Ágora


A reconstrução de uma época ímpar para a Humanidade de uma forma que você nunca viu. Ágora, novo filme do brilhante Alejandro Amenábar, mergulha em Alexandria, uma das cidades mais importantes de todos os tempos, para narrar a vida de uma mulher excepcional, nos mostrar como e porque grande parte do conhecimento adquirido até então foi destruído e também para refletir sobre o início da supremacia cristã. Violência, disputa pelo poder, gosto pelo conhecimento, um embate incrível entre crenças e escolhas faz de Ágora um dos filmes mais potentes deste início de ano. Perfeito na forma de resgatar uma era, Ágora é um deleite para os olhos e um prato cheio para os amantes da história ocidental, além de uma reflexão interessante sobre a insignificância do arrogante ser humano. Mesmo com todas suas qualidades, sua visão romântica de determinados fatos históricos impedem que o filme seja perfeito.

A HISTÓRIA: No final do século IV, o Império Romano começa a desmoronar e, apesar disto, a cidade de Alexandria, no Egito, preserva parte do esplendor dos tempos de “ouro” da Antiguidade. Ali, continua preservada uma das sete maravilhas do mundo daquela época, o Farol de Alexandria, além da cidade abrigar uma majestosa e importantíssima Biblioteca – que, além de reduto do conhecimento, era um símbolo religioso “pagão” importante. Neste cenário, uma mulher se destaca: Hypatia (Rachel Weisz), uma filósofa que ensina matemática, astronomia e astrologia para jovens de várias partes do Império. Fora das paredes da Biblioteca de Alexandria, contudo, crescem as disputas entre cristãos, judeus e pagões. O embate entre as diferentes crenças e a disputa pelo poder vai marcar o fim de uma era para a civilização ocidental e marcar o início de uma outra.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Ágora): O primeiro aspecto da nova produção do genial Alejandro Amenábar que impressiona é a sua reconstrução histórica. Há tempos eu não assisto a um épico como este, tão rico em detalhes e no resgate de cenários, vestimentas e objetos de uma época – em lugar do cada vez mais costumeiro uso de efeitos CGI, ou seja, da apresentação de cenários e outros detalhes através da computação gráfica.

Em Ágora tudo é feito do “jeito antigo”. Um trabalho excepcional de reconstrução de época comandado por Amenábar e com o talento decisivo de pessoas como o diretor de fotografia Xavi Giménez; o design de produção impecável de Guy Dyas; a direção de arte incrível de um time de profissionais comandado por Frank Walsh; a decoração de set de Larry Dias e o figurino de Gabriella Pescucci. Vale citar ainda a trilha sonora de Dario Marianelli e a edição de Nacho Ruiz Capillas. Como no caso de filmes como Spartacus, Ben-Hur, entre outros, Ágora é, sobretudo, um trabalho de equipe.

Depois do impacto inicial do “ambiente” perfeitamente resgatado da Alexandria do século 4, o espectador mergulha fundo na história contada pelo roteiro de Amenábar e do premiado Mateo Gil. Ágora é destes filmes com muitas leituras e significados. Os mais evidentes, logo no início, se referem ao fim de uma era e ao início de uma outra. A disputa entre diferentes religiões, formas de poder e, principalmente, maneiras de encarar o mundo e a vida estão no foco dos roteiristas. Além disto, seguindo parte dos manuais das histórias clássicas, Ágora ainda abre espaço para romances, histórias de traições, disputas pelo poder e a queda de braço entre “heróis” e “vilões”.

Mas além de tudo isso, este filme é a história de uma mulher corajosa, destemida, sábia, admirada e temida quase nas mesmas proporções. Mesclando elementos de algumas das heroínas da Antiguidade e a imagem de figuras mais “modernas” como Joana D’Arc, a personagem principal desta história, Hypatia, mantêm-se “acima” da barbárie reinante e apresenta um comportamento permanentemente digno. Mesmo perto de personagens ambíguos, como é o caso do escravo e depois liberto Davus (Max Minghella), ela mantêm um comportamento reto, digno, capaz de perdoar gestos brutos e de desrespeito.

