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Oslo, 31. August – Oslo, 31 de Agosto


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Há feridas difíceis de cicatrizar. Alguns conseguem ostentar com certa sabedoria cortes curados na alma, enquanto outros apenas conseguem enxergar a carne imperfeita. Oslo, 31. August é um destes filmes duros que tratam de um tema pouco observado pelo cinema (e pelas pessoas em geral): como a dor de um viciado em drogas quando procura a sobriedade pode ser tão intensa que ele não consegue encontrar saída. Encarar a destruição que a própria pessoa fez em sua vida e as alternativas possíveis é a maior dureza, e nem todos conseguem superar o choque com a realidade. Filme duro, mas que faz pensar quem tem vontade de encará-lo.

A HISTÓRIA: Cenas visivelmente antigas de Oslo. E diferentes vozes falam de boas lembranças que elas tem da cidade. Tradições, peculiaridades familiares ou de amigos, recordações solitárias, tudo se mescla nas narrativas. E a última voz recorda que o prédio da Phillips, aparentemente um marco na cidade, foi derrubado. Corta. Anders (Anders Danielsen Lie) está sentado na cama e olha para uma garota deitada, Malin (Malin Crépin). Ela desperta. Ele abre as cortinas, olha para o trânsito da rodovia, e acende um cigarro. Depois, sai do apartamento, atravessa a rodovia e caminha por uma floresta até chegar a um lago. Coloca pedras nos bolsos, segura uma pedra grande e afunda na água. Na sequência, emerge do fundo e volta para a clínica de reabilitação. Falta pouco para ele ganhar alta, mas antes disso acontecer, ele viaja até Oslo para se reencontrar com parte do passado e fazer uma entrevista de emprego.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Oslo, 31. August): O começo desta produção é promissor. Diversas visões sobre a capital da Noruega, cidade que compõe o título do último trabalho do jovem diretor e roteirista Joachim Trier. Tudo parece reminiscências do passado até que um edifício histórico é dinamitado. Conforme a história do filme vai se desenvolvendo, percebemos que aqueles minutos iniciais são muito ilustrativos.

Oslo, 31. Augut trata da vida como ela é de forma bastante crítica e pessimista. A história tenta explorar, através do roteiro que Trier escreveu ao lado de Eskil Vogt tendo o livro Le Feu Follet, de Pierre Drieu La Rochelle como base, como a realidade que vivemos atualmente não lembra em nada as memórias afetivas que as pessoas tem do passado – seja de Oslo, seja de qualquer parte. Aquele romance das boas lembranças resgatadas pelas pessoas que falam de suas próprias experiências na cidade vai ao chão da mesma forma que o prédio simbólico da Phillips.

É como se a inocência, as relações verdadeiras entre as pessoas e a esperança tivessem, cada uma em seu momento, sido dinamitadas. E a mensagem não demora para surgir na tela. Uma das primeiras ações do protagonista desta história é tentar se matar afogado. Que esperança ele poderá ter a partir daí? De fato ele desistiu da ideia de morrer no momento que ele deseja ou vai repetir o ato desesperado depois?

Logo sabemos mais sobre a personalidade e a vida de Anders. Na etapa final do tratamento contra a dependência química, ele sai da clínica onde está isolado para retornar para Oslo, a cidade onde cresce e fez escolhas certas e muitas outras equivocadas. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). E como acontece com tantos outros dependentes em tratamento da vida real, a saída da redoma que o protegia acaba sendo fatal. Anders não apenas acaba tendo contato com pessoas do passado que lhe fazem lembrar da vida que ele considerava miserável, como ele também percebe que fica difícil justificar os seis anos em que ele não avançou nos estudos ou trabalhando porque estava usando drogas até o limite.

Há muitas sequências devastadoras em Oslo, 31. August. Para mim, uma das mais marcantes foi a entrevista de trabalho de Anders. Isso porque na conversa com David Molvaer (Oystein Roger) ele demonstra ser um rapaz inteligente, antenado, capaz de exercer bem a profissão e de se desenvolver. Existe potencial ali, e ele não é pouco, mas o protagonista desperdiçou ele ao afundar nas drogas. E tendo que falar sobre isso, ele sente vergonha, arrependimento, e não consegue enxergar uma maneira de superar os próprios tropeços.

