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La Loi du Marché – The Measure of a Man – O Valor de Um Homem


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A pessoa trabalhou bastante durante a vida e, de repente, perde o emprego. Procura novas oportunidades, mês após mês, faz o curso obrigatório de quem está desempregado e, mesmo assim, não consegue uma recolocação profissional. Este é um drama que afeta milhares, possivelmente milhões de pessoas mundo afora, inclusive e especialmente agora no Brasil. La Loi du Marché trata disso, mas vai muito mais além na reflexão e na narrativa. Através deste filme observamos como vivemos em uma sociedade opressora, onde uma pessoa tem valor na medida em que tem um emprego, tem dinheiro e paga as suas contas. Sem isso, ela vale o que?

A HISTÓRIA: Thierry Taugourdeau (Vincent Lindon) se queixa que, ao terminar de fazer um curso, ele não conseguiu emprego. E que ele não é o único de sua classe, muito pelo contrário. Das 15 pessoas que fizeram o curso de guindaste, 13 estão com dificuldade de conseguir emprego porque nunca tiveram experiência em um canteiro de obras. O coordenador do curso admite que a orientação para os alunos desempregados poderia ser feita de outra forma.

Ele admite que o curso que Thierry fez não foi o correto, mas afirma que ele terá que recomeçar a procurar emprego. Thierry diz que perdeu tempo, que está há 15 meses nesta função de fazer cursos que não lhe dão uma oportunidade depois. A partir daí, vamos acompanhar a saga de Thierry atrás de uma recolocação no mercado e de, com ela, sustentar a sua família.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a La Loi du Marche): Achei esse filme simplesmente incrível. Como tantas produções brilhantes do normalmente excepcional cinema francês, esta também está focada em um argumento relativamente simples. Mas essa relatividade está apenas na ausência de efeitos especiais, na escolha de poucos atores e em um roteiro sobre “vidas comuns”.

Fora as aparências, o filme é profundo, faz refletir e discute bem argumentos que são perfeitamente encadeados e expostos com esmero pelo diretor e roteirista Stéphane Brizé. Não percebemos enquanto o filme se desenvolve, mas quando ele termina é possível repensar o conjunto e perceber como o trabalho dos roteiristas Stéphane Brizé e Olivier Gorce é bem planejado do primeiro até o último minuto. Simplesmente brilhante.

Este filme tem uma importância vital em nossos dias, em que diferentes países do mundo – incluindo o Brasil – enfrentam o desafio de ter um bom contingente de sua população desempregada, que procura emprego e que tem dificuldade de conseguir uma nova oportunidade no mercado de trabalho. De forma exemplar Brizé e Gorce levantam diversos pontos da realidade de alguém de meia idade, avançando para a idade mais avançada, que é pai de família e que passa por essa situação.

Nosso protagonista tem características bem definidas logo nos primeiros minutos de La Loi du Marché. Não sabemos bem a idade que ele tem, mas calculamos que ele esteja na casa dos 50 ou pouco menos. Também se presume que ele tenha trabalhado bastante antes, possivelmente duas décadas ou duas décadas e meia, e que foi demitido junto com vários outros empregados não por falta de competência, mas por falta de gestão dos empresários que empregavam ele e os outros. Bem, essa segunda parte, da incompetência dos empregadores dele para manter a empresa viável sabemos no desenrolar da produção.

Mas é fato que logo no início fazemos várias leituras sobre o personagem de Thierry Taugourdeau. Especialmente de que ele está na meia idade e que já tem bastante experiência no mercado. O que nem sempre é valorizado. Conforme o filme vai se desenvolvendo, vamos conhecendo mais de perto o protagonista, sua família, realidade e motivações. E o mais importante para esta história: o seu caráter. Este é um ponto central do filme – e algo que contrasta com a realidade do mercado de trabalho.

O desenrolar da trama se mostra muito bem planejado e criativo, cuidando de cercar diversos pontos da realidade do mercado de trabalho – tanto de quem está desempregado quanto de alguém que consegue uma oportunidade de emprego depois de uma longa procura. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). O roteiro de Brizé e Gorce começam com Thierry questionando uma pessoa da escola de formação na qual ele fez um curso ineficiente. Aqui começa a construção do caráter do personagem.

Ele é o tipo de pessoa que não fica quieta quando vê algo errado. Por isso ele vai na escola para questionar como eles podem empurrar as pessoas que estão desempregadas a fazer qualquer curso sem avaliar se aquele investimento de tempo e de expectativas dos alunos poderá ter um resultado positivo ou não. Primeiro grande gol dos roteiristas e que não é tão óbvio assim.