Muito interessante, aliás, o resgate desta personagem. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Amenábar poderia apenas se lançar em um filme épico sobre Alexandria, a derrocada do Império Romano e a arrancada do catolicismo. Mas ele escolheu um olhar diferenciado e o resgate da história daquela que, para muitos, marcou o pioneirismo intelectual feminino da nossa civilização. A busca de Hypatia por entender mistérios como o comportamento dos astros em relação à Terra e ao Sol é emocionante – e não sei vocês, mas em certo momento do filme eu tive vontade de gritar para ela: “Não pense em um círculo, mas em uma elipse!!”. ;)

A verdade é que a forma de contar esta história, valorizando no primeiro plano a heroína de Ágora e os demais personagens, torna este filme com uma grande pegada humana. A idéia do diretor, sem dúvida, foi manter o espectador sempre muito próximo dos personagens principais do filme. Muitas vezes a câmera se insere na intimidade deles, o que nos leva a “torcer” por uns ou outros. Além de inserir uma certa disputa amorosa no filme – algo, convenhamos, um tanto desnecessário -, Amenábar e Gil buscam o contraste entre as histórias particulares de alguns personagens e o estilo de vida do coletivo de pessoas que viviam naquele tempo e naquele lugar.

Rachel Weisz está especialmente bela, carismática e encantadora neste filme. Impossível não entender, através das lentes do diretor, o fascínio que aquela figura resoluta despertava em homens tão diferentes como Davus e Orestes (Oscar Isaac). Mesmo Synesius (Rupert Evans), que desde o princípio parecia destinado a ter uma vida dedicada à religião, não escondia a sua admiração e fascínio por Hypatia. O roteiro de Ágora consegue equilibrar bem o “particular” e o “universal” desta história, intercalando sempre os embates envolvendo Hypatia e aqueles que ocorriam em um nível mais amplo, no caso, pela cidade.

Ainda que o foco do filme seja Hypatia e sua busca pelo conhecimento em contraste com o fanatismo e a violência dos diferentes coletivos religiosos que dividiam espaço em Alexandria naqueles dias, um elemento que impressiona neste filme é o dos bastidores da consolidação do cristianismo. Francamente, como católica, eu sempre soube dos absurdos praticados ao longo do tempo em nome de Jesus – como a Inquisição, as Cruzadas e etcétera. Mas não sabia dos detalhes que cercaram o fim das perseguições aos cristãos e o início da era em que esta religião fosse legalizada e, posteriormente, se tornasse a religião oficial do Império Romano. Simplesmente estarrecedor o que Ágora nos mostra a respeito.

Até imagino o que alguns cristãos mais “enfáticos” podem falar a respeito: de que não havia outra saída para os cristãos do que empunhar armas e cometer barbaridades como aquelas vistas no filme. Muitos podem justificar aqueles atos dizendo que por três séculos os cristãos haviam sido perseguidos e mortos e que, finalmente, eles deveriam “dar o troco” para conseguir sobreviver. De fato, e levando em conta o contexto da época, possivelmente a história da nossa civilização seria outra se os cristãos não tivessem utilizado os mesmos recursos de matança e perseguição adotados por judeus e governantes romanos anteriormente. Ainda assim, acho difícil engolir que aqueles atos, tão distantes do que Jesus havia pregado, tenham sido fundamentais para que o Cristianismo predominasse no mundo. E o pior é que até hoje tem pessoas cegas ao que a Bíblica e o cristianismo deveria realmente ensinar. Ágora talvez, especialmente por este aspecto, seja ainda muito atual – e emblemático.

Para não dizer que o filme é perfeito – bem que eu gostaria de classificá-lo assim -, contudo, devo comentar certas “suavizadas” ou romantizadas na história que enfraquecem a produção. Para começar, como comentei anteriormente, achei desnecessária a apresentação de um virtual “triângulo amoroso” em Ágora. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Ainda que Hypatia não ceda nunca ao flerte de Orestes ou à investida bruta de Davus, a sugestão de uma rivalidade entre os dois homens com perfil propositalmente oposto acaba se mostrando forçada. O final é especialmente impressionante. Hypatia expõe seus últimos ensinamentos para os ex-alunos Orestes e Synesius, em algumas das melhores frases do roteiro. Mas o finalzinho da história acaba, mais uma vez, tirando um pouco do brilho desta produção. A verdade é que a protagonista não recebeu nenhum tipo de proteção ou gesto de compaixão – como pode-se perceber em alguns textos que falam sobre a sua história. O filme deveria ter sido honesto neste ponto, mesmo que ele desagradasse ao público em busca de uma história “romântica”.

