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Saul Fia – Son of Saul – O Filho de Saul


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A angústia não para nem por um segundo e parece não ter fim. Mais que uma grande história, Saul Fia nos apresenta uma grande técnica. O cinema ao serviço de mergulhar o espectador no caos e no extremo da crueldade de uma fase tenebrosa da nossa história. Demorei para assistir a este filme, o vencedor na categoria de Melhor Filme Estrangeiro no Oscar 2016. Mas apesar de toda a saraivada de elogios e de críticas positivas que precederam esta experiência, ela não deixou de ser impactante ou diminuiu por causa disso.

A HISTÓRIA: Começa explicando a expressão alemã Sonderkommando. Ela foi utilizada nos campos de concentração nazista para designar prisioneiros com status especial, que não ficavam junto com os demais. Normalmente eles eram mortos após alguns meses de trabalho. Em um cenário embaçado, surgem alguns sonderkommando, com Saul (Géza Röhrig) na frente deles. Junto com os demais homens com um X vermelho nas costas, ele ajuda a organizar o fluxo de prisioneiros que acabou de chegar em um trem. Eles são conduzidos até um local onde tiram as roupas e, depois, confinados, são exterminados. Mas uma das vítimas acaba chamando a atenção de Saul que, a partir daí, empreende uma cruzada para dar um fim digno para aquele garoto.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Saul Fia): Sempre sou da opinião que quando uma produção do cinema é muito elogiada, a análise do espectador já inicia um tanto “viciada” e/ou comprometida. Eu não apenas sabia, antes do Oscar 2016, que este filme era o franco favorito, como acompanhei ele ganhando praticamente todos os prêmios do ano ao qual ele concorreu – pelo menos os principais.

Ainda assim, sempre faço um esforço de esquecer esse tipo de informação quando vejo um filme muito premiado ou elogiado. Fiz isso desta vez, e fiquei simplesmente surpresa com o que eu vi. Mais que a história, que tem sim o seu viés inovador, Saul Fia me surpreendeu pela narrativa e pela técnica do diretor László Nemes.

O mexicano Alejandro González Iñarritu foi premiado dois anos seguidos como Melhor Diretor no Oscar por seu estilo de filmar sem cortes – ou quase sem cortes, no caso do último The Revenant (com crítica neste link). Mas, francamente, achei a direção de Nemes neste Saul Fia mais inovadora e interessante do que o próprio trabalho de Iñarritu. O problema é que Hollywood não costuma premiar diretores de outros países que não estão radicados na meca americana do cinema. Uma pena, porque Nemes merecia.

Desde o primeiro minuto desta produção e até o final a câmera que nos apresenta a história está quase colada nas costas do protagonista ou, quando isso não é assim, ela está muito próxima. Não temos praticamente planos em que ele aparece com uma certa distância ou em perspectiva. Não. A câmera está sempre muito próxima dele, muitas vezes deixando a ação que transcorre em volta como quase um “pano de fundo”. Esta é uma das grandes qualidades desta produção.

O que você sentiu estando por boa parte da produção “nas costas” de Saul? No início, certamente, estranheza. Afinal, não é comum um filme assumir aquela ótica. Depois, junto com a estranheza, provavelmente confusão. Nem sempre a narrativa que ocorre ao redor de Saul é clara ou evidente. Muito fica em segundo plano, e os detalhes fazem a diferença. Além disso, provavelmente você sentiu aflição e desconforto. A história em si provoca isso, além de outros sentimentos, mas a forma com que a história é contada reforça e amplia a angústia que eu comentava lá no início.

Saul e os outros sonderkommando passam os dias encaminhando prisioneiros nazistas para a morte. Por acaso, apenas por uma circunstância qualquer, praticamente de forma aleatória, não é Saul e seus companheiros que estão do lado das vítimas que, depois de exterminadas, viram pilhas de corpos que devem ser queimados ou jogados em valas.

Depois de encaminhar mais um comboio para a morte, seguindo sempre um mesmo “modus operandi”, Saul parece reconhecer uma das vítimas que não morre junto com as outras no gás letal. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). O jovem é morto na sequência, asfixiado por um militar judeu, e segue para uma autópsia. Aí começa a via crucis de Saul para tentar dar um fim honrado para o garoto que ele diz ser o seu filho.

