El Secreto de Sus Ojos – O Segredo dos Seus Olhos


Entre os países da América Latina, a Argentina possivelmente tem o cinema mais regular da região – produzindo sempre uma média de filmes de qualidade. El Secreto de Sus Ojos, representante do país por uma vaga no próximo Oscar, não foge desta regra. Ainda que narrado de forma bastante tradicional, este filme sobre uma investigação policial inconclusa e a busca de um oficial de Justiça aposentado por respostas sobre o seu passado tem pelo menos duas grandes qualidades: a presença sempre gratificante do talentoso Ricardo Darín e a sua parceria com a encantadora/convincente Soledad Villamil. Inspirado em uma obra literária, El Secreto de Sus Ojos mantêm duas linhas narrativas – presente e passado – em uma história de crimes, desejos contidos, paixões, Justiça e literatura.

A HISTÓRIA: Entre as plataformas 7 e 8 de uma estação de trem, uns olhos se destacam. Um homem tenta superá-los e pega uma pasta de couro, caminhando em seguida junto ao trem parado. Esta é uma cena de despedida. Ela habita a memória do agora aposentado Benjamín Esposito (Ricardo Darín). O antigo oficial de Justiça insiste em escrever um romance sobre o seu passado, que envolve não apenas aquela separação emocionada na estação de trem, mas também um crime hediondo. Utilizando como pretexto a sua busca pelo que realmente ocorreu com o culpado do caso Morales, Benjamín tenta também fazer as pazes com o seu próprio passado, especialmente no que se refere a sua antiga chefe, a juíza Irene Menéndez Hastings (Soledad Villamil).

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a El Secreto de Sus Ojos): Grande parte do que acontece na história contada por esta produção é previsível. Esperamos que o amor entre Benjamín e Irene vá ficando cada vez mais evidente, assim como confiamos que o culpado por ter matado a jovem e encantadora Liliana Coloto (Carla Quevedo) perca o controle e tenha alguma forma de julgamento justo. Ainda assim, e mesmo se tratando de uma adaptação de um romance no melhor estilo tradicional, El Secreto de Sus Ojos nos guarda algumas surpresas interessantes e bastante pontuais.

O diretor Juan José Campanella adaptou para a forma de um roteiro o livro La Pregunta de Sus Ojos com a ajuda de seu próprio autor, Eduardo Sacheri. Algo que me chamou a atenção, logo no início do filme, é que ele não alivia em seu linguajar. Não lembro de ter assistido, recentemente, a outro filme argentino que tenha tantos palavrões, xingamentos e “linguagem coloquial”. Algo curioso, se pensamos o tempo e o ambiente em que se passa a história – provavelmente algo planejado pelo escritor para diferenciar esta publicação de outras do gênero. A verdade é que o texto de Sacheri tira o véu do ambiente formal do Judiciário e nos aproxima de seus bastidores, onde existem disputas por poder, traições, assédio sexual, alcoolismo e, claro, algo de Justiça.

Como todo filme com duas narrativas principais em paralelo e um protagonista que busca solucionar dois problemas, El Secreto de Sus Ojos corria o risco de se perder em “costuras” de roteiro mal feitas. Mas não. As histórias paralelas são bem amarradas e prendem o interesse do espectador. O mérito principal, claro, fica por conta dos atores envolvidos no projeto. Darín, mais uma vez, confirma o seu posto como o principal – ou um dos, pelo menos – ator do cinema argentino. Em um filme em que “os olhos” – que simbolizam as expressões sem diálogos – devem comunicar tanto ou mais que as palavras proferidas pelos personagens, ninguém melhor que Darín para comandar o elenco. Mas para a sorte do espectador, junto com ele há outros atores muito competentes em cena.

Para começar, Soledad Villamil. Junto com Darín, ela consegue sugerir, sempre na medida exata, a proximidade, o desejo e os valores contrastantes da relação de uma “superiora” com o seu “subordinado” em um ambiente tão rígido quanto o do Judiciário. Logo no primeiro encontro entre Benjamín e Irene sabemos que algo ocorreu – ou deveria ter ocorrido – entre os dois. Buscando sempre olhar para o futuro, Irene não consegue mensurar o quanto de sua vida pode ainda ser mudada. Benjamín, por sua vez, parece não aceitar o rumo que sua vida tomou – e insiste, mais que Irene, em olhar para o passado. Não apenas para entendê-lo mas, especialmente, para tentar ajustá-lo.

