Pequeno Segredo – Little Secret


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Um filme sensível, muito bem realizado, tecnicamente, e com um elenco escolhido à dedo. Ouvimos falar muito de Pequeno Segredo, e não foi pelos motivos certos. Até agora o burburinho principal sobre o filme foi gerado pelo fato dele ter “roubado” a vaga de Aquarius como o candidato do Brasil ao Oscar 2017. Pouco se falou sobre as diversas qualidades e um par de defeitos da produção dirigida por David Schürmann. Pois bem, ontem eu assisti à pré-estreia do filme em Florianópolis e é sobre isto que eu quero falar.

A HISTÓRIA: Lentamente o nosso olhar vai deslizando pela imensidão do mar. Depois de um bom tempo, a câmera passa por alguns rochedos até apontar para a terra firme. O dia está cinzento e abriga uma celebração típica na praia. Heloísa Schürmann (Júlia Lemmertz), que faz parte da celebração, está séria, mas parece serena. Em um determinado momento ela segura a mão de Barbara (Fionnula Flanagan). Depois, cumprimenta os celebrantes. Corta. Heloísa e o marido dela, Vilfredo (Marcello Antony), são acordados no barco por Kat (Mariana Goulart), que quer nadar. Os pais cedem aos apelos da menina e Heloísa comenta que muitos temem o mar, mas que ela escolheu viver nele. Agora, com Kat um pouco maior, ela sente que a filha precisa ir para a escola, mas a mãe teme justamente a terra firme.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Pequeno Segredo): As principais qualidades deste filme são apresentadas logo no início, na sequência inicial da produção. A direção bem pensada e com tom claramente hollywoodiano do diretor David Schürmann; a trilha sonora magnífica do melhor compositor brasileiro da atualidade, Antonio Pinto, e a intocável direção de fotografia de Inti Briones.

Mas antes de falar sobre outras características do filme e comentar sobre o que eu achei dele, quero ressaltar que há pelo menos três maneiras de assistir à esta produção. A que eu tentei perseguir por todo o tempo foi a de tentar ver o filme com o olhar de um crítico estrangeiro e/ou votante da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Ou seja, tentei ver o filme da forma mais isenta possível, esquecendo inclusive o que eu já sabia sobre a história que ele iria me contar. Para mim, esta é a melhor forma de assistir a Pequeno Segredo.

A segunda forma de ver o filme é um pouco também a maneira com que eu o assisti: de alguém que já sabe boa parte da história. Infelizmente (ou felizmente) por eu ser catarinense eu já conhecia o essencial da história de Kat e da família Schürmann. Quem conhece a história, especialmente após ter lido o livro escrito por Heloísa Schürmann, terá uma leitura totalmente diferente da produção. A minha visão, por mais que eu me esforçasse para assistir ao filme com a primeira ótica, foi um tanto “contaminada” por esta segunda.

A terceira forma de assistir a Pequeno Segredo é ver o filme comparando ele com Aquarius ou com alguma das outras produções que estavam concorrendo à indicação do Brasil para o Oscar. Esta leitura comparativa também terá um efeito muito diferente daquela de quem não assistiu Aquarius ou aos outros concorrentes. Da minha parte, estou nesta turma. Não assisti aos demais filmes brasileiros e, desta forma, pude ver Pequeno Segredo por si só, sem comparações – apenas comparando ele com os filmes estrangeiros que eu já assisti e que estão habilitados a avançar nas listas finais para o prêmio da Academia. Falo um pouco deles logo abaixo.

Depois destas considerações feitas, vamos ao que interessa. Assisti Pequeno Segredo sem maiores preconceitos ou comparações, tentando compreendê-lo como uma obra cinematográfica em si. E a verdade é que me surpreendi positivamente com o filme. Este é o oitavo título no currículo do diretor David Schürmann, incluindo quatro séries para a TV, um documentário, um curta documentários e apenas um longa de ficção – Desaparecidos, que tem a nota 2,3 no IMDb.

Eu estreei assistindo aos filmes do diretor com Pequeno Segredo. Tecnicamente falando, o filme é muito bem feito, com uma direção cuidadosa, atenta aos detalhes e com bastante ritmo de David Schürmann. O diretor sabe muito bem valorizar os detalhes das interpretações de seus atores, destacar detalhes de roupas, gestos e locais e, nos momentos certos, ampliar a visão do público para que ele veja “o quadro completo” e, a exemplo dos pais do diretor, vejam toda a beleza e magnitude da Natureza.

