Creed – Creed: Nascido para Lutar


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Houve um tempo em que o boxe, assim como o futebol, era visto como uma alternativa de futuro para jovens pobres e sem muitas perspectivas na vida. Quando eu era criança, lembro bem de acompanhar na televisão alguns grandes nomes que se digladiavam em busca do dinheiro que eles, aparentemente, só conseguiriam em um ringue. A lenda de Rocky Balboa surgiu neste contexto. Creed aparece em cena para resgatar este espírito, assim como o legado da grife de filmes estrelados por Rocky antes que o personagem não consiga mais aparecer em novas produções.

A HISTÓRIA: Começa em Los Angeles em 1998. Um grupo de meninos é enfileirado por um agente até que o alarme soa e os guardas ficam sabendo de uma briga na ala 1. Na sala de recreação diversos jovens estão se batendo, mas em especial dois. Corta. Mary Anne (Phylicia Rashad) chega para visitar Adonis (na infância interpretado por Alex Henderson e, depois, por Michael B. Jordan) e fica sabendo que ele está em isolamento porque participou novamente de uma briga. Mary Anne vai falar com ele, perguntando a razão da briga.

O menino diz que o outro rapaz tinha falado uma bobagem sobre a mãe dele. Mary Anne conta que era a esposa do pai dele, Apollo Creed, e convida o garoto para morar com ela. Ele aceita. Corta. Adulto, Adonis se prepara em Tijuana, no México, em 2015, para entrar em mais uma luta. A partir daí, acompanhamos a trajetória dele para seguir nos ringues, o que inclui ele procurar Rocky Balboa (Sylvester Stallone) como treinador.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Creed): Serei franca. Só assisti a esse filme porque Sylvester Stallone começou a ganhar alguns dos principais prêmios como Melhor Ator Coadjuvante na temporada pré-Oscar. E como estou novamente na missão de assistir ao máximo de filmes com alguma chance na maior premiação do cinema de Hollywood, resolvi encarar Creed.

Minha expectativa, admito, não era muito boa para esse filme. Afinal, o que ele poderia apresentar de muito diferente do que já conhecemos da série de produções sobre Rocky Balboa? De fato, ele não apresenta nada novo. Não há inovação aqui. Mas sempre que uma história retoma algo que conhecemos, o importante é se ela, neste processo, respeita o espírito do original. E isso é algo que Creed faz, ainda que de forma mais inacabada que o Rocky original.

Uma ideia que perpassa toda essa produção é a do legado. Que legado Rocky Balboa e Apolo Creed deixaram? Que legado Adonis Creed quer deixar? Esse é o conceito que justifica o filme e que garante que ele tenha atratividade. Rocky Balboa veio da periferia, sem grandes perspectivas na vida, e lutou muito para ter uma oportunidade e crescer no boxe. A principal motivação dele sempre foi o amor de Adrian (Talia Shire) e, claro, a própria vontade de sobreviver e vencer os desafios – defendendo, sempre, que o maior inimigo dele era ele mesmo.

No caso de Creed, temos novamente um garoto que cresce sem perspectivas no centro das atenções. Mas diferente de Rocky, ele é adotado pela viúva traída de Apollo Creed. Sendo assim, Adonis tem uma boa educação, uma casa luxuosa – fruto das lutas do pai – e perspectivas na vida. Mas a vocação dele e o desejo de manter o legado do pai falam mais alto. Adonis aposta na carreira no boxe e, com dificuldade de ser treinado por outras pessoas, vai atrás de Rocky Balboa.

Em paralelo a essa busca de Adonis por seguir o caminho do pai que ele não chegou a conhecer – história clássica, convenhamos -, claro que é preciso existir um romance. A exemplo de Rocky e sua Adrian, Adonis encontra a jovem cantora e compositora Bianca (Tessa Thompson). A motivação principal do protagonista deste filme é mostrar que ele tem talento e que pode continuar com o legado do pai, mas Bianca entra em jogo para motivá-lo.

Até aqui, como se pode notar, nada de novo. O que é bacana na história e torna o filme interessante é ver como tudo mudou desde que Rocky estourou há 40 anos. Não apenas há um encontro de gerações em Creed, como também temos uma leitura interessante sobre a passagem do tempo. Sylvester Stallone aparece como um personagem bastante real. Ele teve um passado de glória mas, agora, vive uma vida comum e sem muita emoção.

