Cartel Land


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É sempre perigoso quando a sociedade se cansa da ineficiência governamental e resolve, por sua própria conta, tomar as armas. A justiça feita pelas próprias mãos é perigosa, não apenas porque ela pode fugir do controle, mas também porque ela pode se tornar injustiça. Cartel Land trata de dois movimentos civis de tomada de armas para tentar resolver uma questão cada vez mais complicada na relação México e Estados Unidos: a força dos cartéis de drogas. Um tema importante, muito atual e assustador.

A HISTÓRIA: Durante a noite, um veículo se aproxima em meio ao breu. Dois homens abrem a parte de trás da caminhonete e retiram tonéis de um dos ingredientes utilizados para fazer metanfetamina. O líder do grupo fala que eles são os maiores e melhores produtores da droga em Mochoacán, no México, e que a maior parte da mercadoria vai para os Estados Unidos. Ele diz que sabe o mal que a droga fará nos Estados Unidos, mas que eles são pobres e que devem fazer um bom serviço para que, como a equipe de filmagem, eles possam viajar o mundo. Eles preparam a droga para as câmeras.

Todos os homens estão armados, e o líder diz que eles vão continuar fabricando drogas, e cada vez mais, até quando Deus permitir. Corta. De dia, a Polícia Federal apreende drogas. Depois, vemos a cerca montada na fronteira do México com os Estados Unidos. Do lado do Altar Valley, no Arizona, Tim “Nailer” Foley fala sobre o trabalho que ele e outras pessoas estão fazendo de combater os cartéis mexicanos na fronteira com os Estados Unidos. Depois, vamos ver os mesmos grupos de civis se insurgindo contra os cartéis no México.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Cartel Land): O tema levantado por este filme é muito importante. Especialmente porque a essência da discussão serve para diferentes realidades. Tudo bem que um tema central da história são os cartéis mexicanos, produtores e abastecedores de drogas para o grande mercado consumidor dos Estados Unidos. Mas, para mim, um tema fundamental nesta história é a tomada em armas da população. Cansada de esperar por medidas dos governos, essa população resolve fazer justiça por conta própria.

Francamente, vejo cada vez mais este movimento na sociedade. Volta e meia sabemos de pessoas que resolvem fazer justiça pelas próprias mãos, agredindo, combatendo e muitas vezes matando os criminosos nas cidades. A questão é complicada e não resulta em uma resposta simples. Francamente eu entendo as pessoas que estão fartas de injustiça e resolvem se organizar para combater a violência. Não dá para aceitar 13 pessoas de uma mesma família, incluindo trabalhadores e crianças, serem mortas por um cartel porque eles não receberam o dinheiro que eles tinham exigido do empregador daquelas famílias.

Mas o problema é que quando as pessoas se unem para fazer justiça pela sua conta, nunca sabemos aonde o espiral da violência vai parar. Cartel Land é até singelo ao tratar deste assunto. Afinal, depois que a população expulsava e/ou capturava as pessoas dos cartéis, o que se fazia com elas? Algumas cenas mostram a polícia federal ou local intervindo e levando os criminosos presos. Mas e nas outras situações? A população prendia ou matava os traficantes? Isso não fica claro no filme, o que é uma das deficiências da produção.

Aonde eu quero chegar é que sempre que você combate alguma realidade absurda, sempre que você enfrenta um criminoso, você deve saber o que fará com ele depois. Se for para prendê-lo, é preciso estrutura para isso e recursos para mantê-lo encarcerado. Se for para matá-lo, a questão é mais complicada. Afinal, quem te deu o direito de tirar uma vida? E mesmo que a pessoa seja culpada por outras mortes e você aplique o “olho por olho”, é bem provável que a violência não termine ali. Afinal, estamos falando de cartéis, ou seja, de grupos organizados de pessoas violentas e capazes de tudo. A chance será grande da represália ser pior e da disputa virar quase uma guerra civil.

Quando se começa um movimento como esse, é difícil saber aonde a história pode parar. Ainda assim, admito, dá para entender as razões que fazem as pessoas perderem a paciência. Todos sabemos, e isso é um fato conhecido, que boa parte da polícia – afinal, não vamos generalizar – mexicana é corrupta. O mesmo acontece com o Exército. E há corrupção também na fronteira dos Estados Unidos. Então as “autoridades” fecham os olhos para os traficantes e/ou são compradas por eles. Não dá para esperar que eles façam o trabalho de combater realmente os cartéis.

Então o que fazer neste cenário, com cada vez mais notícias de mortes nas famílias e na vizinhança? O médico José Manuel “El Doctor” Mireles responde a questão em Cartel Land. O filme dirigido com muito talento e cuidado por Matthew Heineman mostra como Mireles e outras pessoas se reuniram na comunidade para começar o levante popular que criou uma força de segurança cidadã. As pessoas, na prática, pegaram armas, colocaram camisetas identificando o grupo e partiram para cima dos traficantes, expulsando eles dos povoados e das cidades.

Francamente, isso pode até funcionar por um tempo em cidades com poucos habitantes. Mas você já imaginou isso funcionando nos grandes centros urbanos? (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Além disso, e neste ponto Cartel Land acerta na mosca, é uma questão de tempo para as boas intenções serem desviadas. Afinal, estamos falando de pessoas, e a sociedade, todos sabemos, é corrupta. Em algum momento alguém vai pensar mais em si mesmo do que no coletivo e isso é o suficiente para tudo ser desviado do caminho. E é exatamente isso que acontece.

Além disso, claro, há o contramovimento do governo mexicano. Afinal, um país jamais vai admitir que a população tome conta do sistema. Os cidadãos estão aí para votar nos políticos, mas não para se organizarem por conta própria e resolverem os seus problemas diretamente. Porque se isso acontecesse, não precisaríamos de governo, não é mesmo? Então a autoridade central sempre vai usar do argumento de manter a lei e a ordem para controlar movimentos autônomos locais. E isso acontece no caso dos grupos organizados no México.

Depois de criticar em diferentes ocasiões os grupos formados para combater os cartéis, porque eles estariam tentando substituir as forças de segurança estabelecidas, o presidente mexicano Enrique Peña Nieto tem a grande ideia de cooptar aquelas pessoas. Elas deixaram de ser independentes para fazerem parte das forças dos governos. Aí foi ampliada, mais uma vez, a chance deles serem contaminados pela corrupção. Alguns passaram a agir como os próprios cartéis, enquanto outros simplesmente aderiram aos cartéis que eles originalmente estavam combatendo.

Os grupos de cidadãos organizados do lado dos Estados Unidos é menos mostrado em Cartel Land. Acabamos sabendo mais da história de um deles, de Tim “Nailer” Foley. Os demais aparecem e falam pouco. O que há de comum entre os dois lados são pessoas comuns armadas por sua própria conta e risco e a crítica dos governos e da imprensa para estes movimentos de resistência. O diretor Matthew Heineman faz um trabalho corajoso, acompanhando, em muitos momentos, ataques das forças de autodefesa mexicana e tiroteios entre eles e os traficantes. Mas diversas questões ficam em aberto e não são respondidas pelo filme.

Por exemplo, me chamou a atenção, em especial, a ausência de respostas sobre o que era feito com os membros dos cartéis. Depois que eles eram pegos, o que acontecia com eles? E neste tempo todo de difusão das forças de autodefesa mexicanas não houve confrontos mais pesados entre forças de segurança do país, cidadãos e cartéis? Tudo bem que o diretor pode não ter presenciado nenhum grande confronto, mas não existiram notícias a respeito disso na época? Também senti falta de saber o que aqueles grupos faziam com os traficantes.

Um ponto que é levantado, mas acaba não ficando esclarecido, é sobre o acidente de José Manuel “El Doctor” Mireles. Afinal, ele foi vítima de um atentado ou não? Essa questão não fica totalmente clara. Não é bem explorado também de que forma ele se distancia da família – afinal, por boa parte do filme ele parecia ter uma relação muito próxima e bem resolvida com a mulher e os filhos e, na reta final da produção, “do nada”, ele está dando em cima de uma outra garota e deixou a família para trás. O que aconteceu entre um ponto e outro?

Nem sempre um documentarista consegue todas estas respostas diretamente, flagrando as situações. Mas ele tem a capacidade de perguntar. Deveria sempre se colocar no lugar do espectador e fazer as perguntas necessárias para responder as perguntas que ficaram no ar. Ainda que faça um bom trabalho na gravação de várias cenas difíceis, Matthew Heineman parece perguntar pouco. Ele gosta de acompanhar a ação, mas não aprofunda na contextualização. Senti falta disso. Acho que Heineman poderia ter feito mais perguntas, especialmente para os personagens centrais que ele resolve colocar em destaque.

(SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Em certo momento, meio que no meio do filme, El Doctor está em uma operação noturna e quase responde parte destas dúvidas. Ele comenta que, até então, todas as vezes que eles capturavam um traficante, eles entregavam para a polícia federal mas que, depois, eles eram soltos e voltavam a aterrorizar as comunidades. Nestas cenas ele sugere que eles passem a fazer diferente. Fica subentendido que depois de torturar o traficante detido, ele fosse morte. Mas Heineman para de gravar e não termina de mostrar o que acontece. E nem questiona El Doctor sobre isso depois.

Senti falta dele fazer isso. Assuntos podem ficar subentendidos, mas isso não ajuda em um documentário. Afinal, quando não deixas uma situação muito clara, especialmente em um filme como esse, a interpretação pode variar. E isso não é bom. Eu posso entender que as pessoas começaram a matar os criminosos, e isso leva quase a uma guerra civil. Em proporção menor, é verdade, mas nos leva quase a isso. A uma terra sem lei em que quase qualquer um pode ser morto. E alguém tem dúvida que inocentes vão morrer neste processo?

Apesar de ter estas pequenas falhas, especialmente de perguntar pouco, Cartel Land é um filme extremamente necessário. Ele trata de um assunto quente não apenas no México e para os Estados Unidos, mas para outros países que tem o tráfico de drogas como um dos elementos principais de sua realidade cotidiana. A verdade é que aonde há tráfico, há violência e morte. Infelizmente os consumidores, normalmente muito longe do cerne da violência alimentada pelo consumo deles, não percebem a responsabilidade direta que eles tem neste cenário.

Cartel Land nos conta a evolução e os efeitos dos levantes populares contra os cartéis de drogas, mas não se aprofunda na complexidade do tema – até porque seria difícil fazer isso em um filme só. Por isso mesmo devemos encarar este documentário como uma contribuição a mais para o tema, com a necessidade de outros filmes serem feitos para ajudar a costurar a colcha de retalhos sobre o assunto. Produção importante e bem feita.

Só senti falta de saber um pouco mais sobre o movimento de resistência nos Estados Unidos e de saber, por exemplo, que opinião as forças de segurança do México e dos Estados Unidos tem destes grupos populares. Apesar das lacunas deixadas pelo filme, ele é importante por levantar essas questões e por fazer qualquer espectador querer ir atrás de mais informações. Apenas por isso este documentário já merece aplausos.

NOTA: 9,3.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Para mim a discussão sobre o combate ao tráfico de drogas é muito simples. Não existe fim para a repressão. Seja a polícia, o Exército ou milícias criadas pelas comunidades, qualquer agente deste vai tirar certas figuras de cena para outras entrarem no lugar. Para realmente combater a violência gerada pelo tráfico a única forma para mim é atacar a ponta. Afinal, enquanto houver alguém que queira consumir e comprar a droga que for, haverá alguém vendendo. No mundo ideal ninguém precisaria comprar drogas para fugir da realidade. Mas como vivemos em um mundo caótico e muitas pessoas vão continuar se entorpecendo, talvez a maneira de realmente combater o problema seria legalizar esse consumo. Compra quem quer, e de forma legal.

Outra forma de encarar o problema é a atual, da repressão. Para mim, Cartel Land apenas demonstra que este caminho não tem saída. Teremos sempre uma realidade cíclica feita de corrupção, violência e mortes. E não adianta substituir quem está segurando as armas, colocando a população comum com o dedo no gatilho. Mais cedo ou mais tarde as pessoas vão dar mais espaço para os seus próprios interesses e esquecer o interesse coletivo, alimentando novamente o ciclo da corrupção e da violência.

Por falar nisso, Cartel Land apenas reforça outra opinião que eu tenho há tempos: se você quer mesmo mudar a  realidade em que você vive o melhor caminho não é tentar uma organização paralela ou alternativa, e sim mudar desde “dentro”. A mudança para valer só vai acontecer desta forma, “de dentro”, e não “de fora”. Ou seja, El Doctor, por exemplo, não deveria ter apenas liderado um movimento de organização popular, mas ter estimulado que pessoas comprometidas se candidatassem a cargos públicos. Dentro do governo eles poderiam realmente ter fomentado a mudança. Afinal, toda vez que prendessem alguém e repassem o criminoso para a polícia federal, estas pessoas continuariam presas e não seriam libertadas, por exemplo. E toda vez que alguém fosse comprado para facilitar fugas e similares, estas pessoas deveriam ser julgadas com rigidez. É uma forma.

Se por um lado Cartel Land não responde a diversas perguntas porque simplesmente não as formula, por outro lado o documentário acerta ao mostrar a complexidade de alguns personagens. El Doctor, em especial, é visto de uma forma mais completa. E isso é positivo. (SPOILER – não leia… bem, você já sabe). Ao mesmo tempo que ele parece ser um cara honesto, simples, que defende que os povoados estabeleçam os seus conselhos cidadãos para que o controle seja comunitário, mais direto e menos suscetível à corrupção e aos crimes – porque ele não quer que o movimento seja “manchado” -, ele também é o sujeito que é infiel com a mulher e que acaba se afastando da família. Então o filme não o torna um herói, destes irretocáveis e sem nenhum defeito. Não. Ele aparece com certa complexidade, o que é positivo. Só o filme nos deixa com vontade de “quero mais”. Gostaríamos de saber mais sobre ele e sobre os movimentos de autodefesa.

O grande mérito deste filme é, sem dúvida, do diretor Matthew Heineman. Ele faz um grande trabalho para contar esta história da maneira mais completa possível. Como o tema é apaixonante e amplo, claro que alguns pontos ficam a desejar. Mas é preciso aplaudir as cenas corajosas que ele faz, muitas vezes na linha de frente do combate aos cartéis. Além disso, ele consegue entrevistar alguns dos criminosos, o que acaba sendo importante para entender aquele contexto e o intricado que é conseguir uma solução para o problema.

Logo nos créditos do filme um nome me chamou a atenção. O de Kathryn Bigelow como uma das produtoras executivas do filme. Kathryn Bigelow, para quem não lembra, ganhou dois Oscar pelo filme The Hurt Locker (comentado aqui no blog) em 2010 – Melhor Filme e Melhor Diretora. Três anos depois ela foi indicada por Zero Dark Thirty (com crítica neste link). Dois filmes importantes. Aliás, Bigelow é uma figura que merece ser acompanhada porque ela faz boas escolhas – incluindo produzir este documentário.

Da parte técnica do filme, merecem destaque o trabalho dos diretores de fotografia Matthew Heineman e Matt Porwoll. Em um documentário, normalmente, os diretores de fotografia são responsáveis pelas cenas que vemos na produção. Heineman e Porwoll fazem um grande trabalho de captação de imagens em Cartel Land. Também é muito bom o trabalho de edição de Heineman, Matthew Hamachek, Bradley J. Ross e Pax Wassermann. As imagens, no caso de Cartel Land, são muito eloquentes. Mas vale citar também o bom trabalho complementar da trilha sonora assinada por Jackson Greenberg e H. Scott Salinas.

Cartel Land estreou em janeiro de 2015 no Festival de Cinema de Sundance. Depois o filme participaria, ainda, de outros 29 festivais. Nesta trajetória este documentário conquistou 11 prêmios e foi indicado a outros 31 – incluindo a indicação para o Oscar de Melhor Documentário. Entre os prêmios que recebeu, destaque para dois conquistados no Festival de Cinema de Sundance: um prêmio de Direção e outro de Direção de Fotografia.

O festival de Sundance destacou, ao dar o prêmio de Melhor Direção para Matthew Heineman: “Para um cineasta que teve a coragem de perseguir uma história que se desenvolveu com complexidade inesperada. Sua mão confiante nos leva a um mundo onde vemos tanta brutalidade e graça”. Ao conferir o prêmio de Melhor Direção de Fotografia para Heinemann e Matt Porwoll o festival de Sundance afirmou: “Os riscos de um documentarista com uma câmera em sua frente são físicos, emocionais e éticos. Estes cineastas navegaram por tudo, nos permitindo preocupar-nos profundamente com as pessoas, criando imagens que nos impulsionam através de uma paisagem de pesadelos”.

Agora, uma curiosidade de bastidores desta história: em Cartel Land aparece o momento em que o grupo de “autodefesa” comemorou um ano do movimento social em 24 de fevereiro de 2014. Naquele mesmo dia a revista Time publicou um artigo com o presidente do México, Enrique Peña Nieto intitulado “Saving Mexico” (Salvando o México). Nieto teria pago US$ 44 mil para a Time publicar aquele artigo no exato dia em que os “autodefesas” estavam celebrando um ano de atividades no México.

Esse filme fez um roteiro, até agora, mais de festivais do que de cinemas. Nos Estados Unidos o filme fez pouco mais de US$ 704 mil nas bilheterias. Nos outros mercados em que estreou, de forma bem limitada ainda, ele conseguiu mais US$ 421,7 mil. No total, pouco mais de US$ 1,1 milhão. Pouco visto até agora, infelizmente. Espero que com a indicação do filme ao Oscar ele consiga melhorar na distribuição.

O diretor Matthew Heineman tem quatro títulos no currículo como diretor. Ele estreou com o curta em vídeo documentário Overcoming the Storm, de 2006. O primeiro longa em documentário viria três anos depois: Our Time. Antes de Cartel Land ele lançou o documentário Escape Fire: The Fight to Rescue American Healthcare, em 2012. Vale a pena acompanhar a trajetória dele. Fiquemos de olho.😉

Os usuários do site IMDb deram a nota 7,4 para esta produção. Ainda que seja uma avaliação boa, levando em conta o padrão do site, acho que o filme merecia uma avaliação um pouco melhor. Os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 79 críticas positivas e nove negativas para a produção, o que lhe garante uma aprovação de 90% e uma nota média de 7,8.

A situação no México é complicadíssima. Ainda que o país tenha crescido nos últimos anos, melhorando a sua economia e recebendo investimentos, a questão dos cartéis é algo gravíssimo e menos explorada pela mídia internacional do que deveria. Encontrei algumas matérias recentes e interessantes a respeito. Indico esta, sobre um sujeito responsável por “desaparecer” com pessoas a mando de um cartel; esta outra que trata de uma vala comum para 105 vítimas e a investigação de oficiais de segurança locais; e esta matéria sobre um ano do desaparecimento de 43 estudantes em Guerrero, uma das poucas histórias vindas do México relacionada com os cartéis, com a polícia e outras autoridades locais corruptas que realmente ganhou projeção mundial.

Sobre José Manuel “El Doctor” Mirales encontrei esta reportagem que trata das milícias no México e mais esta série de matérias do jornal El País sobre o líder comunitário.

Esta é uma coprodução do México e dos Estados Unidos.

CONCLUSÃO: Um filme necessário e surpreendente. Cartel Land nos mostra uma história e ao mesmo tempo fatos novos e que são pouco difundidos fora das fronteiras dos Estados Unidos e do México. A história conhecida está relacionada à guerra sem fim entre traficantes de drogas, as forças de segurança pública e a população. A novidade está no levante popular de algumas pessoas contra essa situação. Filme bem dirigido, com diversas cenas gravadas com muita coragem, esta produção destrincha o assunto e o apresenta com ousadia. No final, ficamos com gosto de querer saber mais. Sem dúvida alguma merece estar no Oscar e ter o seu conteúdo debatido com seriedade.

PALPITES PARA O OSCAR 2016: Desde que a lista final dos indicados ao prêmio máximo da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas saiu, admito que estava muito curiosa para assistir a este filme. Cartel Land tinha me chamado a atenção pelo nome e pelo tema, ainda que, inicialmente, eu não sabia que ele focava os levantes populares e tomada de armas pela população. O que tornou o filme ainda mais interessante.

Francamente, pelo tema e pela ousadia de muitas cenas gravadas por Matthew Heineman, este é um dos grandes documentários do ano. Como eu disse antes, merece estar entre os finalistas do Oscar. Apesar disso, vejo que ele tem uma parada dura para vencer, especialmente contra The Look of Silence (comentado aqui), um trabalho muito autoral e também corajoso de Joshua Oppenheimer. Outro filme que pode surpreender é Amy (com crítica neste link).

Muito diferente de The Look of Silence e Cartel Land, Amy levanta outro tipo de debate e usa recursos distintos para contar uma história também muito contemporânea. Parada dura. Não seria injusto Cartel Land levar a estatueta dourada, mas acho que ele corre por fora. Especialmente em relação a The Look of Silence. Agora, se der “zebra” e Cartel Land ganhar, terá sido merecido. Este ano a categoria está disputada e com grandes filmes. Dos que eu assisti, até agora, diria que apenas Winter on Fire: Ukraine’s Fight for Freedom (comentado aqui), apesar de ser um filme importante, teria poucas chances porque ele é menos complexo que os demais. A conferir.

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  1. 9 de fevereiro de 2016 às 20:00
  2. 9 de fevereiro de 2016 às 20:52

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