Tudo isso está em Pequeno Segredo. Mas esta não é uma história qualquer. Como o filme bem sinaliza no início, esta produção é baseada em fatos reais. E não de uma história qualquer, mas da própria família do diretor. É preciso saber disso para entender algumas das escolhas dele que, no fim das contas, é o capitão do barco nesta produção. Agora, voltando a falar do filme com os olhos de um “votante da Academia”.

Pequeno Segredo começa muito bem, com belas imagens, cenas bem planejadas, filmadas e que já dão o tom do que veremos na sequência. Após a introdução inicial, o filme se divide em duas narrativas: a que foca o cotidiano de Kat aos 12 anos, estudante do Colégio Catarinense, em Florianópolis, e uma adolescente normal cheia de planos, e a que aborda a relação entre o neozelandês Robert (Erroll Shand) e a brasileira Jeanne (Maria Flor), uma história de amor, encontros e desencontros que se desenvolve no Pará.

Sob a ótica de um “gringo”, este começo do filme é fascinante. Os estrangeiros adoram “mergulhar” na cultura dos países que eles estão assistindo, e Pequeno Segredo consegue apresentar bem o contraste entre Santa Catarina e o Pará. Especialmente a cultura muito típica do Pará deve fascinar o estrangeiro. Contudo, já neste início, duas sequências – a de Robert querendo colocar uma carta nos Correios e, um pouco mais para a frente, a dele correndo pelas ruas da cidade buscando Jeanne – me incomodaram um pouco porque elas me fizeram lembrar Central do Brasil.

Não sei se vocês notaram, mas os roteiristas deste filme são Victor Atherino e Marcos Bernstein. Ligaram o segundo nome à pessoa? Bernstein foi o roteirista de Central do Brasil (junto com João Emanuel Carneiro e Walter Salles). Então as duas cenas citadas me fizeram lembrar muito Central do Brasil. Enfim… Conforme a história de Pequeno Segredo vai se desenrolando, percebemos que o filme busca contar a história sob a ótica de Kat.

(SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Primeiro, ao mostrar os anseios e o cotidiano da garota na pré-adolescência e, depois, ao contar, em paralelo, a origem da menina ao revelar a história de amor entre os seus pais. Para quem não conhece absolutamente nada da história dos Schürmann, pode ser uma surpresa, mais tarde, descobrir que Robert e Jeanne eram os pais da protagonista. Assim como o descobrir o segredo que cerca a doença da menina. Para quem não tem conhecimento nenhum sobre a história, a primeira dica de que algo estranho está acontecendo é dada quando Heloísa Schürmann tira o rótulo dos remédios (“vitaminas”) que a menina toma.

Sem dúvida alguma o impacto da história será maior para quem a desconhece totalmente. Não era o meu caso. Como a família Schürmann é catarinense, eu conhecia em linhas gerais a história de Kat. (SPOILER – não leia… bem, você já sabe). Eu sabia o essencial: que ela tinha sido adotada eu que faleceu jovem como vítima do HIV. Sabendo da história, me chamou muito a atenção a forma delicada com que o roteiro e a direção tratam a trajetória de Kat.

Inicialmente o filme se divide justamente entre a história de uma “pré-adolescente comum” e todos os seus sonhos, “pequenos dramas” e anseios, e a história de amor do gringo Robert e a linda, linda brasileira Jeanne. A escolha dos atores é outro ponto a destacar desta produção. Todos estão ótimos em seus papéis, sem nenhum deles destoando dos demais.

Ainda assim, se destacam os excelentes desempenhos de Maria Flor, Júlia Lemmertz, Mariana Goulart e Fionnula Flanagan – fiquei encantada, especialmente, com as três primeiras. Erroll Shand também está bem, ainda que ele tenha me “desconcentrado” um pouco por me lembrar o personagem principal de Avatar – me desculpem por esse comentário, mas realmente isso me afligiu em vários momentos do filme.

