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The Double – O Duplo


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O indivíduo vive enjaulado e cercado de rotina. Ele tem um trabalho repetitivo, envolto em mistério, mas considerado fundamental. No tempo livre, ele está sozinho, obcecado por uma garota que ele admira, acha linda, mas da qual ele não tem coragem de se aproximar. Algumas vezes ele também visita a mãe no asilo. Até que um sujeito igual surge na vida dele. The Double fala sobre como nos parecemos com todo mundo quando seguimos o padrão do que é esperado da gente, sem vontade para que nos tornemos em algum momento diferentes ou originais. Um filme que faz pensar e que rende mais de uma leitura.

A HISTÓRIA: Simon James (Jesse Eisenberg) está sentado com os olhos fechados em um metrô. Até que um outro cidadão pede para ele sair porque Simon estaria sentado em seu lugar. O restante dos assentos estão vazios. Simon não discute, apenas se levanta. Ele se afasta, fica de pé no vagão, olha para o homem estranho que começa a ler um jornal, em seguida olha a própria imagem no espelho e, no vagão do lado, vê a Hannah (Mia Wasikowska), que trabalha com ele na empresa comandada pelo Coronel (James Fox).

Ele chega um pouco atrasado, acaba perdendo a maleta e a identificação para entrar na empresa. Mas consegue fazer isso, após passar pelo guarda (Kobna Holdbrook-Smith). No emprego, tenta ser um funcionário eficiente, mas ele se vê ofuscado quando chega no lugar um sujeito igual a ele, mas muito mais talentoso em convencer as pessoas com seu charme e potencial.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a The Double): Minha gente, que saudade de escrever por aqui! Há algumas semanas eu assisti a esse filme, mas não consegui o tempo necessário para escrever sobre ele. Até comecei a introdução e escrevi a conclusão, assim como a nota, há algum tempo, mas só hoje, quase um mês depois do Oscar, consegui realmente parar para falar sobre The Double.

Como vocês que me acompanham há mais tempo já sabem, não gosto de ler nada sobre o filme que eu vou assistir antes de conferir o que ele tem a me dizer. Sendo assim, eu não sabia nada desta produção dirigida por Richard Ayoade além de, como o cartaz deixa bem, claro, que ela é estrelada por Jesse Eisenberg, para sempre o Mark Zuckerberg de The Social Network. E lembrando do filme sobre um dos criadores do Facebook, pensando no cartaz dele, agora percebi que The Double talvez até se “inspire” no cartaz de The Social Network e no que as manifestações difusas, “sempre iguais” e de “comportamento de boiada” querem dizer.

Bueno, deixando de filosofar sobre cartazes de filmes, vamos ao que interessa: a história de The Double e a entrega de Ayoade e sua equipe. Para início de conversa, achei o filme bem envolvente, estranho e com uma atmosfera e assinatura do diretor bastante marcante. Do início ao fim temos a impressão que estamos vislumbrando uma sociedade um tanto plástica, um tanto robótica, mas aonde as máquinas não são protagonistas, e sim as pessoas e seus processos repetitivos e relações superficiais.

O personagem principal, Simon, parece deslocado o tempo inteiro. Ele é hostilizado no metrô, pelo segurança no prédio em que trabalha, pelo chefe, pela mãe, pelo recepcionista do asilo em que ela está e ignorado por mais um caminhão de gente, inclusive a garota dos sonhos dele. Mesmo assim, ele parece um sujeito correto, que apenas quer fazer um bom trabalho, mas que não se sente reconhecido em momento algum.

As pessoas com que Simon trabalha e ele próprio vivem em uma rotina repetitiva, trabalhando com máquinas que parecem computadores rudimentares, fazendo um serviço meio que secreto mas de vital importância. Eles parecem trabalhar em uma espécie de NSA de décadas atrás, espionando as comunicações e a vida das pessoas. A rotina solitária e aparentemente esquecível de Simon muda quando aparece em cena James Simon – a quem eu vou chamar apenas de James, para não confundir com o primeiro personagem.

James é uma cópia exata de Simon. E o protagonista tem dificuldade de aceitar que mais ninguém além dele ache isso muito estranho e incompreensível. Enquanto Simon é um sujeito tímido, introvertido, que tem dificuldade de demonstrar o que sente e que parece ter vocação nula para valorizar o próprio talento no ambiente de trabalho, James é o exato oposto. Extrovertido, encantador, falastrão, James sabe vender-se muito bem, seja no ambiente de trabalho, seja para as mulheres.

