Enemy – O Homem Duplicado


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Imagine um sujeito que tem uma vida comum, ensinando os mesmos conceitos para estudantes dia após dia, mantendo uma relação morna com a namorada e repetindo os mesmos passos um após o outro. Até que ele quebra um pouco a rotina assistindo a um filme recomendado por um colega de trabalho e vê a própria imagem em um papel secundário na trama. Este é apenas o começo de uma reflexão sobre as escolhas que fazemos sobre a nossa própria vida e sobre as características que nos definem. Enemy trata disso e de muito mais. Um filme difícil de digerir no início, mas que vai ficando melhor conforme pensamos nele.

A HISTÓRIA: Imagens de uma cidade que parece parada. Em uma gravação, a mãe de Adam (Jake Gyllenhaal) agradece por ele ter mostrado para ela o seu novo apartamento. Na sequência ela emenda que está preocupada com ele e afirma que não sabe como o filho consegue viver daquela maneira. Ela pede para ele retornar e diz que o ama. Dentro do carro, Adam olha o movimento passar. Na cama, uma mulher grávida e nua olha para trás. Corta.

Uma frase vaticina: “Caos é a ordem ainda não decifrada”. Adam contempla uma chave que vai levá-lo a um local onde vários homens observam mulheres nuas sentindo prazer. Uma delas flerta com uma aranha. Corta. A cidade encoberta por uma névoa é revelada de perto. E o professor Adam fala para os seus alunos sobre controle. Em breve a vida organizada e controlada dele passará por um grande teste.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Enemy): Eis uma produção pesada. Não apenas nas mensagens, mas principalmente na narrativa e nos recursos “ambientais” (vide trilha sonora e direção de fotografia). Por isso mesmo a primeira sensação quando este filme acaba é de indecisão sobre o que assistimos. Afinal, do que este filme trata? E qual é a versão verdadeira – de algumas possíveis?

Procurando saber um pouco mais sobre a história depois que Enemy terminou, percebi que o roteiro de Javier Gullón foi baseado no livro O Homem Duplicado, do escritor português José Saramago. Lembro bem de quando a obra do português foi lançada. Ela dividiu opiniões e muita gente entendeu o que quis do livro. Então, meus caros, como esperar algo diferente de um filme inspirado em uma obra que já tinha, por essência, o desejo de fazer pensar sobre identidade e com isso, provocar confusão nas leituras a respeito do que foi narrado?

Dito isso, vamos ao que interessa: afinal, do que Enemy trata? (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Primeiro de tudo, esta produção aborda o sistema de vida atual de muitas sociedades modernas e urbanas. O protagonista deste filme é um sujeito que leva uma vida sem paixões e com muita rotina. Ainda que ele tenha um relacionamento com Mary (Mélanie Laurent), essa relação parece estar sempre próxima do fim – afinal, poucas vezes eles ficam mais tempos juntos do que na hora da cama. Há pouco diálogo e quase nenhuma convivência.

Quantas pessoas você conhece que vivem assim, cercadas de rotina e pouco sentimento? E mesmo o “antagonista” de Adam, o personagem de Anthony (o mesmo Jake Gyllenhaal), que em teoria tem uma vida bem mais “divertida” – afinal, ele é um ator que já conseguiu algumas pontas interessantes e que está procurando um lugar ao sol enquanto espera o primeiro filho ao lado da mulher Helen (Sarah Gadon) -, não tem uma vida exatamente “feliz”. Se fosse assim, ele não teria uma “vida dupla”.

E essa vida dupla não se manifesta apenas pelo clubinho de pervertidos do qual ele faz parte, mas também pelas traições dele no relacionamento – em certo momento Helen pergunta se ele vai ver a amante outra vez, apesar de ter prometido nunca mais fazer isso. Depois de ficar bem confusa com o filme, fui buscar mais informações sobre a obra de Saramago. E daí descobri que mais do que tratar de clonagem – essa foi a leitura de várias pessoas sobre a obra original -, o autor queria abordar a questão da identidade.

E quando ele trata dela, não está apenas discutindo o que, afinal, nos define ou não, mas também essa estranheza cada vez mais contaminante nos dias de hoje sobre o desconhecido, o diferente. Em uma sociedade individualista, cada vez mais as pessoas são “instruídas” a defender o seu próprio terreno, as opiniões e valores que tem, preservando estes conceitos sempre que se sente “ameaçada” por alguém que apresenta outras opiniões, valores e costumes.

O que você faz quando encontra alguém diferente ou muito parecida com você fala muito sobre a tua própria identidade. E afinal de contas é mais fácil lidar com alguém muito diferente ou muito parecido com a gente? Esta pergunta também aparece neste filme – e na obra de Saramago. Além disso, fica evidente como as duas obras – a cinematográfica e a literária – fazem uma crítica a essa vida “mais ou menos” que vai ocupando grande parte da existência do indivíduo. Ele não está satisfeito com a própria rotina ao mesmo tempo em que não consegue achar uma solução para este “estado das coisas”.

E o curioso do momento de “ruptura” da trama é a forma com que Adam e, principalmente, Anthony, flertam com a mudança radical da própria rotina para abraçar uma vida diferente. Claro que Anthony pensa em fazer isso rapidamente – trair a mulher com Mary e depois voltar para casa como se nada tivesse acontecido. Ele lida com os problemas da própria rotina desta forma, com pequenas escapulidas sem o “perigo” da ruptura radical.

Adam, por outro lado, não deseja mudar nada. Mas, ao mesmo tempo, quando encara a realidade da namorada sendo enganada por Anthony e traindo ele com o sósia egoísta, Adam não consegue ficar impassível. Resolve dar o troco, sem saber exatamente aonde está se enfiando. Ele faz isso mais por automatismo do que por vontade de alterar tudo radicalmente. O problema é que Saramago é um mestre da surpresa. Ele acaba com os planos dos próprios personagens que cria.

Não apenas Anthony tem um final surpreendente como Adam também cai em uma realidade que não tinha planejado. É isso o que acontece quando não pensamos bem a respeito dos nossos próprios atos. Com o acidente fatal de Anthony e Mary – o filme não deixa muito claro que eles morrem no carro, mas o livro de Saramago sim deixa isso claro -, Adam acaba assumindo o lugar do ator. Enemy termina antes do desfecho do livro – falarei dele mais abaixo.

Mas o importante desta produção é que ela mantém estas reflexões da obra original de Saramago. Com algumas pequenas mudanças feitas pelo roteirista Javier Gullón que tornam o filme um artigo independente. Vejamos. (SPOILER – não leia… bem, você já sabe). Para começar, durante grande parte do filme o espectador não sabe exatamente o que está acontecendo. Especialmente as falas da mãe de Adam, interpretada pela veterana Isabella Rossellini, colocam dúvidas na cabeça do público.

