=festivals&amp;jump=review&amp;id=2478&amp;reviewid=VE1117939416&amp;cs=1">este</a> (em inglês) do crítico Dennis Harvey, da revista <a href="http://www.variety.com/">Variety</a>. Harvey destaca a mudança de rumo do diretor Oliver Hirschbiegel, que desta vez dirigiu um filme intimista centrado em dois personagens. Harvey destacou a interpretação potente dos protagonistas e o &#8220;excelente roteiro&#8221; de Guy Hibbert, lapidado após três anos de entrevistas com os que seriam os &#8220;personagens reais&#8221; desta história, ou seja, os homens que inspiraram a criação de Little e Griffen.</p>
<p>Os tais &#8220;cinco minutos no Paraíso&#8221; não estavam totalmente claros para mim. Inclusive busquei alguma fonte &#8220;religiosa&#8221; para esta idéia. Mas a verdade é que o homem que inspirou o personagem de Griffen acreditou, por muito tempo, que conseguiria pelo menos cinco minutos no Paraíso se conseguisse vingar a morte de seu irmão. Se alguém souber de alguma fonte que teria inspirado esta idéia para aquele homem, eu agradeço.</p>
<p>Para os interessados nos conflitos que ocorreram na Irlanda do Norte, recomendo outros dois filmes: o excelente <a href="http://www.imdb.com/title/tt0107207/">In The Name of the Father</a>, dirido por Jim Sheridan e estrelado por Daniel Day-Lewis; e o &#8220;politizado&#8221; e interessante <a href="http://www.imdb.com/title/tt0280491/">Bloody Sunday</a>, curiosamente estrelado por James Nesbitt, e com direção de Paul Greengrass.</p>
<p><strong>CONCLUSÃO: </strong>Um filme limpo, sem efeitos especiais ou grandes mudanças narrativas, que discute os conflitos de uma sociedade enfocando os efeitos que eles podem ter na vida de dois homens. O destaque desta produção acaba ficando &#8211; de maneira proposital &#8211; para o trabalho dos atores e para o texto do roteiro. Diferente de outras produções ambientadas na Irlanda do Norte em conflito, Five Minutes of Heaven evita contar a história de algum integrante do IRA e destaca, praticamente de maneira inédita, ações de um de seus grupos oposicionistas. Mas o interessante do filme é que ele não pretende validar nenhuma ação terrorista. Pelo contrário. Ele deixa muito claro que qualquer crime, seja de um lado ou de outro, seja motivado por questões políticas, religiosas ou econômicas, não leva a nada. Apenas a mais crimes. E que os jovens, iludidos por falsos sentimentos de &#8220;reconhecimento&#8221; ou de pertencer a determinados grupos, servem apenas como &#8220;bala de canhão&#8221; &#8211; igualmente desejáveis e descartáveis. Uma bela história, com atuações impressionantes &#8211; especialmente de James Nesbitt e Liam Neeson &#8211; e uma direção bastante técnica (e nada fora do comum). Indicado para quem gosta de refletir sobre origens e efeitos da violência e de alguns conflitos conhecidos.</p>
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		<title>Good &#8211; Um Homem Bom</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Jun 2009 13:29:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alessandra</dc:creator>
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De tempos em tempos, uma temática parece dominar uma série de produções no cinema. Uma certa tendência leva diferentes países, diretores, roteiristas e produtores a investirem suas fichas em uma época da nossa história, enfocando certos acontecimentos que foram importantes e que continuam tendo eco na atualidade. Recentemente, a Alemanha da época do nazismo rendeu [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=moviesense.wordpress.com&blog=1601314&post=1695&subd=moviesense&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><a rel="attachment wp-att-1708" href="http://criticanonsense.com/2009/06/25/good-um-homem-bom/good1/"><img class="alignnone size-full wp-image-1708" title="good1" src="http://moviesense.files.wordpress.com/2009/06/good1.jpg?w=650&#038;h=960" alt="good1" width="650" height="960" /></a></p>
<p>De tempos em tempos, uma temática parece dominar uma série de produções no cinema. Uma certa tendência leva diferentes países, diretores, roteiristas e produtores a investirem suas fichas em uma época da nossa história, enfocando certos acontecimentos que foram importantes e que continuam tendo eco na atualidade. Recentemente, a Alemanha da época do nazismo rendeu &#8211; e continua rendendo &#8211; uma série de produções importantes. Entre elas, a indicada ao Oscar 2009 de Melhor Filme, <a href="http://www.thereader-movie.com/">The Reader</a>. Mas outra produção, infinitamente menos comentada e debatida, deveria merecer a nossa atenção: <a href="http://goodthemovie.com/">Good</a>, dirigida pelo austríaco radicado no Brasil, <a href="http://www.imdb.com/name/nm0025241/">Vicente Amorim</a>. Filme complexo, difícil de ser entendido &#8211; mais do que o (também) nada óbvio The Reader -, Good toca de forma sutil algumas chagas que parecem nunca cicatrizar na história da Alemanha. Bem dirigido, com atuações exemplares de <a href="http://www.imdb.com/name/nm0001557/">Viggo Mortensen</a> e de <a href="http://www.imdb.com/name/nm0005042/">Jason Isaacs</a>, ele é um destes poucos filmes que explora a fundo o conceito de &#8220;bondade&#8221; que muitos de nós temos &#8211; assim como a nossa idéia de beleza. Não é um filme fácil de entender e, talvez por isso mesmo, ele seja tão interessante.</p>
<p><strong>A HISTÓRIA:</strong> O professor John Halder (Viggo Mortensen) é chamado, em abril de 1937, para comparecer à Chancelaria do Führer, em Berlim. Uma obra escrita por ele alguns anos antes chama a atenção do Comitê do Reich para Registro Científico de Doenças Hereditárias Graves. Melhor amigo do psicanalista judeu Maurice (Jason Isaacs), Halder tinha conseguido manter-se distante do avanço do nacional-socialismo alemão, liderado por Adolf Hitler, até aquele momento. Mas a história mostra como os conceitos de Halder foram mudando gradativamente, desde o aparentemente distante maio de 1933, quando ele começou a escrever a obra que chamou a atenção dos nazistas. Agora, em 1937, Halder aceita fazer parte do governo do qual anteriormente fazia piadas &#8211; e com sua história, conhecemos um pouco mais sobre o papel que a intelectualidade alemã assumiu naqueles anos de regime nazista.</p>
<p><strong>VOLTANDO À CRÍTICA</strong> (SPOILER &#8211; aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Good): Fazia tempo que um filme não me provocava o efeito de dúvida que este filme provocou. Como disse anteriormente, Good não é uma produção fácil de ser entendida. Não senhor, não senhora! Tanto que quando terminei de assistí-lo, fiquei pensando sobre o significado do título original e, mais que isso, sobre o papel daquela maldita música clássica que tocava em momentos marcantes para o personagem principal. Caramba, afinal de contas, o que queriam dizer aquelas peças de <a href="http://w3.rz-berlin.mpg.de/cmp/mahler.html">Mahler</a> jogadas aqui e ali?</p>
<p>As respostas para estas perguntas fui conseguindo pouco a pouco, ao relembrar momentos importantes do filme. E quero deixar claro que vou comentar por aqui sobre as conclusões as quais eu cheguei sozinha, antes mesmo de ler as notas da produção e entrevistas que estão disponíveis em um pressbook que tenho no computador. Até porque, fui descobrir depois, as conclusões as quais eu cheguei são diferentes das intenções, talvez mais simples, das pessoas envolvidas nesta produção.</p>
<p>Primeiramente, vamos falar sobre as interrupções na narrativa com aquelas peças de música clássica. (SPOILER &#8211; não leia se você não assistiu ao filme). A primeira impressão que alguém pode ter é que o filme tenta tornar especialmente belos determinados momentos. Mas essa idéia chega a ser quase uma afronta, especialmente com a sequência final do filme. Então, essa alternativa está fora de cogitação. A primeira vez que Halder ouve a Mahler é quando ele é tentado por Anne Hartman (<a href="http://www.imdb.com/name/nm2092886/">Jodie Whittaker</a>), uma estudante que frequenta as aulas de literatura dele como ouvinte. Maurice ressalta que o compositor era judeu &#8211; o que poderia significar que o &#8220;fantasma&#8221; deste grupo acompanharia, através da música, os momentos em que a moral do protagonista é colocada à prova. Mas, ainda assim, apenas esta conclusão parece não se encaixar.</p>
<p>Também parece faltar algo na constatação de Maurice de que o amigo escuta essa música quando está perturbado. Mahler serviria como uma anestesia, uma forma de alienar o personagem da realidade. Certo. Ainda assim, parecia que algo estava faltando nesta explicação. (SPOILER &#8211; não leia se você não assistiu ao filme). Apenas um tempo depois do filme ter terminado, tentando buscar sentido nesta trilha sonora que parecia &#8220;invadir&#8221; o filme e interromper a narrativa sem uma explicação justa, é que eu acho que consegui compreender. Lembrando de um comentário de Helen (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0384826/">Anastasia Hille</a>), ex-mulher de Halder, tudo pareceu se encaixar.</p>
<p>(SPOILER &#8211; não leia se você não assistiu ao filme). Quando o filme passa um pouco de uma hora, e Halder acaba de enterrar a sua mãe (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0428121/">Gemma Jones</a>), ele comenta com Helen que acredita que a falecida não tenha sido grata o suficiente com ela. E aí Helen solta uma das frases emblemáticas do filme, dizendo como, muitas vezes, tocava música no piano que tinha em casa a todo o volume para não escutar os gritos da ex-sogra. Voilà! Acredito que Mahler aparece em cena para demonstrar esta necessidade de Halder e de todos os intelectuais da época, pelo menos aqueles que apoiaram Hitler, em silenciar a própria consciência. Permitindo que uma música irreal tocasse a todo volume, eles ignoravam os absurdos que eram feitos pelo regime nazista. Muitos buscavam em diferentes manifestações artísticas a beleza que deveria cegá-los e ensurdecê-los, impedindo que eles pudessem ouvir os gritos daqueles que sofriam o pior castigo daquele regime. A música que ouvimos quer mostrar essa escolha voluntária dos intelectuais e de tanta &#8220;gente de bem&#8221; de serem surdos por um longo período &#8211; e de ignorarem o quanto seus próprios atos contribuíram para aqueles absurdos.</p>
<p>Acredito que, com esta leitura, encontrei uma das principais e mais importantes críticas do filme. Mas o mais fácil, me parece, é que as pessoas terminem de assistir a Good e não entendam este e outros questionamentos de seu roteiro. Esta produção, como tantas outras, pode ser vista de uma maneira bastante &#8220;rasa&#8221; &#8211; e isso não é culpa do espectador mas, na maioria das vezes, dos próprios realizadores, que deixam a maior parte da história em um nível muito raso de interpretação. Para alguns, Good narra apenas a história &#8220;ordinária&#8221; de um professor universitário que vai mudando sua conduta como resposta ao que acontece ao seu redor. Ele é praticamente &#8220;levado&#8221; a tomar determinadas atitudes. Certo, se você acredita que as pessoas são produtos (apenas) das circunstâncias. Mas algo me diz que o título do filme, Good, não está ali por acaso.</p>
<p>Afinal, qual é o conceito de bem ou de bom nesta história? Como é possível reconhecer o bem no meio de tantos atos absurdos? Certamente não encontramos esta definição no caminho escolhido pelo protagonista. (SPOILER &#8211; não leia se você não assistiu ao filme). E não deixa de ser bastante incômoda a cena em que a mãe de Halder olha para ele e faz uma declaração de amor para o filho, dizendo que ele é um bom menino, justamente no momento em que ele a esta abandonando. Cruel, eu diria. Assim como várias outras cenas do filme. Este mesmo bom menino é o que vira as costas para o melhor amigo, a mãe, a ex-mulher e os filhos, para se lançar em uma vida de falso prestígio entre os nazistas e de redescoberta amorosa com a ex-aluna. Esta crítica a corrupção moral daquela época é um dos pontos fortes do filme. Mas não é o único.</p>
<p>Outra leitura para o título desta produção tem como base algumas frases da personagem Anne, lá pelo início do filme &#8211; mais precisamente, pelo minuto 24 da produção. Neste trecho da história, Anne defende a idéia de que bastam umas &#8220;pessoas boas&#8221; para dar a direção correta para o regime nazista. Segundo ela, intelectuais corretos como Halder não devem ficar à margem do novo regime. As pessoas que tem algo para contribuir devem aderir ao governo e auxiliar para que tudo vá pelo caminho certo. Santa ingenuidade &#8211; ou pura estratégia de quem busca a ascensão a qualquer custo. Com Good fica ainda mais claro como a idéia de &#8220;boas intenções&#8221; é apenas uma desculpa para os maiores absurdos. Os fins, meus caros, não justificam os meios. Nem com os nazistas, nem com os atuais governos populistas que, no fim das contas, querem apenas se manter no poder até o infinito.</p>
<p>Por estas e por tantas outras idéias corajosas &#8211; e perigosas &#8211; escritas quase nas entrelinhas, o roteiro de Good, escrito por <a href="http://www.imdb.com/name/nm1332311/">John Wrathall</a>, baseado na peça de <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Cecil_Philip_Taylor">C.P. Taylor</a>, merece aplausos. Ainda que, eu admita, a dificuldade em entender tudo o que suas linhas querem dizer, não torna o filme tão acessível quanto seria necessário. Tanto &#8220;obscurantismo&#8221; na apresentação de suas idéias torna o filme próximo do desperdício. Mas com um pouco de esforço, vale a pena se debruçar sobre esta que é uma das mais interessantes reflexões sobre aqueles dias do regime nazista. Junto com The Reader, Good é um dos filmes mais interessantes da última leva sobre este tema.</p>
