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Foxcatcher – Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo

7 de fevereiro de 2015 5 comentários

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O filme mais estranho que eu assisti até agora da lista de indicados ao Oscar 2015. Foxcatcher é todo estranho. Primeiro, conta a história de alguns atletas de um dos esportes mais marginalizados dos Jogos Olímpicos. Depois, se aproxima de uma tradicional e muito rica família dos Estados Unidos. A junção destas duas realidades parece improvável, e a motivação desta aproximação é ainda mais estranha. Um filme curioso, mas que não passa muito disso.

A HISTÓRIA: Cenas históricas de cavaleiros e amazonas montando a cavalos de estirpe. Muitos são cercados de cães. Corta. Mark Schultz (Channing Tatum) treina sozinho na academia Wexler. Depois de alguns exercícios, ele coloca a medalha de campeão olímpico no pescoço e vai conversar com alunos de uma escola de ensino básico. Ele fala sobre o que faz um atleta ser um campeão. É março de 1987, e Mark ganha US$ 20 por ter falado para os estudantes.

Depois, ele ganha um lanche, aparentemente com diversos veteranos de guerra, e vai para casa comer macarrão instantâneo com molho de pimenta. Ele tem uma vida miserável, e parece estar incomodado com isso. Mas ele tem o irmão, David (Mark Ruffalo) sempre por perto. Tudo isso vai mudar quando entra em cena o multimilionário John du Pont (Steve Carell), que resolve patrocinar Mark e outros esportistas da luta grego-romana.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Foxcatcher): Desde os primeiros minutos deste filme a sensação predominante é de desconforto. Sempre há algo que parece “fora da ordem”. Não por acaso, a expectativa de quem assiste é de algo ruim deve acontecer a qualquer momento. Só não sabemos da onde o tiro vai partir.

Verdade que o título do filme no Brasil não ajuda no mistério. Afinal, “uma história que chocou o mundo” dá muito a entender que haverá um crime em cena. E como o tom de estranheza é constante, não é difícil alimentar a dúvida sobre que um crime ocorrerá a qualquer instante. Esse incômodo, não tenho dúvidas, faz parte das intenções dos roteiristas E. Max Frye e Dan Futterman, assim como do diretor Bennett Miller. Ou para dizer de outra forma, a sensação de um certo gosto amargo na boca é proposital.

A única justificativa para Foxcatcher existir é o desejo dos realizadores de questionar alguns dos baluartes da sociedade norte-americana. Afinal, o estranhíssimo personagem principal desta história John du Pont, encarna diversos elementos daquela cultura e professa valores que parecem corretos, mas que podem ser muito mal utilizados. Vale lembrar que a diferença entre o remédio e o veneno está na dose. E que muitas vezes a aplicação dos conceitos faz toda a diferença.

Com um tom amargo constante, Foxcatcher vai contando histórias de gente desvirtuada e que, aparentemente, não tem limites para a própria ambição. O que fica confuso, para mim, é o quanto os roteiristas tornam confusa a identificação de quem exagera na ambição e de quem apenas é dedicado a um propósito. Pensando bem, agora, ao escrever este texto, talvez essa seja a intenção deles.

Afinal, ainda que não seja fácil de perceber isso o tempo todo, mas há muitos mais tons de cinza – sem fazer alusão ao livro pornográfico – do que o preto e o branco que gostaríamos que predominasse em tantas ocasiões. Sendo assim, du Pont poderia realmente ter algum bom propósito, mas o essencial da conduta dele era de fonte egocêntrica. Através deste personagem, os realizadores querem questionar as famílias ricas e poderosas dos Estados Unidos. Que, volta e meia, mostram o seu pior lado.

Neste ponto é que entra o questionamento sobre a razão de ser de Foxcatcher. Esta é um produção que apenas aborda um crime ainda considerado absurdo por muitos norte-americanos? Ou seria uma forma dos realizadores questionarem a alta sociedade dos Estados Unidos, suas relações de poder e também a falta de apoio para alguns tipos de esporte? Sou mais adepta da segunda versão, ainda que eu não ache a primeira desprezível.

O filme parece ter a intenção de acertar a dois passarinhos com um tiro. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Ao mesmo tempo, matar a curiosidade de muitas pessoas que ainda se lembram do assassinato do campeão olímpico David Schultz, e também levar aquele caso para um outro nível, no qual são questionados os valores, as relações de poder e o ambiente em que as famílias abastadas do país estão fundamentadas.

Acho válido todo filme que aborda o segundo ponto, porque é interessante, ilustrativo e faz pensar o mergulho em realidades segmentadas. O que questiono é utilizar um drama que realmente aconteceu para fazer isso. Afinal, o trabalho de Frye e Futterman conta uma de diversas versões possíveis. Não necessariamente a mais próxima da verdade. Há fatos revelados no filme que acredite terem pouco espaço para dúvida, como a forma com que David é morto. Mas tantos outros detalhes são bastante questionáveis, sem contar os fatos sugeridos e não explicados. Vejamos.

Segundo este filme, Mark Schultz vivia em uma realidade paupérrima, aparentemente descontente com o rumo que a vida dele estava levando, até que surgiu na sua frente John du Pont. Podre de rico, o herdeiro de uma das famílias tradicionais do país resolve bancar o jovem atleta. Por mais que Schultz estivesse insatisfeito com a vida que ele levava, a forma fácil com que ele se muda para a propriedade de du Pont é um pouco difícil de acreditar. Mas ok, vamos levar em conta que os roteiristas não quiseram perder muito tempo com os pormenores.

A produção sugere que Mark estava não apenas insatisfeito com a falta de apoio para ele e para o esporte, mas também com as comparações constantes com o irmão, David, e com certa superioridade que o irmão mais velho poderia ter. Esta é uma forma de encarar a história, mas não é a única. Depois falarei mais a esse respeito.

Pois bem, segundo Foxcatcher, o filme – porque também há o livro homônimo e que não tem nada a ver com esta produção – , Mark não pensa muito em aceitar o convite de du Pont. Interessado em aparecer e em ter poder, principalmente, o multimilionário logo começa a jogar psicologicamente com Mark. Primeiro, ele tenta trazer o irmão David para o grupo. Quando não consegue isso, ele resolve substituir a figura do irmão, afastando Mark de David.

Daí surge um dos primeiros elementos que Foxcatcher questiona na sociedade americana: a ambição. Ela é vista em duas das figuras centrais desta produção – apenas David é semi-poupado na história. Primeiro, em Mark, que, segundo os roteiristas, estaria obcecado em fazer sucesso “por seus próprios méritos”, embarcando naquela ideia de du Pont de que ele deveria sair da sombra do irmão – mais velho e mais reconhecido que ele. Depois, no próprio du Pont, um sujeito estranho que parece estar sempre exibindo o poder emanado pelo dinheiro que a família tem, além de querer ganhar evidência em algo – nem que for na luta grego-romana com a qual ele não tem nenhum approach.

Quando du Pont, superbem interpretado por Steve Carell, resolve ele mesmo começar a “lutar”, chegamos ao extremo da noção patética do personagem no filme. A mãe dele, Jean du Pont (a veterana e sempre ótima Vanessa Redgrave), claramente tem vergonha do filho quando ele se presta a fazer coisas com as quais ele não tem nenhuma intimidade.

Além disso, e aí está um dos problemas do filme, Foxcatcher não deixa claro, mas apenas sugere que du Pont é gay. Isso fica subentendido em diversas cenas que mostra como ele admira aqueles – além da esfera deles serem atletas de elite -, e também em uma sequência que sugere que du Pont e Mark tiveram alguma relação mais íntima. Se ele fosse gay e se sentisse “castrado” pela mãe, que reprovaria um homossexual em uma família tão tradicional, muito seria explicado. Mas esse fato não fica evidente.

O que fica claro é que du Pont se sentia podado pela mãe em diversos sentidos, inclusive ao acreditar que ela amava mais os cavalos de raça e premiados do que ele. Consequentemente, du Pont reage a isso querendo ser um filantropo, especialista em diversas áreas e reconhecido por isso. Não importa para ele se o reconhecimento é real ou se ele deve pagar para ele. Du Pont, aparentemente, cresceu e “amadureceu” sem conhecer limites. Tanto que ele, ao ser contrariado, ao não conseguir o que ele mais desejava – que era ver Mark ser campeão olímpico sob a sua chancela e patrocínio -, ele resolveu “vingar-se” de alguém relacionado que estivesse perto.

Como Mark já havia saído do propriedade, a ira e a falta de controle de du Pont acabou cobrando um preço alto de David. Nestas minhas observações já estão outros elementos que Foxcatcher claramente acha relevantes de questionar: a alta classe tradicional dos Estados Unidos e sua falta de limites e a influência que eles conseguem ter ao dedicar parte de suas fortunas para causas “filantrópicas”. Curioso também como o filme mostra a proximidade de du Pont com os militares e os policiais, ao ponto dele comprar um tanque de guerra e praticar tiro com os homens da lei.

Um dos problemas deste filme é que para ele vender os seus conceitos, ele deve simplificar bastante os personagens. Por exemplo, Mark começa e termina o filme carrancudo. Parece um cara que está insatisfeito o tempo todo. No início, por não ter dinheiro. Depois, por estar à sombra do irmão. Finalmente, por se sentir usado por du Pont e por não se reconhecer mais – inclusive ao descambar para a cocaína. Por outra parte, du Pont é um cara estranho do início ao fim, detentor de várias frases feitas e manipulador. Ele sabe usar o poder e o dinheiro que tem para conquistar o que deseja.

Certo que as pessoas são o que elas são. Mas ninguém é tão raso quanto os personagens de Foxcatcher. Ou dificilmente encontramos pessoas tão unidimensionais. Mas para convencer, Frye e Futterman escolhem esse caminho da simplificação dos personagens. E também um bocado da história, a ponto de deixar algumas pontas soltas – como se houve ou não um envolvimento sentimental/sexual entre Mark e du Pont; sobre as reais motivações da chegada e da partida de Mark da propriedade e assim por diante.

No fim das contas, acho que há filmes que falam sobre o “mal estar” dos valores norte-americanos de forma muito mais eficaz. O primeiro que me vem à mente é o já clássico American Beauty, ou mesmo o ainda anterior Blue Velvet e o mais recente Mulholland Dr. – ambos do ótimo David Lynch. Para mim, estes três filmes, para citar só alguns, são mais eficazes em fazer uma autocrítica ao “american way of life” do que este Foxcatcher com suas leituras simplificadas de personagens – e o pior, reais – e seus furos de roteiro.

NOTA: 6,8.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Realmente é uma experiência muito diferente ver Steve Carell em um papel tão sério. Esse ótimo ator, que eu gostei de acompanhar em parte da versão norte-americana da série The Office, aparece totalmente diferente aqui em Foxcatcher. Mas ele está ótimo, porque convence como um cara que parece, permanentemente, ser perigoso. O John du Pont de Carell é estranho o tempo todo, e um pouco assustador. Para incorporá-lo, o ator contou com a ajuda fundamental da maquiagem. No total, 14 profissionais estiveram envolvidos no departamento de maquiagem do filme. Trabalharam bem.

Gosto de Channing Tatum e de Mark Ruffalo. Cada um deles está bem neste filme, mas o roteiro não lhes ajuda a construírem personagens melhores. Afinal, os irmãos Mark e David nesta produção estão desenhados para propósitos muito específicos, sem complicações – diferente das pessoas reais, normalmente. Isso me incomoda um pouco, porque, afinal de contas, este filme segue aquela alcunha de “baseado em fatos reais”.

As atrizes Sienna Miller e Vanessa Redgrave mais uma vez em papéis secundários. A primeira, em especial, se consolidando como uma camaleoa. A cada novo filme que eu vejo essa atriz, ela está muito diferente do anterior. Bacana isso. Ela mostra versatilidade. Acho que é uma questão de tempo para vermos ela em um grande papel e com uma grande interpretação. Vanessa Redgrave, como sempre, elegante e precisa em sua interpretação.

Como comentei na crítica, alguns pontos no filme me deixaram em dúvida e incomodada. Daí que parti para ir atrás de informações sobre a história real de Foxcatcher. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Encontrei este texto, um tanto fraquinho – e não, Foxcatcher não é um dos favoritos ao Oscar -, mas que ganha interesse por resgatar parte da história real e, principalmente trazer uma foto do verdadeiro David e do du Pont real.

Mas a real controvérsia sobre a versão de Foxcatcher, filme dirigido por Bennett Miller, eu fui ter ao procurar o livro Foxcatcher escrito por Mark Schultz. Não li o livro inteiro, mas dei uma passada nele, e a versão é bem diferente do filme. Ele não fala que teve uma relação afetiva com du Pont. Pelo contrário. Ele deixa claro que só foi para a propriedade do multimilionário por causa do dinheiro. E diferente do que o filme sugere, ele nunca se queixa do irmão ou demonstra ter inveja ou sentir-se à sombra dele.

Pelo contrário. Ele elogia David do início ao fim. Claro, alguém pode dizer, que ele fez isso após o irmão morrer, mas que na época em que ele estava vivo as coisas eram diferentes. Até pode ser, mas não vi até agora nenhuma comprovação disso. Frye e Futterman devem ter se baseado na cobertura da imprensa da época e ter “adequado” a história para que o filme ganhasse em “interesse” e “drama”, mas não parece que a produção tem realmente muito fundo na realidade.

Outro texto interessante e até fundamental é este. Ele mostra como a polêmica cresceu quando o filme estreou, e de como o verdadeiro Mark ficou indignado com Miller, a ponto de ameaçá-lo de processo e de acabar com a carreira do diretor. Segundo um texto que Mark escreveu no Facebook e que é reproduzido no texto que eu linkei, ele nunca se mudou para Pensilvânia, como o filme mostra, e sim foi morar em Villanova como ajudante de treinador.

Ele também conta que a primeira vez que ele encontrou du Pont, este estava “sujo e bêbado”, e afirma que nunca o considerou um mentor ou que viu nele a figura de pai. Ele também nega vários outros fatos mostrados no filme. Ou seja, mais razões para questionar Foxcatcher de Miller. Ah sim, e Mark tira aquela dúvida que eu tinha lá encima: ele diz categoricamente que não teve nenhuma relação sexual com du Pont. Eita! O filme sugere algo bem diferente. O estranho é que Mark acabou mudando radicalmente de opinião depois – ele teria sido comprado?

Da parte técnica do filme, nada me chamou muito a atenção. Mas acho que vale mencionar a trilha sonora precisa e bem pontual de Rob Simonsen; o design de produção de Jess Gonchor; os figurinos de Kasia Walicka-Maimone e o trabalho dos 13 profissionais envolvidos na maquiagem.

Foxcatcher estreou em maio de 2014 no Festival de Cinema de Cannes. Depois disso, o filme participaria de outros 24 festivais. O próximo da lista aonde o filme ainda vai estrear é o Festival de Cinema de Belgrado, que começa no dia 2 de março. Nesta trajetória o filme conquistou 13 prêmios e foi indicado a outros 45. Entre os que recebeu, sem dúvida alguma o principal é o de Melhor Diretor para Bennett Miller no Festival de Cinema de Cannes.

Esta produção foi totalmente rodada nos Estados Unidos, em diversas cidades da Pensilvânia, incluindo Pittsburgh, e também em Leesburg, na Virgínia. O filme também é uma produção 100% dos Estados Unidos – por isso ele entra na lista de “votações no blog”.

Agora, aquelas clássicas curiosidades sobre o filme. Na cena do espelho, Channing Tatum realmente quebra o objeto, o que não estava no roteiro. Mas ele realmente entrou no personagem naquela sequência, inclusive machucando a testa na ação.

Tatum e Mark Ruffalo passaram de cinco a seis meses em um treino intensivo de luta para poderem interpretar os seus respectivos papéis no filme. Steve Carell estudou as imagens disponíveis de du Pont durante horas, para tentar ser o mais fiel possível ao retratado por ele no filme.

Não encontrei informações sobre os custos deste filme, mas tudo leva a crer que ele teve um baixo orçamento. Nas bilheteria dos Estados Unidos, até o dia 1º de fevereiro, o filme tinha conseguido pouco mais de US$ 11,45 milhões. Baixo, bem baixo.

Os usuários do site IMDb deram a nota 7,3 para esta produção. Uma boa avaliação, levando em conta o padrão do site. Os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 177 textos positivos e 25 negativos para o filme, o que lhe garante uma aprovação de 88% e uma nota média de 7,9. De fato, pelo visto, eu estou abaixo da média do público e da crítica na avaliação deste filme. Isso é raro, mas acontece.