Explicando para quem não conhece bem o sistema europeu, por lá quem perde o emprego é obrigado a fazer cursos de aperfeiçoamento enquanto está no paro (como se chama, na Espanha, o seguro-desemprego). Esses cursos são obrigatórios – sem eles a pessoa não recebe o benefício por estar desempregada – e tem como objetivo ajudar o desempregado a conseguir logo uma recolocação no mercado. Mas após a crise de 2008 isso se tornou complicado, até porque diversos países chegaram a ter um alto índice de desemprego – a Espanha, que teve um problema maior nesse sentido, chegou a ter 22% da população ativa desempregada.

O diálogo inicial de Thierry com o diretor da escola – não fica evidente se ele é o “chefe do pedaço”, mas me pareceu que sim – já dá o tom do que veremos no restante do filme. La Loi du Marché é uma crítica ácida e contundente sobre a realidade em que vivemos, de sociedades focadas no consumo e na capacidade que as pessoas tem de ganhar dinheiro para depois gastarem ele com produtos e serviços.

Quem tem condições de estar nesta roda de consumo está bem. Os que estão fora são vistos como “losers”, usando uma expressão dos Estados Unidos, ou simplesmente “perdedores”, incapazes, pessoas incompetentes e que não estão seguindo o que é “normal” para a maioria. Mas calma, estou me adiantando na análise do filme.

Depois daquela sequência perfeitamente escrita do início do filme, o roteiro de Brizé e Gorce seguem em um misto de traçar o perfil do protagonista e de mostrar os desafios que ele tem que enfrentar estando desempregado. Na sequência da conversa dele na escola, o espectador é apresentado para a sua família, para a esposa (Karine de Mirbeck) e para o filho do casal (Matthieu Schaller) que tem um certo grau de deficiência física e motora.

Durante o filme não fica evidente que a esposa de Thierry trabalha, mas como vemos ele em casa, muitas vezes sozinho durante o dia, inclusive gastando o tempo livre para fazer tarefas domésticas, concluímos que o filho do casal está na escola e a esposa do protagonista esteja trabalhando. Além disso, logo no início do filme, Thierry comenta que tem menos de um ano de seguro-desemprego que lhe aporta 500 euros. Quem já esteve na Europa sabe que esta quantidade de dinheiro jamais daria para um pai de família sustentar uma casa. Então sim, provavelmente a esposa dele trabalha e o filho exige alguns recursos adicionais.

O segundo momento que ajuda a mostrar o caráter do protagonista é aquele em que Thierry encontra um grupo de sindicalistas que são amigos dele. Eles discutem a continuidade de um processo contra os antigos empregadores, e Thierry deixa claro que está cansado daquilo e que ele não vai continuar colocando a energia naquela disputa. Ele não quer reviver todos os problemas que passou com os empregadores em um tribunal e pula para fora do barco do processo.

Pessoalmente, entendo bem a postura dele. Eu já tive muitas razões para processar um antigo empregador mas não quis fazer isso por duas razões: primeiro porque penso que na maioria das vezes a pessoa pode fazer a escolha de sair do seu trabalho opressor e buscar uma nova oportunidade melhor e, depois, porque igual que Thierry eu não quis reviver todos aqueles episódios desastrosos do ambiente de trabalho. Querendo ou não, isso demonstra a postura de uma pessoa e até que ponto ela quer chegar para conseguir os seus direitos – e abrir deles quando pensa que não vale tanto a pena passar por isso.

Neste momento do filme percebemos que Thierry é um sujeito que não se ausenta de fazer o que é certo, mas não é rígido o suficiente para sempre lutar até o final. Ele pesa os fatores, reflete e faz o que a consciência lhe diz ser o mais adequado. Depois o roteiro mergulha em mais cenas “da vida comum” do protagonista, com ele fazendo uma entrevista por Skype e tendo aulas de dança com a esposa – parece que ele está preocupado em não deixar o casamento ruir com o “insucesso” dele como trabalhador pesando sobre o casal. Sem dúvida ele precisa ter sensibilidade e bastante esforço procurar o que é necessário para dar segurança para todos da família.

