Curtas de Animação Indicados ao Oscar 2016


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Olá, meus caros leitores e leitoras do blog.

Amanhã à noite vai terminar a nossa expectativa sobre os premiados do Oscar 2016. Em outros anos eu comentei sobre os curtas que concorrem à premiação anual da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Nem sempre sobrou tempo para fazer isso, mas resolvi retomar os comentários sobre os curtas neste ano.

Infelizmente no Brasil não temos tanto o hábito de assistir a curtas quanto deveríamos. Afinal, este é um produto tão interessante quanto um longa e, geralmente, é nos curtas que grandes diretores e outros profissionais começam. Diferente dos longas, também é mais difícil de encontrar estes curtas para assistir – seja nos cinemas ou mesmo na internet. Por isso vou divulgar, por aqui, um resumo de cada curta e disponibilizar os trailers.

Vou começar os comentários sobre os curtas indicados este ano pela categoria Melhor Curta de Animação. Os cinco indicados são Bear Story (Historia de un Orso); Prologue; Sanjay’s Super Team; We Can’t Live Without Cosmos; e World of Tomorrow. Vamos falar um pouco de cada um deles.

 

1. Bear Story (Historia de un Orso) ou A História de Um Urso

Primeiro curta-metragem de animação produzido pelo Chile a concorrer a um Oscar, Historia de un Orso é dirigido por Gabriel Osorio Vargas. O curta com 11 minutos de duração marca a estreia do diretor na direção para o cinema – antes ele dirigiu apenas a série de TV Flipos.

De acordo com o site oficial do filme, Historia de un Orso é inspirado no exílio do avô de Osorio Vargas durante o regime militar chileno. No curta, um velho urso solitário conta a sua própria história através de um diorama mecânico. Ainda conforme o site oficial, a história é sobre “um urso que deseja voltar para a sua família, onde ele pertence”. Dirigido por Gabriel Osorio Vargas, o curta é produzido por Pato Escala.

Depois de estrear no Festival de Animação de Annecy, em 2014, o curta já contabiliza pouco mais de 50 prêmios em festivais mundo afora, incluindo reconhecimentos no Palm Springs Shortfest, Nashville, Cleveland Film Festival, Animamundi, além de prêmios do público em Zagreb, Florida Film Festival e Klik! Holland Festival de Animação.

No site oficial o diretor também escreveu uma mensagem contando o pano de fundo do filme e comentou: “Este curta-metragem é o resultado de mais de dois anos de trabalho duro. Alguns dos melhores animadores chilenos e artistas se uniram para fazer isso acontecer”.

Francamente eu não vi mais do que o que vocês vão ver abaixo. Ou seja, assisti apenas ao trailer do filme. Mas gostei muito do que eu vi. E ainda por ter essa mensagem de fundo, além de ser produto de um país do nosso continente, sinceramente a minha torcida amanhã irá para este curta. Para quem ficou interessado no curta, há ainda a página dele no Facebook. Na bolsa de apostas do Oscar, contudo, este curta aparece na terceira posição entre os favoritos. No site IMDb o curta tem a nota 7,6. Confira o trailer:

 

 

2. Prologue

Com seis minutos de duração, Prologue é ambientado há 2,4 mil anos e mostra uma violenta batalha entre dois grupos de espartanos e guerreiros atenienses. Esse curta é dirigido pelo experiente Richard Williams, um dos grandes nomes da animação dos Estados Unidos. Perto de fazer 86 anos, esse diretor nascido em Ontário, no Canadá, fez carreira em Hollywood.

Ele tem, no currículo, trabalhos como diretor de animação dos filmes The Pink Panther Strikes Again, Who Framed Roger Rabbit e The Thief and the Cobbler. Como diretor, ele tem nada menos que 10 curtas no currículo – como longas, apenas Raggedy Ann & Andy: A Musical Adventure e The Thief and the Cobbler. Por Who Framed Roger Rabbit ele ganhou dois Oscar’s em 1989.

Curta produzido no Reino Unido, Prologue tem apresenta uma técnica interessante, como de desenhos em stop motion, mas os comentários que eu li de pessoas que viram o curta é de que ele carece de uma boa história. É, basicamente, um trabalho de boa técnica e artístico.

Na bolsa de apostas para o Oscar ele aparecem em quarto lugar. Independente se o curta merece ou não ganhar, é bom ver um veterano como este ainda produzindo, filmando e chegando a ser indicado pela Academia. No site IMDb o curta tem a nota 6,1. Encontrei o vídeo abaixo que mostra um pouco da técnica do curta e também um depoimento de Richard Williams:

 

 

3. Sanjay’s Super Team ou Os Heróis de Sanjay

Nada como um bom material de divulgação. Faz toda a diferença para um curta não apenas ficar mais conhecido, mas também para ganhar votos. E isso é algo que a Pixar sabe fazer muito bem. Outro indicado na categoria Melhor Curta de Animação é este Sanjay’s Super Team, dirigido por Sanjay Patel.

O curta também tem uma história interessante por trás – com requinte um tanto autobiográfico, a exemplo do concorrente chileno. A sinopse de Sanjay’s Super Team é de que “um garoto indiano, entediado com as meditações do pai, imagina os deuses hindus como super-heróis”. Pelo que eu pude ver do trailer do filme e do vídeo com comentários do diretor, o curta vai além desta “brincadeira” inter-geracional.