<p><strong>NOTA: </strong>8,5.</p>
<p><strong>OBS DE PÉ DE PÁGINA:</strong> Poucas pessoas falaram do trabalho do diretor Vicente Amorim com este filme. O austríaco com &#8220;alma&#8221; brasileira, filho do diplomata Celso Amorim, inexplicavelmente vem sendo ignorado pela crítica brasileira. Seu filme anterior, o simpático <a href="http://www.imdb.com/title/tt0379199/">O Caminho das Nuvens</a>, já tinha sido bastante desprezado. Agora, Good. Acho que Amorim faz um trabalho competente nos dois filmes. Nesta produção inglesa e alemã com Viggo Mortensen, ele acerta em uma condução clássica da história, previlegiando a interpretação dos atores. Certo que ele não ousa em enquadramentos ou no ritmo do filme &#8211; não é um entusiasta das inovações como <a href="http://www.imdb.com/name/nm0576987/">Fernando Meirelles</a>. Mas, pelo estilo da história, sua escolha pelo tradicional se justifica. Vicente Amorim, para resumir, não faz pirotecnia, apenas executa bem a sua função. Cada um, com seu estilo.</p>
<p>Achei curiosa a crítica do filme à &#8220;intelligentsia&#8221; alemã daquela época. Uma intelligentsia que, como explica a definição <a href="http://emsemicirculo.blogspot.com/2006/10/intelligentsia-definio-por-i-berlin.html">deste artigo</a>, nunca se concretizou em sua definição exata. Afinal, os personagens retratados em Good e representados por John Halder, nunca assumiram o papel de militância contra o regime opressivo que se consolidava naquela época. Quem conseguiu fugir daquele país, conseguiu manter uma postura crítica. Mas muitos se juntaram ao regime nazista e anularam a sua posição como parte da intelligentsia da época. Uma lástima &#8211; mas que precisa ser retratada.</p>
<p>Viggo Mortensen tem uma grande interpretação neste filme. Ele consegue o tom exato de um personagem complexo, que perfeitamente poderia cair na simplificação de um &#8220;traidor&#8221; em outras mãos. Mas pela interpretação de Mortensen, John Halder ganha contornos contraditórios, variáveis, que em alguns momentos chegam a despertar piedade, em outros, raiva e desprezo. Humano, demasiado humano. Interessante. Também merecem aplausos o trabalho de Jason Isaacs que, ainda que tenha com Maurice um papel mais &#8220;fácil&#8221; e constante, consegue emocionar em muitos momentos &#8211; e sem cair no estereótipo do judeu alemão daquela época.</p>
<p>Merece ser citado ainda o trabalho do ator <a href="http://www.imdb.com/name/nm0835016/">Mark Strong</a> como o comandante Bouhler, presidente do Comitê de Censura do partido nacional-socialista, responsável por trazer Halder para perto do regime nazista; de <a href="http://www.imdb.com/name/nm0533599/">Steven Mackintosh</a> como Freddie, um major que acaba &#8220;alistando&#8221; o professor universitário para a <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Schutzstaffel">Schutzstaffel</a> de Hitler &#8211; mais conhecida como SS; <a href="http://www.imdb.com/name/nm0253097/">Steven Elder</a> em uma rápida aparição como Eichmann, que foi nomeado chefe da Seção de Assuntos Judeus no Departamento de Segurança de Hitler; e <a href="http://www.imdb.com/name/nm0771621/">Adrian Schiller</a> como Goebbels.</p>
<p>Para os interessados na parte técnica do filme, a direção de fotografia é assinada por <a href="http://www.imdb.com/name/nm0242491/">Andrew Dunn</a>; a trilha sonora é de <a href="http://www.simonlaceymusic.co.uk/">Simon Lacey</a> e a edição, de <a href="http://www.johnwilsoneditor.com/">John Wilson</a>. Estes e os outros profissionais envolvidos no filme fazem um trabalho competente, mas nada fora do comum. Talvez apenas o trabalho da figurinista húngara <a href="http://www.imdb.com/name/nm0843713/">Györgyi Szakács</a> mereça uma menção especial. A pesquisa que ela fez, de época, ficou realmente perfeita &#8211; equilibrando o antigo com o tom &#8220;contemporâneo&#8221; desejado pelo diretor e pelos produtores.</p>
<p>Uma curiosidade: Good foi todo filmado em Budapeste, na Hungria.</p>
<p>A produção dirigida por Vicente Amorim não foi bem na avaliação do público e da crítica. Ela conseguiu apenas a nota 6,6 pela votação dos usuários do site <a href="http://www.imdb.com/">IMDb</a>. E teve um desempenho ainda pior entre os críticos, que publicaram 43 críticas negativas e apenas 21 positivas para o filme no <a href="http://www.rottentomatoes.com/">Rotten Tomatoes</a> &#8211; o que lhe deu uma aprovação de 33%.</p>
<p>As notas de produção do filme comentam que Good se &#8220;serve do declínio moral de um homem para contar o destino de toda uma nação&#8221;. O texto ainda afirma que a obra narra como um homem bom, que passa por problemas pessoais e profissionais, acaba percorrendo o caminho &#8220;fácil&#8221; de conseguir recompensas depois de prestar pequenos favores. Interessante que neste material repassado para a imprensa espanhola, Amorim é descrito como um &#8220;aclamado diretor brasileiro&#8221;.</p>
<p>Good estreou no Festival de Toronto do ano passado. O filme teria custado aproximadamente US$ 15 milhões.</p>
<p>A obra que originou Good estreou no <a href="http://www.donmarwarehouse.com/">Donmar Warehouse</a> de Londres em 1981, com um elenco encabeçado por <a href="http://www.alanhoward.org.uk/">Alan Howard</a>. O texto de C.P. Taylor foi escolhido pela <a href="http://www.nationalreview.com/">National Review</a> como uma das &#8220;100 melhores obras do século&#8221; (passado, é claro). Depois do sucesso entre o público londrino, Good estreou na <a href="http://www.broadway.com/">Broadway</a> em 1982. Curioso que esta peça foi a última de uma obra de quase 70 textos escritos por Taylor, que morreu aos 52 anos de idade apenas uma semana depois da estréia de Good em Londres. Na época, a revista <a href="http://www.time.com/time/">Time</a> afirmou que Good era &#8220;um pesadelo de um antiherói sonâmbulo&#8221;.</p>
<p>O trabalho de adaptação de Good para os cinemas começou naquele distante anos 1980, quando a produtora <a href="http://www.imdb.com/name/nm0781829/">Miriam Segal</a>, na época uma estudante universitária, ficou maravilhada com o que viu. Mas ela conseguiria comprar os direitos da obra apenas em 2003, e demorou outros quatro anos para conseguir negociá-la e chegar até uma equipe adequada para o projeto. O ator Jason Isaacs, apaixonado pela peça e amigo da produtora, já havia se comprometido com o filme muito antes dele ser viabilizado.</p>
<p>Curioso que o ator Viggo Mortensen também era um antigo admirador da obra de C.P. Taylor. &#8220;Há 25 anos, quando eu começava minha carreira profissional, eu estava em Londres para fazer uma prova e conseguir o que deveria ser o meu segundo papel. Eles não me deram aquele papel, mas eu aproveitei para ver uma peça de teatro, e era Good, com Alan Howard, que me impressionou muito. Quando tive a oportunidade de interpretar o papel no cinema, pareceu interessante para mim fechar esse círculo aberto há um quarto de século&#8221;, comentou o ator no material de divulgação do filme.</p>
<p>Segundo esse mesmo material, a adaptação do teatro para o cinema foi bastante complicada. &#8220;Vi a obra em Londres. Ela era muito teatral, usava todos os recursos que oferece um cenário. Os atores começavam a cantar de golpe e havia grandes saltos no tempo&#8221;, comenta o roteirista John Wrathall. No teatro, por exemplo, o protagonista se dirigia diretamente ao público, um recurso que foi cortado na adaptação da peça para o cinema. &#8220;O desafio consistia em dramatizar o que acontece na cabeça do personagem sem que ele se dirija diretamente ao espectador&#8221;, comentou o roteirista. Acho que ele consegue isso, mas apenas em parte. Se bem que, francamente, prefiro a maneira com que o filme foi feito do que imaginar o protagonista a todo momento olhando para a câmera e &#8220;divagando&#8221; conosco.</p>
<p>O diretor Vicente Amorim comenta, neste material de divulgação do filme, que ele foi inspirado pelos filmes <a href="http://www.imdb.com/title/tt0065571/">Il Conformista</a>, do italiano <a href="http://www.imdb.com/name/nm0000934/">Bernardo Bertolucci</a>, e por <a href="http://www.imdb.com/title/tt0082736/">Mephisto</a>, do húngaro <a href="http://www.imdb.com/name/nm0843640/">István Szabó</a>. Seguindo o exemplo destes dois filmes, Amorim teria enfatizado os &#8220;elementos visuais, a decoração, o vestuário e a iluminação para ressaltar que se trata de uma história simbólica, uma parábola sobre a consciência, os atos e suas consequências&#8221;. O próprio diretor teria dito que &#8220;Good é um olhar muito particular sobre a vida de um homem, através do qual se conta uma história universal&#8221;.</p>
<p>Propositalmente a equipe técnica do filme escolheu um tom um tanto &#8220;contemporâneo&#8221; para Good, ainda que ele se trate de uma produção de época. A exemplo do filme de Bertolucci, que usa a claridade da arquitetura da era fascista para descrever a dicotomia entre as elevadas ambições do protagonista e sua baixeza moral, Good se apóia no &#8220;gosto de Hitler pelo estilo neoclássico para ressaltar a dupla personalidade de toda uma sociedade. As linhas limpas das superfícies de mármore e pedra escondem uma alma corrupta&#8221;, esclarece o material de divulgação do filme.</p>
<p>Achei interessante a leitura da produtora Miriam Segal sobre o significado desta obra: &#8220;C.P. Taylor queria encontrar uma metáfora da consciência e ilustrar a idéia de que vivemos sem explorar e nem entender o que existe ao nosso redor. As necessidades pessoais são as que nos empurram. E, como se pode ver em Good, se nos afastamos do comportamento dos outros, criamos uma sociedade sem coração, sem compaixão, na qual podem ser feitas coisas terríveis&#8221;.</p>
<p>Não sabia, até ler um resumo da trajetória de Viggo Mortensen, que o ator tinha nascido em Nova York e morado, antes de regressar para sua terra natal e estudar teatro, na Venezuela, Argentina e Dinamarca. Interessante. Assim como é interessante que ele também é poeta, fotógrafo e pintor. Isso que eu chamo de partidão. <img src='http://s.wordpress.com/wp-includes/images/smilies/face-wink.png' alt=';)' class='wp-smiley' /> </p>
<p>O ator Jason Isaacs ressalta a importância de que seu papel não cai no lugar-comum do &#8220;judeu vítima&#8221; perseguido durante o regime nazista. E ressalta que Good é um filme que faz pensar. &#8220;Ele nos obriga a refletir sobre como somos, se não nos traímos, se somos &#8220;bons&#8221; atualmente. É muito difícil, realmente difícil, sermos a pessoa que desejamos ser no mundo atual. Qualquer ajuda, pode ser boa&#8221;.</p>
<p>Amorim fala, em sua entrevista divulgada para a imprensa, de pontos importantes para o filme. Como a submissão do protagonista ao partido nazista: &#8220;Pedem que ele escreva um informe sobre a eutanásia e, posteriormente, percebemos de que ele não deveria ter feito isso. Mas se alguém se coloca no lugar de Halder, a verdade é que se acredita que ele não tem escolha. Esta será a primeira decisão que leva a outra, a dele se unir ao partido nazista, e que o faz se converter não apenas em um fiscal do programa de eutanásia, mas também dos campos de concentração. Dito desta maneira, parece uma grande mudança, de professor de literatura a fiscal de campos de concentração, mas se qualquer um se coloca na história, no filme, inclusive isso se torna compreensível. E é isso o que dá medo. Sabemos que ele não escolheu bem. Mas dentro da história, cada uma das suas decisões é aceitável, o que nos faz examinar as decisões que tomamos na nossa própria vida&#8221;.</p>
<p>Agora, um comentário importante: as escolhas do protagonista de Good devem servir de alerta para todas as pessoas que fizeram ou fazem algo inovador na sociedade. Como aprendi em algumas aulas do meu doutorado, um científico, seja da área de conhecimento que for, deve ter muito clara a responsabilidade por aquilo que investiga, por suas pesquisas e descobertas. Afinal, qualquer idéia nova ou interessante pode ser usada de forma equivocada, como bem nos exemplifica este filme. Cada pessoa deveria ter consciência de suas responsabilidades, sejam cientistas, pesquisadores, jornalistas, políticos ou quem mais for.</p>
<p>Vicente Amorim também fala, no material para a imprensa, do papel da música em Good: &#8220;No filme, Halder tem visões, alucinações, vê coisas, como se queira chamar. Na verdade, seu subconsciente tenta despertar-lhe para que ele veja o que está acontecendo ao seu redor. Mas ele não desperta. A música que ele escuta são canções de Mahler interpretadas por personagens do filme. São um modo bastante original de se questionar algumas perguntas para Halder e, de quebra, para o público. No final, com a última canção, Halder e o espectador deveriam ter uma revelação. Isso é o que eu espero. Então eles entenderão porque deveriam ter escutado antes, mas não o fizeram. Acredito que isto é uma das coisas que mais originalidade traz para o filme&#8221;. (SPOILER &#8211; não leia se você não assistiu a Good). Levando em conta esse comentário do diretor, percebi que a música tem uma função muito mais &#8220;teatral&#8221; do que eu tinha notado antes. Acabei achando outros sentidos para as músicas de Mahler que, pelo visto, tinham uma função muito mais simples: a de marcar pontos da história que deveriam servir como marco para o protagonista e para nós, espectadores. Marcos de situações importantes que deveriam ter exigido mais atenção e mais reflexão. O &#8220;é real&#8221; do final é como se, pela primeira vez, Halder e os espectadores percebessem o fundo do poço em que a Alemanha havia chegado. Mas isso é algo que todos nós já sabíamos muito antes.</p>
