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Magic Mike

4 de novembro de 2012 4 comentários

Entretenimento puro. Especialmente para as garotas. Magic Mike vai agradar a quem gosta de ver belos corpos rebolando. É um passatempo, nada mais que isso. Feito sob medida pelo diretor Steven Soderbergh, cada vez mais interessado em subverter histórias clássicas em ambientes pouco utilizados como cenário dos enredos de Hollywood. A fixação dele pelo sexo e a sensualidade continua. Desta vez, no lugar de uma garota de programa, acompanhamos a um grupo de strippers. Homens, é bom dizer. No mais, aquele filme no estilo de Soderbergh, com ótima fotografia, boa música, ritmo e estilo.

A HISTÓRIA: Algumas luzes focam no homem que provoca gritos de um grupo de mulheres excitadas. O restante do ambiente está no escuro. A lógica do ambiente resgata um quarto qualquer. As mulheres se divertem, enquanto o dono do pedaço, Dallas (Matthew McConaughey), as incentiva a tocar/não tocar. Corta. O mês é junho. E Mike (Channing Tatum) acorda após mais uma noite de diversão. Ele se despede rapidamente de Joanna (Olivia Munn), com quem se encontra com alguma assiduidade, e vai trabalhar na reforma de mais alguns telhados. Neste local é que ele encontra Adam (Alex Pettyfer), um jovem de 19 anos que não sabe muito bem o que vai fazer da vida. Mas que acaba mudando a rotina de Mike em pouco tempo.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso só recomendo que continue a ler quem já assistiu a Magic Mike): Algo que eu admiro no diretor Steven Soderbergh é seu domínio total das imagens e dos tempos. Percebam cada sequência de Magic Mike, como ela é pensada com exatidão. Não é por acaso que, além de direção do filme, Soderbergh assina a direção de fotografia e a edição de Magic Mike. Ele domina o ritmo e a identidade do filme do início ao fim.

Para os que gostam ou não dele, Soderbergh faz um cinema autoral. Ele gosta de ação, de ritmo, de cenas bem planejadas, de valorizar a trilha sonora, uma direção de fotografia com lentes que estilizem as imagens e, desde 2009, a jogar com a sexualidade do público. Naquele ano, Soderbergh investiu na atriz de filmes pornô Sasha Grey para interpretar uma garota de programa em The Girlfriend Experience. No ano passado, voltou a colocar uma bela mulher – e atriz de segunda – na frente de suas lentes, como protagonista: Gina Carano estrelou, assim, Haywire. Veja a crítica do primeiro e do segundo filme citado aqui no blog, respectivamente.

Se nestes dois filmes anteriores os homens se esbaldaram com belas mulheres, com Magic Mike Soderbergh foca as suas lentes em belos homens, com corpos esculpidos, para alegrar as moças que não tem vergonha de dizer que gostam de ver a beleza que existe no mercado. Diferente das produções anteriores, Magic Mike mergulha mais na história pessoal do protagonista. E, o que sempre faz toda a diferença, os atores principais desta nova produção tem talento. O que coloca Magic Mike em outro patamar, comparado com as produções anteriores em que Soderbergh apostou na sensualidade como elemento fundamental.

Verdade que grande parte de Magic Mike é uma desculpa para vermos lindos homens dançando – e muito, muito bem! – e tirando a roupa sobre um palco. Aliás, grande parte do mérito do êxito desta produção é do coreógrafo Alison Faulk e sua assistente, Teresa Espinosa. Ele e sua equipe garantem cenas incríveis e divertidas que preenchem grande parte da história.

Descontadas as apresentações de Magic Mike e dos demais strippers, este filme conta uma história de amor. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). E de forma totalmente “acidental”. Conta, também, como três meses podem mudar totalmente a vida de algumas pessoas. Soderbergh gosta de marcar o tempo em seus filmes, e em Magic Mike esta marcação é funcional. Porque faz pensar. Em três meses, o personagem de Adam dá uma guinada em sua vida. E de reboque, muda a rotina da irmã, Brooke (Cody Horn), e as perspectivas de Mike.

