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The Nice Guys – Dois Caras Legais

24 de julho de 2016 Deixe um comentário

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Uma bela trilha sonora, figurinos, um clima que nos transporta novamente para os anos 1970 e dois atores que se divertem em um filme despretensioso. The Nice Guys não apenas é ambientado nos anos 1970 e resgata o espírito dos filmes daquela época, mas também e principalmente tira sarro dos filmes de detetive. Feito para rir, ele tem algumas sequências realmente interessantes, especialmente de ação e de ironia.

A HISTÓRIA: Vista da cidade e música bacaninha. Estamos em Los Angeles, Califórnia, em 1977. Um garoto chama o cão para dentro. Sorrateiramente ele entra no quarto dos pais e pega uma revista de mulher pelada sob a cama. Ele vê a atriz pornô Misty Mountains (Murielle Telio), termina de tomar um copo de leite na cozinha enquanto vemos a um carro caindo morro abaixo. O veículo atravessa a casa e cai no quintal do garoto, que vê a mesma Misty Mountain semi nua pouco antes dela morrer. Corta.

Uma turma de estudantes assiste a um vídeo de aula da natação que tira sarro de uma toalha gay. Uma das alunas desta turma é o novo alvo do detetive Jackson Healy (Russell Crowe). Ele dá uma dura no novo namorado dela, muito mais velho e que tem um carrão e grana para comprar maconha para os dois. Ele é contratado sempre para resolver casos como este. Mas uma cliente, Amelia Kuttner (Margaret Qualley) acaba aproximando Healy de outro detetive particular, Holland March (Ryan Gosling). Os dois, na verdade, acabam se envolvendo por causa de Amelia.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a The Nice Guys): Logo no início deste filme quem tem um pouco mais de memória ou idade vai se sentir no clima de Dancing Days. A trilha sonora de The Nice Guys é um dos pontos altos do filme. Assim como a proposta dele de tirar sarro dos filmes de detetive e/ou investidores particulares dos anos 1970 – e de outros tempos depois.

Para alívio de quem está incomodado com o politicamente correto exagerado dos nossos tempos, The Nice Guys apresenta um antídoto que, diferente de The Hangover (comentado aqui), não cai na piada simples e nem no exagero que pode provocar o efeito oposto. Não. The Nice Guys tem a ironia e a tiração de sarro dos protagonistas e do estilo de filme na medida certa. Não tem um humor boboca e nem recorre ao preconceito de qualquer categoria para fazer rir. Apenas isso já é um grande alívio.

Verdade que o filme utiliza o clima de suspense e de produções policiais como desculpa para existir. A história em si é meio boba, meio exagerada, centrada em uma grande investigação sobre uma jovem atriz que é meio sem pé nem cabeça. A própria definição da história também gira um pouco sobre o nonsense, mas é justamente aí que reside a graça deste filme. Sem disfarçar os roteiristas Shane Black e Anthony Bagarozzi deixam claro que os filmes de detetive são uma grande desculpa para entreter. Não vais tirar deles nenhuma grande mensagem ou lição. A diversão é o que conta.

E neste sentido de diversão este filme se sai muito, muito bem. The Nice Guys está para os filmes de detetive assim como Kick-Ass (comentado aqui) está para os filmes de super-heróis. O que eles tem em comum? Primeiro, ambos tiram sarro da essência dos filmes do gênero. Depois, ambos tem bastante estilo – que pode ser visto pela trilha sonora escolhida à dedo, ótimas edições e trabalho do elenco.

Terceiro ponto: os dois filmes não tratam as crianças como coadjuvantes, mas como protagonistas que não tem papas na língua e nem medo de tiroteio. Nesta tiração de sarro que os dois filmes fazem de seus respectivos gêneros também sobram sequências politicamente incorretas – mas nada que extrapole muito a sensibilidade das pessoas.

O diretor Shane Black fez um belo trabalho de pesquisa e realmente levou todo o espírito dos anos 1970 para este filme. O que é um verdadeiro deleite para os espectadores já que, convenhamos, os anos 1970 foram maravilhosos para o cinema. A exemplo do que Quentin Tarantino tinha feito, antes, com Jack Brown, aqui novamente é apresentado com talento por Black. A diferença é que The Nice Guys é bem mais engraçado e irônico com os seus protagonistas e com aquela época do que o respeitoso filme de Tarantino.