<p>Assim como <a href="http://www.welle.info/">Die Welle</a>, The Reader e outros filmes, Good tenta se inserir entre as produções que procuram refletir sobre como aquela realidade do nazismo e de suas idéias podem se repetir hoje em dia. Amorim ressalta essa intenção: &#8220;Good se passa na Alemanha dos anos 30, mas eu não acredito&#8230; Bem, espero que o espectador, ao ver este filme, não volte atrás no tempo. Espero que ele sinta que aquilo está ocorrendo atualmente. E isto não se consegue sendo moderno de forma abusiva, contemporânea, e sim destacando a modernidade da época através do desenho artístico e da fotografia, mas sobretudo pela relevância atual de sua história. Ela podia estar ocorrendo hoje. Em nenhum momento quisemos escondê-la em uma infinidade de detalhes de época porque isso parecia que iria enterrar e esconder a sua importância aos olhos do público moderno. Além disso, não temos desculpa para fazer algo assim, já que a Alemanha dos anos 30 era incrivelmente moderna, muito próxima do que vivemos atualmente. Me refiro a tudo, não apenas a história, mas visual, artística  e emocionalmente&#8221;.</p>
<p><strong>CONCLUSÃO: </strong>Good é um filme que pode (ou não) ser entendido de maneiras diferentes. Ele caminha, como outros filmes recentes, no terreno do debate moral sobre uma época e, principalmente, sobre as pessoas que contribuiram para que ela acontecesse. E mais, ele tenta nos alertar de como aqueles fatos poderiam, perfeitamente, se repetir hoje em dia. Esta produção funciona em muitos aspectos mas, infelizmente, não deixa muito acessível para o espectador comum muitas de suas mensagens. Com boas atuações e uma direção correta do austríaco-brasileiro Vicente Amorim, Good pode ser visto sem medo &#8211; mas é preciso levar em conta que ele não é um filme arrebatador. Sem grandes discursos inflamados, ele se mostra mais uma narrativa do acúmulo trágico que escolhas erradas podem fazer na vida de uma pessoa e, principalmente, em uma sociedade. Os homens bons não tem voz para direcionar nada e nem ninguém para o caminho do bem quando eles próprios perdem a noção do que isso significa. Apenas por essa reflexão o filme, que pode parecer um pouco entediante para alguns, vale a pena.</p>
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		<pubDate>Sat, 20 Jun 2009 15:35:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alessandra</dc:creator>
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Imagine um filme de terror que é &#8220;interrompido&#8221;, duas vezes, por uma espécie de clipe musical. Da primeira vez que isso acontece, o tal clipe é romântico. Da segunda, alegre. Para você parece que &#8220;clipes musicais românticos e alegres&#8221; não casam com um filme de terror? Mas isso porque você, como eu, até agora não [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=moviesense.wordpress.com&blog=1601314&post=1689&subd=moviesense&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><a rel="attachment wp-att-1691" href="http://criticanonsense.com/2009/06/20/13b/13b1/"><img class="alignnone size-full wp-image-1691" title="13b1" src="http://moviesense.files.wordpress.com/2009/06/13b1.jpg?w=660&#038;h=980" alt="13b1" width="660" height="980" /></a></p>
<p>Imagine um filme de terror que é &#8220;interrompido&#8221;, duas vezes, por uma espécie de clipe musical. Da primeira vez que isso acontece, o tal clipe é romântico. Da segunda, alegre. Para você parece que &#8220;clipes musicais românticos e alegres&#8221; não casam com um filme de terror? Mas isso porque você, como eu, até agora não tinha assistido a um filme do gênero feito em <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Bollywood">Bollywood</a>, a meca do cinema indiano. A senha para assistir a esse filme é uma só: dar risada. Sim, leve <a href="http://www.13b.in/">13B</a> na esportiva. Como o nome mesmo do filme sugere, pense nele como uma produção de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Filme_B">filme B</a>. Só que no lugar dos litros de sangue e da produção econômica que marcam a maioria dos filmes B, pense em uma trilha sonora dramática e fundamental e em um roteiro que mistura em iguais proporções um tipo de humor familiar e um suspense quase televisivo. Desta mistura &#8211; incluídos os tradicionais &#8220;videoclipes musicais&#8221; das produções bollywoodianas &#8211; surge 13B, um filme de terror engraçado de tão diferente do que estamos acostumados. E que, de quebra, nos mostra uma Índia diferente da novela das oito.</p>
<p><strong>A HISTÓRIA:</strong> Manohar, mais conhecido como Mannu (o astro indiano <a href="http://www.rmadhavan.com/">R. Madhavan</a>) acaba de passar a primeira noite no apartamento novo que comprou para a família. Ele e o irmão pediram um financiamento para pagar a nova casa em 20 anos, e estão animados. Mas pouco a pouco, alguns sinais de mau agouro, como o leite coalhar e o quarto de orações não ficar pronto, preocupam a mãe deles (interpretada pela veterana, aparentemente superconhecida <a href="http://www.poonamdhillon.com/">Poonam Dhillon</a>). O que poderia ser apenas uma casualidade torna-se um fato quando Mannu percebe que o programa que as mulheres de sua casa adoram assistir, transmitido sempre as 13h, conta a história de sua própria família, adiantando alguns eventos trágicos. Fica evidente assim que aquele lugar tem algum mistério que Mannu precisa descobrir para proteger a sua família.</p>
<p><strong>VOLTANDO À CRÍTICA </strong>(SPOILER &#8211; aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a 13B): Eu queria assistir a um bom filme de terror. Para dar uma &#8220;quebra&#8221; na sequência de filmes sérios que eu vinha assistindo. Daí tive a oportunidade de assistir a esse filme indiano e pensei: por que não? Há algum tempo eu queria assistir um legítimo filme feito em Bollywood, e se fosse um terror, melhor ainda. Tinha curiosidade de saber o que pode apavorar um indiano &#8211; além da morte da vaca sagrada. Mas fiquei a ver navios &#8211; ou melhor, sáris -, meus amigos, porque de terror não vi nada. <img src='http://s.wordpress.com/wp-includes/images/smilies/face-wink.png' alt=';)' class='wp-smiley' /> </p>
<p>Todas as lendas que eu tinha escutado sobre o cinema de Bollywood e alguns dos costumes e hábitos dos indianos que li em diferentes reportagens se confirmaram com 13B. Para começar, vamos falar do cinema bollywoodiano. Aquela história de que os filmes são &#8220;interrompidos&#8221; por clipes musicais é bem verdadeira. E fica engraçado em um filme de terror. Acredito que os espectadores acostumados com essas &#8220;pílulas musicais&#8221; devem esperar ansiosos por esse &#8220;grande momento&#8221; do filme. Eu, que não estou acostumada, apenas levei um susto. WTF???? <img src='http://s.wordpress.com/wp-includes/images/smilies/face-wink.png' alt=';)' class='wp-smiley' />  Essa foi a minha expressão quando começou o primeiro vídeo musical de 13B, algo totalmente deslocado da história. Ok, com um pouco de imaginação, você até &#8220;encaixa&#8221; o clipe romântico entre Mannu e sua bela mulher, Priya (a estrela ascendente bollywoodiana <a href="http://www.imdb.com/name/nm1911617/">Neetu Chandra</a>), na história.</p>
<p>O casal está ali, falando do &#8220;livro de culinária&#8221; &#8211; leia-se <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Kama_Sutra">Kama Sutra</a> -, começando a se &#8220;aproximar demais&#8221; (para a cultura indiana) quando&#8230; corta! Inserimos aqui o clipe musical lírico e romântico. Como a cultura indiana não é (mais) adepta de amassos, beijos e etcéteras explícitos, no lugar de um orgasmo temos o tal clipe romântico. Aaaaahhhhh tá. E o que isso tem a ver com o clima de &#8220;terror&#8221; do filme? Nada, claro. Mas não interessa, porque em Bollywood o que dá audiência são esses clipes maravilhosamente dirigidos e cativantes. E antes do &#8220;grand finale&#8221; e do superproduzido clipe dos créditos finais, ainda temos um outro &#8220;momento musical&#8221; em 13B. Mas este segundo, pelo menos, está meio que &#8220;imerso&#8221; na história. Ele mostra a família feliz, aproveitando um dia de sol na praia e seu cotidiano caseiro.</p>
<p>O tema da televisão está muito presente nesta história. Bem, digamos que ele é fundamental. Este aparato realmente tem uma grande importância no cotidiano das famílias indianas. Mas vamos falar dos usos e costumes depois. O que interessa agora é comentar que 13B se parece demais com um produto televisivo. Na verdade, ele me lembrou uma novela, pela dinâmica da história e por sua, digamos assim, &#8220;complexidade&#8221;. Tudo é explicado nos míiiiiiiiinimos detalhes neste filme. Sem contar o trabalho de câmera comandado pelo diretor <a href="http://www.imdb.com/name/nm3347823/">Vikram K. Kumar</a> &#8211; que é também o roteirista &#8211; e pelo diretor de fotografia <a href="http://www.imdb.com/name/nm0820269/">P. C. Sreeram</a>. Os planos escolhidos pela dupla são bem tradicionais &#8211; exceto, talvez, pelo início do filme, quando os personagens da família nos são apresentados. Aquele começo, aliás, é bastante promissor&#8230; pena que, depois, o filme descambe para um jeito muito tradicional (pelo menos para a Índia) de fazer cinema.</p>
<p>Mas voltando à direção do filme: Kumar e Sreeram estão em busca sempre dos rostos dos protagonistas. O que interessa, em 13B, é exprimir ao máximo as emoções &#8211; pena que isso só funcione graças a trilha sonora, porque os atores são muito fraquinhos. Então dá-lhe primeiros planos! Outra característica é a busca por uma &#8220;agilidade&#8221; narrativa que se resume, basicamente, a um movimento contínuo da câmera um tanto superficial. Muitas vezes, quando o &#8220;clima&#8221; pediria apenas uma câmera estática, mostrando o diálogo entre dois atores, o equipamento acaba tendo uma tremida aqui, outra acolá, ou mesmo um zoom de profundida que busca criar suspense. Pena que, para pessoas menos &#8220;impressionáveis&#8221;, por assim dizer, este &#8220;jogo de câmera&#8221; parece apenas artificial. Ainda assim, não deixa de ser engraçado.</p>
<p>Não consegui saber o quanto esse filme custou (se alguém souber, comente), mas tudo indica que 13B deve ter tido uma produção de custo, pelo menos, mediano. Eles capricham nos &#8220;efeitos especiais&#8221; &#8211; especialmente no clima de &#8220;raios e trovões&#8221; que aparece em algumas das cenas de &#8220;maior tensão&#8221;. Também investiram um pouco em computação gráfica e no trabalho da fotografia com lentes diferenciadas para diferenciar a época de Mannu e sua família daquela vivida pelos &#8220;personagens mortos&#8221; da TV. Tecnicamente o filme é bem acabado.</p>
<p>Ainda na parte técnica, 13B trás um roteiro que peca pelo excesso de explicações &#8211; e, em alguns momentos, pelo exagero. Kumar não deixa ninguém na dúvida sobre o que está acontecendo. Além de usar o recurso do flashback em muitos pontos, Kumar mostra Mannu e seu amigo policial, Shiva (<a href="http://www.imdb.com/name/nm1302330/">Murali Sharma</a>), explicando cada passo dessa história para o espectador nos míiiinimos detalhes. Esqueça o clima de suspense e a tensão. Neste filme, isso não existe &#8211; ou quase, porque apenas a trilha sonora cria, outra vez de forma artificial, alguma tensão. Talvez o público indiano esteja habituado a um roteiro como esse. Mas os &#8220;olhos atentos&#8221; de quem está acostumado a filmes de suspense e terror mais &#8220;hardcore&#8221;, por assim dizer, matam as &#8220;charadas&#8221; muito antes do protagonista, Mannu. (SPOILER &#8211; não leia se você não assistiu ao filme). Aquela sequência &#8220;decisiva&#8221; em que aparecem dois martelos, por exemplo. Eu tinha percebido isso logo de cara, mas cheguei até a pensar que fosse um erro de continuista. hehehehehehehe. Mas não, eram dois &#8220;criminosos&#8221; diferentes mesmo. Uma piada!</p>
<p>Antes de falarmos dos &#8220;usos e maneiras&#8221; dos indianos que o roteiro nos apresenta, devo comentar a trilha sonora de <a href="http://www.shankarehsaanloy.com/">Shankar Mahadevan</a>, <a href="http://www.imdb.com/name/nm0523415/">Loy Mendonsa</a> e <a href="http://www.imdb.com/name/nm0251416/">Ehsaan Noorani</a>. Mais do que nunca fica evidente que a música para o cinema indiano é tão fundamental quanto as cenas românticas. Impressionante!! Muitas vezes, ao assistir a 13B, eu pensei: &#8220;O que seria deste filme sem a trilha sonora?&#8221;. Nada, certamente. O trabalho do trio listado anteriormente é a coluna dorsal deste filme de suspense/terror. Como disse anteriormente sobre o &#8220;jogo de câmera&#8221; impaciente e em permenente estado de agitação, o recurso da música é o que provoca tensão no espectador &#8211; já que o roteiro e o trabalho dos atores não consegue isso.</p>