Essa é a realidade de muitas pessoas que se perderam nas drogas. Como voltar para a vida real e convencer as demais pessoas de que é interessante dar-lhes uma nova chance? Os dependentes químicos são vistos com desconfiança, porque a maioria acredita que uma recaída pode acontecer a qualquer momento. E que riscos uma recaída destas pode trazer para uma empresa e seus colaboradores? O mesmo acontece com ex-presidiários. A vida é muito, muito dura com quem foge dos padrões, especialmente com aqueles que cruzam a linha do que a sociedade considera como pessoas responsáveis e confiáveis.

A cena da entrevista é uma das mais duras do filme justamente por mostrar o desperdício do potencial de Anders. Ele poderia avançar, mudar de vida, caso conseguisse se perdoar. Mas não é apenas isso que faz com que ele caminhe sem volta para o fim da linha. Além de sentir muita culpa e vergonha, ele também considera as alternativas possíveis desinteressantes. Oslo, 31. August destila uma forte crítica contra a vida cotidiana. Nosso mundo mundano seria, acima de tudo, desinteressante.

Há várias passagens que defendem esta visão. Mas uma das mais ilustrativas é quando Anders fica escutando as conversas ao seu redor em uma cafeteria de Oslo. Todas as conversas parecem banais, desnecessárias, fúteis. Então a vida se resume àquilo? E afinal (e o protagonista já se perguntou isto tantas vezes) para que viver?

Certamente a vida de qualquer pessoa é feita de picuinhas, momentos banais e fúteis, mas será que isso é tudo? Revolucionários podem nunca fazer uma revolução ou mudar sequer a realidade da própria rua, mas isso deve ser motivo de desistir de tudo e fugir anestesiando a própria existência nas drogas ou na morte?

Da minha parte, acredito que a vida é muito maior do que a nossa arrogância e limitação humanas são capazes de mensurar. Quando respeitamos e amamos a nossa própria vida e a dos demais, jamais cedemos a prazeres que podem nos detonar. Para mim, isso sempre foi simples assim. E o que eu acho triste é ver cada vez mais pessoas nas ruas sem nenhum rumo e, aparentemente, sem salvação. E uma boa parte desta “falta de uma luz no fim do túnel” em relação aos dependentes químicos está retratada em Oslo, 31. August.

Tenho acompanhado as notícias sobre o novo projeto de São Paulo para resolver a Cracolândia. E ouvindo as histórias de dependentes químicos que lá estavam ou estão, é possível perceber que a maioria tem vergonha dos próprios atos, sente uma culpa imensa e, consequentemente, uma fraqueza abissal que os faz cair no prazer imediato da droga ao invés de tentar o difícil caminho de viver a própria vida de forma saudável – porque, isto sim, exige muito mais do indivíduo. A vida como ela é nos pede paciência, equilíbrio, generosidade com a gente mesmo e com os demais. Nem todos tem essa coragem.

Independente da reflexão que Oslo, 31. August levanta – e é sobre isso que eu tratei até aqui -, algo é preciso admitir: Joachim Trier sabe narrar muito bem essa história. Ao ponto de fazer o espectador não apenas entender, mas também se colocar um pouco no lugar do protagonista. Sentir a frustração dele em diferentes graus, a incapacidade que ele tem de se encaixar nos padrões sociais.

Algo presente em toda a história é o abismo entre a expectativa do personagem e o que ele encontra pela frente. Conseguir transparecer isto em um filme com tanto vigor é algo raro. Mérito não apenas do roteiro muito bem escrito por Trier e Vogt, com base no texto de La Rochelle, mas principalmente pelo bom trabalho dos atores e  pela direção de Trier que está atenta não apenas aos detalhes da interpretação convincente de Lie, mas principalmente ao contexto urbano/mundano em que ele está limitado.

(SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Ainda que o roteiro não faça julgamentos e que tenha sido construído para contar o último dia na vida de um “anjo caído”, é impossível assistir a Oslo, 31. August sem pensar no problema que o filme nos apresenta. Até porque ele é bem real para muita gente. E aí alguns outros questionamentos surgem. Assim como a nossa torcida para que a tragédia anunciada não se concretize.