No início Simon fica chocado com a presença da cópia exata fisicamente, mas tão diferente nas maneiras e no caráter. Depois, ele fica indignado que ninguém mais ache aquela semelhança toda inconcebível. Em seguida, ele se aproxima de James e tenta descobrir mais sobre ele. Mas quando Hannah, o amor platônico de Simon deixa claro que está interessada em James, o rapaz começa a sondar o até então “adversário” para ver se ele pode ajudá-lo na conquista da garota.

Claro que nada sai como Simon gostaria e daí, pouco a pouco, ele tenta desmascarar o ex-novo-amigo. Algumas cenas lembram Hitchcock, especialmente aquelas da espionagem feita por Simon/James a partir da janela do apartamento de Simon. É através daquele ponto que vemos o fascínio por Hannah, um estranho suicídio e a vigilância das pisadas de bola de James. Tudo isso misturado resulta na decisão de Simon no final do filme.

Depois que eu assisti a The Double e que eu vi os créditos completos da produção é que eu notei que este filme com roteiro de Richard Ayoade e Avi Korine, baseado na história de Korine, é uma adaptação livre da obra O Duplo de Fyodor Dostoiévski. Não li o livro, mas procurei saber um pouco sobre ele, e encontrei versões com pegada mais sociológica e, principalmente, com recorte psicológico.

Comente isso porque The Double não tem apenas uma leitura possível. Há, claramente, pelo menos duas formas de entender a história. E acho que ambas são válidas. Ainda que eu tenha um certa preferência por uma delas.🙂

A primeira forma de entender este filme é encará-lo mais pelo viés sociológico. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Neste sentido, James está para Simon como qualquer figura que já encontramos em algum momento da nossa vida e que parece se alimentar de competir com os demais. Ou seja, James é idêntico a Simon porque se esforça em parecer com o outro, mas sempre cuidando em superá-lo.

A aparência idêntica pode ser vista como a falta de originalidade das pessoas que formam aquele ambiente – algo que citei lá no início. “Todos iguais, todos iguais/ mas uns mais iguais que outros”, como cantaria Humberto Gessinger no tempo do Engenheiros do Hawaii. Muitas vezes essa é a impressão que temos ao ver a “turma” que sai nas festas à noite, não é mesmo? Que todos os rapazes e todas as meninas são iguais, vestindo-se com as mesmas roupas provocantes ou de grife, muito preocupadas em terem a imagem perfeita – mas muitas vezes sem conteúdo.

Em uma sociedade como a atual, em que muitas pessoas conseguem apenas compartilhar o que outras publicam nas redes sociais, ficamos nos perguntando aonde está a originalidade. Pois bem, visto desta forma, The Double vende a ideia de duas pessoas realmente diferentes, ou seja, que teríamos Simon e James como indivíduos separados, o segundo imitando o primeiro para apenas para conseguir superá-lo todas as vezes que isso fosse possível. Essa ideia também potencializa o ambiente agreste, insensível e competitivo, sem muita “humanidade” ou contato sensível entre as pessoas visto no filme antes mesmo da chegada de James.

Visto desta forma, The Double é uma crítica social para aquela sociedade estilizada e que reflete vários aspectos da nossa sociedade atual. Ambiente trabalho de alta competitividade e pouca importância do indivíduo para a “máquina” produtiva, uma sociedade aonde o contato e a intimidade entre as pessoas é dificultado ao máximo e aonde o indivíduo se sente ao mesmo tempo pressionado pelas cobranças por eficiência e pela solidão. Nesta forma de entender a história, volto a dizer, Simon e James são dois indivíduos diferentes e que vivem disputando espaço.

Mas há uma outra forma de entender The Double. E francamente é esta que me parece mais lógica a partir do desfecho da história. (SPOILER – não leia… bem, você já sabe). Por esta segunda ótica, Simon vive tão angustiado por não conseguir ser quem ele gostaria que acaba criando um alter-ego, um outro personagem para dar vasão para tudo aquilo que ele não consegue ser na prática. Sendo assim, James apenas seria um desdobramento de Simon, mas os dois seriam a mesma pessoa.

É como se fosse uma dupla identidade, um indivíduo dividido em dois. Essa versão parece absurda na parte inicial do filme porque, fica sugerido, diferentes pessoas lidam com Simon e com James de formas diferentes, parecendo desenvolver desta forma também relações diferentes com estes dois indivíduos. Só que conforme o filme vai chegando na parte final, e quando Simon confronta os chefes pedindo mais atenção, surge a primeira impressão de que ele está brigando consigo mesmo, porque ele também interpreta James.