<p>Mas vamos lá, 13B deve ser assistido com humor. Para mim, ele é mais uma comédia do que outra coisa. E, para ser franca, ele me interessou especialmente por confirmar algumas idéias sobre a Índia real que não aparecem na novela das oito e sobre o cinema de Bollywood. Por exemplo: como as mulheres são subjugadas naquele país. Vamos combinar que todas as mulheres em 13B são umas tontas. Elas assistem o mesmo programa que Mannu e não percebem o que o &#8220;gênio&#8221; (leia-se isso com extrema ironia) da família percebe: que aquele programa das 13h está narrando &#8211; e algumas vezes antecipando &#8211; a vida deles. Tudo que a televisão mostra, acontece ou aconteceu com os familiares de Mannu. Mas elas não percebem nada disso, é claro. Porque são mulheres, oras! Na Índia elas não tem vez. São quase seres de segunda categoria.</p>
<p>Algo que li na revista <a href="http://super.abril.com.br/">Superinteressante</a> deste mês, sobre o cotidiano indiano, também se confirmou neste filme: de que as mulheres &#8220;reclusas&#8221; em casa são uma questão de &#8220;moral e status para a família&#8221;. Todas as mulheres do filme &#8211; exceto a &#8220;morta&#8221; Chitra e a jovem estudante da casa de Mannu &#8211; passam seus dias em casa, praticamente sem sair. Como passar o tempo? Com trabalhos caseiros e com a televisão. A mãe de Mannu, Priya e a cunhada do protagonista passam várias horas do dia assistindo novelas e séries de TV. Até por isso a trama de 13B deve interessar muito aos indianos, que vão se reconhecer na telona.</p>
<p>Outro costume do qual falei um pouco antes é o de não mostrar ou mesmo deixar claro o contato sexual ou erótico entre homens e mulheres. Mesmo os casados. No filme inteiro, por exemplo, não vemos sequer um beijo na boca. Muito menos, é claro, uma cena disfarçada de sexo. O máximo que ocorre é uma &#8220;dança&#8221; de acasalamento, por assim dizer. A sugestão de que o casal de protagonistas faz sexo. hehehehehehe. Algo muito interessante para o país que inventou o sexo tântrico e onde foi publicado o Kama Sutra &#8211; fatos do passado que foram renegados após a invasão muçulmana e inglesa na Índia. A partir do século 16, como nos conta a reportagem da Superinteressante, o que era considerado uma libertinagem sexual no país foi atacada pelos estrangeiros, ao ponto de que hoje é proibido (pelo costume) demonstrações públicas de afeto. Isso se percebe também em 13B, onde tudo é, no máximo, sugerido.</p>
<p>A importância da TV na vida dos indianos &#8211; especialmente das mulheres &#8211; é uma das molas propulsoras do filme que, no fundo, procura &#8220;recriar&#8221; a velha história de fantasmas. Impossível não lembrar de <a href="http://www.imdb.com/title/tt0084516/">Poltergeist</a>, de 1982 e, principalmente, do (já) clássico <a href="http://www.imdb.com/title/tt0178868/">Ringu</a>, de 1998 &#8211; ou na versão hollywoodiana <a href="http://www.ring-themovie.com/">The Ring</a>, de 2002. Todos fazem referência a fantasmas e, direta ou indiretamente, da &#8220;importância&#8221; da TV como canal de manifestação destes seres sobrenaturais. Então 13B não nos conta nada de novo. Pelo contrário. Ele parece um novelão de pouco mais de duas horas.</p>
<p>Mas antes de terminar, tenho que comentar os exageros do roteiro do Sr. Kumar. (SPOILER &#8211; não leia se você não assistiu ao filme). Afinal, por que razão tudo de ruim acontecia com o nosso &#8220;herói&#8221; Mannu? Ele era um tipo de iluminado? Porque os fantasminhas camaradas da TV ajudaram a quase todos da família, mas a Mannu eles ferravam. Faziam ele subir 13 andares quase sempre &#8211; exceto quando outra pessoa entrava no elevador maldito &#8211; e roubavam suas noites de sono ao adiantar fatos que iriam acontecer com sua família. Além das mulheres da casa serem umas burras e tontas, o irmão de Mannu parecia uma figura ausente. Poucas vezes ele aparece em casa. Agora, alguém pode me explicar porque os fantasmas da TV foram tão generosos com quase todas da família e provocaram aquele acidente que provocou um aborto em Priya? Tipo era uma forma de convencer Mannu a levá-los a sério? Estranho&#8230; muito estranho. E mais estranho ainda Mannu pedir ajuda justamente para o Dr. Shinde que, afinal, não era tão &#8220;íntimo&#8221; da família assim. Mas ok, se a maioria dos filmes de terror não tem muita lógica, parece que muito menos as produções do gênero vindas da Índia. <img src='http://s.wordpress.com/wp-includes/images/smilies/face-wink.png' alt=';)' class='wp-smiley' /> </p>
<p><strong>NOTA: </strong>6.</p>
<p><strong>OBS DE PÉ DE PÁGINA: </strong>Talvez os fãs de filmes de terror vão achar que eu fui muito generosa com a nota acima. Mas acho que já me expliquei anteriormente. O filme interessa pelo que ele mostra do &#8220;jeito&#8221; de fazer cinema comercial na Índia e, na mesma medida, sobre o que ele nos revela do cotidiano daquele povo atualmente.</p>
<p>(SPOILER &#8211; não leia se você não assistiu ao filme). Além dos atores já citados, vale citar o trabalho de <a href="http://www.imdb.com/name/nm0451561/">Sachin Khedekar</a> como o Dr. Shinde, o médico amigo da família que acaba se revelando o vilão desta história; <a href="http://www.imdb.com/name/nm1795232/">Deepak Dobriyal</a> como Ashok, o &#8220;louquinho&#8221; irritante que acaba sendo o único sobrevivente da família de Chitra e que termina sendo condenado pelo massacre de seus familiares; <a href="http://www.imdb.com/name/nm0990640/">Amar Upadhayay</a> como Mohan, o correspondente a Mannu na família de Chitra; <a href="http://www.imdb.com/name/nm1204950/">Vinay Jain</a> como o irmão de Mohan; Suhasini Mulay como a mãe de Chitra; <a href="http://www.imdb.com/name/nm1417289/">Meera Vasudevan</a> como a &#8220;prafrentrex&#8221; Chitra, uma garota disputada que trabalhava como jornalista em 1977 &#8211; e que vira alvo da loucura de um telespectador. Para ser franca, queria saber o nome dos outros atores, como do irmão do protagonista, mas não consegui ter certeza sobre eles, então deixo de fora desta crítica. Agora, francamente, todos eles são bem fraquinhos, não? R. Madhavan e Neetu Chandra podem até ser estrelas em Bollywood, mas eles são muito amadores, minha gente. Não dariam certo em outro mercado que não Bollywood ou em filmes B.</p>
<p>O cartaz do filme é bacaninha, fazendo referência a muitos filmes do gênero. E o site, em especial, traz muitas informações e recursos bacanas, inclusive a possibilidade de fazer o download de algumas músicas de 13B. O fato é que a produção rendeu bastante, inclusive videos e jogos. Os indianos realmente não perdem uma oportunidade de faturar. <img src='http://s.wordpress.com/wp-includes/images/smilies/face-wink.png' alt=';)' class='wp-smiley' />  Outra curiosidade do site oficial é a seção &#8220;True Stories&#8221;, que conta &#8220;histórias reais&#8221; de fantasmas. Também há uma seção sobre a influência do número 13.</p>
<p>E não terminem de ver o filme sem conferir o clipe musical dos créditos finais, algo muito tradicional no cinema vindo de Bollywood &#8211; e que, para nossa sorte, foi a única parte &#8220;tradicional&#8221; utilizada em <a href="http://www.foxsearchlight.com/slumdogmillionaire/">Slumdog Millionaire</a>. R. Madhavan aparece encarnando o maldoso-malíssimo com todo o charme em uma dança &#8220;sexy, man!&#8221;. Engraçadíssimo.</p>
<p>Falando em &#8220;sexy, man!&#8221;, um detalhe me chamou a atenção durante o filme inteiro: por que, afinal de contas, eles mesclam tanto palavras em inglês enquanto falam? Desculpem a minha ignorância, ainda não viajei para a Índia&#8230; por isso, por favor, se alguém foi para lá e conviveu com indianos algum tempo, eles falam entre si desta maneira, mesclando o hindi com o inglês a cada minuto? Fiquei impressionada. E se isso não é comum no dia-a-dia dos indianos, fico pensando se o diretor e roteirista escolheu esta forma de falar para ser mais fácil de inserir o filme no mercado internacional &#8211; especialmente nos Estados Unidos. Ou isso que me parecia inglês era o Tamil, outro idioma citado como sendo o que é falado no filme? Se alguém puder esclarecer minhas dúvidas, agradeço.</p>
<p>13B conseguiu uma nota boazinha no <a href="http://www.imdb.com/">IMDb</a>: 6,8. Muuuuuuuito melhor que outros filmes mais razoáveis de Hollywood. Curioso que esta produção rendeu apenas quatro críticas no site <a href="http://www.rottentomatoes.com/">Rotten Tomatoes</a> &#8211; e todas elas positivas. Talvez, mesmo assistindo com bom humor este filme, para mim faltou um pouco mais de &#8220;boa onda&#8221;. <img src='http://s.wordpress.com/wp-includes/images/smilies/face-wink.png' alt=';)' class='wp-smiley' /> </p>
<p><strong>CONCLUSÃO: </strong>Um clássica história de fantasmas repaginada para a Índia moderna. Produção originalmente bollywoodiana, 13B deve ser visto como um filme de terror B, ou seja, feito mais para rir do que para aterrorizar. Pelo menos, levando em conta a nossa ótica &#8220;ocidental&#8221;. Possivelmente para um indiano o filme seja assustador. Para os interessados em saber um pouco mais sobre a vida moderna indiana &#8211; que não aparece na novela das oito ou na versão inglesa do que são os indianos de Slumdog Millionaire. Também indicado para quem gosta de dar risada com filmes de terror e com produções que parecem de baixo orçamento &#8211; neste caso, só parece, porque o filme investe em recursos. Mas, no fim das contas, 13B nos lembra aqueles filmes para serem vistos na TV &#8211; isso para não chamá-lo de um &#8220;novelão de suspense&#8221;. Vale pela curiosidade e pelo humor. Mas fique longe se o que estás buscando é algo para assustar, dar medo, ou mesmo cenas violentas e perturbadoras. 13B não tem espaço para litros de sangue ou beijos na boca.</p>
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		<title>Julia</title>
		<link>http://moviesense.wordpress.com/2009/06/18/julia/</link>
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		<pubDate>Thu, 18 Jun 2009 19:54:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alessandra</dc:creator>
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Caso alguém ainda tivesse alguma dúvida sobre o mérito de Tilda Swinton como atriz, se alguém ainda duvidava que ela fosse merecedora de algum Oscar (a atriz levou para casa a estatueta no ano passado por sua atuação em Michael Clayton), todas estas dúvidas caem por terra com Julia. A atriz londrina de 48 anos [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=moviesense.wordpress.com&blog=1601314&post=1674&subd=moviesense&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><a rel="attachment wp-att-1677" href="http://criticanonsense.com/2009/06/18/julia/julia1/"><img class="alignnone size-full wp-image-1677" title="julia1" src="http://moviesense.files.wordpress.com/2009/06/julia1.jpg?w=630&#038;h=840" alt="julia1" width="630" height="840" /></a></p>
<p>Caso alguém ainda tivesse alguma dúvida sobre o mérito de <a href="http://www.imdb.com/name/nm0842770/">Tilda Swinton</a> como atriz, se alguém ainda duvidava que ela fosse merecedora de algum Oscar (a atriz levou para casa a estatueta no ano passado por sua atuação em <a href="http://michaelclayton.warnerbros.com/">Michael Clayton</a>), todas estas dúvidas caem por terra com <a href="http://www.magpictures.com/profile.aspx?id=aef241b7-4401-4aaa-87c0-d1bb16c9a397">Julia</a>. A atriz londrina de 48 anos dá uma lição de interpretação neste filme forte, duro, provavelmente uma das produções mais contundentes sobre o abismo que o alcoolismo pode representar para a vida de uma pessoa &#8211; e de quem está a sua volta. Não se trata de um filme fácil. Provavelmente ele vá desagradar a muitos por causa de algumas cenas fortes envolvendo o garoto Tom (maravilhosamente interpretado por <a href="http://www.imdb.com/name/nm1952379/">Aidan Gould</a>), sequestrado pela alcóolatra Julia. Mas não se enganem. Este filme é muito mais do que suas cenas violentas.</p>
<p><strong>A HISTÓRIA:</strong> Julia (Tilda Swinton) é uma mulher sem limites. Liberada, independente, ela se encontra em um momento de sua vida em que não consegue se controlar com a bebida. Alcóolatra, ela se perde em noites de excessos, regadas por muita bebida e finalizadas com homens diferentes a cada turno. Depois de uma noitada destas, ela passa por um grande problema e, mesmo com a ajuda do amigo Mitch (o alemão <a href="http://www.imdb.com/name/nm0007210/">Saul Rubinek</a>), ela acaba perdendo o emprego. Em uma das seções do AA (Alcóolicos Anônimos) que ela passa a ser obrigada a frequentar, ela conhece a uma vizinha, Elena (a mexicana <a href="http://www.imdb.com/name/nm0215487/">Kate del Castillo</a>), que lhe convida para um plano audacioso. Nele, as duas vão sequestrar o filho de Elena, Tom (Aidan Gould), um garoto que passou a ser criado pelo avô depois que o pai morreu. Mas o plano acaba mudando de rumo graças ao descontrole de Julia, que tem outros planos para o desenrolar desta história.</p>