Primeiro, ele tenta negociar com o médico Miklos Nyiszli (Sándor Zsótér) para que ele não faça a autópsia. Afinal, segundo o que prega o judaísmo, o corpo da pessoa morta deve ser preservado. Segundo os preceitos seguidos pelos judeus, ele também não pode ser cremado e nem visto por qualquer pessoa após a morte. Finalmente, as orações fúnebres devem ser recitadas em hebraico por um rabino ou por um membro do Chevra Kadisha (“sociedade sagrada”, composta por homens e mulheres dedicados que executam as preparações dos corpos dos mortos). Este texto é bem completo sobre tudo que deve ser feito após a morte de um judeu.

Depois de negociar com o médico, sem muito sucesso – tanto que ele acaba “furtando” o corpo do jovem quando tem uma oportunidade -, Saul começa a correr atrás de um rabino para fazer as orações fúnebres para o seu filho (“interpretado” por Georgö Farkas e por Balázs Farkas). Como ele não encontra um rabino que tope enterrar um corpo – uma ideia que realmente parece maluca e impossível naquele contexto -, Saul parte para se “infiltrar” em outro grupo para encontrar o rabino Mietek (Kamil Dobrowolski).

Como era previsto, esta tentativa de Saul de convencer Mietek a ajudá-lo não termina bem. Mas o protagonista se safa, a tempo de buscar um outro rabino que possa lhe ajudar. Com os alemães perto de perderem a guerra, eles apressam o envio de prisioneiros para o extermínio, o que faz a rotina de Saul e seus colegas que trabalham de dia não terminar à noite. Eles devem dobrar os esforços para dar conta da nova leva expressiva de vítimas.

Como não é possível matar todos nas câmaras de gás com monóxido de carbono, os nazistas passam a matar as pessoas com tiros e jogá-las diretamente nas covas. Na parte mais caótica do filme, inclusive os sonderkommando viram alvo dos tiros e da confusão. Mesmo no meio daquele caos Saul não desistiu de enterrar aquele que ele diz ser o seu filho. Mas antes disso, Saul participa de uma ação de alguns judeus que tentam usar pólvora para explodir alguns nazistas e, com isso, tentarem fugir.

Depois das pessoas serem mortas nas câmaras de gás e seus corpos incendiados, os sonderkommando vasculham nas roupas das vítimas atrás de dinheiro, joias, relógios e demais peças valiosas. Alguns conseguem esconder algumas peças que, depois, serão utilizadas como moeda de troca por “favores” – como o guarda que deixa os judeus se aproximarem das mulheres para uma “rapidinha”. Saul acaba fazendo esse papel, do intermediário, mas durante a noite caótica ele perde a pólvora que Ella (Juli Jakab) lhe havia passado.

Mesmo no meio daquela confusão extrema, Saul não desiste de encontrar um rabino e, de forma um tanto confusa, ele acha que encontrou um em um prisioneiro exausto e barbudo (Todd Charmont). A partir daquele encontro não demora muito para o filme acabar após o enfrentamento entre os judeus desesperados por alguma chance de fuga e os nazistas acelerando o extermínio de quem ainda estava vivo antes que os inimigos chegassem nos campos de concentração e pudessem encontrar sobreviventes.

O confronto começa no dia seguinte e, mesmo com os tiroteios em andamento, Saul tenta enterrar o adolescente. Sem sucesso, ele acaba empreendendo fuga com o corpo nos ombros e, no caminho, descobre o que os seus companheiros já suspeitavam: o prisioneiro não era um rabino. Ao tentar cruzar um rio, Saul perde o corpo do jovem e parece desistir de seguir lutando. Mas o seu amigo Abraham Warszawski (Levente Molnár), que parece conhecer Saul antes daquela loucura, volta para ajudá-lo a sair do rio. O grupo acaba se escondendo em um celeiro, mas não por muito tempo.

