Room – O Quarto de Jack


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Algumas vezes ficamos estarrecidos com algumas notícias que lemos nos jornais. Nestes momentos, a realidade supera a ficção. Quando isso acontece, nossa imaginação não consegue alcançar todos os pormenores do absurdo. Somos incapazes, simplesmente, de mensurar o que aquelas pessoas passaram e o que elas sentiram. Mas Room faz isso pela gente. Exemplo de roteiro, de direção e de atuações, esta é uma das grandes surpresas desta temporada de filmes que chegam com força para as grandes premiações do ano. Indicado ao Globo de Ouro 2016, sem dúvida alguma ele precisa ser valorizado também pelo Oscar para que mais gente descubra esta joia rara.

A HISTÓRIA: Detalhes de objetos. Jack (Jacob Tremblay) começa a acordar, mas a mãe (Brie Larson) dele pede para o menino de cabelos compridos voltar a dormir. Em seguida, começa a narrativa de Jack. Ele conta que antes dele nascer, ela só chorava e assistia à TV. Mas um dia, Jack conta, ele desceu do Céu pela Claraboia até o Quarto. Ele nasceu no tapete, e a mãe cortou o cordão umbilical do menino antes de dar o nome para ele de Jack. Mãe e filho estão deitados lado a lado. Jack lembra a mãe que hoje ele está fazendo cinco anos. Depois de acordar, Jack cumprimenta os objetos do quarto antes de saber que a mãe fará um bolo para ele. Acompanhamos o cotidiano deles antes de saber porque eles estão lá.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso só recomendo que continue a ler quem já assistiu a Room): Meus caros leitores, amigos e amigas que acompanham este blog, vocês sabem que estes textos de análise costumam contar partes importantes dos filmes e estragar surpresas. Sempre alerto sobre isso com os avisos de spoilers mas, desta vez, quero realmente pedir para vocês não lerem o texto antes de assistirem ao filme. Falo isso porque grande parte da força e da beleza de Room reside, realmente, nas surpresas que esta produção nos apresenta – levando em conta, claro, que você não leu ao livro de Emma Donoghue antes e que não tenha lido nada a respeito ou visto o trailer.

Bem, eu defendo essa “ignorância” antes de ver aos filmes. Não gosto de trailers e nem de ler nada a respeito deles antes de assisti-los. Também não li o livro no qual esta produção foi baseada. Por isso comento que fui totalmente surpreendida pela história. Claro que em pouco tempo o espectador percebe que aquele quarto não é um ambiente normal. A narrativa de Jack, logo no início, deixa o espectador desconfiado. Mas conforme o dia do aniversário de Jack vai se desenvolvendo, fica claro que a mãe dele foi sequestrada por um destes loucos dos quais volta e meia a gente ouve falar.

Não foram nem um e nem dois. Nos últimos anos tivemos alguns casos de mulheres sendo resgatadas de situações de cativeiro aonde elas ficaram por diversos anos. Sempre que leio sobre uma história sobre essa, tento imaginar a situação pela qual aquelas mulheres passaram. Mas como eu disse lá no início, nossa imaginação não consegue ir tão longe. Sempre me sinto incapaz de me colocar no lugar daquela mulher que foi encarcerada e abusada por tanto tempo e de diferentes formas.

Por isso mesmo achei Room impressionante. Primeiro, pela escolha do tema. Não lembro de ter visto a outro filme que entrasse nesta seara pela ótica dos prisioneiros do maníaco. E o melhor: acompanhamos a história pela ótica da criança. Sem dúvida alguma o roteiro de Emma Donoghue, que adaptou o seu livro para o cinema, é o ponto forte do filme. Como uma criança aceitar ficar trancada em um quarto por cinco anos? Tudo que ela conhece da vida e do mundo está restrito àquelas quatro paredes. A única forma de aceitar aquela realidade é acreditar que aquilo é tudo o que existe.