Fica fácil torcer pelo personagem, especialmente porque Anders mostra ter um grande potencial. Mas quando ele se “decepciona” com o melhor amigo, Thomas (Hans Olav Brenner) e, principalmente, com a irmã que não aparece para encontrá-lo, o risco de tudo caminhar ladeira abaixo cresce. E ao sair do parque, após dormir, e dirigir-se para a festa de Mirjam (Kaersti Odden Skjeldal) ao invés de voltar para a clínica de reabilitação, está praticamente selada a queda do “anjo” protagonista desta história.

Como acontece quando uma pessoa cheia de potencial decide colocar fim à própria vida, há quem se pergunte como ninguém próximo notou que o pior estava se aproximando. Mas a verdade é que as pessoas até percebem isso, mas são incapazes, sozinhas, de “salvar” quem não vê mais sentido em ficar vivo. Thomas, por exemplo, percebe a tendência suicida do amigo e tenta incentivá-lo a ver a vida com melhores olhos. Não adianta – e Thomas percebe isso. O que fazer então?

Há quem possa dizer que se Thomas tivesse ido na festa em que Anders vai para socializar e encontrar o amigo, talvez o protagonista tivesse desistido do suicídio. Ou se Iselin tivesse atendido a alguma das ligações de Anders, que tudo teria sido diferente. Até pode ser. Mas eu sempre penso que aquele que está obcecado por uma ideia, como a morte, mais cedo ou mais tarde vai conseguir encontrar o que deseja.

Tanto Thomas quanto Iselin talvez apenas adiassem o ato desesperado/corajoso/libertário (depende da leitura de cada um) de Anders. Mas a questão de uma possível “salvação” é mais profunda. Para acreditar na vida e de que é interessante desfrutá-la, Anders e qualquer outro suicida precisaria, antes, mudar a própria leitura e visão dos fatos, assim como suas expectativas, a leitura sobre si mesmo e os demais. E essa mudança de perspectiva pode até ser inspirada por outras pessoas, mas o trabalho duro deve ser feito por cada indivíduo.

De fato, Oslo, 31. August é um filme bem feito, com uma narrativa potente e várias cenas que ficam na nossa memória. Além disso, o filme levanta questões importantes e atuais, tratando o tema das drogas, dos excessos e do desespero suicida de forma muito honesta – e por isso mesmo, dolorida. Tudo funciona bem nesta produção, inclusivo os necessários momentos de silêncio – que reforçam a sensação de “vazio”.

O problema, pelo menos para mim, e que me faz dar a nota “baixa” para o filme registrada abaixo, é que ele não nos apresenta nenhuma saída. O final trágico e amargurado está ali, sem uma solução possível. E ainda que isso seja verdadeiro no mundo real, no cinema esperamos pelo menos um rastilho de esperança. Mas essa palavra não faz parte do dicionário do realizador.

Como agente provocador, este filme é perfeito. Mas a desesperança da história talvez provoque mais estragos do que deveria – ao fazer sentido para pessoas que não vem sentido em nada, por exemplo. É louvável o trabalho do realizador, mas a defesa dele da tragédia me incomodou. Apenas por isso eu dou a nota abaixo. Tecnicamente o filme é perfeito, mas senti falta de uma história que nos apresentasse ao menos uma saída diferente ou um desfecho que não fosse tão definitivo (e sim, como o protagonista deixa de respirar, acredito que aquela não foi apenas mais uma dose de heroína, e sim a derradeira).

NOTA: 7,5.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Os dependentes químicos não são apenas vítimas, evidentemente. E Oslo, 31. August é muito preciso em revelar isto. Tanto que o protagonista tem diversos momentos de demonstração de arrogância. Como quando ele “julga” amigos que se contentam em ter filhos com ex-namoradas ou tantas outras vidas “medíocres” que ele não pretende viver e que ele observa por aí. Ou mesmo quando prefere levar o currículo para o lixo do que deixar com o editor que estava entrevistando ele. Muitas vezes as pessoas que fogem da própria vida são assim, arrogantes, prepotentes e que se acham superiores aos demais. Falta a elas um pouco de humildade e compaixão – esta última para com os outros e para consigo mesmas.