Primeiro, ela diz que está preocupada com o filho e que não entende como ele consegue levar a vida que está levando. Isso sinaliza que Adam não estaria agindo bem. Mas daí mergulhamos na rotina dele, bastante entediante e “normal”, e parece deslocada aquela preocupação toda da mãe – mas deixamos a leitura sobre isso para depois, porque há mães um pouco “preocupadas demais”, por assim dizer, e aquela sensação de que existe alguma coisa podre no reino da perfeição pode ser apenas uma ilusão.

O tempo passa, Adam vê a “si mesmo” – ou alguém igual a ele, já que aparentemente ele não tem lembrança nenhuma de ter participado de filmes como figurante – em produções pouco conhecidas e daí fica esboçada a ideia de que Anthony é uma cópia perfeita de Adam e não a vida dupla do protagonista. É isso o que o roteiro nos faz acreditar, ainda que aquele sujeito igual a Adam pareça estranho, um pouco difícil de acreditar.

A primeira ideia que tive na cabeça, tentando “matar a charada” antes da hora, é que Anthony fosse a identidade dupla de Adam. E que ao confrontar a própria imagem no filme indicado pelo colega de trabalho (interpretado por Joshua Peace), em uma indicação “cheia de malícia”, ele tem que enfrentar o “transtorno dissociativo de personalidade”, como gostam de chamar os psicólogos. E mesmo o encontro no motel, para mim, não me pareceu definitivo – afinal, alguém que tem este transtorno pode também fantasiar um encontro inexistente.

Ajuda nesta teoria o encontro de Adam com a mãe quando o filme beira quase uma hora de duração. Além dela insistir que Adam é seu filho único e que é impossível ele ter encontrado alguém exatamente igual a ele – deve existir alguma diferença, ela argumenta -, a mãe do protagonista confunde a todos quando diz que ele deve desistir de atuar em filmes de terceira linha. Como mais tarde a mulher de Anthony comenta que achou estranho ele chegar em casa mais cedo porque iria visitar a mãe, algum desavisado pode achar que era o ator que estava falando com a mãe.

O problema é que o filme mostra Anthony perseguindo a namorada de Adam até o trabalho com uma roupa de motociclista e o homem que fala com a mãe em um apartamento estranho está vestido como o professor Adam. Então se aquele homem que fala com a própria mãe é Adam, por que ela comenta que ele deveria desistir de fazer filmes de terceira linha? Ela está apenas fazendo uma piada ou realmente dando um conselho para o filme? E se for o segundo caso, afinal de contas, Anthony nada mais é que a outra personalidade de Adam?

O roteiro de Enemy dá a entender que as traições de Adam e Anthony ocorrem simultaneamente. Enquanto Adam se faz passar por Anthony e se aproxima de Helen, o ator está na cama com Mary e, depois, se acidenta de carro quando Helen decide consumar a traição. A diferença é que Helen sabe o que está fazendo – que Adam não é Anthony – enquanto Mary está sendo enganada. Mas quem nos garante que, de fato, os fatos são simultâneos? Será mesmo que Adam não poderia ter “atuado” como Anthony com Helen primeiro e depois ter “atacado” Mary? As duas mulheres serem loiras e bem parecidas – exceto pela gravidez – também ajudam na confusão – que, sem dúvida, é um dos objetivos da história.

O que contradiz esta teoria de que os dois homens seriam a mesma pessoa são três pequenos detalhes. Primeiro, a questão temporal. Ainda é dia quando Anthony pega Mary para um dia diferente e “romântico” e também é dia quando Adam vai para o apartamento que o ator tem com a mulher grávida. Depois, quando amanhece, Helen ouve no rádio a notícia do acidente que ocorreu na madrugada antes de mudar a estação – dificilmente Adam teria tempo de transar com as duas mulheres e chegar em casa a tempo de Helen não desconfiar. E, finalmente, a questão da marca da aliança. Mary identifica o impostor porque ele tem a marca de uma aliança – algo que Adam nunca teve.

Estes detalhes derrubam a tese de que Adam tinha dupla personalidade. De fato, ele e Anthony eram idênticos, mas dois indivíduos diferentes. E como seria possível algo assim? Para mim, ficou evidente que a mãe de Adam mente. Ainda que ela jure que ele não teve um irmão gêmeo, será isso verdade? E se ele realmente era filho único, em que momento e com que objetivo teriam feito uma cópia perfeita dele? Seria possível uma clonagem sem o conhecimento da mãe de Adam? Acho beeeeeeeeeeem improvável.

Da minha parte, analisando apenas o filme, acredito que Anthony era irmão gêmeo de Adam e que as famílias dos dois não foram francas com eles – por motivos que desconhecemos. Quando Adam vê uma pessoa igual a ele atuando em filmes, fica perturbado. Ele se pergunta quem é ele, quem é o outro? O que define e o que diferencia cada um deles? Fica perturbado, perplexo, mas acaba aceitando essa figura diferente e tão parecida com ele. Com a aparição de Anthony, Adam repensa a própria vida.

O problema é que quando ele está pronto para fazer decisões importantes em sua própria vida, Anthony decide estragar tudo ao pular a cerca com Mary. Para o ator, acostumado a ter uma vida dupla e a enganar a mulher, esta será apenas mais uma traição. Para Adam, o significa do ato de Anthony é muito diferente. Ele não consegue lidar com a ideia de Mary estar na cama com outro homem, e a vida perfeita e ordenada que ele tinha acertado em sua própria cabeça desmorona.

No final, Adam acaba assumindo a posição de Anthony – mesmo antes dele e de Helen saberem do destino trágico de seus parceiros. Essa solução parece um pouco estranha no filme, mas é melhor explicada no livro. Aparentemente, segundo o roteiro de Gullón, Adam não consegue lidar com a traição involuntária de Mary e diz que não pode mais encontrar a namorada. Tendo perdido a amada, para ele parece natural assumir a outra vida já desenhada – de seu “sósia” Anthony. Helen estava farta do marido inconstante e traidor, e vê em Adam uma nova oportunidade de recomeço.

Claro que na vida real estas saídas parecem um tanto improváveis. Mas é bom lembrar que esta é uma ficção.🙂 Sendo assim, acho sim que aqueles dois sujeitos idênticos eram, de fato, muito diferentes entre si. Ainda que eles tivessem em comum algo fundamental: a facilidade de mudar radicalmente de vida quando tivessem uma oportunidade. De forma simbólica, quando Adam aceita repetir os passos de Anthony e fazer parte daquele clube de homens sádicos, no lugar de Helen ele encontra uma aranha gigante.

Esta aranha, que ocupa todo o quarto, simboliza o mesmo animal que entra dentro da mulher observada por um grupo de homens excitados e silenciosos. Ela provoca prazer e dor na mulher, assim como a vida dupla que Adam começa a assumir vai trazer para ele e para quem estiver próximo dele. Provocações interessantes do roteirista Javier Gullón e do diretor Denis Villeneuve.

Ainda assim, muitas perguntas que Enemy levanta não são respondidas pela produção. E se você, como eu, for atrás do original, do livro O Homem Duplicado de José Saramago, tampouco terá uma resposta esclarecedora. Em sua obra, Saramago deixa claro que Mary e Anthony morreram no acidente de carro. Isso fica esclarecido. Mas o final do livro abre outra pergunta que Enemy não levanta.

Depois de assumir a identidade de Anthony a pedido de Helen, Adam recebe um telefonema em casa. A exemplo do que ele fez antes, agora é um outro homem que está ligando para dizer que ele é igual a Adam (agora na pele de Anthony). Mesmo perplexo, Adam aceita se encontrar com o desconhecido. Mas desta vez ele sai para o encontro armado. Temendo ser substituído da mesma forma com que ele fez com Anthony ele vai encontrar a sua cópia para eliminá-la? Conseguindo isto, por quanto tempo ele continuará seguro? A sensação de risco permanente é outra “praga” contemporânea. Saramago acerta ao tratar disto.

Mas a origem destas cópias não é explicada no livro de Saramago. Seriam elas resultado de clonagem? E se afirmativo, porque esta seria a resposta mais “plausível” (o que por si só já é um bocado absurdo, convenhamos), como estas cópias teriam sido feitas? E quem, afinal de contas, seria cópia de quem? Certamente há muita mentira e segredos espalhados aqui e ali para que aquelas cópias existissem. E a ameaça delas será constante. Assim como na vida real, sem que tenhamos cópias nos ameaçando, são arriscadas as ameaças constantes da vida que nos colocam em xeque a nossa própria identidade. Trabalho inteligente, ainda que o filme seja um pouco confuso demais.

NOTA: 8,7.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Importante dizer que eu apenas entendi melhor a proposta de Enemy depois que busquei o original de Saramago. E ainda que isso seja interessante – essa ligação que muitas vezes o cinema faz com a literatura -, sou defensora da independência destas duas expressões artísticas. Por isso mesmo, acho ruim quando um filme como este exija do espectador que ele vá atrás da obra original para entender o que aconteceu – acho que ele deveria ser mais autoexplicativo.

Durante a exibição do filme, achei Enemy muito pesado. Não apenas pela história, que é um tanto confusa e tensa, mas também por causa das escolhas feitas pelo diretor de fotografia Nicolas Bolduc e pelos responsáveis pela trilha sonora, sempre densa e pesada, Danny Bensi e Saunder Jurriaans. Estes elementos ajudam no desconforto que a história quer provocar – assim como a obra de Saramago.

Por falar no original, no livro O Homem Duplicado, acho interessante citar o que o autor queria com a própria produção. Nesta entrevista para a Folha de São Paulo em 2002, na época do lançamento do livro, Saramago afirmava que tinha uma preocupação constante pelo outro e que O Homem Duplicado era um livro “engajadíssimo”. Apesar de comentar isso, ele não esclarece de forma clara o que queria com esta obra. Esboça, contudo, que a questão dos nomes tem uma importância menor – para as pessoas é importante dar nomes para tudo, ainda que isso não seja determinante sobre o que as coisas ou as pessoas são.

Gostei do título original do filme. Enemy. Afinal, o “inimigo” é aquele que aparece na vida do protagonista para confrontá-lo, vindo de fora, ou é ele próprio ao tomar as atitudes erradas? Seríamos nós mesmos os nossos maiores inimigos através da nossa consciência? Esta ideia também está, aparentemente, no original de Saramago.

Muito boa e segura a direção de Denis Villeneuve. Depois de dirigir o “fenômeno” Prisoners (comentado aqui), o diretor canadense marca mais uma dentro com Enemy. Novamente ele confunde o público com diversas pistas mas esclarece as dúvidas nos detalhes. Ou, pelo menos, tenta.🙂 Eis um diretor para ficarmos de olho. Atualmente, ele trabalha na pré-produção de Sicario, previsto para ser lançado no próximo ano e tendo Josh Brolin, Benicio Del Toro e Emily Blunt no elenco; e também em Story of Your Life, previsto para 2016, com Amy Adams. Estaremos de olho.

Este é um filme com um elenco reduzido. A trama gira em torno dos personagens vividos por Jake Gyllenhaal – e por suas duas loiras. Além dos atores já citados, vale citar as pontas dos atores Tim Post, que interpreta o homem que trabalha na recepção do prédio de Anthony e que está louco para conseguir uma nova chave para a “diversão da turma”; e Kedar Brown como o segurança que entrega o envelope com a nova chave para Adam – correspondência destinada para Anthony. Os dois fazem pontas com certa relevância e que imprimem um pouco mais de mistério na história. Mas o grande trabalho fica mesmo com Gyllenhaal, muito bom em diferenciar os dois personagens/personalidades da história.

Da parte técnica do filme, além da trilha sonora e da direção de fotografia pesadas, vale citar o bom trabalho do editor Matthew Hannam e o figurino sutil e fundamental de Renée April.

Enemy estreou em setembro de 2013 no Festival Internacional de Cinema de Toronto. Depois, o filme participaria de outros 21 festivais – uma marca impressionante! Nesta trajetória o filme conseguiu abocanhar sete prêmios e foi indicado a outros seis. Entre os que recebeu, destaque para os de Melhor Fotografia, Melhor Direção, Melhor Edição, Melhor Trilha Sonora Original e Melhor Atriz Coadjuvante para Sarah Gadon na categoria Canadian Screen Award do Genie Awards, realizado em Ontario, no Canadá, neste ano.

De acordo com o site Box Office Mojo, Enemy teria conseguido pouco mais de US$ 1 milhão nos cinemas dos Estados Unidos. Pouco.

Enemy foi totalmente rodado nas cidades de Toronto e Mississauga, ambas no Canadá.

Agora, algumas curiosidades sobre este filme: o elenco assinou um contrato de confidencialidade que não lhes deixa dar entrevistas ou qualquer explicação sobre o significado das aranhas para a história. Interessante.

O protagonista foi oferecido para Javier Bardem, mas o ator achou que o personagem não “combinava” com ele. Estranho… pensar que alguns personagens não combinam com o ator. Depois, o papel foi oferecido para Christian Bale, que não pode aceitar devido a um conflito de agendas. Acho que ele teria se saído bem – só não sei se melhor que o Jake Gyllenhaal.

Os usuários do site IMDb deram a nota 6,9 para Enemy. Uma boa avaliação, ainda que apenas mediana perto de outros filmes que viraram “sensação”. Os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 60 textos positivos e 20 negativos para a produção – o que lhe garante uma aprovação de 75% e uma nota média de 6,7.

Esta é uma coprodução do Canadá com a Espanha.

CONCLUSÃO: No início, não gostei tanto de Enemy. Achei o filme um pouco arrastado, enquanto a história se desenrolava, e o roteiro também bastante confuso. Mas isso apenas em um primeiro momento. Conforme fui pensando na história e conheci o original de José Saramago, as peças foram se encaixando melhor. Não existe apenas uma forma de entender este filme – ou a obra original que o inspirou. E isso é sempre uma grande qualidade para qualquer história. Enemy carece de um pouco mais de ritmo, mas até essa forma de narrativa ajuda na sensação de incômodo – que é o foco principal desta produção. No fim das contas este filme incomum mexe com nossos conceitos, interpretações, e deixa muitas perguntas no ar. Vale uma conferida por causa disso.

  1. 18 de junho de 2014 às 17:44
  2. 21 de junho de 2014 às 8:40

    Alessandra, belo texto. Permita-me, apenas, dois ou três comentários. O Homem Duplicado é a segunda tentativa feita pelo cinema de decodificar Saramago. Antes, tivemos Um Ensaio sobre a Cegueira, dirigido pelo brasileiro Fernando Meirelles e tendo como protagonista a excelente Julianne Moore. Saramago sempre se recusou a autorizar que suas obras fossem adaptadas para a telona. Abriu uma exceção para o Meirelles e se mostrou satisfeito com o resultado. “Pude ver a cara dos meus personagens”, disse em uma entrevista — como se ele próprio fosse um daqueles acometidos pela epidemia de cegueira.
    Definitivamente, o mérito de Saramago nunca esteve em seus personagens, mas nas relações entre eles, na forma como os sentimentos se multiplicam em um espaço multidimensional. É um caso raro de comunhão entre forma e conteúdo. Não fosse o estilo criado por ele, responsável por uma fenomenal carga dramática, dificilmente seus personagens chamariam a atenção.
    Lembro-me de que,quando assisti ao filme do Meirelles, deixei o cinema com a mesma sensação experimentada ontem ao sair da sessão do Homem Duplicado: valeu pela tentativa, mas ainda não foi dessa vez. Tanto Meirelles quanto o Villenueve apenas tangenciaram o universo “saramaguiano”. Não por “culpa” deles, mas sim pela impossibilidade de decodificação. No texto você diz que foi buscar informações no livro para entender melhor o filme. “Ah, mas assim não vale”, eu diria. Tenho certeza que você entendeu Saramago e, talvez, por conta disso, tenha sido mais condescendente com o filme, ao contrário da maioria da minúscula plateia de ontem à noite, que saiu esbravejando do cinema. Não cheguei a tanto (longe disso), mas, definitivamente, o filme que vi está a ano luz do Homem Duplicado que li.
    Um último comentário: você não citou no texto, mas para mim a frase mais enigmática (e talvez a melhor pista) em O Homem Duplicado, o filme, é a pergunta feita por Helen, deitada ao lado de Anthony. “Como foi o seu dia na escola?” Logo em seguida, ao vê-lo desorientado, ela pede: “Fica”.

  3. 21 de junho de 2014 às 13:44

    Tentando entender o filme achei teu blog… Adorei!
    Sou do grupo que acha que não é pra ter uma explicação correta mesmo, que é só pra nos fazer pensar nas hipóteses. Mas adorei seu texto.🙂

  4. 22 de junho de 2014 às 19:38

    Saí desnorteada do cinema. Aqui consegui uma baita luz no fim do túnel. Parabéns e obrigada!😉

  5. Eduardo Augusto
    23 de junho de 2014 às 2:17

    Não consegui parar de pensar neste filme… Trabalho e penso nele. Viajo e penso nele. Durmo, acordo e penso nele. Incrível como ele mexe com a gente. Só acho que eles não são gêmeos por conta da cicatriz idêntica. Acompanho seu blog há anos. Obrigado por tantas dicas, sinopses e análises. Grande abraço.

  6. Christian
    24 de junho de 2014 às 2:15

    Ótimo texto, parabéns! Porém, do meu ponto de vista e após ler seu blog, o que consegui “captar” do filme foi a ideia de que Adam e Anthony são a mesma pessoa, pois se deixarmos de lado o simples fato da aparência física e focarmos a atenção diretamente às inclinações, crenças, vontade, desejos e etc que movem o ser humano certamente encontraremos inúmeras pessoas idênticas a nós mesmos. No momento em que conversam Adam e Anthony é uma reflexão do indivíduo com dupla personalidade. Creio que o acidente tenha acontecido há tempos atrás e que sua amante tenha morrido nele, simultaneamente quando a esposa descobre a traição, mas por ele ter dupla personalidade ela perdoa o marido, antes ela joga isso na cara de Anthony. A mãe de Adam serve “mirtilo” sendo que é Anthony quem gosta. Quando Helen pergunta sobre a faculdade. E se no livro outra pessoa liga para Adam é porque realmente quando ele pensa ter livrado-se de sua segunda personalidade esta apresenta-se de outra maneira tornando isso um ciclo. “Caos é a ordem ainda não decifrada”

  7. 25 de junho de 2014 às 15:47

    Estou extasiado com as suas observações! Excelente! Deu vontade de assistir novamente.

  8. João Felipe
    26 de junho de 2014 às 8:53

    Só uma dúvida: e a foto? No filme, Adam usa uma foto dele, rasgada (e tirando uma mulher) para colocar na frente do computador e comparar o rosto com Anthony. Quando ele está na casa do Anthony, se passando pelo ator, ele ve a mesma foto no porta-retratos. E aí? Eu estava achando que tinha entendido depois de ler seu blog, mas lembrei dessa foto e já me confundi. Se puder explicar, dentro da sua “tese”, agradeceria.

    • Alexandre Vergara
      23 de novembro de 2015 às 17:42

      eu também gostaria de explicação para esse fato. aparentemente, (no meu ponto de vista), personagem possuía uma vida dupla. E a “outra mulher” a que se refere a esposa do ator na discussão, é na verdade a namorada do professor de história. Abraços
      Me escreva se quiser discutir mais.

  9. Luciana
    28 de junho de 2014 às 23:11

    Achei sua critica excelente!
    Muito rica e completa.
    Todavia, confesso que ainda estou na duvida se os dois homens são ou não a mesma pessoa.
    Peço permissão para transcrever uma critica que me deixou confusa quanto a esse ponto.