Neste sentido, Room tem um início genial. Até o aniversário de cinco anos, Jack vivia a fantasia de que a realidade existia dentro daquele quarto. Sempre que o Velho Nick (Sean Bridgers) aparecia, Jack era colocado dentro do armário. Algumas vezes ele ouvia e até espionava o Velho Nick pelas frestas do armário, mas ele nunca tinha “confrontado” a realidade cara a cara. A saída dele do armário e os fatos que acontecem na sequência ajudam a mãe dele a tomar uma decisão ousada.

Primeiro ela tenta explicar para o filho que a realidade na qual ele acreditava até então foi inventada por ela porque antes ele era muito novo para entender. Claro que o garoto não reage bem. Imaginou tudo que você acredita ser realidade, de uma hora para a outra, ser mentira? Algo interessante de Room é que a história convence a cada minuto, mesmo ela sendo tão absurda – afinal, esses crimes são irreais mesmo.

A mãe de Jack chega ao limite e compartilha com o filho o seu drama – explica como ela tinha uma família, se chamava Joy e, aos 17 anos, foi sequestrada pelo Velho Nick. Ele resiste, mas ela quase se entrega. Até que o menino mostra que ele entendeu a mensagem. E aí vem o passo mais ousado de Joy: usar o filho para que os dois tenham alguma chance de sair dali. De uma tentativa arriscada, chegamos em uma segunda ainda mais maluca.

Room tem, neste momento, um grande momento. Além do roteiro bem construído até aí, a direção de Lenny Abrahamson se destaca no momento em que Jack se entrega no plano da mãe para os dois escaparem. Ela sabe que tudo pode dar errado e que ela, talvez, nunca mais veja Jack novamente. Mas ela está cansada e desesperada e resolve arriscar tudo em cartadas muito arriscada.

Abrahamson dá um show de direção o filme todo, mas especialmente naquele momento da fuga. Nesta hora, o roteiro e a edição também ajudam muito. (SPOILER – realmente não leia se você não assistiu ao filme ainda). Até a fuga, o roteiro está em pura ascensão. Como a narrativa funciona, o espectador é levado pela mão e fica impossível não torcer pelo plano maluco de Joy. Para a nossa surpresa, ele dá certo – graças a boas doses de pura sorte, da esperteza de Jack e do bom trabalho da policial Parker (Amanda Brugel).

Francamente eu achei que quando a polícia chegasse na casa encontrariam Joy morta. Isso bem poderia ter acontecido, mas o covarde do Velho Nick preferiu tentar fugir do que dar fim em sua testemunha de acusação. Na vida real isso poderia ter acontecido, mas também podia ter acontecido o pior. Na trama Joy tem sorte e sobrevive. E daí o filme passa a ter um outro ritmo bem diferente. Esqueça o ritmo crescente e a adrenalina. Aí começa a parte da “vida real” após o drama. Aquilo que não vemos nas coberturas de casos assim nos jornais e TVs.

E aí, para mim, esta é uma outra grande qualidade do filme. Além do cotidiano maluco de quem está sequestrado por tanto tempo e presa em um quarto, Room mostra a dura volta para a realidade. E o melhor: sob duas óticas. Ainda que o filme continue sendo narrado por Jack, acompanhamos de muito perto as reações de Joy e a tentativa dela de voltar a ter “uma vida normal”.

Mais uma vez o roteiro de Donoghue se destaca nesta segunda fase do filme. Aqui não há a adrenalina dos preparativos para a fuga e do plano sendo executado, mas há a parte humana em evidência. Muitas pessoas, da imprensa até os espectadores das notícias na TV, não tem receio em questionar pessoas como Joy. Afinal, por que ela não deu um jeito do filho ser levado para fora do quarto para ele ter uma vida normal? Ela foi “egoísta” e quis ficar com ele ao invés de pensar em Jack em primeiro lugar.