Se o dia de Saul parece não ter fim – e, de fato, ele avança pela noite e tem o seu desfecho apenas no dia seguinte -, o espectador também não consegue desgrudar os olhos da narrativa de Nemes. A técnica utilizada por ele é magistral e casa muito bem com a história que ele está contando – o roteiro é assinado pelo diretor e por Clara Royer. Os personagens não são de muitas falas, especialmente Saul, mas a ação é constante, assim como a angústia e o horror.

Impossível não se colocar no lugar de Saul – por mais que a ideia dele de dar um fim digno e dentro do que prega a religião para aquele jovem pareça absurda, nos compadecemos dele e acompanhamos os seus passos de perto. O ator que vive Saul é simplesmente genial, apresentando uma interpretação soberba. Conseguimos acompanhar cada sentimento dele em suas micro-expressões e, especialmente, em seu olhar. Com a câmera boa parte do tempo nas costas dele, é como se estivéssemos vigilando os seus passos, com um lado “bem definido” para cada um de nós.

Para mim, por mais que já foram feitos e lançados muitos filmes sobre o Holocausto – e muitos deles bem narrados e conduzidos -, nenhum outro foi tão contundente em mostrar a crueldade, a crueza e o absurdo dos campos de concentração do que este filme.

Além da técnica narrativa impressionante de Nemes, foi uma grande sacada dele e de Clara Royer ter contado esta história sob a ótica de judeus que eram obrigados a trabalhar para os nazistas na infame função de ajudá-los a matar os seus similares. Impactante e marcante. Não imagino ninguém encarando aquela realidade da mesma forma depois de assistir a esta produção.

Agora, vou comentar o que, para muitos, deve ser uma dúvida bastante presente sobre uma aspecto importante deste filme: afinal, aquele jovem era ou não o filho de Saul? (SPOILER – não leia… bem, você já sabe). Achei incrível quando o roteiro de Nemes, através do personagem de Abraham, questiona isso. O amigo de Saul insiste em dizer que Saul não tem filhos e que aquele jovem não pode ser o seu filho. Saul responde que ele é um filho que ele teve fora do casamento. Mas, ainda assim, paira a dúvida no ar – especialmente porque Abraham insiste em contradizer o amigo.

Da minha parte, acho que dificilmente Abraham insistiria neste ponto se ele não estivesse convicto de que Saul não era o pai do garoto. Mas então por que o protagonista insistiria tanto em enterrar aquele jovem e em dizer que ele era o seu filho? Para mim ele viu a oportunidade de dar um fim digno para alguém, de pelo menos salvar uma alma, e colocou toda a sua energia nisso. Por isso mesmo acho que não é tão importante se aquele era realmente filho de Saul ou não. A beleza do gesto do protagonista é o que importa, sendo por “causa própria” ou não.

No fim das contas a mensagem que este filme passou para mim foi essa. De que mesmo em meio a todo o terror, à toda ameaça e desesperança, é possível fazer um gesto bom para alguém, buscar fazer o certo apesar dos pesares. Saul é um homem obstinado e ele percebe que, mesmo que ele não tiver chances de sobrevivência, ele pode fazer um grande gesto final por alguém – sendo esta pessoa ou seu filho ou não. Grande filme. Marcante e merecedor de todos os seus prêmios, tanto pela contundência da história quanto e, principalmente, pela inovação narrativa.

NOTA: 10.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Normalmente eu procuro acompanhar as estreias da semana nos cinemas em que estou – como, agora, no Brasil e, antes, na Espanha. Outras vezes, quando consigo publicar duas críticas na semana, busco também produções que foram indicadas por vocês, caros leitores e leitoras aqui do blog, ou algum outro filme que eu tenho curiosidade de assistir e que foge das duas regras anteriores. Nesta semana, como nenhuma produção me chamou muito a atenção entre as estreias no Brasil, resolvi, finalmente, colocar em dia a curiosidade que sempre tive sobre Saul Fia. Quando o filme estreou no Brasil, não tive como parar para assisti-lo, por isso aproveitei esta semana sem grandes destaques nos cinemas para conferi-lo.

Ainda há alguns filmes do Oscar 2016 que eu não assisti, por isso não se espantem se em outra semana “fraca” nos cinemas eu não voltar a eles.