<p><strong>VOLTANDO À CRÍTICA </strong>(SPOILER &#8211; aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Julia): Tilda Swinton arrasa neste filme. Não assisti a toda a sua filmografia, mas de tudo que vi até agora, posso afirmar: é a sua melhor interpretação até o momento. Ela está matadora! Não sei o porquê, mas me lembrou os melhores momentos de <a href="http://www.imdb.com/name/nm0000949/">Cate Blanchett</a>. Apenas por Tilda Swinton, vale a pena assistir ao filme. Mas de quebra, ele ainda nos apresenta uma ótima direção, um roteiro bem escrito, outras belas interpretações e, sem dúvida, uma direção de fotografia que fecha o belo quadro.</p>
<p>Acredito que poucos filmes foram tão contundentes ao mostrar o cotidiano degradante de quem está vencido pelo alcoolismo e que não admite que está doente e precisa de ajuda quanto Julia. Talvez apenas <a href="http://www.imdb.com/title/tt0055895/">Days of Wine and Roses</a>, um clássico dirigido pelo talentoso <a href="http://www.imdb.com/name/nm0001175/">Blake Edwards</a>; e, em menor medida, <a href="http://www.mgm.com/title_title.php?title_star=LEAVINGL">Leaving Las Vegas</a> e o recente <a href="http://www.sonyclassics.com/rachelgettingmarried/">Rachel Getting Married</a>, com <a href="http://www.imdb.com/name/nm0004266/">Anne Hathaway</a>, toquem tão fundo no drama pessoal e familiar provocado pelo abuso e descontrole provocado pelo álcool. Ainda assim, por envolver a questão do sequestro de uma criança e outras cenas impactantes, acredito que Julia dê um passo a frente na questão da denúncia de situações assim.</p>
<p>(SPOILER &#8211; não leia se você não assistiu ao filme). Não é fácil assistir a Julia apontando uma arma com violência para Tom. Repetidas vezes. Ainda que, no fundo, acreditemos que ela não vai puxar o gatilho, é complicado ter certeza de algo, porque está demonstrado que, muitas vezes, alcóolatras e dependentes químicos de outras substâncias simplesmente perdem o controle. E Julia, ainda que não beba em 100% do filme, volta e meia está fora de controle &#8211; mesmo depois que sequestra o garoto. Mas se você for capaz de aguentar estas cenas de pura pressão psicológica &#8211; um tipo de violência muito diferente daquela direta, vista em filmes como <a href="http://cidadededeus.globo.com/">Cidade de Deus</a> -, serás capaz de assistir até o final este filme que é uma denúncia e ao mesmo uma declaração de esperança (quando mostra que, nem sempre, uma sequencia de decisões erradas acaba terminando em tragédia).</p>
<p>Não lembro de ter assistido antes algum filme dirigido por <a href="http://www.imdb.com/name/nm0957794/">Erick Zonca</a>, este francês nascido em Orléans que estava sem filmar há nove anos. Gostei muito de seu trabalho. Ele mantêm a câmera ágil, a maior parte do tempo, parece que sempre na busca pelo melhor ângulo para registrar as emoções dos personagens desta história. E quando se torna fundamental para o roteiro mostrar o quanto eles estão perdidos, como em algumas cenas do deserto próximo da fronteira dos Estados Unidos com o México, essa mesma câmera se distancia. Previlegia, com a ajuda da batuta do diretor de fotografia <a href="http://www.imdb.com/name/nm0494617/">Yorick Le Saux</a>, a amplitude do cenário. A liberdade e, ao mesmo tempo, a solidão de uma paisagem com horizontes distantes. Le Saux e Zonca conseguem, seja nas cenas noturnas ou de dia, exprimir o máximo de claridade e de vivacidade das cenas. Em boa parte do filme, eles utilizam lentes que ressaltam as cores e a luminosidade das cenas, o que reforça a idéia de &#8220;ressaca&#8221; moral e física mesmo da personagem-título. Um trabalho realmente bem feito.</p>
<p>Mas nada disso funcionaria sem um bom texto. Esta história, escrita originalmente por Zonca e por <a href="http://www.imdb.com/name/nm1718020/">Aude Py</a>, foi adaptada para a forma de um roteiro por <a href="http://www.imdb.com/name/nm2561996/">Michael Collins</a> e <a href="http://www.imdb.com/name/nm1301340/">Camille Natta</a>. Cada linha de texto parece ter sido cuidadosamente planejada. Nada sobra e nada parece faltar. Uma qualidade deste trabalho é que ele não nos dá algumas certezas &#8211; o que pode incomodar algumas pessoas. (SPOILER &#8211; não leia se você ainda não assistiu ao filme). No fim das contas, não sabemos ao certo se Julia realmente sequestrou o garoto para, depois de tirar dinheiro de seu avô rico, entregá-lo para a desesperada e um tanto desequilibrada mãe, ou se ela nunca pensou em fazer isso realmente. Mesmo que ela diga, no final, que vai levar Tom para sua mãe, temos dúvida disso. Afinal, ela mentiu tantas vezes antes &#8211; afirmando, por exemplo, que estava esperando por uma ligação de Elena. Ligação essa que nunca acontece.</p>
<p>(SPOILER &#8211; não leia se você não assistiu ao filme). Outro elemento que planta dúvidas sobre as intenções de Julia é a maneira com que ela entra no México. Não foi nada planejada aquela ida para o país vizinho. Também não sabemos o que realmente aconteceu com Elena depois que as duas discutem de forma agressiva quando Julia descobre que a mulher não tem o dinheiro que dizia ter. Afinal, Julia pode ter dado um fim em Elena? Ou a mulher de origem mexicana realmente se mandou para o México e confiou na &#8220;comparsa&#8221;? Difícil dizer. Para nossa sorte, o roteiro deixa esses fios soltos e não nos dá respostas mesmo no final. Sei que muitos odeiam filmes assim, que nos deixam sem respostas. Mas, pessoalmente, gosto deste recurso quando ele dá certo.</p>
<p>Afinal, para este filme, era realmente relevante saber se Julia acreditava verdadeiramente no discurso de que um garoto deve ficar com sua mãe? A resposta é sim e não, ao mesmo tempo. (SPOILER &#8211; não leia se você não assistiu ao filme). Não acho importante saber se por trás da cobiça de Julia existia alguma boa intenção porque o filme, na verdade, não trata de fazer um julgamento entre mocinhos e bandidos. Para mim, ele quer, essencialmente, mostrar como existem variadas formas de descontrole e de dependência afetiva entre as pessoas. De como até mesmo um sequestro pode criar uma relação de afeto e de responsabilidade entre as pessoas &#8211; o que pode ser visto como uma manifestação da <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Síndrome_de_Estocolmo">Síndrome de Estocolmo</a>, mas que talvez não seja apenas isso. Acredito também que uma das mensagens do filme é que quando você está suscetível ao mal, ele realmente aparece e se alimenta do &#8220;acaso&#8221; que foi plantado. No caso de Julia, ela acaba sendo vítima do próprio veneno quando sofre um golpe de &#8220;profissionais&#8221; do crime mexicanos &#8211; que, no fundo, parecem tão amadores quanto ela.</p>
<p>Por outro lado, faz falta sim saber se por trás dos atos de Julia existe alguma &#8220;boa&#8221; intenção. (SPOILER &#8211; sei que estou cansando com isso, mas não leia se você não assistiu ao filme). Afinal, seus erros não seriam justificados por isto, mas poderíamos entender melhor sobre sua personalidade se, no fim das contas, ela queria devolver Tom para os braços de Elena. Se realmente Julia queria fazer isso &#8211; além de ganhar uma fortuna através do avô do garoto -, o discurso final de Mitch, quando ele se encontra com Julia do lado de fora do aeroporto mexicano, estaria errado. Ela não teria, diferente de todos os outros que tinham escutado a história louca de Elena, embarcado nesta viagem alucinante apenas porque era uma alcóolatra descontrolada. Ela teria feito isso também por convicção, em um gesto um tanto feminista de quem acreditava que a mulher normalmente é subjugada. Então quando ficamos sem essas respostas, nos sentimos divididos. A motivação da personagem ganha cores cinzas, sem definição, e isso estraga um pouco o filme &#8211; ao mesmo tempo que deixa sua leitura em aberto, o que sempre é positivo, já que fica ao gosto do espectador decidir sobre o que pensar desta produção.</p>
<p><strong>NOTA: </strong>8,5.</p>
<p><strong>OBS DE PÉ DE PÁGINA: </strong>Tilda Swinton faz um trabalho realmente soberbo em Julia. Mas ela não é a única. Gostei muito de cada aparição do ator Saul Rubinek em cena. Ele é, sem dúvida, o autor das melhores frases do filme &#8211; pelo menos no quesito de reflexão crítica sobre os efeitos do alcoolismo. Também achei muito correto o trabalho do jovem ator Aidan Gould. Ele consegue fazer um dueto afinado com Tilda Swinton, garantindo o tom exato de vulnerabilidade e de enfrentamento de seu personagem. Algumas cenas dele com a protagonista são, realmente, de tirar o chapeú. Kate del Castillo faz a outra grande interpretação feminina desta produção. Nunca fiz um curso de interpretação, mas imagino que seja bastante difícil atuar, todo o momento, atenta a uns tiques nervosos necessários para a personagem que, ainda por cima, deve ser vista como uma pessoa frágil, simpática e determinada.</p>
<p>Além dos atores comentados anteriormente, merecem menções especiais os trabalhos dos coadjuvantes <a href="http://www.judeciccolella.com/">Jude Ciccolella</a> como Nick, um antigo caso de Julia que não embarca na proposta enlouquecida da protagonista; <a href="http://www.imdb.com/name/nm0080966/">Bruno Bichir</a> como Diego, o &#8220;conquistador mexicano&#8221; que, tudo indica, estava desde o começo interessado em dar um golpe em Julia; <a href="http://www.imdb.com/name/nm2499340/">Horacio Garcia Rojas</a> como Santos, o verdadeiro &#8220;bandidão&#8221; mexicano que acaba pregando uma peça na protagonista; e <a href="http://www.imdb.com/name/nm0126021/">Eugene Byrd</a> como Leon, o cara &#8220;descolado&#8221; que consegue arranjar uma arma para Julia executar o seu plano.</p>
<p>Da parte técnica do filme, vale a pena ainda citar o trabalho do editor <a href="http://www.imdb.com/name/nm0467726/">Philippe Kotlarski</a> e a trilha sonora assinada por <a href="http://www.imdb.com/name/nm2828785/">Pollard Berrier</a> e <a href="http://www.imdb.com/name/nm1473555/">Darius Keeler</a>.</p>
<p>O filme, que tem 144 minutos de duração, foi co-produzido pela França, pelos Estados Unidos, pelo México e pela Bélgica. Mas ele tem, basicamente, uma espinha dorsal francesa.</p>
<p>Em sua trajetória até agora, Julia foi indicado a quatro prêmios &#8211; e ganhou um deles. O filme estreou em fevereiro de 2008 no Festival de Berlim, onde concorria ao prêmio principal. Depois disso, passou por outros sete festivais, incluindo o Festival de Cinema do Rio. De todos os prêmios aos que foi indicado, recebeu apenas o de melhor atriz, para Tilda Swinton, no desconhecido Evening Standard British Film Awards.</p>
<p>Na opinião do público e da crítica, o filme tem tido um desempenho regular. Os usuários do site <a href="http://www.imdb.com/">IMDb</a> conferiram a nota 7 para a produção, enquanto que os críticos que tem seus textos publicados no <a href="http://www.rottentomatoes.com/">Rotten Tomatoes</a> dedicaram 25 textos positivos e 13 negativos para o filme &#8211; o que lhe rendeu uma aprovação de 66%. Achei as avaliações de ambos (público e crítica) baixas demais.</p>
<p>Achei curioso que Julia seja uma homenagem ao filme Gloria, de 1980, dirigido por John Cassevetes. Esta é a informação que a crítica Lisa Schwartzbaum nos dá <a href="http://www.ew.com/ew/article/0,,20276712,00.html">neste artigo</a> da Entertainment Weekly. Mas mesmo elogiando o trabalho de Tilda Swinton como protagonista, a crítica dá apenas a nota B- para o filme. E acho importante ressaltar: Julia é uma homenagem, e não uma refilmagem de Gloria. Aí reside uma GRANDE diferença. <a href="http://www.latimes.com/entertainment/news/la-et-julia8-2009may08,0,5743195.story">Este outro</a> texto, agora da jornalista Betsy Sharkey, do Los Angeles Times, destaca a escolha do diretor de Julia em tirar da protagonista qualquer &#8220;instinto materno&#8221;. (SPOILER &#8211; não leia se você não assistiu ao filme). E isso é bem verdade, porque na cena mais &#8220;intimista&#8221; ou &#8220;afetuosa&#8221; entre Tom e Julia no filme, quando eles se abraçam na cama em que ela passou a noite com Diego, existe ali uma incômoda sugestão de curiosidade sexual do garoto pela mulher que, até há pouco, ele sentia pavor &#8211; e, ao que tudo indica, também uma certa atração/admiração. Sem dúvida Julia é um destes filmes para fazer pensar &#8211; e que choca um bocado, em alguns pontos.</p>
<p>Julia custou pouco para os padrões mundiais: aproximadamente US$ 6 milhões. Talvez por isso ele tenha tido mais uma carreira de festivais do que comercial &#8211; tudo indica que o filme não conseguiu uma grande distribuidora para o mercado internacional. Quer dizer, nos Estados Unidos o filme está sendo lançado, este ano, pela Magnolia Pictures &#8211; que, normalmente, é sinônimo de qualidade e de bons filmes.</p>
<p>Lendo as notas de produção do filme é que eu descobri que a personagem de Julia teria 40 anos quando se passa a história. Nesse mesmo material, há uma entrevista com a atriz Tilda Swinton, que afirma que uma das cenas que ela &#8220;ama no filme&#8221; é aquela em que sua personagem, Julia, vai pedir ajuda para seu plano para Nick, seu ex-amante. Segundo a atriz, aquele é um dos únicos momentos da história em que Julia fala a verdade. (SPOILER &#8211; não leia se você não assistiu ao filme). Nesta mesma entrevista com Tilda Swinton, temos mais uma pista sobre as verdadeiras intenções da personagem de Julia. Segundo a atriz, no final, ela conta, mais uma vez, uma mentira. Isso sinaliza para a hipótese de que ela jamais levará Tom para Elena.</p>