Bobagem. Como mãe, ela fez o que achou ser o melhor e viveu para cuidar do filho. Muitos se preocupam com os traumas que uma criança pode ter em uma situação como aquela. Mas Room demonstra, com muita precisão, como as crianças conseguem se recuperar de maneira muito mais rápida que os adultos. Até porque Joy teve a consciência do que acontecia o tempo todo. Tinha memória de tudo e, o pior, aquele sentimento de culpa que é típico de toda pessoa que já viveu em uma sociedade com valores judaico-cristãos.

Não estava sendo fácil para Joy lidar para a realidade fora do quarto, aonde ela ficou aprisionada por sete anos, pensando no mundo de fora e tendo que aguentar aquela tortura cotidiana. Mas ficou ainda pior a situação com a pergunta da repórter sobre a responsabilidade dela como mãe de Jack. Se a consciência e a memória já pesavam, ficou insuportável a situação com a culpa adicionada.

Mais uma vez Jack mostra como ele era inteligente. Muito bem criado pela mãe naqueles cinco anos de cativeiro. Ele não apenas dá um incentivo fundamental para Joy como, para arrematar a história, mostra como é importante para uma pessoa traumatizada voltar para o local do próprio drama e conseguir, assim, se despedir daquela realidade. Para então seguir em frente.

A ótica de uma criança que tinha uma realidade totalmente limitada e que, de repente, passa a ter o mundo à frente, com todas as suas possibilidades e escolhas, é maravilhosa. Inspiradora. Nos faz parar para pensar não apenas no que passamos até aqui, na sorte que tivemos, mas também na beleza de ter um olhar mais curioso e atencioso aos detalhes, ao que não conhecemos. Filme bem narrado, com um texto impecável de Donoghue e uma direção perfeita de Abrahamson, tem no talento dos protagonistas e no elenco de apoio a peça que faltava para ser perfeito.

Eis uma história que surpreende e convence. Que não deixa nenhum fio solto e que começa, se desenvolve e termina bem. Há suspense, ação, drama e comédia nas doses exatas. Nada falta, nada sobra. Isso é tão raro! Sem nenhuma grande estrela no elenco para chamar o grande público, este é o típico filme que só vai dar certo se for recomendado de pessoa para pessoa. Espero que isso aconteça.

NOTA: 10.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Quando você assiste a um filme de um diretor ou de um roteirista conhecido, destes que você tem acompanhado o trabalho por algum tempo, você já sabe um pouco o que esperar. A expectativa pela nova produção surge naturalmente. O mesmo acontece quando assiste a um filme de um grande ator ou atriz de quem você gosta também. Por isso mesmo Room me surpreendeu tanto. Porque este é o primeiro trabalho que eu vejo de seus realizadores, do diretor Lenny Abrahamson, da roteirista/escritora Emma Donoghue e com a atriz Brie Larson. Daí fica mais fácil não ter “expectativas” e se deixar envolver totalmente por quem está por trás do filme. Essa é, sem dúvida, uma outra experiência.

Os nomes citados no parágrafo anterior são fundamentais para Room. Vamos começar falando de Lenny Abrahamson. Esse diretor irlandês de 39 anos – ele fará 40 no dia 30 de novembro deste ano – nascido em Dublin tem oito produções no currículo como diretor. Ele estreou com o curta 3 Joes em 1991 e apenas em 2004 ele lançaria o seu primeiro longa, Adam & Paul. Depois ele dirigiu ainda quatro episódios da série de TV Prosperity e quatro longas, sendo o último deles Frank, de 2014, estrelado por Michael Fassbender, Domhall Gleeson e Maggie Gyllenhaal. Francamente, não assisti a nenhum dos filmes anteriores dele, mas ficou curiosa para ver a Frank.

A roteirista Emma Donoghue praticamente estreou com Room. Antes deste filme ela tinha apenas escrito o roteiro do curta Pluck, de 2002. Nascida também em Dublin, como o diretor Abrahamson, Donoghue tem 46 anos e desde os 23 ela “ganha a vida” como escritora. Em 1997 ele terminou um doutorado na Universidade de Cambridge. Ela viveu na Inglaterra, na Irlanda e no Canadá antes de em 1998 estabelecer-se definitivamente em Londres. De acordo com o site da autora, ainda que ela tenha escrito em vários gêneros, os seus trabalho é mais reconhecido na ficção. A obra dela já foi traduzida para mais de 40 idiomas. Room é um sucesso internacional e ganhou seis prêmios. Ela também escreve para o teatro e para a rádio.

