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Foxcatcher – Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo


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O filme mais estranho que eu assisti até agora da lista de indicados ao Oscar 2015. Foxcatcher é todo estranho. Primeiro, conta a história de alguns atletas de um dos esportes mais marginalizados dos Jogos Olímpicos. Depois, se aproxima de uma tradicional e muito rica família dos Estados Unidos. A junção destas duas realidades parece improvável, e a motivação desta aproximação é ainda mais estranha. Um filme curioso, mas que não passa muito disso.

A HISTÓRIA: Cenas históricas de cavaleiros e amazonas montando a cavalos de estirpe. Muitos são cercados de cães. Corta. Mark Schultz (Channing Tatum) treina sozinho na academia Wexler. Depois de alguns exercícios, ele coloca a medalha de campeão olímpico no pescoço e vai conversar com alunos de uma escola de ensino básico. Ele fala sobre o que faz um atleta ser um campeão. É março de 1987, e Mark ganha US$ 20 por ter falado para os estudantes.

Depois, ele ganha um lanche, aparentemente com diversos veteranos de guerra, e vai para casa comer macarrão instantâneo com molho de pimenta. Ele tem uma vida miserável, e parece estar incomodado com isso. Mas ele tem o irmão, David (Mark Ruffalo) sempre por perto. Tudo isso vai mudar quando entra em cena o multimilionário John du Pont (Steve Carell), que resolve patrocinar Mark e outros esportistas da luta grego-romana.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Foxcatcher): Desde os primeiros minutos deste filme a sensação predominante é de desconforto. Sempre há algo que parece “fora da ordem”. Não por acaso, a expectativa de quem assiste é de algo ruim deve acontecer a qualquer momento. Só não sabemos da onde o tiro vai partir.

Verdade que o título do filme no Brasil não ajuda no mistério. Afinal, “uma história que chocou o mundo” dá muito a entender que haverá um crime em cena. E como o tom de estranheza é constante, não é difícil alimentar a dúvida sobre que um crime ocorrerá a qualquer instante. Esse incômodo, não tenho dúvidas, faz parte das intenções dos roteiristas E. Max Frye e Dan Futterman, assim como do diretor Bennett Miller. Ou para dizer de outra forma, a sensação de um certo gosto amargo na boca é proposital.

A única justificativa para Foxcatcher existir é o desejo dos realizadores de questionar alguns dos baluartes da sociedade norte-americana. Afinal, o estranhíssimo personagem principal desta história John du Pont, encarna diversos elementos daquela cultura e professa valores que parecem corretos, mas que podem ser muito mal utilizados. Vale lembrar que a diferença entre o remédio e o veneno está na dose. E que muitas vezes a aplicação dos conceitos faz toda a diferença.

Com um tom amargo constante, Foxcatcher vai contando histórias de gente desvirtuada e que, aparentemente, não tem limites para a própria ambição. O que fica confuso, para mim, é o quanto os roteiristas tornam confusa a identificação de quem exagera na ambição e de quem apenas é dedicado a um propósito. Pensando bem, agora, ao escrever este texto, talvez essa seja a intenção deles.

Afinal, ainda que não seja fácil de perceber isso o tempo todo, mas há muitos mais tons de cinza – sem fazer alusão ao livro pornográfico – do que o preto e o branco que gostaríamos que predominasse em tantas ocasiões. Sendo assim, du Pont poderia realmente ter algum bom propósito, mas o essencial da conduta dele era de fonte egocêntrica. Através deste personagem, os realizadores querem questionar as famílias ricas e poderosas dos Estados Unidos. Que, volta e meia, mostram o seu pior lado.

Neste ponto é que entra o questionamento sobre a razão de ser de Foxcatcher. Esta é um produção que apenas aborda um crime ainda considerado absurdo por muitos norte-americanos? Ou seria uma forma dos realizadores questionarem a alta sociedade dos Estados Unidos, suas relações de poder e também a falta de apoio para alguns tipos de esporte? Sou mais adepta da segunda versão, ainda que eu não ache a primeira desprezível.