O roteiro de Black e Bagarozzi faz lembrar Tarantino em sua melhor forma na rapidez dos diálogos e pela “filosofia do cotidiano”. Além disso, o filme funciona bem, além dos elementos técnicos que ajudam a mergulhar o espectador no clima dos anos 1970, porque os dois protagonistas claramente se divertem muito ao participar desta produção. Fundamental para esta produção também é a jovem atriz Angourie Rice que vive a filha de March, Holly. Ela é a revelação da produção, com diálogos e atitudes ótimas e que dão muito humor para a produção.

O próprio título desta produção é uma ironia. Os protagonistas do filme são tudo, menos caras legais. Como acontece em muitos filmes, o roteiro de The Nice Guys trabalha para que gostemos deles, mas eles tem mais a ver com vilões do que com heróis. Ou podem ser vistos como clássicos anti-heróis bonachões que amamos odiar – ou que, muitas vezes, não chegamos a odiar.

Ambos são trapalhões, levam e dão bastante porrada e fazem quase tudo para conseguir o que querem – incluindo intimidar pessoas e matá-las no caminho para conseguirem o que querem. Quer dizer, Healy tem mais esta vertente de bater até matar, se necessário. Não há dúvidas de que Healy tem mais experiência que March e de que ele é o especialista da dupla em bater. March aparentemente é o mais esperto – mas ele tem uma quedinha por bebidas e mulheres que muitas vezes não o ajuda nas missões. A sorte dele é que Holly sempre está por perto, contrariando o próprio pai e, muitas vezes, se colocando em risco.

No início do filme Healy ganha uma grana de Amelia para que ele afaste as pessoas que estão tentando localizá-la. Por causa disso ele conhece March. March, por sua vez, está atrás de Amelia não pelas razões que ela ou Healy imaginam, mas porque ele está investigando o sumiço da atriz pornô Misty Mountains – ele foi contratado por Mrs. Glenn (Lois Smith) para encontrar a sobrinha dela. Não demora muito, contudo, para os dois se aliarem para buscar Amelia. Outros personagens entram em cena para complicar a história – como bandidos que estão atrás de Amelia – e a resolução para a trama tem um ponto alto com a perseguição final do filme que acabou causando tudo isso.

Filme bem construído, com os detalhes técnicos funcionando muito bem, tem um roteiro também bem pensado e que funciona bem praticamente o tempo inteiro. Apenas algumas sequências sem muito pé nem cabeça – como Amelia que, em teoria, estava querendo se esconder, naquela festa cheia de pessoas do cinema, e aquele sonho alucinante de March no carro – poderiam ter sido cortadas ou construídas de outra forma. Elas acabam enfraquecendo um pouco a narrativa, mas sem comprometer tanto o resultado final.

Os roteiristas também exageraram um pouco na dose de colocar crianças falando sacanagem – isso vale, em especial, para a sequência de Holly com a atriz pornô na festa do diretor de cinema. Por outro lado são brilhantes a sequência envolvendo a recuperação do filme de Amelia e amigos no final e o próprio destino da jovem atriz – afinal, se na vida real acontecem sequências impressionantes para o bem, também acontecem fatos inacreditáveis negativos. Gostei de um filme mostrar a segunda situação, só para variar.😉

Também é um belo acerto do filme ter uma certa reviravolta no final – quando parecia que a história já tinha terminado, ainda temos um “grand finale”. E ainda que a história seja apenas uma desculpa para muito humor e cenas de ação, no final é interessante uma certa reflexão sobre como os poderosos de Detroit poderiam chegar muito longe para defenderam os seus negócios e que os mocinhos tem um efeito limitado na vida real. No fim das contas, há uma grama de crítica neste filme focado em diversão. Bastante politicamente incorreto, mas sem cair na avacalhação ou na piada fácil, este filme vale a diversão. Com alguns descontos aqui e ali, é um bom divertimento.

NOTA: 9,5.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Achei muito interessante a união entre o experiente Russell Crowe, que não vemos muito fazendo comédia, com o versátil e cada vez mais interessante Ryan Gosling. Crowe segue sendo o cara mais sério da produção, aquele que normalmente tem o controle da situação e está atento a cada detalhe, mas ele também se mete em encrenca e se atrapalha. É bom ver o ator saindo um pouco do lugar-comum e fazendo algo diferente. Ryan Gosling está ótimo, como normalmente o vemos. Sem dúvida alguma um dos melhores nomes da sua geração e uma figura que merece ser acompanhada de perto.

