Curtas Documentário Indicados ao Oscar 2016


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Finalizando a contagem regressiva para o Oscar 2016, comento neste post os curtas que estão indicados na categoria Melhor Curta Documentário. Na categoria de Melhor Documentário o ano foi de uma boa seleção. Veremos agora se isso se aplica também em relação aos curtas.

Como comentei nos outros dois textos sobre os curtas indicados neste ano no Oscar, sempre acho bacana conferir estas produções indicadas porque, além da maioria delas ser de alta qualidade, elas também nos apresentam diretores e atores que podem despontar nos próximos anos em longas. Em outras edições do Oscar eu cheguei a comentar sobre os curtas finalistas em animação, mas nunca consegui, como agora, falar das três categorias premiadas pelo Oscar. Fico feliz de compartilhar isso com vocês.

Bem, feitos estes comentários, vamos aos curtas de documentário indicados neste ano.

 

1. Body Team 12

Este curta com 13 minutos da Libéria chega ao Oscar como favorito entre os apostadores. Com roteiro e direção de David Darg, Body Team 12 conta a história do grupo que dá nome ao curta e que é “encarregado de recolher os mortos durante o auge do surto de ebola”. De acordo ainda com os produtores do filme, este grupo de “coletores de corpos tem sem dúvida alguma o trabalho mais perigoso e horrível do mundo. Contudo, apesar da tensão de seu trabalho, eles atuam como heróis enquanto o filme explora a filosofia e a força do grupo”.

Para início de conversa, apenas lendo a premissa do curta, já achei incrível a escolha de Darg da história que ele iria contar. A epidemia de ebola foi uma das histórias mais complicadas e tristes da humanidade recentemente e, a exemplo da imigração massiva que a Europa está vivendo agora e que é outro tema vital, esse trabalho com a epidemia deveria render muitos curtas e filmes.

O curta não está disponível na íntegra, mas há o trailer da produção e alguns materiais paralelos com entrevistas com Darg que valem ser vistos porque dão uma boa ideia do material produzido por ele. As imagens são de arrepiar. Sem dúvida alguma é um curta forte e super necessário. Fiquei arrepiada apenas com as cenas que eu vi, imagina assistir aos 13 minutos! Na verdade, fiquei sedenta por ver a Body Team 12.

No trailer é possível ver a desgraça em estado puro. Muitas mortes, por todos os lados, e cada uma delas significando a perda de um ente querido para algum familiar. Como Darg diz na entrevista para a AFI, foi um curta difícil de ser feito tanto do lado físico quanto emocional. Sem dúvida alguma o diretor se arriscou para filmar Body Team 12 mas, ao fazer isso, ele deu um grande presente para todos nós. Nem vi ainda aos outros concorrentes, mas desde já concordo com o palpite dos apostadores de que este é o grande favorito.

Vi alguns vídeos com a atriz Olivia Wilde comentando Body Team 12 e só depois fui entender a razão dela divulgar o curta: ela é a produtora executiva da produção.😉 Segundo Wilde, Darg teve que ser colocado em quarentena durante 45 dias após as filmagens por causa do risco de contaminação. Ele aproveitou este período para editar o curta. De acordo com o site oficial do curta, ele já recebeu três prêmios. Os usuários do site IMDb deram a nota 7,2 para esta produção. Achei uma avaliação um tanto baixa… mas falta assistir ele na íntegra para saber. Confira o trailer do curta por aqui:

 

E confira uma entrevista com o diretor feita para a AFI neste link:

 

 

2. Chau, Beyond the Lines ou War Within the Walls

Você acha que acabou de ver a um baita curta de documentário – não ver, exatamente, mas saber sobre – e daí, na sequência, aparece outro com uma história tão incrível quanto. Chau, Beyond the Lines é uma coprodução do Vietnã e dos Estados Unidos e conta a história de Chau, um adolescente de 16 anos que vive em um campo pacificado vietnamita para crianças incapacitadas pelo Agente Laranja. Segundo a sinopse dos produtores, ele “batalha entre a realidade e o sonho de um dia se tornar um design de moda profissional”.