O desenvolvimento de Pequeno Segredo é de um típico filme de Hollywood. Você e eu já assistimos a várias produções do gênero. A história começa “pelo final”, com uma espécie de “pílula” de um momento importante da história, e depois a narrativa é dividida em duas partes que se desenvolvem paralelamente. Até aí, nenhuma novidade. Pequeno Segredo realmente não apresenta nada de muito novo, seja na história, seja na técnica narrativa. Mas é um filme muito bem acabado, com belas cenas, bem conduzido pelo diretor e com um ótimo elenco, além de uma trilha sonora que é um verdadeiro presente para os ouvidos.

O roteiro convence por grande parte do tempo. Mas acho que a história perde força do meio para o final, quando a relação de Kat com a família não é tão desenvolvida quanto poderia e quando, principalmente, a narrativa perde as cores e o caráter típico do Pará para abraçar o menos interessante cenário de Auckland, na Nova Zelândia. (SPOILER – não leia… bem, você já sabe). Mas o momento em que o roteiro realmente deixou a desejar foi quando Atherino e Bernstein “forçam uma barra” na discussão entre Heloísa e Barbara. Aquele discurso da mãe da protagonista sobre o amor eu achei bem complicado. Poderia ser, a meu ver, melhor escrito.

Mas, no geral, a perspectiva do filme sob a ótica dos sonhos e dos desejos de Kat, valorizando a relação dela com a mãe, em especial, e a história da menina desde a sua origem através da relação de amor entre Robert e Jeanne são acertadas. Só eu senti falta de ver mais da relação de Kat com as demais pessoas da família – os irmãos praticamente não aparecem e o pai, muito pouco -, assim como entender um pouco melhor qual foi a relação dela com os pais biológicos e a avó. Afinal, pelo que dá para entender na “visita” surpresa de Barbara no aniversário de 13 anos de Kat, a avó não era uma desconhecida, mas alguém com quem Kat mantinha uma certa relação.

O roteiro do filme, para mim o único ponto mais fraco da produção, acaba apostando demais na vida comum da pré-adolescente do que em mostrar com profundidade as suas relações familiares. Dá para entender isso sob a perspectiva de que os realizadores talvez quiseram mostrar como uma menina soropositiva (ainda que ela não soubesse disso) pode ter uma vida normal, tendo os mesmos anseios, dúvidas e medos que qualquer menina de sua idade. Quando todos sabem sobre o “segredo” de Kat, o filme abre mão de explorar a fase derradeira da doença para mostrar a menina no auge do seu sonho.

Neste momento, fica claro que Pequeno Segredo é uma homenagem de David Schürmann para a sua irmã – algo que ele torna claro na dedicatória final, quando homenageia também a mãe. Há que se entender isso para compreender as escolhas artísticas do filme. É algo bacana, e honroso. Pensando de forma artística, contudo, teria sido interessante explorar melhor as demais relações da menina e, de alguma forma, mesmo que com imagens de flashbacks de lembranças dela ou da mãe, mostrar mais da vida que Kat levou antes daqueles últimos anos.

A história em si é fabulosa. A doação dos Schürmann, especialmente de Heloísa, para aquela menina, assim como a vida maravilhosa que ela teve sobre a Terra. Senti falta de ver mais desta vida incrível, cheia de aventuras e de conhecimento. Sobre a mensagem do filme, acho que Pequeno Segredo nos faz pensar sobre o quanto a vida é valiosa. Que não importa se vivemos 10 ou 90 anos, desde que esta vida tenha sido plena, com a realização de sonhos e com muito amor recebido e doado. Apenas por estas reflexões e pelo cuidado com que este filme homenageia pessoas especiais, ele merece ser visto. E também receber a nota abaixo.

NOTA: 9.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Pequeno Segredo é um filme tipicamente hollywoodiano. Tanto pela forma com que a história é contada, como pela linguagem adotada pelo diretor. Se o filme tivesse o selo “made in Hollywood”, não seria estranho que ele pudesse ser indicado no Oscar 2017 para categorias como Melhor Trilha Sonora ou Melhor Direção de Fotografia. Mas como ele é um filme brasileiro, dificilmente vai conseguir qualquer indicação. Afinal, Hollywood gosta de premiar Hollywood nas categorias principais do Oscar – mesmo nas técnicas.

O filme de David Schürmann está concorrendo com outras 84 produções de países de todos os continentes a uma das cinco vagas na categoria Melhor Filme em Língua Estrangeira do Oscar 2017. O problema é que ele é um bom filme em uma categoria errada. Para aparecer na pré-lista dos nove filmes indicados nesta categoria e, principalmente, para figurar na lista dos cinco finalistas é preciso ter muito mais do que Pequeno Segredo nos apresenta.