NOTA: 9,5.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Curiosa a “dança de cadeiras” das religiões/crenças no período histórico focado por Ágora. Antes do cristianismo crescer de forma exponencial e começar a dominar o cenário do “mundo civilizado” antigo, os chamados “pagãos” eram dominantes. Depois, foi a vez do judaísmo, a mais antiga das religiões monoteístas. A curiosidade destas disputas reside na forma com que o que era antes dominante passa a ser proibido ou combatido logo depois. Certamente “evoluímos” muito para chegar no estágio em que estamos, quando em teoria as pessoas tem a liberdade para escolherem o seu credo e um mesmo país permite que distintas religiões sejam praticadas em seu território sem restrições.

Ágora não é um tratado sobre religiões ou sobre a queda do Império Romano. Ainda assim, ele traz à tona alguns elementos para provocar reflexões nos espectadores. O crescimento do cristianismo, por exemplo, teve uma ligação determinante com a necessidade de uma mudança social naquela época. Pessoas como Davus, então escravo, enxergavam no cristianismo uma válvula de escape para a sua condição de excluído da sociedade. O que não deixa de ser algo curioso, já que em sua época, o próprio Cristo se negou a assumir a posição de um líder político que provocasse uma revolução social. Pois 300 e poucos anos depois isso iria acontecer.

Terminando com o tema das religiões, queria apenas destacar uma parte importante do filme, quando o bispo Cyril (Sami Samir) declara que os judeus haviam sido julgados por Deus e que, assim, eles estariam “amaldiçoados e exilados até o final dos tempos”. Argumento esse que acabou justificando inúmeras perseguições e o extermínio de grandes coletivos de judeus em diferentes épocas históricas. Impressionante como o ódio em que uma religião pode ser fundada pode ter reflexos tão ultrajantes tantos séculos depois.

Para as pessoas que ficaram, como eu, curiosas para saber mais sobre a história de Hypatia, recomendo algumas leituras ligeiras. Para começar, este texto (em inglês) da Wikipedia que traz, inclusive, uma reprodução dela feita por Raphael. O bacana do texto é que ele resgata não apenas a vida, o trabalho e a morte de Hypatia, mas também seu legado em diferentes áreas da ciência e da arte. Para quem quer saber mais, o texto da Wikipedia ainda remete para outras fontes. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Destaco ainda este texto (também em inglês) de Jim Haldenwang, que conta detalhes da vida e da morte de Hypatia, comentando que seu assassinato (muito mais cruel do que aquele mostrado no filme) marcou o início da Era das Trevas. Vale a pena ainda a leitura deste texto, do Heritage Key (em inglês) e este outro, em português.

Sobre a Biblioteca de Alexandria e a sua destruição, achei ilustrativos este texto da InfoEscola e este outro (do qual não identifiquei a autoria).

Rachel Weisz está segura e perfeita no papel da protagonista. Mas é importante citar que Max Minghella, que interpreta a Davus, também faz um trabalho excepcional. Junto com eles, merecem destaque os já citados Oscar Isaac e Ruper Evans, respectivamente Orestes e Synesius; assim como Ashraf Barhom como Ammonius, o “milagreiro” que ajuda a converter pessoas ao cristianismo – e atrai Davus para a religião; Michael Lonsdale como Theon, pai de Hypatia; Richard Durden como Olympius, o líder de um ataque covarde contra os cristãos e que seria decisivo para o futuro da Biblioteca de Alexandria; Manuel Cauchi como o bispo Theophilus, que antecedeu Cyril; e Homayoun Ershadi como Aspasius, o escravo de Hypatia que foi seu fiel colaborador e interlocutor após a libertação de Davus.

Não sei vocês, mas eu não sabia o significado da palavra ágora até assistir a este filme. Como este texto (em espanhol) esclarece, a palavra ágora tem origem no idioma grego e era usada para denominar as praças públicas e as assembléias que eram celebradas nestas praças das cidades (polis) da Grécia. Com o tempo, a palavra passou a ser utilizada como referência a outros lugares de reunião ou discussão. No caso do filme, a palavra deve ter duplo sentido: o de lugar onde as decisões da civilização são tomadas e debatidas e, ao mesmo tempo, o de “anarquia” ou quebra de um poder estabelecido.