CONCLUSÃO: Sabe aquele filme em que você fica esperando o tempo todo que algo de ruim e/ou trágico aconteça? Este é o caso de Foxcatcher. A história é estranha do início ao fim, e como as peças não encaixam, o diagnóstico da tragédia iminente é inevitável. Os atores estão bem, mas o roteiro é um pouco arrastado e tem partes com fios soltos. As sugestões e as não comprovações incomodam, assim como a “moral da história”. Filme estranho que aborda um dos crimes que pode ter chocado os Estados Unidos, mas que teve pouca repercussão mundial – diferente do que os produtores querem nos fazer crer. Eficaz na narrativa, ainda que facilmente esquecível.

PALPITES PARA O OSCAR 2015: Por razões óbvias eu esperava mais de Foxcatcher. Certo que ele não foi indicado a Melhor Filme. Mas há produções melhores na disputa – como Selma – que foram indicadas a menos estatuetas que este filme de Bennett Miller. Como gosto dos atores envolvidos no projeto, também esperava que a entrega deles fosse marcante.

Pouco disso aconteceu. Como repeti diversas vezes no texto acima, apenas a estranheza da história e da forma com que ela é contada predomina nesta produção. Dos indicados ao Oscar deste ano, este é um exemplo de como a premiação está um pouco enfraquecida. Em um ano de boa safra, não imagino Foxcatcher concorrendo sequer a uma estatueta, quanto mais à cinco!

Mas ok, vamos ao que interessa. As indicações do filme este ano. Foxcatcher concorre em Melhor Ator para Steve Carell; Melhor Ator Coadjuvante para Mark Ruffalo; Melhor Direção para Bennett Miller; Melhor Roteiro Original e Melhor Maquiagem e Cabelo. Melhor Ator, nem pensar. Ainda que eu goste muito de Steve Carell, ele está léguas distante das ótimas performances de Eddie Redmayne e Benedict Cumberbatch. Mesmo Michael Keaton está melhor. Carell também apenas poderia duelar com Bradley Cooper – e olha lá.

Na categoria de Melhor Ator Coadjuvante também não vejo chances para Ruffalo. J.K. Simmons e Ethan Hawke estão muito melhores, e mesmo Edward Norton me pareceu mais “dentro” do papel. Não que Ruffalo não esteja bem, mas ele não faz nada além do que já estamos acostumados a vê-lo fazer. Ainda preciso ver a Robert Duvall.

Melhor Direção, nem pensar. Richard Linklater, Wes Anderson, Morten Tyldum e Alejandro González Iñarritu, nesta ordem, para mim, tem trabalhos melhores para apresentar que Miller. Aliás, se fosse para indicar alguém diferente nesta categoria, eu ainda preferia Clint Eastwood do que Miller. Acho o trabalho de Eastwood em American Sniper mais difícil e técnico do que do diretor de Foxcatcher. Ele dever ter bons amigos em Hollywood.

Finalizando, Melhor Roteiro Original, também, nem pensar. Boyhood, Birdman e The Grand Budapest Hotel são muito melhores e bem acabados, nesta ordem de preferência. Mesmo Nightcrawler achei melhor desenvolvido. A única chance do filme, pois, está em Melhor Maquiagem e Cabelo. Sem o trabalho técnico nesta área Carell não teria recebido uma indicação ao Oscar.🙂 Sendo assim, talvez o filme leve uma estatueta, nesta categoria, se conseguir ganhar de The Grand Budapest Hotel – grande concorrente também – e Guardians of the Galaxy. Mas não seria totalmente surpreendente se o filme saísse do Oscar sem nada. Seria justo, na verdade.

Whiplash – Whiplash: Em Busca da Perfeição

1 de fevereiro de 2015 5 comentários

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Ninguém vai ser bom, na atividade que for, se sempre for elogiado e adulado. Isso é fato. Alguém só consegue ser diferenciado se for cobrado, empurrado para ser melhor e, ele(a) próprio(a), preferencialmente, ser um(a) grande crítico(a) de si mesmo(a). Whiplash discorre sobre este tema, faz pensar sobre a educação caótica que temos no Brasil, mas também leva a lição ao extremo. Um filme delicioso tanto pela trilha sonora quanto pelo roteiro, mas que exagera um pouco em certa dose. Ainda assim, é ótimo de ser visto porque acerta no elenco e na narrativa, além de fazer pensar. Tudo o que desejamos em um bom filme.

A HISTÓRIA: Som de bateria. Cada vez mais forte e mais rápido. Quando o som para, vemos a Andrew (Miles Teller) no fundo de um corredor, sentado na frente de uma bateria. O resto é silêncio. Aluno de primeiro ano de uma das melhores escolas de música dos Estados Unidos, Andrew está treinando até tarde. Ele recomeça, e a câmera vai se aproximando. Ele está concentrado, por isso demora para perceber a aproximação do ídolo e professor mais admirado/temido da escola, Fletcher (J.K. Simmons). O garoto pede desculpa, mas Fletcher quer saber o seu nome. Ele se apresenta, e acaba tocando para Fletcher escutar. Ali apenas começa a relação conturbada dos dois.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso só recomendo que continue a ler quem já assistiu a Whiplash): Quem acompanha o blog há mais tempo sabe que sou louca por música. Minha outra paixão junto com o cinema. Bem, também sou louca por boas leituras. Mas replicando a frase de Nietzsche, “sem música a vida não faria sentido”. Já tive a sanidade preservada inúmeras vezes graças à música.

Dito isso, é uma satisfação encontrar pela frente um filme como Whiplash, porque esta produção dá o devido protagonismo para a música. Ainda que ela seja apenas uma desculpa para o argumento principal desta história: a importância de cobrar eficiência máxima de quem quer aprender ou se aperfeiçoar em algo. Ninguém é ou será grande se não for muito exigido. Isto é fato, e bem explorado nesta história envolvente com roteiro e direção de Damien Chazelle.

O realizador não perde tempo. Ele logo nos apresenta o som que vai embalar o filme, o protagonista e o alvo que ele quer agradar a qualquer preço. Não há tempo a perder. Afinal, precisamos entrar fundo nas ambições de Andrew e no preço que ele está disposto a pagar para ser grande. Com diálogos precisos e diretos, Whiplash vai logo no cerne da questão: qual é o limite das exigências para impulsionar alguém a ser bom? E até que ponto esta cobrança é benéfica ou apenas a manifestação de um sadismo de alguém que está em posição de ensinar e orientar quem está aprendendo?

Estas são questões pertinentes e atemporais. E ao optar por enfocar a música e o jazz, Chazelle consegue fazer o roteiro de Whiplash ganhar em ritmo e em interesse. Afinal, além da história que está se desenrolando na nossa frente ser interessante, temos boa música para embalar os minutos que vão passando. Fórmula quase perfeita.

Interessante Chazelle tocar neste assunto da educação e da orientação de talentos em um mundo com tantas disparidades na condução destes temas. Enquanto em alguns lugares a cobrança de ótimos resultados é constante, em outros o descaso com a qualidade da educação é endêmico. Infelizmente estamos no segundo caso. Bravos professores e professoras seguem se dedicando em ensinar, mas muitas vezes tem as expectativas de um bom ensino frustradas quando se veem obrigados(as) a passar gente sem condições de aprendizado para dar o passo seguinte.

Mais cedo ou mais tarde estas pessoas sem preparo são selecionadas no mercado de trabalho. Isso tende a ser verdade. Mas e aí o que vai acontecer com elas? Não será tarde demais para consertar erros na condução da educação destas pessoas que deveriam ter sido revistos antes? Estes assuntos me preocupam há tempos. Pessoalmente, tive uma educação boa. Mas tenho a convicção que o ensino dos meus pais foi mais completo e que, se eu tivesse filhos, e eles estivessem em escola pública, a educação deles seria bem pior que a minha.

Claro que nem tudo depende dos mestres e das escolas. Os pais precisam fazer o seu papel. Mas ninguém substitui ninguém. O protagonista de Whiplash sabe disso. Ele admira e ama o pai, mas o caminho que ele escolheu para si é diferente. E ele decide que será grande e que, para chegar lá, precisa aprender com os melhores. Mais que isso, com o melhor: o músico e mestre Fletcher.

Interessante o filme tratar deste assunto, da aspiração de um jovem em ser um dos melhores do mundo, em uma era em que todos parecem querer ser os melhores. O problema é que, e a maioria destas pessoas vai descobrir isso apenas com o tempo, poucos tem talento para se tornarem referência em uma área. Quanto mais em tornar-se lenda, a exemplo dos nomes citados na produção – como Charlie Parker, conhecido como Bird.

É preciso muito esforço, suor e algumas vezes sangue mas, e isso é inquestionável, um talento fora do comum. Bacana o filme mostrar e equilibrar isto. Afinal, Andrew faz a sua parte, se esforça muito além do razoável, mas o roteirista dá a entender que, mesmo assim, ele será apenas muito bom. Não excepcional. De qualquer forma, perto do fim, fica evidente que ele arranca admiração do ídolo, Fletcher. E para o rapaz, isso já é mais que o suficiente.

Levantar este tema, mostrar o quanto é dura a vida atrás da excelência em uma era em que todos querem ser ótimos, mas poucos conseguem ultrapassar a fronteira de serem bons, é um dos grandes méritos de Whiplash. Bem filmado, com um roteiro envolvente e atores interessados em se entregarem em seus respectivos papéis, este filme só peca por algumas escolhas um tanto pueris. Vejamos.

Para começar, Andrew parece um garoto mimado que mal saiu da casca do ovo. Ele segue fazendo programas de um adolescente, como assistir a filmes com o pai, ao mesmo tempo que pensa em ser um músico excepcional e que vai entrar na História por seu virtuosismo. Hummm… me pareceu um pouco frágil esta construção do personagem. Acredito que um garoto com um pouco mais de experiência teria convencido melhor como um sujeito disposto a tudo pelo estrelato, ou um jovem inexperiente teria convencido mais se tivesse titubeado repetidas vezes e fraquejado em mais momentos da história.

Além disso, fica difícil de acreditar que outros alunos, inclusive naquela insana sequência da troca constante de três bateristas, não teriam enfrentado Fletcher em algum momento. Por mais que ele fosse excelente e todos quisessem agradá-lo, o nível de cobrança dele passou dos limites em mais de uma ocasião e renderia facilmente tanto confronto direto quanto indireto através de processos ou queixas. Ignorar isso para dar ritmo ao filme é uma escolha que funcionou, mas que também incomoda.

Para finalizar, difícil acreditar também em outros dois trechos do filme. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Para começar, é preciso muito boa vontade para acreditar que Andrew conseguiria se levantar e correr até o local da apresentação depois do acidente de carro que ele sofre em Dunellen. E que ele teria esta como preocupação principal e não ir para um hospital. Mas ok, vamos seguir a linha de raciocínio de desejo insano de aprovação do rapaz vendida pelo diretor e roteirista.

Agora, tão ou mais difícil de acreditar no gesto de Andrew, é pensar que Fletcher aceitaria um sujeito ensanguentando e que poderia desmaiar a qualquer tempo na posição de baterista em uma apresentação importante. Some-se a isso a história bonitinha mas sem grande finalidade prática entre Andrew e Nicole (Melissa Benoist) e a parte final do filme, quando fica evidente que Andrew está caindo em uma cilada, e temos os elementos que enfraquecem um pouco o potencial do filme. Pequenos pecados, mas que não comprometem a essência desta obra.

NOTA: 9,3.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Não lembro de ter visto Miles Teller em ação antes. Gostei do trabalho deste ator que parece ser mais novo, mas que está prestes a completar 28 anos no dia 20 de fevereiro – dois dias antes da entrega do Oscar 2015. Natural da Pennsylvania, nos Estados Unidos, Teller tem apenas 10 anos de carreira.

Ele estreou no curta Moonlighters em 2004, fez outros dois curtas e só estreou em um trabalho maior com a série de TV The Unusuals em 2009. O primeiro longa-metragem dele para o cinema foi Rabbit Hole, de 2010. Mas este ano ele deve bombar, estrelando cinco filmes – após um 2014 bastante produtivo também, quando ele apareceu em quatro produções.

Ainda que Teller esteja ótimo em Whiplash, ao ponto dele merecer ser acompanhado daqui por diante, J.K. Simmons quase sempre rouba a cena. Aliás, eis entre os dois a parceria perfeita, com desempenhos muito dinâmicos e equilibrados. Natural de Detroit, no Michigan, Simmons completou 60 anos no dia 9 de janeiro e chega a sua primeira indicação a um Oscar tendo 147 filmes, curtas e séries de TV no currículo – sendo que seis destes trabalhos ainda sairão do forno. Um ator que já fez praticamente de tudo e que, volta e meia, mostra como é bom.

Os usuários do site IMDb deram a nota 8,7 para Whiplash. Uma ótima avaliação levando em conta o padrão do site. Os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 224 textos positivos e apenas 11 negativos para o filme, o que lhe rendeu uma aprovação de 95% e uma nota média de 8,6. Avaliações muito boas também.

Caros leitores, corri para escrever este texto. Deixei vários pontos para serem comentados em outro momento. O mais breve que eu conseguir. Até logo.

Beleza. Vamos voltar a Whiplash. Ainda que este filme seja baseado na velha premissa de duelo entre dois atores, sendo um pupilo e outro o mestre, alguns intérpretes também ganham certa relevância pela parte que eles ganham na história. Paul Reiser interpreta Jim Neimann, pai de Andrew e uma figura na qual ele se apoia sempre que necessário – ele também reforça a imagem de “garotão” do filho; Melissa Benoist faz as vezes de Nicole, uma garota que ainda está descobrindo o que quer fazer da vida, o que contrasta com as convicções artísticas de Andrew; Nate Lang se sai muito bem como Carl Tanner, o melhor concorrente do protagonista para a posição de baterista; e Austin Stowell é o outro concorrente para a posição, o mais novato Ryan. Esses são os atores principais que giram em torno de Teller e Simmons, mas ainda há aparições de atores veteranos em papéis ainda menores, como Chris Mulkey como o tio Frank.

Da parte técnica do filme, menção especial para a trilha sonora fantástica de Justin Hurwitz, para a direção de fotografia precisa de Sharone Meir e para a excepcional edição de Tom Cross. Especialmente o primeiro e o terceiro itens são fundamentais para a qualidade de Whiplash. A equipe de 18 profissionais envolvida com o departamento de som também é fundamental para o filme.

Whiplash estreou em janeiro de 2014 no Festival de Cinema de Sundance. Em maio ele chegaria no Festival de Cinema de Cannes. Depois, o filme participaria ainda de outros 37 festivais por diferentes países mundo afora. Nesta trajetória o filme conquistou 54 prêmios e foi indicado a outros 78, incluindo a indicação em cinco categorias do Oscar 2015.

Entre os prêmios que recebeu, destaque para o de Melhor Ator Coadjuvante para J.K. Simmons no Globo de Ouro 2015; para dois prêmios no Festival de Sundance, incluindo o de Melhor Filme Drama segundo os jurados e outro para Damien Chazelle dado pelo público; para o de Melhor Novo Diretor para Damien Chazelle no Festival Internacional de Cinema de Valladolid; e para os dois prêmios recebidos no Festival Internacional de Cinema de Santa Barbara, um para Damien Chazelle, outro para J.K. Simmons.

Por falar em Chazelle, vale comentar que este diretor nascido na cidade de Providence, em Rhode Island, nos Estados Unidos, tem apenas 20 anos de idade – completados no último dia 19 de janeiro. Ele tem apenas três trabalhos no currículo, estreando em 2009 na direção como Guy and Madeline on a Park Bench. Em 2013 ele apresentaria o curta Whiplash que, em 2014, daria origem ao longa Whiplash. Por isso mesmo, apesar de ser uma obra original, Whiplash é considerado um roteiro de “adaptação” já que foi precedido por um curta com a mesma premissa. Diretor e roteirista muito promissor e que vale ser acompanhado, com certeza.

Whiplash foi rodado nas cidades de Santa Clarita e Los Angeles, ambas na Califórnia, e também em Nova York.

Esta produção teria custado cerca de US$ 3,3 milhões. Ou seja, um filme de baixíssimo orçamento para os padrões dos Estados Unidos. Apenas no país de origem o filme arrecadou pouco mais de US$ 8,6 milhões. Bilheteria baixa, mas que tende a aumentar após as indicações ao Oscar e com o filme chegando aos cinemas de outros países.