O filme parece ter a intenção de acertar a dois passarinhos com um tiro. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Ao mesmo tempo, matar a curiosidade de muitas pessoas que ainda se lembram do assassinato do campeão olímpico David Schultz, e também levar aquele caso para um outro nível, no qual são questionados os valores, as relações de poder e o ambiente em que as famílias abastadas do país estão fundamentadas.

Acho válido todo filme que aborda o segundo ponto, porque é interessante, ilustrativo e faz pensar o mergulho em realidades segmentadas. O que questiono é utilizar um drama que realmente aconteceu para fazer isso. Afinal, o trabalho de Frye e Futterman conta uma de diversas versões possíveis. Não necessariamente a mais próxima da verdade. Há fatos revelados no filme que acredite terem pouco espaço para dúvida, como a forma com que David é morto. Mas tantos outros detalhes são bastante questionáveis, sem contar os fatos sugeridos e não explicados. Vejamos.

Segundo este filme, Mark Schultz vivia em uma realidade paupérrima, aparentemente descontente com o rumo que a vida dele estava levando, até que surgiu na sua frente John du Pont. Podre de rico, o herdeiro de uma das famílias tradicionais do país resolve bancar o jovem atleta. Por mais que Schultz estivesse insatisfeito com a vida que ele levava, a forma fácil com que ele se muda para a propriedade de du Pont é um pouco difícil de acreditar. Mas ok, vamos levar em conta que os roteiristas não quiseram perder muito tempo com os pormenores.

A produção sugere que Mark estava não apenas insatisfeito com a falta de apoio para ele e para o esporte, mas também com as comparações constantes com o irmão, David, e com certa superioridade que o irmão mais velho poderia ter. Esta é uma forma de encarar a história, mas não é a única. Depois falarei mais a esse respeito.

Pois bem, segundo Foxcatcher, o filme – porque também há o livro homônimo e que não tem nada a ver com esta produção – , Mark não pensa muito em aceitar o convite de du Pont. Interessado em aparecer e em ter poder, principalmente, o multimilionário logo começa a jogar psicologicamente com Mark. Primeiro, ele tenta trazer o irmão David para o grupo. Quando não consegue isso, ele resolve substituir a figura do irmão, afastando Mark de David.

Daí surge um dos primeiros elementos que Foxcatcher questiona na sociedade americana: a ambição. Ela é vista em duas das figuras centrais desta produção – apenas David é semi-poupado na história. Primeiro, em Mark, que, segundo os roteiristas, estaria obcecado em fazer sucesso “por seus próprios méritos”, embarcando naquela ideia de du Pont de que ele deveria sair da sombra do irmão – mais velho e mais reconhecido que ele. Depois, no próprio du Pont, um sujeito estranho que parece estar sempre exibindo o poder emanado pelo dinheiro que a família tem, além de querer ganhar evidência em algo – nem que for na luta grego-romana com a qual ele não tem nenhum approach.

Quando du Pont, superbem interpretado por Steve Carell, resolve ele mesmo começar a “lutar”, chegamos ao extremo da noção patética do personagem no filme. A mãe dele, Jean du Pont (a veterana e sempre ótima Vanessa Redgrave), claramente tem vergonha do filho quando ele se presta a fazer coisas com as quais ele não tem nenhuma intimidade.

Além disso, e aí está um dos problemas do filme, Foxcatcher não deixa claro, mas apenas sugere que du Pont é gay. Isso fica subentendido em diversas cenas que mostra como ele admira aqueles – além da esfera deles serem atletas de elite -, e também em uma sequência que sugere que du Pont e Mark tiveram alguma relação mais íntima. Se ele fosse gay e se sentisse “castrado” pela mãe, que reprovaria um homossexual em uma família tão tradicional, muito seria explicado. Mas esse fato não fica evidente.