Gostei de um recurso utilizado pelo diretor Alejandro Amenábar de tempos em tempos – o de afastar a narrativa até o espaço, mostrando a Terra desde fora. Uma forma interessante de sugerir que tudo aquilo que estava acontecendo na “pequena” Alexandria era algo minúsculo diante da imensidão do espaço e que nós, seres humanos, na nossa arrogância, nos sentimos mais importante do que realmente somos.

Os usuários do site IMDb deram a nota 7,4 para Ágora. Até o momento, poucos críticos comentaram sobre o filme. O Rotten Tomatoes abriga apenas oito textos sobre a produção: quatro deles positivos, quatro negativos – o que garante uma aprovação de 50% para o filme.

Das críticas linkadas no site, destaco esta publicada por Todd McCarthy, da Variety. Ele começa seu texto assim: “A mãe de todos os humanistas seculares luta uma batalha perdida contra os recém-cunhados fanáticos religiosos em Ágora, um visualmente impositivo épico ambicioso que coloca um dos momentos cruciais da história ocidental pela primeira vez na tela”. Para McCarthy, o filme de linguagem elaborada é espetacular de forma consistente e apresenta bastante conflito e ação para torná-lo comercial. Ainda assim, o crítico afirma que o estilo pesado e a falta de um impulso emocional pode “causar problemas” na aceitação do filme pela audiência de massa dos Estados Unidos.

McCarthy comenta que Ágora se concentra, muito mais do que outros filmes, em questões como o lugar que a “humanidade ocupa no universo, a necessidade humana de compreender o cosmos e o debate sobre a existência de uma única divindade”. Ele destaca como a destruição da biblioteca de Alexandria, o “repositório de todo conhecimento do mundo até aquele momento”, é o evento dramático principal da história, enquanto que em paralelo é explorado a ação de fanáticos cristãos. O crítico considera Hypatia o “olhar racional em meio ao furação intelectual e religioso” retratado pelo filme. Gostei da observação dele de que os cristãos vestidos de roupas escuras, em certo ponto do filme, lembram a ação de formigas. Para McCarthy, ainda que os acontecimentos dramáticos dêem um impulso natural para o filme, os dramas pessoais nunca conseguem se conectar com a força desejada. Ele questiona a forma com que a personagem de Hypatia é apresentada, sempre com a “cabeça nas nuvens” e desconectada do que está acontecendo ao seu redor, assim como a falta de força dos atores que interpretam os homens que a “disputam” no filme. Mas o visual da produção e seus acertos, para McCarthy, superam as falhas dramáticas do roteiro.

Ágora foi indicado, até o momento, em 18 categorias de duas premiações. Nos Prêmios Goya, o “Oscar” do cinema espanhol, Ágora saiu vencedor em sete das 13 categorias em que concorreu. A produção ganhou como melhor roteiro original, melhor direção de produção, melhor direção de fotografia, melhor direção artística, melhor desenho de vestuário, melhor maquiagem e melhores efeitos especiais.

A trajetória da superprodução comandada por Amenábar começou no Festival de Cannes em maio de 2009. De lá para cá, o filme participou de outros três festivais e estreou em nove mercados pelo mundo – mas ainda não chegou aos Estados Unidos. Ágora custou importantes US$ 73 milhões – torço para que ele se dê bem nas bilheterias e, pelo menos, consiga se pagar.

CONCLUSÃO: Um filme visualmente perfeito que conta uma história espetacular. Vários temas estão em jogo em Ágora, mas o centro da narrativa é a vida da filósofa e cientista Hypatia, uma mulher excepcional muito à frente de seu tempo e que, por isso mesmo, vira alvo de quem procura converter as pessoas para uma fé sem questionamentos. O filme marca o retorno do genial Alejandro Amenábar depois de cinco anos – seu último filme foi o emocionante Mar Adentro. Bem narrado, com um roteiro envolvente e uma narrativa que mistura ação, romance, religião e uma importante reconstrução de época, Ágora opõe ciência e fanatismo, a iluminação do conhecimento e o obscurantismo dos fanáticos. Além de remontar um local incrível como era a cidade de Alexandria, esta história provoca um forte impacto no público ao mostrar uma parte do embate entre as religiões no século 4 pouco ou nada explorada pelo cinema. Um filme impressionante que mostra parte do contexto da época sem censuras. Pena que ele tente suavizar alguns aspectos da história de Hypatia e force algumas situações de romance, assim como torna alguns personagens unidimensionais. Ainda assim, é um filme impactante e que merece ser visto.