Para finalizar, algumas curiosidades sobre esta produção 100% dos Estados Unidos – por isso ela entra na lista de filmes sugeridos por votações aqui no blog. Whiplash foi rodada em 19 dias.

Nas cenas mais intensas na bateria, o diretor não gritava a palavra “corta!” para que o ator Miles Teller pudesse dar tudo que gostaria até o esgotamento.

Nem tudo são flores nos bastidores de um filme. Os atores se entregam e, algumas vezes, se machucam. J.K. Simmons fraturou duas costelas na cena em que Miles Teller o ataca.

Damien Chazelle não tinha conseguido recursos para fazer Whiplash, por isso ele acabou transformando a história em um curta e apresentando o resultado no Festival de Sundance em 2013. Ele ganhou com a produção o Prêmio do Júri de Melhor Curta e, com o dinheiro que recebeu, conseguiu fazer o tão sonhado longa com a história.

Miles Teller toca bateria desde os 15 anos. Algumas cenas em que vemos o sangue dele em baquetas, no filme, são reais. Ele foi até o extremo com o papel. O ator realmente tocou a bateria em todas as cenas. Isso que eu chamo de achar o intérprete perfeito para um papel. Simmons, que também tocou piano, mas no passado, teve que relembrar o instrumento para poder tocá-lo no filme.

Mesmo tendo tocado bateria desde os 15 anos, Teller teve aulas adicionais do instrumento durante quatro horas por dia, por três dias na semana, para preparar-se para protagonizar Whiplash.

CONCLUSÃO: O incentivo à mediocridade é sempre mais danoso que o exagero na cobrança. Disso não tenho dúvidas. O Brasil, por exemplo, está sofrendo com esta política de aprovar a todos nas escolas públicas, independente se as pessoas tem conhecimento o suficiente para ir para a fase seguinte. Este filme trata sobre a busca da genialidade, que é artigo para poucos, e desmistifica que estes gênios chegam lá com um toque de vara de condão.

Esqueçam isso. Só chega ao topo quem luta e se dedica muito, quem tem obstinação por ser o melhor. Neste sentido, Whiplash acerta o alvo com esmero. Bem conduzido, com ótimos atores e bem dirigido, o filme só peca em algumas escolhas do protagonista difíceis de acreditar, assim como com certo exagero no antagonista. Descontados estes detalhes, é um belo filme. Um tanto pueril em alguns momentos, mas que se esforça em passar uma mensagem.

PALPITES PARA O OSCAR 2015: Whiplash é mais um filme interessante que chegou até o Oscar deste ano com um bom número de indicações. Diferenciada e de baixo orçamento, esta produção confirma que a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood sabe sim se renovar – e vem fazendo isso desde 2010. Apesar de ter muitos méritos, acredito que esta produção saia do próximo Oscar com apenas uma estatueta.

Whiplash está indicado nas categorias Melhor Filme, Melhor Ator Coadjuvante para J.K. Simmons, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Edição e Melhor Mixagem de Som. Vou começar pela categoria principal. Não vejo chances de Whiplash ganhar como Melhor Filme.

Comparando com os outros finalistas, ele não supera Boyhood, Selma ou The Imitation Game. Além disso, certamente ele não é o preferido entre os votantes críticos que viram em Birdman um tapa importante na cara do mainstream. Whiplash corre totalmente por fora nesta categoria.

Em Melhor Roteiro Adaptado, ele até tem alguma chance. Meu voto iria para The Imitation Game, e acho que o favorito seja The Theory of Everything. Mas nesta categoria não seria totalmente zebra Whiplash levar – afinal, a adaptação é realmente perfeita. A grande chance está com J.K. Simmons em Melhor Ator Coadjuvante. Dos filmes que vi até agora, apenas Ethan Hawke poderia tirar a estatueta do ator veterano.

Na categoria Melhor Mixagem de Som, o ano está com grandes concorrentes. Whiplash pode ganhar, mas para isso terá que derrubar o excelente trabalho feito nesta categoria em American Sniper, Unbroken e, acredito, apesar de ainda não ter visto o filme, em Interstellar.

Para fechar a conta, o filme corre por fora também em Melhor Edição. Mas não seria uma zebra se ele levasse a estatueta, já que a edição desta produção é impecável. Meu palpite, contudo, é que Boyhood ou The Grand Budapest Hotel levam vantagem nesta disputa. A estatueta deve ficar com um deles. Assim sendo, Whiplash pode até levar três estatuetas, mas a maior chance é mesmo de Melhor Ator Coadjuvante.

Selma – Selma: Uma Luta pela Igualdade

27 de janeiro de 2015 4 comentários

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Filme necessário e um dos melhores de 2014. Ainda bem que ele pode ganhar um pouco de visibilidade com o Oscar 2015, ainda que seja um dos menos comentados e badalados da premiação este ano. Selma, que baita filme! Há tempos eu queria assistir a uma produção decente sobre Martin Luther King Jr. e este título, finalmente, cumpre este papel. Para você que quer ouvir discursos inspiradores, sentir uma luta legítima ser desenvolvida com vigor na sua frente, mesmo que em uma obra de cinema, esta é uma ótima oportunidade. Inspirador.

A HISTÓRIA: Martin Luther King Jr. (o ótimo David Oyelowo) se prepara para um discurso de agradecimento. Mas após algumas frases, ele diz para a mulher, Coretta Scott King (Carmen Ejogo) que aquilo não está certo. Ele não se sente bem com a roupa que está usando. Sua cabeça está em outro lugar, nos homens, mulheres, jovens e crianças ainda marginalizados por serem negros. Coretta olha para o marido, eles tem um momento de paz, antes de Luther King Jr. receber o Prêmio Nobel da Paz de 1964.

Em seu discurso, Luther King fala que aceita aquela honra em nome de todos que morreram por serem negros e pelos 20 milhões de homens e mulheres negras que lutam por sua dignidade. Enquanto o discurso dele é ouvido, vemos cenas de um grupo de meninas negras descendo a escadaria de uma Igreja. Este filme conta os bastidores da luta de Luther King e dos negros pelo direito de votar.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso só recomendo que continue a ler quem já assistiu a Selma): Ah, como faz toda a diferença do mundo um ótimo roteiro conduzindo a narrativa. Paul Webb faz um trabalho excepcional com o texto de Selma, sabendo ponderar diversos elementos narrativos nesta história, o que lhe garante ritmo, paixão e muitos elementos históricos.

Para começar, impossível fazer um filme decente sobre Martin Luther King Jr. sem utilizar os seus discursos inspirados. Provavelmente ele foi um dos grandes oradores de todos os tempos. E isso sem acrescentar o famoso e histórico discurso em Washington. Não. Este filme mostra os acontecimentos após a famosa Marcha sobre Washington, quando Luther King proferiu um dos discursos mais lembrados de todos os tempos, conhecido sob o título “Eu tenho um sonho” no dia 28 de agosto de 1963.

Inclusive, no início do filme, quando Luther King é agraciado com o Nobel da Paz, o orador que o apresenta lembra que aquele homem tinha um sonho. Pois bem, Selma fala de outro acontecimento marcante não apenas na vida deste homem genial por ter sido um ferrenho defensor dos direitos humanos, da paz e de igualdade racial. Esta produção aborda as marchas de Selma até Montgomery, cidades no Alabama, durante alguns meses de 1965.

O movimento com base em Selma foi fortemente reprimido pelas forças policiais sob o comando do governador George Wallace (Tim Roth). Houve muita pancadaria e mortes, tudo com cobertura da imprensa, inclusive das TVs. Aqueles eventos foram decisivos para que a opinião pública dos Estados Unidos mudasse e ficasse a favor, pelo menos em sua maioria, da igualdade dos direitos civis.

É emocionante acompanhar o movimento daquele grupo liderado por Luther King. Mas antes, vemos um exemplo prático, com a tentativa Annie Lee Cooper (Oprah Winfrey) em se registrar no cartório eleitoral para poder votar, sobre a problemática que precisava ser combatida. A lei, a Constituição dos Estados Unidos, previa o voto dos negros. Mas Estados como o do Alabama orientavam os responsáveis por fazer o registro dos votantes a não aceitar negros. Isso é mostrado sem firulas logo no início do filme.

Outro momento inteligente da produção, visto logo nos primeiros minutos, é mostrar o desconforto de Luther King em estar tão “alinhado” para receber o Nobel, em seguida ouvir parte do discurso dele enquanto acompanhamos um grupo de meninas inocentes caminhando para a morte em mais um atentado violento contra negros. Claramente o roteirista e a diretora Ava DuVernay quiseram mostrar que apesar do Nobel e dos discursos inspirados, nem Luther King conseguia frear desta forma a violência contra os seus irmãos.

Feita esta introdução, muito bem planejada, mergulhamos na tentativa de negociação de Luther King com o presidente Lyndon B. Johnson (Tom Wilkinson) para que a questão do voto fosse respeitada no país como política clara do Estado. No diálogo, Luther King não conseguiu nada, porque Johnson preferia adiar a decisão sem um prazo para resolver o assunto como forma de se preservar politicamente. Daí começa a ação, já que Luther King resolve reforçar em Selma o movimento que pedia igualdade nas urnas.

A partir daí, o filme não alivia. Ele mostra as articulações para a primeira manifestação em Selma e a forte repressão policial. As cenas de brutalidade policial são desconcertantes. Depois seguem outros atos e a primeira morte, do jovem Jimmie Lee Jackson (Keith Stanfield), morto friamente com um tiro por um policial após ele, a mãe, Viola Lee Jackson (Charity Jordan) e o avô, Cage Lee (Henry G. Sanders) serem perseguidos e covardemente agredidos.

As cenas são impactantes e muito bem filmadas por Ava DuVernay. O interessante do roteiro é que ele foca sempre Luther King, mostrando as reflexões dele, as angústias e a preocupação com as pessoas que poderiam se ferir. Para ajudar, há o texto fantástico e irretocável dos discursos dele, que motivaram as pessoas na época e dificilmente não mexem com quem assiste ao filme hoje em dia. Aliado a isso, ajuda na narrativa os registros feitos pelo FBI na época, quando Luther King e as demais pessoas ao redor dele eram monitoradas e vigiadas.

Os registros do FBI, em especial, dão um toque muito interessante para o filme. Revelam um hábito antigo daquele país de monitorar as pessoas que eles consideravam relevantes para o sistema, especialmente se apresentavam “algum risco”. Especialmente interessante, ainda na parte inicial do filme, um diálogo entre o presidente Lyndon B. Johnson e o chefe do FBI J. Edgar Hoover (Dylan Baker). Inicialmente Hoover sugere que o “problema” Luther King poderia ser resolvido facilmente dando um “fim” na ameaça.

Como Johnson resiste a ideia de eliminar Luther King, a sugestão seguinte de Hoover é de desestabilizar o líder negro ao dinamitar o casamento dele com Coretta que, segundo o FBI, já estaria balançado – e de fato estava. Apesar das ameaças que recebia e da ausência do marido, assim como o risco eminente de morte dele, Coretta se manteve firme ao lado de Luther King. Este apoio é bem mostrado e valorizado no filme.

Com bem explica este texto da Wikipédia, as marchas saindo de Selma foram três. Antes da primeira, houve aquela caminhada pelas ruas de Selma de noite e que acabou sendo conhecido como “domingo sangrento”. Foi quando ocorreu a morte de Jimmie Lee Jackson, em fevereiro de 1965.

A primeira marcha propriamente dita, como bem retrata o filme, ocorrida no início de março, não contou com Martin Luther King Jr. e terminou no confronto na ponte Edmund Pettus. As redes de TV transmitiram o ataque policial e lançaram um movimento de apoio a Marcha de Selma.

A segunda tentativa de fazer o mesmo trajeto teve um apelo muito maior, inclusive com apoio de muitos brancos. Pessoas de diversas parte do país, incluindo Luther King, viajaram até Selma para fazer o mesmo trajeto novamente. Nesta segunda tentativa, eles caminharam até parte do trajeto e retrocederam. No filme, está certo o retrato de muitas pessoas surpresas com a decisão. Mas o roteirista quis sugerir que Luther King deu a ordem para voltar porque teria tido uma “inspiração divina”. Ele até pode ter tido uma, mas ele também tinha uma razão prática.

Antes da marcha acontecer o juiz Frank Minis Johnson (Martin Sheen) havia proibido a manifestação pacífica antes que outras audiências sobre a causa fossem feitas. Luther King já havia avisado aos companheiros que o apoiavam de que eles iriam retroceder. Mas a grande massa realmente não sabia disso previamente, por isso muitos ficaram confusos e perdidos. Mas todos acabaram seguindo o líder Luther King.

Após aquele evento, contudo, quatro membros da Ku-Klux-Kland atacaram três ministros brancos que haviam ido até Selma para apoiar o movimento. Um deles, James Reeb (Jeremy Strong), foi o mais agredido e morreu. Claro que o filme encurta as duas mortes – nenhuma das vítimas morreu na hora, mas após serem atendidas nos hospitais. Essa informação, contudo, não faz falta para a narrativa.

O filme acerta ao mostrar como o presidente Lyndon Johnson chama o governador George Wallace para conversar, mas este se mostra irredutível e não aceita dar espaço para as manifestações e mudar as regras em seu Estado. Depois da morte do manifestante branco, a opinião pública cai de pau no assunto e Johnson de fato encaminha um projeto de lei no Congresso que, depois, se tornaria a Lei dos Direitos ao Voto.

Para fechar o resgate histórico, Luther King e diversas outras pessoas lideraram a terceira e última marcha de Selma até Montgomery, esta sim pacífica e que terminou com o discurso Stars from Freedom do líder negro. Linda toda a sequência final que, inclusive, resgatou cenas verídicas da época. Para finalizar, como é feito com muitos filmes baseados em fatos reais, ficamos sabendo sobre o que aconteceu com alguns dos principais personagens desta produção depois que o discurso de Luther King termina.

Haveria mais uma morte relacionada ao movimento, desta vez de uma mulher branca, e outros fatos ocorreriam na vida daquelas pessoas retratadas no filme. Luther King sobreviveu aos conflitos e à perseguição em Selma, mas ele seria morto, três anos depois, em Memphis. Este filme é uma homenagem muito justa a ele, um homem admirável.

Bem conduzido, bem escrito e com ótimos atores envolvidos no projeto – inclusive em papéis bem secundários -, Selma é um filme marcante e necessário, como comentei lá encima. Para mim, ele foi mais envolvente e impactante que o premiado 12 Years a Slave, que ganhou três Oscar’s, incluindo o de Melhor Filme, em 2014.

Verdade que 12 Years a Slave trazia uma história menos conhecida à tona mas, ainda assim, Selma me pareceu mais interessante especialmente pelos discursos de Luther King. Pena que dois anos seguidos de filmes sobre igualdade e justiça para os negros não emplaca na Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Uma pena.

Mas antes de finalizar, queria citar uma parte que me tocou especialmente neste filme. Perto do final, e com a iminência de que Luther King poderia ser morto a qualquer momento – o que tornaria a situação ainda mais complicada -, o emissário do presidente dos Estados Unidos, John Doar (Alessandro Nivola), sugere para que o líder do movimento negro se preserve e não se exponha mais na última marcha.

Luther King, com uma lucidez absurda, comenta que ele não é diferente dos demais, que ele também quer viver muito e ser feliz. Ele diz que poderia se focar no que ele queria, mas que não faria isso porque ele deveria fazer o que Deus queria. Impressionante quando uma pessoa percebe que tem um propósito maior e que ela pode fazer a diferença, mesmo que isso significar a sua morte. Existe exemplo maior de bravura e de honra? Não foi daquela vez que ele morreu, mas ao seguir lutando pelos direitos das pessoas, mais tarde, o fim trágico chegaria.

NOTA: 10.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Impressionante como todos os atores estão bem neste filme. O destaque, evidentemente, é o protagonista. David Oyelowo encarna Martin Luther King Jr. e passa muita emoção, seriedade e compromisso com a causa que o líder negro defendia. Ele emociona, juntamente com o roteiro perfeito de Paul Webb. A diretora Ava DuVernay acerta também na escolha de cada ângulo e das dinâmicas com os atores.

O elenco de Selma está recheado de presenças ilustres, inclusive e especialmente em papéis bem secundários. No elenco principal, dos atores que aparecem mais, há nomes menos conhecidos do grande público, como Carmen Ejogo como Coretta Scott King, mulher de Martin Luther King Jr.; André Holland como Andrew Young e Colman Domingo como Ralph Abernathy, os dois braços direitos do protagonista. Fazem parte do grupo que acompanha Luther King os atores Ruben Santiago-Hudson como Bayard Rustin; Omar J. Dorsey como James Orange; Common como James Bevel; E. Roger Mitchell como Frederick Reese; e Wendell Pierce como o reverendo Hosea Williams.