A jovem Angourie Rice, ao lado destas duas figuraças e com o roteiro de Shane Black e Anthony Bagarozzi para se divertir, acaba sendo a grande revelação deste filme. O estilo dela em The Nice Guys nos faz lembrar As Panteras. Uma garota destemida e pronta sempre para impedir os bandidos e para defender quem está sendo perseguido. Filha de atores, ela tem 13 produções no currículo. Ela estreou com o curta Hidden Clouds, de 2009, e fez o seu primeiro longa em 2013, a produção These Final Hours. Depois de The Nice Guys ela fez Jasper Jones, atualmente em fase de pós-produção, e está filmando Spider-Man: Homecoming. Vale acompanhá-la também.

Os detalhes técnicos deste filme fazem toda a diferença. Para começar, vale aplaudir a trilha sonora deliciosa e muito bem escolhida de David Buckley e John Ottman. Depois, funciona muito bem a direção de fotografia de Philippe Rousselot, a edição de Joel Negron, os ótimos figurinos de Kym Barrett, o design de produção de Richard Bridgland, a direção de arte de David Utley, a decoração de set de Danielle Berman, e o trabalho competente da equipe de maquiagem com 23 profissionais. Todos estes elementos são importantes para a história e para o resultado final da produção, assim como a edição de som e a mixagem de som e os efeitos visuais.

The Nice Guys é um filme centrado nos dois protagonistas e com destaque, entre os coadjuvantes, para a filha de March. Mas ele também tem vários coadjuvantes que ajudam a dar molho para a história. Além das atrizes já citadas, que estão muito bem como Amelia (a jovem Margaret Qualley) e Mrs. Glenn (Lois Smith), vale citar as ótimas participações de Matt Bomer como John Boy (o assassino profissional mais fera da história); Yaya DaCosta como Tally, secretária de Judith Kuttner (Kim Basinger em uma ponta de luxo); Keith David ótimo como Older Guy, um dos bandidos que procura Amelia; Beau Knapp também muito bem como Blueface (o outro bandido em busca da jovem atriz); e Daisy Tahan como Jessica, amiga de Holly e que acaba envolvida em uma das cenas de ação da história. Todos estão muito bem, ainda que muitos tenham poucos diálogos na história – mas a participação de todos é importante. Como ponta, vale ainda citar Lance Valentine Butler como o garoto da bicicleta.😉

Fiquei curiosa para saber um pouco mais sobre Shane Black. Fiquei surpresa com o trabalho dele – especialmente com o roteiro. Daí fiquei sabendo que ele é considerado um dos roteiristas pioneiros do gênero de ação como o conhecemos atualmente. Ele foi responsável, por exemplo, pelo roteiro de Lethal Weapon, filme de 1987 com Mel Gibson e Danny Glover que tem em comum, com este The Nice Guys, a ação e o humor. Ele não tem muitos roteiros no currículo – soma apenas 16 desde então. Mas tem um trabalho também como ator e, aparentemente, tem altos e baixos como roteirista – afinal, não dá para achar o roteiro de Last Action Hero com algo bom, não é mesmo?

The Nice Guys estreou no dia 15 de maio na Bélgica e no Festival de Cinema de Cannes. Até agora este foi o único festival em que ele participou. Dá para entender isso porque este é um filme essencialmente comercial.

Este filme teria custado cerca de US$ 50 milhões e faturado, apenas nos Estados Unidos e até o último dia 17, pouco mais de US$ 36 milhões. Com este ritmo e levando em conta os outros mercados em que o filme já estreou e vai estrear, provavelmente ele vai registrar um lucro satisfatório.

The Nice Guys é uma produção 100% dos Estados Unidos e foi rodada totalmente naquele país em cidades como Los Angeles, Covina e Atlanta.

Agora, algumas curiosidades sobre o filme. Inicialmente The Nice Guys foi pensado para ser uma série de TV. Mas os realizadores mudaram de ideia porque o piloto parecia não estar levando a lugar nenhum. Bem, até daria para desenvolver uma série com a mesma filosofia do filme, mas realmente acho que ficou melhor em quase duas horas do que em diversas horas de uma série de TV.

Uma marca registrada do diretor Shane Black e que volta a ser utilizada neste filme é que uma das cenas finais da produção se passa na época de Natal. E a última curiosidade: a contagem de mortos neste filme chega a perto de 20.

Os usuários do site IMDb deram a nota 7,7 para esta produção. Uma bela avaliação se levarmos em conta o padrão do site. Os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 222 críticas positivas e apenas 21 negativas para esta produção, o que lhe garante uma aprovação de 91% e uma nota média de 7,6. Um belo nível de aprovação, sem dúvida. E merecido, cá entre nós.