SUGESTÕES DE LEITORES: Ágora estava na minha mira para ser assistido desde que ele estrou no Festival de Cannes no ano passado. Ainda assim, devo dizer, que o comentário do Mangabeira aqui no blog me fez ter ainda mais vontade de assistí-lo. Sendo assim, Ágora passou a ser a minha prioridade, passando na frente de outras produções que estavam na fila. Mangabeira, agora precisas vir aqui e comentar o que achaste do novo filme do Amenábar. Espero, sinceramente, que gostes dele. Eu adorei – ainda que ele não seja perfeito. Mas nem só de perfeição a gente vive, não é mesmo? Continuo sendo fã do diretor.

About these ads
  1. Mangabeira
    26 de fevereiro de 2010 às 22:35 | #1

    Rachel Weisz está mais uma vez perfeita, tanto quanto em “O jardineiro Fiel”.
    O roteiro que nos mostra importantes e determinantes fatos históricos mas o que mais me agradou nsse filme, foi a paixão de Hypatia pela ciência. De certa forma era algo também quase..”religioso”, uma incansável e admiradora busca pelo conhecimento do Universo. Algo que lhe tirava o sono, a fome e abdicação de tantas outras coisas como o Amor por exemplo. Inclusive no filme ela até brinca com isso.

    Discordo um pouco de McCarthy, onde diz que ela andava com a “cabeça nas nuves” desconectada. O Conhecimento era o seu propósito de vida e consumia todo o seu tempo. Algo totalmente incompreensível para toda aquela maoria insana e cega diante de uma fé doentia e distorcida e arbitrária.

    Feliz que rolou uma crítica de Ágora por aqui Ale. Muito bacana mesmo!

    beijo grande!

  2. l3on
    1 de março de 2010 às 0:35 | #2

    Esse eu gostaria de ver. Rachel Weisz é uma atriz que há tempos não vejo nada…

  3. 15 de março de 2010 às 19:15 | #3

    Olá Mangabeira!!

    Realmente, Rachel Weisz está simplesmente maravilhosa. Não apenas linda, mas convincente, utilizando todas as técnicas de interpretação para assumir de “corpo e alma” sua personagem. Perfeita.

    Concordo contigo. O amor e a devoção pela ciência da protagonista se assemelha à devoção e o amor que os seguidores de Cristo manifestavam naquela época. Eram formas diferentes de fé, de entrega absoluta. Quem estava certo? Quem errou mais que acertou em sua devoção? Bem, o embate entre religião e ciência ainda não terminou, ainda que hoje estejamos muito mais preparados para aceitar que ambos podem conviver pacificamente, sem maiores prejuízos – desde que nenhum levado à sério a ponto de cegar o indivíduo.

    Também fiquei feliz de assistir ao filme. Na verdade, fiquei muito satisfeita. Sou uma fã do diretor. Obrigada por tua recomendação – e por me lembrar que Ágora deveria virar prioridade.

    Um grande beijo e inté a próxima!

  4. 15 de março de 2010 às 19:30 | #4

    Veja l3on, veja!!

    Algo me diz que vais gostar do filme… ;)

    Depois apareça por aqui para comentar o que achaste do último trabalho do Amenábar.

    Um abraço!

  5. 30 de junho de 2010 às 0:56 | #5

    Ola Alessandra, como sempre seu blog esta otimo e a cada vez que venho aqui encontro filmes maravilhoso, verdadeiras preciosidades que somente encontramos em cantinhos como esse…Agora e maravilhoso, adorei este filme, alias amo o trabalho deste diretor que tambem deu ao mundo Mar Adentro, um outro grande filme. enfim Parabens pela critica e belo trabalho de pesquisa.
    agora gostaria de comentar algo que vc disse na critica.