O que fica claro é que du Pont se sentia podado pela mãe em diversos sentidos, inclusive ao acreditar que ela amava mais os cavalos de raça e premiados do que ele. Consequentemente, du Pont reage a isso querendo ser um filantropo, especialista em diversas áreas e reconhecido por isso. Não importa para ele se o reconhecimento é real ou se ele deve pagar para ele. Du Pont, aparentemente, cresceu e “amadureceu” sem conhecer limites. Tanto que ele, ao ser contrariado, ao não conseguir o que ele mais desejava – que era ver Mark ser campeão olímpico sob a sua chancela e patrocínio -, ele resolveu “vingar-se” de alguém relacionado que estivesse perto.

Como Mark já havia saído do propriedade, a ira e a falta de controle de du Pont acabou cobrando um preço alto de David. Nestas minhas observações já estão outros elementos que Foxcatcher claramente acha relevantes de questionar: a alta classe tradicional dos Estados Unidos e sua falta de limites e a influência que eles conseguem ter ao dedicar parte de suas fortunas para causas “filantrópicas”. Curioso também como o filme mostra a proximidade de du Pont com os militares e os policiais, ao ponto dele comprar um tanque de guerra e praticar tiro com os homens da lei.

Um dos problemas deste filme é que para ele vender os seus conceitos, ele deve simplificar bastante os personagens. Por exemplo, Mark começa e termina o filme carrancudo. Parece um cara que está insatisfeito o tempo todo. No início, por não ter dinheiro. Depois, por estar à sombra do irmão. Finalmente, por se sentir usado por du Pont e por não se reconhecer mais – inclusive ao descambar para a cocaína. Por outra parte, du Pont é um cara estranho do início ao fim, detentor de várias frases feitas e manipulador. Ele sabe usar o poder e o dinheiro que tem para conquistar o que deseja.

Certo que as pessoas são o que elas são. Mas ninguém é tão raso quanto os personagens de Foxcatcher. Ou dificilmente encontramos pessoas tão unidimensionais. Mas para convencer, Frye e Futterman escolhem esse caminho da simplificação dos personagens. E também um bocado da história, a ponto de deixar algumas pontas soltas – como se houve ou não um envolvimento sentimental/sexual entre Mark e du Pont; sobre as reais motivações da chegada e da partida de Mark da propriedade e assim por diante.

No fim das contas, acho que há filmes que falam sobre o “mal estar” dos valores norte-americanos de forma muito mais eficaz. O primeiro que me vem à mente é o já clássico American Beauty, ou mesmo o ainda anterior Blue Velvet e o mais recente Mulholland Dr. – ambos do ótimo David Lynch. Para mim, estes três filmes, para citar só alguns, são mais eficazes em fazer uma autocrítica ao “american way of life” do que este Foxcatcher com suas leituras simplificadas de personagens – e o pior, reais – e seus furos de roteiro.

NOTA: 6,8.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Realmente é uma experiência muito diferente ver Steve Carell em um papel tão sério. Esse ótimo ator, que eu gostei de acompanhar em parte da versão norte-americana da série The Office, aparece totalmente diferente aqui em Foxcatcher. Mas ele está ótimo, porque convence como um cara que parece, permanentemente, ser perigoso. O John du Pont de Carell é estranho o tempo todo, e um pouco assustador. Para incorporá-lo, o ator contou com a ajuda fundamental da maquiagem. No total, 14 profissionais estiveram envolvidos no departamento de maquiagem do filme. Trabalharam bem.

Gosto de Channing Tatum e de Mark Ruffalo. Cada um deles está bem neste filme, mas o roteiro não lhes ajuda a construírem personagens melhores. Afinal, os irmãos Mark e David nesta produção estão desenhados para propósitos muito específicos, sem complicações – diferente das pessoas reais, normalmente. Isso me incomoda um pouco, porque, afinal de contas, este filme segue aquela alcunha de “baseado em fatos reais”.