Entre os moradores de Selma que acabam sendo importantes para o movimento, inclusive por alguns se tornarem vítimas dos absurdos policiais, destaque para Keith Stanfield como Jimmie Lee Jackson; Henry G. Sanders como Cager Lee; Charity Jordan como Viola Lee Jackson; Stephan James como John Lewis e Trai Byers como James Forman, dois estudantes que lideram o movimento negro em Selma e que divergem em diversos pontos das ações nas cidades. Em uma ponta também merece menção Nigel Thatch como Malcolm X.

Comentado os nomes menos conhecidos, vamos aos famosos que entraram no filme para fazer papéis pequenos. Começo com Oprah Winfrey, também produtora do filme, como Annie Lee Cooper, que diversas vezes tinha tentado, em vão, fazer um registro como eleitora e que, no primeiro ato público em Selma, é agredida por policiais. Tom Wilkinson está ótimo como o presidente Lyndonn B. Johnson, assim como Tim Roth que, mesmo aparecendo menos que Wilkinson, tem pelo menos uma cena inesquecível de diálogo com o veterano ator inglês.

Giovanni Ribisi interpreta a Lee White, braço direito do presidente; Dylan Baker se sai bem em um papel pequeno como J. Edgar Hoover, do FBI; Jeremy Strong também faz uma boa participação como James Reeb, primeira vítima branca do movimento; Alessandro Nivola aparece para intermediar as negociações entre o presidente de Luther King; Cuba Gooding Jr. como Fred Gray; e Martin Sheen faz uma super ponta – inclusive não creditada – como o juiz Frank Johnson.

Da parte técnica do filme, destaque para a ótima direção de fotografia de Bradford Young; para a edição de Spencer Averick; para a direção de arte de Kim Jennings; para os figurinos de Ruth E. Carter; e para a trilha sonora, incluindo a excelente canção Glory, interpretada por John Legend e Common.

Selma estreou no Festival AFI em novembro de 2014. Em fevereiro ele está confirmado para o Festival Internacional de Cinema de Berlim. Até o momento, o filme ganhou 27 prêmios e foi indicado a outros 71, incluindo dois Oscar’s. Entre os prêmios que recebeu, destaque para o Globo de Ouro de Melhor Canção para Glory, composta por John Legend e Common; e para o prêmio Freedom of Expression Award entregue pela National Board of Review.

Esta produção foi totalmente rodada nos Estados de Georgia e Alabama, nos Estados Unidos. Foram rodadas cenas em cidades como Selma, Montgomery, Marietta, Conyers e Atalanta.

Agora, a seção de curiosidades sobre esta produção. Antes de Ava DuVernay assumir o projeto, Lee Daniels estava escalado como diretor. David Oyelowo lutou durante sete anos para conseguir o papel principal, porque Daniels inicialmente achou que ele não seria o melhor nome para interpretar Luther King. Mas DuVernay apostou nele.

Tim Roth cresceu durante a era de luta dos direitos civis nos Estados Unidos. Ele disse que lembra do governador George Wallace, guardando na memória que ele ficava espantado com as besteiras que saia da boca do político, que ele considerava um “monstro” – e a quem, ironicamente, ele interpretaria agora.

Entre os diretores interessados no roteiro de Selma estavam Steven Spielberg, Stephen Frears, Paul Higgs, Spike Lee e Michael Mann, além do já citado Lee Daniels.

O esquecimento do Oscar de indicar Ava DuVernay como Melhor Diretora e David Oyelowo como Melhor Ator provocou protesto de cinéfilos e pessoas dos bastidores de Hollywood. Os esquecimentos foram creditados à falta de diversidade racial em Hollywood e ao fato do estúdio Paramount não ter conseguido enviar cópias do filme a tempo para todos os membros da Academia conferirem o filme.

Ainda que não tenha recebido o crédito como coautora do roteiro, a diretora Ava DuVerney afirmou que fez alterações em 90% do texto de Paul Webb, incluindo ter dado uma nova versão para os discursos de Luther King – isso foi necessário porque outro estúdio tem os direitos dos originais.

Selma teria custado cerca de US$ 20 milhões e faturado, apenas nos Estados Unidos, pouco mais de US$ 39,5 milhões. Ainda falta muito para ele começar a dar lucro.

Os usuários do site IMDb deram a nota 7,7 para Selma. Uma avaliação boa mas que, na minha opinião, poderia ter sido melhor. Os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 157 críticas positivas e apenas duas negativas para a produção, o que lhe garante aprovação de 99% e uma nota média de 8,7.

Selma é uma coprodução dos Estados Unidos com o Reino Unido.

CONCLUSÃO: Um dos homens mais fantásticos de todos os tempos, Martin Luther King, em um momento decisivo não apenas de sua trajetória mas, e principalmente, dos Estados Unidos. Se em Lincoln assistimos a um homem corajoso mudando parte da história, aqui vemos a outro liderando um movimento fundamental para consolidar aquela mudança. Interessante assistir a Selma em 2015, ano em que um negro segue como presidente dos Estados Unidos e batalha para tornar aquele país ainda mais justo. Filme envolvente do início ao fim, com um ótimo roteiro, direção e um ator liderando todo o processo para quem precisamos tirar o chapéu. Vale muito o ingresso.

PALPITES PARA O OSCAR 2015: Indicado apenas em duas categorias, sendo apenas uma realmente relevante, infelizmente as chances de Selma são praticamente zero no Oscar. Quer dizer, ela pode até levar em Melhor Canção. Mas quem realmente se importa com esta categoria? As pessoas que vencem, evidentemente, e quem tem o nome lembrado em uma indicação. Mas é só.

Selma também concorre como Melhor Filme. Mas por ele ter sido indicado apenas a esta categoria e a Melhor Canção, chances zero para o filme. Uma pena. Acho que ele deveria estar competindo lado a lado com Boyhood e The Imitation Game. Para mim, os melhores filmes da lista até o momento.

Da minha parte, meu voto ficaria ainda para Boyhood, mas Selma seria a minha segunda escolha. E não ficaria chateada se ele ganhasse. Depois viria The Imitation Game. E todos os demais… bem, acho inferiores. Assim de simples. Só falta Whiplash para fechar esta minha avaliação. Veremos se ele muda algo.🙂

Mas para resumir a avaliação sobre Selma, infelizmente o filme corre totalmente por fora. Acho que ele deveria ter sido lembrado em pelo menos outras duas categorias: Melhor Roteiro Original e Melhor Ator para o brilhante David Oyelowo. Não foi desta vez. Lástima.

American Sniper – Sniper Americano

25 de janeiro de 2015 6 comentários

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Dois elementos fazem parte do orgulho do povo dos Estados Unidos: a bandeira do país e as mortes em campos de batalha. Ok, nem todos tem orgulho destes dois elementos. Mas acredito que a maioria, me arriscaria a dizer que a população perto da totalidade, tenha. Sou fã de Clint Eastwood, mas acho que ele perdeu uma boa oportunidade de dedicar o talento dele para outra história que não esta de American Sniper. Ainda assim, admito, dá para entender o porquê do filme estar fazendo tanto sucesso em solo americano. Ele fala de “patriotismo” de um herói do país que virou referência em um passado recente. Tudo que eles adoram, junto com muitas cenas de guerra e de virilidade.

A HISTÓRIA: Um tanque avança. Perto dele, outro veículo blindado e homens fardados, bem armados e atentos. Dando cobertura para o avanço da tropa está o franco-atirador Chris Kyle (Bradley Cooper). Ele reclama que o local sobre o que ele e o colega estão está quente demais. Os soldados vão entrando nas casas dando chute nas portas enquanto Chris acompanha tudo sem piscar. Ele vê um homem em um terraço usando o celular, mas não atira.

Só quando uma mulher sai com um menino de uma casa e passa para ele uma granada russa AKG é que ele deve decidir se atira ou não. Corta. Voltamos no tempo e vemos Chris quando ele era um garoto (interpretado por Cole Konis) e estava aprendendo a atirar com o pai, Wayne (Ben Reed). Naquela época é que ele aprende a nunca largar a arma e que ele deveria ser valente para proteger o irmão – e quem mais precisasse. O filme conta a história dele.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso só recomendo que continue a ler quem já assistiu a American Sniper): Tem muitos filmes como este que começam promissor e depois… Não sei vocês, mas eu achei o começo de American Sniper muito interessante. Aquele atirador de elite com um menino na mira e tendo que decidir se puxaria o gatilho e não. Era praticamente certo que ele puxaria, e começar o filme assim forte seria interessante.

Mas aí o roteirista Jason Hall decidiu dar uma quebrada na narrativa, e nos explicar mais sobre aquele sujeito que estava com o dedo no gatilho. A ideia de voltar no tempo e fazer isso, vocês sabem, não é nada nova. Aqui, para a nossa sorte, a “contextualização” sobre o protagonista não demora muito para acontecer. Voltamos para a infância, inicialmente, que é quando as pessoas são formadas. Vemos como Chris Kyle foi “treinado”, a exemplo do irmão mais novo, Jeff (interpretado por Luke Sunshine quando criança e por Keir O’Donnell quando adulto), a não ser nem uma ovelha e nem um lobo. Os dois deveriam ser cães pastores.

Essa formação, dada de forma contundente pelo pai dos garotos, Wayne, foi bem aprendida por Chris Kyle. Tanto que o sujeito do interior dos Estados Unidos que gostava da ideia de ser cowboy mudou de ideia quando viu o país dele sendo “atacado” – quando do atentado na embaixada dos Estados Unidos em Nairóbi, no Quênia. Ele fica mexido ao ver aquela notícia na TV e resolve que vai servir ao seu país, defendendo a nação e tudo o que ela representa para ele e para os demais dos inimigos externos.

Saído do Texas, ele vai procurar informações sobre como melhor poderia prestar serviços, e acaba sendo orientado a entrar no “grupo de elite”, os SEALS. Ele faz o duro treinamento, que é mostrado rapidamente – afinal, este não é o foco de Hall ou de Eastwood. Quando termina a preparação, ao comemorar em um bar com os colegas de uniforme, ele encontra Taya (Sienna Miller), com quem ele tem uma troca de diálogos surpreendentemente honesta. Daí que ela contraria a própria regra de namorar um SEAL e os dois acabam se casando.

Em uma bela manhã, destas em que você acorda e nem desconfia que tudo vai mudar por causa de um fato, o casal vê o atentado contra as Torres Gêmeas pela TV. Assim que Chris vai parar no Iraque em sua primeira missão. Bem aquela em que ele deve decidir entre atirar ou não em um menino. A partir daí, meus caros amigos(as), o que se segue são inúmeras missões de combate no Iraque. Como o filme tenta resumir, mas de maneira ligeira e superficial, cada vez que Chris voltou para casa ele não se sentiu totalmente “em casa”.

Como muito bem explorado e de forma mais competente em outras produções, este “herói” de guerra simplesmente não conseguiu desconectar dos tiros e das explosões. Não conseguia encontrar tanta graça na vida familiar, com mulher e dois filhos, quanto no calor da batalha em que ele tinha altas doses de adrenalina todos os dias. E onde ele era considerado “uma lenda”, onde ele era considerado o melhor.

O pequeno problema, pelo menos ao meu ver, nesta filosofia de Chris Kyle, é que ele era o melhor em matar gente. Pessoas que tinham as suas casas e de seus familiares invadidas quando desse na telha dos americanos. Pessoas que viram as suas realidades mudarem brutalmente porque alguns terroristas mataram milhares de americanos em diversos ataques.

Um dos pontos que me deixou mais perplexa na história de Chris é que a forma com que a narrativa é tratada dá a entender que por pouco aquele sujeito não teria sido um baita cowboy, e teria ficado feliz com aquilo. Por acaso ele parou na posição de “sniper” e acabou sendo muito bom naquilo também. Ao invés de montar touros, ele virou o recordista em matar gente – ele é o franco-atirador mais “letal” da história do Exército dos Estados Unidos.

Certo. Enquanto o filme ia avançando, e após aquela primeira cena promissora de impacto sobre a morte do garoto ter esvaziado – a volta atrás na história de Chris acaba tendo este efeito de minimizar a tensão a quase zero -, fiquei o tempo todo esperando que o filme melhorasse. Eu pensava: “ok, em algum momento esta história tem que mostrar a que veio”. Fiquei esperando, acompanhando a narrativa, esperando… e nada.

O filme era aquele mesmo. Uma “cinebiografia” do franco-atirador que mais matou gente na história do Exército americano. Da mesma forma com que o roteiro de The Theory of Everything (comentado aqui) se mostrou raso, este trabalho de Hall também é unidimensional. O protagonista é o herói, e nada pode questionar isso. Nem ninguém. Do início ao fim ele é um “cara comum” do Texas que é “bem criado” a defender os valores do país e cuidar “de seus irmãos” que acaba sendo um ótimo pai de família – depois de vencer a dura tarefa de retornar para a vida comum – e um militar exemplar. Em todas as missões no Iraque ele deu de tudo para proteger os colegas.

Lá pelas tantas, mais na reta final do filme, ele acaba falando para um psicólogo que não se arrepende de nenhuma morte, e sim de não ter protegido mais os seus colegas de Exército. Em American Sniper não existe espaço para dúvida. Nem para refletir se tanta morte nos levou a algum lugar. O mundo está mais seguro hoje? Adiantou Chris ter matado tanta gente no Iraque? Essas são perguntas que passam ao largo deste filme.

Chris é um herói, e o filme mantém e propaga esta ideia. A parte desta limitação do roteiro, Eastwood segue firme na direção. Ele faz um excelente trabalho, especialmente nas cenas de ação. Fora a promissora sequência inicial envolvendo a morte do garoto, gostei muito da sequência final da tempestade de areia. Impossível não ficar tenso ou torcer para o “herói” naquele sprint final. Pura técnica do Sr. Eastwood.

O maior problema mesmo, para mim, é o filme ser tão fiel ao livro de Chris – ele lançou a obra American Sniper em janeiro de 2012. Nela, evidentemente, ele narra não apenas as suas quatro missões, mas também defende aquela visão de mundo de “todas as mortes foram justificadas”. Os Estados Unidos é o melhor país do mundo e vale tudo para defendê-lo. Os outros são os outros.

Complicada essa mensagem, não? Entendo os americanos adorarem o filme. Mas qualquer outra nação ter a mesma leitura é quase impossível. É admirável a autoestima e a valorização dos símbolos e da cultura nacional que os Estados Unidos tem. Mas muitas vezes isso tudo transpassa a barreira do razoável e vira arrogância, soberba, violência não importa contra quem. Estes, para mim, são os problemas deste filme. Não dá para analisar apenas os aspectos técnicos, como ele é bem feito, sem pensar na mensagem. E esta, meus amigos, é muito rasa e incomoda.

Por tudo isso, não consigo enxergar American Sniper como um dos grandes filmes de 2014. Se o meu voto valesse algo, ele não teria sido indicado a Melhor Filme no Oscar. Acredito que a força dos nomes envolvidos no projeto, inclusive os produtores, fez com que ele fosse selecionado. Mas ele está longe de ser o melhor do ano passado ou de ser marcante ao ponto de ser lembrado por muito tempo. Há filmes sobre guerra muito melhores.

NOTA: 7.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Além da direção firme de Clint Eastwood, este filme tem pelo menos mais uma qualidade: a entrega de Bradley Cooper. Todas as mulheres, acredito, sempre acharam ele gato. Bem vestido, interessante, sempre com aquele sorriso desconcertante. Mas em American Sniper, pela primeira vez, ele parece ter amadurecido como ator. Esqueça comédias bobocas e filmes em que ele é o galã. Aqui ele tomou corpo – para valer – em todos os sentidos. Ele está mais concentrado, mais focado, e encontrou um papel de adulto, saindo-se muito bem na missão. Para mim, é o papel de amadurecimento do ator. Ainda assim, devo dizer, não acho que era para tanto dele ser indicado ao Oscar. De qualquer forma, como vocês lerão abaixo, acho que ele não tem chances de ganhar.

Por ser um filme com muitas cenas de invasão de casas, tiroteios e ação, claro que diversos aspectos técnicos se destacam. Para começar, um ótimo trabalho o de Tom Stern na direção de fotografia. Depois, destaque para a edição de Joel Cox e Gary Roach; para a maquiagem do grupo de 11 profissionais liderados por Luisa Abel e Patricia DeHaney; para os 33 profissionais envolvidos no departamento de som; para os nove que, coordenados por Brendon O’Dell, responderam pelos efeitos especiais, e para as dezenas de profissionais (cansei de contar a longa lista) responsáveis pelos efeitos visuais.