    “…acho difícil engolir que aqueles atos, tão distantes do que Jesus havia pregado, tenham sido fundamentais para que o Cristianismo predominasse no mundo. E o pior é que até hoje tem pessoas cegas ao que a Bíblica e o cristianismo deveria realmente ensinar. ”

    a meu ver nao acho isso dificil de engolir e a Religiao crista realmente so se proliferou no mundo somente desta maneira, como o aval do poder instituido da epoca. A destruicao da Biblioteca de Alexandria foi um dos maiores crimes da humanidade,cometido por quem? os “Cristaos”. Uma coisa negativa que vejo na fe ‘e que a maioria das pessoas que pensam acreditar em alguma coisa se tornam ignorantes achando que todo o conhecimento do mundo esta no livro chamado Biblia. ou na “palavra de Deus”.e acham que nao precisam ler mais nada na vida delas alem disso. ‘e uma pena. isso me faz pensar: a religiao ‘e mesmo necessaria? Para mim nao, com o devido respeito a sua fe, nao me entenda mau…mas ha muito tempo filmes como Agora me fazem cada vez mais abrir a cabeca para outras coisas, em busca de um conhecimento maior, primeiramente das coisas tangiveis, reais, como a historia por exemplo, ‘E apaixonante a forma como Hypatia ‘e retratada em seus questionamentos sobre o funcionamento das coisas, ‘e engracado notar que ela, nao sendo Crista ‘e a mais Crista de todos nesse filme devido a suas atitudes e carater. Por fim, ja me estendi demais, ha uma frase belissima que ela diz la pelas tantas do filme e que resume tudo: ” se voce nao questiona o que acredita, voce nao pode acreditar” essa ‘e uma das frases que ja trago comigo ha algum tempo…depois dessa o filme poderia ter acabado ali mesmo. Um abraco e continue o bom trabalho.

    • Cristina
      10 de janeiro de 2012 às 14:51 | #6

      Perfeito seu comentário. Hypatia resumiu bem o dilema do filme: ” se voce nao questiona o que acredita, voce nao pode acreditar”. Parabéns pelo texto!! Abraços.

      • 25 de fevereiro de 2012 às 14:58 | #7

        Oi Cristina!

        Antes de mais nada, muito obrigada pela tua visita e pelo teu comentário. Espero que voltes por aqui mais vezes.

        Justamente. Esta é a grande sacada do filme.

        Fico feliz que tenhas gostado da crítica.

        Abraços e até mais!

  6. 19 de outubro de 2010 às 13:24 | #8

    Oi rogerio!

    Uau, fazia um tempo que eu não via um comentário teu por aqui… Bom que voltaste!

    Obrigada. Fico sempre feliz quando uma pessoa bacana como você comenta que o blog ajuda a encontrar bons filmes. Esta é uma das intenções deste espaço.

    Sim, o Amenábar é um diretor diferenciado. Gosto muito dele, e há tempos. Ele está, sem dúvida, na minha lista de preferidos desta “nova safra”.

    Acho que a forma com que escrevi aquele trecho pode ter deixado o que eu quis dizer confuso. Na verdade, entendo a forma com que o cristianismo se consolidou e conseguiu se disseminar no início. Entendo o radicalismo que os primeiros cristãos tiveram que assumir para conseguir sobreviver e fazer a religião prevalecer. O que eu quis dizer é que acho isso absurdo porque o que foi feito estava léguas distante do que era a essência do ensinamento de Cristo. Entende? Não que eu discorde de como isto é mostrado no filme. Nem discordo que estes fatos ocorreram. Mas ainda assim acho absurdo e lamentável. Mas faz parte da história, claro. E teve suas razões de ser.

    Concordo plenamente sobre o que falaste depois. Basta ver a enxurrada de comentários extremistas que acompanham a minha crítica de The Book of Eli. Infelizmente muitas pessoas confundem fé com visão estreita da realidade. Acabam excluíndo e desprezando os demais, sejam pessoas, conhecimentos ou realidades diferentes. Uma pena. Não acho que a fé tenha que ser oposta ao conhecimento. Não acho que uma pessoa que crê em determinada religião tem que fechar a sua mente e excluir o restante do que existe. Mas, infelizmente, muita gente pensa assim.

    Sim, Hypatia dá o melhor exemplo de como deveria agir um cristão naquela época – mesmo não tendo religião alguma.

    Muito obrigada, mais uma vez, por teus comentários oportunos. E por tua visita. Espero que apareças por aqui mais vezes. Um grande abraço!