Outro ponto importante da história é quando ele fala sobre as finanças com a gerente de sua conta no banco (Catherine Saint-Bonnet). Ela primeiro sugere se não seria interessante o casal se desfazer da casa própria que eles ainda estão pagando. Afinal, eles poderiam conseguir um aluguel com prestação menor que a da casa em que eles estão vivendo. Thierry comenta que eles já discutiram sobre isso e concluíram que esta não é uma boa opção. Na sequência a gerente da conta pergunta se ele tem seguro de vida e comenta que seria interessante ele fazer um – afinal, ele pode “faltar” em algum momento e a família dele ficaria desamparada.

Para mim este ponto é um dos primeiros mais tensos da produção. Thierry apenas escuta a sugestão da bancária, mas nos colocamos no lugar dele. Não é uma situação fácil. Além dele estar vivendo uma situação de estresse ao estar desempregado e saber de suas responsabilidades, ainda lhe abre essa janela de pensar que a vida dele pode acabar? Isso é verdade, pode acontecer a qualquer um – afinal, para morrer basta estar vivo. Mas não é fácil ouvir essa consideração quando está se tentando apenas dar segurança e uma vida confortável para as pessoas que você ama.

La Loi du Marché não deixa totalmente claro, mas parece que a conversa no banco faz Thierry e a mulher pensarem melhor e tentarem vender a casa móvel de veraneio que eles tem – pelo valor do imóvel, 7 mil euros, acredito que esta residência já foi paga e não seria a que ele discutiu com a bancária e que eles ainda estavam pagando. Eles tentam negociar a casa, mas os compradores, com bastante cara de pau, tentam “se dar bem” com a situação e ofertam 1 mil euros a menos do que o previamente acertado. O negócio não sai, e a pressão sobre Thierry segue.

Um novo episódio sobre a procura de trabalho de Thierry é quando ele participa do que parece ser um curso para preparar melhor as pessoas para entrevistas de trabalho. Ainda que as observações dos colegas de Thierry tenham uma certa lógica e sejam pertinentes, ficamos pensando se realmente aqueles detalhes de postura e de voz são tão importantes ou o que interessa mesmo é se a pessoa é competente no que faz, correta, ética e esforçada em aprender e melhorar sempre. Enfim, uma entrevista de trabalho nunca consegue realmente medir uma pessoa.

(SPOILER – não leia… bem, você já sabe). Não sabemos se por causa daquele curso ou independente dele, mas Thierry consegue um emprego na sequência como segurança de uma loja de departamento. Interessante esta escolha dos realizadores. Eles poderiam seguir com o protagonista batalhando por um emprego e não conseguindo ele até o final, ou até perto do final, e mostrando todo o drama que viria desta situação. Só que, francamente, a história ficou muito mais rica e interessante mostrando Thierry em um novo emprego.

Isso acontece com muitas pessoas. Em um mercado opressor – esta, para mim, é uma das grandes mensagens do filme -, não é simples dar uma banana para o emprego que você não gosta, seja porque o chefe faz as escolhas erradas, seja porque o ambiente de trabalho não é bom ou saudável. Muitas pessoas ficam nestes empregos justamente porque sabem como é complicado ficar fora do mercado de trabalho – afinal, as contas se acumulam, e elas não são poucas.

Mais ou menos metade do filme mostra Thierry desempregado e em busca de uma recolocação profissional e metade mostra ele no novo ambiente de trabalho. Ali, e esta é uma das maiores ironias do filme, ele recebe para “caçar” a todo o momento as falhas dos demais. Seja clientes, seja funcionários da empresa. A realidade é extremamente opressora, no estilo “paranoia total” ou “caça às bruxas”. Thierry e o restante da equipe de segurança da empresa está procurando sempre a mínima falha que pode prejudicar o faturamento da companhia.

O dinheiro roubado através do furto de produtos, de cupons de desconto, de cartões de pontuação ou pelo “erro” de não ter passado algum produto no leitor de códigos de barra pode não fazer grande diferença para a empresa – bem, no acumulado de dezenas de exemplos por mês, até pode fazer um efeito considerável – mas, certamente, pode ser decisivo para as pessoas envolvidas no “delito”. Thierry primeiro aprende o seu papel, conhece os colegas, e depois trabalha para que tudo seja feito como lhe pedem.

Mas as situações que vão se apresentando são, como no caso dele, bem ao estilo de “pessoas comuns”. É impossível não ver alguns casos e pensar pela cabeça do protagonista. Em muitos momentos, especialmente naquele envolvendo o senhor com mais idade que pega duas bandejas de carne e na situação das duas funcionárias que são questionadas por causa de cupons e de um cartão de pontuação, percebemos como Thierry se coloca no lugar deles.