Porque a vida vai nos levando. Cada vez mais. O ano é curto, depois do Carnaval já aparece as férias do meio do ano e, em seguida, o Natal. Nesta vida acelerada, e ainda mais no ambiente retratado por Magic Mike, não é difícil entender como um homem se deixa levar. Especialmente se ele é a estrela do espetáculo. Nisto conhecemos Mike, que acumula trabalhos, nada que lhe dê realmente muito dinheiro, enquanto ele vai adiando o início de seu sonho, de ter um negócio próprio de designer de móveis. E deixar aquela vida de stripper.

Sem muito espaço para conhecer pessoas “de verdade” ou ter conversas sinceras, Mike se surpreende com Adam e sua irmã, Brooke. Ela, como qualquer mulher que consegue enxergar, fica perplexa com a beleza de Mike. Mas não confia no rumo que ele está dando para a própria vida. Ou para o caminho que o irmão está seguindo. Enquanto Mike e, principalmente Adam, se jogam em uma rotina de gandaia, Brooke fica a espera de que algo mude. E que, principalmente Mike, perceba o tempo que está gastando em um vida sem muito futuro. Afinal, aos 30 anos, ele está ficando “velho” para o trabalho de stripper.

Magic Mike mergulha na rotina, sonhos e desejos do protagonista. Revela os bastidores de um negócio como o que é mantido por Dallas. E com tantas músicas boas, mérito da trilha sonora supervisionada por Frankie Pine, fica fácil acompanhar esta história. Que tem o ritmo adequado e até passa rápido, levando em conta que assistimos a 1h50min de um filme sem grande moral ou reflexão. Puro passatempo, bem embalado e empacotado, como manda o padrão de Soderbergh.

No mais, além de ter um bom ritmo e de contar uma história sob a ótica de personagens pouco explorados no cinema, Magic Mike tem um bom roteiro. Diálogos interessantes e da “vida real” garimpados por Reid Carolin. Uma qualidade desta produção, além do estilo de Soderbergh. E os atores, é claro, dão um show à parte. Para mim, este é o melhor trabalho de Channing Tatum. E um dos melhores da carreira de Matthew McConaughey. Sim, o segundo exagera na dose. Mas o seu personagem é para ser assim mesmo, “over”. Gostei muito dos dois.

E como eles são a “fantasia” em pessoa, vivem seus “personagens” em tempo real, nada melhor que interpretações “suaves” e realistas como as de Cody Horn e Alex Pettyfer para contrabalancear. Junto com eles, muito bom ver a atriz Olivia Munn ganhando certa evidência. Gosto muito dela na série The Newsroom, por isso mesmo é bacana vê-la se destacando em um filme de Soderbergh também. Sem dúvida, o desempenho destes atores fazem a diferença nesta produção.

NOTA: 8,8.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Matthew McConaughey, em especial, tem um desempenho de arrepiar. Pelo sotaque, pela imersão em um personagem egocêntrico e cheio de moral – e de bobagens. Há tempos eu não via o ator abraçar tão bem um papel. Ele é o segundo nome do elenco, atrás apenas de Channing Tatum que, a cada filme, vem se firmando cada vez mais como um grande nome de sua geração. Ele tem carisma, é centrado no trabalho e convence no papel. Além de ser muito, muito bonito. Um ator precisa mais do que isso? Por um bom tempo ele não vai precisar.

Os outros strippers desta produção merecem ser citados. Eles fazem um ótimo trabalho. São eles: Kevin Nash como Tarzan, Joe Manganiello como Big Dick Richie, Matt Bomer como Ken, e Adam Rodriguez como Tito. Além deles, vale citar o trabalho de Gabriel Iglesias como Tobias, o DJ da casa de strippers e que também faz circular ecstasy em algumas festas para dar mais dinheiro para quem quer entrar no esquema.

Além deles, há superpontas de gente conhecida, como James Martin Kelly como Sal, que contrata jovens com ou sem experiência para reformar telhados pagando uma miséria; Camryn Grimes como a garota que faz 21 anos e ganha um convite especial de Mike e Adam; e Betsy Brandt como a bancária que nega mais um empréstimo para Mike.