  7. Marlon Vargas
    1 de março de 2011 às 12:42 | #9

    O filme é realmente poderoso. Poderoso e impactante. Em relação ao “Cristianismo” o filme retrata a transformação profunda da IGREJA primitiva dos apóstolos de Cristo na Igreja Apostólica Romana. Após o Édito de Tessalónica, quando Teodósio I oficializou o “Cristianismo” como religião oficial do Império Romano e com a ruína total desse outrora glorioso império, a igreja romana simplesmente assume o papel secular do Império com o bispo de Roma fazendo o papel de imperador romano. Em Ágora, podemos ver o afastamento das autoridades eclesiásticas dos verdadeiros ensinamentos de Cristo, limitando-se esta igreja à luta pelo poder político, através da apropriação indébita do poder celestial. É a partir daí que vamos “assistir” às barbáries que a igreja romana produziu ao longo dos séculos, incluindo as Cruzadas e a “santa” Inquisição. O filme beira o maniqueísmo quando nos faz tomar partido e ficar ao lado dos pagãos e contra os “cristãos”. Mas contra aquele tipo de “cristão”, tenho total orgulho de ficar contra, pois eles representam exatamente o quanto a igreja romana afastou a humanidade da verdadeira fé em Cristo. Mas, ao mesmo tempo, me fez refletir se, nós Cristãos Reformados, não estamos seguindo os mesmos caminhos de intolerância que a igreja romana deu ao longo de sua história?

    • 16 de novembro de 2011 às 0:53 | #10

      Oi Marlon!

      Estou contigo, é um filme poderoso.

      Parabéns pelo teu comentário. Repleto de reflexão e informações. Estás certo na análise de como a Igreja assumiu o “papel secular do Império”.

      Ainda que é possível “entender” o que foi feito naquele tempo, como uma forma de “resistência” e até de “sobrevivência” dos primeiros cristãos, isso não quer dizer que tenha sido algo bonito ou mesmo legítimo. E o mais grave: aquelas ações se tornaram tão distantes da essência do que Cristo ensinava…

      Agora, francamente, acho que avançamos muito desde então. Claro, depois de séculos e mais séculos de equívocos como aqueles mostrados por este filme. Só que agora, acho que não existe mais espaço para um cristianismo como aquele.

      E sim, o filme deixa muito claro de que “lado” está. Defende a ciência e o conhecimento da época e que foi destruído pela Igreja nascente. É maniqueísta. Mas quantos filmes o são? Muitíssimos, se formos analisar com uma lupa. Esse é mais um deles. E competente, apesar disso – pelo menos na minha leitura.

      Marlon, fiquei muito feliz com a tua visita e com o teu comentário. Seja bem-vindo por aqui! E volte mais vezes, inclusive para falar de outros filmes.

      Um abraço e inté!

  8. Léo Kerber
    3 de março de 2011 às 20:00 | #11

    Ignorante não é o que não sabe, mas o que acha que sabe.
    A dúvida, e não a certeza, é a responsável pela evolução da humanidade.

    • 16 de novembro de 2011 às 1:15 | #12

      Oi Léo!

      Então, ignorar é não saber sobre algo. Mas achar que se sabe tudo, isso é ter soberba e, consequentemente, atuar como um ignorante – porque, desta forma, a pessoa ignora os próprios limites para obter conhecimento.

      Agora, estou contigo sobre a dúvida. Ela é fundamental e a mola propulsora de todo o conhecimento – e, por consequência, pela evolução da humanidade, que foi adquirindo conhecimento e tornando-se mais “civilizada”. Pelo menos, em teoria.

      Muito obrigada pela tua visita e pela tua aportação. Gostei.

      Espero que voltes por aqui mais vezes, inclusive para falar de outros filmes.

      Um abraço e inté!

  9. Mauricio
    24 de maio de 2011 às 6:38 | #13

    Léo Kerber :

    Ignorante não é o que não sabe, mas o que acha que sabe.
    A dúvida, e não a certeza, é a responsável pela evolução da humanidade.

    ” Onde a duvida, a liberdade “

    • 3 de dezembro de 2011 às 0:13 | #14

      Oi Mauricio!

      Sim, você está certo. Onde há dúvida, há liberdade. Especialmente de pensamento. De procura.

      Procurar respostas é fundamental. E nunca achar que se tem todas elas.

      Obrigada pela tua visita e pelo teu comentário. Espero que voltes por aqui mais vezes.

      Abraços e inté!

  1. No trackbacks yet.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 1.363 outros seguidores

%d blogueiros gostam disto: