Whiplash – Whiplash: Em Busca da Perfeição


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Ninguém vai ser bom, na atividade que for, se sempre for elogiado e adulado. Isso é fato. Alguém só consegue ser diferenciado se for cobrado, empurrado para ser melhor e, ele(a) próprio(a), preferencialmente, ser um(a) grande crítico(a) de si mesmo(a). Whiplash discorre sobre este tema, faz pensar sobre a educação caótica que temos no Brasil, mas também leva a lição ao extremo. Um filme delicioso tanto pela trilha sonora quanto pelo roteiro, mas que exagera um pouco em certa dose. Ainda assim, é ótimo de ser visto porque acerta no elenco e na narrativa, além de fazer pensar. Tudo o que desejamos em um bom filme.

A HISTÓRIA: Som de bateria. Cada vez mais forte e mais rápido. Quando o som para, vemos a Andrew (Miles Teller) no fundo de um corredor, sentado na frente de uma bateria. O resto é silêncio. Aluno de primeiro ano de uma das melhores escolas de música dos Estados Unidos, Andrew está treinando até tarde. Ele recomeça, e a câmera vai se aproximando. Ele está concentrado, por isso demora para perceber a aproximação do ídolo e professor mais admirado/temido da escola, Fletcher (J.K. Simmons). O garoto pede desculpa, mas Fletcher quer saber o seu nome. Ele se apresenta, e acaba tocando para Fletcher escutar. Ali apenas começa a relação conturbada dos dois.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso só recomendo que continue a ler quem já assistiu a Whiplash): Quem acompanha o blog há mais tempo sabe que sou louca por música. Minha outra paixão junto com o cinema. Bem, também sou louca por boas leituras. Mas replicando a frase de Nietzsche, “sem música a vida não faria sentido”. Já tive a sanidade preservada inúmeras vezes graças à música.

Dito isso, é uma satisfação encontrar pela frente um filme como Whiplash, porque esta produção dá o devido protagonismo para a música. Ainda que ela seja apenas uma desculpa para o argumento principal desta história: a importância de cobrar eficiência máxima de quem quer aprender ou se aperfeiçoar em algo. Ninguém é ou será grande se não for muito exigido. Isto é fato, e bem explorado nesta história envolvente com roteiro e direção de Damien Chazelle.

O realizador não perde tempo. Ele logo nos apresenta o som que vai embalar o filme, o protagonista e o alvo que ele quer agradar a qualquer preço. Não há tempo a perder. Afinal, precisamos entrar fundo nas ambições de Andrew e no preço que ele está disposto a pagar para ser grande. Com diálogos precisos e diretos, Whiplash vai logo no cerne da questão: qual é o limite das exigências para impulsionar alguém a ser bom? E até que ponto esta cobrança é benéfica ou apenas a manifestação de um sadismo de alguém que está em posição de ensinar e orientar quem está aprendendo?

Estas são questões pertinentes e atemporais. E ao optar por enfocar a música e o jazz, Chazelle consegue fazer o roteiro de Whiplash ganhar em ritmo e em interesse. Afinal, além da história que está se desenrolando na nossa frente ser interessante, temos boa música para embalar os minutos que vão passando. Fórmula quase perfeita.

Interessante Chazelle tocar neste assunto da educação e da orientação de talentos em um mundo com tantas disparidades na condução destes temas. Enquanto em alguns lugares a cobrança de ótimos resultados é constante, em outros o descaso com a qualidade da educação é endêmico. Infelizmente estamos no segundo caso. Bravos professores e professoras seguem se dedicando em ensinar, mas muitas vezes tem as expectativas de um bom ensino frustradas quando se veem obrigados(as) a passar gente sem condições de aprendizado para dar o passo seguinte.

Mais cedo ou mais tarde estas pessoas sem preparo são selecionadas no mercado de trabalho. Isso tende a ser verdade. Mas e aí o que vai acontecer com elas? Não será tarde demais para consertar erros na condução da educação destas pessoas que deveriam ter sido revistos antes? Estes assuntos me preocupam há tempos. Pessoalmente, tive uma educação boa. Mas tenho a convicção que o ensino dos meus pais foi mais completo e que, se eu tivesse filhos, e eles estivessem em escola pública, a educação deles seria bem pior que a minha.

Claro que nem tudo depende dos mestres e das escolas. Os pais precisam fazer o seu papel. Mas ninguém substitui ninguém. O protagonista de Whiplash sabe disso. Ele admira e ama o pai, mas o caminho que ele escolheu para si é diferente. E ele decide que será grande e que, para chegar lá, precisa aprender com os melhores. Mais que isso, com o melhor: o músico e mestre Fletcher.

Interessante o filme tratar deste assunto, da aspiração de um jovem em ser um dos melhores do mundo, em uma era em que todos parecem querer ser os melhores. O problema é que, e a maioria destas pessoas vai descobrir isso apenas com o tempo, poucos tem talento para se tornarem referência em uma área. Quanto mais em tornar-se lenda, a exemplo dos nomes citados na produção – como Charlie Parker, conhecido como Bird.

É preciso muito esforço, suor e algumas vezes sangue mas, e isso é inquestionável, um talento fora do comum. Bacana o filme mostrar e equilibrar isto. Afinal, Andrew faz a sua parte, se esforça muito além do razoável, mas o roteirista dá a entender que, mesmo assim, ele será apenas muito bom. Não excepcional. De qualquer forma, perto do fim, fica evidente que ele arranca admiração do ídolo, Fletcher. E para o rapaz, isso já é mais que o suficiente.

Levantar este tema, mostrar o quanto é dura a vida atrás da excelência em uma era em que todos querem ser ótimos, mas poucos conseguem ultrapassar a fronteira de serem bons, é um dos grandes méritos de Whiplash. Bem filmado, com um roteiro envolvente e atores interessados em se entregarem em seus respectivos papéis, este filme só peca por algumas escolhas um tanto pueris. Vejamos.

Para começar, Andrew parece um garoto mimado que mal saiu da casca do ovo. Ele segue fazendo programas de um adolescente, como assistir a filmes com o pai, ao mesmo tempo que pensa em ser um músico excepcional e que vai entrar na História por seu virtuosismo. Hummm… me pareceu um pouco frágil esta construção do personagem. Acredito que um garoto com um pouco mais de experiência teria convencido melhor como um sujeito disposto a tudo pelo estrelato, ou um jovem inexperiente teria convencido mais se tivesse titubeado repetidas vezes e fraquejado em mais momentos da história.

Além disso, fica difícil de acreditar que outros alunos, inclusive naquela insana sequência da troca constante de três bateristas, não teriam enfrentado Fletcher em algum momento. Por mais que ele fosse excelente e todos quisessem agradá-lo, o nível de cobrança dele passou dos limites em mais de uma ocasião e renderia facilmente tanto confronto direto quanto indireto através de processos ou queixas. Ignorar isso para dar ritmo ao filme é uma escolha que funcionou, mas que também incomoda.

Para finalizar, difícil acreditar também em outros dois trechos do filme. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Para começar, é preciso muito boa vontade para acreditar que Andrew conseguiria se levantar e correr até o local da apresentação depois do acidente de carro que ele sofre em Dunellen. E que ele teria esta como preocupação principal e não ir para um hospital. Mas ok, vamos seguir a linha de raciocínio de desejo insano de aprovação do rapaz vendida pelo diretor e roteirista.

Agora, tão ou mais difícil de acreditar no gesto de Andrew, é pensar que Fletcher aceitaria um sujeito ensanguentando e que poderia desmaiar a qualquer tempo na posição de baterista em uma apresentação importante. Some-se a isso a história bonitinha mas sem grande finalidade prática entre Andrew e Nicole (Melissa Benoist) e a parte final do filme, quando fica evidente que Andrew está caindo em uma cilada, e temos os elementos que enfraquecem um pouco o potencial do filme. Pequenos pecados, mas que não comprometem a essência desta obra.

NOTA: 9,3.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Não lembro de ter visto Miles Teller em ação antes. Gostei do trabalho deste ator que parece ser mais novo, mas que está prestes a completar 28 anos no dia 20 de fevereiro – dois dias antes da entrega do Oscar 2015. Natural da Pennsylvania, nos Estados Unidos, Teller tem apenas 10 anos de carreira.

Ele estreou no curta Moonlighters em 2004, fez outros dois curtas e só estreou em um trabalho maior com a série de TV The Unusuals em 2009. O primeiro longa-metragem dele para o cinema foi Rabbit Hole, de 2010. Mas este ano ele deve bombar, estrelando cinco filmes – após um 2014 bastante produtivo também, quando ele apareceu em quatro produções.

Ainda que Teller esteja ótimo em Whiplash, ao ponto dele merecer ser acompanhado daqui por diante, J.K. Simmons quase sempre rouba a cena. Aliás, eis entre os dois a parceria perfeita, com desempenhos muito dinâmicos e equilibrados. Natural de Detroit, no Michigan, Simmons completou 60 anos no dia 9 de janeiro e chega a sua primeira indicação a um Oscar tendo 147 filmes, curtas e séries de TV no currículo – sendo que seis destes trabalhos ainda sairão do forno. Um ator que já fez praticamente de tudo e que, volta e meia, mostra como é bom.

Os usuários do site IMDb deram a nota 8,7 para Whiplash. Uma ótima avaliação levando em conta o padrão do site. Os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 224 textos positivos e apenas 11 negativos para o filme, o que lhe rendeu uma aprovação de 95% e uma nota média de 8,6. Avaliações muito boas também.

Caros leitores, corri para escrever este texto. Deixei vários pontos para serem comentados em outro momento. O mais breve que eu conseguir. Até logo.

Beleza. Vamos voltar a Whiplash. Ainda que este filme seja baseado na velha premissa de duelo entre dois atores, sendo um pupilo e outro o mestre, alguns intérpretes também ganham certa relevância pela parte que eles ganham na história. Paul Reiser interpreta Jim Neimann, pai de Andrew e uma figura na qual ele se apoia sempre que necessário – ele também reforça a imagem de “garotão” do filho; Melissa Benoist faz as vezes de Nicole, uma garota que ainda está descobrindo o que quer fazer da vida, o que contrasta com as convicções artísticas de Andrew; Nate Lang se sai muito bem como Carl Tanner, o melhor concorrente do protagonista para a posição de baterista; e Austin Stowell é o outro concorrente para a posição, o mais novato Ryan. Esses são os atores principais que giram em torno de Teller e Simmons, mas ainda há aparições de atores veteranos em papéis ainda menores, como Chris Mulkey como o tio Frank.

Da parte técnica do filme, menção especial para a trilha sonora fantástica de Justin Hurwitz, para a direção de fotografia precisa de Sharone Meir e para a excepcional edição de Tom Cross. Especialmente o primeiro e o terceiro itens são fundamentais para a qualidade de Whiplash. A equipe de 18 profissionais envolvida com o departamento de som também é fundamental para o filme.

Whiplash estreou em janeiro de 2014 no Festival de Cinema de Sundance. Em maio ele chegaria no Festival de Cinema de Cannes. Depois, o filme participaria ainda de outros 37 festivais por diferentes países mundo afora. Nesta trajetória o filme conquistou 54 prêmios e foi indicado a outros 78, incluindo a indicação em cinco categorias do Oscar 2015.

Entre os prêmios que recebeu, destaque para o de Melhor Ator Coadjuvante para J.K. Simmons no Globo de Ouro 2015; para dois prêmios no Festival de Sundance, incluindo o de Melhor Filme Drama segundo os jurados e outro para Damien Chazelle dado pelo público; para o de Melhor Novo Diretor para Damien Chazelle no Festival Internacional de Cinema de Valladolid; e para os dois prêmios recebidos no Festival Internacional de Cinema de Santa Barbara, um para Damien Chazelle, outro para J.K. Simmons.

Por falar em Chazelle, vale comentar que este diretor nascido na cidade de Providence, em Rhode Island, nos Estados Unidos, tem apenas 20 anos de idade – completados no último dia 19 de janeiro. Ele tem apenas três trabalhos no currículo, estreando em 2009 na direção como Guy and Madeline on a Park Bench. Em 2013 ele apresentaria o curta Whiplash que, em 2014, daria origem ao longa Whiplash. Por isso mesmo, apesar de ser uma obra original, Whiplash é considerado um roteiro de “adaptação” já que foi precedido por um curta com a mesma premissa. Diretor e roteirista muito promissor e que vale ser acompanhado, com certeza.

Whiplash foi rodado nas cidades de Santa Clarita e Los Angeles, ambas na Califórnia, e também em Nova York.