É sempre gratificante assistir a dois grandes atores em cena. E o melhor: atores maduros. Junto com Darín e Villamil, El Secreto de Sus Ojos conta com o talento do ótimo Guillermo Francella, que interpreta a Pablo Sandoval, “subalterno” e amigo de Benjamín. O lado “mais fraco” entre os intérpretes fica por conta de Pablo Rago, como Ricardo Morales, marido de Liliana Coloto, e Javier Godino como Isidoro Gómez, o assassino confesso da moça de lindo sorriso. Não quero dizer que os atores sejam ruins, não. Mas perto do trio de protagonistas experientes, realmente fica evidente que lhes falta estrada.

De qualquer forma, El Secreto de Sus Ojos funciona bem. Consegue manter a atenção do público mesmo em seus momentos de “baixada narrativa”. Tem algumas cenas fortes e certa surpresa, o que garante que, junto com o desempenho dos atores, o filme se mantenha acima da média. No quesito direção, não há nenhuma surpresa ou virtuosismo. Na verdade, Campanella faz um trabalho apenas correto. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Mesmo que seja, aparentemente, um filme sobre uma “investigação policial”, El Secreto de Sus Ojos se mostra, essencialmente, uma produção sobre paixões. Ele reflete, como poucos ultimamente, sobre a energia que nos move em uma direção – seja ela um amor, a justiça ou o crime. Francamente, o roteiro fez com que eu duvidasse permanentemente do marido de Liliana. Achei que Morales podia ser o verdadeiro culpado. Mas que boa surpresa a do final, quando fica ainda mais claro como a verdadeira “justiça” nunca poderá residir no “olho por olho, dente por dente”.

Por ser protagonizada por personagens “com mais idade”, El Secreto de Sus Ojos também reserva outra mensagem importante. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). A de que nunca é tarde para buscar a paz com o próprio passado e, principalmente, viver uma grande paixão. Ok, a mensagem pode parecer até piegas – e talvez seja, um pouco -, mas nem por isso ela deixa de funcionar. O que apenas comprova como bons atores e um roteiro escrito com certo cuidado podem fazer com que idéias “batidas” ainda convençam.

Merece certa atenção também a crítica velada de Sacheri a época em que Isabel Perón governou o país. (SPOILER – não leia… bem, você já sabe). Durante seu governo, o desafeto de Benjamín, Romano (Mariano Argento), coloca o assassino de Liliana Coloto em uma posição importante entre o corpo de segurança da presidente. De fato, durante o mandato de Isabel Perón, muitos abusos foram cometidos contra seus opositores. Um pouco de fundo histórico em uma história que brinca com a fronteira entre realidade, recordações distorcidas e a imaginação de um escritor que tenta encontrar sentido em fatos do seu passado que não ficaram totalmente esclarecidos. O espectador não sabe, com 100% de segurança, se tudo que está assistindo – pelo menos na narrativa sobre o passado dos protagonistas – é parte de uma ficção ou reflete, exatamente, o que ocorreu com Benjamín e os demais há 25 anos. Algo que ficará sem resposta – o que torna a história ainda mais interessante e realista.

NOTA: 8,3 9,3.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: O ator Javier Godino me enganou. Eu podia jurar, quando ele apareceu pela primeira vez em cena, que ele era o jovem ator destacado no último filme do Almodóvar. Ledo engano. Eu o confundi com Rubén Ochandiano, que interpreta a Ray X/Ernesto Jr. em Los Abrazos Rotos (comentado aqui no blog). Certo que eles guardam certa semelhança, mas acho que no fundo o que eu precisava mesmo era descansar os meus olhos cansados.😉

Ambientado em duas épocas, no final dos anos 1990/início dos anos 2000 e em 1974, El Secreto de Sus Ojos compartilha personagens e a cidade de Buenos Aires. Como todo filme “de época” pede, esta produção é bem acabada em seus detalhes. Dos figurinos assinados por Cecilia Monti até o design de produção de Marcelo Pont Vergés, tudo funciona a serviço da história, auxiliando na ambientação de épocas e costumes. A direção de fotografia do brasileiro Félix Monti, contudo, não marca nenhuma mudança entre as épocas – o que não deixa de ser algo raro. Monti preferiu, tudo indica, o uso de um mesmo jogo de cores e de lentes para registrar a história. Por isso mesmo, acaba sendo tão fundamental o uso de figurinos, objetos de cena e da maquiagem idealizada por Fernanda Cacivio e Lucila Robirosa para distinguir os diferentes tempos narrativos.