    “Primeiramente não existe clone, é tudo obra da cabeça do Adam (Professor).
    Não existe aranha gigante, muito menos o acidente da cena final é veridico.
    O filme ja começa com o Adam em um strip club presenciando uma cena de masturbação seguida do esmagamento de uma aranha. Na cena seguinte o Adam na aula de historia fala ‘é um ciclo (padrão) que se repete’ dialogo que é peça chave pro entendimento do filme.
    As seguidas cenas mostram como a vida do Adam é uma rotina bem vazia.
    Logo em seguida ele recebe uma sugestão de filme e resolve alugar, tem um sonho q no subconsciente acaba vendo um ator semelhante a ele no filme e depois de descobrir mais sobre e compara com uma foto abraçado com uma mulher (rasgada no meio) e ele tem a conclusão de que é idêntico a ele, e vai tentar descobrir mais, ok.
    Após descobrir a ‘agencia de atores’ que o suposto clone fazia parte o porteiro entrega uma carta no nome do clone pra ele e diz que já faz 6 meses que não vê ele (detalhe importante). A partir dai o Adam tem uma suposta conversa via telefone com o Anthony e é apresentada a esposa do Anthony (ator), gravida (de 6 meses como é relatado na cena que ela vai na universidade falar com o Adam) na cena ela ja pergunta pro Anthony quem era e se ele esta encontrando ela de novo (sinal de que ele não mantinha um relacionamento fiel) e ele responde que era um homem (sinal de que ele se sente culpado) o que explica a cena inicial no strip club e que ‘Anthony’ é infiel e não se sente preparado para ter uma família.
    Na outra cena a esposa gravida vai até ao local de trabalho de Adam (da pra notar pela cara dela que ela ta desesperada e preocupada com a sanidade mental do marido) como ja falado antes eles tem uma conversação sobre o tempo de gestação do bebe e ela diz 6 meses o que acaba se ligando com a suposta ‘agencia’) em seguida outra cena chave acontece em que a esposa gravida liga para o Anthony e ele só atende depois de sair da cena (o que confirma que eles são definitivamente a mesma pessoa e que tudo não passa de problema psicológicos do personagem).
    Na cena seguinte o Anthony chega em casa após uma suposta caminhada e acontece um dialogo com a esposa gravida, ela diz que encontrou com o suposto clone e após negações do Anthony ela diz que acha que ele sabe o que ta acontecendo (ai ela já entendeu que ele esta com a cabeça fodida o que explica também o fato de que ela não ficou abalada pelo descobrimento o clone e sim pela sanidade do marido)
    Na próxima cena a gente vê uma mulher com cabeça de aranha (após as perguntas da esposa sobre ele tentar explicar tudo) seguida do encontro entre Adam e Anthony que comparam cicatrizes e tal, após isso Anthony passa a perseguir Adam e sua ‘namorada’ (em uma cena bem memorável o Anthony olha o calcanhar dela no ônibus o que confirmas as tendências de ser infiel dele) a cena seguinte aparece Anthony em sua casa com os olhos fechados e sua mulher dormindo ao lado (o que indica que era imaginação dele).
    Na seguinte cena o Adam vai até a casa da mãe em busca de explicações (ai vem outra cena memorável que é a dos blueberrys no qual ele diz que não gosta e a mãe afirma que que ele gosta, indicando que ele estava reprimindo as memorias tentando escapar da pessoa que ele é) outra parte interessante é a que a mãe faz algumas referencias questionando a fidelidade dele (novamente).
    A conclusão a partir dai é que Anthony na verdade é o professor de historia e a esposa gravida passa a fingir pra tentar ajudar ele.
    Na cena seguinte Adam se encontra com Anthony novamente e tem um embate no qual diz que eles iriam se separar para sempre (o que significaria uma declaração de guerra na mente dele contra as partes ruins dele).
    Agora começa o que acredito ser a vida real dele em que ele vai a suposta casa do Anthony e lá tem um dialogo com o porteiro que menciona que a chave do strip club mudou e que uma nova chave foi enviada (a partir dai ele passa do apartamento aparentando estar descobrindo sobre o lugar pela primeira vez e ja dentro do apartamento ele acaba encontrando a foto rasgada com a qual ele usou pra comparar logo no inicio do filme com uma diferença que ele está abraçado com a esposa gravida).
    Enquanto isso Anthony tenta se dar bem com a suposta namorada de Adam.
    Em seguida temos a cena em que a esposa gravida pergunta como foi o dia na escola, o que reforça nossa teoria.
    Agora começa cena chave no qual a namorada nota uma marca do anel no dedo do ‘Anthony’, curiosamente o ‘Adam’ acorda no mesmo momento e a esposa vai conforta-lo dizendo que o perdoa, uma discussão começa no carro com Anthony e a suposta namorada, após apertar a mão da esposa gravida a discussão no carro piora e acaba em um acidente (na janela quebrada do carro nota-se uma espécie de teia de aranha).
    Dai em diante acredito que ele conseguiu se livrar da parte negativa dele, a esposa o perdoou e acredita que ele não vai ser infiel a ela mais.
    O dia amanhece e se ouve no rádio sendo noticiado um acidente (ele desliga o radio antes de mais detalhes), enquanto isso a esposa toma banho e ele encontra o pacote que foi entregado no inicio, ele abre e encontra uma chave, em seguida ele pergunta se ela tem algo pra fazer a noite porque ele tem que sair.
    Ai vem a tão memorável cena final, na qual tem uma aranha no lugar da mulher dele, mas ai vem a pergunta: qual o significado da aranha?
    A aranha representa a mulher e a maneira que ele a vê (o que confirma o fato de ele ser infiel e não estar preparado para ter uma família), a teia de aranha representa o fato de ele se sentir preso no casamento.
    Agora relembrando, no inicio do filme presenciamos ele no strip club e uma aranha sendo esmagada o que simboliza a traição sobre a esposa.
    As cenas com a mulher com cabeça de aranha são seguidas de uma mulher bem atraente num corredor, o que simboliza novamente a traição.
    No final a chave que ele recebe significa a tentação de trair, a esposa ter ser vista como aranha se refere ao fato de ela ser ‘esmagada’ e ele ter a oportunidade e não conseguir resistir a tentação e acabar esmagando-a (o que lembra uma cena no inicio no qual ele diz que é um ciclo que se repete durante a historia se referindo aos erros que ele acaba cometendo novamente)
    Ou seja o ‘Enemy’ do titulo do filme, é ele mesmo, sua infidelidade, seu desejo e incapacidade de manter um relacionamento fiel.
    Crédito a explicação,
    cleisson.”

    • Lucas
      2 de novembro de 2014 às 19:20

      Simplificando e resumindo o que entendi. Os 2 são a mesma pessoa, tal coisa que é reforçada pela cicatriz, penteado/barbas idênticas, indiretas da mãe, bla bla. O homem, no caso, é um professor, que tenta atuar nas horas vagas (e que tem probleminhas na cabeça). Sua casa verdadeira é a do “ator” (até mesmo por que, um professor de universidade não moraria em um apartamento simples como aquele outro). No caso, o outro apartamento, é somente um lugar de refúgio, onde ele se encontra com a amante. A aranha, e a coitada da aranha, é levada em comparação com sua esposa grávida, como uma vítima da promiscuidade do rapaz. Só que mesmo depois que você pensa que entendeu, e tenta relembrar o que viu, ainda ficam pontas soltas.

  10. Valnei
    29 de junho de 2014 às 1:10

    Alessandra, salve! Gostei do seu texto e o filme me agradou bastante. Na verdade, eu já estava preparado para gostar de um jeito ou de outro porque o tema do “duplo” me instiga. Porém, o desfecho foi uma porrada emocional porque tenho aracnofobia. Se alguém tivesse sugerido a descrição da cena, duvido que eu teria assistido. Abs, V.

    • 6 de julho de 2014 às 23:31

      Cristian e Luciana (ou Cleisson) trouxeram elucidação sobre este filme. O texto deles faz muito sentido. Parabéns pelas interpretações de filme complexo.