A história recente do Oscar demonstra que os votantes da Academia procuram filmes ousados na narrativa ou na técnica. Histórias fortes, surpreendentes, com grandes interpretações ou que apresentem histórias conhecidas mas de forma diferenciada. Isso aconteceu no Oscar 2016, com Saul Fia (comentado aqui), que tratou de um tema conhecido, o Holocausto, mas com uma técnica refinada e diferenciada; em 2015 com Ida (com crítica neste link), que tem um roteiro com uma pegada interessante e diferenciada; em 2014 com La Grande Bellezza (comentado por aqui), um filme interessantíssimo tanto pela técnica quanto pelo roteiro; em 2013 com Amour, um filme excepcional (com crítica neste link), e assim poderíamos seguir comentando mais alguns anos. Todos estes tem em comum uma produção excepcional e grandes acertos de roteiro, direção e em outros elementos das produções.

Na pré-estreia de Pequeno Segredo para a qual eu fui convidada nesta terça-feira, Priscila Beleli, que faz parte da Ocean Films, responsável por esta produção junto com a Schurmann Film Company, comentou que realmente o grande desafio da equipe é fazer os votantes da Academia assistirem a Pequeno Segredo. Ela comentou que a maioria não fica nem sabendo de todos os 85 indicados como Melhor Filme em Língua Estrangeira. Então o primeiro desafio é fazer Pequeno Segredo ser conhecido nos Estados Unidos e, depois, convencer os votantes a conferir a produção.

Para ajudar na divulgação do filme nos Estados Unidos, a Ocean Films e a Schurmann Film Company contrataram uma equipe nos Estados Unidos para promover sessões de divulgação do filme e para providenciar anúncios em jornais e revistas especializadas. Depois de ter pré-estreia no Festival Internacional de Cinema do Rio, Pequeno Segredo teve duas exibições na semana passada em Los Angeles e, nesta segunda-feira, teve pré-estreia em São Paulo. De acordo com Priscila Beleli, o filme foi bem recebido nas sessões em Los Angeles. Os pais do diretor, Heloísa e Vilfredo Schürmann, teriam visto pela primeira vez a produção neste último domingo.

Ainda de acordo com Priscila Beleli, que trabalha com o produtor João Roni, no dia 17 será feita uma sessão de Pequeno Segredo para os votantes do Oscar organizada pela própria Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. No dia 2 de dezembro a assessoria americana contratada pelos produtores do filme fará uma sessão para convidados – a ideia é ter neste encontro votantes da Academia. “A campanha conta com anúncios em revistas especializadas como Variety, The Hollywood Reporter, Los Angeles Times e as mídias digitais The Wrap e Indie Wire”, detalhou.

Nesta “cruzada” da campanha dos produtores de Pequeno Segredo para o Oscar – é tão importante fazer uma boa campanha quanto ter um bom filme para a disputa -, eles contam com o apoio da Ancine, do MRE (Ministério das Relações Exteriores), do Programa Cinema do Brasil/Apex, do Ministério da Cultura e da Embratur. O primeiro objetivo dos realizadores do filme é conseguir fazer com que ele apareça na lista de nove filmes da pré-lista da categoria e que deve ser divulgada em dezembro e também fazer com que o filme emplaque no Globo de Ouro 2017.

Da parte técnica do filme, além dos nomes já destacados, vale citar o bom trabalho do editor Gustavo Giani, o design de produção de Brigitte Broch e o competente trabalho do departamento de arte com 11 profissionais.

Depois de estrear em circuito limitado no Brasil no dia 22 de setembro – a tempo de poder se habilitar para o Oscar -, Pequeno Segredo vai estrear oficialmente no país nesta quinta-feira, dia 10 de novembro. Espero que ele se saia bem nas bilheterias. É uma história que merece ser conhecida, sem dúvidas.

Para mim foi um verdadeiro deleite ver várias imagens da minha querida cidade adotiva, Florianópolis, na telona. Realmente é uma cidade belíssimas. Os outros locais em que o filme foi rodado foi a cidade de Belém, no Pará, e de Auckland, na Nova Zelândia.