O destaque do filme é realmente Bradley Cooper. Mas gostei muito, também, da atriz Sienna Miller – ela fica totalmente diferente morena. Nem a reconheci. Mas ela está ótima. Além deles, merecem ser citados, em papéis secundários: Reynaldo Gallegos como Tony; Kevin Lacz como Dauber; Jake McDorman como Biggles; Eric Ladin como Squirrel; Luke Grimes como Mark Lee; Tim Griffin como o coronel Gronski; Luis Jose Lopez como Sanchez; Brian Hallisay como capitão Gillespie; Erik Aude como Thompson – todos desta sequência/listas como colegas de farda de Chris; Sammy Sheik como Mustafa, o franco-atirador do lado inimigo e alvo a ser batido por Chris; Navid Negahban como o sheik Al-Obodi; e Mido Hamada como The Butcher/O Açougueiro.

O roteiro de Jason Hall foi baseado no livro American Sniper escrito por Chris Kyle, Scott McEwen e James Defelice. Neste caso, o roteirista escolheu ficar centrado totalmente no livro, sem adicionar muitas outras informações ou pontos de vista que surgiram após o lançamento da obra.

American Sniper estreou em novembro no AFI Fest. Até o momento esta produção não participou de nenhum festival. Apesar disso, ela tem no currículo seis prêmios e 23 indicações – incluindo seis indicações ao Oscar 2015. Entre os prêmios que recebeu, destaque para o de Melhor Diretor para Clint Eastwood no National Board of Review, que também colocou American Sniper como um dos 10 melhores filmes de 2014.

Esta produção foi rodada no Marrocos e em diferentes lugares da Califórnia, como Los Angeles, Oceanside (o pier onde Chris anda com Taya na parte inicial do filme) e o O’Malleys Pub, em Seal Beach.

Agora, aquelas curiosidades clássicas sobre o filme. Como dá para suspeitar vendo Bradley Cooper em cena, o ator ganhou 18 quilos para fazer este papel. Para isso, ele chegou a consumir 8.000 calorias por dia. Para ganhar musculatura, ele trabalhou com um treinador quatro horas por dia por diversos meses. A preparação incluiu também aulas duas vezes por dia com um treinador vocal, para que ele falasse parecido com Chris. Para utilizar bem um rifle, ele teve aulas com Kevin Lacz, um Navy SEAL que serviu com Chris e que foi consultor do filme.

Cooper ficou obcecado com parecer fisicamente com o retratado. Tanto que ele passou a levantar peso – aquela cena em que ele trabalha com pesos fortes é real.

Antes de Eastwood ficar com o filme, os diretores David O. Russell e Steven Spielberg foram cogitados para dirigir o projeto.

Durante o filme, tive uma sensação estranha. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Há uma cena em que Chris segura o bebê no colo ao conversar com a mulher e eu pensei: “Essa criança está parecendo demais um boneco? Eles realmente usaram um boneco no filme?”. Pois sim, meus amigos. E isso, aparentemente, rendeu muitos comentários nos Estados Unidos. Os produtores justificaram a cena dizendo que dois bebês tinham sido escalados para aquela gravação, mas um estava doente e o outro não apareceu. Daí eles optaram pelo boneco.

No primeiro final de semana de estreia de American Sniper nos cinemas dos Estados Unidos o filme bateu um recorde para um final de semana de estreia em janeiro, conseguindo US$ 105 milhões. Impressionante.

Bradley Cooper teria falado uma vez com Chris Kyle por telefone antes do ex-militar ser morto. A conversa teria durado dois minutos. Para fazer jus ao “herói” americano, Cooper dedicou oito meses de preparação para o papel.

No melhor estilo “velho oeste”, resgatando a própria tradição de filmes western, Eastwood preparou uma cena de duelo entre os snipers Chris Kyle e Mustafa. Mas ainda editado de maneira que pareça um duelo, na verdade o confronto não teve essa lógica. Afinal, Chris tinha Mustafa na mira, muitos e muitos metros a distância, enquanto o inimigo não tinha a mesma oportunidade/visão.

Clint Eastwood deu uma de Hitchcock em uma breve cena deste filme. Após a cena no bosque, em que Chris ainda criança acerta um veado, o diretor faz uma aparição ao entrar na igreja em que está a família do protagonista. Bonitinho!

O assassino de Chris Kyle justificou o crime porque ele estaria passando por uma grave PTSD (transtorno de estresse postraumático) após ter lutado no Iraque. Mas a viúva de Chris não admite esta justificativa. Segundo este texto do Daily Mail inglês, Eddie Ray Routh, que teria matado Chris em um campo de treino, teria afirmado para a irmã que havia “trocado a sua alma por um caminhão novo”.

American Sniper teria custado US$ 58,8 milhões e faturado, apenas nas bilheterias dos Estados Unidos, pouco mais de US$ 154 milhões. Nos outros países em que já estreou o filme fez mais US$ 26,5 milhões.

Os usuários do site IMDb deram a nota 7,7 para esta produção, enquanto que os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 147 críticas positivas e 56 negativas para o filme, o que lhe garante aprovação de 72% e uma nota média de 6,9.

Fiquei curiosa para saber um pouco mais sobre o protagonista deste filme. Encontrei este artigo interessante de Dorrit Harazim sobre Chris Kyle, que teria matado pelo menos 160 iraquianos – colegas dele estimam algo em torno de 255 mortes. Concordo com ele na leitura de que este herói americano não entendeu nada. Também interessante este texto do Men’s Journal sobre o Chris Kyle controverso, que teve vários atos questionáveis – e não apenas exemplares como o filme quer nos fazer acreditar.

Como dá para imaginar, esta é uma produção 100% dos Estados Unidos. Por isso mesmo, ela entra na lista de filmes deste país que aparecem como resposta a uma votação feita aqui no blog.🙂

CONCLUSÃO: Francamente, eu esperava muito mais de American Sniper. Não apenas porque ele é dirigido pelo veterano Clint Eastwood. Que esse sim entende de cinema. Mas porque acho que desde The Hurt Locker a guerra não deveria mais ser vista da forma tradicional. Aqui, infelizmente, ela é. E isso é frustrante. Para este filme de Clint, existe claramente um lado bom, um lado justo e que faz sentido, enquanto o outro lado não tem voz e nem argumento. Visão simplista, mais uma vez. Uma pena. Minha nota, se fosse outro diretor por trás de American Sniper, seria ainda menor. Mas respeito demais o Clint para dar-lhe menos que 7. De qualquer forma, para mim, este filme está longe de ser um dos melhores de 2014. Bem feito, verdade. Mas tantos outros filmes vazios são bem feitos… Dá para dispensá-lo sem culpa.

PALPITES PARA O OSCAR 2015: Como American Sniper teve fôlego de chegar a ser indicado ao Oscar, eu acreditava que veria algo diferente na telona. Mas não. Antes de assistir ao filme, até achava que ele poderia ter alguma chance aqui e ali. Agora, se ganhar, será muito mais por lobby do que por mérito.

Esta produção está indicada em seis categorias do Oscar: Melhor Filme, Melhor Ator para Bradley Cooper, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Edição, Melhor Mixagem de Som e Melhor Edição de Som. Sem dúvida alguma que nas três primeiras categorias o filme tem chance alguma. Pelo menos se o Oscar deste ano fizer alguma justiça. Esta não é a melhor produção de 2014, como eu comentei antes. Bradley Cooper também não é páreo para Eddie Redmayne, que acredito ser o favorito, Michael Keaton ou Benedict Cumberbatch, os únicos que podem tirar a estatueta de Redmayne.

Na categoria de Melhor Roteiro Adaptado, sem dúvida The Imitation Game é muito melhor. Mesmo The Theory of Everything, com a sua leitura relativa da história de Stephen Hawking, é um trabalho mais encorpado. Ainda não assisti a Inherent Vice e Whiplash para poder opinar sobre estes dois. As únicas categorias em que American Sniper tem alguma chance seriam nas três técnicas. Mas em Melhor Edição, meu voto ficaria entre Boyhood e The Grand Budapest Hotel. Não é aí que American Sniper ganharia.

Em Melhor Edição de Som, a parada é dura. Não vi a Interstellar, mas imagino que esta deve ser uma qualidade da produção. Das que assisti, acho The Hobbit: The Battle of the Five Armies melhor que American Sniper. E em melhor Mixagem de Som, meu voto iria para Unbroken. Bem, amigos, para os meus critérios, está difícil para o filme de Clint. Para mim, ele é a zebra do ano.

The Imitation Game – O Jogo da Imitação

23 de janeiro de 2015 6 comentários

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Quanto mais o tempo passa, mais percebemos que a História com H maiúsculo que aprendemos na escola está distante da verdade. Evidente que não é possível aprender, no período de 11 anos que incluem o primeiro e o segundo grau, grande parte da história humana com certa profundidade. Ainda assim, eventos inevitáveis de qualquer estudo da História, como a Segunda Guerra Mundial, nos foram ensinados de maneira tradicional, muitas vezes chata. Até que filmes como The Imitation Game nos apresentam a verdade de maneira mais que interessante. Excepcional. Esta produção tem um fundo histórico fortíssimo, mas também histórias de gente inspiradoras.

A HISTÓRIA: Primeiro, o filme deixa claro que o que veremos é baseado em uma história real. 1951, em Manchester, Inglaterra. Alan Turing (Benedict Cumbertbatch) está sentado quieto em uma sala da delegacia local quando chega o detetive Robert Nock (Rory Kinnear). Turing pergunta se ele está prestando atenção, porque o que ele vai contar precisa de atenção total. Voltamos no tempo, e vemos cenas do Serviço de Inteligência (MI6) britânico, que recebe a mensagem de que Turing foi assaltado. Mas o que um professor universitário teria a ver com o Serviço de Inteligência? E quais as razões para ele dizer que, apesar de ter tido a casa invadida, nada foi levada? Pouco a pouco vamos adentrando na história do protagonista e de seus feitos.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a The Imitation Game): Esta é uma produção muito, mas muito diferente de Boyhood. E, ao mesmo tempo, guarda semelhanças com aquele que, até agora, eu tinha achado o melhor filme na disputa pelo Oscar 2015. Enquanto Boyhood (com comentário aqui) acompanha o amadurecimento de um garoto da infância até a ida dele para a universidade com o diferencial de vermos o processo acontecendo na nossa frente, The Imitation Game nos revela o amadurecimento de uma sociedade.

As duas produções também valorizam qualidades como a amizade, o companheirismo e a forma surpreendente com que algumas pessoas podem se revelar melhor do que os outros acreditavam inicialmente. As semelhanças terminam aí. The Imitation Game é um filme de época e que trata de um período chave para a sociedade atual: a Segunda Guerra Mundial e o seu desfecho.

O impressionante da obra, contudo, é que ela não trata apenas deste período histórico, jogando luz no trabalho de descoberta do código de criptografia nazista, fato escondido por cinco décadas e fundamental para a época, mas também, e especialmente, nos apresenta uma história muito humana.

O roteiro de Graham Moore é digno de ser estudo. Ele consegue o equilíbrio perfeito entre o drama histórico e a cinebiografia, adentrando na vida e nas aspirações de Turing ao mesmo tempo em que narra os bastidores da quebra da lógica da Enigma, máquina dos nazistas que todos os dias tinha os códigos alterados para o envio de mensagens fundamentais (ou não) para a guerra.

Verdade que ele não inventa a roda. Moore faz uso daquela técnica já bem conhecida de intercalar diversos tempos narrativos. Então a história começa com Alan Turing na delegacia, prestes a responder por um crime absurdo – e que por não ser considerado mais crime demonstra que, mesmo que lentamente, a Humanidade avança -, depois migra para a fase da Segunda Guerra Mundial para, finalmente, retroceder ainda mais na infância do protagonista. Todas estas “viagens temporais” fazem sentido para a história.

(SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Afinal, como entender a angústia de Turing ao ser preso e depois condenado por “práticas homossexuais” sem saber a importância histórica do personagem – daí a volta para a época da Segunda Guerra -, e como compreender o apreço dele por seu invento e pelo nome de Christopher sem conhecer a amizade e o companheirismo do primeiro amor dele?

A forma com que a história flui nos três tempos narrativos e a condução que o diretor Morten Tyldum faz de cada detalhe da narrativa são dois pontos fortes do filme. Não adianta. Sem um ótimo roteiro e uma direção competente, não há filme que se destaque no cinema atualmente. The Imitation Game tem estes dois elementos e mais um elenco muito afiado, com nomes bem conhecidos do cinema ou da TV dos Estados Unidos e do Reino Unido.

O ótimo Benedict Cumberbatch faz uma interpretação memorável de Alan Turing, este homem brilhante que tinha uma grande dificuldade de se relacionar e dialogar com as pessoas – como muitos dos grandes gênios que a Humanidade já teve, aliás. Em alguns momentos, ele até parece ter um pouco de autismo. Mas conforme a história vai nos mostrando o que Turing passou na escola, entendemos um pouco mais das razões que fizeram ele ser um cientista centrado no próprio trabalho e pouco afeito a atuar em grupo.

Por falar em grupo, que bela escolha de elenco para esta produção! Parabéns para Nina Gold pelo excelente trabalho com esse time de craques. A estrela, claro, é Benedict, mas ele deixa brilharem também Keira Knightley como Joan Clarke, a única mulher no grupo que trabalhou para decifrar a máquina Enigma; Matthew Goode, recente revelação da série The Good Wife, que interpreta a Hugh Alexander; Allen Leech, mais conhecido pelo trabalho em Downtown Abbey, que faz as vezes no filme de John Cairncross; e Matthew Beard, um pouco atrás dos outros na interpretação, que dá vida no filme para Peter Hilton. Esses cinco foram fundamentais para a reviravolta que os Aliados tiveram na última grande guerra de proporções mundiais.

O elenco afiado é um elemento a mais para o filme dar certo junto com o roteiro e a direção. Mas para completar o quadro, os elementos técnicos de The Imitation Game também cumprem o seu papel. Tudo funciona bem. Falarei deles mais detalhadamente abaixo. Voltemos agora um pouco para a história. Por que ela é tão fascinante?

Primeiro porque a narrativa é envolvente e foca em uma história pouco contada no cinema. Nem poderia ser diferente. Apenas no final dos anos 1990 veio a tona o trabalho de Turing e equipe. Sem contar que filmes sobre a Segunda Guerra Mundial que trazem elementos novos para o entendimento daquela época sempre são fascinantes. O mais comum, contudo, é vermos infindáveis cenas de batalha e de heroísmo. The Imitation Game nos revela o trabalho de bastidor de muita gente que atuava em outra frente, a da inteligência, e não da força bruta.

Este novo ângulo por si só é interessante. Agora, adicione a isso um olhar detalhado sobre a trajetória de um cientista menos conhecido mas que, no fim das contas, foi fundamental para que eu estivesse agora escrevendo este texto em um notebook e para que você estivesse lendo estas letras em seu computador ou dispositivo móvel. Este homem, considerado estranho, isolado, pouco afeito a conversas, foi quem idealizou e defendeu em artigos científicos que as máquinas também pudessem pensar.

Em uma das cenas mais bacanas do filme, Turing provoca o policial que o está interrogando a testá-lo para saber se ele é uma máquina ou um humano. A lógica proferida por ele naquele momento é maravilhosa, digna de guardar na memória ou escrever em um quadro. E claro que serve não apenas para refletir sobre as máquinas, mas sobre nós mesmos. Afinal, todos temos formas diferentes de raciocinar, mas todos nós pensamos. Sejamos executivos, empregados, santos ou bandidos.

Como se não bastasse essa reflexão brilhante de Turing e a contribuição que ele deu para o fim do conflito mundial, ainda existe o caráter pessoal da história dele e que faz eco até hoje. Aquela mente brilhante, isolada da sociedade por suas características, foi exposta na sociedade como pervertida, indecente, e condenada por ele não ser tudo isso, e sim por ser homossexual.

Como o filme deixa claro nos créditos finais, entre 1885 e 1967 cerca de 49 mil homens foram condenados por serem homossexuais no Reino Unido – essa orientação sexual era vista como crime. Turing, é verdade, acabou tendo o passado resgatado. Mas nunca saberemos tudo que ele poderia ter feito pela ciência se não tivesse passado por aquela situação.