Fala sério! Fiquei arrepiada só de ler sobre o curta. Esta produção dirigida por Courtney Marsh e baseada na história escrita por ela e por Marcelo Mitnik tem 34 minutos de duração. Não consegui encontrar ela na íntegra na internet, mas achei o trailer e um depoimento da diretora para a apresentadora Ondi Timoner do BYOD e que está disponível no canal do YouTube da TheLipTV (divulgo os dois abaixo).

Apenas o trailer já é de arrepiar. Achei importantíssimo um filme como esse chegar ao Oscar. Afinal, a premiação da Academia é a mais conhecida do cinema e, por estar em Hollywood, ganha outra visibilidade nos Estados Unidos. E foi justamente os Estados Unidos que deixaram aquele legado vergonhoso e de destruição ao usar o Agente Laranja na Guerra do Vietnã.

A realidade de Chau é dura, mas ele quer seguir com os sonhos, apesar de todos ao redor dizerem que é impossível ele conseguir o que deseja. Apenas o trailer já nos instiga a ver ao curta inteiro. Achei o trabalho da diretora Courtney Marsh fantástico. Este é o oitavo documentário dirigido por ela e o seu primeiro no gênero documentário. Sem dúvida é um nome a ser acompanhado. Chau, Beyond the Line já ganhou quatro prêmios. Na bolsa de apostas para o Oscar ele aparece em último lugar entre os cinco concorrentes. Os usuários do site IMDb deram a nota 7,1 para esta produção. Confira o trailer aqui:

 

Confira neste link um trecho da entrevista da diretora para o programa BYOD – nele ela comenta, entre outros pontos, como está Chau hoje em dia:

 

 

3. Claude Lanzmann: Spectres of the Shoah

Este curta com direção e roteiro de Adam Benzine se debruça sobre o trabalho de Claude Lanzmann, diretor do documentário Shoah, de 1985. Com 40 minutos de duração, o curta discute o processo de direção, produção, edição e narrativa adotado por Lanzmann.

O site da Variety contextualiza um pouco mais este curta: “Claude Lanzmann: Spectres of the Shoah começa colocando o monumental documentário de 10 horas do jornalista/documentarista sobre o Holocausto ‘Shoah’ em um contexto rápido com observações do crítico de cinema Richard Brody e o diretor Marcel Ophuls. Em seguida ele mergulha de cabeça em um estudo de sua criação, com Lanzmann contando a grande carga emocional dos sete anos de produção e cinco anos de edição feita por ele. É ao mesmo tempo um retrato fascinante de um homem abertamente pessimista sobre o mundo e uma destilação única de um processo criativo que produziu um dos mais poderosos documentos cinematográficos do nosso tempo”.

A exemplo dos dois curtas documentário comentados anteriormente, esta produção não está disponível na íntegra na internet. Mais uma vez o trailer do curta se vende bem. O depoimento de Lanzmann é provocador. Ele diz que Shoah não é um filme sobre sobrevivência, mas sobre morte e sobre a falta de humanidade. Interessante. Além do mais, bacana ver um curta que se debruçou sobre o processo de um diretor de documentário. Importante para quem gosta de cinema.

Na bolsa de apostas para o Oscar este curta aparece em segundo lugar entre os concorrentes – atrás apenas de Body Team 12. O tema de Claude Lanzmann: Spectres of the Shoah é um dos preferidos da Academia – que segue tendo uma parcela importante de votantes de origem judia. Outro filme que aborda o extermínio da Segunda Guerra Mundial é o favorito na categoria Melhor Filme em Língua Estrangeira: Son of Saul.

Antes de fazer este curta, o diretor Adam Benzine havia dirigido ao longa de documentário Lanzmann. Como não assisti a nenhum dos dois, fiquei curiosa para saber qual é a grande diferença entre eles, especialmente porque ambos, me parece, abordam o mesmo tema e personagem. Enfim, a conferir… Coproduzido pelo Canadá, pelos Estados Unidos e pelo Reino Unido, este curta recebeu a nota 6,9 pelos usuários do site IMDb. Confira o trailer da produção neste link:

 

E confira a entrevista de Benzine para a apresentadora Ondi Timoner do BYOD e que está disponível no canal do YouTube da TheLipTV – aliás, palmas para essa apresentadora que explora muito bem os indicados nesta categoria neste ano:

 

4. A Girl in the River: The Price of Forgiveness

A lista de indicados este ano na categoria Melhor Curta Documentário está realmente fortíssima. A experiente diretora Sharmeen Obaid-Chinoy concorre com este curta com 40 minutos de duração que aborda um caso seríssimo no Paquistão: a morte de pouco mais de 1 mil mulheres todos os anos naquele país em “nome da honra”. A Girl in the River: The Price of Forgiveness narra a rara história de uma vítima que se apaixonou e quase foi morta, mas conseguiu sobreviver para poder contar a sua história.