As atrizes Sienna Miller e Vanessa Redgrave mais uma vez em papéis secundários. A primeira, em especial, se consolidando como uma camaleoa. A cada novo filme que eu vejo essa atriz, ela está muito diferente do anterior. Bacana isso. Ela mostra versatilidade. Acho que é uma questão de tempo para vermos ela em um grande papel e com uma grande interpretação. Vanessa Redgrave, como sempre, elegante e precisa em sua interpretação.

Como comentei na crítica, alguns pontos no filme me deixaram em dúvida e incomodada. Daí que parti para ir atrás de informações sobre a história real de Foxcatcher. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Encontrei este texto, um tanto fraquinho – e não, Foxcatcher não é um dos favoritos ao Oscar -, mas que ganha interesse por resgatar parte da história real e, principalmente trazer uma foto do verdadeiro David e do du Pont real.

Mas a real controvérsia sobre a versão de Foxcatcher, filme dirigido por Bennett Miller, eu fui ter ao procurar o livro Foxcatcher escrito por Mark Schultz. Não li o livro inteiro, mas dei uma passada nele, e a versão é bem diferente do filme. Ele não fala que teve uma relação afetiva com du Pont. Pelo contrário. Ele deixa claro que só foi para a propriedade do multimilionário por causa do dinheiro. E diferente do que o filme sugere, ele nunca se queixa do irmão ou demonstra ter inveja ou sentir-se à sombra dele.

Pelo contrário. Ele elogia David do início ao fim. Claro, alguém pode dizer, que ele fez isso após o irmão morrer, mas que na época em que ele estava vivo as coisas eram diferentes. Até pode ser, mas não vi até agora nenhuma comprovação disso. Frye e Futterman devem ter se baseado na cobertura da imprensa da época e ter “adequado” a história para que o filme ganhasse em “interesse” e “drama”, mas não parece que a produção tem realmente muito fundo na realidade.

Outro texto interessante e até fundamental é este. Ele mostra como a polêmica cresceu quando o filme estreou, e de como o verdadeiro Mark ficou indignado com Miller, a ponto de ameaçá-lo de processo e de acabar com a carreira do diretor. Segundo um texto que Mark escreveu no Facebook e que é reproduzido no texto que eu linkei, ele nunca se mudou para Pensilvânia, como o filme mostra, e sim foi morar em Villanova como ajudante de treinador.

Ele também conta que a primeira vez que ele encontrou du Pont, este estava “sujo e bêbado”, e afirma que nunca o considerou um mentor ou que viu nele a figura de pai. Ele também nega vários outros fatos mostrados no filme. Ou seja, mais razões para questionar Foxcatcher de Miller. Ah sim, e Mark tira aquela dúvida que eu tinha lá encima: ele diz categoricamente que não teve nenhuma relação sexual com du Pont. Eita! O filme sugere algo bem diferente. O estranho é que Mark acabou mudando radicalmente de opinião depois – ele teria sido comprado?

Da parte técnica do filme, nada me chamou muito a atenção. Mas acho que vale mencionar a trilha sonora precisa e bem pontual de Rob Simonsen; o design de produção de Jess Gonchor; os figurinos de Kasia Walicka-Maimone e o trabalho dos 13 profissionais envolvidos na maquiagem.

Foxcatcher estreou em maio de 2014 no Festival de Cinema de Cannes. Depois disso, o filme participaria de outros 24 festivais. O próximo da lista aonde o filme ainda vai estrear é o Festival de Cinema de Belgrado, que começa no dia 2 de março. Nesta trajetória o filme conquistou 13 prêmios e foi indicado a outros 45. Entre os que recebeu, sem dúvida alguma o principal é o de Melhor Diretor para Bennett Miller no Festival de Cinema de Cannes.

Esta produção foi totalmente rodada nos Estados Unidos, em diversas cidades da Pensilvânia, incluindo Pittsburgh, e também em Leesburg, na Virgínia. O filme também é uma produção 100% dos Estados Unidos – por isso ele entra na lista de “votações no blog”.