Para finalizar, um dos pensamentos mais interessantes desta produção, e que é repetido pelo menos três vezes – na infância de Turing, quando ele tenta convencer Joan Clarke a seguir na missão e, depois, quando ele está isolado, solitário e deprimido em casa, quando Joan tenta consolá-lo, é também um resumo do que penso sobre as pessoas. “São as pessoas que ninguém espera nada que fazem as coisas que ninguém consegue imaginar”.

Em outras palavras, todos merecem uma oportunidade de desenvolver-se e mostrar o que a pessoa tem de melhor. Assim como todos merecem respeito. Afinal, muitas vezes, a solução e a salvação virá justamente de quem menos se esperava. Fascinante.

NOTA: 10.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Para mim, foi um surpresa ver tanta qualidade em The Imitation Game. E digo isso por uma razão muito simples: ele é um dos filmes menos badalados da fase pré-Oscar e, mesmo agora, quando estamos na reta final para a maior premiação de Hollywood. Muitos rasgam seda para Birdman, outros se derretem por Boyhood ou por The Theory of Everything, mas quase ninguém fala muito sobre esta produção. Por isso mesmo foi uma grata e boa surpresa ver tanta qualidade na obra comandada por Morten Tyldum.

Antes falei dos atores, mas vale comentar os aspectos técnicos impecáveis desta produção. Para começar, grande o trabalho de Alexandre Desplat com a trilha sonora. Não por acaso ele foi indicado ao Oscar. Depois, muito boa a direção e fotografia de Oscar Faura; a edição de William Goldenberg; os figurinos de Sammy Sheldon; a direção de arte de Nick Dent, Rebecca Milton e Marco Anton Restivo; e a decoração de set de Tatiana Macdonald.

Toda esta equipe e todas as outras pessoas envolvidas em efeitos especiais, maquiagem e etc. garantem que vejamos cenas de reconstituição bastante fidedigna do final dos 1920 até o início dos anos 1950, incluindo reconstituições de cenas marcantes da época e o uso de imagens históricas por parte do diretor.

Citei alguns dos atores que fazem o filme fluir com precisão e graça, destacando especialmente a equipe envolvida no trabalho de decifrar o código nazista, mas há outros atores no elenco que merecem ser citados pelo ótimo trabalho realizado. Mark Strong está perfeito como Stewart Menzies, o homem por trás do Serviço Secreto britânico durante a Segunda Guerra e que acaba sendo peça fundamental no jogo de contraespionagem jogado naquela época; e Charles Dance, bem conhecido pela série Game of Thrones, também se sai muito bem como o comandante Denniston.

Também vale citar o trabalho de Alex Lawther como o jovem Alan Turing, e Jack Bannon como o amigo dele na infância, Christopher Morcom. Fazem papéis menores mas um pouco relevantes Ilan Goodman como Keith Furman e Jack Tarlton como Charles Richards, os dois participantes da equipe contratada pelos ingleses para decifrar Enigma e que são demitidos assim que Turing consegue comandar o projeto.

O roteiro de Graham Moore é brilhante, como eu comentei antes. Mas é preciso também comentar que boa parte do mérito dele deve estar no livro Alan Turing: The Enigma, escrito por Andrew Hodges.

The Imitation Game estreou em agosto de 2014 no Festival de Cinema de Telluride. Depois, o filme passou por outros 47 festivais – um número impressionante. Nesta trajetória, a produção ganhou 39 prêmios e foi indicada a outros 101, incluindo oito indicações ao Oscar 2015. Entre os prêmios que recebeu, destaque para os prêmios de Compositor do Ano para Alexander Desplat, Diretor do Ano para Morten Tyldum, Ator do Ano para Benedict Cumberbatch e para Atriz do Ano para Keira Knightley no Festival de Cinema de Hollywood; para o prêmio para o elenco no Festival Internacional de Cinema de Palm Springs e pela escolha do público por Morten Tyldum como “Mestre” do ano. Esta produção também aparece no Top Ten Film 2014 da National Board of Review.

Esta é uma produção 100% rodada no Reino Unido, em locais como o Parque Bletchley, na cidade de Bletchley; na Sherborne School, a escola onde Turing realmente estudou, em Dorset; e outras diversas cenas em Londres.

No dia 27 de novembro de 2014, antes do filme estrear nos cinemas dos Estados Unidos, o The New York Times reproduziu as palavras-cruzadas publicada originalmente em 1942 no The Daily Telegraph e criada para recrutar decifradores de códigos para trabalhar em Bletchley Park durante a Segunda Guerra Mundial. As pessoas que conseguiram decifrar as palavras-cruzadas no ano passado concorreram a uma viagem para Londres que incluía visitar as instalações de Bletchley Park.

Agora, outras curiosidades sobre o filme: Em uma das cenas finais do filme o ator Benedict Cumberbatch não conseguiu parar de chorar e passou por um colapso. Ele realmente ficou envolvido com a história de Turing e com o que ele sofreu na reta final da vida.

Em diversos momentos do filme Turing aparece correndo. Na vida real ele era um corredor de longa distância de classe mundial, com um tempo de maratona de 2:46:03 conquistada em 1946.

O personagem Stewart Menzies inspirou Ian Fleming, que trabalhou no departamento de espionagem britânico durante a Segunda Guerra Mundial, a criar o personagem M, chefe do personagem James Bond.

Desplat compôs a trilha do filme em duas semanas e meia. Ela foi gravada com a Orquestra Sinfônica de Londres no Abbey Road Studios.

Este é o primeiro roteiro de Graham Moore. Ele queria escrever um roteiro sobre Alan Turing desde que tinha 14 anos de idade.

O terno risca de giz que Mark Strong utiliza durante o filme é um terno autêntico dos anos 1940. Ele foi escolhido para caracterizar o personagem que liderava a operação em Bletchley Park porque lhe dá um ar de “chefe da máfia”.

(SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Durante o filme, o diretor faz referência a como Turing se matou. Quando os policiais vão na casa dele, após a denúncia de assalto, ele está recolhendo pó de cianureto. Em outro momento, ele dá maçãs para os colegas de trabalho. Foi com uma maçã envenenada com cianureto que o cientista se matou.

Este é um destes filmes que nos faz pensar como qualquer conversa pode ser mega importante. E pensar que sem o comentário de Helen (Tuppence Middleton) despretensioso naquele bar, brincando que acreditava que o inimigo que ela acompanhava diariamente tinha uma namorada porque todas as mensagens dele começavam com a palavra Cilly, aquele grupo de cientistas jamais conseguiria decifrar o código do Enigma a tempo, no prazo que o comandante havia dado. Fantástico. Nunca se sabe, realmente, quando uma conversa despretensiosa pode mudar tudo.

Os usuários do site IMDb eram a nota 8,2 para esta produção. Uma avaliação muito boa, considerando o padrão do site. Os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 200 textos positivos e 22 negativos para a produção, o que lhe garante uma aprovação de 90% e uma nota média de 7,7. Achei baixa a nota, em especial, ainda que gostei do nível de aprovação.

The Imitation Game teria custado cerca de US$ 14 milhões e faturado, apenas nos Estados Unidos, quase US$ 52,9 milhões até o dia 21 de janeiro. Nos outros mercados em que o filme já estreou ele soma outros US$ 50,2 milhões. Fico feliz que ele esteja se saindo bem. De fato, ele merece.

Esta é uma coprodução entre Reino Unido e Estados Unidos.

CONCLUSÃO: Pessoas indesejadas em determinadas sociedades conseguem feitos fantásticos quando elas tem não apenas a oportunidade de se desenvolver, mas também a chance de empregar bem o seu talento. The Imitation Game é um filme que vai muito além da biografia de Alan Turing e de um feito incrível dos bastidores da Segunda Guerra Mundial. Esta produção nos faz refletir sobre os diversos absurdos de que a Humanidade é capaz ao mesmo tempo que nos mostra o valor da solidariedade, do talento e da amizade. Um filme bem conduzido, perfeitamente escrito e com atores que cumprem bem os seus papéis. Irretocável e envolvente. Um dos grandes de 2014.

PALPITES PARA O OSCAR 2015: Depois de The Grand Budapest Hotel e Birdman, indicados nove vezes no Oscar, The Imitation Game é o filme mais indicado deste ano. Ele está concorrendo em oito categorias. Poderia vencer em várias, ou pode também sair de mãos vazias.

Birdman está sendo muito badalado. Mas acho que Boyhood deve ganhar como Melhor Filme. Depois de Boyhood, para mim, The Imitation Game é o melhor filme de 2014 – pelo menos até agora, ainda falta assistir a três concorrentes da categoria. O filme concorre ainda em Melhor Ator – Benedict Cumberbatch; Melhor Diretor – Morten Tyldum; Melhor Trilha Sonora; Melhor Roteiro Adaptado; Melhor Atriz Coadjuvante – Keira Knightley; Melhor Design de Produção e Melhor Edição.

A parada do filme é dura em todas as categorias. Ele tem qualidade para ganhar, mas também tem fortes concorrentes tão merecedores quanto. Em Melhor Ator, acredito que o favorito é Eddie Redmayne, de The Theory of Everything. Depois, viriam pau a pau Cumberbatch e Michael Keaton. Melhor Diretor, me parece, tem Richard Linklater como favorito pelo trabalho excepcional em Boyhood. Mas não seria uma surpresa se Alejandro González Iñarritu ou Wes Anderson levassem a estatueta para casa.

Melhor Trilha Sonora também é parada dura. The Theory of Everything e The Grand Budapest Hotel são grandes concorrentes, mas The Imitation Game também poderia ganhar. Dos filmes que vi até agora, The Imitation Game poderia ganhar em Melhor Roteiro Adaptado. Prefiro ele que The Theory of Everything. Mas desconfio que este segundo talvez tenha mais lobby que o primeiro para vencer.

Em Melhor Atriz Coadjuvante, me parece, Patricia Arquette é a favorita. Em Melhor Design de Produção, os grandes concorrentes de The Imitation Game são The Grand Budapest Hotel e Interstellar. E para finalizar, em Melhor Edição todos são bons, mas acho que The Grand Budapest Hotel ou Boyhood levam vantagem. Para resumir, a vida de The Imitation Game será difícil no Oscar. Mas vou achar ótimo se ele levar qualquer estatueta. Merece.

Birdman or (The Unexpected Virtue of Ignorance) – Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)

21 de janeiro de 2015 8 comentários

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Há tempos isso não acontecia comigo. Assistir a um filme e demorar para chegar a conclusão se eu havia gostado do que tinha assistido e, em caso positivo, do quanto. Birdman fez isso comigo não apenas por ser um filme incômodo, muito crítico ao mainstream, mas também porque ele é belo em sua rispidez crítica. Apesar destes elementos, fiquei em dúvida porque me lembrei de outras produções que fizeram o mesmo, e não consegui ver toda aquela inventividade esperada em Birdman. Ainda assim, ficou claro que este é o filme mais ousado do Oscar 2015. A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood foi corajosa em indicá-lo a tantos prêmios.

A HISTÓRIA: Um corpo celeste queima ao dar entrada na órbita da Terra. Corta. Dentro de um camarim, Riggan (Michael Keaton) levita enquanto pensa em como ele foi chegar ali. Reggan considera o lugar horrível, e está pensando nisso quando escuta o aviso do Skype. Do outro lado da câmera, Sam (Emma Stone), filha dele, pede ajuda do pai sobre as flores certas que ela deve comprar. Ele pede alquemila, ou outra que cheire bem, menos rosas. Ela diz que odeia aquele emprego, e desliga. Reggan se olha no espelho, e é chamado para o ensaio da peça de teatro que ele está dirigindo e protagonizando. Um dos atores, Ralph (Jeremy Shamos), sofre um acidente e precisa ser substituído. A partir daí, acompanhamos o desafio de Reggan em realizar o sonho de fazer algo sério em sua carreira.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso só recomendo que continue a ler quem já assistiu a Birdman): Esta produção começa muito bem. O título do filme é promissor, assim como o começo dele com o texto de Late Fragment, de Raymond Carver, e a sequência de imagens icônicas antes de Michael Keaton começar a dar o seu showzinho particular.

Não há dúvidas que o roteiro escrito pelo diretor Alejandro González Iñarritu ao lado de Nicolás Giacobone, Alexander Dinelaris e Armando Bo é o que o filme tem de melhor. Junto com a própria condução fluída de Iñarritu e o equilíbrio perfeito que ele consegue entre a valorização do trabalho dos atores e o foco constante no entorno em que eles estão imersos.

Ainda assim, o principal problema do filme também é o roteiro do quarteto e a sua preocupação em não apenas falar dos bastidores da vida de quem vive entre a arte do teatro e a indústria do cinema, mas também sobre a natureza das aspirações que move a cada indivíduo em cena – ou na plateia. Digo isso porque depois daquele começo tão promissor, somos imersos em um enredo de constante quebra de braços entre egos diferentes e suas motivações.

Para quem é ou foi ator Birdman deve ser uma ironia constante. Não duvido, apesar de nunca ter sido profissional desta área, mas apenas uma interessada e uma jornalista que já acompanhou de perto diversos atores e diretores de teatro, que muito do que vemos em cena acontece na vida real. A insegurança perto de uma estreia, o estresse por fazer sucesso e a libido extremada com constantes mudanças de parceiros sexuais fazem parte do jogo.

O problema, conforme o filme vai avançando, é que Birdman vai se tornando muito afeito a quem vive esta realidade. O grande público, aquele mesmo que gosta de acompanhar determinados atores e diretores mas que, dificilmente, vive em disputa tão acirrada de egos, sente-se pouco tocado pelos bastidores da coxia. Para nossa sorte, contudo, Birdman vai muito além deste cenário e ambiente.

Com bastante ironia e autocrítica para o próprio cinemão dos Estados Unidos, muito lucrativo em sequências algumas vezes infinitas de filmes com heróis em quadrinhos como protagonistas, pouco a pouco Birdman vai entrando na avaliação da própria vida feita por um ator que um dia já teve sucesso, mas que agora só pensa em voltar à cena para ganhar algum respeito. Separado de Sylvia (Amy Ryan), sentindo-se culpado pela filha ter se tornado uma viciada – afinal, ele sempre é acusado de ter sido um pai ausente – e há muito tempo sem fazer um papel de sucesso, o protagonista de Birdman quer renascer das cinzas.

Pena que nem todos nasceram para serem uma Fênix. Mas Riggan se esforça. O problema é que ele encontra um jovem talento, muito badalado por público e crítica, para duelar com ele em sucesso, prestígio e em cena. Mike (Edward Norton) aparece em cena para substituir o desfalque Ralph e parece a salvação da lavoura. Logo que o nome dele é anunciado, a procura pela peça de Riggan ganha novo impulso nas bilheterias.

O que pareceria algo positivo logo se mostra complicado porque Mike encarna o ator-estrela, aquela figura “indomável” que sente que é mais verdadeiro sobre um palco do que na vida real. Ele tem rompantes dos mais variados, o que chega a ser cômico. Mas o efeito para Riggan é devastador. Ele está cansado de tudo aquilo, e ao perceber uma versão mais jovem de si mesmo, talvez, ele avança ainda mais na autocrítica.

O problema de Birdman, para mim, nasce justamente desta clássica oposição entre o “ator em decadência” e o “jovem talento em ascensão”. Ainda que sejam filmes muito diferentes, ao detectar esta característica em Birdman, para mim foi impossível não lembrar do excepcional All About Eve, clássico de 1950 dirigido por Joseph L. Mankiewicz e com um show de interpretação de Bette Davis. A atriz veterana, na interpretação de sua vida, teve em Anne Baxter uma dobradinha perfeita.

Há 65 anos atrás Mankiewicz tratou como um gênio a questão do ego, da disputa pelo holofote, pelo poder e pela aprovação no mainstream. Agora, Iñarritu nos apresenta algo similar, mas com uma linguagem renovada, novos ícones para serem combatidos e pouco mais que isso. É pouco, muito pouco. Ser ácido com a busca do artista e também com o crítico que aparece como uma “estrela frustrada” e amargurada é fácil. Difícil é fazer um clássico para a posteridade como All About Eve.

Mas para não dizer que não falei de flores, vou citar o único aspecto que, para mim, faz o filme ser um pouco salvo. Ou, pelo menos, ser merecedor da nota abaixo. Se toda a discussão sobre a disputa entre egos na arte – ou na tentativa de arte – já é velha conhecida do cinema, o que Birdman traz de interessante é a forma com que o protagonista conversa com o próprio ego e referências a dois símbolos muito interessantes: o mito de Ícaro e a noção de super homem de Nietzsche.