  11. Giovana
    2 de julho de 2014 às 21:28

    vi o filme hoje e simplesmente a cena final me deixou em choque. corri na internet pra procurar críticas e comentários sobre o filme. nossa a sua crítica me ajudou muito. depois li o comentário da luciana e aí pirei de vez. muita coisa pra pensar e organizar. caramba.

  12. Marcus
    3 de julho de 2014 às 18:03

    Mais uma vez por aqui pra conferir suas observações, e como sempre bem esclarecedoras.
    Um filme bem complexo, como a tempos não assistia, mesmo confuso gostei do resultado. Sua estética, desde a fotografia, como as tomadas em ambientes de meia-luz, bem como da cidade e seus arranha-céus, e a trilha pesada como você disse.
    Mas muitas perguntas ficaram no ar, a aranha foi a principal pra mim, o que significara simbologicamente? Um medo?
    Quanto as teses da existência ou não de outro individuo exatamente idêntico, fiquei com a impressão desde a conversa “dele” com a mãe, que eram a mesma pessoa e não existe um “clone”, a forma que a “amante” reage durante o sexo quando está com o “ator” é bem parecida com as que ocorreram no início do filme com o “professor”, e talvez tenham sido pela mesma razão. e na cena com a esposa grávida na cama, ela ao perguntá-lo sobre a escola, é outro ponto que na minha opinião ratifica que o cara sofre é de parafuso frouxo…
    Tenho percebido um ano de 2014 tão fraquinho de produções, que confesso que esse foi um dos que mais gostei de assistir, apesar das dificuldades…
    Grande abraço!

  13. 7 de julho de 2014 às 21:06

    Lendo todos as opiniões acima, acho que o que entendi foi algo assim…

    É o mesmo cara, com dupla personalidade. É o Anthony sendo o Adam.

    Ele é professor de história, e também tenta a carreira como ator, mas há 6 meses não atua (na conversa com sua mãe, ela diz que ele deveria parar de tentar ser ator de 3å linha).

    O acidente de carro no final do filme, foi invenção da cabeça do Anthony, para marcar o fim do relacionamento com Mary. Essa cena acontece no mesmo momento em que eles (Anthony e Hellen) fazem sexo no sofá.

    A aranha no final do filme é Hellen, que sente-se acuada quando vê Adam/Anthony…ela fica fragilizada diante de nova possibilidade de traição do marido.

    Dúvidas >
    Ele de fato, é Adam ou Anthony?
    Enquanto ele se relaciona com Mary, onde está Anthony, marido de Hellen?

    Quando Adam está indo ao condomínio onde Anthony mora, apesar do portão principal, o que ele vê é o próprio prédio onde ele mesmo (Adam) mora, com duas torres modernas atrás que destoam totalmente da arquitetura local, e que não é onde Anthony e Hellen moram. Em outra cena aérea deste local, as torres não estão mais lá. wtf?

    Percebi que o quarto em que Anthony leva Mary é o mesmo em que Adam e Anthony se encontram antes (nº 221 – e não sei exatamente o que significa). wtf?

    No final, quando Adam está com Hellen, ele diz prá ela “Ela não pode mais me ver”… e a Hellen diz “Sim, eu também”. wtf?

    Acho que não entendi porra nenhuma…

  14. Fabiana Fanticelli
    8 de julho de 2014 às 11:39

    A Luciana é demais para mim o comentário dela corroborou com o que eu havia entendido do filme, porém ainda carrego dúvidas com relação ideia que Saramago que passar no livro: clone, irmão gêmeo ou dupla personalidade?

  15. 14 de julho de 2014 às 13:52

    Excelente a sua crítica, como sempre.

    Eu só não gostei tanto quanto você do filme, ainda que tenha sim gostado dele, por conta de não ter lido o livro de Saramago. O filme me deixou com vontade de ler o livro, mas apenas para me aprofundar um pouco mais nos mistérios o que, como voc~e citou no texto, não deveria ser bem assim. Filmes baseados em outras obras devem por si só serem autoexplicativos, concordo.

    De qualquer forma, gostei da atuação de Jake, gostei das loiras🙂 e achei um bom filme, daqueles que nos deixam a pensar sobre ele por mais algum tempo.

  16. Felipe Cruz
    16 de julho de 2014 às 11:09

    Gente, pra constar… no prefácio do livro esta registrado que o fato nao se trata de clonagem, o que elimina essa hipótese… Porem, lendo sobre o assunto clonagem, constatei que animais clonados não tinham necessariamente a mesma personalidade… isso reforça, ainda a tese (de freud, eu acho) de que o ser humano é moldado pelo meio em que vive… O que sinto, após ver o filme e os comentários dos colegas aqui é que a estória do filme está ao mesmo tempo tão perto e tão distante do ambiente de Saramago no livro,

  17. Eladio
    22 de julho de 2014 às 12:28

    Ao contrário do que costumo fazer, primeiro vi o filme para depois ler o livro.
    O filme deixa mais dúvidas do que certezas: a incerteza sobre a origem da duplicidade (clonagem/transtorno dissociativo), a ambiguidade dos diálogos e as (malditas) aranhas.
    Essa marca é exclusiva do diretor, pois na obra de Saramago não há dúvidas quanto a serem duas pessoas distintas, não há ambiguidade ou aranhas.
    Essa é minha quinta leitura de Saramago e todas elas possuem uma marca comum: ele parte de uma situação inexplicável/absurda para desenvolver as consequências disto para as pessoas e seus relacionamentos. É assim com a cegueira branca de Ensaio sobre a cegueira, a suspensão da morte num país fictício de As intermitências da Morte ou sua própria visão dos evangelhos em O Evangelho segundo Jesus Cristo. Ele impõe a situação e pronto! O que interessa é o que vem depois e que ele desenvolve magistralmente.
    Voltando ao filme, parece que a intenção do diretor é trazer desconforto: seja pelo amarelado das cenas, da trilha sonora incômoda, por evidenciar a vida monótona e repetitiva que o protagonista vive (como muitos de nós), com a vida dupla do antagonista, da incerteza provocada pela ambiguidade dos diálogos, pelo final inconclusivo ou pela inserção das aranhas no início, meio e fim do filme. Aliás, o filme termina antes do final do livro, justamente porque este último eliminaria muitas das interpretações dadas pelos comentários anteriores.
    Enfim, apesar do mérito de suscitar questionamentos (e levar muita gente a ler o livro), como obra isolada, (na minha opinião) o filme deixa a desejar por exagerar no aspecto non-sense que, ao invés de ser utilizado como expressão artística, parece mais uma tentativa de torná-lo uma obra “inteligente demais” para ser entendida. Mesmo assim, vale a pena para quem busca fugir dos blockbusters hollywoodianos.
    Obs.: Para quem gosta do tema, a seguir partirei para mais uma dupla livro/filme: O DUPLO, filme com Jesse Eisenberg, inspirado na obra de Dostoievski.