Não sei vocês, mas com este sucesso de crítica e um bom resultado nas bilheterias, não acho difícil esse filme ter uma continuação. Até pela forma com que ele termina. Não me surpreenderei se isso acontecer. Só espero que uma segunda produção mantenha as qualidades desta primeira.

CONCLUSÃO: Este é o típico filme “arranje uma desculpa qualquer de enredo para fazermos um filme de ação”. The Nice Guys tem uma história um tanto forçada, tirada de uma cartola, mas que torna ainda mais evidente o conceito de que o que importa é o desenrolar da história e nem tanto a essência dela. Casa bem com os nossos dias de gente opinando sobre tudo nas redes sociais, não? Para quem gosta dos filmes dos anos 1970 – como não gostar deles? – esta produção faz uma bela homenagem para todo aquele estilo e aura. E para completar, temos os atores Ryan Gosling e Russell Crowe realmente se divertindo em seus papéis. Além disso, é bom ver um filme “politicamente incorreto” na medida para variar. Incorreto, mas com inteligência. Um belo achado para pura diversão.

Magic Mike

4 de novembro de 2012 4 comentários

Entretenimento puro. Especialmente para as garotas. Magic Mike vai agradar a quem gosta de ver belos corpos rebolando. É um passatempo, nada mais que isso. Feito sob medida pelo diretor Steven Soderbergh, cada vez mais interessado em subverter histórias clássicas em ambientes pouco utilizados como cenário dos enredos de Hollywood. A fixação dele pelo sexo e a sensualidade continua. Desta vez, no lugar de uma garota de programa, acompanhamos a um grupo de strippers. Homens, é bom dizer. No mais, aquele filme no estilo de Soderbergh, com ótima fotografia, boa música, ritmo e estilo.

A HISTÓRIA: Algumas luzes focam no homem que provoca gritos de um grupo de mulheres excitadas. O restante do ambiente está no escuro. A lógica do ambiente resgata um quarto qualquer. As mulheres se divertem, enquanto o dono do pedaço, Dallas (Matthew McConaughey), as incentiva a tocar/não tocar. Corta. O mês é junho. E Mike (Channing Tatum) acorda após mais uma noite de diversão. Ele se despede rapidamente de Joanna (Olivia Munn), com quem se encontra com alguma assiduidade, e vai trabalhar na reforma de mais alguns telhados. Neste local é que ele encontra Adam (Alex Pettyfer), um jovem de 19 anos que não sabe muito bem o que vai fazer da vida. Mas que acaba mudando a rotina de Mike em pouco tempo.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso só recomendo que continue a ler quem já assistiu a Magic Mike): Algo que eu admiro no diretor Steven Soderbergh é seu domínio total das imagens e dos tempos. Percebam cada sequência de Magic Mike, como ela é pensada com exatidão. Não é por acaso que, além de direção do filme, Soderbergh assina a direção de fotografia e a edição de Magic Mike. Ele domina o ritmo e a identidade do filme do início ao fim.

Para os que gostam ou não dele, Soderbergh faz um cinema autoral. Ele gosta de ação, de ritmo, de cenas bem planejadas, de valorizar a trilha sonora, uma direção de fotografia com lentes que estilizem as imagens e, desde 2009, a jogar com a sexualidade do público. Naquele ano, Soderbergh investiu na atriz de filmes pornô Sasha Grey para interpretar uma garota de programa em The Girlfriend Experience. No ano passado, voltou a colocar uma bela mulher – e atriz de segunda – na frente de suas lentes, como protagonista: Gina Carano estrelou, assim, Haywire. Veja a crítica do primeiro e do segundo filme citado aqui no blog, respectivamente.

Se nestes dois filmes anteriores os homens se esbaldaram com belas mulheres, com Magic Mike Soderbergh foca as suas lentes em belos homens, com corpos esculpidos, para alegrar as moças que não tem vergonha de dizer que gostam de ver a beleza que existe no mercado. Diferente das produções anteriores, Magic Mike mergulha mais na história pessoal do protagonista. E, o que sempre faz toda a diferença, os atores principais desta nova produção tem talento. O que coloca Magic Mike em outro patamar, comparado com as produções anteriores em que Soderbergh apostou na sensualidade como elemento fundamental.

Verdade que grande parte de Magic Mike é uma desculpa para vermos lindos homens dançando – e muito, muito bem! – e tirando a roupa sobre um palco. Aliás, grande parte do mérito do êxito desta produção é do coreógrafo Alison Faulk e sua assistente, Teresa Espinosa. Ele e sua equipe garantem cenas incríveis e divertidas que preenchem grande parte da história.