No primeiro caso, o mito de Ícaro, vale citar um pouco da história do personagem segundo a mitologia grega. Antes de falar de Ícaro, interessante comentar feitos do pai dele, Dédalo, que era um grande arquiteto, artista e inventor. Certa vez, a irmã de Dédalo colocou o filho, Perdix, para aprender o ofício com o irmão. Mas o rapaz começou a se sair tão bem que, com inveja, Dédalo aproveitou uma ocasião em que eles estavam no alto de uma torre para empurrar o rapaz de lá. Atena, deusa que favorece o engenho, viu a cena e alterou o destino de Dédalo, fazendo com que ele se transformasse em um pássaro durante a queda.

Em certo momento, Dédalo foi chamado para prestar serviços para o rei Minos, de Creta – incluindo o Palácio de Minos. Ele também construiu o labirinto onde o rei aprisionou o seus inimigos e o temido Minotauro. Lá pelas tantas, Dédalo ajudou a princesa Ariadne a libertar Teseu e, por esta traição, ele foi aprisionado junto com o filho Ícaro no labirinto.

Como escapar a pé do labirinto era muito complicado e o caminho do mar também era controlado pelo rei, Dédalo pensou na alternativa de escapar com o filho pelo ar. Foi aí que ele construiu asas gigantes com galhos de vime e cera, orientando o filho de como fazer para voar e alertando que ele deveria ficar longe do sol. Apesar da advertência, Ícaro ficou empolgado com a sensação de liberdade do voo e subiu cada vez mais alto, até ter as asas destruída, cair no mar e morrer.

Contei essa história de Dédalo e de Ícaro porque é evidente o paralelo com Birdman. Primeiro, porque a inveja fez Dédalo matar a Perdix que, no fim das contas, na queda, virou um pássaro. Depois, que Ícaro foi absorvido pela sensação de liberdade e descuidou da própria segurança. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). A visão otimista da história de Birdman pode nos levar por este lado. Riggan também sentiu inveja e, fascinado pela liberdade, no que ela significava o fim de todos os problemas, preocupações e culpas, ele também se lançou no espaço. Iñarritu sugere que, no ato, ele virou um pássaro. Forma poética, é claro.

Outra forma de encarar Birdman é observar a produção dentro do conceito de Nietzsche do super homem. Para mim, não foi à toa aquela cena de um meteoro chegando na terra, ou mesmo os diálogos que Riggan escuta e que seriam de seu próprio ego – plasmado no sucesso que ele viveu como Homem-Pássaro. Aquela cena do meteoro me fez lembrar o personagem do Super-Homem. Mas o que Nietzsche defende como super homem era o modelo ideal para elevar a humanidade, segundo o qual não são todos os indivíduos que vão evoluir, mas apenas os mais dotados e fortes.

Existiria, assim, o homem superior. Aquele que se elevaria acima da mediocridade e que teria uma existência baseada no esforço e na educação, sem contaminar-se com o amor que, no fim das contas, apenas impede o bom senso e o melhoramento constante do indivíduo. O ego de Riggan, que lá pelas tantas se materializa na figura do personagem que ele viveu do Birdman, defende exatamente isso. De que ele é um ser superior e que ele deve voar acima da mediocridade dos outros seres.

Mas o problema de Riggan, para mim, é que ele buscava, a exemplo do que afirmam as frases iniciais de Raymond Carver, apenas o amor. Seja ele prático, em uma vida feliz com a mulher e a filha, seja ele figurado no aplauso das audiências e nas ótimas avaliações dos críticos. No fim das contas ele queria ser aprovado, reconhecido, amado por todos.

Não conseguiu, assim, coincidir estas aspirações com o modelo de super homem de Nietzsche, e que o seu próprio ego defendia. No fim, ele só encontrou a alternativa da fuga. Do salto. De uma admiração impossível de admirar da liberdade dos pássaros.

A reflexão é boa, a sensação de incômodo permanece, mas ainda assim o filme não me convenceu de todo. Talvez porque eu não acredito que o mundo e a realidade sejam tão sem esperanças, tão cínicos, tão sem horizonte. Pessoalmente, e meu julgamento é composto também de meus gostos pessoais, prefiro outro tipo de filme e de reflexão.

NOTA: 8,5.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: O primeiro elemento desta produção que chama a atenção é o trabalho do diretor mexicano Alejandro González Iñarritu. Ele faz a escolha cuidadosa de cada enquadramento de cada sequência, aproveitando muito os corredores e bastidores do teatro para aprofundar-se nas angústia e no habitat do protagonista e dos demais personagens. Outro elemento que logo ganha protagonismo é a trilha sonora de Antonio Sanchez, bem ao estilo de música acidental que, espalhada aqui e ali na produção, cria ainda mais o clima de realismo, sofisticação e angústia.

Vale também destacar, dentro dos aspectos técnicos do filme, a direção de fotografia de Emmanuel Lubezki; a edição de Douglas Crise e Stephen Mirrione; o design de produção de Kevin Thompson e a decoração de set de George DeTitta Jr.

Ainda que centrado em poucos personagens, este filme tem um bom número de atores de peso em papéis secundários. Claro que quem rouba a cena e carrega a produção nas costas é Michael Keaton. Há tempos não vemos o ator em um desempenho tão bom. Mas ele tem ao seu lado uma grata surpresa: Emma Stone em uma interpretação de gente grande. A garota rouba a cena em muitos momentos. Edward Norton e Naomi Watts, ela interpretando a atriz Lesley, para mim, apenas fazem um papel mediano. Nada muito além do que estamos acostumados a ver.

Outra intérprete que tem presença marcante toda vez que aparece em cena é Amy Ryan. Ela está muito bem – ainda que apareça pouco. Zach Galifianakis também está bem no papel de Jake, empresário de Riggan. Para fechar o grupo de atores que ganha mais evidência no filme está Andrea Riseborough que se sai bem como Laura, a outra atriz em cena no teatro e que é namorada do protagonista.

Birdman estreou em agosto de 2014 no Festival de Cinema de Veneza. De lá para cá, a produção participou de outros 22 festivais, incluindo os de Telluride, Zurique, Londres, Viena, Estocolmo, Mar del Plata e Dubai. Nesta trajetória, Birdman conquistou impressionantes 119 prêmios e 148 indicações – incluindo nove indicações ao Oscar. Estes números são realmente impressionantes.

Entre os prêmios que recebeu, destaque para os Globos de Ouro de Melhor Ator – Comédia ou Musical para Michael Keaton e o de Melhor Roteiro; o de Melhor Ator para Keaton no Prêmio Gotham; o de melhor Diretor de Fotografia do ano para Emmanuel Lubezki no Prêmio de Cinema de Hollwyood; o de Melhor Ator para Keaton, Melhor Ator Coadjuvante para Edward Norton e por figurar no Top Ten de 2014 segundo a National Board of Review; e quatro prêmios secundários no Festival de Cinema de Veneza. A maioria dos prêmios recebidos pelo filme até agora foi conferida por associações de críticos de dentro e de fora dos Estados Unidos.

Birdman teria custado cerca de US$ 18 milhões. Para os padrões de Hollywood, uma produção de baixo orçamento. Apenas nas bilheterias dos Estados Unidos o filme somou pouco mais de US$ 28,7 milhões. No restante dos mercados onde o filme já estreou, ele soma outros US$ 13,4 milhões. Está começando a dar lucro, pois. Mas com tantas indicações ao Oscar, é tendência que fora dos Estados Unidos, em especial, ele comece a arrecadar mais dinheiro.

Para quem gosta de saber aonde os filmes foram rodados, Birdman foi totalmente filmado em Nova York, como a história mesmo sugere.

Agora, aquelas curiosidades clássicas sobre o filme: de acordo com o ator Michael Keaton, Birdman foi o filme mais desafiador que ele já fez. Ele comentou também que o personagem de Riggan é o mais diferente, na comparação consigo mesmo, que ele alguma vez interpretou.

Na entrevista que Riggan dá no camarim para a imprensa que está divulgando a peça dele, o ator comenta que não interpreta a Birdman desde 1992. Foi este ano quando, na vida real, foi lançado Batman Returns, no qual Keaton interpreta ao personagem-título.

Este filme todo foi rodado em menos de um mês. De fato, não era preciso mais que isso – até pela dinâmica da história. Boa parte da produção foi rodada dentro do St. James Theatre na Broadway.

Os atores tiveram que se esforçar para encaixar nos longos takes de filmagens de Iñarritu. Do elenco, Emma Stone foi a que protagonizou o maior número de erros e Zach Galifianakis foi o que errou menos.

Da mesma forma com que o personagem de Keaton é uma certa paródia da trajetória do ator, que protagonizou na carreira um Batman, o personagem de Edward Norton brinca com a reputação dele de ser muito ríspido e difícil de lidar no trabalho.

O tapete que vemos em mais de uma cena nos corredores dos bastidores do teatro é o mesmo que foi usado no clássico de Stanley Kubrick The Shining.

O título complementar do filme, “The Unexpected Virtue of Ignorance”, faz referência ao título do artigo que a crítica Tabitha (Lindsay Duncan) teria escrito elogiando a peça e o desempenho de Riggan.

Os usuários do site IMDb deram a nota 8,4 para esta produção. O que é uma ótima avaliação levando em conta o padrão do site. Os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 232 textos positivos e apenas 19 negativos para Birdman, o que lhe garante uma aprovação de 92% e uma nota média de 8,5.

Esta é uma coprodução dos Estados Unidos com o Canadá.

CONCLUSÃO: O roteiro de Birdman atira para quase todos os lados no terreno da cultura pop dos Estados Unidos. Tipo de críticas que outros filmes menos “sérios” já haviam feito. Mas fora esta camada superficial, o filme de Alejandro González Iñarritu vai mais fundo na fogueira das vaidades e na disputa de egos do cinema e do teatro. Como outros filmes fizeram isso antes, não há muita novidades neste aspecto. O único ponto que esta produção avança é no mal estar que ela provoca, em uma que outra risada que desperta e no questionamento sobre o mito de Ícaro e o conceito de super homem de Nietzsche. É um filme corajoso, mas menos inventivo do que eu esperava. E, sem dúvida, não é o melhor filme do ano passado.

PALPITES PARA O OSCAR 2015: Birdman foi o filme que recebeu o maior número de indicações na premiação anual da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood junto com The Grand Budapest Hotel. Os dois foram indicados em nove categorias. Não deixa de ser surpreendente esse número de indicações justamente para estas duas produção, já que tanto Birdman quanto The Grand Budapest Hotel são um bocado alternativas. Especialmente a primeira.

Birdman concorre nas categorias Melhor Filme, Melhor Ator para Michael Keaton, Melhor Direção para Alejandro G. Iñarritu, Melhor Roteiro Original, Melhor Fotografia, Melhor Atriz Coadjuvante para Emma Stone, Melhor Ator Coadjuvante para Edward Norton, Melhor Mixagem de Som e Melhor Edição de Som.

Após assistir a esta produção, tenho sérias dúvidas sobre que estatuetas ela poderá levar para casa. Em cada uma destas categorias, para mim, ela tem concorrentes de peso e que levam vantagem pela qualidade. Ou seja, pelo meu critério, Birdman poderá sair de mãos vazias do Oscar. Vejamos.

Na disputa de Melhor Filme, considero Boyhood favorito. Michael Keaton mereceria um Oscar pelo excelente trabalho nesta produção, mas acho muito difícil ele ganhar do favoritíssimo Eddie Redmayne, de The Theory of Everything. Melhor Direção, acredito, irá para Richard Linklater – mas Wes Anderson pode surpreender nesta categoria. Melhor Roteiro Original pode ser uma opção para Birdman, ainda que o meu voto iria para Boyhood.

Esta produção ganhar em Melhor Fotografia seria uma verdadeira zebra. Ida leva franca vantagem, e mesmo Unbroken e The Grand Budapest Hotel são melhores que Birdman nesta categoria. Emma Stone tem praticamente chance alguma – Patricia Arquette deve levar a estatueta para casa.

Edward Norton sempre merece um Oscar, mas o meu voto iria para Ethan Hawke – pelo menos até agora, preciso ainda ver a outros três trabalhos. Melhor Mixagem de Som e Melhor Edição de Som são duas categorias em que o filme corre por fora, tendo outros fortes candidatos como favoritos – a exemplo de American Sniper, Interstellar e Unbroken. Resumindo, não seria uma total surpresa o recordista de indicações sair de mãos vazias. Mas acredito em uma ou duas estatuetas, mesmo que o gosto do espectador possa preferir outro dos indicados como ganhador.

Indicados ao Oscar 2015 – Lista e Avaliação

15 de janeiro de 2015 5 comentários

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Bom dia, minha gente. Mais uma vez acompanho, junto com vocês, as indicações dos integrantes da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood para a maior premiação da indústria do cinema mundial, o Oscar.

Neste ano a Academia resolveu inovar de duas maneiras diferentes: transmitindo o evento das indicações ao vivo pelo site da entidade (www.oscars.org/live) e também dividindo a divulgação em duas partes. Na primeira, que começa às 5h30 no horário da Califórnia, nos Estados Unidos, e as 11h30 no horário de Brasília, os diretores Alfonso Cuarón e J.J. Abrams divulgam os indicados em 11 categorias. Depois, às 5h38 no horário da Califórnia e 11h38 no horário de Brasília, o ator Chris Pine e a presidente da Academia, Cheryl Boone Isaacs, divulgam os indicados nas outras 13 categorias do Oscar 2015.

A exemplo do que fiz aqui no ano passado, vou acompanhar essas indicações trazendo a lista que vai nos guiar até fevereiro para assistir aos indicados e também comentários sobre quem chegou na reta final da disputa.

A transmissão direto do Teatro Samuel Goldwyn, em Beverly Hills, começou a ser feita pela internet às 11h28. No horário em que a primeira lista deveria começar a ser divulgada, pediram mais três minutos para a cerimônia começar. #expectativa #cinéfilanervosa🙂

Os diretores J.J. Abrams e Afonso Cuarón começaram a divulgar a lista com um pouco de atraso. Segue as indicações que eles, começando por Abrams e seguindo com Cuarón, trocando sempre quem anunciava, divulgaram:

Melhor Canção Original:

  • Everything Is Awesome, de The Lego Movie
  • Glory, de Selma
  • Grateful, de Beyond the Lights
  • I’m Not Gonna Miss You, de Glen Campbell… I’ll Be Me
  • Lost Stars, de Begin Again

Melhores Efeitos Visuais:

  • Captain America: The Winter Soldier
  • Dawn of the Planet of the Apes
  • Guardians of the Galaxy
  • Interstellar
  • X-Men: Days of Future Past

Avaliação: Aqui não tem como inventar a roda. Todos os anos os filmes de ficção científica e os baseado em heróis da DC Comics, Marvel e afins dominam esta categoria. Alguns dos maiores sucessos de 2014 nestas duas categorias de filmes aparecem na lista. A disputa será boa, não há dúvidas. Como não assisti a nenhuma destas produções, vou tentar conferir o trabalho antes de opinar sobre o favorito.

Melhor Curta Documentário:

  • Crisis Hotline: Veterans Press 1
  • Joanna
  • Our Curse
  • The Reaper (La Parka)
  • White Earth

Melhor Documentário:

  • CitizenFour
  • Finding Vivian Maier
  • Last Days in Vietnam
  • The Salt of the Earth
  • Virunga

Melhor Edição:

Avaliação: Assisti a apenas dois dos filmes da lista. Para mim, Boyhood e The Grand Budapest Hotel tem na edição uma de suas principais qualidades. Então merecem estar aqui. Gostei de American Sniper aparecer, mesmo não tendo assistido ao filme, porque adoro tudo que o Clint Eastwood faz. Mas novamente vou dar o meu pitaco só quando assistir aos outros três concorrentes que eu ainda não vi. Entre Boyhood e The Grand Budapest Hotel, talvez o segundo seja melhor, na edição, mas o meu voto iria para o primeiro – gostei muito mais de Boyhood.

Melhor Edição de Som:

Avaliação: Aqui, mais uma vez, os filmes de guerra, ficção científica e de heróis ganham vantagem na edição de som – e na categoria seguinte também. Das produções listadas, assisti apenas a The Hobbit e Unbroken. De fato os dois filmes tem edições de som primorosas. Mas se fosse votar em um dos dois, ficaria com The Hobbit. De qualquer forma, só assistindo aos três que faltam para poder realmente opinar a respeito.