No desespero, sem dinheiro para pagar todas as contas ou colocar comida no prato da sua família em casa, do que você seria capaz? Inicialmente eu parto do pressuposto de que há sempre uma outra saída do que roubar, enganar ou burlar regras bem estabelecidas, mas quem pode me garantir que frente a diversas tentativas frustradas de conseguir sobreviver e, o mais complicado, dar uma boa qualidade de vida para as pessoas que eu amo, eu também não teria algum desvio de atitude? É complicado julgar, sempre.

Da minha parte, vejo sim que as pessoas que foram questionadas neste filme, no ambiente de trabalho de Thierry, erraram e deveriam pagar pelos seus erros. Só acho que algumas punições foram extremadas – por exemplo, não seria possível cobrar daquele senhor que pegou a comida no mês seguinte ao invés de prendê-lo (o filme não deixa claro que a polícia seria chamada e ele seria preso, mas deixa a tender isso claramente)?

Também não seria possível outro tipo de punição para as funcionárias da empresa flagradas em desvios – pequenos, diga-se – do que, por uma estratégia da empresa de reduzir custos demitindo pessoas, cortá-las simplesmente do quadro de funcionários?

Neste sentido entra o lado mais cruel desta realidade em que as pessoas são medidas pela sua capacidade de consumo: ninguém avalia o quanto a pessoa se dedicou para aquela empresa. Ninguém reflete sobre os diversos anos de dedicação daquele funcionário, o quanto ele “vestiu a camisa” em tantas ocasiões. A pessoa simplesmente vira quase um número que pode ser riscado da folha de pagamento facilmente.

Claro, e não é errado argumentar, que nada de errado teria acontecido com aquelas pessoas se elas apenas tivessem seguido as regras e agido certo. Verdade. Mas nem sempre é fácil fazer esta decisão. E, novamente, volto a questionar a intensidade das soluções propostas. Afinal, como este filme deixa bem claro também, cada pessoa é um mundo e ninguém sabe todas as responsabilidades, desafios, dores e prazeres pelas quais as pessoas passa em sua vida pessoal. Por isso mesmo seria interessante todos serem mais “humanos”, enxergarem que do lado de quem você não concorda ou “condena” existe alguém como história que você desconhece completamente.

Uma das pessoas que é tratada daquela forma extremista, de punição após a “quebra de confiança”, acaba tendo uma atitude extrema. Por mais que o espectador desconfie disso quando aparece em cena o diretor de RH (Guillaume Draux) do grupo do qual a loja de departamento faz parte, chamado para dar a notícia para os funcionários ao lado do diretor da loja (Saïd Aïssaoui), apenas na sequência dos fatos, quando a foto dela é colocada em cena, é que tudo fica claro. Não demora muito para que outra situação destas aconteça, e é aí que Thierry tem uma atitude corajosa.

Para a sociedade, um homem pode se medir por sua capacidade de ganhar e de gastar dinheiro, mas a atitude de Thierry durante o filme inteiro, especialmente o final, mostra que um homem se mede por seus valores. O que ele acredita, o que ele defende, o que ele suporta e o que ele se nega a compactuar. É desta forma que se medem homens e mulheres. O dia em que as nossas sociedades compreenderem isso, certamente, viveremos em uma realidade muito, mas muito melhor. Por tudo isso achei este filme brilhante, preciso, indispensável.

NOTA: 10.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: O roteiro é o ponto forte desta produção. Um trabalho exemplar de Olivier Gorce e do diretor Stéphane Brizé que demonstram, com este filme, o que há de melhor – junto com o trabalho dos atores – no cinema francês. Grandes histórias contadas com criatividade e precisão e, normalmente, muito ligadas a histórias sociais e de relevância, são o que fazem da escola de cinema francês algo tão especial. Brizé e Gorce seguem esta tradição e nos apresentam mais um filme muito atual e que, pelo visto, seguirá sendo assim por muito tempo ainda.

Gostei também do trabalho de Brizé como diretor. Ele está com a câmera sempre próxima do protagonista, mostrando bem as suas expressões e tentando, desta forma, colocar o espectador exatamente dentro de sua ótica. Impossível não se colocar no lugar de Thierry. Só pessoas realmente incapazes de empatia para não observar o que acontece com a ótica dele. Além disso, Brizé se preocupa em que tudo pareça bem “a vida como ela é”, imprimindo um tom realista na história.