Agora, aquelas clássicas curiosidades sobre o filme. Na cena do espelho, Channing Tatum realmente quebra o objeto, o que não estava no roteiro. Mas ele realmente entrou no personagem naquela sequência, inclusive machucando a testa na ação.

Tatum e Mark Ruffalo passaram de cinco a seis meses em um treino intensivo de luta para poderem interpretar os seus respectivos papéis no filme. Steve Carell estudou as imagens disponíveis de du Pont durante horas, para tentar ser o mais fiel possível ao retratado por ele no filme.

Não encontrei informações sobre os custos deste filme, mas tudo leva a crer que ele teve um baixo orçamento. Nas bilheteria dos Estados Unidos, até o dia 1º de fevereiro, o filme tinha conseguido pouco mais de US$ 11,45 milhões. Baixo, bem baixo.

Os usuários do site IMDb deram a nota 7,3 para esta produção. Uma boa avaliação, levando em conta o padrão do site. Os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 177 textos positivos e 25 negativos para o filme, o que lhe garante uma aprovação de 88% e uma nota média de 7,9. De fato, pelo visto, eu estou abaixo da média do público e da crítica na avaliação deste filme. Isso é raro, mas acontece.

CONCLUSÃO: Sabe aquele filme em que você fica esperando o tempo todo que algo de ruim e/ou trágico aconteça? Este é o caso de Foxcatcher. A história é estranha do início ao fim, e como as peças não encaixam, o diagnóstico da tragédia iminente é inevitável. Os atores estão bem, mas o roteiro é um pouco arrastado e tem partes com fios soltos. As sugestões e as não comprovações incomodam, assim como a “moral da história”. Filme estranho que aborda um dos crimes que pode ter chocado os Estados Unidos, mas que teve pouca repercussão mundial – diferente do que os produtores querem nos fazer crer. Eficaz na narrativa, ainda que facilmente esquecível.

PALPITES PARA O OSCAR 2015: Por razões óbvias eu esperava mais de Foxcatcher. Certo que ele não foi indicado a Melhor Filme. Mas há produções melhores na disputa – como Selma – que foram indicadas a menos estatuetas que este filme de Bennett Miller. Como gosto dos atores envolvidos no projeto, também esperava que a entrega deles fosse marcante.

Pouco disso aconteceu. Como repeti diversas vezes no texto acima, apenas a estranheza da história e da forma com que ela é contada predomina nesta produção. Dos indicados ao Oscar deste ano, este é um exemplo de como a premiação está um pouco enfraquecida. Em um ano de boa safra, não imagino Foxcatcher concorrendo sequer a uma estatueta, quanto mais à cinco!

Mas ok, vamos ao que interessa. As indicações do filme este ano. Foxcatcher concorre em Melhor Ator para Steve Carell; Melhor Ator Coadjuvante para Mark Ruffalo; Melhor Direção para Bennett Miller; Melhor Roteiro Original e Melhor Maquiagem e Cabelo. Melhor Ator, nem pensar. Ainda que eu goste muito de Steve Carell, ele está léguas distante das ótimas performances de Eddie Redmayne e Benedict Cumberbatch. Mesmo Michael Keaton está melhor. Carell também apenas poderia duelar com Bradley Cooper – e olha lá.

Na categoria de Melhor Ator Coadjuvante também não vejo chances para Ruffalo. J.K. Simmons e Ethan Hawke estão muito melhores, e mesmo Edward Norton me pareceu mais “dentro” do papel. Não que Ruffalo não esteja bem, mas ele não faz nada além do que já estamos acostumados a vê-lo fazer. Ainda preciso ver a Robert Duvall.