El Secreto de Sus Ojos estreou na Argentina em agosto deste ano. Até o momento, o filme participou de apenas cinco festivais. Entre eles, o de Toronto, o de San Sebastián, o do Rio de Janeiro, o da AFI e, em novembro, do festival de Mar del Plata. Até o momento, a produção dirigida por Campanella não recebeu nenhum prêmio.

Para os que gostaram da trilha sonora, vale a pena citar o nome de seus realizadores: Federico Jusid e Emilio Kauderer.

O cinema argentino tem um grande incentivo: a constante parceria de investidores e organismos oficiais da Espanha. El Secreto de Sus Ojos segue esta linha, tendo recebido um importante aporte dos espanhóis. O filme de Campanella teria custado, aproximadamente, 2 milhões de euros. Apenas na Espanha, onde estreou em setembro, El Secreto de Sus Ojos arrecadou pouco mais de 3,5 milhões de euros até o final de outubro.

Nascido em Buenos Aires há exatos 50 anos, Juan José Campanella leva em seu currículo como diretor pelo menos 21 projetos. Entre eles, destaque para El Mismo Amor, La Misma Lluvia, produção de 1999 protagonizada por Ricardo Darín e Soledad Villamil (sim, a dupla repetiu a dose nesta nova produção, uma década depois); El Hijo de la Novia, de 2001, e Luna de Avellaneda, de 2004, ambas estreladas por Darín; e por seu trabalho como diretor de alguns episódios de House M.D., Law & Order, 30 Rock, entre outros projetos para a TV dos Estados Unidos e da Argentina.

Poucos críticos comentaram, até o momento, este novo filme de Campanella. Mas neste site, Hugo Zapata afirma que El Secreto de Sus Ojos é melhor que a obra literária que o originou. Ele afirma, por exemplo, que o filme desenvolve com “maior profundidade a relação dos personagens principais”. “Mais que um policial negro clássico, o diretor apresenta um grande thriller aonde o mistério está muito bem construído”, na avaliação do crítico do site argentino.

O crítico Carlos Boyero, do jornal espanhol El País, comentou neste texto que após o açucarado e “enervante” Luna de Avellaneda, ele tinha medo de assistir a outro filme ruim e/ou pretensioso de Campanella. Mas, após assistir a nova produção, o crítico se sentiu feliz. Ele se disse admirado pela “capacidade de seu autor para combinar com fluidez, tensão, harmonia, dureza e verossimilhança o cinema negro e a tragédia sentimental, a violência e o tom autenticamente lírico”. Boyero destaca ainda a linguagem expressiva do autor que consegue ser “tão sutil quanto poderosa”. Para o crítico, os espectadores de El Secreto de Sus Ojos adentram no “território do grande cinema, do classicismo, de um universo tão rico como complexo no qual tudo tem sentido, te envolve, te sugere, te implica e te comove”.

La Pregunta de Sus Ojos, obra que inspirou o filme de Campanella, foi editada pela primeira vez em 2005. Na Espanha, o livro de Eduardo Sachari foi editado com o título de El Secreto de Sus Ojos. Este foi seu primeiro romance – anteriormente Sachari, um professor licenciado em História, havia publicado apenas livros de contos. Encontrei neste site uma comparação entre o livro e o filme (texto em espanhol).

A história policial que motiva uma revisão da vida dos protagonistas de El Secreto de Sus Ojos se passa nos anos 1970, uma década conturbada para a Argentina. Em março de 1973 o país viveu as primeiras eleições presidenciais em uma década. Aqueles anos foram marcados pela vitória do peronismo – nome como ficou conhecida a “era” do militar Juan Domingo Perón. Depois de governar o país entre 1946 e 1955, Perón voltou ao poder em 1973, ficando no cargo até o ano seguinte, quando morreu em julho. Sua mulher na época, Isabel Perón, sucedeu o militar até que foi derrubada do poder por um novo golpe militar, em março de 1976.