Até o momento o filme de David Schürmann não participou de nenhum festival competindo a prêmios e nem ganhou nenhum prêmio da crítica. Veremos que caminho o filme fará a partir de agora.

Os usuários do site IMDb deram a nota 6,4 para a produção. Levando em conta os padrões do site, esta até que é uma boa avaliação. Mas o filme ainda é desconhecido no Exterior. Prova disso é que ele nem aparece na lista de produções do Rotten Tomatoes, site que reúne críticas de diversos países, mas especialmente dos Estados Unidos.

Algumas pessoas podem achar estranho como o ator Marcello Antony praticamente não abre a boca no filme. Realmente o personagem dele acaba tendo um papel bastante secundário. Eu não sou próxima da família Schürmann, mas falando com pessoas que os conhecem bem, me disseram que realmente o pai da família, Vilfredo, é uma pessoa de poucas palavras. Muito diferente da esposa, Heloísa, que falaria bastante. Isso ajuda a explicar, pois, o personagem de Antony.

Este filme entra na lista de produções que atendem a votações aqui no blog porque há tempos atrás vocês pediram mais produções do Brasil por aqui.

CONCLUSÃO: Um filme bem acabado, com uma direção cuidadosa e bem ritmada, Pequeno Segredo tem muito mais qualidades do que defeitos. Algumas de suas qualidades maiores – a trilha sonora soberba, a ótima direção de fotografia e a competente direção geral – estão logo nos primeiros minutos da produção. Apenas o roteiro, que começa muito bem intercalando dois tempos narrativos, poderia ter sido um pouco mais lapidado até a reta final. Ainda assim, está claro que o filme atinge o seu objetivo, que é nos fazer pensar sobre questões importantes da vida e, principalmente, homenagear uma menina que soube viver muito bem a sua vida. Sem dúvida o Brasil está bem representado no Oscar, apesar deste ser um ano muito complicado para um filme como Pequeno Segredo.

PALPITES PARA O OSCAR 2017: Pequeno Segredo não está concorrendo em uma categoria qualquer do prêmio máximo da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Ele está concorrendo justamente como Melhor Filme em Língua Estrangeira, uma categoria que tem várias particularidades. Pelos motivos que eu comentei anteriormente, a tarefa de Pequeno Segredo de deixar 80 concorrentes de fora da disputa e figurar entre os cinco finalistas desta categoria é bastante improvável, para não dizer impossível.

Um tanto “hollywoodiano” demais para a competitiva e alternativa categoria de Melhor Filme em Língua Estrangeira, Pequeno Segredo deve se esforçar muito para ser visto este ano. A preferência dos votantes da Academia estará para assistir aos favoritos Elle, da França, dirigido pelo sempre interessante Paul Verhoeven e protagonizado pela excelente Isabelle Huppert (adianto por aqui que ele será o meu próximo na fila); Toni Erdmann, da Alemanha, produção que já acumula sete prêmios na temporada pré-Oscar; Neruda, do Chile, dirigido por Pablo Larraín e estrelado por Gabriel García Bernal; The Salesman, do Irã, do sempre talentoso e premiado Asghar Farhadi e que já tem cinco prêmios no currículo por esta produção; e Land of Mine, da Dinamarca, o mais premiado desta temporada, com nada menos que 21 conquistas até agora.

Estes filmes – Elle, Neruda, The Salesman, Toni Erdmann e Land of Mine – são os mais apontados pelas listas de apostas de especialistas que começam a despontar aqui e ali. Apenas com eles, a lista das cinco produções que vão concorrer à estatueta dourada estaria completa. Mas alguns destes filmes pode ficar de fora (como Neruda, por exemplo), o que deixaria a quinta vaga em aberto. O problema é que Pequeno Segredo é ainda bastante desconhecido fora do Brasil e há outros nomes que aparecem na sequência entre os filmes que podem conseguir esta quinta vaga.

São exemplo de concorrentes com chances maiores do que o brasileiro o filme espanhol Julieta, de Pedro Almodóvar, fruto de uma safra menos interessante do diretor espanhol (e comentado aqui); o italiano Fire at Sea, que tem seis prêmios até o momento; e o venezuelano Desde Allá, que pode não ser excepcional, mas tem um roteiro mais forte que Pequeno Segredo (a crítica sobre ele pode ser acessada neste link). Ou seja, Pequeno Segredo corre muito por fora. Só mesmo uma grande campanha pré-Oscar e bastante lobby para fazer o filme aparecer na lista das nove produções que avançam na disputa e que será divulgada em dezembro.