Para começar, esta produção resgata as memórias afetivas do diretor, além da cultura de seus pais. Há uma reflexão interessante sobre as diferenças entre gerações e, pelo visto, um resgate interessante de diferentes culturas. A exemplo dos outros concorrentes eu não achei o curta completo na internet, mas encontrei o trailer e o depoimento do diretor, que já dão uma boa prévia da produção.

Com sete minutos de duração, Sanjay’s Super Team tem produção executiva de John Lasseter, um dos chefões da Pixar. Antes de estrear na direção com este curta, Patel tinha trabalhado no departamento de animação de 10 longas, incluindo Toy Story 2; Monsters, Inc.; The Incredibles; Ratatouille; e Monsters University. Este curta acompanha o lançamento da Pixar The Good Dinosaur.

No site oficial do curta, Sanjay’s Super Team comenta que o diretor utilizou a sua própria experiência para contar a história de um menino cujo “amor pela cultura pop ocidental entra em conflito com as tradições de seu pai”. Sanjay é fascinado por desenhos animados e por quadrinhos, e o pai tem um belo desafio para tentar apresentar para o filho as tradições da prática hindu.

A imaginação do menino transforma as divindades Hanaman, Durga e Vishnu em super-heróis, e o diretor se inspirou nas tradições das danças Bharatanatyam, Odissi e Kathakali para dar uma personalidade diferente para cada uma delas. Os usuários do site IMDb deram a nota 7 para o curta.

Confira um dos trailers do curta por aqui:

 

E neste vídeo o making off da produção – incluindo comentários do diretor:

 

 

4. We Can’t Live Without Cosmos

Com 16 minutos de duração, este curta russo conta a história de dois cosmonautas que são amigos e que batalham todos os dias, juntos, para realizar o sonho de viajarem para o espaço. O curta é dirigido por Kostantin Bronzit, 49 anos, que tem nove curtas no currículo como diretor, um longa e um episódio de série para a TV.

Esta é a segunda indicação de Bronzit para o Oscar na categoria Melhor Curta de Animação. Ele concorreu, antes, com Lavatory – Love Story, no Oscar de 2009. We Can’t Live Without Cosmos ganhou, até o momento, seis prêmios, e foi indicado a outros quatro – incluindo aí o Oscar.

Na lista das bolsas de apostas o filme aparece em último lugar. Não consegui assistir aos curtas na íntegra mas, pelos trailers, ele me pareceu um dos mais interessantes – junto com o curta chileno. Os usuários do site IMDb deram a nota 7,7 para esta produção.

Confira o trailer do curta:

 

E confira esta matéria da rede RT sobre a indicação da animação russa:

 

 

5. World of Tomorrow

Este curta finaliza a lista de indicados deste ano mostrando a diversidade de produções do mercado e a escolha igualmente diversificada do Oscar. World of Tomorrow é uma produção filosófica que promove o encontro de uma mulher com a sua versão mais nova, mostrando para a menina que um dia ela já foi que tipo de futuro ela terá.

Este curta com produção 100% dos Estados Unidos é dirigido por Don Hertzfeldt, diretor californiano de 39 anos que tem 12 curtas e um longa no currículo como diretor. O único longa dele até agora foi It’s Such a Beautiful Day, lançado em 2012.

Antes de ser indicado ao Oscar por World of Tomorrow, Hertzfeldt concorreu também a uma estatueta dourada da Academia por Rejected no Oscar de 2001. De acordo com o site da produtora do curta, World of Tomorrow já ganhou 42 prêmios, incluindo o Grande Prêmio de Curtas no Festival de Cinema de Sundance.

De acordo com as notas de produção, este é o primeiro curta animado digitalmente por Hertzfeldt. Os outros curtas dele foram filmados em 16 mm e 35 mm e animados com um tablet Cintiq, usando Photoshop e Final Cut Pro. O diretor disse que escolheu a animação digital porque a história se passa em um futuro abstrato e que teria sido muito demorado se ele fizesse a animação diretamente no filme.

Francamente, pelo trailer, achei este curta um dos fortes concorrentes do ano. Ele tem 17 minutos de duração. Na bolsa de apostas ele aparece em segundo lugar, atrás apenas de Sanjay’s Super Team. Os usuários do site IMDb deram a nota 8,2 para o filme. Confira o trailer aqui:

 

PALPITE PARA O OSCAR 2016: Difícil avaliar os curtas apenas pelos trailers. Não vejo a hora de conferir cada um deles na íntegra. Mas pelo que é possível ver da proposta de cada um dos curtas, levando em conta a proposta artística e narrativa de cada produção, os três mais interessantes são World of Tomorrow, Historia de un Orso e We Can’t Live Without Cosmos.

Os três me chamaram a atenção pela técnica e pela história. Minha torcida particular vai para os “hermanos” chilenos representados por Historia de un Orso. Ainda assim, neste caso, assim como na categoria de Melhor Animação, o favoritismo é do filme com maior recursos e uma marca forte por trás. Neste caso, leva vantagem Sanjay’s Super Team. Logo mais saberemos quem se sairá melhor.

  1. 27 de fevereiro de 2016 às 17:44

    Republicou isso em O SOL NASCERÁ….

  1. 27 de fevereiro de 2016 às 17:43

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