Em 2007, segundo esta reportagem da Folha de S. Paulo, um juiz argentino pediu a prisão da ex-presidente Isabel Perón como “parte de uma investigação sobre a morte de dissidentes antes da ditadura militar na Argentina”. Isabel Perón, que foi condenada por corrupção em 1981 – e, posteriormente, perdoada – se exilou na Espanha. Segundo promotores argentinos, ela teria assinado “três decretos que permitiriam a realização de atos de terrorismo de Estado durante seu governo”, documentos estes que também teriam permitido a “aniquilação de elementos subversivos de esquerda e facilitado a ação do Triplo A” (como ficou conhecido o esquadrão da morte direitista atuante na época).

CONCLUSÃO: Um dos diretores argentinos mais conhecidos internacionalmente volta a investir na dupla de atores Ricardo Darín e Soledad Villamil em um filme que mistura drama e enredo policial na mesma medida. El Secreto de Sus Ojos busca equilibrar constantemente a verborragia argentina, com diálogos rápidos e carregados de regionalismos/humor/palavrões com uma certa levada sentimentalista – que privilegia troca de olhares românticos e sedutores. Narrada em dois tempos, esta história segue uma linha de direção tradicional por Juan José Campanella. O diretor consegue, com pulso firme, envolver o espectador em uma história que joga com múltiplas dúvidas e a incerteza entre o limite entre realidade, distorções da memória e ficção. O mérito principal desta produção, contudo, reside no excelente trabalho de Darín e a sua parceria afinada com Villamil e o comediante (aqui em papel dramático) Guillermo Francella.

PALPITE PARA O OSCAR 2010: El Secreto de Sus Ojos é um filme bem acabado e que revela a experiência de um diretor que sabe manejar muito bem os diferentes recursos narrativos do cinema atual. O espectador é levado pela narrativa, dividida em dois tempos históricos, através de closes, panorâmicas, câmeras na mão, e demais planos de filmagem conhecidos por quem acompanha as diferentes séries televisivas atuais. Ainda que tenha estas características, este não é um filme inesquecível. E nem primordial. Por isso mesmo, não acredito que El Secreto de Sus Ojos conseguirá uma das cinco vagas na categoria de Melhor Fime Estrangeiro no próximo Oscar. E mesmo que consiga chegar lá, ele não tem chances de ganhar a estatueta se comparado com Un Prophète ou outras produções que tiveram uma cotação melhor nas críticas recentes aqui no blog – e que estão pré-selecionadas para a votação da Academia.

ATUALIZAÇÃO (27/07/2015): Olá, meus bons leitores! Estou atualizando este texto tanto tempo depois dele ter sido publicado, inclusive mudando a nota dada para este filme, porque acabei revendo ele agora. El Secreto de Sus Ojos passou em um canal da TV à cabo na noite do dia 26/07 e revi essa produção. Com outros olhos. Em outra época. E daí pude perceber que o filme era melhor do que aquele originário 8,3. Provavelmente em 2009, quando assisti ao filme argentino, eu tinha gostado mais de outras produções que concorreram ao Oscar.

Admito que muitas vezes faço isso. Minha avaliação é contaminada pela competição entre os filmes. Ou seja, quando um grupo de produções concorre ao Oscar, acabo não vendo elas individualmente, mas na comparação com os outros filmes. O que não é justo, ainda que justificável e compreensível. Tudo isso para dizer que, olhado isoladamente, El Secreto de Sus Ojos merece sim mais que um 9. Acho que 9,3 é suficiente, mas também não seria demais dar um pouco mais, como um 9,5 ou 9,7. Este film, de fato, é uma bela peça de cinema.

Como muitos de vocês devem lembrar/saber, El Secreto de Sus Ojos se consagrou como o Melhor Filme em Língua Estrangeira no Oscar 2010. Para lembrar, ele ganhou do peruano La Teta Asustada, do alemão Das Weisse Banda – Eine Deutsche Kindergeschichte, dos israelense Ajami e do francês Un Prophète. Lembro que, na época, exceto por Ajami, que nunca assistir, gostei mais dos filmes alemão, francês e peruano do que do argentino. Mas olhando hoje, exclusivamente para a produção de Campanella, é importante dizer que ele é, de fato, um belo filme. Pronto, justiça feita.🙂

  1. l3on
    6 de dezembro de 2009 às 20:22

    E que puxa. Concordo com você acho difícil ele ganhar do prophete, mas que merece uma conferida, isso sim. Vi pouquíssimos filmes latinos, mas gostei dos que vi. Eu sei que esse não é sul americano, mas Abraços Partidos vale a pena? Já viu? Não conheço nenhum Almodovar, mas esse estou considerando ir checar…

    Aliás, não vi nenhum dos que queria. Estão já saindo do circuito e vou ter de alugar o Solista e 500 dias com ela. Cosa fa? Não tive tempo e não estou tendo, e isso me morde. Você ja se sentiu assim, por não ver um filme no cinema? Sei que não és como eu, com relação a isso, mas não mata perguntar…

    E só pra acabar, um comercial tem passado na tv, do Chanel n°5 [hehehehe, não estou sendo pago pelo merchan] e acho que o tema se fosse mais desenvolvido daria um filme até interessante, não? Uns 5 na sua cotação, quiçá, mas hehehehe, para um leigo como eu, satisfatório.