As expectativas frustradas podem ser um agente que impulsiona para a frente ou para o fundo. No caso de Anders, o personagem se sente sozinho, abandonado, não apenas pela irmã, que não quer encontrá-lo por ter receio de retomar uma relação que depois será desperdiçada novamente, mas também pelos pais que estão viajando fora do país – e que estão vendendo a casa para pagar dívidas do filho dependente químico e também para ter dinheiro para “desfrutar a vida” após a aposentadoria. E mesmo pessoas que Anders acrescentou à própria vida, como o amigo Thomas e a ex-namorada Iselin, parecem não se importarem tanto com ele quanto Anders gostaria.

O que ele poderia fazer com tudo isso? Primeiro, Anders poderia resgatar os próprios erros pouco a pouco, ganhando novamente a confiança das pessoas e resgatando o afeto verdadeiro que elas tem por ele. Depois, mantendo uma relação saudável com os demais, dando para cada um a devida importância, e sabendo que a frustração faz parte do caminho – e aprendendo, com cada uma delas, a ter uma visão mais realista da vida e das pessoas. Mas tudo isso dá trabalho, e o personagem preferiu uma saída “mais fácil”.

Um grande acerto do roteiro desenvolvido pelo diretor Joachim Trier junto com Eskil Vogt, tendo como base o trabalho de Pierre Drieu La Rochelle, foi exatamente esse de não tratar o protagonista de uma maneira simplista. Ele não é totalmente vítima e nem totalmente o algoz de si mesmo. Ele é isto tudo e ainda mais. Um filme de pouco menos de uma hora e meia de duração que consegue apresentar um personagem tão complexo é diferenciado.

Os silêncios neste filme, e eles não são poucos, tem um peso marcante. Diferente de outras produções que exploram a ausência de diálogos e sons, em Oslo, 31. August esta ausência ajuda a sentirmos o peso em cada passo do protagonista. Ele está frustrado, descontente, cheio de tédio, e tudo isso preenche a tela quando não há diálogos.

Da parte técnica do filme, gostei muito da direção segura e milimetricamente planejada de Joachim Trier assim como da direção de fotografia de Jakob Ihre, da trilha sonora bastante pontual de Torgny Amdam e Ola Flottum e da edição de Olivier Bugge Coutté.

Do elenco, sem dúvida o nome a destacar é o de Anders Danielsen Lie. Grande ator, e que neste filme tem a difícil tarefa de tornar o protagonista desta história um sujeito comum e que pode ser reconhecido por qualquer um dos espectadores como alguém com uma história crível. E ele consegue isso com maestria. Outro nome a destacar é o de Hans Olav Brenner. O ator faz uma boa troca de figurinhas com Lie quando eles estão juntos.

Além dos atores citados na crítica acima, vale comentar o bom trabalho de duas atrizes coadjuvantes: Ingrid Olava como Rebecca, mulher de Thomas; Johanne Kjellevik Ledang como Johanne, a estudante universitária com quem Anders se diverte durante a após a balada. O ator Petter Width Kristiansen, que interpreta a Petter, amigo de Anders que o protagonista encontra na festa de Mirjam e que é chegado em uma balada, também merece ter o trabalho mencionado.

Oslo, 31. August estreou no Festival de Cinema de Cannes em maio de 2011. Depois, até novembro de 2012, a produção participaria ainda de outros 19 festivais. Nesta trajetória, o filme recebeu oito prêmios e foi indicado a outros 12. Entre os que recebeu, destaque para o de Melhor Direção de Fotografia e o Bronze Horse para Joachim Trier no Festival de Cinema de Estocolmo; o Prêmio Especial do Júri do Festival Internacional de Cinema de Istambul para Joachim Trier; e os prêmios de Melhor Direção e Melhor Edição no Prêmio Amanda, na Noruega.

Como o filme mesmo sugere, esta produção foi rodada totalmente na cidade de Oslo, na Noruega.