Finalmente, a surpresa de Brie Larson. A atriz californiana de Sacramento tem 26 anos de idade e nada menos que 48 trabalhos no currículo – incluindo curtas, longas e séries de TV. A estreia dela, aliás, foi na TV, no The Tonight Show with Jay Leno em 1998. No mesmo ano ela participaria da série de TV To Have & to Hold. O primeiro filme veio em 1999: Special Delivery, do desconhecido diretor Kenneth A. Carlson. Ela participou de muitos filmes fracos e, na maioria deles, em papéis secundários.

De seu filmografia, vi apenas a Rampart (com crítica aqui) – mas o papel dela, como a filha mais velha do protagonista, não foi tão valorizado, a ponto do nome dela nem aparecer entre os destaques do cartaz. Depois de Room, contudo, Larson ganha outra evidência no mercado. Tanto que ela tem um filme em pós-produção, um outro completado, um anunciado e um sendo rodado. Agora sim ela vai aparecer bem mais e provavelmente em papéis mais relevantes.

Fiquei impressionada também com o trabalho de Jacob Tremblay como Jack. Com apenas nove anos – ele completa 10 no dia 5 de outubro de 2016 -, Tremblay tem 13 títulos no currículo de ator. Claro que a lista inclui curtas e séries de TV. O primeiro trabalho de Tremblay foi na série de TV Motive, em 2013 – mesmo ano em que ele participaria do primeiro longa, The Smurfs 2. Aliás, antes de Room, ele tinha feito apenas The Smurfs 2 e participado de Extraterrestrial (mas sem ele aparecer nos créditos). Ou seja, Room é praticamente a estreia dele nos cinemas. E que estreia! O garoto está incrível no filme. Depois de Room ele atuou em um curta e no longa Before I Wake, além de ter outros três filmes em pós-produção. Ele merece ser acompanhado, com certeza.

Brie Larson e Jacob Tremblay são o filme. Eles carregam a história nas costas. Mas não dá para desprezar o trabalho dos coadjuvantes. Neste sentido, merece destaque, especialmente, Joan Allen como Nancy, mãe de Joy. Também fazem um bom trabalho, ainda que com relevância menor, Sean Bridgers como Velho Nick; Tom McCamus como Leo e William H. Macy em uma super ponta como Robert, pai de Joy.

Da parte técnica do filme, sem dúvida alguma o grande destaque é a direção de Lenny Abrahamson. Mas além dele, fazem um trabalho fundamental o diretor de fotografia Danny Cohen; o músico Stephen Rennicks, responsável pela trilha sonora que ajuda a história a ter ritmo, especialmente nos momentos mais “líricos”; a excelente edição de Nathan Nugent; e os aspectos técnicos que ajudam o espectador a entrar no clima e no tempo da história, como o design de produção de Ethan Tobman, a direção de arte de Michelle Lannon, a decoração de set de Mary Kirkland, os figurinos de Lea Carlson e os 12 profissionais envolvidos com o departamento de arte. Todos trabalham muito bem.

Room estreou no Festival de Cinema de Telluride em première em setembro de 2015. Depois o filme participaria, ainda, de outros 11 festivais. Até o momento a produção ganhou 43 prêmios e foi indicado a outros 90 – incluindo a três Globos de Ouro. Entre os prêmios que recebeu, ele aparece na lista dos filmes do Prêmio AFI; ganhou como Melhor Filme Independente Internacional no British Independent Film Awards; como Melhor Filme pela escolha do público do Festival Internacional de Cinema de Toronto; além de nada menos que 17 prêmios pela interpretação de Brie Larson, oito pelo trabalho de Jacob Tremblay e quatro pelo roteiro de Emma Donoghue. Merecidos, todos.

Não há informações sobre o custo do filme – mas aparentemente ele foi baixo. No site BoxOfficeMojo, contudo, sabemos que Room arrecadou, apenas nos Estados Unidos, quase US$ 5,2 milhões até o dia 10 de janeiro. Pouco, muito pouco. Sinal que este filme ainda precisa ser “descoberto”.

Para quem gosta, como eu, de saber aonde os filmes foram rodados, Room foi totalmente gravado no Canadá, principalmente em Toronto, mas com algumas cenas no Apache Burgers em Etobicoke – cidade que também fica em Ontário.

Agora, algumas curiosidades sobre Room. Para vocês terem uma ideia sobre o orçamento baixo deste filme, o designer de produção Ethan Tobman gostaria que na cena final estivesse nevando, mas eles desistiram da ideia de usar neve artificial porque o aluguel do equipamento para produzi-la iria estourar o orçamento da produção. Para a sorte da equipe, quando eles realmente iam começar a gravar a cena, começou a nevar de verdade.

A atriz Brie Larson se isolou durante um mês e seguiu uma dieta rigorosa para poder sentir “na pele” o que a personagem dela e de Jack realmente passaram.

Agora, informações que vão elucidar dúvidas que você provavelmente teve ao ver a este filme – eu, pelo menos, tive essa dúvida. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Afinal, Room é baseado em uma história real ou é pura ficção? Apesar de ser ficção, Room tem sim fundo em uma história real. Isso porque a autora do livro e roteirista deste filme, Emma Donoghue, escreveu a história depois de ouvir o relato de Felix, menino do caso Fritzl. Para quem não lembra, Elisabeth Fritzl ficou trancafiada durante 24 anos em um porão pelo próprio pai na cidade austríaca de Amstetten. Durante este tempo ela engravidou sete vezes – o último filho dela com o algoz foi Felix. Um resumo sobre o caso pode ser acessado aqui e também aqui. Neste link é possível saber o que aconteceu com a família Fritzl cinco anos depois do caso ter sido descoberto. Mas ainda que o relato de Feliz tenha inspirado Donoghue, ela gosta de reforçar que Room não está inspirado em nenhum caso real.

Uma curiosidade sobre uma das cenas do filme: o ator Jacob Tremblay não conseguia gritar com Brie Larson no momento em que Jack está insatisfeito com o bolo de aniversário. Para conseguir o que vemos em cena o diretor Lenny Abrahamson fez toda a equipe e elenco pular e gritar até que Tremblay conseguisse fazer o mesmo.

Não tinha me tocado disso, mas Old Nick – ou Velho Nick – em inglês é outra forma de chamar o Diabo, referência ao cristianismo do século 17.

Os usuários do site IMDb deram a nota 8,3 para esta produção – uma avaliação muito boa levando em conta o histórico do site. Os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 157 críticas positivas e cinco negativas para a produção, o que lhe garante uma aprovação de 97% e uma nota média de 8,6. – muito bom também. O concorrente direto de Room como Melhor Filme este ano, Spotlight, tem o mesmo nível de aprovação – 97% – mas uma nota um pouco maior, de 8,9.

Este é um filme coproduzido pela Irlanda e pelo Canadá.

CONCLUSÃO: Filmaço. Sem medo de exagerar, posso dizer que este é um dos melhores filmes que eu vi nos últimos tempos. Surpreendente no roteiro e na forma com que cada elemento em jogo funciona bem, Room é destas produções sem nenhuma grande estrela no elenco e que, certamente, vai fazer sucesso na propaganda boca-a-boca. Ele nos faz pensar e nos colocar no lugar das pessoas em cena. A história nos envolve como espectadores e nos arrebata, durando bem mais tempo do que os minutos em que a produção se desenrola. Exemplar. Veja e recomende se tiveres a mesma opinião.