Esta produção teria custado cerca de US$ 3,3 milhões. Ou seja, um filme de baixíssimo orçamento para os padrões dos Estados Unidos. Apenas no país de origem o filme arrecadou pouco mais de US$ 8,6 milhões. Bilheteria baixa, mas que tende a aumentar após as indicações ao Oscar e com o filme chegando aos cinemas de outros países.

Para finalizar, algumas curiosidades sobre esta produção 100% dos Estados Unidos – por isso ela entra na lista de filmes sugeridos por votações aqui no blog. Whiplash foi rodada em 19 dias.

Nas cenas mais intensas na bateria, o diretor não gritava a palavra “corta!” para que o ator Miles Teller pudesse dar tudo que gostaria até o esgotamento.

Nem tudo são flores nos bastidores de um filme. Os atores se entregam e, algumas vezes, se machucam. J.K. Simmons fraturou duas costelas na cena em que Miles Teller o ataca.

Damien Chazelle não tinha conseguido recursos para fazer Whiplash, por isso ele acabou transformando a história em um curta e apresentando o resultado no Festival de Sundance em 2013. Ele ganhou com a produção o Prêmio do Júri de Melhor Curta e, com o dinheiro que recebeu, conseguiu fazer o tão sonhado longa com a história.

Miles Teller toca bateria desde os 15 anos. Algumas cenas em que vemos o sangue dele em baquetas, no filme, são reais. Ele foi até o extremo com o papel. O ator realmente tocou a bateria em todas as cenas. Isso que eu chamo de achar o intérprete perfeito para um papel. Simmons, que também tocou piano, mas no passado, teve que relembrar o instrumento para poder tocá-lo no filme.

Mesmo tendo tocado bateria desde os 15 anos, Teller teve aulas adicionais do instrumento durante quatro horas por dia, por três dias na semana, para preparar-se para protagonizar Whiplash.

CONCLUSÃO: O incentivo à mediocridade é sempre mais danoso que o exagero na cobrança. Disso não tenho dúvidas. O Brasil, por exemplo, está sofrendo com esta política de aprovar a todos nas escolas públicas, independente se as pessoas tem conhecimento o suficiente para ir para a fase seguinte. Este filme trata sobre a busca da genialidade, que é artigo para poucos, e desmistifica que estes gênios chegam lá com um toque de vara de condão.

Esqueçam isso. Só chega ao topo quem luta e se dedica muito, quem tem obstinação por ser o melhor. Neste sentido, Whiplash acerta o alvo com esmero. Bem conduzido, com ótimos atores e bem dirigido, o filme só peca em algumas escolhas do protagonista difíceis de acreditar, assim como com certo exagero no antagonista. Descontados estes detalhes, é um belo filme. Um tanto pueril em alguns momentos, mas que se esforça em passar uma mensagem.

PALPITES PARA O OSCAR 2015: Whiplash é mais um filme interessante que chegou até o Oscar deste ano com um bom número de indicações. Diferenciada e de baixo orçamento, esta produção confirma que a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood sabe sim se renovar – e vem fazendo isso desde 2010. Apesar de ter muitos méritos, acredito que esta produção saia do próximo Oscar com apenas uma estatueta.

Whiplash está indicado nas categorias Melhor Filme, Melhor Ator Coadjuvante para J.K. Simmons, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Edição e Melhor Mixagem de Som. Vou começar pela categoria principal. Não vejo chances de Whiplash ganhar como Melhor Filme.

Comparando com os outros finalistas, ele não supera Boyhood, Selma ou The Imitation Game. Além disso, certamente ele não é o preferido entre os votantes críticos que viram em Birdman um tapa importante na cara do mainstream. Whiplash corre totalmente por fora nesta categoria.

Em Melhor Roteiro Adaptado, ele até tem alguma chance. Meu voto iria para The Imitation Game, e acho que o favorito seja The Theory of Everything. Mas nesta categoria não seria totalmente zebra Whiplash levar – afinal, a adaptação é realmente perfeita. A grande chance está com J.K. Simmons em Melhor Ator Coadjuvante. Dos filmes que vi até agora, apenas Ethan Hawke poderia tirar a estatueta do ator veterano.