Essa impressão aumenta quando Simon faz um corte no próprio rosto e vê que o mesmo ferimento aparece em James. E para fechar esta leitura, Simon toma uma atitude corajosa, que não seria de sua índole, mas também cuidadosamente planejada, para terminar, de vez, com James. Para mim, naquele momento, fica evidente como os dois eram a mesma pessoa – o que, também, não deixa de ser uma crítica social. Afinal, tão pressionado por resultados e se sentindo incapaz de entregar o que os outros queriam, Simon acabou dividindo-se em dois para satisfazer a todas as perspectivas.

Não importa a forma com que você entenda ou analise The Double. Este é um filme que fala de assuntos que interessaram Dostoiévski quando ele lançou O Duplo, em 1846, e que também nos interessam atualmente porque eles seguem atuais e relevantes. Um filme estranho, mas que vai fazendo cada vez mais sentido quando o tempo passa e vamos pensando nos diferentes aspectos da história.

NOTA: 9,5.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: O primeiro elemento que me chamou a atenção neste filme foi, digamos, “a aura” da produção. Um trabalho bem preciso de transporte “temporal” e ao mesmo tempo de estilização de uma época que poderia ser descolada muitas vezes e servir para muitos momentos da nossa História. Boa parte do mérito por esta aura é do diretor de fotografia Erik Wilson.

Destaque também para a direção de Richard Ayoade, que consegue dar ritmo e, nas horas certas, nos angustiar com a falta de ação na vida do protagonista. Há tempo para observação, e há tempo também para alguma ação. Gostei do ritmo do filme e de diversas cenas em que Ayoade praticamente pinta uma tela na nossa frente – a primeira delas é aquela em que Hannah aparece no outro vagão do metrô.

Outros aspectos técnicos que valem ser mencionados são os figurinos de Jacqueline Durran; a direção de arte de Denis Schnegg; os 17 profissionais que trabalharam no departamento de som – um dos elementos mais importantes do filme; o design de produção de David Crank e a edição da dupla Chris Dickens e Nick Fenton.

Falando no diretor Richard Ayoade, fiquei curiosa para saber mais dele. Afinal, nunca tinha visto nada do diretor e, com este sobrenome diferente, quis saber um pouco sobre a sua origem. Richard Ellef Ayoade é inglês, natural de Londres, e tem 37 anos de idade. Ele tem seis prêmios no currículo e outras 13 nomeações, incluindo para um BAFTA.

Com 21 títulos como ator, ele tem 12 como roteirista e nove como diretor. Além de gravar séries de TV e curtas em vídeo, Ayoade ficou conhecido pelo filme Submarine, de 2010, e fez o documentário Artic Monkeys at the Apollo em 2008. Entre os prêmios que recebeu, destaque para o de Melhor Roteiro por Submarine no British Independent Film Awards; para o de Melhor Filme para Submarine  no Giffoni Film Festival; e para o de Melhor Ator em um Programa de Comédia no Prêmio BAFTA em 2014 por The IT Crowd.

Do elenco, o destaque é realmente Jesse Eisenberg. Ele é a figura perfeita para encarnar um sujeito estranho em versão dupla. Muitos atores já fizeram papéis duplos e se saíram bem neles, e Eisenberg se junta a este time. Gosto também da presença da Mia Wasikowska, que se apresenta como uma garota bonita, ao mesmo tempo frágil e decidida. Os dois se destacam na produção.

Além dos protagonista, há outros atores coadjuvantes que tem certo destaque na história. Vale citar Wallace Shawn como Mr. Papadopoulos; Yasmin Paige como Melanie; Noah Taylor como Harris; James Fox em uma ponta como O Coronel; Phyllis Somerville como a mãe de Simon; Kobna Holdbrook-Smith como o guarda da empresa/médico; e Sally Hawkins em uma pequena ponta como recepcionista.

The Double foi lançado no dia 7 de setembro de 2013 no Festival Internacional de Cinema de Toronto. Depois, o filme participaria de outros 22 festivais. Nesta trajetória a produção foi indicada a nove prêmios, mas não levou nenhum para casa.

De acordo com o site Box Office Mojo, The Double teria feito pouco mais de US$ 200,4 mil dólares nos Estados Unidos. Ou seja, mesmo faltando informações sobre o custo da produção e o resultado dela em outros mercados, com desempenho tão baixo dá para afirmar que ele foi um fracasso nas bilheterias.

Para quem ficou interessado em saber um pouco mais sobre o livro O Duplo, de Dostoiévski, recomendo este artigo de Carolina Detoni Marques Vieira para a Psicanálise & Barroco em revista e, em segundo lugar, esta pequena matéria da Folha de S. Paulo sobre a tradução do livro lançada no Brasil em 2011.

The Double foi totalmente rodado em Londres.