PALPITES PARA O OSCAR 2016: Difícil saber como Room vai se sair no Oscar. Mas algo é fato: ele merece chegar lá. Como sabemos, é importante para o prêmio da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood a força dos produtores e dos estúdios envolvidos em um projeto. Não sei até que ponto Room pode ter lobby a seu favor. Por isso vou dizer o que eu gostaria que acontecesse e os possíveis cenários.

Como este, até agora, foi um dos filmes que mais me surpreendeu nesta temporada pré-Oscar, acho que ele merecia receber pelo menos seis indicações na premiação máxima do cinema dos Estados Unidos. Para começar, se eu tivesse voto na Academia – só sonhando,😉 – ele seria indicado a Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Atriz, Melhor Ator, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Edição.

Pensando pela ótica da Academia, provavelmente ele terá chances de ser indicado como Melhor Filme – afinal, são até 10 produções na disputa -, Melhor Atriz e Melhor Roteiro Adaptado. Se os votantes tiverem coragem, podem ainda indicar Lenny Abrahamson e Jacob Tremblay. Ainda que, por eles serem nomes um tanto “desconhecidos”, por Tremblay ser tão jovem e por essas categorias terem apenas cinco vagas, não me surpreenderia se eles fossem “esquecidos”.

Pensando sob a ótica da Academia, não seria uma surpresa Room sair de mãos abanando, sem levar nada. Afinal, nas categorias em que ele deveria ter mais chances, como Melhor Filme e Melhor Roteiro Adaptado, ele tem fortes concorrentes mais “mainstream” na disputa, como Spotlight (comentado aqui) e Carol (crítica neste link), respectivamente. Na categoria Melhor Atriz é provável que Brie Larson tenha que enfrentar Cate Blanchett. Páreo duro. Pensando na Academia, acho tanto que Room pode sair com um ou mais prêmios importantes quanto pode sair com as mãos vazias.

Dos filmes que eu vi até agora, provavelmente eu torceria por Room, seguido de perto por Spotlight (como Melhor Filme) e por Carol (Melhor Atriz). Mas ainda prefiro Room. Como quase sempre acontece no Oscar, contudo, já espero ver a minha torcida ser derrotada. Tudo certo. Desde que Room, pelo menos, consiga ficar entre os indicados.

  1. 11 de janeiro de 2016 às 7:05

    Incrível, é o meu comentário.
    Digamos que não é o melhor filme para se ver antes de dormir, porque terminado o filme não conseguia parar de pensar em tudo que poderia ter acontecido a estes dois.
    Mas o filme em si é fantástico.
    Obrigado mais uma vez Ale.

    Rafa

  2. 20 de fevereiro de 2016 às 10:06

    Comove e revolta qualquer um que tenha o mínimo de sangue correndo nas veias. Atores preciosos enriquecem um roteiro que também não poderia ser melhor. Interessante a autora reforçar que a obra não tem relação com casos reais, porque apesar do ótimo trabalho, nem de longe o filme conseguiria retratar com fidelidade o sofrimento de quem passa por uma situação dessas. Acho que todo terror empregado na produção ainda seria pouco perto de um fato desses. O filme é muito coerente também quando reforça que o trauma é muito mais contundente na mãe do que no filho. (SPOILER)
    A morte não foi uma opção dentro do cativeiro, mas passou a ser quando ela se livrou dele.
    10 (DEZ) com justiça.

  3. Miriã sayão
    31 de julho de 2016 às 1:37

    Oiii. Gostei da tua avaliação do filme e ajudou a entender algumas partes. Não consegui entender duas coisas ( mesmo tendo assistido 2 vezes jehehehehe) afinal o velho nick foi pego ou não? E do que se tratou a conversa confidencial que joy teve com o médico? Se tiveres um tempinho para me esclarecer te agradeço. Obrigada.

  1. 14 de janeiro de 2016 às 12:46
  2. 17 de janeiro de 2016 às 20:34
  3. 23 de janeiro de 2016 às 21:03
  4. 23 de fevereiro de 2016 às 23:49

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