Depois de escrever a crítica acima, fui buscar algumas entrevistas com o diretor Lászlo Nemes para sabe se eu estava falando uma bobagem muito grande ou não na parte final do meu texto. Pois bem, achei entrevistas interessantes neste link, neste outro e, finalmente, neste aqui. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). No primeiro, em português, Nemes comenta, ao explicar o seu processo criativo, que ele buscou uma história muito simples e que ele se interessou “mais (com) a ideia de num lugar onde se queimam pessoas haver um tipo que quer enterrar aquele que julga ser o seu filho”. Perceberam? Não há certeza aí, apenas a convicção de Saul – que pode estar equivocado.

Na entrevista de Nemes para o Jornal Tornado ele comenta também sobre as dificuldades que ele teve em financiar o filme. Ninguém queria bancar o projeto. Então fico feliz que ele passou o rodo e ganhou praticamente todos os prêmios possíveis em 2016. Com isso ele prova que cinema de qualidade deve ser corajoso. Espero que o êxito de Nemes facilite os seus próximos projetos. Ele merece.

Na entrevista para o site Mubi, Nemes fala algo interessante: “Meu filme não é sobre sobrevivência, é sobre a realidade da morte. A sobrevivência é uma mentira, porque ela era uma exceção”. Perfeito. Um realizador que não soube apenas construir bem a sua obra, mas que tem olhar crítico e sabe do que está falando. Em outra parte da entrevista ele fala sobre a questão central do filme, na ótica dele, que não é a sobrevivência física, mas a sobrevivência interior. Ou seja, isso também bate com o que eu dizia antes. Pouco importa se o rapaz é ou não o filho de Saul, mas o importante é que ele tem uma “causa” justa e bela para “lutar”. Aí estaria a sobrevivência interior falada por Nemes? Eu acredito que sim. E esta leitura faz o filme ser ainda mais genial.

A visão e a direção de László Nemes é simplesmente fundamental para Saul Fia. Sem ele o filme simplesmente não existiria de forma tão magistral. Mas depois de Nemes é preciso tirar o chapéu para Géza Röhrig. Que ator, meu Deus! Ele deixa várias outras interpretas no chinelo. Impressionante em todos os momentos e, para mim, especialmente nos minutos finais. A liberdade é uma questão de ponto de vista e, no final desta história, isto fica evidente. Depois de todo aquele pesadelo ele e os demais finalmente serão livres. Enquanto o garotinho estava aterrorizado, Saul estava livre e foi capaz de sorrir. Afinal, ele tinha feito tudo que era possível.

Géza Röhrig é o grande nome deste filme junto com Nemes. Mas é preciso citar o trabalho de outros atores que também deram um show nesta produção: Levente Molnár está ótimo como o amigo de Saul, Abraham Warszawski; Urs Rechn como o oberkapo (chefes dos sonderkommando) Biederman, chefe do grupo de Saul; Todd Charmont como o prisioneiro barbudo que Saul acredita ser um rabino; Jerzy Walczak muito bem como o rabino Frankel, que tenta convencer o protagonista a apenas rezar e não tentar enterrar o seu “filho”; Sándor Zsótér como o Dr. Miklos Nyiszli; e outros atores, como Marcin Czarnik, Kamil Dobrowolski e Attila Fritz como outros judeus do sonderkommando que apareceram mais; além de Uwe Lauer e Christian Harting como chefes nazistas que tinham contato direto com aquele grupo de judeus “de confiança”.

O filme tem muitas qualidades técnicas. Merece uma reverência especial o excelente trabalho de Nemes e de seus assistentes na direção, assim como o departamento da equipe elétrica e de câmeras. No total, 11 pessoas estiveram divididas na função de operador de câmera, assistente de câmera, operador de vídeo, eletricista e afins. Equipe de tirar o chapéu. Também merecem aplausos os nove profissionais envolvidos com o departamento de som – um elemento fundamental para este filme funcionar. Finalmente, vale citar o bom trabalho do diretor de fotografia Mátyás Erdély e do editor Matthieu Taponier.