  2. 4 de janeiro de 2010 às 2:35

    Olá l3on!!

    Realmente gostaste de El Secreto de Sus Ojos, hein? hehehehehe. Achei o filme bom. Mas não o coloco na categoria “excepcional”. E comparado a outros títulos que podem chegar ao Oscar, ele é realmente é mais “fraquinho” – para o meu gosto.

    Recomendo que dês uma conferida na categoria “cinema latino-americano” aqui do blog. Infelizmente ela ainda não é muito extensa… mas por ali vais encontrar algumas sugestões de bons filmes. Muitos deles, argentinos. “Nuestros hermanos” são, geralmente, melhor cineastas, na média, do que a gente – difícil admitir isso, mas é verdade. Temos as nossas exceções, de Salles até os diretores de documentários, mas no geral, somos mais “fraquinhos”.

    Los Abrazos Rotos foi comentado aqui no blog há um tempinho… assisti sim. E gostei. Almodóvar é Almodóvar. Ele está na lista dos “geniais”. Este seu último filme não é o melhor de sua carreira. Não chega nem perto, para ser franca. Mas, ainda assim, é Almodóvar – o que significa que ele está acima da média. Se puderes assistí-lo, acho que podes ter uma boa experiência. Ainda que, admito, sou suspeita para falar… passei a entender ainda melhor o cineasta depois de viver na Espanha.

    Sei que tens uma verdadeira aflição de ver filmes fora das salas de cinema… mas, o que fazer? A única saída ideal para um cinéfilo era ter grana suficiente para ter um cinema para si. Como isso é quase impossível, o jeito é se contentar com os “cinemas possíveis em casa”. Digo isso porque é quase impossível conseguir todos os filmes bons nas salas comerciais – ou de cinema de arte mesmo. Muitos filmes só chegam direto em DVD. E o jeito, para não perder filmes bons, é ceder um pouco…

    Já fiquei mordida sim por perder filmes no cinema… mas com o passar do tempo, e com a falta de critério de muitas salas de cinema – que insistem em colocar cinco ou seis cópias do mesmo blockbuster ao invés de nos brindar com a salutar diversidade de opções -, fui me acostumando a ver muitos filmes em casa mesmo.

    Assisti já ao comercial que comentas… muito bem produzido, bem feito, bacana. Também gostei. Agora, não sei se renderia um longa… talvez um curta, vai.😉

    Abraços grandes e que 2010 venha com muitos filmes bons pra gente.

    • l3on
      6 de janeiro de 2010 às 22:13

      Hehehe, é, não vi ainda o Secreto, mas tudo bem. Vi no entanto, o Abrazos hoje por sinal. O filme é muito bom, gostei, mas não posso dizer se é o melhor de sua carreira… Digo-te que senti, ao assisti-lo no cinema, como se estivesse em uma festa de um desconhecido por completo, onde quem conheço era quem me convidou e justo ele não veio. Pessoas riam e faziam comentários que eu me senti meio fora da coisa, apesar [e reforço] de achar que é um bom filme.

      Hehehehe, um curta… você é muito simpática com minhas opiniões. Se fosse o meu eu lógico a criticar, era degola na certa.

      Abraços.

  3. 15 de janeiro de 2010 às 20:04

    Oi l3on!!

    Que bom que você gostou de Los Abrazos. Eu também curti.

    hehehehehehe. Entendi bem como deves ter te sentido no cinema se calhou de estares cercado por pessoas que conhecem a filmografia do Almodòvar. Certamente eles souberam encontrar várias referências no filme que, talvez, não tenhas percebido. Mas não te preocupa com isso. Com o tempo, e depois de teres assistido a muitos filmes – do Almodòvar e de outros – vais te “encontrando” mais nestas histórias cheias de referências. Normal.