O ator Vincent Lindon é o nome forte desta produção depois do diretor Brizé. Ele “carrega” o filme nas costas porque o roteiro exige isso. Com uma interpretação muito precisa, ele passa o tempo inteiro legitimidade para o protagonista. Um belo trabalho. Os atores coadjuvantes estão ali apenas para dar apoio para a trama, com poucos destaques na produção. Ainda assim, quando eles tem os seus momentos de destaque, se saem muito bem.

Entre os coadjuvantes, destaque para Karine de Mirbeck, que vive a esposa de Thierry, e para Matthieu Schaller, filho do casal; para Noël Mairot, o professor de dança; para Catherine Saint-Bonnet, a bancária; para Gisèle Gerwig, a empregada que tem uma atitude extrema após ser demitida; para Saïd Aïssaoui, diretor da loja de departamento; para Eric Krop, diretor da escola em que estuda o filho de Thierry; para Christian Watrin, o senhor de idade que é flagrado pegando mercadorias na loja; e para Guillaume Draux, diretor de RH do grupo do qual a empresa faz parte. Todos estão muito bem e acho que são os destaques entre os coadjuvantes.

Da parte técnica do filme, gostei muito da edição complicada e muito bem feita de Anne Klotz. Também funciona bem a direção de fotografia “naturalista” de Eric Dumont.

Fiquei curiosa para saber mais sobre Stéphane Brizé. O diretor francês natural de Rennes vai fazer 50 anos de idade em outubro e tem nove títulos no currículo como diretor. Em 1993 e em 1996 ele filmou a dois curtas, as suas estreias na direção, e fez o primeiro longa em 1999. Acredito que este seja o primeiro filme que eu vejo dele, mas acho que vale ficar de olho neste diretor e roteirista. Agora ele trabalha na pós-produção de Une Vie. Veremos logo mais o que virá por aí.

La Loi du Marché estreou em maio de 2015 no Festival de Cinema de Cannes. Depois, a produção passaria ainda por outros 20 festivais em diversas partes do mundo. Nesta trajetória o filme acumulou sete prêmios e foi indicado a outros sete. Entre os prêmios que recebeu, destaque para o de Melhor Filme pela escolha do público no Festival de Cinema Europeu de Bruxelas; para os de Melhor Ator para Vincent Lindon e para a Menção Especial no Prêmio Ecumênico do Júri do Festival de Cinema de Cannes; para o de Melhor Ator para Vincent Lindon no Prêmio César – o Oscar do cinema francês.

Para quem gosta de saber onde as produções foram filmadas, comento que La Loi du Marché foi realizado em Auberville, em Calvados, e em Boussy-Saint-Antoine, em Essonne, ambos na França.

Agora, um pequena curiosidade sobre a estreia mundial do filme, feita em Cannes. Depois de ser exibido, o filme foi aplaudido por nove minutos e 36 segundos. Nada mal, hein? Certamente esta produção, como todas outras brilhantes do cinema, vai ser assistida por poucos. Não fará grande bilheteria em parte alguma. Mas quem a assiste tem esta vontade de aplaudi-la de pé. Para mim esta é uma métrica muito melhor do que o simples resultado financeiro da produção.

Os usuários do site IMDb deram a nota 6,8 para a produção. Ainda que seja uma nota boa, levando em conta o padrão do site, acho que esta avaliação poderia ter sido um pouco melhor. Enquanto isso, os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 31 críticas positivas e duas negativas para a produção, o que lhe garante uma aprovação de 94% e uma nota média de 7,4.

Esta é uma produção 100% da França.

CONCLUSÃO: Este não é um filme simples, mas é muito necessário. La Loi du Marché traça um perfil muito honesto sobre a sociedade em que vivemos. Mesmo que a história se passe na França, aquela realidade é vista em diversas partes – inclusive no Brasil. Uma das histórias mais contundentes sobre os tempos atuais, em que as pessoas são medidas pelo seu poder de consumir e de pagar as suas contas, nunca pelo que elas fizeram ou fazem de bom. Não entra em jogo aqui os desafios pelos quais elas passaram, o que elas aprenderam e ensinaram. O importante é elas terem um emprego, ganharem dinheiro com ele e gastarem para sobreviver. Grande roteiro, com um protagonista de tirar o chapéu e uma narrativa que incomoda, mas que faz pensar. Achei perfeito e recomendo.

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