Produzido no Paquistão, este curta é o sétimo trabalho de Sharmeen Obaid-Chinoy. Ela estrou em 2011 dirigindo um episódios de uma série de documentários da TV. Depois, codirigiu outro curta documentário em 2012, um novo episódio para uma série de TV de documentários em 2013 e, finalmente no ano passado ela lançou o seu primeiro documentário com assinatura solo. No mesmo ano vieram outros dois longas e este curta.

A diretora não é uma estreante no Oscar. Ela já ganhou uma estatueta dourada em 2012 pelo curta documentário Saving Face que ela dirigiu junto com Daniel Junge. O novo curta da diretora aparece em terceiro lugar na lista de apostas para o Oscar. O trailer do filme, bem curtinho, não ajuda muito a termos uma ideia sobre a produção além daquela sinopse ali de cima. Os usuários do site IMDb deram a nota 8,4 para a produção – uma bela avaliação. Confira aqui o trailer deste curta:

 

 

5. Last Day of Freedom

Fechando a lista de curtas documentário indicados ao Oscar neste ano, temos a interessante proposta das diretoras Dee Hibbert-Jones e Nomi Talisman com este Last Day of Freedom. O curta com 32 minutos de duração conta a história do dilema de Bill Babbitt quando ele descobre que o seu irmão Manny tinha cometido um crime. Ele fica dividido entre fazer o certo e chamar a polícia ou ajudar o irmão que enfrenta os riscos de uma pena capital.

Produção 100% dos Estados Unidos, Last Day of Freedom marca a estreia das duas realizadores no cinema segundo o site IMDb. No site oficial do curta é interessante ler o depoimento da diretora Nomi Talisman. Ela trabalhava para uma organização sem fins lucrativos de mitigação em casos de julgamentos de pena capital. Ouvindo a história de várias pessoas envolvidas no processo, inicialmente ela pensou em fazer diversos registros e utiliza-los em uma instalação em galerias e museus.

Mas quando a diretora conheceu Bill Babbitt ela percebeu que precisava focar na história dele e fazer um documentário sobre aquela história complexa e dolorosa que envolvia veteranos de guerra, desordem provocada por estresse pós-traumático, racismo, as falhas do sistema americano da “injustiça criminosa”, laços familiares e pena de morte. Achei interessante o depoimento dela e também o material que eu vi de trailer e making off do curta. Gostei da criatividade e do tema das diretoras.

Na bolsa de apostas para o Oscar este curta aparece na penúltima posição. Segundo o site oficial da produção ela já ganhou 11 prêmios. Os usuários do site IMDb deram a nota 7,6 para este curta. Confira o trailer dele por aqui:

 

Confira também o making of de Last Day of Freedom:

 

E finalizando a divulgação, confira mais esta entrevista da apresentadora Ondi Timoner com os realizadores deste curta e também de Body Team 12:

 

 

PALPITES PARA O OSCAR 2016: Difícil avaliar quem vai levar a estatueta dourada sem ter visto, realmente, a nenhum dos indicados, apenas os trailers sobre eles e mais algum material extra da maioria. Mas o que eu posso dizer, de antemão, é que a disputa nesta categoria está boa, uma das mais acirradas da noite do Oscar, sem dúvida. Ainda que diversos destes títulos merecessem uma estatueta, apenas um deles sairá vencedor.

Ainda que o tema do Holocausto seja caro para Hollywood, acho que a disputa ficará mesmo entre Body Team 12 e Chau, Beyond the Lines ou Last Day of Freedom. O óbvio seria a Academia premiar Claude Lanzmann: Spectres of the Shoah. Seria corajoso se ela premiasse um documentário diferente na narrativa como Last Day of Freedom. Ficarei no meio do caminho, fugindo do óbvio e do ousado. Acho que o Oscar irá mesmo para Body Team 12.😉

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