Agora, algumas curiosidades sobre a história de The Double. Um filme baseado na obra de Dostoiévski e que seria chamado também de The Double quase foi feito em 1996 pelo diretor Roman Polanski. O filme, que seria estrelado por John Travolta, Isabelle Adjani, John Goodman e Jean Reno, ia começar a ser rodado em junho de 1996 quando Travolta rompeu com Polanski e pulou fora do projeto alegando mudanças no roteiro. Depois desta decisão, o projeto naufragou.

O piano que aparece durante todo o filme é inspirado na peça Der Doppelgänger, de Franz Schubert, que conta a história de um homem e o irmão gêmeo dele do mal.

Os usuários do site IMDb deram nota 6,6 para The Double, enquanto os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 96 críticas positivas e 21 negativas para o filme, o que lhe garante uma aprovação de 82% e a nota média de 6,8.

Esta é uma produção 100% do Reino Unido.

Queridos leitores deste blog, me desculpem pela ausência estas semanas. Mas agora prometo aparecer por aqui mais vezes e atualizar este espaço. Obrigada pela paciência e voltem aqui sempre!

CONCLUSÃO: A primeira leitura é de estranheza. Não entendemos muito bem aquele sujeito ilhado socialmente, que tem dificuldade de ter contatos além do ambiente do trabalho. Outros filmes vão surgindo na nossa memória conforme a história avança, mas quanto mais The Double se desenvolve, mais percebemos que este é um filme original. Apesar de baseado em um escritor famoso com um propósito bem definido, este filme vai além do original e ganha sentido quanto mais refletimos sobre ele. Interessante, denso, com ótimas atuações e uma direção inspirada, entra para a lista de filmes recentes que falam sobre o nosso tempo de forma crítica e ao mesmo tempo com elementos de fantasia e de realidade exagerada. Vale o ingresso.

  1. 31 de março de 2015 às 0:14

    E o Stanley? Por que ninguém fala do Stanley?

    Eu entendi que o Stanley (o chinês que cometeu suicídio) é na verdade o que se diz ser Simon James, Stanley queria ser o James porque a Hanna gostava do James e o Stanley também gostava dela mas não era correspondido.

    Quando o cara (Stanley) dentro do trem fala pro James “você está no meu lugar” na verdade ele quer dizer “você é quem eu gostaria de ser”, gostaria de ser o cara por quem a Hanna está apaixonada.

    Stanley se via como Simon James porque ele queria ser James Simon.

    Realmente Stanley trabalhava há 7 anos na empresa mas só se via e se apresentava como Simon e isso fazia com que ninguém o reconhecesse porque essa não era a sua verdadeira identidade. E quando o verdadeiro Simon entrou na empresa ele sentiu raiva porque já sentia ciúmes pelo o fato da Hanna estar apaixonada por ele.

    Quem observa a Hanna pelo o telescópio não é o James como o filme mostra e sim o Stanley (chinês).

    As cenas não estão em ordem. Tanto o suicídio de Stanley quanto o do James foram o mesmo, a forma como cada um se desenvolveu é que mostra a importância dos personagens para a Hanna. O Stanley não era importante pra ela mas o James sim, ela até foi na ambulância junto com ele na hora do acidente. Ao contrário do Stanley, ela não se importou mesmo sabendo que ele a amava e espionava.

    James era o que morava no mesmo apartamento que Hanna, no quarto ao lado.

    Stanley também vê o segurança com o rosto do médico porque essa é a função que o segurança gostaria de ter, ou seja, o segurança é um profissional frustrado assim como o Stanley é frustrado socialmente também. O verdadeiro rosto do segurança não é o que o filme mostra, assim como acontece com o Stanley. Mostra o rosto do James mas na realidade é um chinês.

    Eu achei que esse filme é dois em um só. Conta em uma única história o desenrolar do mesmo suicídio cometido por pessoas distintas.
    Conta como seria o suicido do personagem anti-social do filme e como seria o suicídio do personagem notado socialmente na história.

    • 9 de julho de 2016 às 1:29

      Genial

    • Lucas Limoni
      23 de julho de 2016 às 10:49

      De várias formas de se interpretar a história essa foi a que eu mais me identifiquei!… ja tinha me passado pela cabeça que seria isso, logo após assistir ao filme, mas ainda tinham me restado algumas pontas soltas, como por exemplo o porque de o médico e o segurança terem o mesmo rosto.

  2. Willian
    24 de abril de 2015 às 5:01

    Na realidade, depois de assistir o filme duas vezes seguidas, ainda assim não consegui entender nada. Mas, ao ler o comentário acima, me esclareceu bastante, e agora sim fez um pouco de sentido pra mim, apesar de eu continuar um pouco confuso hahah Enfim, o filme é espetacular

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