Melhor Mixagem de Som:

Avaliação: Como eu disse antes, aqui novamente os filmes de guerra, de ficção científica e de heróis ganham vantagem. Como só assisti a Unbroken, produção que será a próxima a ganhar uma crítica aqui no blog, fica difícil opinar. Mas algo é fato: o filme dirigido por Angelina Jolie é ótimo na mixagem de som. Mesmo sem ter assistido aos demais, me parece, contudo, que American Sniper e Interstellar possam ter alguma vantagem sobre os outros concorrentes. Veremos.

Melhor Design de Produção:

Avaliação: Aqui começa a engrossar o número de indicações para The Grand Budapest Hotel – que teve nove, ao total. Sem dúvida o filme é ótimo na parte técnica e o design de produção é um de seus pontos fortes. Ainda assim, pensando na história e no conjunto da obra, esta produção não estaria entre as minhas favoritas do ano. Ainda não assisti aos outros concorrentes desta categoria, para poder opinar com maior propriedade, mas desde já acho que The Grand Budapest Hotel é o concorrente a ser derrotado.

Melhor Curta de Ficção:

  • Aya
  • Boogaloo and Graham
  • Butter Lamp (La Lampe Au Beurre De Yak)
  • Parvaneh
  • The Phone Call

Melhor Curta de Animação:

  • The Bigger Picture
  • The Dam Keeper
  • Feast
  • Me and My Moulton
  • A Single Life

Melhor Animação:

  • Big Hero 6
  • The Boxtrolls
  • How to Train Your Dragon 2
  • Song of the Sea
  • The Tale of the Princess Kaguya

 

Divulgada esta lista, saíram de cena os diretores e, às 11h38, quando deveria começar a divulgação da outra lista, pediram mais três minutos para que entrasse em cena Pine e Boone Isaacs. De fato eles começaram a apresentar a lista com o “filé” da premiação às 11h42. A primeira a falar, claro, foi a presidente da Academia, seguida sempre por Pine. Eles divulgaram os seguintes indicados:

Melhor Ator Coadjuvante:

Avaliação: Agora sim a lista começa a ficar mais interessante. Gostei do equilíbrio entre veteranos e atores de gerações mais novas nesta categoria. Ethan Hawke merecia muito a indicação pelo excelente trabalho em Boyhood. Edward Norton… bem, sempre vou torcer por ele porque, para mim, ele é um dos melhores de sua geração. J.K. Simmons é um veterano que nem sempre foi reconhecido, a exemplo de Robert Duvall. Este último foi indicado seis vezes antes em um Oscar, e ganhou apenas uma estatueta como Melhor Ator por Tender Mercies em 1984. Simmons, por sua vez, nunca tinha sido indicado ao Oscar. Ainda preciso assistir aos filmes deles, mas tenho um fraco por Boyhood. Por isso, inicialmente, minha torcida vai para Hawke.

Melhor Atriz Coadjuvante:

Avaliação: A exemplo de Ethan Hawke, Patricia Arquette também merecia ter uma indicação ao Oscar pelo ótimo trabalho em Boyhood. As demais atrizes, ainda não assisti em seus respectivos papéis, mas gostei de ver, novamente, um equilíbrio entre veteranas e dois nomes de gerações bem mais novas. Fiquei especialmente contente por Keira Knightley ser indicada a seu segundo Oscar – antes ela concorreu também como Melhor Atriz Coadjuvante por Pride & Prejudice. Acho ela competente há muito tempo. Ainda assim, tenho sérias dúvidas se ela tem alguma chance este ano. Acredito que não. Preciso assistir às demais, mas minha torcida já está dividida entre Patricia Arquette e Laura Dern – uma atriz com longa trajetória e nem sempre reconhecida. Ah, e por falar em indicações… Meryl Streep chega a sua 19ª indicação ao Oscar… sendo que destas impressionantes 19 vezes ela abocanhou a estatueta em três ocasiões. Recordista absoluta e, acredito, atriz difícil de ser batida. Preparem-se para piadinhas sobre isso até a cerimônia do Oscar e, claro, durante a entrega do prêmio.

Melhor Maquiagem e Cabelo:

Avaliação: Essa, talvez, seja a única categoria com alguma surpresa. Principalmente por terem fechado a lista com apenas três indicados. Ainda não vi a Into the Woods, mas tenho a impressão que o filme poderia estar aqui. Dos indicados, assisti apenas a The Grand Budapest Hotel. O trabalho de maquiagem e cabelo da produção realmente é muito bem feito. Mas vi algumas fotos de Foxcatcher e acredito que ele é um forte concorrente. De qualquer forma, como nas outras situações, só vou poder me posicionar melhor assistindo a todos os concorrentes.

Melhor Figurino:

Avaliação: Nesta categoria sempre levaram vantagem filmes de época e de ficção científica/fantasia. Dos indicados, assisti apenas a The Grand Budapest Hotel que, novamente, tem nesta categoria técnica um de seus pontos fortes. Merecida a indicação, pois. Ouvi falar muito bem dos figurinos de Maleficent. Sobre os demais, prefiro comentar posteriormente.

Melhor Fotografia:

Avaliação: Quando apareceu Ida no telão dos indicados da Academia, ganhei o meu dia. Essa produção polonesa, também indicada como Melhor Filme em Língua Estrangeira, tem uma fotografia primorosa, daquela que fica na tua lembrança por muito tempo. Muito justa a indicação, pois. The Grand Budapest Hotel também tem na fotografia um de seus pontos fortes, o mesmo com Unbroken – que, aliás, me fez relembrar diversos filmes das décadas de 1950 e 1960. A produção dirigida por Angelina Jolie tem alma na fotografia, um de seus pontos fortes. Os outros filmes ainda preciso assistir, para comentar. Mas, entre os três que eu vi, votaria em Ida.

Melhor Roteiro Adaptado:

Avaliação: Esta categoria, junto com a próxima, está entre as minhas favoritas. Para mim, um roteiro é o ponto-chave de uma produção. Ela é excepcional ou não por causa dele. Pois bem, gostei de ver o filme de Clint Eastwood, Amerian Sniper, indicado. Mesmo sem ter assistido ele ainda.🙂 The Theory of Everything era uma bola cantada nesta categoria, ainda que eu tenha as minhas ressalvas sobre o filme – saiba mais na crítica sobre a produção acessível neste link. Como assisti apenas a The Theory of Everything, não me sinto confortável para opinar ainda sobre esta categoria.

Melhor Roteiro Original:

Avaliação: Esta talvez seja, depois de Melhor Filme e Melhor Filme em Língua Estrangeira, a minha categoria favorita no Oscar. Depois viriam as categorias para os atores e o diretor(a). Gostei muito de Nightcrawler ter sido lembrado e aparecer na lista do Oscar. O filme tem os seus defeitinhos, mas sem dúvida o roteiro é um de seus pontos fortes. E como a produção toca em temas importantes nos dias atuais, muito justo ela aparecer no Oscar e ganhar visibilidade com esta indicação. Boyhood é um dos filmes do ano – ou, talvez, o melhor filme de 2014. Tem um roteiro fantástico e, por isso mesmo, comparando com os outros filmes que eu assisti nesta categoria (acrescento The Grand Budapest Hotel), ele receberia o meu voto. Ainda assim, preciso assistir a Birdman e Foxcatcher antes de bater o martelo – tenho muita curiosidade sobre estas duas produções.

Melhor Trilha Sonora:

Avaliação: Aqui, dois super veteranos e mestres na arte da composição dividem a cena com dois nomes menos conhecidos. O genial, de quem sou ultra fã Alexandre Desplat está indicado duplamente por The Grand Budapest Hotel e The Imitation Game. O anúncio seguido do nome dele duas vezes arrancou risadas da plateia que estava no teatro onde os indicados foram anunciados e também da presidente da Academia. O outro veterano na disputa é o genial Hans Zimmer, indicado por Interstellar. Ele já ganhou um Oscar, por The Lion King, e foi indicado a outras sete vezes antes do Oscar 2015. Desplat e Zimmer dividem espaço com Gary Yershon, de Mr. Turner, e Jóhann Jóhansson de The Theory of Everything. Preciso assistir a três filmes da lista, mas acho que Jóhansson faz um trabalho excepcional em The Theory of Everything. Talvez ele seja o nome a ser batido este ano.

Melhor Filme em Língua Estrangeira:

  • Ida, da Polônia
  • Leviathan, da Rússia
  • Tangerines, da Estônia
  • Timbuktu, da Mauritânia
  • Wild Tales (Relatos Salvajes), da Argentina

Avaliação: Nesta categoria, minha alegria especial por mais uma indicação da Argentina. Nosso país vizinho, volta e meia em crise – e atualmente passando por mais uma -, nos mostra mais uma vez que tem um cinema muito superior ao nosso. E isso não é coisa de “leitura ianque”. De fato o cinema argentino, e isso há muito tempo, mostra muito mais qualidade, na média, que o brasileiro. Gostei de ver mais uma vez uma produção argentina chegar lá. Ida era uma indicação prevista, assim como Leviathan – que ganhou o Globo de Ouro. Interessante ver países pequenos e sem uma tradição forte no cinema, como Estônia e Mauritânia, chegando também. Dos indicados, assisti apenas a Ida e acho que o filme mereceu figurar na lista. Agora, preciso ver aos demais para poder fechar o meu voto.

Melhor Direção:

Avaliação: Fiquei feliz com a indicação de três nomes de diretores que eu admiro muito: Alejandro Iñarritu, Richard Linklater e Wes Anderson. Os outros dois, ainda preciso conhecer melhor. Há tempos tiro o meu chapéu para Inãrritu, diretor mexicano que dá aula de direção e de cinema. Muito bacana vê-lo entre os indicados – e um ano após o conterrâneo dele, o também genial Alfonso Cuarón, ganhar nesta mesma categoria. Isso seria um sinal?🙂 Anderson, ainda que muito competente, não seria o meu voto. Preciso assistir aos outros três trabalhos mas, inicialmente, eu penderia para o genial Richard Linklater que nos entregou a joia rara Boyhood.

Melhor Atriz:

  • Marion Cottilard, por Two Days, One Night
  • Felicity Jones, por The Theory of Everything
  • Julianne Moore, por Still Alice
  • Rosamund Pike, por Gone Girl
  • Reese Witherspoon, por Wild

Avaliação: Nesta e na próxima categoria eu gostei da renovação entre os indicados. Tirando Julianne Moore da lista, temos um grupo de atrizes jovens e que ainda estão em ascensão. Fiquei especialmente feliz pela indicação de Marion Cottilard, indicada apenas uma vez antes no Oscar, em 2008, por La Môme, quando levou a estatueta para casa. Ela deveria ter sido indicada em outras ocasiões e, este ano, aparece novamente no radar da Academia. Entre todas as indicadas, vi apenas o trabalho de Felicity Jones em The Theory of Everything. Ela está bem, mas não acho que o desempenho dela seja digno de um Oscar. Julianne Moore e Reese Witherspoon chegam na disputa após ganharem o Globo de Ouro – a primeira por Drama, a segunda por Comédia ou Musical. Da minha parte, sou sempre adepta de Julianne Moore, que considero uma das melhores atrizes não apenas de sua geração, mas de todos os tempos. De qualquer forma, preciso assistir a todos os desempenhos para então opinar.

Melhor Ator:

Avaliação: Como nas categorias de ator e atriz coadjuvantes, novamente aqui existe um certo equilíbrio entre atores veteranos e nomes que ainda estão em ascensão. De qualquer forma, pela primeira vez em muito tempo, não vi na lista nenhum nome óbvio ou que já seja figura carimbada no Oscar. E isso é bom, muito bom. Promissor para o cinema de Hollywood. Da minha parte, gostei muito de ver os nomes de Steve Carell, Benedict Cumberbatch e Michael Keaton entre os indicados. O primeiro e o terceiros são atores geniais, mas pouco reconhecidos. O segundo está em franca ascensão é um dos favoritos entre os nerds – eu incluída. Preciso assistir aos demais, mas desde já eu opino que este deve ser o ano de Eddie Redmayne. Ele é o nome de The Theory of Everything e tem, realmente, um desempenho primoroso no filme. Sem dúvida, o nome a ser batido este ano.

Melhor Filme:

Avaliação: Lista interessante a deste ano. E que mostra um passo a mais no processo de modernização da Academia. Não existe, no Oscar 2015, um franco favorito e nem uma produção do tipo blockbuster. Há muitos filmes de baixo orçamento e que são ousados na dinâmica, na proposta conceitual e no tema abordado. Ainda preciso assistir à maioria, mas talvez The Theory of Everything seja o mais “politicamente correto” dos filmes concorrentes. Não acho ele um filme que mereceria estar entre os melhores de 2014, assim como não acho isso de The Grand Budapest Hotel. Mas os dois, querendo ou não, apresentam um “conjunto da obra”, especialmente nos elementos técnicos, bem acabado. Fiquei feliz pelo filme de Eastwood estar indicado – apesar de sentir a ausência do diretor na categoria específica -, assim como o inevitável Boyhood. Tenho grande curiosidade para assistir a American Sniper e Birdman. Talvez eles me façam mudar de ideia. Porque, até o momento, o meu voto iria para Boyhood. Ah sim, e ia me esquecendo: interessante também que foram indicados apenas oito filmes este ano. Houve anos com 10 e com nove desde que a lista foi ampliada dos antigos cinco indicados. Não acho que o ano tenha sido fraco para termos apenas oito indicados… talvez isso aconteceu porque poucos filmes concentraram a maioria dos votos. Vai saber… A Academia poderia explicar pra gente, não?

 

Estes são os indicados do ano. Atualizem, como eu farei, a lista de vocês de filmes para assistir. Acredito que não houve nenhuma grande surpresa entre os indicados. Os favoritos estão aparecendo na lista. Muitos correm por fora em suas respectivas categorias. Um dos destaques foi The Grand Budapest Hotel receber nove indicações ao Oscar.

Chamo a atenção que ele não foi indicado em nenhuma categoria de atores. Isso porque é um filme que se destaca pela parte técnica, principalmente, mas não pelo conjunto da obra. Duvido muito que ele seja premiado sem ser em alguma categoria técnica. É o forte candidato a ser o filme bem indicado do ano, mas ficar com quase estatueta alguma.

No mais, gostei da Argentina chegar novamente na categoria de Melhor Filme em Língua Estrangeira. É um país vizinho ao nosso, quase sempre em crise, mas que tem um cinema muito mais desenvolvido e de qualidade que o nosso, na média. Também gostei de ouvir o nome de Clint Eastwood, meu herói para sempre, entre os produtores indicados em Melhor Filme por American Sniper.

Boyhood chegou em todas as categorias esperadas, e tivemos uma boa renovação nos indicados a Melhor Ator e Melhor Atriz. Enfim, este Oscar está interessante. Será emocionante acompanhá-lo no dia 22 de fevereiro, quando o Oscar será apresentado no Dolby Theatre no Hollywood & Highland Center nos Estados Unidos. A transmissão está marcada para começar às 16h no horário da Califórnia, 21h no horário de Brasília. O Oscar será transmitido este ano para 225 países e apresentado por Neil Patrick Harris, conhecido ator da série How I Met Your Mother.

SALDO GERAL: Os recordistas em indicações este ano são The Grand Budapest Hotel e Birdman que concorrem, cada um, em nove categorias. Seguem atrás e empatados com seis indicações American Sniper e Boyhood. Depois vem, na fila dos filmes com cinco indicações, Foxcatcher, Whiplash, Interstellar e The Theory of Everything. Desconfio que The Grand Budapest Hotel ficará apenas com um, dois e até três estatuetas em categorias técnicas. Concorrendo mais pesado estarão Boyhood, Birdman e American Sniper. The Theory of Everything também levará alguma estatueta – praticamente certa a de Melhor Ator. Para resumir, não acredito em um Oscar que vá premiar com muitas estatuetas apenas um filme. A premiação vai ficar, mais uma vez, um bocado pulverizada. Como nos últimos anos, vou acompanhar a transmissão com vocês aqui no blog. Até lá! E enquanto isso, se possível, acompanhem as críticas que vou fazendo sobre os indicados por aqui.😉 Inté!

ADENDO (21/01): Gente, dormi no ponto ali encima e ninguém me chamou a atenção! Ai, ai, ai! Esqueci de citar outro super indicado deste ano: The Imitation Game. Depois de The Grand Budapest Hotel e Birdman este é o filme mais indicado do ano porque ele concorre em oito categorias. Ainda não o assisti, para dar pitaco, mas pretendo fazer isso em breve. Mas é bom eu fazer este adendo, já que ele é um forte candidato – aparentemente.

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