Agora, uma curiosidade sobre a produção: a demolição do edifício de 15 andares da Phillips que é mostrado no filme foi feita no dia 30 de abril de 2000. Um ano bastante simbólico, pois. Outra curiosidade: a esposa de Lie na vida real se chama Iselin.

Segundo as notas de produção do filme, ele é vagamente baseado no livro francês Le Feu Follet.

Achei muito boa a sacada do título desta produção. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Ainda que acompanhemos pouco mais de um dia na vida de Anders, o importante da história é a data de sua morte. E normalmente esta data fica registrada, seja na lápide do cemitério ou no obituário, citando o nome da cidade e o dia da morte. Uma boa sacada, sem dúvida – e que ajuda a não deixar dúvidas sobre o desfecho da história.

Os usuários do site IMDb deram a nota 7,6 para Oslo, 31. August. Devo admitir que esta avaliação, ótima para os padrões do site, foi a minha principal motivação para assistir ao filme. Desta vez, admito, não gostei tanto assim do que eu assisti. Os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 57 textos positivos e apenas um negativo para o filme, o que lhe garante uma aprovação espantosa de 98% e uma nota média de 8,3 (bastante alta também).

Oslo, 31. August é apenas o segundo longa na trajetória do diretor Joachim Trier. Nascido há 40 anos em Copenhague, capital da Dinamarca, Trier estreou na direção em 2001 com o curta Still. No ano seguinte ele dirigiria outro curta, Procter, e estrearia em longas com Reprise, também estrelado por Anders Danielsen Lie, em 2006. Não há informações, por enquanto, de um novo projeto do diretor.

De acordo com o site Box Office Mojo, Oslo, 31. August conseguiu pouco mais de US$ 101,4 mil nos cinemas dos Estados Unidos. Ou seja, ele foi ignorado pelo público, mas acabou sendo aclamado pela crítica.

CONCLUSÃO: Serei franca. Eu sou uma otimista incorrigível. Sempre acho que a vida é maior do que os estragos que conseguimos infligir a nós mesmos ou aos demais. Ou mesmo é maior que o estrago que os outros possam ter provocado na gente. Por isso mesmo, para mim é difícil gostar realmente de Oslo, 31. August. Por uma razão simples: esse filme é realista, conta a história de muita gente rendida pelas próprias escolhas ruins, e nada nele transparece otimismo. Não há saída para o protagonista e, aparentemente, nem mesmo para a nossa vida entediante.

E qual é a solução? Para mim, certamente, não a mesma deste infeliz que acompanhamos em sua desgraça demasiado humana. Dito isso, concordo que a produção é importante, até porque retrata a maioria dos dependentes químicos do qual temos notícias. Uma desgraça social que vale ser vista sem filtros. Bem dirigido, com um ótimo ator como protagonista, Oslo, 31. August é um soco no estômago cheio de desesperança. Importante, mas prefiro outro estilo de cinema – e outra forma de levar a vida.

  1. 15 de agosto de 2014 às 15:36

    Querida,
    Li sua crítica e destaco como pontos positivos seu olhar sobre a culpa que o personagem carrega, a dificuldade em se perdoar. Você parece mesmo ter feito uma excelente observação e incluído alguns pontos a que não dei tanta importância (também estou escrevendo sobre esse filme).
    A única coisa que não gostei foi de você ter dado uma nota baixa pelo filme não ser otimista. Realmente, uma incorrigível! O filme é ótimo do ponto de vista da técnica e do personagem também! Esse era o destino de Anders e está muito bem estruturado e plausível diante de suas características e os problemas que ele enfrenta. Por outro lado, adoro uma tragédia e um fim dorido, o que me torna meu comentário suspeito.
    Um ponto que achei duvidoso é aquele sobre a morte do protagonista e o título do filme. Você afirma que Anders morreu com muita firmeza, mas eu não observei isso quando assisti (2x). E não acho que o título tenha relação com a morte do protagonista.
    Para finalizar lhe dou os parabéns pelo texto, espero que possamos estabelecer uma troca de correspondências e lhe sugiro uma pequena correção no seguinte erro de digitação: “se diverte durante A após a balada”.
    Grande abraço.
    Samuel

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