    Agora, falei sério sobre o curta… realmente poderia render algo interessante.😉

    Abraços e inté!

  4. 19 de fevereiro de 2010 às 21:20

    excelente comentário sobre o filme, parabéns!
    Eu assisti sem me mexer o tempo todo, adoro filmes sobre relações humanas, ainda que envolva assassinato e policiais…

  5. paulo
    8 de março de 2010 às 4:22

    o filme ganhou o oscar!

  6. Jessica
    13 de março de 2010 às 2:40

    “(…)ele não tem chances de ganhar a estatueta(…)”

    I think it does! =D

  7. 15 de março de 2010 às 10:41

    Olá Rosemar!!

    Obrigada. Fico feliz que tenhas gostado.

    Também apreciei El Secreto de Sus Ojos. Ainda que, como deixei claro no texto acima, eu tinha outras preferências para o Oscar. Mas o filme tem muitas qualidades, especialmente intérpretes e um texto muito bons.

    Queria te agradecer por tua visita e por teu comentário. Seja bem-vinda por aqui! E que voltes mais vezes, para comentar de outros filmes.

    Um abraço!

  8. 16 de março de 2010 às 14:30

    Olá paulo!!

    Sim, o filme ganhou o Oscar. Nem por isso ele era o melhor na disputa em sua categoria este ano.

    Você acompanha a entrega do Oscar há muitos anos? Sempre considera que o filme ganhador é o melhor naquela categoria?

    Pessoalmente, acompanho o Oscar há muito, muito tempo. E poderia fazer uma lista, bastante extensa, eu diria, de filmes que ganharam a estatueta dourada sem, necessariamente, serem os melhores.

    Ainda que El Secreto de Sus Ojos seja um bom filme, sem dúvida, ele não era o melhor do ano e não merecia realmente ter ganho a estatueta.

    De qualquer forma, obrigada por tua visita e por teu comentário. Apareça mais vezes.

    • Bruno
      30 de junho de 2010 às 5:01

      “El secreto..” é o melhor filme do ano. Ganhou a estatueta e foi mais do que merecido. Sem mais.

      • 19 de outubro de 2010 às 13:25

        Oi Bruno!

        Obrigada por tua visita e pelo teu comentário.

        Que bom que você acha isso. Guardo o direito de discordar. hehehehe. Mas sempre fico feliz quando alguém se sente arrebatado por um filme – inclusive os que eu não gostei tanto assim.

        Volte mais vezes, inclusive para falar de outras produções.

        Abraços!

  9. 16 de março de 2010 às 15:59

    Olá Jessica!!

    Pois é, o filme ganhou o Oscar. Contrariando todas as expectativas – se você acompanhou a opinião da crítica especializada bem antes do Oscar ser entregue, vai saber que Das Weisse Band e Un Prophète eram os favoritos.

    Como um ser pensante, muitas vezes eu discordo da maioria dos críticos. Mas neste caso, concordo com eles que haviam filmes superiores ao argentino que ganhou a disputa.

    Volto a falar o que comentei logo acima: nem sempre o filme que ganha determinada categoria no Oscar era o melhor na disputa. Este, mais um vez, foi o caso. Os melhores não ganharam.

    Ah sim, e como estava dando a minha opinião sobre isso, fui categórica em dizer que ele não tinha chances de ganhar – se fosse uma premiação justa. Entendeu? Muy bien.

    No mais, obrigada por tua visita e por teu comentário. Volte mais vezes.

    Abraços.

  10. Rafael
    6 de maio de 2011 às 10:41

    Ale, por mais que me custe, tenho que estar de acordo quando diz que los hemanos sao bons nos filmes, regulares e etc.
    Espero que ja tenhas visto El Baño del Papa: http://www.imdb.com/title/tt0482901/

    • 29 de novembro de 2011 às 2:39

      Oi Rafa!

      Pois sim, eles são muito bons. Na média, melhor que a gente, devemos admitir.

      Não sei se você já viu, mas Carancho é outro deles que vale muito ser visto.

      Ainda não assisti ao El Baño del Papa, mas ele está anotadíssimo. Obrigada pela dica.

      Beijos e inté!

  11. Lisa Pinho
    4 de abril de 2014 às 23:32

    Valeu pela dica entre parenteses, logo no inicio da crítica… volto depois de ver o filme.

    Lisa Pinho

  1. 18 de fevereiro de 2010 às 14:53
  2. 17 de outubro de 2010 às 2:49

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: