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O Menino e o Mundo – The Boy and the World – Boy & The World


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Há muitas formas de encarar a realidade em que alguém vive. Independente da ótica, do filtro ou da bandeira que se use, o importante é volta e meia repensar a respeito. O Menino e o Mundo tem uma ótica muito específica sobre a realidade em que um homem deve sair de sua terra para buscar trabalho longe e em meio a uma sociedade do consumo aonde a vontade coletiva tem pouco valor. É um filme com uma bandeira muito clara. Essencialmente artístico e sem diálogos, é uma produção que foge do que a indústria está acostumada. E, por isso, é importante.

A HISTÓRIA: Começa com um ponto. Depois surgem círculos coloridos, até que os desenhos vão ficando mais complexos. Todos muito coloridos, vão se multiplicando e se sobrepondo enquanto surge a música também. Tudo termina em um ovo colorido. O Menino olha para o ovo e tenta entendê-lo. Mas quando surge uma borboleta, a atenção do menino vai para ela. E depois para um pintinho, passando por uma ninhada, uma lata, e assim a curiosidade do Menino vai o levando cada vez mais longe. Até que ele ouve uma sineta e corre para casa. Ele chega a tempo de ver a mãe dele se despedindo do marido. O Menino também se despede do pai mas, depois, começa a sua própria aventura de procurá-lo pelo mundo.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a O Menino e o Mundo): A essência do cinema está neste filme. Esqueça os diálogos e as palavras. O que precisa ser contado pode ser entendido pela junção de imagens e música. O trabalho de Alê Abreu é realente artístico, do primeiro até o último segundo. Achei a produção encantadora, especialmente na parte inicial, quando assumimos a ótica de um menino que explora as cores e os sons do mundo.

Mas não demora muito para o filme assumir a sua bandeira. Muito válida, diga-se. Quando o pai do Menino vai embora, em busca de um trabalho, esta produção mergulha no sentimento de ausência que ele deixa no protagonista. O Menino resgata as lembranças que tem do pai antes de procurar ele mesmo o patriarca da família. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Até perto do final o filme sugere que a busca do Menino pelo pai não passa de uma fantasia. Afinal, como um menino como aquele sairia do interior sem dinheiro e passaria por tantas aventuras e lugares sozinho. Então teríamos que encarar tudo isso como algo lúdico, uma fantasia na imaginação do menino.

Mas não. E aí que o filme ganha realmente relevância perto do final. (SPOILER – não leia… bem, você já sabe). Na reta final da produção é que entendemos que os dois personagens importantes que o menino encontrou em sua busca pelo pai eram, na verdade, ele mesmo em duas fases posteriores de sua vida. Aí sim, o filme não apenas faz muito mais sentido, mas revela-se muito mais interessante. O Menino acaba passando pelo mesmo processo que o pai, seguindo um dos caminhos possíveis que ele tenha percorrido.

Curiosa a escolha de Alê Abreu em nos apresentar o encontro do Menino primeiro com o Velho, sua fase mais recente no tempo, que trabalha na colheita do algodão. Depois é que o protagonista se encontra com a versão dele mais Jovem, na cidade, trabalhando em um tear. Talvez seja a forma do diretor reforçar a ideia de que, com o tempo, nos aproximamos cada vez mais do básico, do essencial. Até porque, no final, mais uma vez demitido após o avanço das máquinas, o Velho retorna para a sua terra da infância, retomando lembranças do Menino.

Algo interessante da proposta de O Menino e o Mundo é assumir o olhar do Menino como observador das duas fases importantes de sua vida na passagem do tempo. Ele olha e analisa de uma forma essencial o que acontece ao redor do Velho e do Jovem, que são ele mesmo no futuro. O olhar é diferente, é curioso, e está mais atento ao que é o essencial. No fundo cada um de nós carrega o nosso Menino ou Menina da infância nas fases seguintes, ainda que nem sempre percebemos a presença deles ali.

Esta produção também nos faz refletir de como a nossa parte criança avalia ou poderia avaliar o que fazemos nas fases seguintes da nossa vida. O que a nossa criança diria para o nosso adulto? O Velho e o Jovem são observados e também observam o Menino – por isso, e só dá para entender isso no final, eles não oferecem comida para o protagonista em nenhum momento. Afinal, ele não “existe” de fato. Apenas no sentimento e na memória.

Agora, algo que me chamou muito a atenção é a forma com que Alê Abreu defende um argumento. Isso é mais comum de ser visto em documentários do que em filmes de animação. Normalmente em documentários temos uma ótica muito bem defendida, o que percebemos neste O Menino e o Mundo também. Logo percebemos a diferença entre a beleza e o colorido do lugar de origem do Menino, da terra de seus pais, e as cores e/ou a falta delas nos outros locais em que as pessoas são trabalhadoras em série.

Para que o choque não fosse tão grande logo de cara, passamos do interior da infância do Menino para a lavoura em que o Velho trabalha. Lá ainda há verde, há um tom mais pueril e de liberdade do que na fase seguinte, em que temos o Menino e o Jovem na cidade. Fica clara a defesa do argumento de que o homem deveria preservar o seu contato e relação com a natureza e não abrir mão de tudo isso por um desenvolvimento que só traz caos e destruição.

Na primeira fase de descoberta do Menino existe a exploração do trabalhador – não apenas por eles serem vistos como peça de uma engrenagem, mas especialmente porque não se aceitam pessoas “fracas” ou doentes no grupo -, mas também existe a beleza do Carnaval e a de uma rotina simples acompanhada de um cachorro. Há mais diversão do que na segunda fase de descoberta, aonde as condições para os trabalhadores parecem muito piores na grande cidade aonde as pessoas trabalham distantes do local em que moram e que devem se sacrificar para sobreviver.

Claramente Alê Abreu defende que esta sociedade do consumo torna as pessoas descartáveis e que a única forma de conter a revolução popular é a repressão. A presença do Exército e o posterior confronto entre ele e as pessoas que estão se manifestando lembram do nosso próprio passado – e da realidade de muitos locais ainda. Além da exploração do indivíduo e da subjugação dele, o filme explora o resultado de tudo isso na degradação do meio ambiente e dos recursos naturais. Quando o Velho volta para a casa da infância, tudo o que vimos belo e colorido no início do filme está acabado.

Honestamente esse é um filme importante. Faz pensar em questões importantes, ainda que ele não utilize os recursos mais simples para chegar ao grande público. Me lembro de The Artist (com crítica aqui), o filme mais recente que explorou a linguagem do cinema mudo que eu tenha visto. A exemplo de O Menino e o Mundo, The Artist não chegou ao grande público. Foi um filme bem elogiado pela crítica, mas que não teve o mesmo apelo da audiência.

Com isso não quero dizer que um filme não possa explorar outras linguagens, sair do lugar-comum do cinemão. Pode e deve, claro. Mas isso não fará dele um filme popular. O Menino e o Mundo está para a arte como outras produções estão para o cinema de grande público. Quem vai conseguir fazer a sua mensagem chegar mais longe? Eu não tenho dúvida sobre esta resposta.

O diretor Alê Abreu fez uma escolha de tornar os diálogos deste filme incompreensíveis. Talvez essa tenha sido a forma dele de dizer que nenhuma explicação, nenhuma palavra faria muito sentido em um mundo carente de significado. Pode ser. Ou pode ser a forma dele destacar que os sons e a música criada por eles são mais significativos do que as palavras.

É válida a escolha do diretor, mas francamente eu acho que o filme teria sido mais interessante e mais “palatável” para o grande público se ele tivesse os seus diálogos. Ou então que ninguém nunca falasse nada, como em alguns raros filmes do cinema mudo – lembrando que antes do cinema ter som os diálogos eram manifestados através de intertítulos de fala. No caso de O Menino e o Mundo não temos falas inteligíveis e nem intertítulos de fala. O que conta é a narrativa das imagens e, claro, a música.

Como nos primórdios da sétima arte, quando os filmes eram acompanhados de orquestras, em O Menino e o Mundo tudo está plasmado em desenhos, sons e música. O trabalho artístico é incrível, realmente uma obra de arte. A narrativa também tem ritmo e uma trilha sonora fantástica. Respeito a ideia defendida pelo realizador, mas só discordo dela um pouco.

É verdade que deveríamos estar debatendo com muito mais constância e energia a degradação do meio ambiente e dos recursos naturais, assim como o estilo de vida que a maioria tem nas grandes cidades, mas daí a considerar que tudo o que vemos na sociedade de consumo é ruim… bem, vejo um certo endeusamento do que é natural um tanto pueril.

Sabemos que não há Terra o suficiente para todos viverem no campo. Somos muitos e é preciso uma produção além da básica de uma família para a própria subsistência. Precisamos, de fato, de uma produção em larga escala de alimentos para suprir a necessidade de toda a população, para falar apenas de sobrevivência. Se entrarmos na criação artística, se abandonássemos a tecnologia e abraçássemos apenas o giz e a cera, o que é uma forma bacana de criar, teríamos apenas um tipo de produto. Já imaginaram? Enfim, a discussão é longa.

Se entrarmos na área da saúde, então… uma saída seria abandonar as pesquisas e a alta tecnologia para retrocedermos em técnicas mais simples, talvez de prevenção das doenças? Prevenir sem dúvida é melhor que remediar, mas quanto mais se vive, mais inevitável se torna a aparição de doenças. E daí como procederíamos sem a assistência adequada?

Enfim, acho válido questionar a realidade atual, mas não tenho a mesma visão do realizador de que todo o progresso é ruim e que as cidades são apenas terreno de confronto e de precariedade da vida, enquanto o interior é local de beleza e de graça. Nem a cidade é tão feia e nem o interior é tão bonito. Este filme é panfletário e tem uma bandeira bem definida. Deve ser respeitado por isso. Mas para o meu gosto ele é lindo, válido, mas não me convenceu ou me emocionou como outras animações.

NOTA: 9.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Logo nos créditos iniciais do filme chama a atenção que ele foi escolhido pelo Programa Petrobras Cultural e que ele recebeu recursos do BNDES e do Governo de São Paulo através da Sabesp. Essa é a grande diferença entre os filmes que estão concorrendo ao Oscar nesta categoria neste ano. Enquanto os demais se sustentam por conta própria, com recursos dos estúdios e captação na iniciativa privada, o nosso filme e o cinema brasileiro ainda depende de verba pública porque falta não apenas uma indústria de verdade – que tenha recursos para se autofinanciar e lucrar – mas também apoio da iniciativa privada que sustente novas produções. Uma pena.

Agora, sem dúvida, os créditos iniciais me fizeram pensar que parte pequena dos recursos da Petrobras serviu para algo bacana, que foi viabilizar este filme. Certamente se todo o dinheiro desviado no Petrolão tivesse sido aplicado no cinema brasileiro, teríamos muitos outros projetos de qualidade saindo do papel. Faz pensar.

O Menino e o Mundo tem uma forte carga política. E um bocado de ironia sobre a nossa realidade. Por exemplo quando o filme mostra a “cobertura” da TV – claramente uma alusão ao Jornal Nacional – da repressão sofrida pela população pelo Exército. Aparecem cenas do confronto como se tivesse sido uma repressão “natural” e, em seguida, partimos para o futebol, para desfile de moda e para outros assuntos que logo vão “anestesiar” e tirar o foco das pessoas dos assuntos realmente relevantes.

Achei curioso que o filme mostra, perto do final também, cenas reais de degradação – saindo dos desenhos. Mais uma forma do diretor reforçar a mensagem de que ele não está falando de fantasias, mas da realidade. Curioso.

Os desenhos, claro, são fundamentais para esta história. Mas a trilha sonora também. Tiro o meu chapéu não apenas para a arte de Alê Abreu, mas também para a trilha sonora de Ruben Feffer e Gustavo Kurlat; e para a sonoplastia do departamento de som comandado por Marcelo Cyro, Pedro Lima e Teo Oliver. Também merece ser destacado o trabalho de edição de som de Vicente Falek e a mixagem de som de Ariel Henrique. Turma de primeira e fundamental para esta produção. Também há participações especiais de Naná Vasconcelos na percussão e no vocal; de Barbatuques na percussão corporal e vocal; e do Emicida com a música-título do filme. Um time de primeira.

O Menino e o Mundo estreou em setembro de 2013 no Festival Internacional de Animação do Canadá. Depois o filme faria uma longa trajetória de festivais, passando por 20 outros festivais mundo afora. Até o momento esta produção ganhou 12 prêmios e foi indicada a outros oito segundo o site IMDb, incluindo a inédita indicação para uma animação brasileira na categoria Melhor Filme de Animação do Oscar. De acordo com este texto da Ancine, O Menino e o Mundo já conquistou mais de 40 prêmios em festivais internacionais.

Entre os prêmios que recebeu, destaque para os de Melhor Filme na escolha da crítica e da audiência no Annecy International Animated Film Festival, considerado o mais importante evento do gênero no mundo; para o prêmio de Melhor Animação Independente no Annie Awards, outra premiação fundamental do gênero; para o One Future Prize – Honorable Mention no Festival de Cinema de Munique; para o de Melhor Filme Brasileiro no Youth Award do Festival Internacional de Cinema de São Paulo; e para os prêmios de Melhor Filme de Animação e Melhor Filme Infantil no Cinema Brazil Grand Prize.

O filme fez, apenas nas bilheterias dos Estados Unidos, pouco menos de US$ 76,9 mil. Uma bilheteria simbólica, claro. Poucos assistiram o filme, apesar dele ter sido indicado ao Oscar. E ele não deve dar um voo muito maior, até pelo perfil da produção. Mais uma produção artística do Brasil que chegará em poucas pessoas. Filme não-comercial.

Agora, algumas curiosidades sobre O Menino e o Mundo. De acordo com as notas da produção, todos os desenhos do filme foram feitos à mão pelo diretor Alê Abreu.

Alguns diálogos da produção são falados em uma língua imaginária que, na verdade, são falas em português colocadas de trás para a frente. As falas invertidas, claro, ficam incompreensíveis.

O filme mostra uma fazenda de algodão que, na verdade, realmente foi uma das primeiras a se adaptar às mudanças trazidas pelo início da Revolução Industrial.

No início o diretor Alê Abreu tinha a ideia de fazer um documentário sobre a América Latina. Depois surgiu a vontade de fazer uma animação. Segundo as notas de produção, no final, o diretor considera que fez dois filmes em um. Além de animação, O Menino e o Mundo teria um documentário embutido.

Este é apenas o quarto filme do diretor Alê Abreu. Ele teria estreado na direção com o curta Espantalho, de 1998. Depois viria o curta Passo, de 2007 e, naquele mesmo ano, o longa Garoto Cósmico.

Como o IMDb, minha base natural sobre os filmes, tinha pouco material de O Menino e o Mundo e sobre o diretor Alê Abreu, procurei alguma entrevista com o diretor. Encontrei esta, bem interessante, do Correio Braziliense (free apenas a versão resumida). Nela o diretor paulistano de 44 anos comenta sobre o trabalho de três anos e meio que resultou no longo indicado ao Oscar: “Dizia a todos: ‘a tela do seu computador tem que ser vista como uma página de papel em branco – esqueça que a tela é de vidro. Trate como um papel sulfite, que permita colagem, folha amassada e expressão viva e rica”. Vale conferir a entrevista inteira.

Nesta matéria assinada por Maria Clara Moreira, da Folha de S. Paulo, mais informações sobre a trajetória de Alê Abreu. Vale conferir. Fez parte da trajetória do diretor um estágio com o Mauricio de Souza quando Abreu tinha 11 anos. Mas desde aquela época ele gostava de ser independente – o que fez ele não seguir desenhando o personagem Horário e nem mandar desenhos para um concurso da Disney. Agora, ironicamente, ele tenta ganhar um Oscar do filme feito pela Pixar e distribuído pela Disney. Essas são as voltas que a vida dá.😉

De acordo com a matéria a Folha e diferente do que consta no IMDb, Alê Abreu fez o primeiro curta em 1993, Sírius, que fez junto com colegas. O primeiro curto totalmente assinado por ele foi mesmo Espantalho, de 1998.

Como comentei antes, este filme não tem diálogos. Ao menos não diálogos compreensíveis. Ainda assim, aparecem os nomes de pessoas que dão as vozes para os personagens que falam o português invertido. Vale citar: Vinicius Garcia empresa a sua voz para o Menino; Felipe Zilse para o Jovem, assim como para as vozes adicionais; Alê Abreu para o Velho; Lu Horta para a Mãe; e Marco Aurélio Campos para o Pai.

Os usuários do site IMDb deram a nota 7,8 para O Menino e o Mundo. Uma bela avaliação, levando em conta o padrão do site. Ainda assim, menor que o 8,3 recebido por Inside Out. Os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 38 críticas positivas e apenas duas negativas para a produção, o que lhe garante 95% de aprovação e uma nota média de 7,6.

Esta é uma produção 100% do Brasil. Sendo assim, esta crítica entra para a lista de filmes que atendem a uma votação feita aqui no blog.

CONCLUSÃO: Um filme que não é para todos. Assim como um filme do cinema mudo também não é. Em uma época em que sobram palavras e em que a tecnologia estimula filmes 3D e muita ação, O Menino e o Mundo convida o público para o contrário. Este é um filme artístico, artesanal, contrário a tudo que estamos acostumados nos filmes de animação. A proposta do diretor Alê Abreu é clara: rever o que estamos fazendo e pedir para que as pessoas pensem na roda viva em que elas estão imersas.

Um filme importante, bem feito, com algumas imagens verdadeiramente lindas, tem propósito e proposta. Como quase todo documentário, ele tem um ponto de vista para defender muito claro. Para o meu gosto, ele dá pouco espaço para a discordância, o que nunca acho muito positivo. De qualquer forma, é um filme que ganha pontos especialmente no final, quando ele se explica. Bonito, singelo e com uma bandeira bem clara, é uma animação que vai continuar sendo elogiada pelos críticos, mas que dificilmente cairá no gosto do grande público habituado a outro estilo de filme. Faz pensar e, pelo estilo onírico, fica bastante tempo ressoando na memória. Independente do gosto pessoal, algo é necessário comentar: esse é um filme para deixar os brasileiros orgulhosos.

PALPITE PARA O OSCAR 2016: Uma decisão bacana da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood ter selecionado O Menino e o Mundo entre os cinco finalistas na categoria de Melhor Filme de Animação deste ano. Esta produção, de fato, pode ser imaginada facilmente em festivais e premiações que deem destaque para produções mais artísticas e alternativas mas, inicialmente, este não parece ser o foco do Oscar.

Ainda assim, a maior premiação de Hollywood colocou o filme brasileiro lá. Acho bacana porque isso só demonstra como o “mainstream” também gosta do que é bem feito e de produtos que defendam ideias diferentes ou até críticas às suas. Este é o caso de O Menino e o Mundo, um filme claramente libertário e contrário ao sistema consumista. Quando saíram as indicações para o Oscar deste ano, vi muitos comentários de que teríamos “Davi contra Golias” – em uma referência entre a disputa de O Menino e o Mundo e Inside Out (com crítica neste link).

Me perdoem os ultranacionalistas (que acham sempre que algo do Brasil deve ganhar independente de qualidade ou do que for) e os super fãs de O Menino e o Mundo, mas para o meu gosto não se aplica aqui a comparação “Davi contra Golias”. Sempre em uma comparação há filmes melhores e outros nem tanto. Ponto. E isso, claro, varia conforme o gosto, a percepção de mundo e o momento atual de quem está avaliando.

Para o meu gosto Inside Out vai levar a estatueta de Melhor Filme de Animação não porque é “mainstream”, tem o poder dos grandes estúdios ou porque rendeu mais dinheiro que o artístico e alternativo O Menino e o Mundo. Ele vai ganhar porque é melhor. Achei francamente Inside Out mais complexo e com um roteiro mais criativo, um desenvolvimento mais interessante e pensado para todos os públicos do que O Menino e o Mundo, que acho mais restritivo, previsível e limitado na criatividade da história – não do desenvolvimento, que é bem feito.

Respeito as opiniões divergentes, desde já, mas quero deixar claro que se tivesse que votar, certamente daria meu voto para Inside Out. Com todo o respeito ao que O Menino e o Mundo apresenta e representa. Acho realmente que o Oscar irá para Inside Out. E será merecido.

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  1. 14 de fevereiro de 2016 às 14:34

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