Saul Fia estreou no Festival de Cinema de Cannes em maio de 2015. Até maio de 2016 o filme passou por nada menos que outros 29 festivais mundo afora. Nesta trajetória a produção acumulou 46 prêmios – incluindo o Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira – e foi indicada a outros 38. Entre os prêmios que recebeu, além do Oscar, eu destacaria o Globo de Ouro de Melhor Filme em Língua Estrangeira; o Grande Prêmio do Júri e outros três prêmios no Festival de Cinema de Cannes; o National Board of Review de Melhor Filme em Língua Estrangeira e o Independent Spirit Award de Melhor Filme Internacional.

Esta produção teria custado US$ 1,65 milhão e faturado, apenas nas bilheterias dos Estados Unidos, US$ 1,77 milhão – não há informações sobre o resultado do filme em outros mercados.

Agora, algumas curiosidades sobre esta produção. Todas as cenas externas foram filmadas com luz natural. Saul Fia foi rodado totalmente na Hungria (nas cidades de Budapeste e Rácalmás e no Rio Danúbio, perto de Budapeste) em apenas 28 dias. A produção de 107 minutos é composta a partir de 85 takes – nenhum com mais de quatro minutos.

Esta produção é 100% da Hungria. Aliás, este é o primeiro filme húngaro a ganhar um Globo de Ouro como Melhor Filme em Língua Estrangeira e o segundo a levar um Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira – o anterior tinha sido Mephisto, de 1981.

Saul Fia bebe de diversas fontes históricas, apesar de ser um filme ficcional. (SPOILER – não leia… bem, você já sabe). A história, por exemplo, transcorre durante um dia e meio entre os dias 6 e 7 de outubro de 1944 – quando uma revolta de sonderkommando realmente aconteceu em Auschwitz-Birkenau.

Os usuários do site IMDb deram a nota 7,7 para esta produção. Ainda que seja uma boa avaliação, levando em conta o padrão do site, achei que a nota poderia ser maior – afinal, o filme realmente é diferenciado. Ela estar neste patamar apenas demonstra que boa parte do público ainda não está disposta a ver filme inovadores – elas ficam mais “confortáveis” com produções que seguem um padrão normalzinho. Uma pena. Os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 184 críticas positivas e apenas oito negativas para a produção, o que lhe garante uma aprovação de 96% e uma nota média de 8,9 – esta nota sim, eu gostei. Muito alta para o padrão do site.

Antes de Saul Fia, László Nemes tinha dirigido apenas outros três títulos, todos curtas, entre 2007 e 2010. Ou seja, esta produção marca a estreia dele em longas. Impressionante. Sem dúvida alguma Nemes é um nome a ser acompanhado. O protagonista desta produção, amigo pessoal de Nemes, também é praticamente um estreante. Ele tinha apenas participado, em 1999, como ator na minissérie para a TV Eszmélet. Ou seja, Saul Fia marca a estreia de Géza Röhrig no cinema e em longas. Que dupla!

Se tudo der certo, até o final desta semana, finalmente, eu vou conseguir estrear uma seção aqui no blog que há tempos estou imaginando. Tenho essa ideia na cabeça há bastante tempo e espero estreá-la nos próximos dias. Espero que vocês gostem.😉

CONCLUSÃO: Eis uma grande experiência de cinema. Como eu disse antes, mais que uma história marcante, Saul Fia nos apresenta uma técnica diferenciada e que potencializa a experiência de quem assiste. Muito já foi falado sobre o Holocausto, mas não lembro de outro filme que tenha colocado o espectador sob a ótica de uma vítima com olhar diferenciado do horror do extermínio judeu. O diretor László Nemes dá um banho de técnica cinematográfica enquanto o protagonista Géza Röhrig dá um show de interpretação. Um filme que, diferente do que o tema pode sugerir, foge do óbvio e não deixa ninguém indiferente. Sem dúvida alguma, uma grande peça de bom cinema.

  1. 4 de junho de 2016 às 6:14

    Que testamento!! Claro que só li a história e a conclusão. :p

  2. Ana Carla
    5 de junho de 2016 às 21:55

    Angústia define o que senti durante o filme inteiro. Revivi essa sensação agora, lendo sua excelente crítica, inclusive. Tudo no filme é soberbo e saí do cinema perplexa, com um nó na garganta.

  1. 18 de junho de 2016 às 22:50
  2. 9 de novembro de 2016 às 22:07

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