<p>Também achei interessante o trecho da entrevista em que Tilda Swinton fala do diretor, Erick Zonca: &#8220;O seu cinema se sente como algo emocional, mesmo espiritual. Os personagens de Zonca são uns sobreviventes. Tudo se refere a persistência do espírito humano. Ele é incrivelmente otimista. E o que o torna tão refrescante é que ele é verdadeiramente amoral&#8221;. Essa é uma bela leitura do trabalho do diretor.</p>
<p>Agora, o bacana mesmo das notas de produção &#8211; disponíveis em inglês no site oficial do filme &#8211; é a entrevista com Erick Zonca. Ele revela, em suas respostas, por exemplo, que a idéia inicial de Julia surgiu quando ele viu uma foto do grande Helmut Newton. Nesta foto, aparecia uma extravagente cabeleira ruiva dirigindo por Los Angeles em uma BMW. &#8220;Eu imediatamente quis confrontar esta imagem glamurosa com algo mais violento &#8211; como a degeneração causada pelo álcool, pelo confinamento, por mentiras, pela perda da própria pessoa e pela contaminação de seu relacionamento com outras pessoas &#8211; e por onde começa a desumanização de uma pessoa&#8221;. Ou seja: a origem de Julia não teve nada a ver com o filme Gloria. Além disso, achei impressionante a idéia conceitual do diretor &#8211; que conseguiu concretizar o que queria no filme.</p>
<p>Na entrevista de Zonca também é possível entender melhor o que ele quis com a personagem de Julia: &#8220;Ela se encontra correndo apavorada e neste ponto os eventos que acontecem lhe forçam a redescobrir a sua humanidade. Isso é o que me interessa &#8211; não uma personagem que tem consciência do que está fazendo, mas uma personagem que muda seu caráter conforme suas ações&#8221;. Acho que, com isso, temos algumas respostas para as nossas dúvidas. Zonca acrescenta ainda que, além da foto de Helmut Newton, ele foi inspirado por Cassavetes e por Nan Goldin.</p>
<p>Achei bacana que, na entrevista, perguntam para o diretor se existe alguma &#8220;moral da história&#8221;. Ele diz que não. E acrescenta: &#8220;Não existe uma redenção no final do filme. Ela (Julia) não está salva. Não temos idéia do que o futuro vai reservar para ela. Tudo o que sabemos é que ela finalmente se lembrou de que outras pessoas existem&#8221;. Palmas! Agora, com as coisas mais claras, acho que ele merece com mérito sua nota (que antes eu havia mudado, mas que achei melhor deixar 8,5 mesmo) pela ousadia ao deixar a moral de fora desta história.</p>
<p><strong>CONCLUSÃO: </strong>Um filme forte, bem dirigido e bem escrito, que valoriza a interpretação da protagonista e de seus demais atores. Seco no retrato de uma alcóolatra ambiciosa e interesseira, Julia pode chocar alguns por suas cenas de violência contra uma criança. Ainda que não seja brutal como Cidade de Deus, ele é angustiante e longo &#8211; quase duas horas e meia de duração. Feito sob medida para Tilda Swinton brilhar, é destes filmes em que cada frase do roteiro se justifica. Ainda assim, ele deixa muitas questões em aberto, o que pode incomodar a algumas pessoas. Com várias surpresas e algumas reviravoltas no caminho, ele acaba se revelando um grande filme sobre as consequências de decisões erradas e da falta de controle que uma doença &#8211; ou mais de uma &#8211; podem provocar em pessoas que teriam uma grande oportunidade de dar certo. E mesmo que seja um filme bastante cru e direto, ele não deixa de sinalizar com o otimismo da mensagem de que, com sorte, algumas vezes até os mais desesperados e equivocados podem ter uma segunda chance.</p>
<p><strong>PALPITES PARA O OSCAR:</strong> Sei que Julia deve estar fora da disputa para o próximo Oscar &#8211; levando em conta a data que ele está estreando nos Estados Unidos. Ainda assim, quero registrar que, para mim, ele deveria render uma indicação na categoria de Melhor Atriz para Tilda Swinton. Ela merecia. Talvez até poderia render outra indicação para Kate del Castillo, como coadjuvante. Agora, cá entre nós, estou falando de mérito, apenas. Porque, na prática, o filme não vai render indicação alguma.</p>
<p><strong>SUGESTÕES DE LEITORES:</strong> Há meses o querido leitor deste blog Enzo me pediu para assistir a alguns filmes franceses. Bem, Enzo, Julia é &#8220;meio-francês&#8221;, mas me fez lembrar de ti. Por causa do teu pedido. Digo que ele é &#8220;meio-francês&#8221; porque, mesmo tendo sido produzido pela França (além de outros países) e ter um diretor francês no comando, ele é falado em inglês e espanhol. Então, estou no caminho de realizar teus pedidos. <img src='http://s.wordpress.com/wp-includes/images/smilies/face-wink.png' alt=';)' class='wp-smiley' />  Agora, sério mesmo, tenho alguns filmes franceses para assistir em breve. Logo verás.</p>
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		<title>Die Brücke &#8211; A Ponte</title>
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		<pubDate>Fri, 12 Jun 2009 22:23:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alessandra</dc:creator>
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<p>Um clássico ambientado na Segunda Guerra Mundial um bocado surpreendente. Primeiro, é preciso prestar atenção na data em que foi lançado <a href="http://www.imdb.com/title/tt0052654/">Die Brücke</a>: 1959. Depois, é necessário notar que este filme é um produto 100% alemão. Em outras palavras: idealizado e filmado com uma equipe de pessoas que tinham nascido antes ou durante o regime nazista. Ele virou um clássico não apenas por completar, justamente em 2009, 50 anos. Die Brücke se tornou um dos filmes fundamentais sobre a Segunda Guerra Mundial pela forma legítima e sensível com que tratou este tema. Não é nada fácil para as pessoas envolvidas em um conflito contarem uma história contrária ao que presenciaram de forma com que o discurso não fique carregado demais. Pois o diretor Bernhard Wicki, na época com 40 anos, quase conseguiu o tom exato em sua posição contrária à guerra. Digo quase porque hoje, passados 50 anos daquela época em que a Alemanha estava dividida em dois, o libelo pacifista de Wicki continua impressionando por ter sido filmado no berço do nazismo, mas deixa evidente um certo dramalhão que revela o envelhecimento desta produção.</p>
<p><strong>A HISTÓRIA: </strong>Uma bomba cai perto de uma ponte que dá acesso a uma pequena cidade do interior da Alemanha. Rapidamente o assunto toma conta de todas as rodas de conversa do local. Para um grupo de jovens estudantes, esse acontecimento é motivo de pressa para sair da escola. Todos querem ver o local em que o artefato militar caiu. Entre os amigos, Jurgen Borchert (Frank Glaubrecht) está especialmente animado, porque espera uma resposta positiva do comandante local para que ele possa se alistar no Exército como voluntário. Depois de ir atrás do comandente e de conseguir o seu alistamento, ele é seguido pelos outros seis amigos. Todos abandonam a escola, suas famílias e sonhos para se lançarem à guerra. Com pena dos garotos inexperientes, o coronel responsável pelo batalhão no qual eles foram alistados resolve poupá-los e, ao invés de enviá-los para a linha de frente do confronto contra os estadunidenses, resolvei colocá-los para defender a ponte que dá acesso a sua cidade natal. Mas uma série de erros faz com que essa missão não seja das mais seguras ou das mais simples.</p>
<p><strong>VOLTANDO À CRÍTICA</strong> (SPOILER &#8211; aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Die Brücke): Tentei contar o menos possível da história no resumo acima para não estragar as surpresas do filme. A verdade é que esta produção segue uma linha clássica de narrativa dramática, ou seja, vai da apresentação dos personagens centrais até um ápice da ação e do drama. No caso, os primeiros 40 minutos de Die Brücke mostram um pouco do cotidiano e da vida dos sete amigos que vão para a guerra como se essa atitude fosse uma grande aventura. O único que parece convicto em &#8220;servir a sua pátria&#8221; é o jovem Jurgen Borchert, que procura seguir os passos do pai. Os demais, seguem o mesmo caminho por diferentes razões.</p>
<p>Alguns, para fugir de casa, como é o caso de Karl Horber (Karl Michael Balzer), um garoto com um senso de humor um bocado estranho que acaba ficando chocado quando vê que o pai, viúvo (ou divorciado, não fica claro esse ponto) está tendo um caso com a cabelereira com a qual Karl tem uma fixação. Outros, simplesmente porque não tem suas convicções muito claras, como é o caso de Walter Forst (Michael Hinz), Filho de um político do partido nazista, ele fica revoltado porque a mãe foi mandada para longe dele sem que Walter tivesse tempo de se despedir. De quebra, ele desconfia que o pai mantem um caso com a empregada. Neste cenário sem grandes expectativas, ele resolve seguir os passos dos amigos.</p>
<p>Tomam a mesma atitude outros quatro garotos: Klaus Hager (Volker Lechtenbrink), um estudante mediano, mas encantador, que é apaixonado por Franziska (Cordula Trantow); Hans Scholten (Folker Bohnet), o melhor aluno das aulas de inglês da escola e amigo inseparável de Albert Mutz (Fritz Wepper), um garoto que sonha em ser maquinista quando crescer; e Sigi Bernhard (Günther Hoffmann), o garoto mais franzino do grupo. Para desespero e amargura do professor de inglês Sr. Stern (Wolfgang Stumpf), todos eles acabam se alistando e seguindo para uma guerra que, declaradamente, estava no fim &#8211; e com mais baixas do que vitórias naquela época. (SPOILER &#8211; não leia se você ainda não assistiu ao filme). Apenas nos créditos finais sabemos que a trama se passa em 1945, e que o ataque à ponte em que estavam os garotos ocorre no dia 27 de abril, pouco menos de cinco meses antes do final da guerra</p>
<p>Depois destes 40 minutos de &#8220;introdução&#8221;, na qual sabemos um pouco sobre cada um dos jovens protagonistas de Die Brücke, a trama focaliza a guerra e seus bastidores. Após um dia de treinamento, o grupo de amigos é acordado do sono na caserna para, junto aos demais veteranos do exército nazista, saber que eles devem partir para a batalha. Diferente de outros filmes da década anterior, os soldados são vistos como pessoas cansadas, com a moral baixa e, parte deles, um bocado mercenários. Pelo roteiro de Bernhard Wicki, Karl-Wilhelm Vivier e Michael Mansfeld, inspirado no livro de Manfred Gregor, os homens fardados do fim da guerra ameaçavam e atiravam antes de ter qualquer prova contra o oponente. E não importava se o alvo fosse inimigo ou alemão. Pelo menos é o que o filme mostra &#8211; e acho que, provavelmente, ele tem um bocado de ligação com o que foi a realidade.</p>
<p>(SPOILER &#8211; não leia se você ainda não assistiu ao filme). No fim das contas, os garotos acabam defendendo um alvo que será destruído de qualquer forma. Essa é a grande crítica do filme: a inutilidade da guerra. Tantas pessoas morrem para defender alvos que, logo mais, serão vendidos, destruídos, transformados em ítens de intercâmbio ou em montanhas de dinheiro para alguns líderes/políticos. Os jovens, sendo idealistas ou não, acabam servindo apenas como combustível para a fogueira de interesses de outras pessoas. Este argumento e esta idéia ser filmada hoje em dia é perfeitamente comum e recorrente. Mas ter sido filmada na Alemanha perdedora e dividida de 1959, ainda ferida pela ideologia nazista e por todos os erros que aquele regime praticou, foi realmente algo muito corajoso. E para a ironia suprema desta crítica, o primeiro jovem a morrer foi aquele que quis impressionar os amigos mostrando que tinha a coragem de ficar em pé sob fogo aéreo &#8211; vontade de impressionar os amigos que motivou muitos jovens daquela época? E o último a morrer foi, justamente, o melhor aluno da aula de inglês da escola, aquele que soube ler um texto romântico antes de se entregar em uma luta inglória.</p>
<p><strong>NOTA: </strong>9.</p>
<p><strong>OBS DE PÉ DE PÁGINA: </strong>O primeiro elemento que me chamou a atenção em Die Brücke foi a sua trilha sonora. Bastante simples, um bocado repetitiva mas, talvez graças a estes elementos, eficazmente enfática. Ela aparece nos momentos exatos para tornar o clima deste drama de guerra ainda mais carregado de tensão. Mérito do compositor Hans-Martin Majewski.</p>
<p>Filmado em preto-e-branco, este filme conta com uma fotografia que prima pelo realismo. Exceto nas cenas noturnas, nas quais o diretor de fotografia Gerd von Bonin declaradamente preferiu destacar as interpretações dos atores, jogando luz artificial sobre suas expressões e suas interações. Nas filmagens noturnas o contexto da ação é desprezado, diferente do que ocorre nas cenas diurnas, quando Bernhard Wicki e Gerd von Bonin voltam suas lentes com o mesmo interesse para os atores e seu entorno.</p>
<p>Antes eu falei, basicamente, da história e de suas qualidades. Mas acabei não esclarecendo o que eu quis dizer com o comentário de que o filme acabou envelhecendo um pouco neste 50 anos que nos separam de sua estréia. (SPOILER &#8211; não leia se você não assistiu ao filme). Primeiro, que fica evidente a falta de recursos da equipe técnica para elaborar uma sequência de ataques dos norte-americanos contra os rapazes que defendem a ponte mais convincente. Acredito que aquela parte do filme pode desagradar a muitos fãs do gênero &#8211; especialmente se levarmos em consideração que antes de 1959 já haviam sido produzidos vários filmes de guerra com sequências de batalhas muito melhor acabadas, como é o caso dos clássicos Paths of Glory (1957) e All Quiet on the Western Front (1930).</p>