Descontadas as apresentações de Magic Mike e dos demais strippers, este filme conta uma história de amor. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). E de forma totalmente “acidental”. Conta, também, como três meses podem mudar totalmente a vida de algumas pessoas. Soderbergh gosta de marcar o tempo em seus filmes, e em Magic Mike esta marcação é funcional. Porque faz pensar. Em três meses, o personagem de Adam dá uma guinada em sua vida. E de reboque, muda a rotina da irmã, Brooke (Cody Horn), e as perspectivas de Mike.

Porque a vida vai nos levando. Cada vez mais. O ano é curto, depois do Carnaval já aparece as férias do meio do ano e, em seguida, o Natal. Nesta vida acelerada, e ainda mais no ambiente retratado por Magic Mike, não é difícil entender como um homem se deixa levar. Especialmente se ele é a estrela do espetáculo. Nisto conhecemos Mike, que acumula trabalhos, nada que lhe dê realmente muito dinheiro, enquanto ele vai adiando o início de seu sonho, de ter um negócio próprio de designer de móveis. E deixar aquela vida de stripper.

Sem muito espaço para conhecer pessoas “de verdade” ou ter conversas sinceras, Mike se surpreende com Adam e sua irmã, Brooke. Ela, como qualquer mulher que consegue enxergar, fica perplexa com a beleza de Mike. Mas não confia no rumo que ele está dando para a própria vida. Ou para o caminho que o irmão está seguindo. Enquanto Mike e, principalmente Adam, se jogam em uma rotina de gandaia, Brooke fica a espera de que algo mude. E que, principalmente Mike, perceba o tempo que está gastando em um vida sem muito futuro. Afinal, aos 30 anos, ele está ficando “velho” para o trabalho de stripper.

Magic Mike mergulha na rotina, sonhos e desejos do protagonista. Revela os bastidores de um negócio como o que é mantido por Dallas. E com tantas músicas boas, mérito da trilha sonora supervisionada por Frankie Pine, fica fácil acompanhar esta história. Que tem o ritmo adequado e até passa rápido, levando em conta que assistimos a 1h50min de um filme sem grande moral ou reflexão. Puro passatempo, bem embalado e empacotado, como manda o padrão de Soderbergh.

No mais, além de ter um bom ritmo e de contar uma história sob a ótica de personagens pouco explorados no cinema, Magic Mike tem um bom roteiro. Diálogos interessantes e da “vida real” garimpados por Reid Carolin. Uma qualidade desta produção, além do estilo de Soderbergh. E os atores, é claro, dão um show à parte. Para mim, este é o melhor trabalho de Channing Tatum. E um dos melhores da carreira de Matthew McConaughey. Sim, o segundo exagera na dose. Mas o seu personagem é para ser assim mesmo, “over”. Gostei muito dos dois.

E como eles são a “fantasia” em pessoa, vivem seus “personagens” em tempo real, nada melhor que interpretações “suaves” e realistas como as de Cody Horn e Alex Pettyfer para contrabalancear. Junto com eles, muito bom ver a atriz Olivia Munn ganhando certa evidência. Gosto muito dela na série The Newsroom, por isso mesmo é bacana vê-la se destacando em um filme de Soderbergh também. Sem dúvida, o desempenho destes atores fazem a diferença nesta produção.

NOTA: 8,8.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Matthew McConaughey, em especial, tem um desempenho de arrepiar. Pelo sotaque, pela imersão em um personagem egocêntrico e cheio de moral – e de bobagens. Há tempos eu não via o ator abraçar tão bem um papel. Ele é o segundo nome do elenco, atrás apenas de Channing Tatum que, a cada filme, vem se firmando cada vez mais como um grande nome de sua geração. Ele tem carisma, é centrado no trabalho e convence no papel. Além de ser muito, muito bonito. Um ator precisa mais do que isso? Por um bom tempo ele não vai precisar.

Os outros strippers desta produção merecem ser citados. Eles fazem um ótimo trabalho. São eles: Kevin Nash como Tarzan, Joe Manganiello como Big Dick Richie, Matt Bomer como Ken, e Adam Rodriguez como Tito. Além deles, vale citar o trabalho de Gabriel Iglesias como Tobias, o DJ da casa de strippers e que também faz circular ecstasy em algumas festas para dar mais dinheiro para quem quer entrar no esquema.