Na categoria Melhor Mixagem de Som, o ano está com grandes concorrentes. Whiplash pode ganhar, mas para isso terá que derrubar o excelente trabalho feito nesta categoria em American Sniper, Unbroken e, acredito, apesar de ainda não ter visto o filme, em Interstellar.

Para fechar a conta, o filme corre por fora também em Melhor Edição. Mas não seria uma zebra se ele levasse a estatueta, já que a edição desta produção é impecável. Meu palpite, contudo, é que Boyhood ou The Grand Budapest Hotel levam vantagem nesta disputa. A estatueta deve ficar com um deles. Assim sendo, Whiplash pode até levar três estatuetas, mas a maior chance é mesmo de Melhor Ator Coadjuvante.

  1. Marcus
    2 de fevereiro de 2015 às 10:31

    Estava na expectativa de ver esse filme, além de gostar do tema sou baterista nas horas vagas. E não me decepcionou, embora concorde com você, o filme tem seus excessos, mas mesmo assim nada comprometedor.
    Andrew o baterista promissor do filme tem como grande ídolo o baterista Buddy Rich, considerado o melhor de todos os tempos, sem comparar, mas particularmente quando estudava bateria na adolescência, queria tocar rock, meu grande ídolo era Keith Moon da banda inglesa The Who, digo isso por que me identifiquei muito com esse aspectos do filme, posters na parede, o kit de batera ocupando quase todo espaço do quarto, as aulas e horas de estudos, mas ainda bem com professores nada parecidos como o do filme… rs
    Whiplash, como você bem disse, tem a música como protagonista, mas especificamente o jazz, e ainda está muito bem acompanhada de um elenco muito afinado: Milles antes deste protagonizou alguns “teen movies”, nada que chamasse muito atenção, Divergente foi um deles, e provavelmente com Whiplash sua carreira vai ganhar novos rumos, fez um trabalho excelente, inclusive a divulgada dedicação dos treinos na batera durante as filmagens. Mas depois da música, o principal elemento do filme é Simmons, de cara já somos apresentados ao controverso professor Fletcher, e a relação dele com seus alunos, onde nas devidas proporções nós também acabamos sentindo tanto admiração bem como repulsa pelo mestre. Fletcher , ao meu ver, nunca buscou um gênio na música, se vangloriava inclusive em dizer o destino final de alguns de seus alunos, os quais passavam bem longe do sucesso na música. Na verdade ele regia uma banda onde seu prazer não parecia estar na busca da perfeição, como sugere o subtitulo nacional, seus métodos de violência física e verbal apenas desenvolveriam dois caminhos para seus pupilos, a submissão e/ou desistência, porém, quanto à Andrew, mesmo tendo passado pelas duas, ele termina se revelando um talento nato que ele mesmo esnobara diante das pretensões de entrar na banda de Fletcher, em um último ato arrebatador.
    Na minha opinião Simmons fatura o Oscar como ator coadjuvante merecidamente, embora, como você também disse Hawke merecia também por Boyhood.
    Estou com você, na minha opinião um dos melhores do ano sem dúvida, junto com The Imitation Game, e o meu preferido, Boyhood.
    Grande abraço e parabéns! Tô acompanhando e curtindo toda cobertura que você tem feito dos filmes “Oscarizáveis” deste ano!

  2. 2 de fevereiro de 2015 às 12:06

    Até ao momento só tenho lido grandes críticas a este filme. E quando digo “grandes”, é no sentido de serem muito boas. Tenho visto o actor J.K Simmons sempre em papéis secundários, e mesmo nesses papéis, ele consegue deixar uma marca forte com a sua personagem… espero que com este filme e a sua nomeação passe a ser mais valorizado.

  3. Glicia
    20 de fevereiro de 2015 às 8:22

    Um pequeno comentário : Chazelle tem 30 anos e não 20.

  4. 20 de fevereiro de 2015 às 17:27

    Cara, você escreve bem e bastante, parabéns pelo texto. No tocante ao filme concordo com os buracos que salienta, tais como: Como o baterista consegue entrar e tocar no palco após um grave acidente? Se seguimos a linha de que a musica cura e enlouquece, até podemos deixar passar isso, mas como o maestro deixaria um cara cheio de sangue tocar?

  1. 1 de fevereiro de 2015 às 23:24

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