Melhor Direção, nem pensar. Richard Linklater, Wes Anderson, Morten Tyldum e Alejandro González Iñarritu, nesta ordem, para mim, tem trabalhos melhores para apresentar que Miller. Aliás, se fosse para indicar alguém diferente nesta categoria, eu ainda preferia Clint Eastwood do que Miller. Acho o trabalho de Eastwood em American Sniper mais difícil e técnico do que do diretor de Foxcatcher. Ele dever ter bons amigos em Hollywood.

Finalizando, Melhor Roteiro Original, também, nem pensar. Boyhood, Birdman e The Grand Budapest Hotel são muito melhores e bem acabados, nesta ordem de preferência. Mesmo Nightcrawler achei melhor desenvolvido. A única chance do filme, pois, está em Melhor Maquiagem e Cabelo. Sem o trabalho técnico nesta área Carell não teria recebido uma indicação ao Oscar.🙂 Sendo assim, talvez o filme leve uma estatueta, nesta categoria, se conseguir ganhar de The Grand Budapest Hotel – grande concorrente também – e Guardians of the Galaxy. Mas não seria totalmente surpreendente se o filme saísse do Oscar sem nada. Seria justo, na verdade.

  1. 7 de fevereiro de 2015 às 19:29

    Gostei bastante de ler a sua opinião. Contudo não concordo quando diz que o filme é estranho. Acho um bom filme apesar de concordar com o facto de ser arrastado. E achei o Carell bastante bem! Também acho que não vai vencer nada mas gostei do filme.

    Continuação de bom trabalho! Adoro o seu blog!

  2. Paulo
    10 de fevereiro de 2015 às 9:49

    Olá. Geralmente concordo com suas análises críticas, mas desta vez nossas opiniões não poderiam ser mais diversas. Por isto faço um comentário pela primeira vez aqui. Acho este um dos melhores filmes do ano passado, ficando atrás de Boyhood, certamente. Acho que é um filme onde mais se observa o trabalho primoroso de direção de atores, e o trio principal está nos melhores papéis de suas carreiras. Acho a interpretação de Mark Ruffalo digna de todos os prêmios possíveis. E este clima de estranhamento que permeia todo o filme é o que o torna tão fascinante, a fotografia gelada, a música, o olhares soturnos, a sensação de que algo está muito errado por ali. Se o filme nos causa este incômodo, acho que chegou no seu melhor ponto. É isto aí.

  3. Marcus
    10 de fevereiro de 2015 às 10:43

    Na minha opinião de todos os filmes concorrendo as diversas categorias do Oscar deste ano, baseados em fatos reais, esse realmente, concordo com você, foi o que mais se desviou dos verdadeiros fatos, na verdade apenas Big Eyes, pelo que li, chegou bem perto. Porém, não achei o filme ruim, entendi como proposital a narrativa arrastada, a todo momento tudo parecia mais absurdo, e os exageros do roteiro (se distanciando dos fatos reais) se tornaram fundamentais para construção de um cenário angustiante e pesado que culminara num desfecho trágico. As interpretações de Ruffalo, Tatum e Carell, estão bem bacanas, especialmente o último por não estarmos acostumados a vê-lo tão transformado, mas não vai levar nada no Oscar.
    Grande abraço e parabéns mais uma vez!!

  4. Mileto
    24 de maio de 2015 às 9:54

    Parabéns pela construção do texto. Após ver o filme fui em busca dessas informações que ficaram subjetivas nas cenas e aqui encontrei essas respostas. Achei o filme interessante, mas ao pesquisar sobre os acontecimentos que o cercam penso que poderia haver mais cuidado ao se retratar a vida de outras pessoas sem a certeza do que aconteceu. Acho que o destaque foi a construção de John du Pont, é assustador ver uma pessoa se aprofundar em algo para ganhar notoriedade a qualquer preço. Penso que faltou um fechamento e trabalhar melhor essas relações incomuns do filme (john du pont – mãe) (john du pont – mark), que prometem muito, mas se perdem no final já existente, por ser baseado em fatos reais.

  1. 8 de fevereiro de 2015 às 23:00

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