Além deles, há superpontas de gente conhecida, como James Martin Kelly como Sal, que contrata jovens com ou sem experiência para reformar telhados pagando uma miséria; Camryn Grimes como a garota que faz 21 anos e ganha um convite especial de Mike e Adam; e Betsy Brandt como a bancária que nega mais um empréstimo para Mike.

Channing Tatum acreditou tanto nesta produção que colocou dinheiro nela. Ele é um dos produtores de Magic Mike.

Uma curiosidade sobre esta produção: o papel de Brooke, irmã de Adam e que conquista Mike, foi oferecido para Jessica Biel. Mas ela recusou o convite. Sorte de Cody Horn.🙂

Inicialmente, Tatum tinha pensado no diretor Nicolas Winding Refn para conduzir esta produção. Mas o diretor não conseguiu conciliar este projeto com outro que ele tinha em andamento, Only God Forgives. Interessante saber disto porque fica evidente que Tatum tinha o projeto na manga antes de Soderbergh encarar a proposta. Lendo mais a respeito, soube que Magic Mike, na verdade, é um projeto muito pessoal de Tatum. Esta produção é baseada em algumas experiências do ator antes da fama, quando ele atuava como um “dançarino exótico”. Interessante.

Os atores que interpretam os strippers são, na verdade, profissionais do ramo. Kevin Nash, por exemplo, que interpreta a Tarzan, aparece em cena com uma cinta no joelho, algo que ele usa no seu trabalho normal, como stripper, porque tem muitos problemas no joelho na “vida real”.

Há um rumor, não comprovado oficialmente, de que Tatum não se deu muito bem com Alex Pettyfer, que interpreta Adam, no set de filmagens. O que pode ter ajudado no filme, já que um certo “estranhamento” realmente é visto em cena e justifica as ações dos personagens.

O logo da Warner Bros. usado na abertura do filme é uma releitura do logo desenhado por Saul Bass nos anos 1970. Curiosidade estilosa.

Magic Mike teria custado cerca de US$ 7 milhões. E faturado muito, muito bem até o momento. Apenas nos Estados Unidos, esta produção conseguiu pouco mais de US$ 113,7 milhões até o dia 23 de setembro.

Este filme estreou em junho e participou, até o momento, de apenas dois festivais: o de Karlovy Vary e o de Locarno.

Como a história mesmo sugere, Magic Mike foi filmado na cidade de Tampa, na Flórida. Colonizada desde 1823, 30 anos depois ela seria incorporada como cidade aos Estados Unidos. É uma cidade considerável… tem 335,7 mil habitantes, segundo o último levantamento, de 2010. É a 53a maior cidade dos Estados Unidos. Nada mal. Ela fica perto do Golfo do México, e a 451 quilômetros de Miami – ou quatro horas e meia de carro, aproximadamente.

Os usuários do site IMDb deram a nota 6,2 para o filme. Achei pouco, especialmente porque este é um filme divertido. Talvez a maioria dos votantes tenha sido de homens.🙂 Ou as pessoas estavam buscando um filme mais sério. Vai saber… Os críticos que tem seus textos linkados no Rotten Tomatoes foram mais generosos. Eles dedicaram 148 críticas positivas e 38 negativas para a produção, o que lhe garante uma aprovação de 80% e uma nota média de 6,9.

CONCLUSÃO: Eis um passatempo com estilo. Bem ao gosto do diretor Steven Soderbergh. Verdade que grande parte de Magic Mike é uma desculpa para performances de strippers incríveis. Dá-lhe belos corpos dançando e tirando a roupa. Muitos homens devem torcer o nariz porque, claro, ao invés de mulheres serem as protagonistas, temos o outro lado “do balcão”. Magic Mike é feito para quem gosta de ver belos homens em cena. E de uma forma nada usual. Descontadas as várias cenas de dança, streap tease e festas regadas a bebida, alguma droga e um tanto de sexo, Magic Mike se revela uma história de amor. Bastante insinuada, no princípio, mas que se consolida no final. Soderbergh arriscou nesta escolha. E se não fossem os atores, que fazem um ótimo trabalho e tem carisma, provavelmente ele erraria nesta aposta. Porque a chance do tal romance parecer falso era grande. Mas acaba convencendo. O que só ressalta, ainda mais, o talento do diretor e dos protagonistas. Boa história, com ótimas coreografias, estilo e divertida. Quem precisa mais? Bem, algumas vezes precisamos. Mas daí deixamos isso para o próximo filme sério da lista.🙂

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