    Um abraço a todos!

    Eladio

  18. Ingo
    4 de agosto de 2014 às 16:11

    Acho que o filme dá a liberdade para o espectador pensar que os personagens são ou não a mesma pessoa. Porém, não consegui entender a representação da aranha. Me parece que ela tem um papel crucial na interpretação do filme, pois aparece várias vezes, mas não consegui entender. Será que Adam, na intenção de ir no clube, já deixou de lado sua mulher? Adota o clube, representado pela aranha, como companheira. E, assim, passa a ser igual Anthony. Pode até ser, mas não estou satisfeito. Parece simplista demais esta interpretação.

  19. priscila oliveira
    16 de agosto de 2014 às 11:36

    vcs esqueceram de um detalhe importante do filme…a foto do porta retrato é a mesma foto que adam tem em casa recortada com apenas a imagem dele!!! como vc explicaria isso?

  20. 24 de agosto de 2014 às 18:46

    Bem legal seu texto e sua interpretação Alessandra!
    Baixei o filme meio que sem querer, não sabia que era inspirado na obra de Saramago!
    E fiquei cheio de pontos de interrogação no final!

    Parabéns!

  21. Robocop
    30 de agosto de 2014 às 1:53

    Se formos pragmáticos, usarmos o senso comum e não tentarmos passar por “iluminamos” com visões de algo que não aconteceu, veremos claramente que são duas pessoas diferentes embora fisicamente idênticas e no final embora muita gente parece não acreditar é que sim a mulher gravida sabia que não era o marido que estava com ela e sim o Adam pois ela disse “como correu teu dia na escola?” e ele “o quê?” “esquece fica”, ou seja ela tá a dizer que sabe que ele é o Adam e que mesmo assim quer ter sexo com ele tando gravida de outro, mulherzinha nojentinha isso sim lolol

  22. 20 de outubro de 2014 às 12:45

    Li todos os comentários acima, sobre “O Homem Duplicado”, e concordo com vários. Acho, primeiro, que mesmo que as adaptações sejam muito fiéis, livro e filme sempre serão objetos diferentes. Dai, não perceber muito do universo do Saramago nesse filme, ainda que o roteiro seja baseado em obra sua. Descarto, desde o início, a hipótese da clonagem — não se trata de um filme de ficção. Acho que tem mais a ver pensar que se trata de uma única personagem se debatendo num jogo duplo, com total conhecimento da mulher (Helen), desde o início; ao contrário da amante, que só conhece a “face” Adam da personagem. É o mesmo homem buscando se duplicar para fugir de uma rotina cada vez mais angustiante e perversa, sem muitas alternativas. A aranha, que na vida real é a que tem total controle sobre a vida do macho, a quem devora após a cópula, talvez simbolizasse exatamente esse controle, essa impossibilidades de um horizonte mais amplo fora do relacionamento. Enfim, esse filme dá margem a múltiplas abordagens. Todas válidas.

  23. 24 de outubro de 2014 às 2:59

    Ótimo texto, pra quem não estar acostumado a ver filmes assim, fica louco, foi o caso do meu irmão, até agora me perguntando sobre a aranha, rsrs

  24. 3 de novembro de 2014 às 16:18

    As frases do professor, no começo da aula, ele é citado 2x vezes no começo do filme e completado com um outro pensador. Aquilo é quando você procura liberdade e buscar mais que conhecimento, abusar do seu limite, se você pode ter uma, porque não duas vidas? Eu estou louco ate agora, não sei o que dizer ao certo, queria poder assistir novamente só para trazer aquele comecinho de filme e tentar ajudar no que queria mostrar do que entendi do filme. Mas uma duvida, foi baseado em um livro certo? E este livro, tem continuação? Obrigado.

  25. Caroline
    23 de novembro de 2014 às 1:25

    Nossa acabei de ver o filme e vim buscar comentários sobre o mesmo, por causa do final com a aranha, também fiquei confusa. Mas com certeza Anthony e Adam são a mesma pessoa, a própria esposa grávida dá pista disso quando pergunta ao Adam como foi na escola e a mãe dele também deu a enteder isso e as duas também sabem sobre o transtorno dele. Agora só fiquei na dúvida se o Adam criou o Anthony ou o Anthony criou o Adam. Muito boa sua crítica!!!

  26. Caroline
    23 de novembro de 2014 às 1:45

    Parando pra pensar, entedi a parte sobre a aliança onde a ‘namorada’ se assusta com a marca. O filme mostra dois momemtos em que se fala de tempo, meses, quando Asam descobre sobre o ator e vai ao tal prédio e o porteiro informa que há 6 meses que não ele aparecia como Anthony lá, e quando encontra a grávida, que o Adam pergunta com quantos meses ela esteva e a resposta é 6, ou seja, o tempo conscide, dando a entender que o personagem está a seis meses vivendo como Adam fazendo com que não houvesse marca de aliança nos dedos, visto que ele é solteiro, a partir do momento que ele se “descobre” no filme indicado pelo amigo, volta a lembrar sobre a outra vida que a de Anthony, ou seja, Adam volta a usar a aliança. E enquanto o filme rola ele está vivendo como Adam e Anthony ao mesmo tempo, fazendo com que exista a marca da aliança que será descoberta no seu último encontro com sua ‘namorada’, que na verdade é amante, mas que ela não sabe sobre isso. Eles são a mesma pessoa!

  27. alexandro
    6 de dezembro de 2014 às 21:17

    Na última cena quando a aranha gigante aparece eu tomei um susto , quase tive um infarto!!! Interessante são os comentários com várias interpretações! Fiquei muito confuso!
    Bem, como 2 corpos não ocupam o mesmo espaço, logo são 2 seres diferentes! A interpretação da aranha é bem complicada mesmo, mas acho que significa traição!

  28. Célio F
    7 de dezembro de 2014 às 5:17

    Pow! Acabei de comentar no grupo de amigos (Whatsapp) para não assistirem o filme, porém lendo os comentários aqui, me identifiquei com várias opiniões.

    Meu ponto de vista é igual o do Chrystian!

    Tenho só a acrescentar e reforçar (comentário dele), quando a mãe vai dar aquela mijada nele, ela cita justamente o q? “…deixe de tentar ser esse ator de terceira…”, então creio q isto fortifica o comentário onde AMBOS SÃO A MESMA PESSOA!

    Show! Irei comentar no meu grupo e desafia-los entender o filme.

    Parabéns o Blog! Parabéns pelo interesse da galera em entender e compartilhar!

    Quem indica outros filmes parecidos?

  29. Caroline
    24 de janeiro de 2015 às 19:47

    Olá! Achei muito interessante. Foi exclarecedor. Porém houve um ponto intrigante e não comentado: a foto. Ela aperece em dois momentos importantes, a primeira vez é quando Adam se compara através do computador na casa dele e a outra é quando ele está na casa de Antony e vê a mesma foto “inteira” no porta retrato na estante. Ou seja, será que ele já teve um relacionamento com Helen? Nos responda com seu ponto de vista! Obrigada!