Channing Tatum acreditou tanto nesta produção que colocou dinheiro nela. Ele é um dos produtores de Magic Mike.

Uma curiosidade sobre esta produção: o papel de Brooke, irmã de Adam e que conquista Mike, foi oferecido para Jessica Biel. Mas ela recusou o convite. Sorte de Cody Horn. :)

Inicialmente, Tatum tinha pensado no diretor Nicolas Winding Refn para conduzir esta produção. Mas o diretor não conseguiu conciliar este projeto com outro que ele tinha em andamento, Only God Forgives. Interessante saber disto porque fica evidente que Tatum tinha o projeto na manga antes de Soderbergh encarar a proposta. Lendo mais a respeito, soube que Magic Mike, na verdade, é um projeto muito pessoal de Tatum. Esta produção é baseada em algumas experiências do ator antes da fama, quando ele atuava como um “dançarino exótico”. Interessante.

Os atores que interpretam os strippers são, na verdade, profissionais do ramo. Kevin Nash, por exemplo, que interpreta a Tarzan, aparece em cena com uma cinta no joelho, algo que ele usa no seu trabalho normal, como stripper, porque tem muitos problemas no joelho na “vida real”.

Há um rumor, não comprovado oficialmente, de que Tatum não se deu muito bem com Alex Pettyfer, que interpreta Adam, no set de filmagens. O que pode ter ajudado no filme, já que um certo “estranhamento” realmente é visto em cena e justifica as ações dos personagens.

O logo da Warner Bros. usado na abertura do filme é uma releitura do logo desenhado por Saul Bass nos anos 1970. Curiosidade estilosa.

Magic Mike teria custado cerca de US$ 7 milhões. E faturado muito, muito bem até o momento. Apenas nos Estados Unidos, esta produção conseguiu pouco mais de US$ 113,7 milhões até o dia 23 de setembro.

Este filme estreou em junho e participou, até o momento, de apenas dois festivais: o de Karlovy Vary e o de Locarno.

Como a história mesmo sugere, Magic Mike foi filmado na cidade de Tampa, na Flórida. Colonizada desde 1823, 30 anos depois ela seria incorporada como cidade aos Estados Unidos. É uma cidade considerável… tem 335,7 mil habitantes, segundo o último levantamento, de 2010. É a 53a maior cidade dos Estados Unidos. Nada mal. Ela fica perto do Golfo do México, e a 451 quilômetros de Miami – ou quatro horas e meia de carro, aproximadamente.

Os usuários do site IMDb deram a nota 6,2 para o filme. Achei pouco, especialmente porque este é um filme divertido. Talvez a maioria dos votantes tenha sido de homens. :) Ou as pessoas estavam buscando um filme mais sério. Vai saber… Os críticos que tem seus textos linkados no Rotten Tomatoes foram mais generosos. Eles dedicaram 148 críticas positivas e 38 negativas para a produção, o que lhe garante uma aprovação de 80% e uma nota média de 6,9.

CONCLUSÃO: Eis um passatempo com estilo. Bem ao gosto do diretor Steven Soderbergh. Verdade que grande parte de Magic Mike é uma desculpa para performances de strippers incríveis. Dá-lhe belos corpos dançando e tirando a roupa. Muitos homens devem torcer o nariz porque, claro, ao invés de mulheres serem as protagonistas, temos o outro lado “do balcão”. Magic Mike é feito para quem gosta de ver belos homens em cena. E de uma forma nada usual. Descontadas as várias cenas de dança, streap tease e festas regadas a bebida, alguma droga e um tanto de sexo, Magic Mike se revela uma história de amor. Bastante insinuada, no princípio, mas que se consolida no final. Soderbergh arriscou nesta escolha. E se não fossem os atores, que fazem um ótimo trabalho e tem carisma, provavelmente ele erraria nesta aposta. Porque a chance do tal romance parecer falso era grande. Mas acaba convencendo. O que só ressalta, ainda mais, o talento do diretor e dos protagonistas. Boa história, com ótimas coreografias, estilo e divertida. Quem precisa mais? Bem, algumas vezes precisamos. Mas daí deixamos isso para o próximo filme sério da lista. :)

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