<p>Outro elemento que vai contra Die Brücke é o seu &#8220;dramalhão&#8221;, ou seja, algumas cenas de drama um tanto simplórias e até um tanto &#8220;exageradas&#8221; ou em um tom acima do que seria adequado. O que lhe deixa muito atrás de outros clássicos do gênero anteriores a ele e muito mais &#8220;maduros&#8221;, como é o caso de The Bridge on the River Kwai (1957) ou Stalag 17 (1953).</p>
<p>Apesar destas ressalvas que eu tenho com o filme, é preciso levar em conta que ele foi filmado na Alemanha Ocidental e lançado como representante de um país então dividido. E, como falei na introdução deste texto, a data de 1959 foi importante para a Alemanha, como se pode observar lendo estes dois textos (<a href="http://www.dw-world.de/dw/article/0,,834864,00.html">texto 1</a> e <a href="http://www.dw-world.de/dw/article/0,,324699,00.html">texto 2</a>) da Deutsche Welle. Para resumir: aquele foi o ano em que as potências vencedoras da Segunda Guerra Mundial se reuniram para debater e buscar um acordo, por três meses, naquela que foi uma das maiores crises da Guerra Fria. Em pauta, o futuro da Alemanha e a situação de Berlim, disputada pela União Soviética e pelos demais países &#8211; especialmente os Estados Unidos. Depois de trocas de ameaças e de ultimatos, nada foi decidido &#8211; o que levou a construção do muro de Berlim tempos depois. Então neste cenário de conflito e de disputa pelo território alemão foi filmado Die Brücke, um filme declaradamente pacifista e contrário aos absurdos do poder e da guerra.</p>
<p>Gostei do que afirmou o pesquisador Jorge Roldan, curador de um retrospectiva sobre o cinema alemão promovida em 2002, <a href="http://www.estadao.com.br/arquivo/arteelazer/2002/not20020114p41.htm">neste texto</a> publicado pelo Caderno 2 do Estado de S. Paulo: &#8220;Em geral se conhece bem o cinema alemão dos anos 20 e 30, época do expressionismo. Depois, volta-se a falar dele com o novo cinema que surge nas décadas de 60 e 70 quando nomes como Fassbinder, Wenders e Herzog tornam-se familiares&#8221;. No meio, segundo o Roldan, existe um período obscuro para a maioria das pessoas que conhecem o cinema alemão no Brasil. Período esse que corresponde ao cinema feito na Alemanha antes da Segunda Guerra, durante e depois dela, com o país dividido entre ocidental e oriental. Entre os vários filmes que fizeram parte da mostra há sete anos, estava Die Brücke. Os outros títulos citados na reportagem merecem uma conferida &#8211; prometo fazer isso em um futuro a médio prazo.</p>
<p>Um aspecto importante do filme, que não comentei antes, é a importância que a história dá para a amizade entre os protagonistas. Esse valor, junto com a importância da família, se mostram mais importantes que o patriotismo ou o sentimento de &#8220;dever&#8221;. Afinal, como comentei anteriormente, a maioria dos garotos decide ir para a guerra como apoio aos demais &#8211; assim como pelo &#8220;gosto pela aventura&#8221; -, muito mais do que por um sentimento de que seu país deve sair vencedor da guerra. A valorização destes elementos, amizade e família, acaba perdendo para a brutalidade e a ignorância do conflito &#8211; o que resume a crítica do filme.</p>
<p>Die Brücke foi o filme que marcou definitivamente a carreira do austríaco radicado na Alemanha Bernhard Wicki. Depois deste filme, o diretor, que também trabalhava como ator, foi convidado para trabalhar em Hollywood. Na meca do cinema mundial, dirigiu dois filmes: The Visit, de 1964, com Ingrid Bergman e Anthony Quinn; e Morituri, de 1965, com Marlon Brando e Yul Brynner. Antes, participou da superprodução The Longest Day, de 1962, dirigindo as cenas do filme que se passavam na Alemanha.</p>
<p>O filme que lançou Wicki para a fama mundial ganhou 13 prêmios e ainda foi indicado ao Oscar de 1960 na categoria de Melhor Filme Estrangeiro. Mas Die Brücke perdeu o Oscar para a produção francesa Orfeu Negro, dirigida por Marcel Camus e estrelada pelo gaúcho (sim, o brasileiro nascido no Rio Grande do Sul) Breno Mello. Entre os prêmios que Die Brücke levou para casa aquele ano estão o Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro; os prêmios de melhor diretor, melhor trilha sonora, melhor atriz coadjuvante e melhor atriz coadjuvante mirim do German Film Awards, assim como o &#8220;Golden Bowl&#8221; daquele ano na premiação.</p>
<p>Falando em atores coadjuvantes, vale citar a interpretação de outros atores que eu não citei anteriormente: Günter Pfitzmann como Heilmann, o oficial que fica responsável pelos garotos quando eles são designados para &#8220;proteger&#8221; a ponte; a premiada Edith Schultze-Westrum como a mãe de Bernhard, a senhora que luta para que o filho não vá para a guerra &#8211; seu desespero realmente foi o que mais comoveu entre os familiares; Ruth Hausmeister como Mrs. Mutz, mãe de Albert; Eva Vaitl como Mrs. Borchert, mãe de Jurgen; Hans Elwenspoek como Mr. Forst, pai de Walter; e Klaus Hellmold como Mr. Horber, pai de Karl.</p>
<p>Importante não confundir este filme com o movimento de mesmo nome que começou o expressionismo na Alemanha há mais de 100 anos. Die Brücke era o nome do grupo artístico fundado em Dresden em 1905 que combatia o modelo artístico &#8220;de salão wilhelminiano&#8221; que dominava na época. Nenhuma relação, sendo assim, com o filme de 1959. Os interessados no movimento expressionista, encontrei <a href="http://www.dw-world.de/dw/article/0,,1607668,00.html">aqui</a> um texto bem explicativo.</p>
<p>Die Brücke registra a nota 7,9 na avaliação dos usuários do site <a href="http://www.imdb.com/">IMDb</a>.</p>
<p>E atenção: cuidado para não confundirem este Die Brücke, lançado em 1959, com outro filme homônimo &#8211; mas que dizem que tem uma história muito diferente &#8211; datado de 1949.</p>
<p><strong>CONCLUSÃO:</strong> Um clássico dos filmes sobre a Segunda Guerra Mundial produzido na Alemanha há exatos 50 anos, equilibra no tom certo a vida pessoal de jovens combatentes e a brutalidade dos conflitos. Um bocado ousado para a época, quando a Alemanha estava sendo disputada pelas potências da Guerra Fria, este filme explora a idéia da &#8220;calma antes da tormenta&#8221;, representada pela amizade e pela valorização das famílias dos adolescentes que vão para a guerra, na mesma proporção que defende a idéia da insignifcância dos propósitos da guerra. Bem filmada, mas com algumas cenas de ação um tanto &#8220;toscas&#8221; mesmo para a época, Die Brücke é uma produção filmada em preto-e-branco que valoriza o cenário do interior alemão e os sentimentos de patriotismo e medo que prevaleciam em 1945, perto do fim da guerra e época em que o filme ocorre. Vale ser visto como documento histórico, mas com poucas exceções, não deve emocionar tanto quanto na época &#8211; ele envelheceu com o tempo.</p>
<p><strong>SUGESTÕES DE LEITORES: </strong>Com Die Brücke, mais um filme indicado pelo querido leitor deste blog, Leandro Soares, encerro minha sequência de filmes alemães assistidos a pedido de vocês. Relembrando que o cinema produzido na Alemanha foi o vencedor de uma enquete feita aqui no blog no início deste ano, antes da premiação do Oscar. Como estamos na metade de 2009, acho que é a hora de terminar com estas análises. Agora, volto a assistir produções de diferentes países como uma roleta russa. <img src='http://s.wordpress.com/wp-includes/images/smilies/face-wink.png' alt=';)' class='wp-smiley' />  Sem muita lógica ou ordem&#8230; conforme vão aparecendo as oportunidades e conforme as circunstâncias. Ainda assim, volto a repetir: tenho ainda vários filmes sugeridos por vocês, meus bons leitores, para assistir. E vou colocando a tarefa em dia, pouco a pouco. Essa é uma promessa! Leandro, mais uma vez obrigada por tuas sugestões e dicas. Os outros filmes que comentaste &#8211; e que ainda não assisti &#8211; vou comentando conforme possível, ok? Inté&#8230;</p>
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		<title>W. &#8211; Bush</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Jun 2009 23:37:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alessandra</dc:creator>
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A pessoa mais controvertida deste século 21 é a razão deste filme. Ele foi uma das figuras mais odiadas, achincalhadas, objeto de ataques verbais, escritos, filmados&#8230; assim como de manifestações públicas de repúdio e, até, de sapatadas. Do outro lado da balança &#8211; mas pesando ligeramente menos -, este mesmo homem foi motivo de orações, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=moviesense.wordpress.com&blog=1601314&post=1653&subd=moviesense&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><a rel="attachment wp-att-1655" href="http://moviesense.wordpress.com/2009/06/09/w-bush/w4/"><img class="alignnone size-full wp-image-1655" title="w4" src="http://moviesense.files.wordpress.com/2009/06/w4.jpg?w=650&#038;h=975" alt="w4" width="650" height="975" /></a></p>
<p>A pessoa mais controvertida deste século 21 é a razão deste filme. Ele foi uma das figuras mais odiadas, achincalhadas, objeto de ataques verbais, escritos, filmados&#8230; assim como de manifestações públicas de repúdio e, até, de sapatadas. Do outro lado da balança &#8211; mas pesando ligeramente menos -, este mesmo homem foi motivo de orações, de defesas ferozes, foi amado e votado de forma massiva, o que lhe garantiu dois mandatos como presidente dos Estados Unidos. George W. Bush, essa figura que entrou para a história por tirar o posto do presidente dos Estados Unidos mais polêmico de todos os tempos, é o personagem central da &#8220;cinebiografia&#8221; <a href="http://wthefilm.com/">W.</a>, dirigida por <a href="http://www.imdb.com/name/nm0000231/">Oliver Stone</a>. Eu estava sedenta para assistir a este filme, e finalmente o consegui. <a href="http://www.imdb.com/name/nm0000982/">Josh Brolin</a> é o nome da produção. E o grande responsável por seu êxito &#8211; suprindo parte das falhas de um roteiro que deixa personagens importantes isolados demais em um &#8220;canto da sala&#8221;, assim como ignora partes da história de seu protagonista.</p>
<p><strong>A HISTÓRIA:</strong> W. narra a vida e a trajetória de George Walker Bush (Josh Brolin) desde o ano de 1966, quando se tornou popular em uma confraternização estudantil por lembrar o nome de muitos de seus participantes em uma sabatina etílica com os novatos, até o ano de 2003. A data em que o filme termina não fica totalmente clara, mas sabemos que a narrativa finaliza pouco depois da morte do embaixador Sérgio Vieira de Mello no Iraque e do governo dos Estados Unidos ter admitido que havia errado em algumas de suas acusações contra Saddam Hussein &#8211; fatos que ocorreram em 2003. Assumindo como verdades boa parte dos discursos oficiais da Casa Branca, o filme busca se aprofundar em partes menos conhecidas da vida do ex-presidente. Entre outros aspectos, o roteiro explora a idéia de que George W. Bush tinha uma relação bastante conflituosa com o pai, de quem sempre esperaria um reconhecimento nunca alcançado. A história ainda mostraria o carisma de Bush e suas ligações com diferentes colaboradores que lhe garantiam uma certa &#8220;blindagem&#8221; no poder.</p>
<p><strong>VOLTANDO À CRÍTICA </strong>(SPOILER &#8211; aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a W.): O filme de Oliver Stone acabou sendo uma grande surpresa para mim. Especialmente porque eu esperava que ele fosse muito mais duro e implacável com o seu &#8220;retratado&#8221;. Mas não. Stone dirigiu uma cinebiografia escrita por <a href="http://www.imdb.com/name/nm0007140/">Stanley Weiser</a> bastante &#8220;suave&#8221; e irônica. Sutil talvez seja a definição mais ajustada. Algo surpreendente para o diretor responsável pelo polêmico <a href="http://www.imdb.com/title/tt0102138/">JFK</a> e pelo interessante <a href="http://www.imdb.com/title/tt0113987/">Nixon</a>. Eu esperava mais crítica ou ironia. Em seu lugar, encontrei um esboço até um bocado condescendente com esta figura tão odiada (e por alguns amada) no mundo todo.</p>
<p>Um dos problemas do filme, para mim, é que ele assume a versão oficial da Casa Branca em todo o momento. Ou seja, ele não questiona, nem por um segundo, que George W. Bush e seu governo apenas &#8220;reagiram&#8221; a um ataque terrorista contra sua nação empreendido por terroristas. <a href="http://www.youtube.com/watch?v=mou37UCJ-eM&amp;feature=channel_page">Assistindo</a> a um documentário de Dylan Avery intitulado <a href="http://loosechange911.com/">Loose Change</a>, ficou ainda mais claro, para mim, que muitas questões importantes daquele 11 de setembro de 2001 não foram respondidas satisfatoriamente até agora &#8211; e talvez nunca sejam. Então, em um cenário de dúvidas, o roteirista e o diretor de W. preferiram fazer um caminho diferente daquele adotado por Stone e <a href="http://www.imdb.com/name/nm0804466/">Zachary Sklar</a> em JFK. Eles aceitaram a versão oficial do governo dos Estados Unidos e esqueceram as &#8220;teorias da conspiração&#8221; e as muitas lacunas da versão oficial. Talvez Stone quis evitar a repetição. Preferiu fazer um filme que não seguisse os passos de JFK. Foi a melhor escolha? Impossível falar sobre uma hipótese jamais realizada. Pessoalmente, acho que teria gostado mais de um filme que primasse pela ousadia em lugar da sutileza.</p>