  30. Gláucia Candido Ferreira
    29 de março de 2015 às 14:05

    Olá, assisti duas vezes o filme para tirar minhas dúvidas e depois vim procurar na internet sobre o assunto, mas você não pegou um detalhe muito importante que revela que os dois eram a mesma pessoas “o óculos”, sabe aquele óculos que o professor compra quando decide ir até o trabalho do ator? Um óculos de mulher, então, antes mesmo de um visitar o outro, esse óculos comprado pelo professor para disfarçar aparece na mesa da casa do ator, ele está na mesa ao lado do telefone, a cena dura poucos segundos e é muito difícil de perceber, o ator está sentado em uma cadeira e a mulher grávida está deitada dormindo no sofá, entre eles há uma mesinha com um telefone e o óculos bem na frente, dê pause nesse momento e irá perceber.
    Abraço.
    Gláucia.

  31. Luciana Andradd
    29 de abril de 2015 às 20:20

    Olá! Fiquei um pouco confusa ao final do filme.. Recorri ao livro mas, em meio ao êxtase passando as páginas em busca de respostas, acabei solucionando de fato muitas dúvidas aqui. Dentre minhas buscas (no Google onde encontrei esse espaço) percebi que perdi o início do filme e por esta razão não me situei ao final da trama. Rsrsrs Mas, deixado de lado este pequeníssimo detalhe, tal qual ensaio sobre a cegueira como mencionado em comentários aqui, tive a boa sensação de inquietude sobre nós, indivíduos, e as relações humanas. Não como sendo uma exímia leitora de Saramago mas, jamais, um filme será tão bem a representação de um livro.
    Achei excelente e pretendo assistir mais vezes para ter novos olhares, reinterpretações e desvendar, talvez, o questionamento da mãe não só quando fala na suposta “atuação” de Adam em filmes de terceira linha mas também quando neste mesmo momento ela oferece (se bem me lembro) a sobremesa de blueberry afirmando após negação do próprio que ele gostava sim (quando em cena anterior seu sósio cobrava a Helena as blueberrys orgânicas).

    • Luciano
      5 de junho de 2015 às 18:31

      Se eles são a mesma pessoa, como poderia ter acontecido o acidente com a morte dos dois? É o acidente aconteceu de fato, pois apareceu no rádio…. A mãe dele lidou vacina tranquilidade sobre o assunto do outro irmão. Ela sabia e o ator tbm demonstrou saber.
      O professor é um cara triste e assustado e seu irmão é arrojado e moderno.
      A infeliz da aranha é que é a zica!!! Fica na cabeça do professor toda hora. Então fica nos induzindo a achar que são a mesma pessoa…
      Gosto de filme que nos faça pensar, mas que tenha uma conclusão pra se achar… Nesse caso, fica impossível decretar uma só conclusao, pois existem coisas inviáveis em ambos pensamentos…..

  32. Bruno
    9 de junho de 2015 às 2:07

    Acredito que o filme também fale de viagem no tempo, em que o ator do futuro volta ao passado, passa a trabalhar como figurante até ser encontrado pelo ator do futuro, vide a cena que sua esposa deitada no sofá diz saber o que está acontecendo, diz sabe do que se trata e que ele também sabe, a cicatriz refuta a teoria de eles serem irmão gêmeos ou clones, já que é uma característica adquirida.

  33. Bruno
    9 de junho de 2015 às 2:09

    Correção, até ser encontrado pelo ator do presente.

  34. Bruno
    9 de junho de 2015 às 2:13

    Acredito também que o ator que veio do futuro está interagindo com a mãe, por isso ela sabe do “novo” apartamento, da mulher grávida e da profissão de figurante.

  35. Vinicius ezequiel
    28 de outubro de 2015 às 4:26

    é interessante salientar que quando o suposto ‘adam’ da a mãe para mulher de ‘anthony’, ele não está usando aliança e nem há marca dela em seu dedo… reforçando a ideia(ideia principal) de eles são duas pessoas distintas…mas se por acaso eles são a mesma pessoa, pq apenas naquela exata noite a namorada de adam percebe que ele tem uma marca de aliança no dedo e nunca percebera antes? na minha conclusão a intenção do autor era deixar vago o entendimento do filme, que de tão ambíguo não necessariamente tem uma unica explicação… infelizmente no meu ponto de vista essa ambiguidade na conclusão da história fez o filme deixar de ser excelente, pq talvez na cabeça do autor não exista também uma explicação. Tornando , para o expectador, um filme ambíguo de enredo inconclusivo, que deveria ser o ‘tesouro a ser descoberto’. Porém infelizmente é um tesouro que deixa de existir já que ele não existe, já que não existe conclusão exata para a história :p

  36. Vinicius ezequiel
    28 de outubro de 2015 às 4:28

    corrigindo, mãe não, mas sim mão* .

  37. 6 de março de 2016 às 21:16

    Eis aqui a teoria mais pertinente e que não deixa nenhum detalhe de fora:

    Os dois são a mesma pessoa,porém podemos dividir os personagens em passado e presente.Muitos diálogos entregam isso,principalmente a conversa com a mãe.Resumindo.Anthony trabalhava como ator,tinha uma vida mais despojada,gostava de cuidar da saúde e traia muito a mulher até sofrer um acidente de carro.Sobreviveu,perdeu a memória e só restou uma cicatriz de sua antiga vida.Assumiu uma nova personalidade Adam,com hábitos totalmente reversos a como era.Por isso quando ele liga a primeira vez sua esposa pergunta se tinha voltado pra casa,o reconhece na faculdade e ele não,ele sempre acorda com lembranças do “Anthony”.Pra mim a aranha simboliza as mulheres em sua vida de Anthony (mãe,amantes e esposa) e no final quando ele descobre a verdade segurando a chave vê a aranha acuada e então sorri.”O caos é uma ordem ainda indecifrada”. ou podemos lembrar da citação de Marx no filme “a história na primeira vez foi uma tragédia e na segunda uma farsa”

    Agradecimentos Gilmar, o mito. Nosso garoto.

  38. ISV
    29 de abril de 2016 às 19:48

    Sim, o Anthony perseguiu a Mary até ao trabalho, mas se repararem bem na cena que ela atravessa para o outro lado da rua à frente da mota dele, ela não o vê, está a olhar para trás dele para ver se não há trânsito e não liga nenhuma ao condutor e à mota.

  39. Wlademir
    10 de agosto de 2016 às 23:26

    Nossa adorei a crítica.

    Vc tem face pra seguir as próximas?

  40. Sofia
    7 de setembro de 2016 às 5:33

    O nome original é “o homem duplicado” ao adaptar pro cinema trocaram o título.

  1. 14 de julho de 2014 às 19:49
  2. 21 de dezembro de 2014 às 23:05
  3. 3 de dezembro de 2016 às 19:33

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