A mulher dele morreu. O filho, sentindo o peso do nome do pai, mora longe. Rocky se afastou do boxe e só volta a pisar em uma academia e em um ringue depois que Adonis pede a sua ajuda. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Quando descobre que tem um câncer, ele não faz muita questão de tentar lutar para sobreviver. Afinal, ele não tem mais a pessoa que ele amava perto. Como ele diz em uma parte importante do filme – sequência na qual ele se sai muito bem -, enquanto a vida dele seguiu em frente, ele ficou para trás.

Mas todos sabemos que este não é o Rocky Balboa. Quem lembra da trajetória dele sabe que normalmente acontecia o mesmo: quando Rocky enfrentava os seus principais desafios ele primeiro apanhava, levava bastante na cabeça, para só depois começar a revidar quando ninguém mais imaginava que isso seria possível. Pois bem, em Creed acontece o mesmo. Rocky passa a experiência que Adonis precisa e o filho de Apollo incentiva Rocky a seguir lutando, a não desistir.

Esse encontro de gerações é bacana. Mérito do bom roteiro de Ryan Coogler e de Aaron Covington, desenvolvido a partir da história imaginada por Coogler e sobre alguns dos personagens criados por Stallone há 40 anos. Ainda que o filme não tenha nada de inovador e nem reinvente o gênero, ele lança um novo frescor para a história de Rocky e Apollo, dando uma sobrevida para o legado dos dois. Também é bacana ver elementos da cultura (incluindo a música e a tecnologia) contemporânea nesta história.

As relações humanas evoluíram neste tempo e isso é mostrado no filme. Um exemplo é a personagem de Bianca, muito mais independente, liberada e direta do que a Adrian de décadas atrás. Ainda que a mulher que deixou Rocky apaixonado também tivesse opinião e caráter, ela não tinha uma presença tão marcante quanto a garota que deixou Adonis encantado.

Boa a sacada dos roteiristas de resgatar um filho bastardo do ídolo Apollo Creed para trazer à tona, novamente, valores daquela relação construída entre Rocky e Apollo. Afinal, um ringue não é terreno apenas de rivalidade, mas também de respeito – prova disso são os dois primeiros Rocky. Aliás, a exemplo do filme de 1976, em Creed o protagonista também perde a luta, mas não a honra. Bacana esse resgate e esta mensagem.

Algo que evoluiu neste tempo todo também foi a direção e os efeitos especiais que propiciam, hoje, lutas muito mais convincentes e realistas do que antigamente. Basta olhar algumas das imagens dos filmes anteriores do Rocky, especialmente do primeiro, para ver como a gravação destas cenas evoluiu. No primeiro Rocky dava para perceber que os pugilistas nem se tocavam. Agora o realismo é bem outro.

Como pede a regra de um filme que apela para o emocional como este Creed, a história tem altos e baixos e cresce especialmente no final. Na reta final da luta decisiva de Creed, quando ele diz o que lhe motiva – ele quer demonstrar que ele não foi um erro -, é o auge da produção. Pode emocionar quem estiver mais suscetível. No fim das contas, se este é um filme sobre legado e uma homenagem ao personagem de Rocky e a tudo o que ele representa, Creed mostrou ao que veio. Dá conta do recado, apesar de ser muito, extremamente previsível. Ainda assim, para quem cresceu vendo Rocky, vale o ingresso.

NOTA: 8.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Fiquei imaginando, agora, como a leitura de Creed para quem não cresceu vendo aos filmes do Rocky deve ser diferente da leitura daqueles que passaram por esta experiência. Sem dúvida o olhar será bem diferente. Como ficou evidente na crítica acima, faço parte do grupo que assistiu aos filmes do personagem criado por Sylvester Stallone. Comecei a vê-los nos anos 1980, quando a série de filmes já estava lá pelo quarto – o primeiro, como dito antes, era de 1976; o segundo foi lançado em 1979; o terceiro em 1982 e o quarto, em 1985. O quinto viria em 1990. Assisti aos primeiros quando eles já não eram novidade. O último, Rocky Balboa, de 2006, não vi. Mas deve ser uma experiência ainda mais interessante para quem assistiu a todos ver este Creed.

O filme dirigido, roteirizado e com argumento original de Ryan Coogler segue a premissa dos filmes originais com Rocky Balboa. Nesta história estrelada por Michael B. Jordan há um garoto que quer lutar até o final porque tem algo a provar, há uma garota que o motiva e um técnico que lhe inspira e lhe dá as coordenadas para avançar. No caminho dele há adversários para vencer e ganhar experiência antes do confronto final com um lutador quase imbatível. Esta é a premissa básica e que segue sendo válida em Creed.

Revendo algumas cenas dos filmes anteriores de Rocky algo eu notei de diferente neste Creed: ele tem a linguagem de filmagem das lutas de boxe e das outras modalidades de luta atual e poupa o espectador de um embate que parece não ter fim. A edição joga um papel mais importante desta vez. Há produções do Rocky de antigamente, especialmente no quarto filme, em que parece que a luta final não vai terminar nunca. Chega a ser angustiante.

Falando na história que procede esta produção, acho que vale resgatar algumas sequências de filmes anteriores do Rocky. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Por exemplo, achei importante ver ao final de Rocky I (que pode ser acessado aqui), quando Rocky perde para Apollo, e o final de Rocky II, quando o personagem de Stallone ganha a duras penas de seu principal adversário (confira aqui).

Vale também dar uma conferida no que acontece em Rocky IV para entender várias referências feitas em Creed. Neste filme é possível ver quando Apollo Creed é trucidado pelo russo Ivan Drago (neste link) e quando Rocky vai a desforra contra o “inimigo” russo (neste vídeo). Lembrando que o quarto filme da série Rocky foi lançado em 1985, quando Estados Unidos e União Soviética ainda viviam os anos da Guerra Fria.

A trilha sonora de Creed é bem interessante, com algumas composições que tornam o filme contemporâneo. Mas quem acompanhou a história de Rocky fica especialmente arrepiado com as releituras que são feitas da música que virou um dos grandes clássicos do cinema. Pessoalmente eu me arrepiei com o final do filme em que a música aparece na trilha sonora.

Ryan Coogler acerta na homenagem que faz para Rocky. E este era o momento, já que não sabemos por quanto tempo mais teremos Stallone atuando. A direção dele é competente, tem ritmo e utiliza referências que o público atual está acostumado – especialmente as lutas se parecem com o que podemos ver nos canais de TV à cabo. Faz sentido. O único pecado de Coogler é que ele exagera um pouco na mão, a meu ver, na simplicidade do personagem principal. Ele teve uma formação boa e, ainda assim, 40 anos depois, se parece com o simplório Rocky Balboa do princípio da saga. Não era necessário ter um protagonista tão simplista. Também achei exagerada a cena em que Adonis “ressuscita” no ringue após lembrar do pai. Outra sequência desnecessária por ser pouco crível. Para contrabalancear, há várias cenas bem legítimas no filme – especialmente grande parte das sequências com Stallone.

Michael B. Jordan se esforça no papel de Adonis Creed, mas não achei a interpretação dele inesquecível. Sylvester Stallone, por outro lado, é a surpresa do filme. Ele realmente dá legitimidade para a história e chega a emocionar em alguns momentos. Está muito bem. Entre os coadjuvantes, Tessa Thompson e Phylicia Rashad estão bem em seus respectivos papéis como Bianca e Mary Anne Creed. Tony Bellew também convence como “Pretty” Ricky Conlan. Em papéis menores e menos “marcantes” estão Gabe Rosado como Leo “The Lion” Sporino e Ritchie Coster como Pete Sporino, respectivamente filho e pai treinador que viram os primeiros alvos do promissor pugilista Adonis.

Da parte técnica do filme, além da competente direção de Coogler, merecem menção o ótimo trabalho de edição da dupla Claudia Castello e Michael P. Shawver; a trilha sonora coerente e interessante de Ludwig Göransson; e a direção de fotografia de Maryse Alberti. Também funcionam bem a direção de arte de Danny Brown e Jesse Rosenthal; o design de produção de Hannah Beachler; a decoração de set de Amanda Caroll; a maquiagem feita por nove profissionais; e os figurinos de Antoinette Messam e Emma Potter. Uma boa equipe selecionada a dedo.

Creed estreou no dia 25 de novembro no Canadá e nos Estados Unidos. Depois ele iria estreando, gradativamente, nos outros mercados – fazendo uma pré-estreia no Brasil na Comic Con Experience.

Esta produção teria custado US$ 35 milhões e faturado até ontem, dia 3 de fevereiro, pouco mais de US$ 108,7 milhões apenas nos Estados Unidos. Nos outros mercados em que a produção já estreou ela faturou outros US$ 51,9 milhões. Ou seja, o filme tem um apelo todo especial nos Estados Unidos, terra de Stallone e de seu personagem Rocky. Dá para entender a comoção do público toda vez que Stallone ganha um prêmio por causa deste trabalho. No somatório das bilheterias, Creed superou a marca de US$ 160,6 milhões. Ou seja, deu lucro.

Até o momento Creed acumula 26 prêmios e 49 indicações – incluindo uma indicação ao Oscar para Sylvester Stallone como Melhor Ator Coadjuvante. Entre os prêmios que recebeu, destaque para o Globo de Ouro de Melhor Ator Coadjuvante para Sylvester Stallone; para o National Board of Review como Melhor Ator Coadjuvante para Stallone; e para outros 10 prêmios de Melhor Ator Coadjuvante para o ator que criou Rocky. O filme também recebeu prêmios pelo elenco de negros, com destaque para prêmios para Michael B. Jordan e Tessa Thompson, e prêmios para o diretor Ryan Coogler.

Creed foi filmado em diferentes locações nos Estados Unidos e no Reino Unido. A produção foi rodada em Liverpool, Philadelphia, Chester, Las Vegas e em Londres.

Agora, algumas curiosidades sobre a produção. Durante o treinamento de Adonis, há uma cena em que ele usa uma camiseta que diz “Por que eu quero lutar? Porque eu não posso cantar e dançar…”. Esta é uma frase que Rocky diz para Adrian na sequência em que eles estão patinando no gelo no primeiro Rocky.

Este é o primeiro filme da série Rocky que não tem roteiro escrito por Sylvester Stallone.

Quando Creed foi lançado Stallone tinha a mesma idade que Burgess Meredith quando o primeiro Rocky foi lançado. Curiosidade e coincidência interessantes.

Sylvester Stallone disse em uma entrevista no Morning Call que ele quer seguir interpretando Rocky nos próximos filmes sobre Adonis Creed.

Este é o filme mais longo da série com o personagem Rocky.

Inicialmente Sylvester Stallone não queria saber de Creed. Ele estava satisfeito com Rocky Balboa, o último filme da série, e acho que eles não deveriam resgatar o personagem. No fim das contas ele acabou sendo convencido por Ryan Coogler. Que irônico, não? Por pouco Stallone não boicota o filme que lhe daria a redenção como ator. Ele já ganhou diversos prêmios importantes e agora corre o risco de levar o primeiro Oscar da carreira.

Quando Creed estava em pré-produção o filho mais velho de Stallone, Sage Stallone, morreu vítima de um ataque cardíaco. O ator disse que quase entrou em colapso, mas o diretor Ryan Coogler convenceu Stallone a encarar o filme como se ele fosse uma homenagem para o filho – afinal, a história de Creed tem, claramente, uma relação de pai e filho entre Adonis e Rocky. Embora ele tenha ficado resistente no início, no Globo de Ouro Stallone comentou que o filme ajudou ele a superar a perda de Sage.

Ryan Coogler, que cresceu assistindo aos filmes de Rocky com a família, queria fazer uma história bem pessoal a exemplo do que ele tinha feito antes com Fruitvale Station. O fato dele ter construído a história utilizando a base dos fãs e a cultura pop foi um bônus.

Tessa Thompson é música na vida real. Ela compôs três músicas que fazem parte da trilha sonora de Creed: Grip, Breathe e Shed You.

O diretor Ryan Coogler estreou no cinema em 2009 com o curta Locks. Ele faria ainda dois outros curtas antes de estrear em longas com Fruitvale Station. Creed é o segundo longa do currículo do diretor que foi confirmado como o responsável por Black Panther, produção aguardada para 2018.

Os usuários do site IMDb deram a nota 8 para Creed. Os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 210 críticas positivas e 14 negativas para a produção, o que lhe garante uma aprovação de 94% e uma nota média de 7,8. Minha avaliação ficou bem próxima deles desta vez.😉

Esta é uma produção 100% dos Estados Unidos. Por isso o filme atende a uma votação aqui no blog que pedia produções deste país.

CONCLUSÃO: Não há nada de novo em Creed. Se você já assistiu ao primeiro Rocky e, talvez, a alguns dos filmes da grife que vieram na sequência, não será nada surpreendido por este novo filme. Mas justamente isso que é importante. Creed claramente não quer reinventar a roda, apenas lembrar a sensação que tivemos ao ver bons filmes do gênero. Apesar da história ser manjada e do espectador já saber o que esperar pela frente, Creed faz um resgate importante e eficaz de alguns dos preceitos da grife que fez a fama de Sylvester Stallone.

De fato ficamos com a ideia do legado em mente. Nada mais justo, assim, que Stallone ser, pela primeira vez na vida, tão premiado por causa de um filme. O passar do tempo faz bem para algumas histórias e pessoas. E isso parece ter acontecido com o legado de Rocky Balboa e com o desempenho mais humano e frágil de Stallone. No fim das contas, até que não será um crime se o ator ganhar um Oscar como coadjuvante.😉

PALPITES PARA O OSCAR 2016: Neste ano o senhor Sylvester Stallone completa 70 anos no dia 6 de julho. Como presente de aniversário antecipado ele pode receber uma estatueta dourada da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood no próximo dia 28 de fevereiro. Quando ele ganhou o Globo de Ouro por seu papel em Creed, achei que ele ganhar o Oscar poderia ser uma grande injustiça. Mas não.

Admito que Sylvester Stallone está bem em seu papel e que francamente pode ganhar o Oscar sem que isso seja uma injustiça. Também seria interessante ver ele ganhando a estatueta dourada pelo filme que abriria a grife Rocky Balboa 40 anos depois – Rocky é de 1976. No ano seguinte, 1977, Stallone concorreu duas vezes ao Oscar, como Melhor Ator e como Melhor Roteiro Original – era dele o roteiro de Rocky. Não ganhou nenhuma das estatuetas, mas pode levar a primeira em 2016.

Um dos fatores que explica Stallone com chances reais de ganhar o Oscar é que este é um ano fraco na categoria Melhor Ator Coadjuvante no Oscar. Com isso não quero dizer que Mark Rylance (de Bridge of Spies, comentado aqui), Christian Bale (de The Big Short, com crítica neste link), Mark Ruffalo (de Spotlight, com texto aqui) e Tom Hardy (de The Revenant, com crítica neste link) não sejam bons atores. Pelo contrário. Eles são muito bons, na maior parte das vezes – com exceção de Hardy que, para mim, é um Mel Gibson copiado, com a mesma cara de louco papel após papel.

Mesmo os outros quatro atores que competem com Stallone sendo bons e competentes, no fundo ninguém faz um trabalho arrebatador. Para o meu gosto, Bale e Ruffalo estão bem e até mereciam uma estatueta. Assim como Rylance. Mas nenhum deles está soberbo, irretocável, com um trabalho acima de qualquer suspeita. E daí temos Stallone em uma de suas interpretações mais legítima e humana.

Neste contexto, não seria absurdo ver o ator ganhar o Oscar. Na verdade, até eu torço por ele. Afinal, dificilmente ele terá outra chance como essa para ganhar um Oscar. E mesmo ele não sendo, exatamente, um bom ator, ele é um das figuras que ajudaram a fazer o cinema – especialmente o de ação. Por que não reconhecer o legado que ele deixou no cinema enquanto ele ainda está vivo? Acho digno e acho bacana. Francamente, não vou me surpreender se ele realmente levar o prêmio este ano.

  1. 4 de fevereiro de 2016 às 21:02

    Você realmente trata filmes com respeito e escreve críticas longas e bem construídas, de um jeito gostoso de ler! Parabéns, seus textos são ótimos!!
    Também estou nessa maratona do Oscar. Hoje assisti Trumbo, já assistiu? Eu não esperava nada e fui surpreendida, foi um dos mais me envolveram até agora! Além de falar sobre algo que amo: cinema! Hehehe

  1. 4 de fevereiro de 2016 às 21:14

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