<p>Ainda assim, gostei de W. Especialmente porque Josh Brolin nos apresenta o que talvez seja a melhor interpretação de sua carreira até então. Ele convence tanto como aquele caubói que busca abrigo na Igreja como forma de se defender de uma incurável carência do amor paterno que ganha o espectador. Carismático e, em vários momentos, &#8220;iluminado&#8221; em tela, Josh Brolin por alguns momentos nos faz esquecer que estamos acompanhando a trajetória de um dos homens mais equivocados da História moderna. Apenas por esta &#8220;mágica&#8221;, o filme merece ser visto. Brolin, para mim, merecia alguns prêmios por esta proeza &#8211; ele chegou a concorrer a três prêmios por sua interpretação, mas não ganhou nenhum deles.</p>
<p>Mas se W. tem um grande ator na linha de frente e um bocado de nomes importantes ao seu lado &#8211; com destaque para <a href="http://www.imdb.com/name/nm0000377/">Richard Dreyfuss</a> como o vice-presidente Dick Cheney -, por outro lado o filme ignora uma série de detalhes importantes da história. Como explicar, no final de contas, a primeira vitória de George W. Bush? O filme não mostra nada da campanha do político à presidência dos Estados Unidos. Passa de largo. Mostra o &#8220;antes&#8221;, em uma (de várias) discussões do &#8220;Bush filho&#8221; com o &#8220;Bush pai&#8221;, e logo mostra o depois, sem muitos detalhes do &#8220;durante&#8221;. Também não explica, por exemplo, a verdadeira razão de George W. Bush ter sido preso, na época da universidade. O personagem ironiza ao afirmar para o pai, por telefone, que provavelmente isso ocorreu porque ele era o &#8220;chefe da torcida&#8221; de Yale no território do adversário quando eles ganharam um campeonato. Mas nada fica exatamente esclarecido. Ainda mais porque outras versões, como <a href="http://resistir.info/eua/biografia_bush.html">esta</a>, afirmam que sua prisão foi causada pelo porte de cocaína.</p>
<p>Certo que W. mostra um George W. Bush preguiçoso, um bocado &#8220;tonto&#8221; e manipulável. Aliás, bastante manipulável. Na versão de Stone da história recente dos Estados Unidos, Bush foi um verdadeiro fantoche, utilizado como um títere pelo mímico Dick Cheney &#8211; especialmente. Outro que teria manipulado bastante o nosso &#8220;herói&#8221; foi Karl Rove (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0429363/">Toby Jones</a>), na época o vice-chefe da Casa Civil. Certo que o Bush retratado nessa cinebiografia estava muito longe de ser um bom estudante ou um cara trabalhador. Mas daí a colocá-lo como um verdadeiro tonto, um cara extremamente ignorante e manipulável&#8230; não sei. Para mim é o mesmo que dizer que o Lula não sabia de nada que acontecia embaixo do seu nariz durante o Mensalão e demais falcatruas que ocorreram no governo. É tirar a responsabilidade destas pessoas. Acho que ninguém chega a uma posição como o de presidente da República sendo tão &#8220;tonto&#8221; ou manipulável. E apenas &#8220;apelo público&#8221; entre as mulheres e os texanos, como sugere o filme de Stone, não convence. Bush tinha que ser mais &#8220;raposa&#8221; do que aparece no filme.</p>
<p>Além destes problemas conceituais, não gostei do fato do roteiro de Stanley Weiser dar tão pouca importância para pessoas que, sabemos, tiveram um papel fundamental na administração Bush. Especialmente Condoleezza Rice (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0628601/">Thandie Newton</a>), que aparece de forma extremamente secundária &#8211; praticamente para decorar algumas cenas. Coitada! A sensação que o filme nos dá é que o governo de Bush era administrado por um grupinho de machões. A verdade é que poucas vezes antes um presidente dos Estados Unidos deu tantos poderes para uma mulher quanto Bush para Rice. Certo que ela se tornaria praticamente &#8220;toda-poderosa&#8221; apenas em janeiro de 2005, quando foi promovida a secretária de Estado &#8211; e quando saiu na <a href="http://www.triangulomineiro.com/noticia.aspx?catNot=63&amp;id=7292&amp;nomeCatNot=Comportamento">lista da revista Forbes</a> como a mulher mais poderosa do mundo &#8211; mas, ainda assim, todos sabemos que antes disto ela já era uma das principais &#8220;conselheiras&#8221; de Bush. Não é isso que o filme de Stone e Weiser mostra.</p>
<p>Também não gostei muito do tratamento do roteiro com a figura de Colin Powell (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0942482/">Jeffrey Wright</a>), então secretário de Estado do governo Bush. Todos sabem que ele era um dos homens fortes daquele governo, mas no filme ele aparece como um homem permanentemente ignorado por Bush e, principalmente, por Cheney. Curioso. Não é isso que <a href="http://diplo.uol.com.br/2001-11,a123">esta</a> reportagem do Le Monde Diplomatique e outros textos apontam sobre aquela época. O perigo de filmes que tentam narrar momentos históricos é o de que eles recriem de tal maneira a história a ponto de modificá-la perigosamente. W. é um filme bem dirigido, com um grande ator liderando o elenco, mas ele corre o risco de estar sendo extremamente equivocado em sua narrativa, retirando o protagonismo de alguns para transformar outros personagens secundários nos verdadeiros &#8220;vilões&#8221; da história.</p>
<p>Talvez esta seja a idéia de Stone e Weiser&#8230; mudar as posições de maneira tão radical que, praticamente, eles nos dizem: &#8220;A História é algo que nunca poderá ser comprovado&#8221;. Ou, em outras palavras, que não importa quem seja apontado, sempre algum coadjuvante pode ter tido uma importância maior. Pode até ser. Mas este relativismo não nos leva a parte alguma. Pelo contrário. Ele é um bocado perigoso e irresponsável. As pessoas tem e tiveram determinada importância na história, e descubrir a dimensão de cada um deveria ser o trabalho de jornalistas, historiadores e, porque não, de alguns cineastas que brincam de fazer cinebiografias.</p>
<p><strong>NOTA: </strong>8.</p>
<p><strong>OBS DE PÉ DE PÁGINA: </strong>Quero esclarecer que a nota acima é uma verdadeira reverência ao excepcional trabalho do ator Josh Brolin e, claro, a alguns acertos do roteiro e da direção de Weiser e Stone, respectivamente. Nem tudo é ruim no filme. Com certeza não. Ainda que eu tenha muitas reticências à história &#8211; acho que todas apontadas anteriormente -, devo admitir que o caminho escolhido pelos realizadores, de tentar entrar na &#8220;intimidade&#8221; do ex-presidente e mostrá-lo mais humano do que muitos poderiam esperar, foi um grande acerto. Gostei de ter visto um filme que foge do recurso fácil de &#8220;demonizar&#8221; o personagem de George W. Bush. Esse é, sem dúvida, um grande acerto de W. O problema é que ele sofre de vários erros quase  na mesma medida&#8230;</p>
<p>Acho necessário citar o trabalho de outros atores que fazem parte deste filme &#8211; e que acabam tendo um papel importante na história: <a href="http://www.imdb.com/name/nm0000342/">James Cromwell</a> faz as vezes de George H. W. Bush, pai do protagonista; a sempre ótima <a href="http://www.ellenburstyn.net/">Ellen Burstyn</a> interpreta Barbara Bush, mãe de George W. Bush; <a href="http://www.elizabethbanks.com/">Elizabeth Banks</a> veste a pele de Laura Bush (que milagrosamente não envelhece no filme), esposa do protagonista; <a href="http://www.imdb.com/name/nm0001277/">Scott Glenn</a> interpreta o polêmico Donald Rumsfeld, Secretário da Defesa que traçou uma nova estratégia militar estadunidense para este século (e que no filme ganha um papel bastante secundário); <a href="http://www.imdb.com/name/nm0569226/">Bruce McGill</a> interpreta a George Tenet, então diretor da CIA, que demorou apenas quatro dias para apresentar um plano antiterrorista para 80 países após o 11 de Setembro; <a href="http://www.imdb.com/name/nm0004988/">Colin Hanks</a> interpreta o escritor principal dos discursos do presidente; e <a href="http://www.imdb.com/name/nm0001864/">Noah Wyle</a> interpreta Don Evans, antigo amigo de Bush que acabou sendo nomeado como secretário de Comércio de sua administração.</p>
<p>Outra falha no roteiro, para mim, é a praticamente ausência do irmão de George, Jeb (interpretado por <a href="http://www.imdb.com/name/nm0728762/">Jason Ritter</a>), em cena. Ele tem uma rápida aparição no filme, na casa da família Bush, quando o futuro presidente dos Estados Unidos discute, mais uma vez, com o pai. Fora este momento, ele não aparece mais &#8211; e fica evidente, seja pela proclamada carência do protagonista ou seja pelos fatos históricos, que Jeb Bush teve mais importância do que esta cena na história da família. Mas ok, desisti de pedir lógica para a história contada por Stone e Weiser.</p>
<p>W. foi indicado a quatro prêmios em sua trajetória, mas não ganhou nenhum deles. Destas quatro indicações, três foram para a interpretação de Josh Brolin. A última, para Toby Jones, indicado como melhor ator coadjuvante por seu papel como Karl Rove na premiação do Círculo de Críticos de Cinema de Londres.</p>
<p>O filme não conseguiu agradar tanto os fãs ou os críticos quanto alguns executivos gostariam. Os usuários do site <a href="http://www.imdb.com/">IMDb</a> conferiram a nota 6,7 para a produção, enquanto que os críticos que tem textos publicados no <a href="http://www.rottentomatoes.com/">Rotten Tomatoes</a> dedicaram 118 textos positivos e 79 negativos para W. &#8211; o que lhe garante uma aprovação de 60%.</p>
<p>Para completar o quadro que representa um resultado morno para o filme, ele conseguiu, até dezembro de 2008, pouco mais de US$ 25,5 milhões nas bilheterias dos Estados Unidos. Pouco, muito pouco para um filme que tinha tudo para ser &#8220;polêmico&#8221; e para levar muitos curiosos para o cinema. W. teria custado aproximadamente US$ 25,1 milhões. Ou seja, mal se pagou.</p>
<p>Um esclarecimento: resolvi colocar como título deste post os dois nomes que o filme recebeu nos Estados Unidos e no mercado internacional. Originalmente, acredito que todos saibam, o filme foi intitulado apenas como W., com esse ponto e tudo. Mas na terra do Sr. Bush ele também recebeu o outro nome.</p>
<p>Interessante que W. contou com a ajuda de uma série de países. Ele foi co-produzido, segundo divulgam seus produtores, pelos Estados Unidos, por Hong Kong, pela Alemanha, pelo Reino Unido e pela Austrália. Quase uma ONU. <img src='http://s.wordpress.com/wp-includes/images/smilies/face-wink.png' alt=';)' class='wp-smiley' /> </p>
<p>Gostei da série de cartazes produzidos para divulgar e promover o filme. Na minha página do Flickr coloquei disponível para quem quiser todos eles &#8211; tem uns muito bons.</p>
<p>Uma curiosidade divulgada pelo site IMDb: antes de Josh Brolin, o papel do protagonista tinha sido dado para <a href="http://www.imdb.com/name/nm0000288/">Christian Bale</a>. Sinceramente? Não consigo imaginar Bale interpretando a Bush.</p>
<p>Para os interessados na parte técnica do filme: a direção de fotografia é assinada pelo grego <a href="http://www.showreelsonline.com/INNOVATIVE_ARTISTS/PHEDON_PAPAMICHAEL">Phedon Papamichael</a>; a trilha sonora por <a href="http://www.imdb.com/name/nm0134508/">Paul Cantelon</a> e a edição por <a href="http://www.imdb.com/name/nm0404528/">Joe Hutshing</a> e <a href="http://www.imdb.com/name/nm0598520/">Julie Monroe</a>.</p>
<p>Alguns textos que acho interessante sobre o Sr. George W. Bush e sua administração: <a href="http://www.socialismo.org.br/portal/internacional/39-noticia/155-bush-mentiu-259-vezes-sobre-o-iraque">texto 1</a>, <a href="http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDG58734-6013,00-BUSH+DEFENDE+MOTIVOS+PARA+DECLARAR+GUERRA+A+SADDAM+APOS+CONFISSAO+DA+CASA+B.html">texto 2</a>, <a href="http://educacao.uol.com.br/biografias/ult1789u47.jhtm">texto 3</a> e, principalmente, <a href="http://www.co.terra.com/tecnologia/interna/0,,OI3305438-EI10986,00.html">texto 4</a>, <a href="http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDG73087-5856,00-OS+REFLEXOS+DO+GOVERNO+GEORGE+W+BUSH.html">texto 5</a> e <a href="http://www.tudoagora.com.br/noticia/10879/Bush-deixara-o-governo-como-o-mais-impopular-em-60-anos-diz-CNN.html">texto 6</a>.</p>
<p><strong>CONCLUSÃO: </strong>A tão aguardada cinebiografia de George W. Bush capitaneada por Oliver Stone é muito mais sutil do que se podia imaginar. O que acaba sendo uma qualidade. O problema reside na perigosa brincadeira de dar maior ou menor importância para personagens que acompanharam o ex-presidente, transformando o roteiro em um alvo certo para muito debate e críticas. Sendo assim, o melhor mesmo é assistir a este filme como um divertido passatempo, deixando as questões políticas e históricas de lado para se lançar a contemplação de uma grande interpretação do ator Josh Brolin. Ele é o grande nome desta produção, carregando seu personagem de uma maneira carismática e divertida. Algumas vezes, até esquecemos em quem a sua interpretação está sendo baseada. Apenas por este prisma de fantasia este filme pode ser visto. Não leve ele a sério e, talvez, você não fique irritado. Eu fiz isso e me diverti. Afinal, as trabalhadas de George W. Bush acabam rendendo albumas boas risadas. Também sei separar muito bem a ficção da realidade &#8211; e continuo achando que Oliver Stone perdeu uma boa oportunidade de marcar época, como fez anteriormente com JFK.</p>
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