  1. Davi Silistino de Souza
    22 de novembro de 2016 às 22:34

    Me desculpe, mas tenho que discordar com muita coisa. Apesar de a fotografia do filme e do início ter sido, de fato, magnifica, na minha opinião o filme é muito fraco, principalmente se tratando de uma representação cultural brasileira. Do começo ao fim podemos perceber que o filme trata de uma história de elite, com atores e atrizes brancos representando personagens hegemônicos. De maneira alguma, isso é evidenciar a realidade brasileira. Da mesma forma que a trilha sonora baseada em artistas principalmente internacionais não ajuda nesse quesito. Mais do que isso, o filme é lento, carregado, mas ao mesmo tempo simples e banal. Logo na metade já se sabe a história inteira, a qual é cansativa e entediante. Sinceramente, não vejo motivo algum para o filme ter sido indicado como representante BRASILEIRO no lugar de Aquarius. Além de o filme não ter características nenhumas para ser indicado a oscar algum, ele nem ao menos dirigido por um brasileiro para ser indicado nessa categoria de filme estrangeiro (Brasil)! Metade dele se passa na Nova Zelândia, com falas, músicas estrangeiras! Tem alguma lógica nisso??

    Acho que uma questão a ser tratada sim é a gigantesca injustiça que fizeram com Aquarius, filme que, inegavelmente, tem todos os requisitos para ser indicado na premiação. Não me assustaria ver uma Sonia Braga ser indicada como Melhor Atriz; ou ainda a trilha sonora; ou ainda a direção; ou ainda o roteiro.

    • 23 de novembro de 2016 às 8:25

      Olá Davi!

      Antes de mais nada, seja bem-vindo aqui no blog. Não sei se esta foi a tua primeira visita neste espaço, mas foi o teu primeiro comentário por aqui. Então sinta-se em casa para voltar sempre.
      Tenho por premissa respeitar sempre as as opiniões discordantes da minha até porque o cinema é uma experiência muito pessoal. Mas desta vez eu sou obrigada a te responder com algumas ponderações. Até para te mostrar que em alguns pontos estás equivocado não na opinião, mas na informação.
      Não sei se sabes ou se você leu a minha crítica, mas a história de Pequeno Segredo é baseada em fatos reais. Ela é inspirada na vida da família Schürmann, brasileiros (atenção, brasileiros como você e eu) que adotaram uma menina soropositiva. O roteiro do filme é baseado em parte da vivência deles com Kat.
      Discordo de você, e tenho o IBGE para comprovar o que eu digo, sobre o Brasil ter um perfil de população. Como os Schürmann, eu nasci em Santa Catarina. No Sul do Brasil, se você conhece essa região, há muitos “brancos” e pessoas de diversas origens e cor de pele, incluindo mestiços, pardos, negros. Mas há muitos brancos. Ora, se a história do filme retrata uma família “branca”, qual seria a razão de ter atores negros? Não acho que tenha qualquer relação com preconceito e também não acho que o filme “faça de conta” que no Brasil tenham apenas brancos. Nem perto disso. Mas sim, no país há brancos e pessoas com todas as outras cores de pele. Não acho que um filme para representar o Brasil precise mostrar isso – e, convenhamos, qual é a cor de pele dos protagonistas de Aquarius?

      Sobre Pequeno Segredo se passar na Nova Zelândia e ter vários atores falando inglês, não tem a ver com ele querer ser mais internacional ou ignorar o idioma do Brasil, mas tem a ver sim com a história na qual ele está baseado. Sim, você gosta de Aquarius e defende o filme. É o teu direito. Mas só achei que os teus argumentos contra Pequeno Segredo, na essência, estão bem equivocados.
      Ah sim, e outro erro no teu comentário: o diretor Davi Schürmann é brasileiro sim. Ele nasceu em Florianópolis. E a trilha sonora é do brasileiro Antonio Pinto, um dos grandes nomes que temos nesta área no país e autor de outras trilhas fantástica do nosso cinema.

      Abraços e volte sempre por aqui.
      Alessandra.

  1. 26 de novembro de 2016 às 22:09

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